terça-feira, outubro 17, 2006

Um novo regime político para Portugal

Muito se tem falado na mudança do regime político actual em vigor no nosso país. Há quem ache ser necessário passar do regime semi-presidencialista actual para um regime presidencialista. Outros há que referem a necessidade de criação de um parlamento bicameral com a constituição de um senado (esta medida teria a vantagem acrescida de dar senadores a um povo que tanto preza os títulos honoríficos e profissionais). E depois, há a velha história de ressuscitar uma monarquia que fez coisas tão bonitas por Portugal como o aqueduto das Águas Livres, o Pinhal de Leiria, o Mosteiro dos Jerónimos e o bigode de D. Duarte Pio.
Mas não podemos viver só de ideias ultrapassadas nem ter medo da inovação, mesmo que tal inovação implique pegar no sistema que agora temos e virá-lo completamente do avesso. Por exemplo.
Estou convencido de que o país seria um sítio muito melhor para viver se o poder legislativo estivesse entregue a uma assembleia não eleita constituída por todos os homens chamados Sérgio e todas as mulheres chamadas Filomena a residir no país e que tivessem nacionalidade portuguesa. Caber-lhes-ia fazer as leis pelas quais todos nós nos regeríamos. Pode parecer uma coisa arbitrária. Pode haver quem se questione se este grupo de Sérgios e Filomenas teria a formação adequada para tão grande responsabilidade e se podemos entregar-lhe tal poder só por terem um determinado nome. Talvez não. Mas em que ponto é que isso difere do sistema que temos agora em que se põe uma cruz à frente do nome de um partido, cruz essa que se transforma por obra e graça do espírito santo num punhado de deputados que, na maioria, ninguém sabe quem são?
O poder executivo ficaria nas mãos do vencedor de um concurso organizado todos os anos a nível nacional para encontrar o português que conseguisse enfiar mais sultanas numa das narinas sem sangrar ou asfixiar. Por se tratar de muita responsabilidade para uma pessoa só, o vencedor do concurso poderia recrutar uma equipa de babuínos treinados especialmente para a função governativa.
A chefia do Estado, com toda a sua aura de representação nacional e união dos cidadãos em torno do conceito de pátria, seria atribuída a uma estátua de mármore, representando o actor americano Chuck Norris em tamanho duas vezes superior ao natural. Goste-se do seu trabalho ou não, é uma verdade indesmentível que é o tipo de homem com quem pouca gente ousará medir forças e a carga psicológica de um grande Chuck Norris feito de pedra é imensa.
Quanto ao poder judicial, é dispensável e poderia ser extinto.
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