segunda-feira, maio 03, 2010

Fight Club no Parlamento da Ucrânia
























O deus do Vaticano nunca avisa o papa

Despesas públicas. Lucros sagrados

Visita do Papa a Fátima irá custar meio milhão de euros à autarquia

Novo impulso na luta contra a guerra?

Milhares de norte-americanos exigiram retirada das tropas do Afeganistão e do Iraque
Democracia parlamentar, um triunfo da engenharia vitoriana

DE POLÍTICOS E ESTADISTAS

"Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?"

Eça de Queirós, 1867, in "O Distrito de Évora"

Marcha Mayday 2010 no 1º de Maio no Porto

Início da Marcha MayDay no 1º de Maio no Porto



As palavras que mais se ouviram durante a Marcha MayDay 2010 no Porto:

País precário/ Sai do armário

Precários nos querem/ Rebeldes nos terão

Contra o Desemprego/ Criemos desassossego
Quando a crise bate, não toca a todos

O NEGRO E O VERMELHO

o homem gosta dos animais como coisas, como coisas sensíveis se se quiser, não como pessoas. A filosofia, depois de ter eliminado da ideia de Deus as paixões que a superstição lhe emprestou, será então forçada a eliminar ainda essas virtudes com que a nossa piedade liberal o gratifica (1).
Se Deus descesse à Terra e viesse habitar entre nós, não poderíamos amá-Lo, se não se fizesse nosso semelhante; nem dar-lhe nada, se não produzisse algum bem; nem escutá-Lo se não provasse que nos enganamos; nem adorá-Lo se não manifestasse o seu poder. Todas as leis do nosso ser, afectivas, económicas, intelectuais, nos diriam para O tratar como aos outros homens, quer dizer, segundo a razão, a justiça e a equidade. Daí tiro a consequência de que se alguma vez Deus se puser em comunicação imediata com o homem deverá fazer-se homem.
Ora, se os reis são as imagens de Deus e os ministros das suas vontades só podem receber de nós o amor, a riqueza, a obediência e a glória, com a condição de produzirem em proporção da despesa, raciocinarem com os servidores, trabalharem como nós, tornarem-se sociáveis e fazerem grandes coisas sózinhos. Ainda com mais razão, como alguns o pretendem, se os reis são funcionários públicos, o amor que lhes é devido mede-se pela sua amabilidade pessoal; a obrigação de lhes obedecer pela demonstração das suas ordens; a sua lista civil pela totalidade da produção social dividida pelo número dos cidadãos.
Assim tudo se harmoniza para nos dar a lei da igualdade: jurisprudência, economia política, psicologia. O direito e o dever, a recompensa devida ao talento e ao trabalho, os impulsos do amor e do entusiasmo, tudo se regula antecipadamente por uma bitola inflexível, tudo deriva do número e do equilíbrio. A igualdade das condições, eis o princípio das sociedades, a solidariedade universal, eis a sanção da lei.
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(1) Entre a mulher e o homem pode existir amar, paixão, laços de hábito e tudo o que se quiser, não há verdadeiramente sociedade. O homem e a mulher não formam uma empresa. A diferença dos sexos cava entre eles uma separação da mesma natureza que a diferença de raças provoca nos animais. Assim, bem longe de aplaudir o que hoje se chama emancipação da mulher, inclinar-me-ia bem mais a colocar a mulher em reclusão, se fosse preciso chegar a esse extremo. O direito da mulher e as suas relações com o homem ainda estão por determinar: a legislação matrimonial, assim como a legislação civil, está por fazer.
A igualdade das condições nunca foi realizada devido às nossas paixões e ignorância; mas a nossa oposição a essa lei cada vez faz ressaltar mais a sua necessidade: a história dá um testemunho perpétuo disso e toda a sequência dos acontecimentos no-lo reveja. A sociedade progriide de equação em equação; as revoluções dos impérios apenas apresentam, aos olhos do observador economista, tanto a redução de quantidades algébricas que se entre deduzem; tanto o destaque de uma incógnita, trazida pela operação infalível do tempo. Os números são a providência da história. Sem dúvida que o progresso da humanidade tem outros elementos; mas na multidão das causas secretas, que agitam os povos não há mais poderosas, mais regulares, menos desconhecidas que as explosões periódicas do proletariado contra a propriedade. A propriedade, agindo ao mesmo tempo pela exclusão e invasão enquanto a população se multiplica, foi o principio gerador e a causa determinante de todas as revoluções. As guerras de religião e conquista quando não foram até à exterminação das raças foram só perturbações acidentais e logo reparadas na progressão matemática da vida dos povos. Tal é o poder de acumulação da propriedade, tal é a lei de degradacão e morte das sociedades.
Vejam, na Idade Média, Florença, república de comerciantes e corretores, sempre rasgada pelas facções tão conhecidas pelos nomes de Guelfos e Gibelinos e que não eram, no fim, mais que o pequeno povo e a aristocracia proprietária armadas uma contra a outra; Florença, dominada pelos banqueiros e sucumbindo, por fim, sob o peso das dívidas (1): vejam Roma na antiguidade, devorada desde a nascença pela usura, no entanto, floresoendo enquanto o mundo conhecido forneceu trabalho aos seus terríveis proletários, ensanguentada pela guerra civil em cada intervalo de repouso e morrendo de esgotamento quando o povo perdeu, com a antiga energia, até à última centelha do senso moral; Cartago, cidade de comércio e dinheiro, continuamente dividida por concorrências intestinas; Tiro, Saida, Jerusalém, Nínive, Babilónia, por sua vez arruinadas por rivalidades de comércio e, como hoje diríamos, pela falta de comércio:
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(1) «O cofre-forte de Cosme de Médicis foi o túmulo da liberdade fiorentina», dizia Michelet, no Colégio de França.

domingo, maio 02, 2010

novo sinal hilariante


A questão está sempre em encontrar a fechadura...


uma refeição ilustrada


a história da arte


Conselhos duma recém casada a uma solteira como tratar os homens...


um sinal que interessa ás senhoras...


diferença entre homens e mulheres...


Setúba - Um 1º de Maio de combate e apelo à insurreição, anti-autoritário e anti-capitalista

Para a cerca de uma centena de anarquistas e anti-autoritários/as presentes na concentração no Largo da Misericórdia em Setúbal o 1º de Maio só pode ser "combate anti-autoritário e anti-capitalista" inspirando-se " no exemplo e na história daqueles milhões de trabalhadores, desempregados e oprimidos que pelo mundo inteiro se uniram e se levantaram para resgatar a dignidade roubada e encarcerada" e ainda "na solidariedade, na luta sem cedências, no assalto colectivo aos antros de poder e corrupção assim como na rebelião individual contra toda a autoridade".
Tomando as ruas de Setúbal até se juntar à manifestação convocada pelos Sindicatos da CGTP, unidos e prontos para um combate maior, gritando alto e bom som todo o seu desprezo e raiva, pois "defendemos a nossa liberdade contra a vossa sociedade" e " o povo unido não precisa de partido" assim como " trabalho assalariado é trabalho escravizado" e " contra o estado e o capital, acabemos com os patrões e com todas as prisões". Muitos apelos à auto-organização e auto-gestão, no meio das bandeiras negras e rubras-negras, presentes muitas mulheres também, esperando que a insurreição tome os corações de muitos e muitas mais.
Centenas de flyers foram distribuídos a uma população receptiva de todas as idades, numa das cidades portuguesas mais marcadas pela crise e desemprego ao longo do longo caminho depois do 25 de Abril. Também uma das cidades mais combativas ao longo dos tempos em Portugal, pelos valores da liberdade... ontem e hoje.






Estava para ser canonizado…

O Vaticano anunciou neste sábado que o papa Bento 16 promoverá uma “profunda revisão” no movimento católico Legionários de Cristo, cujo fundador, o padre mexicano Marcial Marcel, é acusado de ter abusado sexualmente de crianças por décadas.

Greve geral na Grécia, dia 5 de Maio

É um protesto contra a redução dos salários, a diminuição das pensões, o aumento da idade da reforma para os 67 anos, o corte de milhares de empregos e a perda de 13.º e 14.º mês (na função pública), que são as pesadas imposições da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao governo grego. As mais importantes organizações sindicais e sociais gregas convocaram esta greve geral (no sector público e no sector privado) para o dia 5 de Maio. Solidariedade com os combativos trabalhadores e o povo da Grécia.
Varsóvia realinha-se por Bruxelas

Versão em papel do blogue Pimenta Negra ( já saiu o nº1)

O blogue Pimenta Negra já tem uma versão em papel.

A edição do 1º número, correspondente ao mês de Abril, já está em circulação. Seguindo a mesma filosofia e objectivos do blogue Pimenta Negra, a versão des(in)formatada em suporte de papel apresenta-se em tamanho A3 desdobrável em quatro páginas, e com distribuição gratuita pelos cafés, livrarias e ruas da cidade do Porto.

O conteúdo desta edição contém textos sobre economia solidária, anarquismo, anti-clericalismo, arte e uma citação de Raoul Vaneigem. Traz ainda notícias do MayDay, da PAGAN (plataforma anti-guerra anti-Nato), um roteiro alternativo da cidade do Porto, e o programa do 2º ciclo das Derivas de Maio, um conjunto de colóquios a realizar na ESMAE (Escola Superior de Música e Artes e Espectáculo) no próximo dia 22 de Maio com a participação do filósofo catalão Santiago López-Petit, conhecido pelo seu pensamento radical, próximo de Deleuze e Foucault

Todo o texto aqui.

O NEGRO E O VERMELHO

A justiça é a sociabilidade manifestando-se pela admissão na participação das coisas físicas, únicas susceptíveis de peso e medida; a equidade é uma justiça acompanhada de admiração e estima, coisas que não se medem.
Daí se deduzem várias consequências.
1.º - Se somos livres de dar a nossa estima mais a um que a outro e em todos os graus imagináveis, não o somos de lhe fazer maior a sua parte nos bens comuns, porque ao impormos o dever de justiça antes de equidade, o primeiro deve sempre preceder o segundo. Essa mulher, admirada pelos antigos, forçada por um tirano a escolher entre a morte do irmão e a do marido, abandonando este com o pretexto de que podia reencontrar um marido mas não um irmão, essa mulher, digo, obedecendo ao sentimento de equidade, faltou à justiça e fez uma má acção, porque a sociedade conjugal é de direito mais estreita que a sociedade fraterna, portanto a vida do próximo não é coisa que nos pertença.
Segundo o mesmo princípio, a desigualdade de trabalho não pode ser admitida na legislação com o pretexto de desigualdade de talentos, porque a repartição dos bens vem da justiça e da actividade da economia, não da do entusiasmo.
Assim, no que respeita às doações, testamentos o sucessões, a sociedade, cuidando ao mesmo tempo das afeições familiares e dos seus próprios direitos, não deve nunca permitir que o amor e o favor destruam a justiça; e alegremo-nos acreditando que o filho há muito associado aos trabalhos do pai tem mais capacidade que qualquer outro de prosseguir a sua tarefas, que o cidadão surpreendido pela morte, no cumprimento da sua obra, por um gosto natural e pela predilecção ao seu trabalho, saberá designar o sucessor mais digno, deixando o herdeiro discernir entre vários o direito de optar entre diversas heranças, pois a sociedade não pode tolerar nenhuma concentração de capitais e de indústria em proveito de um único homem, nenhum açambarcamento de trabalho, nenhuma invasão (1).
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(1) A justiça e a equidade nunca foram compreendidos.
«Supunhamos que há para partilhar ou distribuir um saque de doze coisas tiradas ao inimigo, entre Aquiles e Ajax. Se as duas pessoas fossem iguais, o saque também deveria ser aritmeticamente igual.

2.º - A equidade, a justiça, a sociedade, só podem existir num ser vivo relativamente aos indivíduos da sua espécie; não poderiam ter lugar de uma raça para outra, por exemplo do lobo para a cabra, da cabra para o homem, do homem para Deus, ainda menos de Deus para o homem. A atracção da justiça, da equidade, do amor pelo Ser supremo é um puro antropomorfismo; o os epíteros de justo, clemente, misericordioso e outros que damos a Deus devem ser retirados das nossas litanias. Deus só pode ser considerado como justo e bom relativamente a um deus; ora Deus é único e solitário; por consequéncia, não saberia experimentar afeições sociais tais como a bondade, a equidade, a justiça. Diz-se que o pastor é justo para os seus carneiros e os seus cães? não; mas, se quisesse tirar tanta lá de um cordeiro de seis meses como de um carneiro de dois anos, se exigisse que um cachorro fizesse o serviço do rebanho como um velho cão, não se diria que era injusto mas sim louco; entre o homem e o animal não há sociedade se bem que possa haver afeição;
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Aquiles teria seis, Ajax seis: e se se seguisse essa igualdade aritmética o próprio Térsito teria uma parte igual à de Aquiles, o que seria soberanamente injusto e revoltante. Para evitar essa injustiça comparemos o valor das pessoas a fim de lhes dar partes proporcionais ao seu valor. Admitamos que o valor de Aquiles seja o dobro do de Ajax: a parte do primeiro será oito, do segundo quatro. Não haverá igualdade aritmética mas igualidade proporcional. É a esta comparação dos méritos, rationum, que Aristóteies chama justiça distributiva; tem lugar segundo a proporção geométrlca. (Toullier, Direito francês segundo a ordem do Código.)
Aquiles e Ajax são ou não associados? Toda a questão reside ai. Se Aquiles e Alax longe de serem associados, estão ao serviço de Agamemnon que lhes paga, nada há a dizer sobre a regra de Aristóteles: o senhor que comanda escravos pode prometer dupla ração de aguardente a quem fizer corveia dupla. É a lei do despotismo, é o direito da servidão. Mas se Ajax e Aquiles são sócios tem que haver igualdade. Que importa que Aquiles seja forte como quatro e Ajax só forte como dois? Este pode sempre responder que é livre; que se Aquiles é forte como quatro, cinco o matarão; que servindo-se da sua pessoa, ele, Aiax, arrisca tanto como Aquiles. É aplicável a Térsito o mesmo raciocínio: se não sabe bater-se que se faça cozinheiro, despenseiro ou copeiro: se não serve para nada que o metam no hospital: em qualquer caso não o podem violentar a impor-lhe leis.
Só há dois estados possíveis para o homem: estar dentro ou fora da sociedade. Na sociedade as condições são necessariamente iguais excepto o grau de estima e consideração que cada um pode alcançar. Fora da sociedade o homem é uma matéria explorável, um instrumento capitalizado, muitas vezes um móvel incómodo e inútil.

sábado, maio 01, 2010

Mas o que é que estes gajos da bolsa andam a sonhar?


é mesmo um bocado de madeira...


O PS matou os professores

Acabar com o chumbo por faltas é mais um capítulo do facilitismo que destrói o futuro dos mais pobres. "Não tens de aprender. E nem sequer tens de ir às aulas", eis a herança do PS no ensino.

I. Já não há palavras para descrever a podridão politicamente correcta que é o Ministério da Educação, e, por arrastamento, a escola pública. Os professores já estavam proibidos de chumbar alunos mesmo quando estes ignoram as matérias básicas. Agora, ficámos a saber que os professores deixam de ter a possibilidade de chumbar um aluno por faltas. É uma alegria, a escola pública. "Não tens de aprender, e nem sequer tens de ir às aulas", eis a herança que o facilitismo do PS deixa no ensino.

II. O socratismo destruiu a figura do professor. Fica a impressão de que o professor passou a ser um mero babysitter dos monstrinhos que os pais deixam na escola. O professor não tem a autoridade pedagógica para instruir, e também não tem autoridade moral para educar. O professor não pode instruir os alunos, porque o facilitismo impede rigor e exigência. Todos têm de passar, porque o Ministério quer boas estatísticas. Resultado: milhares de pessoas chegam à faculdade sem saber escrever em condições. Depois, o professor não tem autoridade moral sobre os alunos. A falta de educação campeia pelas escolas. O fim do chumbo por faltas é só mais um prego no caixão da autoridade moral do professor. Nem por acaso, o i, há dias, trazia este desabafo de uma professora: "A partir do momento que, por exemplo, uma suspensão de um aluno não conta como falta para acumular e para reprovar de ano, que efeito é que uma sanção destas pode ter?".


Comentário meu:

O PS matou os professores...…e os professores deixaram que o ps de Sócrates os matasse!

Portugal? Tudo o que eu sei é que é um lugar mal frequentado!...


Aprenda a subornar dentro da lei

Em Portugal a máxima "inocente até prova em contrário" não faz qualquer sentido. Isto porque mesmo quando há provas em contrário alguns continuam a ser declarados inocentes. A culpa morre solteira. Justiça portuguesa no seu pior.

"O Tribunal da Relação de Lisboa absolveu hoje o empresário Domingos Névoa do crime de tentativa de corrupção do vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes. Segundo os juízes da Relação, "os actos que o arguido (Névoa) queria que o assistente (Sá Fernandes) praticasse, oferecendo 200 mil euros, não integravam a esfera de competências legais nem poderes de facto do cargo do assistente" "É preciso que as funções do funcionário visado pelo suborno possibilitem que sejam praticados os actos pretendidos pelo corruptor." In Expresso

Que delicia não é? Ficámos desta forma a saber que é possível a qualquer pessoa tentar subornar alguém neste país dentro da lei. Basta que a pessoa que se está a subornar não tenha competências para cometer directamente o acto que se está a pagar. Ou seja, o código do bom corruptor ganha um novo artigo: o artigo Névoa.

Segundo o artigo Névoa e passando a exemplos práticos:

É possível subornar um Presidente da Câmara com facilidade. Como? Aprenda. Numa conversa de café e bagaço oferecem 200 mil euros ao motorista do Presidente e dizem-lhe que gostavam de ver a Câmara desistir de um processo judicial que vos está a empatar o negócio. O motorista certamente dir-lhe-á: " Ó amigo, eu não tenho competências para isso!". "Pois claro que não tem. Ou você acha que eu quero ir preso? Mas tem acesso a quem tem. E assim é uma limpeza. Percebeu? Ponha uma balada da Celine Dion quando o for levar amanhã à Câmara, fale-lhe ao coração e à carteira. Mas atenção que eu não tenho nada a ver com o assunto. Eu nem gosto de Celine Dion." De acordo com o artigo Névoa tudo isto é legal. Os 200 mil ao motorista foram para pagar uma boleia para Coruche.

Querem subornar um árbitro de futebol? Fácil. Vamos a isso. Vão ter com a esposa do senhor do apito e ofereçam-lhe 10 mil euros. Digam-lhe que é para ela comprar um pónei ao mais novo. Na mesma conversa dizem-lhe, como quem não quer a coisa, que o marido vai apitar um jogo da vossa equipa que pode decidir a subida de divisão e que seria uma grande alegria se isso viesse a acontecer. Uma alegria para o pónei claro. Tudo dentro da lei portanto, segundo o artigo Névoa. A culpa neste caso é evidentemente do pónei. A senhora não tinha competências nem teve intervenção directa nos 4 penalties e 3 expulsões com que o marido presenteou a equipa adversária.

A justiça está podre. O Caso Névoa confirma que a Justiça portuguesa é uma nódoa. Inadmissível.

O Primeiro 1º de Maio - A história tem que ser relembrada!

A manifestação internacional do 1º de Maio é a tomada de consciência pelo proletariado da sua existência enquanto classe unida à escala mundial por uma comunidade de interesses, a afirmação do seu valor social e da sua vontade de derrubar o capitalismo e de o substituir pelo auto-governo dos produtores; a manifestação internacional do 1º de Maio é, o quarto estado que se levanta e que chega à conquista do poder.
A origem do 1º de Maio está ligada à luta pela obtenção da jornada de oito horas. Nos inícios dos anos oitenta a cidade de Chicago era o baluarte do anarquismo revolucionário nos Estados Unidos e a influência da Aliança Internacional Social Democrata de Bakunine era muito forte entre os trabalhadores nacionais e os emigrantes. Quase todos os emigrantes alemães e checos eram socialistas ou anarquistas. Havia cinco jornais anarquistas – um diário e quatro periódicos – com uma circulação total de 30.000 o que significava um número de leitores em torno de uns 250.000. A maioria dos trabalhadores revolucionários era também influenciada pela Associação dos Trabalhadores Internacionais também conhecida como Internacional Negra. O grande incitador deste movimento era Jacob Most, um anarquista alemão cujo credo era a violência indiscriminada contra o “establishment”. Na Primavera de 1885, o poderoso Sindicato Central do Trabalho (associado da Internacional Negra) declarou uma greve como parte da sua campanha para o dia de oito horas e a ela aderiram 60.000 trabalhadores. Houve uma combinação entre os industriais e a Câmara da cidade, e os grevistas foram impiedosa e selvaticamente massacrados pela polícia e por pistoleiros profissionais da agência Pinkerton. A Internacional Negra incitou os grevistas a responderem à violência com violência ainda maior, e aconselhava aos trabalhadores para se armarem pois só assim poderiam enfrentar os exploradores. Logo depois toda a imprensa socialista e anarquista incitava os trabalhadores a prepararem-se para uma revolução sangrenta.
Existia assim esse estado de tensão quando, na Primavera de 1886, a McCormick Harvester Corp. enfrentou o sindicato, a respeito da sua reivindicação para o dia de oito horas, fechando as portas das fábricas e contratando 300 agentes da Pinkerton para protegê-la. Os trabalhadores reagiram fazendo comícios do lado de fora dos portões, e no dia 3 de Maio a polícia e os homens da Pinkerton abriram fogo num dos comícios matando muitos que ali estavam. No dia seguinte houve um outro comício de protesto em Haymarket Square, e enquanto a polícia tentava dissolver os manifestantes, alguém deitou uma bomba que matou alguns polícias. A polícia perdeu a cabeça e abriu fogo indiscriminadamente chegando até mesmo a atingir os seus próprios homens juntamente com muitos manifestantes que também estavam armados e respondiam ao fogo. Morreram sete polícias e um número desconhecido de manifestantes. A repressão foi impiedosa e o resultado foi a prisão de todos os anarquistas conhecidos e o estabelecimento de um pseudo julgamento. Cinco operários foram condenados e pagaram com a vida as suas convicções, que não deixaram de afirmar até ao fim. Estes anarquistas eram Spies, Engel, Parsons e Fisher que foram enforcados no dia 11 de Novembro de 1887. O quinto Lingg suicidou-se momentos antes da execução.
Contra os acusados nada ficou provado a não ser os seus sentimentos revolucionários. O mais provável é que a bomba tivesse sido atirada por um agente provocador pago por McCormick, e um inquérito judicial posterior mostrou que todos os anarquistas acusados estavam inocentes.
Quatro anos passaram e no 1º de Maio de 1890, uma nova manifestação teve lugar com o mesmo objectivo. Quanto à internacionalização da jornada do 1º de Maio, ela é devida a uma iniciativa francesa. Foi o cidadão Raymond Lavigne, delegado do partido operário e dos sindicatos da Gironda, que a fez adoptar no Congresso Internacional de Paris em Julho de 1889. O 1º de Maio de 1890 é portanto a primeira manifestação internacional com data fixa, do proletariado organizado. No ano seguinte, a manifestação renovou-se, mas a sua periodicidade foi adoptada definitivamente pelo Congresso Socialista Internacional de Bruxelas em Agosto de 1891 e pelo de Zurique em 1893. Deste modo, marcado na origem e nacionalmente com a chancela anarquista, a jornada do 1º de Maio era finalmente “internacionalizada” pelos marxistas...

Novo modelo de debates


Como se pode ver, David Cameron não sabe a resposta à pergunta. Gordon Brown e Nick Clegg, ambos sabem, mas o Nick foi o primeiro a alçar a perna. Nick…

[Imagem: Reuters]

Onde estão os santos do Teixeira?

The Beast File: Catholic Church Sex Scandals

Visita prejudicial e inoportuna

A visita do papa é inoportuna:

1 – Os factos, pouco abonatórios para a reputação do pontífice, desaconselhariam a vinda, até cabal esclarecimento do seu comprometimento, para não constranger as entidades que o protocolo obriga a recebê-lo.

2 – Dadas as dificuldades financeiras por que o País passa devia também este facto merecer do Vaticano ponderação suficiente para não as agravar.

3 – É ainda inoportuna no centenário da República contra a qual a ICAR sempre conspirou e pelo apoio que deu á ditadura salazarista.

4 – Vem, mais uma vez, rubricar o chamado milagre de Fátima, inventado para combater a República e aproveitado na luta contra o comunismo.

O episcopado procura que os banhos de multidão sirvam de benzina para as nódoas que têm caído sobre a Igreja católica.

PREJUDICIAL – Pára o país num período de grave crise económica, social e política, perturba o processo eleitoral presidencial e fecha as escolas.

As tolerâncias de ponto comprometem a decência de um Estado que a Constituição obriga a ser laico e coloca os seus altos dignitários como acólitos do Papa católico e Portugal como protectorado do Vaticano.

São, no mínimo, infelizes as declarações da CEP que considera as insólitas tolerâncias de ponto como um serviço ao povo português e não como uma cedência às pressões da Igreja católica.
Movimento laboral europeu: o legado ideológico do pacto social

Conhecimento: património público ou apropriação privada

Esta é uma das discussões mais importantes que se travam actualmente, que contrapõe duas concepções de cultura e de direitos individuais e colectivos. Numa economia de mercado, tudo se torna mercadoria, os recursos são incentivados pelo custo/benefício, os direitos de apropriação privada dos lucros teriam que ser garantidos, para que o investimento fosse atraente.

O resultado tem sido o incentivo a projectos rentáveis, conforme os critérios de mercado. Que editora se proporia publicar as obras completas de um autor clássico, se o preço fosse muito caro, se o retorno – caso houvesse – fosse de longo prazo? O incentivo é a que se encenem obras com poucos personagens no teatro, provavelmente com casais que protagonizam simultaneamente novelas na televisão, com carácter erótico-sentimental. Quem se atreveria a encenar uma obra de Shakespeare ou do teatro grego, pelos custos que significa, pela falta de interesse de investidores privados?

Conta-se o caso de um autor teatral paulista que, tendo escrito uma comédia com o título O presunto, buscou uma empresa que produz presuntos e teve a seguinte resposta: Estamos a lançar um novo produto – o chester. Não daria para o senhor mudar o titulo da peça?

Espanha - Crônica da "Primavera Libertária 2010" em Almería

Nos meses de março e abril a CNT-AIT Almería tratou de levar a capital almeriense a cultura libertária através da "Primavera Libertária 2010", composta de distintos atos (conferências, cinema, teatro, concerto, jornada campestre, comedor vegetariano...), sob o lema: Constrói teu próprio destino: solidariedade, apoio mútuo e ação direta.

Os palestrantes nos enriqueceram com as propostas libertárias acerca de temas como “Nacionalismo e Anarquismo”, a cargo de Valentín (companheiro de León), a sexualidade [“Diversidade Sexual e Anarquismo”] vista desde o coletivo D-Gênero. Também aprendemos com as experiências e idéias daqueles que lutaram há décadas na fala "Anarquismo e Anarcosindicalismo na II República", levada a cabo pelo educador José Luis Gutiérrez Molina.

A companhia de teatro "La Duda" nos encheu de alegria e energia ao levar o teatro para às ruas, apostando neste lugar como espaço cênico, local de diversão, de entretenimento, de encontro vicinal e de convivência lúdica e criativa.

Ao final aconteceu um concerto no pub "Zagán", oferecido pelos grupos "Los Niños de la Noche", de Granada, que nos deleitaram com um som crú, desgarrador e reivindicativo do punk, e “Skainhead”, de Madri, que nos envolveram em um dançante e alegre ska e ritmos jamaicanos, fazendo levantar a todos ali presentes.

Queremos AGRADECER a todos os que colaboraram e assistiram a esta "Primavera Libertária 2010", onde levamos em nossas bocas um gostinho de quero mais, após a exitosa experiência destas jornadas que alimentam nossa utopia para seguir na luta por um mundo melhor e a convicção de que A IDÉIA LIBERTÁRIA É POSSÍVEL.

agência de notícias anarquistas-ana


Passado e presente do anarquismo na Coréia

A seguir uma entrevista realizada por Gabriel Kuhn com o anarquista sul coreano Dopehead Zo. Segundo Zo cada pergunta daria pra escrever um livro. "Cada questão exigiria longas horas de explicações para fornecer informações completas e satisfatórias para os estrangeiros compreenderem o movimento anarquista coreano ou pessoas que não estão familiarizadas com a anarquia na Coréia", diz. Zo também conta que está preparando um livro sobre o anarquismo na Coréia nos últimos 20 anos.

Pergunta > Você pode nos contar um pouco sobre a história do anarquismo na Coréia?

Zo <> Trabalhadore/as, camponese/as e estudantes coreanos são conhecidos por sua dedicada resistência. Há um componente anarquista nestas lutas?

Zo <> A divisão da Coréia é ainda um grande tópico político internacional. Quais são as posições do/as anarquistas em relação a esta questão?

Zo <> Como são as relações com anarquistas do Japão, China e Sudeste Asiático?

Zo <> Quais são as áreas de atividades mais importantes para o/as anarquistas na Coréia hoje? Há diferentes correntes dentro do movimento anarquista?

Zo <> Qual a tua visão futura para o anarquismo na Coréia?

Zo <> Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana

O NEGRO E O VERMELHO

Hércules vencendo os monstros e punindo os salteadores para a salvação da Grécia, Orfeu instruindo os Pelasgos grosseiros e selvagens, ambos não querendo nada como paga dos seus serviços, eis as mais nobres criações da poesia, eis a mais alta expressão da justiça e da virtude.
As alegrias da devoção são indizíveis.
Se ousasse comparar a sociedade humana à essência das tragédias gregas diria que a falange dos espíritos sublimes e das grandes almas representa a estrofe e que a multidão dos pequenos e humildes é a antiestrofe. Carregados de trabalhos penosos e vulgares todos penosos pelo número e pelo conjunto harmónico das suas funções, estes executam o que os outros imaginam. Guiados por eles nada lhes devem: no entanto, admiram-nos e dedicam-ihes aplausos e elogios.
O reconhecimento tem as suas adorações e os seus entusiasmos.
Mas, a igualdade agrada ao meu coração. A generalidade degenera em tirania, a admiração em servilismo: a amizade é filha da igualdade. Oh, meus amigos que eu viva no meio de vós sem emulação ou glória que a igualdade nos junte, que a sorte destine os nossos lugares. Que morra antes de conhecer aquele que no meio de vós eu mais deva estimar.
A amizade é preciosa ao coração dos filhos dos homens.
A generosidade, o reconhecimento (entendo aqui somente o que nasce da admiração por uma potência superior) e a amizade são três variantes distintas de um sentimento único a que chamarei equidade ou proporcionaíldade social (1). A equidade não modifico, a justiça: mas, tomando sempre a equidade por base acrescenta-lhe a estima e forma assim no homem um terceiro grau de sociabilidade. Pela equidade, é para nós um dever e uma volúpia ajudar o fraco que de nós necessita e fazê-lo nosso igual;
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(1) Entendo aqui por equidade o que os latinos chamavam humanitas, quer dizer, a espécie de sociabilidade que é própria do homem. A humanidade, doce e afável para com todos, sem injuriar, sabe distinguir as classes, as virtudes e as capacidades: é a justiça distributiva da simpatia social e do amor universal.
pagar ao forte um justo tributo de reconhecirrento e honra, sem nos fazermos seu escravo; amar o nosso próximo, o nosso amigo, o nosso igual, pelo que dele recebemos, mesmo que a título de troca. A equidade é a sociabilidade elevada até ao ideal pela razão e pela justiça; o seu carácter mais vulgar é a urbanidade ou a delicadeza que, nalguns povos, resume por si só quase todos os deveres de sociedade.
Ora esse sentimento é desconhecido dos animais que amam, se unem e mostram algumas proferências mas que não compreendem a estima e nos quais não se nota generosidade, nem admiração, nem cerimonial.
Esse sentimento não vem da inteligência que por si própria calcula, sopesa, nivela mas não ama; que vã e não sente. Como a justiça é um produto misto do instinto social e da reflexão, assim a equidade é um produto misto da justiça e do gosto, quero dizer, da nossa faculdade de apreciar e idealizar.
Este produto, terceiro e último grau da sociabilidade no homem, é determinado pelo nosso modo de associação composta, na qual a desigualdade, ou para melhor dizer, a divergência das faculdades e a especialidade das funções, tendendo por si própria a isolar os trabalhadores, exigia um aumento de energia na sociabilidade.
Eis porque, a força que oprime protegendo é execrável; a ignorância imbecil que vê com o mesmo olhar as maravilhas da arte e os produtos da indústria mais grosseira inspira um desprezo indizível; a mediocridade orgulhosa que triunfa dizendo: Paguei-te, nada te devo, é soberanamente odiosa.
Sociabilidade, justiça, equidade, tal é, no seu triplo grau, a definição exacta da faculdade instintiva que nos faz procurar o comércio dos nossos semelhantes e de que o modo físico de manifestação se explica pela formula: lgualdade nos produtos da natureza e do trabalho.
Esses três graus de sociabilidade sustentam-se e supõem-se: a equidade não existe sem a justiça; a sociedade sem a justiça é um contrasenso. Com efeito, se para recompensar o talento, tomar o produto de um para o dar a outro, despojando injustamente o primeiro, não presto ao seu talento a estima que devo: se numa sociedade destinar a mim uma parte maior que ao meu associado, não estamos verdadeiramente associados.