quinta-feira, fevereiro 03, 2011

A festa do desempregado


Depois de o Eurostat ter divulgado que a taxa do desemprego se manteve em Dezembro em Portugal nos 10,9%, Valter Lemos sublinhou que a tendência quanto ao desemprego é de "estabilidade" e que 2010 foi "bastante melhor" do que as previsões da "esmagadora maioria" dos comentadores e organizações internacionais. "Todos os que pensaram que Portugal ultrapassaria os 11% em 2010 falharam. As previsões do Governo foram as mais certeiras", disse o responsável .

Porreiro pá!, só 10.9% de desempregados e aqueles sacanas a dizer que ia chegar aos 11%.
Na verdade, entre Setembro e Dezembro, todos os dias mais 236 pessoas ficaram sem emprego, 10 por hora, uma em cada 6 minutos do dia. Mais 21712 desempregados em 3 meses, mas a percentagem mantém-se igual. Boa Valter, podes mesmo fazer uma festa que as centenas de milhares que já caíram na miséria e desespero do desemprego não deixarão de te brindar, senão for com champanhe será com alguns nomes que é melhor nem aqui dizer

Quanto vale um pimento?

Quanto vale um pimento? - Um documentário de Aurora Redón e Arantxa Soroa

Os agricultores queixam-se que se lhes paga pouco, enquanto os consumidores reclamam pelos preços altos. Acontece que os pimentos passam por uma cadeia de distribuição extremamente onerosa que faz disparar os seus preços ao consumidor.

No documentário de Aurora Redón y Arantxa Soroa, as suas autoras acompanham o trajecto de 1Kg de pimentos desde que são colhidos no campo, na província de Ciudad Real, no território do estado espanhol, até à sua chegada ao mercado onde são expostos e vendidos aos consumidores interessados. Através da viagem realizada observa-se como os pimentos passam por diferentes mãos e como o preço não pára de crescer.

Face ao que é observado chega-se à conclusão que o problema está na distribuição. 5 grandes empresas e duas centrais de compras é quem controla o mercado e fixam os preços. Por causa disso que os agricultores procuram agrupar-se para poder negociar em conjunto o preço. Mas a união de esforços não é fácil. Curiosamente, a sua união é censurada pela autoridade que regula a concorrência, enquanto a mesma entidade fecha os olhos à dominação do mercados pelas empresas de grande distribuição.

Uma das atitudes encaradas pelos agricultores para a sua defesa é a chamada dupla etiquetagem, de forma a que os consumidores saibam, quando efectuarem as suas compras, a que preço aqueles produtos foram vendidos pelo produtor, o seu local de origem, e o seu percurso.

Outra atitude será a criação de cooperativas de consumo como forma de eliminar os intermediários da cadeia de distribuição, reforçando a ligação directa entre produtor e consumidor

O Egipto à beira do sangue

De há uma semana a esta parte os meios de comunicação ocidentais fazem-se eco das manifestações e da repressão que agitam as grandes cidades egípcias. Traçam um paralelo com as que levaram ao derrube de Zine el-Abidine Ben Ali na Tunísia e evocam um vendaval de revolta no mundo árabe. Segundo eles, este movimento podia estender-se à Líbia e à Síria. Devia favorecer os democratas laicos e não os islamitas, prosseguem eles, porque a influência dos religiosos foi sobrestimada pela administração Bush e o "regime dos molllah" no Irão é um dissuasor. Assim se concretizariam os votos de Barack Obama na Universidade do Cairo: a democracia reinará no Próximo Oriente.

Esta análise é falsa segundo todas as perspectivas.

Primeiro, as manifestações começaram no Egipto já há alguns meses. Os meios de comunicação ocidentais não lhes prestaram atenção porque pensavam que elas não levariam a nada. Os egípcios não foram contaminados pelos tunisinos, mas foram os tunisinos que abriram os olhos dos ocidentais sobre o que se passa naquela região.

Em segundo lugar, os tunisinos revoltaram-se contra um governo e uma administração corruptos que foram espoliando gradualmente toda a sociedade, privando de qualquer esperança classes sociais cada vez mais numerosas. A revolta egípcia não é dirigida contra esse modo de exploração, mas contra um governo e uma administração que estão tão ocupados em servir os interesses estrangeiros que já não têm energia para satisfazer as necessidades básicas da sua população. No decurso dos últimos anos, o Egipto assistiu a inúmeros motins, quer contra a colaboração com o sionismo, quer provocados pela fome. Estes dois assuntos estão intimamente ligados. Os manifestantes evocam indistintamente os acordos de Camp David, o bloqueio a Gaza, os direitos do Egipto às águas do Nilo, a partilha do Sudão, a crise de habitação, o desemprego, a injustiça e a pobreza.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

O NEGRO E O VERMELHO

Proudhon, século XX. Que Sentido?

Realizou-se no passado no dia 27 de Agosto (1988) no Centro de estudos Libertário, uma palestra proferida pelo autor destas linhas e subordinada ao tema "A Dialéctica Proudhoniana como Método e como Movimento Real da Sociedade". É importante interrogar: Que sentido pode ter hoje e aqui em Portugal o estudo e o debate da vida e fundamentalmente da obra dum autor como Pierre-Joseph Proudhon?É necessário ter presente que a obra de Proudhon, toca uma multitude de problemas que é urgente ter em conta: Em primeiro Lugar, o regime económico, (como por exemplo nas obras Que é a Propriedade de 1840 e Organização do Crédito de 1848) a organização social, (obras como Solução do Problema Social de 1848 e Da Capacidade Política das Classes Trabalhadoras de 1865) o problema do Estado, (As Confissões de um Revolucionário de 1849, A Ideia Geral da revolução no Século XIX de 1859 e O Princípio Federativo de 1863), a Filosofia, (Sistema das Contradições Económicas ou Filosofia da miséria de 1846) a questão da justiça (Da Justiça na Revolução e na Igreja de 1858) e ainda os Problemas Internacionais e a questão Nacional ( A Guerra e a Paz, 1861, A Federação e a Unidade em Itália, 1862, Os Tratados de 1815, 1863).A sua obra é colossal e de tipo enciclopédico. Para cima de 38 volumes, mais 14 volumes de correspondência e 10 volumes de notas íntimas (artigos, dispersos, etc.) As principais questões levantadas por Proudhon foram as seguintes:- A crítica do capitalismo, onde se salienta a análise crítica da propriedade e a análise das contradições económicas.- As classes sociais, em que as classes que Proudhon se referiu foram fundamentalmente a grande burguesia, a classe média, o campesinato e as classe operárias.- A Crítica do Estado.- A Crítica da Religião.- A Dialéctica e o seu objecto, onde se sublinha a dialéctica social e a realidade do social.- A Filosofia social, onde pontifica o trabalho como facto e como valor, a vida social e o problema da justiça.- A Revolução social.- A Economia mutualista, onde se tem que se ter em conta dos princípios às reformas, a agricultura mutualista, o artesanato da produção e a sua planificação.- Finalmente, temos o problema fundamental de todo este sistema, melhor dizendo, deste anti-sistema, porque não autoritário nem dogmático, que é a questão de Federalismo, pelo qual o autor do presente artigo se preocupa em destrinçar os princípios e de resolver a democracia federal.Sinteticamente, poderíamos dizer que a palestra de dia 27 baseou-se, preponderantemente, nas obras De La Création de l'Ordre dans l'Umanité (1843), Sistème des Contradictions Économiques (1846), De la Justice dans la Révolution et dans l'Èglise (1858), Confessions d'un Révolutionnaire (1849) e na obra póstuma De la Capacité Politique des Classes Ouvriéres (1865).O autor, dentro da questão da dialéctica serial de Proudhon focou os seguintes aspectos:- A dialéctica como processo real.- O antagonismo antonómico (lei motriz)- A justiça - equilíbrio (lei reguladora).- O processo serial (lei realizadora).Estas palavras são suficientes para mostrar o alcance e a profundidade das questões levantadas e respondidas por Proudhon. Pergunta-se novamente: Que interesse poderá ter, abordar estes problemas em relação a este autor e dentro do contexto do movimento libertário em Portugal? Penso que a situação política e social que estamos a viver, aponta-nos algumas deixas para responder a esta questão, senão vejamos: em termos globais, o que é que temos? Um partido conservador que está no poder e cuja imagem política começa a esbater-se. É, no entanto, minha convicção que este desgaste político será, infelizmente, ainda moroso. Do lado da oposição parlamentar, temos um partido comunista, que desde 74 nunca esteve em tão maus lençóis, quer no exterior da sua máquina, (lembrar a baixa votação registada nas últimas eleições legislativas) quer no interior, (o problema dos dissidentes e as críticas que se vão tecendo à direcção). Para além disso os burocratas sindicais que lhe são afectos, não têm resposta concreta face às medidas regressivas que o governo tem tomado (pacote laboral, pacote agrícola, etc).temos também um partido socialista que de tanto meter e tirar o socialismo da gaveta, está perdido, e não sabe que direcção tomar. Do resto da oposição nem vale a pena falar.Concluindo, abrem-se objectivamente neste momento em Portugal, oportunidades novas para que o movimento libertário faça ouvir as suas vozes e possas voltar a ter uma palavra como durante a I República. Acredito firmemente, que pelo menos do ponto de vista teórico, a situação política e social em Portugal é favorável a vozes extra parlamentares, extra classe política. Trata-se de pegar nesta oportunidade e de aplicar medidas e acções à realidade social, para que a situação possa a pouco e pouco ser alterada. Que medidas e que acções? Neste momento não sei responder a este problema pois não tenho soluções na manga. O que sei é que o estudo e o debate dos pensadores de cariz libertário pode ser proveitoso, entre os quais destaco Proudhon, para dar resposta a esta questão. O que me merece que é fundamental para começar a resolver estes problemas, é que o conjunto dos grupos e associações libertárias pensem e agem em termos unitários desenvolvendo iniciativas para pelo menos mostrar que estamos vivos.Este é um ponto de honra que faço questão em salientar para que a situação comece a tomar um outro rumo. No entanto, esta perspectiva não se encontra no horizonte reflexivo da maior parte dos libertários, Hélas.

Os portugueses adoram animais!...

Livro 'O Cão de Sócrates' esgota numa semana


Em apenas uma semana de venda ao público o livro O Cão de Sócrates esgotou e a editora da obra, a Esfera dos Livros, declarou já que irá avançar com uma 2ªedição.
A obra de António Ribeiro dedicada à sátira política retrata a vida do animal de estimação do primeiro-ministro e promete desvendar alguns dos seus segredos.

À semelhança do presidente dos Estados Unidos, José Sócrates adoptou um animal de estimação e foi ao canil buscar um cachorro.

Como bom canino que é o animal tinha o hábito de roer tudo aquilo a que conseguia deitar o dente.

Adorava documentos oficiais e deitou o dente a um «DVD intitulado 'Espanhol para falar com Chefes de Estado'», a «um telemóvel que fazia ruídos estranhos quando se atendia (este por acaso até foi o meu dono que me deu para roer)»,e a «três ou quatro orçamentos de Estado», que «são sempre os mais difíceis de roer».

Viveu uma vida de luxo em São Bento até ao dia em que roeu um «miserável papel», «uma coisa aparentemente rasca, sem valor mas afinal era valiosíssima», o certificado de habilitações do seu dono.

Agora o cachorro que saiu do canil para viver uma vida de glória procura novo dono e faz neste livro «um relato detalhado, inédito e original sobre os bastidores da mais alta política portuguesa»,«do Tratado de Lisboa à Cimeira da NATO, das frias relações institucionais com o presidente da República aos calorosos apertos de mão das grandes figuras da política internacional, da crise do Orçamento de Estado para 2011 aos prós e contras da entrada do FMI em Portugal».

E depois desta entrada, o que é que se segue?...

Quem sou eu?

Para onde é que vai este país??!!!

Protestos contra mubarak!...em forma de mensagem...


















Os ditadores são incompatíveis com a democracia.




O povo continua a exigir a sua renúncia...


Mas após o discurso da noite passada...


O governo americano teme estes dois repteis...


Mas Obaba e Natanyahu apenas lhe seguram a cadeira...


Mubarak esperava esta bagagem do seu amigo Obama...


A permuta de Cavaco



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Egipto – Barril de pólvora

Egipto – Barril de pólvora e petróleo à mistura

Assegurada a neutralidade do exército, a dimensão e o alvoroço das manifestações têm aumentado no Cairo e em Alexandria para exigir a demissão de Mubarak.

Quem pode ficar triste com o fim de uma ditadura corrupta e repressiva de trinta anos? Só a clique que detinha o poder e dele beneficiava, incluindo os militares que, agora, perante a força das manifestações populares, se declaram neutros depois de terem sido o sustentáculo do regime.

Depois da Tunísia, a legítima insurreição popular alastra pelo Magrebe e propaga-se ao Médio Oriente. Parece uma lufada de ar fresco a limpar as páginas bafientas do Corão e a remeter a fé para as mesquitas, mas as coisas nunca são assim tão simples.

A agitação nos países islâmicos está longe de trazer consigo a Reforma, de ser o início de uma breve Guerra dos Trinta Anos com a paz de Vestefália ao dobrar da esquina. Os defensores da ortodoxia religiosa nunca se submeteram pacificamente nem deixaram de tentar recuperar o anterior estatuto depois de qualquer derrota.

O jeitinho para amealhar do senhor Presidente

Em nota divulgada pela Presidência da República, o pessoal de Cavaco Silva confirmou que o senhor Presidente nunca foi chamado pelas Finanças para explicar um negócio que poderia indiciar fuga ao fisco mas que, ao fim e ao cabo, no mínimo, a avaliar pelos valores escriturados, demonstram que Ali Babá é tão bom a permutar casas como a vender acções a amigos que se arruinaram com o seu poder negocial. Os amigos arruinados de hoje, porém, já não são os mesmos de então. É que os de então, entretanto, transformaram em proveito os prejuízos que depois ofereceram a todos os portugueses que estamos a pagar a vontade indómita de enriquecer de toda a quadrilha BPN, reeleito incluído. Ninguém lhes escapava. Nem mesmo o fisco. Niguém lhes escapou.

Lembrar a revolta do 3 de Fevereiro de 1927

Lembrar a revolta do 3 de Fevereiro de 1927 no Porto contra a ditadura militar instaurada pelo golpe de 28 de Maio


A 3 de Fevereiro de 1927 eclodia no Porto uma revolta militar republicana -participada por sectores civis armados -anarco-sindicalistas da antiga CGT, anarquistas, comunistas e outros - contra o regime saído do "28 de Maio", de 1926. A cidade do Porto esteve cercada pelas tropas do governo e foi bombardeada a partir do lado de Gaia.

Esta data e este acontecimentos vão ser recordados por iniciativa da Oficina de História Viva da assoiação TERRA VIVA!AES, Círculo de Estudos Sociais Libertários, AIT-SP (Associação Internacional d@s Trabalhadoras/es -secção portuguesa), e SOV-Sindicato de Ofícuios Vários -Porto.

Assalto ao "Santa Maria" há 50 anos

Faz agora meio século. A 22 de Janeiro de 1961, um grupo de antifascistas portugueses e espanhóis infiltrados entre os passageiros assaltou e tomou o paquete "Santa Maria" que navegava no Mar das Antilhas, próximo de Santa Lúcia. O navio, da Companhia Colonial de Navegação, com cerca de um milhar de passageiros e tripulantes a bordo, largara de Tenerife no dia 13, aportara em La Guayra (Venezuela) e em Curaçau e seguia para Miami (Estados Unidos). A Operação Dulcineia foi levada a cabo pelo denominado Directório Revolucionário de Libertação (DRIL) e comandada por Henrique Galvão, com ligações ao general Humberto Delgado, ambos opositores à ditadura salazarista. A aventura terminou a 1 de Fevereiro, quando o navio, rebaptizado "Santa Liberdade", entrou no Recife. As autoridades brasileiras deram refúgio a Galvão e companheiros e o barco foi devolvido a Portugal.

Miséria moral e ética

A «comissão de inquérito» (comissão Turkel) nomeada pelo governo de Israel para analisar o ataque pirata – desencadeado em Maio passado por esse mesmo governo de Israel – contra a flotilha de solidariedade com o povo de Gaza fez entrega do seu relatório. As conclusões são as esperadas. Repetem o que a contra-informação sionista e os grandes média internacionais repetiram desde o início: legitimam a agressão, fazem de vítima o agressor e de agressores os militantes humanitários embarcados na flotilha.

terça-feira, fevereiro 01, 2011

O NEGRO E O VERMELHO

PROUDHON: A GUERRA E A PAZ OU A LÓGICA DA FORÇA

O filósofo Alain enunciava em 1912: “Que admirável ambiguidade na noção de Justiça. Isso vem sem dúvida principalmente de que a mesma palavra se emprega para designar a Justiça distributiva e a Justiça recíproca. Ora estas duas funções assemelham-se tão pouco que a primeira encerra a desigualdade e a segunda a igualdade...”
Na primeira há com efeito uma autoridade que “ dá a cada um a parte que lhe pertence”...(Dicionário Robert).
A Justiça recíproca ou “comutativa”, (1) ao contrário é aquela que “consiste na igualdade das coisas trocadas na equivalência das obrigações e dos encargos...” ( Dicionário Robert).
Para Proudhon a raiz da Justiça não é exterior ao indivíduo. O homem não é um sujeito passivo, um receptáculo da Justiça, um submisso perante ela, pelo contrário é o seu produtor. A desigualdade deve-se ao facto de alguns serem produtores de Justiça, os justiceiros, e os outros não sejam mais que justiciáveis.
Mas vai mais longe visto que à intimidade individual, à “espontaneidade” da Justiça, dá um fundamento que extravasa dos simples termos duma permuta igualitária, equivalente mas que suporta no próprio homem, o sujeito, o criador de Justiça.
“...A Justiça... é o respeito espontaneamente experimentado e reciprocamente garantido da dignidade humana em qualquer pessoa e em qualquer circunstância que se encontre comprometida e a qualquer risco que nos exponha a sua defesa...” (Dicionário Robert, art. Justiça).
Além disso introduz na sua definição a hipótese do “risco” a tomar, do eventual conflito no qual a Justiça se encontrará comprometida. Será na acção, em resposta a um golpe à dignidade do outro, que a Justiça vai manifestar-se.
A Justiça é por conseguinte um afecto, um sentimento mas também um juízo íntimo e um combate.
Encerrado na consciência, o respeito da dignidade pelo outro, espelho do seu próprio respeito, afirma-se, constroi-se numa Justiça evidente no conflito.
Estar armado para um tal conflito é uma necessidade. A força física, a força moral são para Proudhon virtudes cardinais. A vontade, a coragem, a valentia, a energia fizeram a história, mais do que a contemporização, a prudência, a resignação ou a fraqueza. Proudhon não gosta nem dos proletários, nem dos escravos a não ser aqueles que com ele estão determinados a mudar o seu destino.
Na “Guerra e Paz”, Proudhon vai portanto ensaiar demonstrar que esta “Força” não é somente uma faculdade indispensável ao homem mas que ela constitui um verdadeiro “direito”. “Só o Direito é Puro”, diz ele, num momento da sua demonstração.

Nascimento do livro

Em 1859 Proudhon, exilado desde o dia 18 de Julho de 1858 em Bruxelas após a sua condenação pela obra “De la Justice”, propunha-se desmascarar os projectos imperiais de guerra na Itália. Esta guerra desenvolver-se-à entre Abril e Julho de 1859.
A brochura não apareceu mas Proudhon condenou vigorasamente a intervenção francesa: “toda esta campanha terá sido um crime, eis a última palavra... Mas fazei compreender isto aos chauvinistas... (Corresp. IX p.112)... O entusiasmo de Solferino e Magenta foi triste de ver... Aplaudiu-se... Os republicanos fizeram como todo o mundo... ( Carnets XI p.572)... A Nação francesa está por debaixo dos acontecimentos; faria falta ainda dez anos de ensino vigoroso como o meu para que aprendesse a raciocinar as coisas a apreciasse os acontecimentos. Hoje, como em 1815, ela está absolutamente sem princípios...”
É somente em Maio de 1861, após certas atribulações, que surge “La Guerre et la Paix”, em dois grossos volumes, e com o subtítulo “Recherches sur le principe et la Constitution du Droit des Gens”.
A sua obra foi entendida pela maior parte dos leitores como uma apologia da guerra. Os seus inimigos ironizaram sobre a sua humildade. No prefácio Proudhon tinha pretendido aceitar a sua derrota, a rejeição pela França das suas ideias sobre o Socialismo e a Républica: “...Resigno-me ...o vencido pode inscrever-se em falso contra as sentenças da Providência; contra a sua vontade é forçado a inclinar-se perante a soberania das massas... não faço apelo desta condenação. Consinto em guardar silêncio... A sociedade desapossa-nos; pois bem tomo o acto desta evicção...” (Prefácio de La Guerre et la Paix).
Proudhon pretende fazer obra construtiva, sem polémica, comentando simplesmente o Mito de Hercules e concluindo à necessária eliminação da guerra.


Resumo da “Guerra e Paz”

Numa carta a Rolland (3 de Junho de 1861), Proudhon resume deste modo a sua obra e tenta apaziguar a desolação dos seus amigos: “...Todos os meus amigos estão consternados; não compreenderam nada; ou se compreenderam é para desaprovar e lamentarem-se... Tornei-me louco , ou é o mundo que se cretinizou?... De que maneira descemos ao grau de embrutecimento em que nos encontramos? Não se sabe ler melhor que isso? O meu livro pode reduzir-se a um pequeno número de proposições que não cesso de repisar.

1º A Guerra é um facto bem mais psicológico que político e material; é na consciência que é necessário estudar se quisermos compreender qualquer coisa.
2ª Este facto da alma humana permaneceu misterioso devido ao elemento moral que o envolve e que parece estar em contradição com a efusão de sangue que é a forma exterior da guerra.
3º Este elemento moral esquecido, ignorado, negado apesar da sua evidência é o Direito da Força.
4º Da competência, da inteligência deste direito da Força deduzem-se as leis da guerra, leis que fazem da guerra, uma verdadeira instituição judicial, sobre a qual repousa por sua vez o Direito das Pessoas.
5º Infelizmente estas leis, na prática, são constantemente violadas, por consequência da ignorância do legislador, da paixão do Guerreiro, e da influência da Causa Primeira da Guerra que não é outra que o pauperismo e a cobiça.
6º Esta violação das leis da guerra pode ser impedida? Não: a guerra é irreformável.
7º Logo é necessário que a Guerra tenha um fim já que ela não é susceptível de reforma e hoje em dia nós atingimos este fim.
O fim do Militarismo é a missão do décimo nono século sob pena de decadência infinita.”
O resumo duma obra de 544 páginas (Edition Rivière) e que o autor pensava “elucidar” por 130 páginas suplementares tem o mérito de ser suficientemente explícito quanto às intenções de Proudhon.

Proudhon, metafísico

O estudo deste “facto psicológico” que é a guerra, deste “facto da alma”, este “elemento moral”, inscreve~se na História.
Proudhon escreve en prefácio:”... Os princípios existem sempre. Os princípios são a alma da História. É um axioma da Filosofia moderna que toda a coisa tem a sua Ideia, por conseguinte o seu Princípio e a sua Lei; que todo o facto é adequado a uma ideia; que nada se produz no Universo que não seja expressão duma Ideia... As ideias levam a Humanidade através das revoluções e das catástrofes... Como é que a Guerra não poderia ter razão superior, a sua ideia, o seu princípio, do mesmo modo que o Trabalho e a Liberdade?...”
Parece pois que, segundo Proudhon, visto que a Guerra e a Força têm, na História, a capacidade de talhar as Sociedades e os Indivíduos, visto que elas contribuíram a fundar, a destruir ou a transformar as civilizações, resulta que:
1º Não poderia ser de outro modo, que a “Força das coisas”, a Providência estava em trabalho neste desenvolvimento de forças nas relações entre os homens e até na guerra.
2º Que o desenrolar desta história de afrontamentos guerreiros ía num certo sentido, que é o da civilização, do melhoramento, do Progresso.
3º Isso foi, era inelutável, isso ía no bom sentido. Era “divino”, fora da crítica humana.
Ora o fim prosseguido desde a noite dos tempos ( as 4 épocas da Humanidade: ( Césarisme et Christianisme tomo I pág.4 e seguintes) pela Providência não foi alcançado. Este fim, é o reino da Igualdade, é a Reforma económica, é a Justiça. Pertence à quarta época, a época Social da qual Proudhon quer ser a sentinela avançada e que começou com a Revolução, de levar a bem esta tarefa ou cada vez menos retomar o archote. Ora a Guerra é inoperante como meio de atingir o fim; é preciso encontrar outra coisa...
Podemos portanto pensar logo que Proudhon moraliza a Guerra, diviniza a Força e dá-lhes uma espécie de sanção, de auréola jurídica fundada sobre a sua perenidade e a consideração da opinião comum, há menos provocação ou polémica que “metafísica em acção”.
Pelos seus ditirambos sobre o direito da Força, da Guerra, das Pessoas, Proudhon quer sublinhar o carácter vital deste elo no passado da Humanidade e o seu papel necessário para o futuro, para esta nova Época do qual se sente ser o porta voz.
Papel essencial mas evidentemente um papel novo, papel revolucionário! A guerra como manifestação da força teve o seu tempo. É inadequada à Reforma da Economia e da Sociedade, à solução do “Pauperismo”. A Humanidade não o quer mais...
Mas o que chamamos a Paz não se deve compreender como o contrário da Guerra, como incompatível com a Força.
Não pode ser, esta Paz, a não ser que renuncie à vida, que oposição activa, força em movimento, tensão inteligente.

Proudhon combatente

Na “Création de l`Ordre” (cap. V p. 358) Proudhon imagina o fim feliz do “drama revolucionário, cada elemento social estando elaborado e classificado, cada ideia tendo tomado o seu lugar, a História não sendo mais que o registo das observações científicas das formas de Arte e dos progressos da Indústria...”
Então, diz ele, “o movimento das gerações humanas assemelham-se às meditações dum solitário, a civilização tomou o manto da Eternidade!
Sim o tempo virá onde estas agitações políticas, que nos anais passados têm um tão grande lugar serão quase nulos; onde as nações se esgotarão sem ruído, como ombros silenciosos na sua estadia terrestre. O Homem será mais feliz? Não sei...”
Sente-se bem que esta beatitude infinita não é do seu gosto. Está mais satisfeito nas “fases” intermédias da História:
“... Não esquecemos que sobre esta vasta cena, nenhuma fase produz-se sem luta, nenhum progresso se efectua sem violência e que a Força é em último resultado, o único meio de manifestação da Ideia. Poderíamos definir o movimento como uma Resistência vencida...Bichat define a Vida como o conjunto dos fenómenos que triunfam da Morte...” ( Création de l`Ordre p. 412)

Força e privilégio

Na mesma obra ( Création... p.415) Proudhon calcula que se a Democracia quer ver aumentada os seus direitos políticos, se em vez de um fraccionamento concedido pelo poder quer o “desdobramento”, se ela pretende obter a “democratização” da Banca, a “reunião” dos Seguros ao domínio público, se ela quer o “salário mínimo”, deverá em frente “da resistência dos exploradores” agir com determinação.
Se ela quer “regulamentar a Oficina, civilizar o Mercado, converter em imposto o rendimento do capitalista”, “republicanizar” a propriedade como o dizia Cambon, deverá também usar a força face aos “Princípes do Monopólio, à propriedade anárquica e dissoluta que resiste e resistirá sempre, defendida que é por “plumas vendidas”, apoiadas por uma “multidão desvairada”, sustentada por um “Poder que lhe obedece...”
“...Ainda assim, acrescenta ele, não sejamos nem assustadiços nem surpresos por esta marcha das coisas. Segundo a mitologia antiga toda a potência que muda ou se modifica é uma divindade que morre, um génio que se mata, que é vencido... Como na Sociedade as ideias são os interesses, e os interesses são os homens, é difícil que os homens que reinaram pelos seus interesses e as suas ideias consintam a eclipsar-se e a desaparecer. É preciso vencê-los... O autor dos “ Serões de S. Petersbourg” teria dito, no seu estilo inquisidor: é preciso matá-los. Pois não esperemos que alguma razão os convença; que a evidência do direito, a iminência do perigo lhes faça abrandar a captura; só há para eles vida ou morte moral: só cederão pela Força...”

A luta ou a vergonha


Na “Guerra e Paz” escrita vinte anos mais tarde, Proudhon sublinha de novo a importância da luta mesmo se ela não é “armada”.
“... Lutemos portanto (p. 483)... nestas novas batalhas, não temos menos a fazer acto de resolução, de dedicação, de desprezo pela morte e de volúpias; não contaremos menos mortos e feridos... e tudo o que será cobarde, débil, grosseiro, sem valentia de coração nem de espírito não deve menos esperar a sujeição, ao menosprezo e à miséria... O salarato, o pauperismo e a mendicidade, por detrás das desonras esperam o vencido...”
Para um polemista como Proudhon a noção de luta, de guerra, reveste incontestavelmente uma conotação mais positiva que a de paz.
A não ser a vergonha, a paz pode ser sinónimo de preguiça, de inêrcia. Pode ser “... um meio radical de extinguir o génio” de cada um.
Nas “Contradições económicas, 3ª época, A concurrência, pág. 219, tomo I, dá o método para “extinguir o génio” individual: “... Libertar o homem de toda a solicitude (interesse), levantar o engodo do benefício, da distinção social criando à volta dele... a paz em todo o lado sempre... Transportai ao Estado a responsabilidade da sua Inércia...”
“ Sim, acrescenta Proudhon, a despeito do quietismo moderno da vida do homem é uma guerra permanente, guerra com a necessidade, a natureza, guerra com os seus semelhantes, por consequinte guerra com ele mesmo... A teoria duma igualdade pacífica não é mais que uma imitação da doutrina católica da renúncia aos bens e os prazeres deste mundo, o princípio da indigência, o panegírico da miséria...”
Contra esta forma de resignação, de atonia, de apatia, Proudhon sempre se insurgiu com vigor: “...Sejamos fortes ( carta a Chaudey de 23 de Julho de 1861)... Deixemos de ser cobardes... Voltemos a ser homens e seremos livres. Oh! Se houvesse ainda um pouco de espírito em França, isso seria aplaudido... mas gostamos ainda mais de gaguejar a palavra liberdade na nossa humilhação, do que nos levantarmos na nossa energia; e acreditamos que a liberdade e o direito voltarão pela única virtude da ideia... Que degradação!...”

Força e justiça

O conceito de força é pois um pivot da sociologia e da moral proudhoniana. Sem a força não há sequer justiça.
“...A Justiça, em si é a balança das antinomias, quer dizer a redução ao equilíbrio das forças em luta, a equação numa palavra das suas pretensões respectivas...” ( carta a Langlois de 30 de Dezembro de 1861).
Quando analisamos entretanto o que resta da Força, não mais enquanto fenómeno natural, mas como “Direito”, uma vez purificada das suas escórias, podemos encontrá-la um pouco anémica. Para fazer direito, a Força deve ser “inteligente”, humana, livre. O direito da força é o mais baixo na escala dos direitos. Pode ser confiscado ou desviado pelos políticos sem vergonha. Do mesmo modo o direito da Guerra é limitado a um desafio, um torneio desportivo de acordo com as regras.
Na verdade Proudhon quis dar mais peso àquilo que chama uma descoberta, uma revelação à qual juristas e legistas que o precederam foram cegos, mas a sua demonstração é laboriosa e às vezes simplista: Se há bem um direito da guerra, se a “guerra é um acto de jurisdição solene”, a “Prova” está “ na opinião de género humano”, o “pensamento geral”, o “sentimento geral”, “o testemunho universal”.
O seu procedimento para “desmistificar o mito guerreiro”, para suprimir à guerra “ o seu carácter divino” aparece, à primeira leitura como demasiada afastada da fria razão, duma lógica científica.
Vimos que para “prender” a guerra à justiça, Proudhon descobre o fundamento moral da força e argumenta sobre a origem da noção de “direito”: “...o direito divide-se em tantas categorias, de cada uma das quais podemos dizer que ela tem o seu centro no poder que o engendra ( Guerra e Paz pág. 127)... Ora o homem é “um composto de poderes”; quer ser reconhecido em todas as suas faculdades”, como reconhece os outros nas suas próprias faculdades”.
A Força é uma destas faculdades, destes poderes que engendram os direitos, da mesma maneira que “o trabalho”, a inteligência, o amor, a antiguidade” (pág. 127) “... Deste modo a Força é como todas as nossas outras potências, sujeito e objecto, princípio e matéria de de direito. Parte constituinte da pessoa humana, ela é uma das mil faces da Justiça... A Força pode tornar-se a este título e à sua volta, o caso a vencer, por uma simples manifestação dela própria Justiceira... Será o mais baixo degrau da Justiça, se quisermos, mas será a Justiça: toda a questão será de fazer intervira propósito...”
A Força pode revestir formas variadas. Proudhon fez um princípio de nomenclatura com a sua hierarquia. Através destes diversos aspectos da Força ( Génio, Virtude, Paixões, Máquinas, Capitais...), a vitória regressa à associação: “... De todas as Forças... a maior é a Associação que podemos definir como a incarnação da Justiça...”
Enfim, do mesmo modo que enuncia uma série de interdições que fazem da guerra proudhoniana um desafio extremamente honorável e pleno de harmonia entre adversários que se respeitam, do mesmo modo “... as Forças devem no homem e na Sociedade balançar-se, e não aniquilar-se...” Resulta que “... a oposição das forças tem por fim a sua harmonia”... e que “...todo o antagonismo no qual as forças, em vez de se colocarem em equilíbrio, se entre-destroem não é mais a Guerra, é uma Subversão, uma Anormalia...”

A força e a paz

Nas 544 páginas da sua obra Proudhon só consagra algumas ao estudo do fenómeno da Paz. Já vimos que falta entusiasmo para os tempos futuros sem “agitações políticas”... onde as nações se esgotarão sem ruído como sombras silenciosas”.
Portanto a Guerra e a Paz não se excluem: “... Chamam-se uma à outra, definem-se reciprocamente, completam-se e sustêm-se como os termos inversos mas adequados e inseparáveis duma Antinomia...”
Como a Guerra que “negamos” sem a compreender, esta Paz “ é uma realidade positiva pois a estimamos como o maior dos bens. Como é possível que a ideia que dela fazemos seja puramente negativa como se ela respondesse somente à abstenção de luta, de estrondo, de destruições...”
Esta “ideia que nós fazemos” parece bem ser a ideia pessoal do autor que não vê outra coisa “o sonho da guerra, a preparação para a guerra...” ( Guerra e Paz pág. 63 e segs.), mesmo se concede, sem desenvolver o seu propósito, que “a paz deve ter a sua acção própria, a sua expressão, a sua vida, a seu movimento, as suas criações particulares.”
A crença dum estado de paz que não seja mais do que letargia e resignação explicam talvez a notável concisão de Proudhon sobre este assunto.
Para qualquer um que “ tem fé na Revolução”, que crê “ numa transformação da guerra”, numa renovação integral das condições da Humanidade, a energia necessária ao êxito desde grande desígnio não se harmoniza com uma concepção “apaziguada” da História.
“... Olho os partidários da paz perpétua como os mais detestáveis dos hipócritas, o flagelo da Civilização, a peste das Sociedades...” ( Guerra e Paz pp. 49-50).
Quando faz falar aqueles que são cépticos sobre as conclusões que avança ( Guerra e Paz pág. 408) sobre o fim inelutável da guerra, empresta-lhes certamente argumentos próximos das suas concepções: “... quanto à ideia de paz perpétua, ela é negativa, inorgânica por natureza, sinónima de inêrcia, de vazio...”
Claro, responde a si próprio” a paz não é o fim do antagonismo, o que quereria dizer o fim do mundo, a paz é o fim do massacre, o fim do consumo improdutivo dos homens e das riquezas...”
Mas as condições que coloca para atingir esta paz são bastante duras: “...É necessário que começemos por mudar de espírito... que compreendamos o nosso destino terrestre bem marcada pela máxima estóica - Suporta e abstem-te -, enfim que observemos a lei da produção e da repartição condição suprema da igualdade democrática e social.”
“...A Paz, acrescenta, não pode ser... outra coisa que uma manifestação da consciência universal...A Humanidade trabalhadora sózinha é capaz de acabar com a guerra criando o Equilíbrio económico, o que supõe uma revolução radical nas ideias e nos costumes...”
Para alcançar esta paz, no seio duma Sociedade em Guerra e qualquer que seja as formas de antagonismo que agita, não há nenhuma dúvida que as energias não devem afrouxar um único instante, nenhuma dúvida que as “forças” devem estar preparadas, consolidadas para a acção.
No seu discurso razoável sobre a paz, se se detalha bem a imensidade dos obstáculos, o polémico Proudhon não encontra os acentos de entusiasmo de regozigo que tinha em falar da pureza da sua guerra: “... A guerra sem ódio nem injúria, entre duas nações ( Guerra e Paz pág.151) generosas por uma questão de Estado inevitável e de outra maneira insolúvel, a guerra, como reivindicação do direito da Força, da Soberania que pertence à Força, eis, não me escondo, o que me parece ser o ideal da virtude humana e o cumular do êxtase...”
Compreende-se que os seus amigos se tenham impressionado.

1- A propósito deste conceito veja-se o cap. VII do livro “Do Princípio Federativo” de Proudhon com uma tradução portuguesa recente das Edições Colibri, 1996. Possui comentário e notas críticas.

Isso não se faz...não num leão!...


Isso mesmo! Obediência à autoridade é muito bonito!...


Portugueses!!!


Alguns dos meus alunos...Não são tão queridos?


Os dados estão lançados...

Os ditadores não gostam de reformas...


O povo está de um lado...e as autoridades doutro...


Já ninguém lhe tem respeito...


Vai cozendo em lume brando...


E não há maquilhagem que o salve...


Os abutres esperam...


Alguns são perigosos...


E trazem estes dois senhores muito nervosos...


O grande rebanho lusitano


PACOTES DE RESGATE IDEOLÓGICOS

Crise, qual crise? O mundo capitalista mais uma vez se coloca esta pergunta retórica, com plena consciência de que a vitalidade renovada é o que ele gostaria de se auto-atribuir. Mas nem de longe está tão confiante como nos anos anteriores a 2008. Em vez disso, pode notar-se um certo espanto, por ter conseguido safar-se da situação mais uma vez, ao que parece. A queda da economia mundial foi demasiado profunda e a vergonha das previsões científicas foi demasiado grande para que agora pudessem ser oferecidas, com ingenuidade secundária, mais promessas dum novo "milagre económico". O optimismo oficial ecoa ainda com maior estridência na Alemanha, que parece cambalear de um "sonho de verão" [“Sommermärchen”] para outro, só interrompido pelo obrigatório "sonho de inverno" [“Wintermärchen”]. Depois do futebol, agora é a economia que está em alta. Embora sendo vencedor apenas em segundo ou terceiro lugar, imagina-se mesmo assim como campeão mundial dos corações e da gestão da crise. Mas, atrás do mais recente chauvinismo alemão da exportação, sentido com sobranceria democrática, esconde-se o medo. O ar de festa enganador não consegue disfarçar que a “recuperação”, apresentada como surpreendente sucesso do campeão europeu na modalidade de baixos salários, baseia-se numa fraude.

Sinais de viragem

Tunísia, Egipto...
O que dizem aos trabalhadores europeus as revoltas populares no mundo árabe?

Pelo sétimo dia consecutivo, o Egipto está a ser abalado pelos protestos de milhares de pessoas que, nas ruas das principais cidades, exigem a queda do regime liderado há 30 anos por Hosni Mubarak. Este movimento de massas segue-se aos protestos iniciados na Argélia e depois da Tunísia, e que se ramificaram, em grau por enquanto menor, à Jordânia e ao Iémen. De facto, todos os 22 países do mundo árabe, que cobrem a costa sul do Mediterrâneo e parte do nordeste de África e se estendem até ao Próximo Oriente estão a ser tocados por esta gigantesca revolta popular que põe em causa as bases de regimes políticos e de sistemas sociais que pareciam até há pouco inabaláveis.

Pico petrolífero, o pano de fundo da crise egípcia

Todos nós lemos nos jornais acerca do Egipto e perguntamo-nos o que estará por trás dos seus problemas. Deixe-me apresentar algumas percepções.

Pelo menos uma parte dos problemas do Egipto está no facto de que no passado o governo ameaçou reduzir subsídios alimentares. Agora está a planear manter o nível dos subsídios alimentares e elevar os subsídios da energia, mas não está claro que a quantia em dólares do subsídio venha a ser suficiente. O governo está a dar passos para tornar os alimentos e a energia acessíveis à maior parte, mas há a preocupação de que o passos dados não sejam suficientes.

A situação financeira em declínio do Egipto

Há uma boa razão para esperar que o Egipto comece a ter problemas com subsídios de energia e alimentares. A sua situação financeira está a declinar ao mesmo tempo que o custo dos alimentos importados está a subir. Se examinarmos um gráfico das importações, exportações e consumo egípcio de petróleo (utilizando um gráfico do Energy Export Databrowser , o qual baseia-se no BP Statistical Data), descobriremos que a utilização de petróleo do Egipto tem estado a subir rapidamente, ao mesmo tempo que a quantidade extraída a cada ano está a declinar.

Povo Qom luta por terra na Argentina

O Chaco argentino é uma região dura. Ali, nos meses de verão, a sensação térmica pode passar dos 50 graus. Poucos são aqueles que se atrevem a sair de casa no horário que vai das 10 às 16 horas. Tudo parece derreter e a umidade se agarra nos ossos, tornando a atmosfera quase irrespirável. É nessa extensão de terra, fronteira com o Paraguai, que vivem ainda dezenas de etnias originárias, do chamado grupo Tobas (do guarani tová, que significa rosto, cara, frente). Esta expressão, depreciativa, foi dada pelos conquistadores, ainda que buscada da língua local, porque estas etnias tinham por costume raspar a parte dianteira da cabeça. Atualmente, cada uma delas reivindica seu verdadeiro nome, como é o caso dos Qom. Seu território ancestral se esparrama pelo Paraguai e parte da Bolívia. Assim como todos os originários desta imensa Abya Yala estes povos também tiveram de vivenciar a invasão de seus espaços sagrados, a destruição de sua forma de vida e o quase extermínio. Mas, também seguindo o rastro do grande movimento que hoje percorre as veias abertas destas terras do sul do Rio Bravo, estão novamente de pé, reivindicando direitos e fazendo ecoar suas vozes nas selvas de concreto erguidas pelos conquistadores.