Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
domingo, agosto 02, 2009
Bobby McFerrin usa a audiência como instrumento
Bobby McFerrin demonstra o poder da escala pentatônica (escala de 5 notas) usando a participação da audiência, no evento “Notes & Neurons: In Search of the Common Chorus” no festival mundial de ciência 2009.
Àqueles que não terão férias
A verdadeira discussão, como é óbvio, deveria ser outra. As 35 horas semanais de trabalho são uma conquista positiva ou não? A redução do tempo de trabalho é ou não é uma das grandes aquisições civilizacionais que temos? A limitação das horas de trabalho por semana e o direito a férias remuneradas são ou não são uma das mais importantes vitórias do movimento popular? E, assim sendo, não deveríamos celebrar o facto de termos um horário de trabalho menor com o mesmo salário? E não deveríamos lutar pela sua extensão a todos os trabalhadores, em vez de reproduzirmos esse preconceito mesquinho que pretende dividir para reinar e virar uns trabalhadores contra os outros?
Nos idos anos 30 do século XX, a França, que permanece como o país com mais dias de férias consagrados na lei, tinha um Governo de Frente Popular. Nessa altura, havia socialistas que estavam à frente dos partidos chamados socialistas. Foi uma época de importantes conquistas sociais. Uma das mais relevantes e simbólicas foi o direito a férias: duas semanas, estabelecidas em 1936. Uma extraordinária mudança para a vida de muita gente.
Antes disso, as férias eram um privilégio dos burgueses e dos aristocratas. O povo – aqueles que trabalhavam – não tinha direito ao descanso. O reconhecimento de que os trabalhadores tinham direito a férias, e que esse tempo de não trabalho devia ser remunerado, não foi apenas uma forma de limitar o tempo da exploração capitalista. Foi também o reconhecimento de que os e as trabalhadoras são seres dotados de inteligência, com outras necessidades para além do trabalho, com vontade de ler, de descansar, de passear, de gozar a vida. E de que o direito ao trabalho não deve significar a escravização completa das pessoas, mas sim ser uma fonte de dignidade e de direitos. Talvez por isso, e não sem ironia, o historiador Jean-Philippe Bloch dizia que a grande vantagem de se ter um trabalho é poder gozar férias…
Foi porque as férias são uma conquista histórica tão central que se tornou célebre essa frase francesa segundo a qual «a civilização se medirá pelos meses de férias que os trabalhadores conseguirem arrancar aos patrões». Com efeito, a justiça da distribuição da riqueza e do trabalho (e portanto, do aumento da produtividade conseguido, entre outras coisas, com a evolução tecnológica) na nossa sociedade pode medir-se pela redução do horário de trabalho. Trabalhar menos horas para ter mais tempo para viver é certamente uma medida de civilização.
Acontece que as férias remuneradas são resultantes de um trabalho com contrato. Ou seja, vivemos hoje em Portugal e no resto da Europa uma situação em que uma parte muito significativa da população não pode gozar deste direito. Voltamos ao tempo do desprezo pelos trabalhadores e da selvajaria.
Em Portugal, não gozam férias remuneradas, desde logo, o cerca de meio milhão de desempregados e, dentro destes, as 200 mil pessoas sem subsídio. Mas também, de forma gritante, as 900 mil pessoas que, estando a recibo verde, ganham apenas quando “prestam o serviço” para que são contratadas (sim, não esqueçamos que os trabalhadores a “falso recibo verde” não têm subsídio de desemprego, nem protecção na maternidade na maior parte dos casos, nem férias remuneradas…). E não gozam férias, ainda, todos aqueles trabalhadores temporários ou que têm contratos que, milagrosamente, acabam em Julho para renasceram em Setembro, assegurando que não há férias pagas para ninguém.
A regressão que está actualmente em curso em Portugal, e na qual o desemprego é utilizado como chantagem para impor a precariedade e a precariedade é usada como mecanismo normal de regulação do trabalho, é uma regressão civilizacional sem precedentes. Significa que há um poder político que desistiu da herança socialista, que rasga todos os direitos que constituíam a social-democracia e que exclui cada vez mais gente do contrato social. O direito ao trabalho e, a partir dele, a luta pelas férias remuneradas, voltam a ser objecto de combate. Em nome dele, a esquerda socialista saberá sempre onde se colocar e de que lado está a civilização.
http://infoalternativa.org/spip.php?article1036
Como fazer um origami divertido
Programas eleitorais
PS – Fornecer um Magalhães a cada utente do SNS, de modo a que toda a gente possa marcar consultas por mail para o seu médico de família virtual
CDS – Todos os micro, pequenos e médios empresários, bem como os lavradores, ficam isentos do pagamento das taxas moderadoras
BE – Isenção do pagamento das taxas moderadoras para gays, lésbicas e transsexuais e para a Joana Amaral Dias
PCP – O diagnóstico de todas as doenças passará a ser votado, de braço no ar, entre os médicos e a Comissão de Utentes
PSD – Não sabe/Não responde
Educação:
PS – Fornecer um McIntosh a todos os professores e avaliá-los on-line
CDS – Garantir que todos os micro, pequenos e médios empresários, bem como os lavradores, obtenham, no mínimo, o 12º ano de escolaridade
BE – Exigir o acesso às Novas Oportunidades a todos os gays, lésbicas e transsexuais e à Joana Amaral Dias
PCP – Os professores serão avaliados pela Fenprof, através de uma votação de braço no ar
PSD – Não sabe/Não responde
Obras Públicas:
PS – Construir dois novos aeroportos, um em Lisboa, outro no Porto, duas novas pontes sobre o Tejo, uma delas pedonal, lançar o TGV, com três linhas (Lisboa-Madrid, Lisboa-Casablanca e Lisboa-Salvaterra de Magos) e distribuir Magalhães a todos os trabalhadores da construção civil
CDS – Construir lares da 3ª idade para todos os aposentados das micro, pequenas e médias empresas, bem como para os lavradores
BE – Construir um Centro de Exposições onde os artistas gays, lésbicos e transsexuais, bem como a Joana Amaral Dias, possam expor as suas obras
PCP – Construir um Pavilhão dos Congressos para todos os sindicatos filiados na CGTP, o qual se chamará Pavilhão Carvalho da Silva
PSD – Não sabe/Não responde
Política Externa:
PS – Fornecer Magalhães a todos os presidentes e primeiro-ministros de todos os países da União Europeia, da Nato e da CPLP
CDS – Organizar estágios em Harvard e outras universidades norte-americanas para todos os micro, pequenos e médios empresários, bem como para os lavradores
BE – Cortar relações com todos os países homofóbicos e para os que não concedam vistos à Joana Amaral Dias
PCP – O que interessa é o que se passa cá dentro. Não temos nada com a vida dos outros.
PSD – Não sabe/Não responde
http://www.coiso.net/
Política fiscal da emboscada
“Deixe lá o rico ir comprar o iate, não lhe tire o dinheiro antes de ele ir ao iate” é uma coisa do além, que mais parece saída de um filme do Tarantino. (Estou a imaginar a cilada. Ferreira Leite está numa carrinha à distância. O vendedor de iates encontra-se com o rico debaixo do viaduto. Assim que transaccionam o barco, Ferreira Leite aparece: Mãos no ar. Tu, rico, passa para cá os impostos. Tu, vendedor, vai à procura de outro, enquanto eu tenho uma conversinha aqui com este ricalhaço – dá-lhe uma coronhada na nuca – com que então a comprar barquinhos – mais uma coronhada – pensavas mesmo que o Estado não te ia ficar com o dinheiro – pontapé nas partes – se não te importas eu vou ficar com o barquinho e com o dinheiro.)
Enfim, a líder do PSD devia saber que os iates à séria são comprados por paraísos fiscais e que se ela tributar alguém, só tolos com aquelas embarcações pneumáticas que nem dobram o Espichel.
Devia saber, também, que quando esteve no Governo e tentou fazer estas emboscadas, os barquinhos dos portugueses, embora comprados por paraísos fiscais, nem sequer passavam por Portugal. Ficavam nas costas francesa e espanhola, onde não há ferreiras leites, nem na época baixa.
Quanto aos postos de trabalho que se garantem com estes esquemas – se é que se garantem muitos neste jogo do gato e do rato – folgo em saber que Ferreira Leite está preocupada com o desemprego em Itália, Espanha e Estados Unidos. Ou será que a líder do PSD acha que os iates são construídos em Portugal? A apanhar do ar como anda, talvez ache.
http://www.lobidocha.com/
P implica Q não é a mesma coisa que não-P implica não-Q
Todos os Lisboetas são Portugueses, mas isso não implica que quem não seja Lisboeta não possa ser Português! Os Portuenses também o são. E os habitantes de Olivença? Não sabemos, porque ninguém perguntou isso ao TC.
Ou seja, o casamento homossexual também pode ser constitucional. Nunca foi isso que esteve em causa.
O CM diz TC chumba casamento gay, o Público diz Tribunal Constitucional diz não ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, o Diário Económico diz Tribunal Constitucional chumba casamento entre homossexuais, etc. Tudo disparates.
http://apentefino.blogs.sapo.pt
sábado, agosto 01, 2009
Agredido pelo fiscal de linha?
O jogador é Escudero, e é argentino.
DISCREPÂNCIAS
http://atentainquietude.blogspot.com/
Comunicado da AAP - Capelanias
(Capelanias)
Qualquer doente, recluso ou militar tem o direito de acesso aos ministros do culto da sua religião, um direito do qual ninguém deve ser privado. No entanto, a prestação de serviços religiosos não é da competência do Estado. Por isso, se por um lado a Associação Ateísta Portuguesa (AAP) reconhece a todos os crentes o direito à assistência espiritual, por outro repudia o recurso ao erário para financiar este serviço. A remuneração dos sacerdotes que visitem doentes, reclusos ou elementos das forças de segurança deve ficar a cargo das organizações religiosas e dos seus fiéis. A liberdade religiosa deve reconhecer a todos tanto o direito à sua religião como o direito de não pagar dos seus impostos a religião dos outros.
O acordo da passada segunda-feira entre o Estado e a Igreja Católica, ao contemplar a contratação de sacerdotes como prestadores de serviços ao Estado, é contrário ao espírito da liberdade religiosa. Não apenas por usar o erário que é de todos, crentes e não crentes, para pagar a alguns representantes de algumas religiões, mas também por obrigar o Estado a contratar cidadãos discriminando-os pela sua religião, discriminação esta que a própria Constituição proíbe.
E é uma medida desnecessária. Para respeitar a liberdade religiosa de reclusos, pacientes internados ou militares basta que o Estado permita visitas regulares por parte de qualquer sacerdote religioso a pedido dos interessados. Desta forma ninguém fica privado de acesso aos ministros do seu culto religioso, sem o constrangimento de ter de recusar serviços que não solicitou, em situação particularmente debilitada, no caso de reclusos e doentes.
Porque a remuneração pública de sacerdotes não é um requisito da liberdade religiosa, e porque é contrário a esta liberdade obrigar cada contribuinte a financiar religiões nas quais não crê e obrigar o Estado a contratar serviços discriminando os candidatos de acordo com a sua religião, a AAP (opõe-se a) repudia qualquer acordo que comprometa o dinheiro dos contribuintes (ao) para financiamento de práticas religiosas.
Separar a cidadania da fé é um dever cívico, tal como separar o Estado da religião é uma obrigação constitucional, esta, na opinião da AAP, grosseiramente violada na decisão do Conselho de Ministros.
Assim, a AAP denuncia mais este atropelo à laicidade e ao pluralismo e a escalada beata que confere à Igreja católica privilégios incompatíveis com um país democrático.
a) Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 31 de Julho de 2009
http://www.ateismo.net/
A hipocrisia beata
Já quanto á tolerância, excepção feita a alguns cristãos urbanos e civilizados, estamos em campos opostos. Enquanto eu encaro com bonomia os crentes, e com desprezo as crenças, os crentes odeiam-se reciprocamente e consideram a sua crença indiscutível.
Como são poucos os que se dão ao trabalho de comparar a Tora, a Bíblia e o Corão os americanos julgam que a Bíblia foi ditada em inglês e os muçulmanos que o Corão foi revelado pelo arcanjo Gabriel em árabe, enquanto Bento 16 deixa correr o boato de que a Bíblia foi escrita em latim, língua que se usa nas missas dos padres mais obsoletos.
Ainda hoje pude observar um grupo de católicos que estão de acordo em que os países árabes devem afastar a religião da política mas quando lhes referi que a escola pública portuguesa devia ser poupada às aulas de moral e religião católicas, já não estavam de acordo.
Descobri mais uma coisa em comum com os crentes: as outras religiões são perigosas. É um facto indesmentível. No dia em que os crentes acrescentarem a sua religião às que ameaçam a humanidade o potencial de paz será largamente aumentado.
http://www.ateismo.net/
Paulo Campos e o IDT
- Paulo Campos, membro do Governo -
(O senhor que assumiu ter convidado Joana Amaral Dias para integrar as listas do PS às legislativas de Set. 2009)
É uma espécie de posição sobre as lutas dos professores e a situação da escola pública
A frente jurídica nunca teve pernas para andar assim como o chamado "compromisso educação" de que os movimentos independentes de professores tanta importância dão...O psd se for poder esquecerá aquilo que promete, e diz, e afirma, e gesticula...Essa é a essência do poder (dizer uma coisa na oposição e no poder fazer outra, porque os interesses são diferentes quer se esteja na oposição ou no poder…) e quem não compreende isso será sempre enganado e dirá aos quatro ventos..."Eu não sabia que isto podia acontecer!..."
Os professores só podem contar com eles e com a força intrínseca que têm de serem cento e quarenta mil e terem força, socialmente falando. Mas...de Janeiro para cá a realidade mostrou que os professores, na sua esmagadora maioria são intrinsecamente individualistas, umbiguistas (por aqui se explica o muito do êxito que este grupo de professores têm na blogosfera) em verdade, cobardes porque não querem arriscar o que quer que seja da sua vidinha a não ser fazerem uma "grevezita" de vez em quando, uma grande manifestação de seis em seis meses e doarem uns euros para a realização de pareceres jurídicos que não servem objectivamente para grande coisa num país em que a justiça (e isto já é um lugar comum dizê-lo) não funciona...
Por tudo isto afastei-me do cenário de luta (o papel e a posição que tinha na APEDE) porque cheguei à conclusão que estava a gastar energias e tempo mais úteis na realização de outras actividades do que andar a "chover no molhado".
Assim a escola pública não terá grande futuro como aliás se vai adivinhando...
Os professores só dependem deles próprios: não é dos políticos, não é de eleições legislativas, não é dos sindicatos: A situação da escola pública deve-se precisamente à confiança depositada nos políticos e nos sindicalistas que demonstraram à exaustão que o caminho trilhado e desejado por eles é outro…
Estou convencido de que a situação só poderá realmente mudar quando a classe disser de vez: “Basta!” e estiver realmente disposta a fazer o que for preciso para alterar o estado de coisas a que a escola e o ensino público chegaram. Até lá será a técnica do caranguejo, que é a táctica utilizada pelos políticos profissionais da política, dois passos em frente e um atrás, onde devem ser incluídos os sindicalistas profissionais que adoram chamar-se professores mas que não dão aulas desde o século passado e portanto os seus reais interesses não se confundem com o dos professores que se debatem com múltiplas situações profundamente negativas no seu dia a dia…
A "justiça" em tempo de eleições
Independentemente da urgência que havia (e há) em limpar aquela lixeira, independentemente da bondade, genialidade, megalomania, ou simples despropósito, do projecto de Frank Gehry, tudo ficou em águas de bacalhau, então. Santana e Gehry foram cada um à sua vidinha e as desconfianças sobre os tais pagamentos, se as havia, ficaram a hibernar por vários anos. Até agora... quando faltam apenas dias para começar uma campanha eleitoral que pode colocar Pedro Santana Lopes de novo no comando da Câmara Municipal de Lisboa.
Descansado pela certeza de que nenhum dos estimados leitores me confundirá com um apoiante de Santana Lopes, sempre digo que esta arte portuguesa das conveniências, que leva um sistema judicial a manter na arca frigorífica dezenas e dezenas de investigações e processos, que vão sendo descongelados ao sabor dos vários calendários eleitorais, é uma arte verdadeiramente asquerosa. Tão asquerosa como as eminências pardas que têm nas mãos os cordelinhos que vão “dando vida” a estas decisões que tão bem vão servindo os seus interesses pessoais.
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Atenção aos pormenores
A incrível Fátima Felgueiras, quem sabe se por estar mesmo inocente, foi absolvida de todos os crimes de que estava acusada em tribunal. O tribunal “não conseguiu” provar, nenhuma das acusações, nomeadamente o seu envolvimento com o futebol local e o paradeiro de milhões de euros que, por essa via, se esfumaram.
"Portugal ficou a saber que a Fátima Felgueiras e Felgueiras são a todos os níveis exemplares."
Esta é uma das frases proferidas pela autarca nos festejos do final do julgamento. Tivesse ela dito a dita durante o dito e os juízes poderiam ter reparado que a senhora até já fala como os futebolistas. Poderia bem ter sido um sinal... mas agora já é tarde!
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PORTUGAL: CAMPANHA ELEITORAL PERMANENTE NUM PAÍS EXAUSTO
A «política» nesta terra, resume-se a alguns maduros pretenderem mostrar que - eles sim - seriam os impecáveis e incorruptíveis gestores da coisa pública, denunciando as traficâncias dos que estão no poder. Assim, logo que estejam no poder, poderão retomar a roubalheira, fazendo beneficiar filhos e afilhados.
A única sanção grave para os prevaricadores, mesmo os menos astutos, é serem preteridos nas listas eleitorais no ciclo seguinte eleitoral, pelo chefe do seu respectivo partido. Portanto, irão encher os bolsos, encher o bandulho até rebentar, não vá a coisa descambar para eles, não podendo continuar a comer do tacho na próxima legislatura.
Este despilfarro passa-se a todos os níveis do Estado, quer ao nível central, quer ao nível das autarquias, tanto nas mais altas figuras do Estado e suas cortes respectivas, como também ao nível do «director-geral» e abaixo.
Um curioso estudo, surgido há poucas semanas, indicava que o Estado português poderia fornecer serviços (de saúde, educação, segurança social, etc.) com a qualidade de uma Finlândia, se não fosse a enorme onda de corrupção que o atinge.
Evidentemente, tal estudo evita explicar o que causa a corrupção: a sequela de algo bem mais profundo e que não tem a ver, nem com um «défice moral» intrínseco ao povo português, nem - muito menos- com qualquer herança genética.
A continuada decadência do Estado, das instituições e também das classes que o suportam e dele se aproveitam tem uma explicação lógica claríssima.
Este país foi um vastíssimo império desde há dois séculos transformado em neocolónia com o assentimento e participação das sucessivas gerações da classe dominante (alta aristocracia, burguesia industrial, burguesia financeira...), primeiro pelo império britânico, sobretudo desde o século XIX até meados do século XX. A partir do século XX, não são várias as potências neocolonizadoras, já não apenas Grã-Bretanha como outras grandes potências europeias continentais e os EUA.
Quanto à UE, é notório o papel de potência colonizadora desde 86:
- destruição dos recursos alimentares autóctones (agricultura e pescas)
- destruição da indústria tradicional, virada para satisfazer o mercado interno
- criação de uma indústria de tipo «maquiladora» para servir as multinacionais.
- enfraquecimento da população autóctone, negando-lhe bens de saúde essenciais, apesar de uma das mais altas taxas de impostos e de descontos para a segurança social, se comparadas com o PIB per capita, da Europa e do mundo.
- manutenção do todo um sistema clientelar que faz obstáculo permanente a quaisquer decisões bem-intencionadas.
- manutenção de um estado de ignorância com a massificação do «espectáculo rei», destronando quaisquer preocupações sérias, melhor, sendo o escape obrigatório para as gentes não se angustiarem com as coisas sérias, deixadas para os «senhores que sabem»!
... E a lista poderia continuar por muitos e muitos itens.
Face a este estado de coisas, tanto à esquerda como à direita, em todo o espectro político, a única e exclusiva preocupação é «agarrar» o eleitor, fazendo uma campanha destinada a «fazer passar a mensagem» de que «se votares no partido X, terás de certeza isto e isto e mais aquilo».
Um exemplo típico disso vem no programa eleitoral do PS, partido socratoíde, ao decretar que haverá uma chuva de benefícios, desde um subsídio universal de nascimento (200 €, uma fortuna!), apenas resgatável quando a criança perfizer 18 anos (paciência se tiver o azar de morrer antes!), passando pelo reforço das ajudas às famílias monoparentais (sobretudo, muitas divorciadas ou separadas com filhos menores) até à generalização das bolsas de estudo para o ensino secundário.
Tudo promessas sem qualquer consistência, pois implicariam, a serem seriamente aplicadas e abrangendo a totalidade dos grupos considerados, uma subida enorme das despesas do Estado com a Segurança Social, para as quais não haveria obviamente contrapartida de receitas.
O «macaco de rabo pelado» Alberto João Jardim disse, com ironia, que eles deviam aplicar já essas medidas, pois nada os impedia de o fazer. Com efeito, sendo eles a maioria absoluta, poderiam ter - há largo tempo - obtido a fácil aprovação, no parlamento, de tais medidas.
Ao atirarem com todas estas medidas em campanha eleitoral, como bôdo aos pobres e à classe média, estão simplesmente a desprezar o povo português, a desconsiderá-lo, estão a tomá-lo por colectiva e generalizadamente estúpido!
Porém, à direita do PS, aquilo que vem ao de cima, é mais o reflexo do marasmo que reina no maior partido da direita/direita, o PSD. Não existe uma única ideia-força sobre a governação, não se descortinam que propostas, muito inteligentes e originais, irão produzir no seu programa eleitoral de governo.
De qualquer maneira, os políticos sabem que os programas eleitorais - e mesmo os programas de governo- são para rasgar e lançar no cesto dos papéis, à primeira ocasião, assim que for conveniente para a governação, para se manterem no poder.
À esquerda do PS, as coisas também não parecem minimamente encaminhadas, pois tanto a CDU como o BE, globalmente, propõem mais do mesmo: ou seja, a mesma política reformista, o mesmo estilo de «partidos de protesto», o mesmo uso das autarquias captadas para o respectivo partido, para fazerem - em pequena escala - o que os outros fazem à escala do país inteiro.
Mas, sobretudo, nunca por nunca, se irão entender num programa comum, preferindo a querela ao nível dos sindicatos, das autarquias e, por vezes, em frente dos holofotes da comunicação social. Para manterem as bases bem separadas, brindam-se periódica e reciprocamente com diversos epítetos, mimos esses destinados a mostrar quem detém a hegemonia na classe trabalhadora!
Confrangedor... pois eles são também integralmente responsáveis pelo facto da classe no poder ter as mãos livres para fazer o que muito bem quer e entende, neste «cantinho à beira mar plantado», para ir lixando a classe trabalhadora.
Uma oposição de esquerda reformista a sério, seria benéfica, embora só no curto prazo, para os trabalhadores. Não se traduzia na mudança estrutural do regime, mas apenas numa evolução em sentido menos desfavorável.
Infelizmente, para fazer uma política reformista a sério é preciso mais do que boas intenções. Mas nem o PCP, nem o BE, sequer isso têm!!
Com efeito, objectivamente, ambos mostram uma grande falta de vontade. Porque, apenas em coligação, poderiam ser um desafio capaz de mudar algo, capaz de se submeter à prova da governação, pelo menos, em municípios onde a sua aliança tivesse maioria!
Mas disso, fogem eles como «diabo da cruz», revelando assim as suas verdadeiras intenções: bem podem os militantes de base destes partidos sonhar com uma frente social (e não apenas eleitoral!), os aparelhos respectivos continuam o braço-de-ferro para quem detém a primazia de vanguarda iluminada da classe trabalhadora!
Isto seria cómico, se não fosse trágico: é que a maior central sindical (CGTP) é arrastada - há anos- para uma política inconsequente, de grande fogo-de-vista, mas com uma acção no terreno, ou completamente ausente (onde estão os militantes sindicais nos momentos em que é preciso?) ou (ainda pior) em que organiza a capitulação face ao patronato e ao estado, em vez de organizar a luta, a resistência e a capacidade reivindicativa, em vez -em suma- de acumular forças para um combate de classe.
Temos, portanto, os dados lançados: o país vai continuar a afundar-se, a tornar-se mais dependente, mais clientelar, mais corrupto (tudo consequências e não causas) por mais uns bons anos, com colaboração activa de toda a casta política - ou seja: os que detêm responsabilidades no aparelho de Estado (cargos eleitos ou de nomeação política) e ainda os que detêm cargos directivos nos aparelhos partidários.
Por detrás deles, sempre a controlá-los, encontra-se uma outra casta, que mexe os cordelinhos do dinheiro e não está disposta a gastar em vão o seu pecúlio. Os grandes empresários industriais, os donos e gestores da finança (banca, sociedades financeiras diversas, seguradoras...), os capitalistas estrangeiros, com interesses ou com vistas nos despojos desta terra.
Ambas as castas, a política e a dos negócios, contam com a colaboração prestimosa da UE, da NATO, da OCDE, cada qual possuíndo uma caterva de «técnicos», sempre prontos a parir um parecer jutificando tais ou tais medidas, de cunho neoliberal!!!
Alternativas?
- Sim, existem, partem do princípio que temos de nos unir na base, não em torno de ideologias, mas em torno da resolução dos problemas concretos. Surgirão soluções, necessariamente, quando as pessoas deixarem de ter medo e constituírem assembleias, auto-convocadas, realmente de democracia participativa, ou seja, assembleias onde as pessoas se regem por uma lógica de base, sem representantes, mas com mandatos sempre definidos e controlados, com possibilidade de serem retirados a qualquer momento.
Manuel Baptista

















