As previsões oficiais não tomavam conhecimento disso, fosse como fosse. Todos estavam confiantes em que a oferta de petróleo continuaria a crescer firmemente para 130 milhões de barris por dia (Mb/d) e até para além disso, a preços que seriam considerados espantosamente baratos pelos padrões de hoje. As companhias petrolíferas raramente mencionavam o Pico Petrolífero e, quando o faziam, era num tom casual e desdenhoso.
Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
domingo, abril 04, 2010
O despertar oficial para o Pico Petrolífero
As previsões oficiais não tomavam conhecimento disso, fosse como fosse. Todos estavam confiantes em que a oferta de petróleo continuaria a crescer firmemente para 130 milhões de barris por dia (Mb/d) e até para além disso, a preços que seriam considerados espantosamente baratos pelos padrões de hoje. As companhias petrolíferas raramente mencionavam o Pico Petrolífero e, quando o faziam, era num tom casual e desdenhoso.
O NEGRO E O VERMELHO
Dir-se-á então que é preciso trabalhar melhor e mais frutuosamente? Mas a renda foi calculada sobre uma média de produção que não pode ser ultrapassada: se fosse de outra maneira o proprietário aumentaria a renda. Não é assim que os grandes proprietários de terras têm aumentado sucessivamente o preço das suas rendas à medida que o crescimento da população e o desenvolvimento da indústria lhes ensinaram o que a sociedade podia tirar das suas propriedades? O proprietário conserva-se estranho à acção social: mas qual vampiro, os olhos fixos na presa, está pronto a saltar sobre ela e a devorá-la.
Os factos que observámos numa sociedade de mil pessoas reproduzem-se, ampliados, em cada nação e em toda a humanidade, mas com infinitas variações e múltiplos caracteres que não é do meu desejo descrever.
Em resumo, a propriedade depois de ter despojado o trabalhador pela usura, assassina-o lentamente extenuando-o; ora sem a espoliação e o assassínio a propriedade não é nada; com a espoliação e o assassínio logo perece, por falta de sustento: portanto, a propriedade é impossível.
sábado, abril 03, 2010
A medida mais emblemática do governo de sócrates que marca toda uma legislatura
Perspectivas
A própria foto que outrém tirou
Pois esta é alguém a mostrar o que fui
E o espelho dá-me aquilo que sou.
Sacado daqui
Campanha estética
Por esta razão, talvez não seja de surpreender a nova atitude que a Igreja, especialmente a Igreja Católica Portuguesa, pretende tomar para fazer face à avalanche de escândalos de abusos sexuais e resolver, simultaneamente a crise económica que o país atravessa.
Aliando a situação extraordinária da visita a Portugal de Bento XVI e o facto da visita coincidir com um dos meses mais apelativos para o turismo, a Agência Ecclesia fez saber através da sua página Facebook que, a partir de 11 de Maio, irão estar disponíveis, em todas as lojas de Fátima uma variada gama de produtos que têm como objectivo “embelezar o nome de Jesus e de Maria nos lábios de cada crente”.
Da futilidade dos pedidos de perdão
Para que raio serve um pedido de perdão? Não serve para nada. Policarpo está numa posição ainda mais recuada do que Ratzinger. Poderia apelar à colaboração com os tribunais. Poderia investigar o que houver para ser investigado. Poderia denunciar à polícia o que descobrisse. Não. Em vez disso, pede «perdão».
O catolicismo é isto.
Os desafios da desqualificação
PETRÓLEO: RASPAR O FUNDO DO TACHO
Os diferentes significados do “Outro mundo é possível”
O NEGRO E O VERMELHO
Este resultado parece ridículo: é uma triste realidade.
O recenseamento chega... O que é o recenseamento? Um acto de propriedade exercido de improviso pelo governo sobre as famílias, uma espoliação de homens e dinheiro. Os camponeses não gostam de deixar partir os seus filhos: nisso acho que não fazem nada mal. É difícil que um homem de vinte anos beneficie estando nas casernas; quando não se corrompe, detesta-se. Julguem da moralidade geral do soldado pelo ódio que ele tem ao uniforme: infeliz ou mau sujeito, é a condição do Francês sob as bandeiras. Não deveria ser assim mas é. Interroguem cem mil homens e estaram certos de que nem um me desmentirá.
O nosso camponês desembolsa 4.000 francos que pede emprestados para resgatar os dois soldades: a 5 por cento eis os 200 francos de que falávamos há pouco. Se até aí a produção da família, regularmente nivelada pelo consumo, foi de 1.200 francos, sejam 200 por pessoa, para servir esse interesse será preciso ou que os seis trabalhadores produzam por sete ou que apenas consumam por cinco. Diminuir no consumo não se pode; como conseguir o necessário? É impossível produzir mais; não se saberia trabalhar nem mais nem melhor. Experimentar-se-á um meio termo, consumir como cinco e meio produzindo como seis e meio? Dentro em pouco se perceberá que com o estômago não há enganos; que abaixo de um determinado grau de abstinência é impossível descer; que o que pode ser tirado ao necessário sem prejudicar a saúde é pouca coisa; e quanto ao crescimento do produto vem uma geada, uma epizootia, uma seca, e vai-se toda a esperança do trabalhador. Em breve a renda não será paga, os interesses acumular-se-ão, a pequena propriedade será usurpada e o velho possuidor escorraçado.
Assim, uma família que viveu feliz enquanto não exerceu o direito de propriedade, cai na miséria logo que o exercício desse direito se toma uma necessidade. A propriedade, para ficar satisfeita, exigiria que o colono tivesse o duplo poder de ampliar o solo e fecundá-lo pela palavra. Simples possuidor da terra o homem tira dela com que subsistir; se pretende o lugar de proprietário ela já não lhe chega. Não podendo produzir senão o que consome, o fruto que colhe do seu trabalho é a recompensa do labor: não há nada para o instrumento.
Pagar o que não pode produzir, tal é a condição do rendeiro depois que o proprietário se retirou da podução sociaI para explorar o trabalhador com novas práticas.
Voltemos agora à nossa primeira hipótese.
Os novecentos trabalhadores, seguros de tanto terem produzido no passado, ficam muito admirados depois de terem pago a sua renda, de se encontrarem um décimo mais pobres que no ano anterior. Com efeito, sendo esse décimo produzido e pago pelo proprietário trabalhador, que participava então na produção e nos encargos públicos, agora esse mesmo décimo não foi produzido e foi pago; deve, então encontrar-se a menos no consumo do produtor. Para preencher esse défice incompreensível o trabalhador pede emprestado com a plena certeza de pagar, certeza que no ano seguinte se reduz a um novo empréstimo acrescido dos juros do primeiro. A quem pede emprestado? ao proprietário. O proprietário empresta ao trabalhador o que recebeu a mais: e esse excesso que devia entregar progride de novo sob a forma de empréstimo a juros. Então as dívidas amontoam-se indefinidamente,, o proprietário deixa de fazer adiantamentos a um produtor que não lhe paga, e este, sempre roubado e devendo sempre o que lhe roubam, acaba na falencia de todo o bem que lhe tiraram.
Admitamos que o proprietário para usufruir dos seus lucros, tendo necessidade do rendeiro, o considera descriminado: terá feito um acto de grande generosidade pelo qual o senhor cura o elogiará no seu sermão; enquanto que o pobre rendeiro, confuso com este caridade inexplicável, ensinado pelo catecismo a rezar pelos seus benfeitores, promete redobrar-se de coragem e privações a fim de se redimir perante um senhor tão digno.
sexta-feira, abril 02, 2010
A Igreja católica, os milagres e os escândalos
A pressa em canonizar João Paulo II, um papa que era crente, depara-se agora com a nódoa que atingiu em cheio João XXIII e que persegue Bento XVI – a ocultação dos casos de pedofilia que envolvem os seus padres.
Os milagres obrados para fabricar beatos e santos, cada vez mais medíocres, têm sido um factor de descrédito da Igreja católica e motivo de ridículo que embatuca os crentes e hilaria os incréus. Salva-se o milagre da Alexandrina de Balazar que, segundo afirmou o próprio Papa João Paulo II, passou mais de 13 anos sem ter comido, bebido, defecado ou urinado, alimentando-se apenas de hóstias consagradas e cuja beatificação ainda teve de passar por uma milagre obrado numa conterrânea emigrada em Estrasburgo.
A cura do olho esquerdo de D. Guilhermina de Jesus, queimado com salpicos ferventes de óleo de fritar peixe, foi um milagre que transformou Nuno Álvares Pereira, de herói que era, em colírio, desonra que não mereceria o vencedor de Aljubarrota.
Na semana em que o Vaticano comemora a morte de João Paulo II e já tinha um milagre confirmado para a sua beatificação, tudo correu mal, desde a contestação da posição assumida em vida quanto aos abusos sexuais dos seus padres até à validade do milagre obrado depois de morto. Depois de aprovado o milagre da cura da freira francesa, Marie Simon-Pierre, que sofria da doença de Parkinson, foi posto em causa por um prestigiado jornal que duvidou do diagnóstico e da cura.
Para além da dúvida de ter curado uma freira, depois de morto, de uma doença que não conseguiu evitar a si próprio, em vida, resta a incúria com que lidou com as inúmeras queixas de abusos sexuais que recebeu e de que se desinteressou, deixando a resolução às dioceses.
A quantidade avassaladora de milagres e a catadupa de escândalos vão transformando o Vaticano de referência ética que foi para alguns em espaço mal frequentado reconhecido por quase todos.
É fartar vilanagem!...
A Parque Escolar vai poder continuar a fazer ajustes directos, durante mais um ano, nos contratos de modernização das escolas. O Decreto-Lei que prorroga o prazo até 31 de Dezembro deste ano foi hoje publicado em Diário da República.
( encontro de activistas ibéricos em Ruesta, Arágon, de 1 a 4 de Abril)
O horror do povo à mentira
O NEGRO E O VERMELHO
A propriedade é impossível porque é homicida
Se o direito de lucro pudesse sujeitar-se às leis da razão e da justiça reduzir-se-ia a uma indemnização ou ao reconhecimento de que o máximo não ultrapassaria nunca, para um trabalhador, uma certa fracção do que ele é capaz de produzir; acabamos de demonstrá-lo. Mas, porque é que o direito de lucro, não receemos chamá-lo pelo seu nome, o direito do roubo, se deixaria governar pela razão com a qual nada tem de comum? O proprietário não se contenta com o lucro tal como o bom senso e a natureza das coisas lho atribuem: faz-se pagá-lo dez, cem, mil, um milhão de vezes. Separadamente, não tiraria da sua coisa mais que 1 de produto e exige que a sociedade que ele não fez lhe pague já não um direito proporcional ao poder produtivo dele, proprietário, mas um imposto por cabeça; taxa os seus irmãos segundo a sua força, número e indústria. Nasce um filho ao trabalhador: Bom, diz o proprietário, é mais um lucro. Como se realizou essa metamorfose da renda em capitação? Como é que os nossos jurisconsultos e os nossos teólogos, esses doutores tão finos, não reprimiram esse alongamento do direito de lucro?
Segundo a sua capacidade produtiva, o proprietário calcula quantos trabalhadores são precisos para ocupar a sua propriedade, divide-a em tantas porções e diz: Cada um pagar-me-á a renda. Para multiplicar o lucro basta-lhe, pois, dividir a propriedade. Em vez de avaliar o ganho que lhe é devido pelo seu trabalho, avalia-o pelo seu capital; e, por essa substituição, a mesma propriedade que, nas mãos do senhor, nunca pode produzir mais do que um, vale a esse senhor dez, cem, mil, um milhão. A partir daí não tem mais que tomar nota dos nomes dos trabalhadores que lhe aparecem: a sua tarefa reduz-se a entregar licenças e recibos.
Descontente ainda com um serviço tão cómodo, não entende suportar um défice que resulta da sua inacção: lança-se sobre o produtor, ao qual exige sempre a mesma retribuição.
Uma vez elevada a renda de uma terra à sua mais alta potência o proprietário nunca a baixa; o custo da subsistência, a raridade dos braços, os inconvenientes das estações, a própria mortalidade não lhe dizem respeito: porque sofreria ele com o mau tempo se nem sequer trabalha?
Aqui começa uma nova série de fenómenos.
Say, que raciocina maravilhosamente sempre que ataca o imposto, que em relação ao rendeiro não quer compreender que é proprietário exerce o mesmo acto de espoliação que o cobrador, diz, no seu ataque a Malthus:
«Se o cobrador de impostos, os seus comitentes, etc., consomem um sexto dos produtos obrigam por isso os produtores a alimentar-se, vestir-se, a viver, enfim, com os cinco sextos do que produzem. - Concorda-se, mas ao mesmo tempo diz-se que é possível a cada um viver com os cinco sextos do que produz. Eu próprio concordarei, se quiserem; mas pergunto por minha vez se acreditam que o produtor viva tão bem no caso de se lhe pedir, em vez de um sexto, dois sextos ou um terço da sua produção? - Não, mas ainda viveria. - Então, perguntarei, viveria ainda no caso de se lhe tirarem os dois terços... depois os três quartos? Mas apercebo-me que já não respondem nada.»
Se o chefe dos economistas franceses estivesse menos cego pelos seus preconceitos de propriedade teria visto que é esse precisamente o efeito produzido pela renda.
Vejamos uma família de camponeses composta por seis pessoas, pai, mãe e quatro filhos vivendo no campo, de um pequeno património que exploram. Admito que, trabalhando bem, consigam, como se diz, juntar o útil ao agradável; que abrigados, aquecidos, vestidos e alimentados não contraiam dívidas mas também não façam economias. Bom ano, mau ano, vivem: se o ano é bom o pai bebe um pouco mais de vinho, as filhas compram um vestido, os rapazes um chapéu; come-se um pouco de trigo, carne algumas vezes. Digo que essas pessoas se afundam e arruínam.
Porque, segundo o terceiro corolário do nosso axioma, devem-se a si próprios uma quantia pelo capital de que são proprietários: avaliando esse capital apenas com 8.000 francos, a 2,5 por cento, são 200 francos de ganho a pagar cada ano.
quinta-feira, abril 01, 2010
Tartaruga no poste...
jogado no lixo), o médico e o paciente começaram a conversar sobre o País, o governo e, fatalmente,
sobre Sócrates.
O velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe, o Sócrates é como uma tartaruga em cima do poste...
Sem saber o que o velho quis dizer, o médico perguntou o que diabo significava uma tartaruga
em cima do poste.
Ao que o velho respondeu:
- É, quando o senhor vai indo por uma estradinha, vê um poste.
Lá em cima tem uma tartaruga tentando equilibrar-se. Isso é uma tartaruga em cima do poste.
Perante a cara de espanto do médico, o velho acrescentou:
- Você não entende como ela chegou lá;
- Você não acredita que ela esteja lá;
- Você sabe que ela não subiu para lá sozinha;
- Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;
- Você não entende bem porque a colocaram lá;
- Então, tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá e providenciar para que nunca mais suba,
pois lá em cima definitivamente não é o seu lugar!
Ás mulheres de branco...
PARE, ESCUTE E OLHE
Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.
PARE, ESCUTE E OLHE.
O Premiado Documentário de Jorge Pelicano
NOS CINEMAS A 08 DE ABRIL
LUSOMUNDO AMOREIRAS LISBOA
CINEMA CITY ALVALADE LISBOA
LUSOMUNDO PARQUE NASCENTE PORTO
TRÁS-OS-MONTES, ESQUECIDO E DESPOVOADO, VÍTIMA DE PROMESSAS POLÍTICAS IMCUMPRIDAS DOS QUE JURARAM DEFENDER A TERRA.
O ANÚNCIO DO PLANO NACIONAL DE BARRAGENS LANÇADO PELO GOVERNO DE JOSÉ SÓCRATES VOLTA A AMEAÇAR A REGIÃO TRANSMONTANA.
EM NOME DO PROGRESSO, A CENTENÁRIA LINHA FERROVIÁRIA E PATRIMÓNIO DO VALE DO TUA ESTÃO EM RISCO DE SUBMERGIR COM A CONSTRUÇÃO DA BARRAGEM DE FOZ-TUA.
AS NECESSIDADES DAS POPULAÇÕES NÃO TÊM PESO, O POVO NÃO TEM VOZ.
AS ASSIMETRIAS ENTRE O LITORAL E INTERIOR DE PORTUGAL NUNCA ESTIVERAM TÃO ACENTUDAS.
“PARE, ESCUTE, OLHE” É UM DOCUMENTÁRIO DE REFLEXÃO. MILITANTE NA DEFESA DO PATRIMÓNIO DO VALE DO TUA.
UM RETRATO ACTUAL DE UM PORTUGAL DOS DISCUTÍVEIS INVESTIMENTOS PÚBLICOS, MERGULHADO NUMA GRAVE CRISE ECONÓMICA.
“PARE, ESCUTE, OLHE” É UM ALERTA, UMA DENÚNCIA, UMA VISÃO A LONGO PRAZO DE PORTUGAL.
Um folhetim no valor de 30,264 € / ano
Ora bem, 52 semanas ano e voos de ida e volta a Paris a 582 € dá uma despesa extraordinária de 30,264 € / ano. Ou de 121,056 € / legislatura.
Para a deputada Medeiros é um folhetim. Para mim é uma pipa de dinheiro e que nos sai a todos do bolso. Diz a deputada «Nada pedi». Quem disse então «Eu é que não as pago»?
Demita-se, se se acha assim tão prejudicada.
Israel/Palestina - Sete anos de resistência: "Anarquistas Contra o Muro"
Breve história
Em abril de 2003, três anos antes da segunda Intifada, um pequeno grupo composto majoritariamente por ativistas anarquistas israelitas que já realizava trabalho político no território ocupado, formou o Anarquistas Contra o Muro. O grupo foi criado num acampamento de protesto, na aldeia de Mas'ha, onde o muro estava sendo construído, deixando 96% da aldeia do lado israelita. O campo, composto por ativistas da Palestina, Israel e de todo o mundo, consistia em duas tendas instaladas no terreno da aldeia que se pretendia confiscar. Durante quatro meses manteve-se uma presença constante por parte dos ativistas. Ao longo deste tempo o acampamento tornou-se um centro de difusão de informações e uma base para decisões a partir da democracia direta. Numerosas ações diretas relacionadas com o muro foram planejadas e preparadas ali, tal como a ação direta de 28 de julho de 2003 na cidade de Anin. Nesta ação, os ativistas conseguiram manter aberta uma entrada através do muro apesar de serem atacados pelo exército.
Mais tarde, em agosto de 2003, com o muro ao redor de Mas'ha quase completo, o acampamento mudou-se para o terreno atrás de uma casa prevista para demolição. Depois de dois dias de bloqueio aos bulldozers e de detenções massivas, as casas foram demolidas e o acampamento terminou, mas não o espírito da resistência que ele simbolizava.
Em 2004, o povoado de Budrus começou a luta contra o muro e o coletivo ACM juntou-se a eles nas suas manifestações diarias. Através da sua persistência na mobilização da comunidade, da sua luta e resistência popular, o povoado de Budrus obteve significativas vitórias. Sem o recurso dos tribunais de Israel, utilizando somente a resistência popular, a aldeia conseguiu impor o recuo do muro, quase completamente para fora da sua terra. O sucesso de Budrus inspirou muitas outras comunidades na construção de uma resistência popular, o que representa talvez um êxito ainda maior. Durante boa parte do ano, ACM esteve presente em quase todas as comunidades em luta contra o muro que as atravessava e que requeriam a sua participação.
Mais recentemente, as suas ações centraram-se em volta de Bil'in, noroeste de Ramallah, onde a maior parte da terra de produção agrícola será confiscada pelo muro e pela expansão dos assentamentos.
O papel do grupo ACM na luta
A simples presença de israelitas em ações de civis palestinos representa para eles algum grau de proteção contra a violência do exército. O código de conduta do exército israelita é significativamente diferente quando há israelitas presentes e a violência, ainda que severa, é consideravelmente menor. Embora muitos ativistas israelitas tenham sido feridos em manifestações, alguns com gravidade, é sempre o povo palestino quem paga mais caro. Até hoje, 18 manifestantes palestinos foram mortos em ações contra o muro e milhares foram feridos.
O exército e o governo de Israel tentam travar a resistência popular palestina usando todas as formas possíveis de repressão, para deste modo prevenir a incorporação de ativistas israelitas numa luta comum. No decurso dos últimos anos, ativistas do grupo ACM foram presos centenas de vezes e dezenas de acusações foram contra si iniciadas. A repressão legal exercida pelas autoridades israelitas é uma frente adicional para minar e destruir a resistência. Para conseguir manter os e as ativistas fora das prisões e continuar a luta, ACM estão a fazer frente a crescentes gastos legais para a sua defesa nos tribunais israelitas. O custo devido à defesa legal supera já os US$ 60.000 dólares e continua a aumentar.
Financiamento
O grupo ACM conta apenas com os donativos das pessoas de todo o mundo que queiram que continuemos a apoiar a luta palestina pela liberdade.
Sítio do grupo Anarquistas Contra o Muro: http://www.awalls.org/
Sobre a luta em Bil'in, fotos em: http://www.activestills.org/
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana
O NEGRO E O VERMELHO
Se a força produtora de um proprietário for igual a 1, como de qualquer trabalhador, o produto de que se priva ao ceder a sua terra é também 1. Portanto se a taxa do lucro for de 10 por cento, o máximo de qualquer lucro será 0,1.
Mas vimos que todas as vezes que um proprietário se retira da produção a soma dos produtos diminui de uma unidade: portanto, sendo o lucro que lhe cabe igual a 0,1 enquanto se conserva entre os trabalhadores, será depois da sua retirada, segundo a lei de diminuição da renda, igual a 0,09. O que nos conduz a esta última fórmula: O máximo de lucro de um proprietário é igual à raiz quadrada do produto de um trabalhador (sendo esse produto expresso por um número adequado); a diminuição que sofre o lucro, se o proprietário se conserva ocioso, é igual a uma fracção que terá por numerador a unidade e por denominador o número que servirá para exprimir o produto.
Assim o lucro máximo de um proprietário ocioso ou trabalhando por sua própria conta, fora da sociedade, avaliado a 10 por cento sobre uma produção média de 1.000 francos por trabalhador, será de 90 francos. Portanto, se a França conta com 1 milhão de proprietários gozando de 1.000 francos de lucro e consumindo-os improdutivamente, em vez de 1 bilião que exigem de pagamento, em cada ano apenas lhes são devidos 90 milhões, segundo todo o rigor do direito e o cálculo mais exacto.
Representa qualquer coisa uma redução de 910 milhões sobre os encargos que pesam principalmente sobre a classe trabalhadora; no entanto, não estamos no fim das contas e o trabalhador ainda não sabe toda a extensão dos seus direitos.
O que reduz o direito de lucro, como acabamos de fazer, à sua justa medida no proprietário ocioso? Um reconhecimento do direito de ocupação. Mas, sendo o direito de ocupação igual para todos, todo o homem será proprietário com o mesmo título; todo o homem terá direito a um lucro igual a uma fracção do seu produto. Se, portanto, o trabalhador é obrigado pelo direito de propriedade a pagar uma renda ao proprietário, o proprietário é obrigado, pelo mesmo direito, a pagar a mesma renda ao trabalhador, e visto que os seus direitos se nivelam a diferença entre eles é nula.
Comentário. Se a renda só pode ser legalmente uma fracção do presumido produto do proprietário, qualquer que seja a extensão e a importância da propriedade, o mesmo se passa quanto a um grande número de pequenos proprietários separados: porque, se bem que um só homem possa explorar separadamente cada uma delas, o mesmo homem não pode explorá-las todas simultaneamente.
Resumamos: o direito de lucro, que só pode existir em limites muito restritos, marcados pelas leis de produção, anula-se pelo direito de ocupação; ora sem direito de lucro não há propriedade; portanto a propriedade é impossível.













