quinta-feira, fevereiro 24, 2011

mas que raio!...


Uma contradição...


Como é que disse??!!!


capitalismo em estado puro


Um palhaço que está prestes a ser posto fora do circo!...


Nova Greve Geral na Grécia










Milhares de pessoas aderiram hoje (23) à primeira greve geral do ano na Grécia contra as medidas de austeridade do governo. Na manifestação em Atenas participam mais de 200 mil pessoas, com diversos cortejos. Enfrentamentos entre manifestantes e policiais antidistúrbios explodiram nas ruas da capital do país.

Os policiais, posicionados diante o ministério das Finanças, na praça central de Syntagma, lançaram gases lacrimogêneos e bombas de efeito moral contra os ativistas para fazê-los retroceder. Os protestantes, por sua parte, jogaram todos os tipos de objetos, principalmente coquetéis molotov contra as forças policiais. Junto ao parlamento há também registro de confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Lojistas fecharam as portas e os serviços públicos pararam em toda a Grécia. Os hospitais ficarão 24 horas funcionando apenas em esquema de emergência. As escolas fecharam, e os transportes foram afetados. Vôos emergenciais foram autorizados apenas entre 10h e 14h (horário local), e os navios passarão todo o dia atracados nos portos.

Jornalistas aderiram ao protesto, levando a TV estatal a transmitir documentários, e as rádios a tocarem músicas.

[Atualizações da Greve Geral até às 17h37]

17h37, Atenas: Após uma pausa, houve pelo menos mais um confronto na Praça Syntagma. A polícia tentou dispersar a multidão e pelo menos uma pessoa foi espancada por um grupo de cerca de 10 policiais sendo depois detida. A situação está de novo bastante tensa. A estação de metrô de Syntagma foi fechada outra vez.

16h50, Atenas: Há um apelo para uma concentração na Praça Syntagma às 19h (hora local). Há seis feridos confirmados entre os manifestantes. Há muitos policiais da tropa de choque e motorizados na Avenida Alexandras

Volos: Houve três manifestações com cerca de 4.000 pessoas.

16h30, Atenas: Um manifestante sofreu queimaduras sérias por causa de uma granada de gás lacrimogêneo e foi levado para o hospital. O seu joelho está em péssimo estado. Até agora, há pelo menos 20 detenções confirmadas e 4 ou 5 prisões efetivas confirmadas. Um policial motorizado tentou atropelar um manifestante perto da Praça Syntagma, mas os polícias foram atacados com um coquetel molotov e a sua moto foi consumida pelas chamas. As pessoas estão tentando organizar um concerto de fim da tarde na Praça. A maioria das pessoas ficará na Praça até o concerto.

Tessalônica: Cerca de 200 manifestantes estão em marcha em direção à delegacia de Aristóteles em solidariedade com a pessoa que foi presa e levada para lá.

16h10, Atenas: A polícia atacou uma parte da Praça com gás lacrimogêneo. As pessoas fugiram mas já começaram a voltar e apelam para um assembléia em frente ao parlamento. A estação de metrô central foi reaberta.

Tessalônica: Há detenções arbitrárias sendo efetuadas por polícias à paisana. Há notícias de confrontos na Praça Aristóteles. Os manifestantes atacaram uma delegacia em Ano Polis com coquetéis molotov.

15h38, Atenas: Milhares de pessoas estão na Praça Syntagma, onde cordões policiais protegem o parlamento. Pelo menos 30 pessoas foram detidas à frente do ministério dos negócios estrangeiros. As autoridades estão reunidas preparando a violação do asilo acadêmico. Há gente a reunir-se na Praça Omonoia e se preparando para ir para a Praça Syntagma. As estações de metrô centrais foram intencionalmente fechadas pela polícia.

15h23: Há manifestações em muitas cidades gregas, incluindo Tessalônica, Patras, Ioannina, Kozani, Agrinio, Naxos, Rethymno, Volos, Arta, Heraklion, Larisa, Serres, Kefallonia, Mytilene, etc. A cidade de Drama esteve ocupada por manifestantes durante um bom período de tempo.

15h05, Atenas: Há muito gente a juntar-se em frente ao parlamento e apelam para que toda a gente se reúna ali. As pessoas que estão em Exarchia estão tentando formar uma assembléia. Muitas notícias dizem que a multidão se assemelha à de 5 de maio de 2010 (cerca de 250 mil pessoas). Ainda há milhares de manifestantes nas ruas perto de Exarchia e Propylaea, que estão tentando aceder à Praça Syntagma. Há muitos policias da tropa de choque bloqueando as ruas. Em muitos lugares de Atenas, os manifestantes atiram pedras e a polícia responde com granadas de flash e barulho. Houve um número indeterminado de detenções. A estação de metrô central está fechada. A Praça Syntagma continua ocupada por muita gente.

14h28, Tessalônica: A polícia tentou quebrar a manifestação, através de um ataque com grandes quantidades de gás e granadas de flash e barulho (flash bang grenades). Foram destruídos muitos bancos 24 horas e os confrontos continuam na Praça Aristóteles e nas ruas circundantes.

14h10, Atenas: Parece uma câmara de gás. Há confrontos violentos por todo o lado e há muitos manifestantes feridos, incluindo idosos e deficientes. Há muitos policiais à paisana de capuz. As pessoas mantêm-se nas ruas.

13h57, Atenas: A manifestação foi alvejada de gás lacrimogêneo e dividida em partes. Há confrontos em todo o lado e há notícias de motos da polícia em chamas. Tem havido detenções.

13h40, Atenas: Milhares de pessoas estão na Praça Syntagma. Foi utilizado muito gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Foram atirados coquetéis molotov contra a polícia que está na parte de fora do parlamento. Houve manifestantes que tentaram ocupar o ministério das finanças, que fica perto dessa praça.

13h30, Atenas: Há mais pessoas a concentrarem-se na Praça Syntagma. A polícia está a atirar gás lacrimogêneo. De acordo com a emissora Radio Revolt, a polícia também atacou várias partes da manifestação em Tessalônica.

12h53, Atenas: A manifestação é uma das maiores que Atenas já viu. Bom tempo e um ambiente ótimo. As pessoas dirigem-se para a Praça Syntagma.

12h50, Atenas: A manifestação é enorme. Há relatórios que indicam que é maior do que as últimas manifestações da greve geral do ano passado. O presidente (corrupto) do GSEE (General Confederation of Greek Workers), Panagopoulos, foi provocado pelos manifestantes. O PAME (o sindicato ligado ao PC grego) organizou, como habitualmente, uma manifestação separada, que também tem milhares de pessoas

12h30, Atenas: Há detenções "preventivas" de sindicalistas. Milhares de pessoas continuam a juntar-se. Há muitos polícias à paisana no bairro de Exarchia e nas ruas limítrofes.

Tessalônica: Polícias à paisana foram perseguidos por manifestantes. Câmaras de vigilância foram destruídas quando a marcha começou.

Patras: Mais de 4000 pessoas estão a marchar nas ruas centrais da cidade. Há imigrantes que também se juntaram ao protesto.

12h (horário local): Milhares de pessoas estão no centro de Atenas, Patras, Tessalônica, etc. As marchas ainda não começaram, há muita gente chegando. Há milhares de polícias (de choque, motorizada e à paisana) tentando aterrorizar as pessoas.

agência de notícias anarquistas-ana

Urgente: massacre e revolução na Líbia

Os relatos provenientes da Líbia são impressionantes. O regime de Gaddafi está perpetrando um massacre cruel sobre a insurreição da massa. Os mercenários recrutados pelo regime de Gaddafi (o equivalente aos ‘baltagi’ do regime de Mubarak), ao lado do exército regular e as forças de segurança, abriram fogo contra o povo líbio desarmado, ou, em alguns casos, armados apenas com armas de fogo muito leves. As forças repressivas do regime não apenas usam armas de fogo, mas também de artilharia, tanques, aviões e helicópteros de combate. Do ponto de vista militar, esta não pode ser considerada uma guerra. Aliás, esse é um massacre conduzido pelo regime de Gaddafi sob a supervisão das potências imperialistas da Europa e dos Estados Unidos que, como sempre, só se preocupam com petróleo e dinheiro, apenas para o lucro, e não os direitos humanos ou até mesmo vidas humanas.

O governo Europeu e estadunidense estão mantendo um silêncio vergonhoso, que diz mais do que qualquer possível declaração. No fundo eles estão apoiando os assassinos, a ditadura, contra a rebelião em massa, como fizeram na Tunísia e no Egito, para em seguida mudar de lado quando o triunfo da revolução torna-se inevitável. E não há nenhum segredo nisto. Trata-se apenas de todo o petróleo e dinheiro que deve permanecer nas mãos de ditadores, e não dos povos. E, como aconteceu antes no Bahrein, Tunísia e Egito, a maioria das armas antidistúrbio e sua munição usada pelas forças do regime para assassinar e reprimir o povo, são provenientes de empresas européias e estadunidenses. Duas noites atrás, o filho do ditador líbio ameaçou as massas e ontem seus assassinos e mercenários passaram de ameaça à ação. A ditadura de Gaddafi na Líbia é um exemplo perfeito de um regime totalitário, como aquela sociedade opressiva descrita por George Orwell, em seu romance "1984". Agora, o "Grande Irmão" tem travado uma verdadeira guerra contra o seu próprio povo, ou mais precisamente, guiando uma matança sangrenta contra os líbios em rebelião. Mais uma vez, estão apelando para o "fantasma" dos fundamentalistas. Esta não é uma luta entre os fundamentalistas e o regime; a luta está sendo travada entre as massas e a ditadura.

Isto é simplesmente uma escandalosa manipulação da realidade; uma tentativa descarada de justificar não só a repressão do regime, mas também os seus crimes bárbaros, quando a verdade é que nada, absolutamente nada, pode justificar os crimes do regime de Gaddafi, como o uso de tanques e aviões de combate contra as massas desarmadas, contra as crianças e suas mães.

Nós, os anarquistas e libertários, não devemos descartar a possibilidade de alguma força repressiva (islâmica ou não) se apropriar da revolução. Mas diante disso, não preferimos uma força de repressão não religiosa a uma religiosa. Optamos pela verdadeira liberdade das massas, por uma sociedade autogerida e organizada de forma livre e voluntária, de baixo para cima. Diante deste cenário, vemos que a única resposta apropriada é a ação direta popular desenvolvida pelas massas, e não para qualquer outro tipo de repressão brutal exercida por uma ditadura feroz.

Aqui estão algumas notícias e comentários do blog de um companheiro anarquista líbio (apenas em árabe). O link para o blog é: http://saoudsalem.maktoobblog.com

• Centenas de pessoas assassinadas na Líbia - Gaddafi, o açougueiro, escondido em sua fortaleza.

• Testemunhas relataram o fato de que um verdadeiro massacre acontece na cidade de Benghazi, no leste da Líbia, onde dezenas de pessoas foram mortas e centenas feridas. E os hospitais da cidade estão sobrecarregados com pessoas feridas. Um advogado e ativista declarou à Al Jazeera que o número de pessoas assassinadas pelas forças de segurança em Benghazi pode aumentar para 200 e entre 800 e 900 feridos (escrito em 20 de fevereiro).

• Gaddafi bombardeou os líbios... e os líbios estão avançando para Trípoli.

• Benghazi, segunda maior cidade da Líbia, a mais importante depois da capital Trípoli - onde a primeira centelha da revolta ocorreu em fevereiro - está enfrentando um genocídio (escrito em 20 de fevereiro).

• A família governante (ou seja, a família Gaddafi) na Líbia, perdeu a paciência e chamou os manifestantes de "bandidos".

• Parece que o abuso de poder por parte do regime e seu massacre contra os manifestantes saiu pela culatra, tanto que até mesmo muitos membros das forças armadas e da polícia se recusaram a disparar contra os manifestantes e se uniram a eles, forçando o regime de Gaddafi a recrutar mercenários de países pobres da África (escrito em 21 de fevereiro).

Mazen Kamalmaz

Anarquista sírio.

agência de notícias anarquistas-ana

Como neutralizar um político


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Um bilhete de volta para Lockerbie!




Revolta popular alastra a todo o mundo árabe

“A Europa não tem nada a ganhar com a instabilidade no Mediterrâneo”. Assim resumiu o embaixador Martins da Cruz (TSF, 17 Fevereiro) a posição do imperialismo europeu, e também norte-americano, sobre as revoltas que varrem o mundo árabe. Compreende-se: todos os regimes abalados, sem excepção, são “amigos”, de longa ou fresca data, da União Europeia e dos EUA. Razões da amizade: o gás natural, o petróleo e as vantagens estratégicas. Nada a ganhar, portanto.

Mas, contrariando as previsões de todos os “especialistas de assuntos internacionais”, o certo é que as manifestações continuam a alastrar e a mostrar uma inesperada disposição de luta não de pequenos grupos, mas de massas de milhares de pessoas, que enfrentam inclusive a repressão mais brutal.
Depois das primeiras escaramuças na Argélia, a revolta tunisina deitou a baixo o regime de Ben Ali e as manifestações no Egipto derrubaram Mubarak. O contágio atingiu o Iémen, a Líbia, o Barém (que acolhe a 5.ª esquadra dos EUA, polícia do Índico e do Médio Oriente) e o Iraque, registando-se já muitos dias de protestos e dezenas de mortos. Também na Jordânia, Argélia, Marrocos e Síria tem havido acções de protesto.

BARRIL DE PETRÓLEO A US$111

Dia 23 de Fevereiro o preço do Brent, a referência europeia, atingiu os US$111,82 . As importações portuguesas de petróleo costumam ser da ordem dos 15 milhões de toneladas por ano. Mas o governo Sócrates continua a acenar com as suas ridículas demagogias acerca de veículos eléctricos.

Irlanda: Romper a conexão com o Euro!

A crise em torno do Euro é fonte de instabilidade crescente no seio da própria União Europeia. A UE a elite política aqui na Irlanda – que executam activa e voluntariamente as políticas e os diktats das forças económicas dominantes no seio da UE, em particular os capital financeiro alemão – gostam de dar a impressão de que está tudo sob o seu controle e de que podem dominar todos os acontecimentos e brincar com eles. Contudo, toda nova medida que põem em prática cria novas problemas. As dificuldades acumulam-se.

Durante os meses de Outubro e Novembro eles estabeleceram o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira "a fim de fornecer assistência rápida e eficaz em liquidez, em cooperação com o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (EFSM) e o Fundo Monetário Internacional, e isto na base de programas enérgicos de ajustamento das políticas económicas e fiscais a aplicar pelos Estados membros afectados tendo em vista assegurar que a dívida permaneça sustentável".

Nos fim de Novembro, alemães e franceses puseram-se de acordo sobre o estabelecimento de um Mecanismo Europeu de Estabilidade Permanente. Os objectivos acordados são claros: "A assistência fornecida a um Estado membro da zona euro repousará sobre um programa enérgico de ajustamento económico e fiscal e sobre uma análise rigorosa da sustentabilidade da dívida efectuada pela Comissão Europeia e o FMI, em ligação com o BCE".

O NEGRO E O VERMELHO

Proudon Epistológrafo

No estudo que ele consagrou ao nosso autor, Sainte-Beuve escrevia: “Eu sou persuadido que, no futuro, a correspondência de Proudhon será a sua maior obra viva, e que a maior parte dos seus livros não serão mais que o acessório e como peças o apoio” (1). Nós partilharemos este aviso, o adjectivo “acessório” excluído. A crítica, encerrada na sua juventude no santo-simonismo, aprovava a simpatia para inúmeras ideias proudhonianas mas conhecia mal a obra. É sobretudo o homem, a sua franqueza e o seu estilo, que lhe interessavam. A matéria deste primeiro ensaio biográfico - que não vai, por outro lado, além de 1848 - é tirada quase unicamente nas cartas, nas quais ele tinha tido comunicação e as manutenções a este propósito. Se só se pode prestar homenagem a este retrato geral penetrando, isso não implica ter como definitivos todos os julgamentos que ele contem.
Seguramente Proudhon encontra-se entre os grandes epistológrafos do século XIX, o equivalente a um George Sand que ele não amava nada. Os contemporâneos, ver os próximos, ignoravam este aspectos do seu génio ou não faziam mais que suspeitá-lo. É somente dez anos depois da morte do escrivão, quando foram publicados os catorze volumes da Correspondência, que a revelação fez falta. Apesar de incompleto, este momento impressiona de repente pelo seu ampliador. Completar, ver modificar certos pontos, a imagem do filósofo-polémista, a variedade de tom e a riqueza de conteúdo destas cartas, desde que a qualidade dos inúmeros destinatários, afirme o comentário indispensável da obra propriamente dita. Quanto em dizer, como Saint-Beuve, que a Correspondência é o aspecto mais duradouro, nós queremos ir também longe. A trintena dos volumes deixados por Proudhon, não somente são ocultados pelas suas cartas mas pelo contrário, tomam um acréscimo de interesse sob o seu esclarecimento.
Incontestavelmente, é impossível apanhar verdadeiramente a personalidade de Proudhon e de aproximar a base do seu pensamento sem levar em conta este contraponto permanente aos seus escritos publicados. Admitemos também que a reflexão sobre ela mesma com quatro décadas de uma produção ardente, pode aparecer mais próxima ao leitor de hoje do que certas obras ou passagens cujo contexto escapa-lhe ou a problemática aparece à vista absoluta. Retemos enfim que ao redor mesmo de uma referência ao proudhonismo -------------“stricto sensu”, estas trocas tão vivas e documentadas são uma referência de primeira ordem para a história intelectual da época. Rapidamente, cada um, segundo as suas preocupações lá encontrará interesse e prazer.
O objectivo de uma obra principal é efectivamente encontrar públicos diferentes, por razões que não se reencontravam inteiramente. A correspondência de Proudhon é, sem dúvida, um caso notável. Não mais que, como existem outros exemplos junto dos “homens de letras”, o escritor tinha “peaufiné”as suas missivas na intenção de as publicar um dia, dirigindo-as antes demais para a posteridade do que para aqueles que ele escrevia. No oposto, Proudhon epistológrafo é a espontaneidade mesmo, tendo tido esta virtude rara de manter-se com as suas correspondentes como se ele as tivesse diante de si. Nada menos apressado do que nestas cartas escritas na direcção do escritor, a maior parte do tempo do primeiro lançamento e quase sem risco, ao ritmo de muitos numa só jornada. O rude Pierre-Joseph, tão rico em qualidades inatas, incapaz de dissimulação, coloca-se todo no que ele escreve. Sem deixar nunca de ser ele mesmo, fala, pode-se dizer a cada um na sua própria língua, respondendo exactamente à exigência daquele que o interpreta ou explicando com precisão o que não se encontra noutro lado. Aos mais íntimos, ele vai até confiar nas confissões nas quais a autenticidade não exerce nenhuma dúvida.
Se Proudhon é um epistológrafo também talentoso e atacante é porque ele crê antes de mais no diálogo, tendo mesmo falta de ar ou de alimentos, só se expandindo bem como o outro. Conhece-se a frase - tirada precisamente de uma carta - onde ele diz que, no isolamento, mais que monologar, ele falava do seu chapéu. Para além de outras passagens manifestantes do seu gosto profundo pela mudança, sobretudo pela escrita. Todas as suas obras são, mais ou menos explicitamente, uma polémica com o indivíduo ou uma escola do pensamento. No limite, ele inventa um adversário suposto, tal como o cardial Mathieu ao longo dos milhares de páginas da Justiça.
Quando ele se dirige a um amigo vê ainda mais a sua satisfação, discutindo sempre mais com uma espécie cumplicidade jubilatória, como um lutador exaltado à escolha de um parceiro. Movendo-se como um verdadeiro contraditório, ei-lo prestes a defender unhas e dentes, mostrando-se mais atento,a ver diferente em todas as suas lutas públicas. É isto que dá a estas cartas, tão diferentes para pessoas diferentes, esta extensão de registos e esta multiplicidade de esclarecimentos que fazem a qualidade.
Por diversas retomadas o autor destas missivas, longe de pensar em torná-las um dia públicas, insiste para que elas não sejam comunicadas a qualquer um: ele exige mesmo queimá-las. Não se verá a elegância inexistente, se se conhecia o pudor de Proudhon aos olhos da sua vida privada. Portanto no fim da vida, ele parece, ao menos parcialmente, ter mudado de opinião, dizendo meio-prazeiroso, meio-sério ao cidadão Rolland: “Se eu tivesse tempo, e se eu sonhasse para a posteridade, eu copiaria as minhas cartas. São os momentos onde, quando eu leio Voltaire, Srª de Sévigné, o género para a verdade, o realismo, o espírito e mil e outras coisas não se encontram por aí” (2). Não era descrever-se com justiça?
Além dos anos anteriores, Ackermann tinha também recebido esta confidência, mais directa ainda: “… a nossa correspondência nos consolará e poderá algum dia interessar o público” ( 15-10-39, Cor.I, 156 ). Mas ele não vai mais longe que as suas notas incidentes. Ao contrário de um egotista, Proudhon não tinha tido intenção em reunir estas cartas, fossem elas adequadas entre si, e nem guardou a cópia. Acreditemos sobretudo que o seu conselho de as fazer desaparecer tinha sido muito bem seguido, mesmo involuntariamente. Em todo o caso uma grande parte, na qual o volume é difícil de estimar - ao menos o dobro e talvez o triplo do que nós temos - foi perdido. De vez em quando reapareciam blocos mais ou menos consideráveis.
Muitos entre os destinatários, sobretudo os mais próximos, não se equivocam àcerca do valor do tesouro que eles detêem. É assim que Alfred Darimon, braço direito de Proudhon nas suas actividades de escrita, oferece a Sainte-Beuve consultar junto dele as inúmeras cartas na sua posse antes de lhe oferecer um estudo mais aprofundado. Outros destinatários crêem-no sem nenhuma dúvida. Pouco antes da morte de Proudhon, em 1865, um dos seus próximos colaboradores e executores testamentários, Jérome-Amédée Langlois (3), toma a iniciativa de reunir tudo o que era acessível à Correspondência. O conjunto forma a matéria de catorze volumes publicados em 1875 pela Livraria Internacional. A.Lacroix e Cie, igualmente editor desde 1867 das primeiras obras completas em vinte e seis volumes.
O conjunto forma no total 1493 cartas ( 1498 depois da mesa, mais 5 entre elas figuram duas vezes ). Muitas das vezes nós não lhe somos devedores! Infelizmente, realizada activamente com meios falíveis, esta edição é lacunar e sempre errónea. O estudo faz referência a este assunto - o de Pierre Haubtmann, ao fim do I tomo do seu Pierre-Joseph Proudhon - reacende um certo número destas omissões, erros ou mesmo correcções desastradas.
Desde a edição Lacroix, dois volumes de cartas que não lá figuravam foram publicadas por Grasset: Cartas ao Cidadão Rolland em 1946 e Cartas de Proudhon à sua mulher em 1950, um e outro evocados ao longo desta jornada. Junto do mesmo editor, Daniel Halévy e Louis Guilloux, tinham dado em 1929 uma antologia da Correspondência de Proudhon, num volume da colecção “Os Escritos” dirigida por Jean Guéhenno. Por outro lado, muitas séries de cartas reencontradas de diferentes épocas foram publicadas, quer seja na livraria, quer seja nas revistas. Recordemos nomeadamente: Cartas inéditas a Gustave Chaudey e a vários Comtois, reunidas por Edouard Droz ( Besançon, 1911 ); Proudhon explica ele próprio, Cartas inéditas a N.Villiaumé ( Paris, Alcan-Lévy, s.d. ); “Cartas inéditas”, in A Actualidade da História ( Janeiro-Março 1954, Março-Maio-Outubro 1955 ). Muitas ligações, em particular a das cartas aos irmãos Gauthier, são passadas junto dos mercados autográficos e algumas entre elas podiam ser encontradas na Biblioteca de Besançon.
Os volumes da grande edição venderam-se dificilmente. A Livraria Flammarion, que tinha retomado os fundos Lacroix, abaixaria o preço de 70 F para 50, depois para 20. Apesar disso os inúmeros números restantes em revistas foram destruídas durante a guerra de 1914. Passados alguns anos, as edições Slatkine-Champion efectuaram uma diminuição, sempre disponível mas a um preço elevado.
Será possível dispôr um dia de uma edição corrigida e completa desta Correspondência? Somente a podemos desejar. Mas é necessário primeiramente, proceder a um inventário exaustivo dos inúmeros inéditos ou das publicações parciais dispersas nas revistas, nas bibliotecas ou nas colecções privadas. Trabalho de longo fôlego, pena seduzida. Isto poderia ser uma das missões da nossa sociedade, o dia no qual ela disponibilizaria mais meios.
“A verdadeira biografia de Proudhon encontra-se quase toda completa na sua Correspondência”, escreveu Langlois na introdução à edição Lacroix. Ele estava bem colocado para o saber. Depois dele todos aqueles que estudaram a obra e tentaram traçar um retrato psicológico e moral do seu autor - Sainte-Beuve, seguramente, depois Droz, Halévy, Dolléans, de Lubac, Haubtmann, etc. - utilizaram esta fonte de riqueza quase inesgotável. As suas obras contêm inúmeros extratos significativos destas cartas.
Mas nada substitui uma leitura directa, quer seja integral, quer seja transversal em função de um tema de interesse particular. Ela procura a felicidade rara de se encontrar face a face, como se ele nos falasse directamente, com este génio muito diverso e variado que não queria alguns estereótipos. Um homem por vezes inteiro e complexo, caloroso, atento a tudo, com a sua vigorosa alegria, suas angústias, suas dúvidas, e sempre a sua inflexível equidade. Através do seu autor, enredado em tantas querelas da época a correspondência de Proudhon introduz-nos em primeira mão - e isso não é o seu meio interesse - no quotidiano de um século tumultoso, tão próximo de nós por tantos aspectos. Enfim, e é sem dúvida no seu lado mais resistente, que estas cartas fazem-nos entender a voz de um grande escritor francês, ao estado para assim dizer nascente. Lá, ele é o menos apressado, portanto o mais resistente.
Mesmo se vós não estais de acordo em tudo com Proudhon, uma ou outra das suas proposições parece-vos ultrapassada, ou irrita-vos mesmo, mergulha-vos neste rio poderoso e impetuoso, alternadamente profundo, ardente ou refrescante: vós não vos arrependeréis certamente.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

escova de dentes adaptada a casos muito particulares...

braços de vegan...

levando o correio ao seu destino...

Arte e design ou ironia?...

gosto muito de passear com a minha vaca...

homens feitos para exercitar os músculos batendo forte e feio em mulheres...

Assim vai o mundo...árabe.

É o efeito dominó...

mas Kadafi continua surdo...


e agarrado ao velho discurso dos ditadores...


já não pode contar com os amigos de sempre...


Egipto: Movimentos sociais, a CIA e a Mossad

Por um lado, os movimentos sociais demonstraram a sua capacidade para mobilizar centenas de milhares, se não milhões, numa luta constante e com êxito que culminou no derrube do ditador de um modo que os partidos da oposição e personalidades anteriormente existentes foram incapazes ou relutantes em fazê-lo.

Por outro lado, na falta de qualquer liderança política nacional, os movimentos não foram capazes de tomar o poder político e realizar as suas exigências, permite ao alto comando militar de Mubarak tomar o poder e definir o processo "pós Mubarak", assegurando a continuidade da subordinação do Egipto aos EUA, a protecção da riqueza ilícita do clã Mubarak (US$70 mil milhões) e as numerosas corporações da elite militar assim como a protecção da classe superior. Os milhões mobilizados pelos movimentos sociais para derrubar a ditadura foram efectivamente excluídos pela nova junta militar pretensamente "revolucionária" da definição das instituições e políticas, muito menos a reformas sócio-económicas necessárias para atender às necessidades básicas da população (40% vive com menos de US$2 por dia, o desemprego entre a juventude vai a mais de 30%). O Egipto, como no caso dos movimentos sociais de estudantes e de populares contra a ditadura da Coreia do Sul, Formosa, Filipinas e Indonésia, demonstra que a falta de uma organização política nacional permite a personalidades e partidos da "oposição" neoliberal e conservadora substituírem o regime.

Solidariedade aos 300 imigrantes em greve de fome na Grécia


Em 25 de janeiro, 300 trabalhadores imigrantes começaram uma greve de fome em Atenas e Tessalônica. A principal reivindicação é que se legalize a situação em que estão.

Neste momento, quando a crise financeira eclodiu e as forças políticas de direita entraram em ação, pode parecer uma necessidade extrema. Por esta razão, precisamos prestar atenção a suas demandas, para criar fissuras simbólicas no sistema e alcançar vitórias políticas.

O aparelho político e os meios de comunicação na Grécia já começaram a pressionar a luta dos imigrantes e aqueles que simpatizam com eles. É urgente garantir o maior apoio possível neste instante. Eles já estão em 28 dias de greve de fome, num momento crucial.

Em seguida, uma petição de assinaturas. Todos aqueles que pretendam assinar pode enviar seu nome e profissão para o seguinte endereço: ypografes.allilegyi.stin.apergia@gmail.com

Solidariedade com a luta dos 300 em greve de fome

Quantas vezes têm que arriscar suas vidas para confirmar sua existência e as nossas?

Para ter o direito de viver com dignidade e esperança, em um país que coloca os fracos e vulneráveis como bodes expiatórios.

Pelos imigrantes que, com seu próprio sangue, o seu trabalho mal pago e criatividade, fazem mover o motor econômico do país.

Por aqueles que buscam a liberdade e escapar da miséria, guerra ou qualquer tipo de ocupação "pacífica", e cruzam fronteiras em busca de uma vida melhor.

Pelos imigrantes que perderam suas vidas nas fronteiras dos países europeus; para as 13.000 vítimas da doutrina da segurança desde 1993 e milhares de pessoas que continuam desaparecidas.

Pelos filhos de imigrantes que crescem com limitações e exclusões sociais e jurídicas.

Para gerar uma consciência comum, uma luta e uma causa, juntando-se os interesses sociais de gregos e imigrantes, que produzem riqueza social em todos os tipos de serviços: construções, fábricas, no campo, no trabalho doméstico – assim como os interesses dos desempregados.

Pelas razões acima mencionadas e outras não mencionadas:

Expressamos nossa solidariedade com os 300 imigrantes em greve de fome.

Exigimos a legalização incondicional de todos os imigrantes.

Apoiamos a necessidade dos imigrantes de igualdade de direitos políticos e sociais e de obrigações com relação aos trabalhadores gregos.

Assembléia de Solidariedade aos Imigrantes em greve de fome

Mais infos:

› http://hungerstrike300.espivblogs.net/

agência de notícias anarquistas-ana

Alemanha - Milhares de pessoas impedem passeata neonazista em Dresden


Milhares de manifestantes impediram anteontem (19 de fevereiro), em Dresden, uma passeata de neonazistas, erguendo barricadas e envolvendo-se em confrontos com a polícia, que não conseguiu impor o direito de manifestação à extrema-direita, reconhecido pelos tribunais.

Centenas de neonazistas que planejavam manifestar-se na capital da Saxônia em memória das 25 mil vítimas dos ataques aéreos dos aliados de 13 e 14 de fevereiro de 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, acabaram por desistir da manifestação, e após conversações com a polícia decidiram transferi-la para Leipzig. A mais de 110 quilômetros de distância.

Antes da chegada a Leipzig do trem que transportava os neonazistas, a polícia teve de dispersar várias concentrações de manifestantes antifascistas que gritavam "fora com os nazis", “confrontaremos os jovens e velhos nazistas”, “no pasaran”.

No ano passado, milhares de neonazistas já tinham sido impedidos de desfilar em Dresden em 13 de fevereiro devido aos protestos de numerosos antifascistas.

Este ano, a manifestação convocada pelo partido de extrema-direita NPD em Dresden atraiu apenas centenas de neonazistas, apesar de os tribunais terem autorizado o ato e determinado proteção policial contra as tentativas de bloqueio dos manifestantes antifascistas, igualmente anunciadas para Dresden.

Milhares de antifascistas bloquearam durante várias horas as ruas em torno da estação ferroviária central de Dresden, para impedir o acesso dos neonazistas ao local da concentração.

A polícia tentou dispersar os antifascistas, utilizando cassetetes, canhões de água e gás lacrimogêneo, mas estes romperam o cordão policial, ergueram barricadas, danificaram automóveis, incendiaram contentores de lixo, apedrejaram o corpo de intervenção e lançaram foguetes contra os policiais.

Cerca de 200 manifestantes antifascistas foram detidos, sob a acusação de ataques corporais e desobediência à autoridade.

Antes dos confrontos, mais de 20 mil pessoas participaram em vigílias e protestos pacíficos contra a presença de neonazistas na capital da Saxônia. As Igrejas católicas e protestantes associaram-se aos protestos antinazistas, apelando ao combate ao ódio racial, à xenofobia, à violência e ao racismo.

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O NEGRO E O VERMELHO

O SOCIALISMO DE PROUDHON

“M. Louis Blanc representa o socialismo governamental, a revolução pelo poder, como eu represento o socialismo democrático, a revolução pelo povo.” É assim que nas Confessions d`un révolutionnaire o próprio Proudhon define “o abismo” que o separa de Louis Blanc . O propósito, é verdade, é o de 1849. Houve o insucesso de Louis Blanc e muitas ilusões se dissiparam. Antes de Fevereiro, a oposição talvez esteja menos dividida entre dois homens, entre os dois socialismos.Seguramente, Proudhon domina pela sua personalidade, pela sua expansão, esta fase de proliferação dos socialismos franceses. Contudo, é sobretudo depois de 1848 que ele irá influenciar o movimento operário. Quando ele nasce, em 1809, Saint- Simon tinha já a sua Introduction aux travaux scientifiques du dix-neuvième siècle, e morre em 1865, dois anos antes do aparecimento de Le Capital. Situa-se à margem das grandes escolas saint-simonistas e fourieristas.”Ele é Proudhon. Proudhon, o autónomo, o isolado, o único.”(E. Labrousse) Pelas suas origens, pela sua formação e também pelas suas contradições, aparece bem como o homem desta sociedade transitória onde coexistem “os novos proletários”e os artífices. É a esta concordância com o seu tempo que Proudhon deve a sua influência. Numa época em que o movimento operário é sobretudo enquadrado pelo artífices ou pelos operários artífices, estes “militantes” encontram-se com Proudhon. Dominam neste meio duas tendências, tão depressa convergentes como divergentes: a tradição dos sans-culottes e aquilo a que chamar-se o proudhonismo.“Nascido e educado no seio da classe operária”, escreve ele em 1838. Isto não é muito exacto e Proudhon está mais perto da realidade quando nota: “Eu sou filho de um pobre artesão tanoeiro e duma camponesa orgulhosa.” Ele é natural de Franco Condado e o seu pai, Claude Proudhon, era aprendiz de tanoeiro numa cervejaria de Besançon. A mãe era cozinheira e empregada doméstica para os trabalhos pesados. Tendo a cervejaria sido destruída, Claude Proudhon estabeleceu-se por sua conta vendendo cerveja fabricada por si mesmo. Retomou mais tarde o ofício de tanoeiro. Aos 11 anos Pierre-Joseph Proudhon entrou como bolseiro no col´egio de Besançon. Mas, seis anos mais tarde, os pais perderam algumas terras que tinham, e ele foi obrigado a interromper os estudos e a trabalhar para ganhar a vida. Portanto, pela sua origem, Proudhon insere-se neste mundo de trabalhadores cuja actividade é simultaneamente artesanal e camponesa. Torna-se operário tipógrafo. Depois, a empresa onde trabalhava foi à falência, e ele precisou “de por pernas a caminho e procurar de tipografia em tipografia algumas linhas para compor, algumas provas para ler”. Em Besançon, aonde regressou, um dos seus compatriotas, o fourierista Just Muiron, oferece-lhe um posto de redactor no jornal L`Impartial, que ele fundou em 1829. Proudhon recusa porque não quer aceitar a censura do perfeito. Torna-se de novo tipógrafo, mas em 1838 é uma vez mais vítima da ruína de uma tipografia. É nesta mesma altura que obtém durante três anos a bolsa da Academia de Besançon, fundada pela viúva do académico, o muito conservador J.-B. Suard. Ei-lo pois, em Paris, onde este rural se sente “desambientado”. Tem então 29 anos. É um semi-autodidacta. Foi sem dúvida um brilhante aluno no colégio de Besançon, mas só em Retórica. Teve que passar o bacharelato mais tarde para obter a bolsa Suard. Acumulou os conhecimentos ao acaso, aprendendo o hebraico e a teologia quando imprimiu a Bíblia e obras dos Padres da Igreja. Inicia-se na gramática comparada e na linguística. Em Paris, descobre a economia política. Os seus escritos revelam-nos as suas leituras: Adam Smith, Ricardo, J.-B. say, etc. Tendo a Academia de Besançon posto a concurso o tema De l`utilité de la célébration du dimanche sous les rapports de l`hygiène, de la morale, des relations de famille et de cité, Proudhon propõe a sua memória. Obtém somente uma medalha de bronze porque os académicos de Besançon ficaram espantados com a audácia do seu “pensionário” que denunciava a propriedade como “o último dos falsos deuses” e terminava o seu discurso pelas ameaças ao encontro dos ricos que não querem reconhecer os direitos do trabalho: “Muito bem! Chamamos a força. Proprietários, defendei-vos! Haverá combates e massacres.”No ano seguinte, sempre para responder a uma pergunta posta a concurso pela Academia de Besançon, Proudhon lança a sua exaltação: Qu`est-ce que la propriété? Ou Recherches sur le principe du droit et du gouvernement. Em Brissot é que ele tinha arranjado esta fórmula que quase lhe valeu perseguições e que, em todo o caso, originou a supressão da sua bolsa: “A propriedade é o roubo!” Proudhon continuou a sua jogada. Publicou a sua segunda memória, Lettres à M. Blanqui (1841), depois o Avertissement aux propriétaires (1842), que o leva ao tribunal de 1ª instância do Doubs, onde, aliás, foi absolvido. Entra como procurador numa empresa de transporte de carvão que acaba de fundar em Lyon o seu antigo condiscípulo Antoine Gauthier. Fica lá durante cinco anos. A sua nova profissão, graças à qual ele aprende “a era do contador”, deixa-lhe momentos de ócio e permite-lhe fazer frequentemente estadas em Paris. Em 1843 faz aparecer La création de l`ordre dans l`humanité ou Principes d`organisation politique. Aparece finalmente em Outubro a sua última obra antes de 1848: Le système des contradictions économiques ou philosophie de la misère. Entretanto, seguiu provavelmente os cursos de Arhens, um emigrado alemão que ensinava no Colégio de França a História da Filosofia Alemã. Encontrou Karl Marx, o jornalista alemão Karl Grün e mais tarde Herzen e Bakunine. Em 1847, Proudhon instala-se definitivamente em Paris e lança no mesmo ano, com Charles Fauvety e Jules Viard, um jornal: Le Représentant du Peuple.O “primeiro Proudhon”, o Proudhon anterior a 1848, é sobretudo crítico e moralista. O seu método é abstracto e dedutivo. Trata-se, por exemplo, de denunciar a propriedade? Ele não quer fazer a história da propriedade, mostrar como se sucederam as diferentes formas da sociedade. “A história da propriedade nas nações antigas”, escreve ele, “já não é para nós um assunto de erudição e de curiosidade.” Não trata também a questão como um economista perguntando-se se a apropriação privada serve ou não os interesses da produção. Com uma potência de raciocínio certa ( mas que só resulta da lógica abstracta), com uma enorme riqueza de estilo, com uma eloquência indignada ( que nos faz pensar em Jean-Jacques Rousseau, que no entanto ele detesta), demonstra que a propriedade é injusta porque não podemos justificá-la. “Só pela força da lógica, ele pretende trazer atrás de si os seus adversários, de mãos dadas pelos seus próprios princípios.” (C. Bouglé) Nenhum argumento é válido a favor da propriedade. Queremos torná-la legítima pela ocupação? Neste caso, cada indivíduo tem direito a ocupar uma certa quantidade de terras. Ora a terra representa extensão fixa, enquanto que os seus habitantes vão aumentando. Logo, “não podendo nunca a posse de direito manter-se fixa, é impossível, de facto, que ela se torne propriedade”. O ocupante não é o proprietário. É um usufrutuário que não pode “usar” a sua posse precária a não ser “sob a vigilância da sociedade”. Logo, a propriedade “é impossível”. Continua a sê-lo por uma segunda razão. A propriedade, com efeito, não pode ser baseada no trabalho. O trabalho pode legitimar a propriedade do produto do trabalho, mas na condição de não intervir no trabalho de outrem, no trabalho do assalariado. Porque entre quem dá o trabalho e quem o recebe há necessariamente “um erro de contas”. “O capitalista, diz-se, pagou as jornas dos operários; para sermos exactos, temos que dizer que o capitalista pagou tantas vezes uma jorna quantas vezes ele empregou os operários, o que não é de modo nenhum o mesmo. Porque esta força imensa que resulta da união e da harmonia dos trabalhadores, da convergência e da simultaneidade dos seus esforços, essa não a pagou. Duzentos homenzarrões deitaram abaixo o obelisco de Luksor; podemos pensar que um único homem em duzentos dias teria conseguido o mesmo? Contudo, à conta do capitalismo, a soma dos salários teria sido a mesma.” É a noção da conta colectiva que não pode ser confundida com a soma dos trabalhos individuais e que é para Proudhon a origem do lucro capitalista. Portanto, nada pode autorizar a propriedade. “Cumpri”, conclui Proudhon, “a obra a que me tinha proposto: a propriedade está vencida; não mais ela se recomporá. Por todo o deposto um germe de morte para a propriedade.”A bem dizer, a propriedade não está completamente condenada. Como a língua de esopo, ela pode ser a melhor e a pior das coisas. Alcançamos aqui um segundo aspecto da crítica de Proudhon, ou, mais exactamente, da dialéctica de Proudhon. Proudhon foi seduzido pela dialéctica hegeliana que Marx e Grün lhe revelaram. Mas aquilo a que Proudhon chama dialéctica é na realidade a tomada de consideração do bom e do mau lado das coisas. A máquina, por exemplo, por um lado, reduz a pena dos homens e contribui para a multiplicação das riquezas. Mas, por outro lado, precipitando a concentração das empresas, proletariza uma parte da população e reduz ao desemprego muitos trabalhadores. Acontece o mesmo com a concorrência. Ela testemunha “a liberdade inteligente do homem”. Mas ao mesmo tempo, eliminando os mais fracos, ela conduz ao seu contrário: uma situação de monopólio. O monopólio também representa “o preço da luta, a glorificação do génio”. Ele é o triunfo desta liberdade de que a concorrência é a expressão. Mas ocasiona misérias e desordens, porque o “monopolista” não procura “senão a rendibilidade”. O monopólio, finalmente, está na origem dos lucros levantados antecipadamente ao trabalhador, aos direitos de sucessão dos estrangeiros em favor do Estado? Este direito recebe “diferentes nomes segundo aquilo que o produz: renda para as terras; aluguer para as casas e os móveis; renda para os fundos vitalícios; juro para o dinheiro; lucro, ganho e rendimento para os câmbios”.É a parte crítica da sua obra que vale a Proudhon uma certa audiência anterior a 1848, tanto mais que a sua evocação constante da justiça e da moral encontra eco no pequeno povo de artífices persuadidos da injustiça e da imoralidade do maquinismo e da concentração. O seu talento de “demolidor” reforça o seu prestígio. Ele é o “grande iconoclasta” de que Herzen falará.Proudhon é hostil a todas as escolas socialistas. Quando em 1846 Marx lhe pediu para fazer parte do departamento de correspondência comunista que organiza em Bruxelas com Engels, ele respondeu-lhe que não se deve “pôr a acção revolucionária como um meio de reforma social” e que prefere “fazer ferver a pequena propriedade em lume brando a dar-lhe uma nova força fazendo uma Saint-Barthélemy dos proprietários. Na sua obra Philosophie de la misère, à qual Marx riposta com a Misère de la philosophie, Proudhon pronuncia-se nitidamente contra as coligações.Até Fevereiro de 1848 Proudhon nada avançou de soluções positivas. É precisamente porque dispõe duma influência crescente que ele deverá desde o princípio da Revolução responder ao que esperam dele. Deve-se evitar reconstruir, fora de tempo, um sistema proudhoniano. É na sua evolução com o choque dos acontecimentos que é preciso alcançar este pensamento, um pensamento aliás difícil de avaliar. Ele é de várias facetas. É cheio de contradições e muitas vezes uma fase explosiva dissimula as proposições muito moderadas. Em todo o caso, para Proudhon, assim como para todos os outros socialistas, 1848 constitui uma data charneira.Se o “primeiro” Proudhon tinha sido antes de tudo o Proudhon crítico, o “segundo” Proudhon, aquele que apareceu depois de 1848, acha que trouxe soluções. Nem sempre se sente à vontade para as desembaraçar claramente. Aumentam as contradições que não permitem que se defina com certeza “o socialismo” de Proudhon. Querendo sistematizá-lo de mais, corre-se o risco de o maltratar. Tanto ele apresenta o socialismo como “sendo a reconciliação de todos os antagonismos” como afirma que os interesses das classes são incompatíveis.Dando mais atenção a um projecto de transformação da sociedade do que às instituições políticas, Proudhon, declarando-se republicano, afirmava ainda a 25 de Fevereiro de 1848 que “este progresso da França podia ter sido cumprido da mesma forma com o governo decaído”, e “custar menos caro”. Quanto ao 24 de Fevereiro, “foi feito sem uma ideia; trata-se de dar ao movimento uma direcção, e já a vejo perder-se na vaga dos discursos”.São contudo os acontecimentos que vão obrigar Proudhon a passar da fase crítica à fase construtiva. Não conta ele mesmo que “quatro cidadãos armados com os seus fuzis vieram perguntar-lhe quando é que apareceria o volume que ele tinha anunciado havia um ano”? Em duas brochuras, Organisation du crédit et de la circulation e Solution du problème social, sans impôt, sans emprunt, desenvolve o seu plano de organização do crédito baseado no Banco de Câmbios, cujos estatutos publica a 15 de Maio de 1848. O seu projecto de financiamento da Banca foi, como vimos, recusado pela Constituinte. Este fracasso não o desencorajou. Em Janeiro de 1849 põe num notário os estatutos constitutivos do Banco do povo, graças ao qual será possível libertar-se a gente do capital e organizar uma troca directa entre produtores e consumidores. Depois de um início prometedor, vem de novo o insucesso.Estas iniciativas explicam, em grande medida, a atitude política de Proudhon neste período da sua vida. Totalmente diferente da dos socialistas, não deixa de surpreender pelos seus equívocos e pelas suas incertezas. Encontramos nele um tipo de acção próxima da dos socialistas utopistas à procura do homem que desbloqueasse o sistema. Embora ele considere que a Revolução de 1848 foi um fracasso, junta-se ainda à agitação política, mas denuncia os democratas-socialistas. Tornado, apesar disso, um dos símbolos do socialismo num período de reacção, é perseguido várias vezes e está na prisão aquando do golpe de Estado. Tendo tido um dia de liberdade, recusa participar numa resistência na qual não crê, e repõe Sainte-Pélagie. Exprime a sua decepção nas suas Confessions d`un révolutionnaire pour servir à l`histoire de la Révolution de février. Por que é que Proudhon já não encontrava junto do príncipe presidente aquela compreensão que tinha encontrado antes das eleições presidenciais, desde 26 de Setembro de 1848? Na prisão ele escreveu L`idée générale de la Révolution au dix-neuvième siècle e La révolution sociale démontrée par le coup d`Êtat du 2 décembre. Para Proudhon, e é este um dos temas do segundo livro, “Louis-Napoléon é, tal como o seu tio, um ditador revolucionário, mas com uma diferença: é que o Primeiro-Cônsul vinha encerrar a peimeira fase da Revolução, enquanto que o presidente abria a segunda”. Proudhon visita o duque de Morny com esperanças de que Louis-Napoléon o tome para conselheiro ou, pelo menos, o tome para comanditar o Banco do Povo. Mas o “orleanismo” e o “jesuitismo” vão dissuadir Louis-Napoléon da revolução social. Todavia, Proudhon conta ainda durante um certo tempo com o príncipe Jérôme, que faz todos os esforços para manter o contacto com os operários.Em 1857, em colaboração com Georges Duchêne, Proudhon publica um Manuel du spéculateur à la Bourse, obra de carácter técnico, mas onde a “democracia industrial” à “feudalidade industrial”. As grandes obras desta época são: em 1858, De la justice dans la Révolution et dans l`Église; em 1861, a Théorie de l`impôt, La guerre et la paix, recherches sur le principe et la constitution du droit, e em 1863, Du principe fédératif et de la nécessité de reconstituer le parti de la Révolution.Depois da publicação de La Justice, Proudhon teve de se exilar na Bélgica, donde só volta para França em 1863.Ao contrário de Saint-Simon e de Fourier, Proudhon está mais preocupado com os problemas do câmbio do que com os da produção. Com o Banco do Povo, o crédito mútuo está organizado, o que vem por fim ao “direito de sucessão dos estrangeiros a favor do soberano”, quer dizer, ao juro pago pelos capitais. Emitir-se-ão títulos convertíveis não em numerário, mas em mercadorias. Assim será garantida e assegurada a reciprocidade. Quanto à propriedade, ela já não será mais do que a posse, o que levará, indirectamente, a uma certa reabilitação da própria propriedade. A organização do trabalho não será confiada a associações do tipo das que Louis Blanc (“a sombra enfezada de Robespierre”) tinha previsto, porque elas pareciam-lhe uma “inspiração do regime governamental”. Proudhon preconiza a criação de “companhias operárias”, associações de produtores livres e independentes, que poderiam, por exemplo, gerir as minas ou caminhos de ferro. São sempre soluções que correspondem às aspirações dos artífices preocupados com não serem proletarizados ou pelo menos com evitar certas consequências da concentração industrial.O desenvolvimento das “companhias operárias” levará ao desaparecimento do Estado. “A oficina substituirá o Estado”. É esta a razão por que Proudhon é considerado como um dos pais da anarquia. “Há um progresso incessante nas sociedades humanas da hierarquia para a anarquia.” Porque “a hierarquia é a condição das sociedades primitivas” e “a anarquia é a condição de existência das sociedades adultas”. “Nós, produtores associados, não temos necessidade do Estado... A exploração pelo Estado é sempre a monarquia, sempre salariato...Não queremos mais governos do homem pelo homem do que exploração do homem pelo homem... O socialismo é o contrário do governamentalismo...Queremos que as minas, os canais, os caminhos de ferro, sejam remetidos para associações operárias, trabalhando (...) sob a sua própria responsabilidade. Queremos que estas associações sejam (...) esta vasta federação de companhias reunidas no lugar-comum da República democrática e social”.Proudhon estabeleceu um estreito laço entre o seu mutualismo e o seu federalismo. Com efeito, hostil a todo o género de concentrações encara, no entanto, uma federação de comunas autónomas constituídas por associações de pequenos produtores, senhores dos seus campos, dos seus instrumentos de trabalho e das suas famílias. Esta organização garantiria o indivíduo, porque, “num país de propriedade dividida e de pequena indústria, os direitos e as pretensões de cada um fazendo de contrapeso, a potência de usurpação fica destruída”.A concepção proudhoniana da família, muito hostil à igualação política e jurídica da mulher ao homem, evoca os tempos em que a família era uma unidade económica, como ainda é, em certa medida, no quadro da pequena produção artesanal e agrícola.A organização social, tal como Proudhon a preconiza, garantirá a liberdade e será satisfeita a justiça. A justiça é para Proudhon “o verdadeiro princípio da filosofia”. É um princípio “que toca igualmente aos matemáticos, à mecânica, à lógica, à estética”. Ele exprime-se em termos diferentes, mas sinónimos: “igualdade, equação, equilíbrio, harmonia”. Justiça, liberdade, independência, são as aspirações que uma vez mais definem bem a mentalidade artesanal. Contudo, ao mesmo tempo, Proudhon, Proudhon contribui, pela sua exaltação do trabalho, para desenvolver, com um sentimento de orgulho, a consciência da classe na elite operária. “Recordo ainda com prazer”, escreveu ele, “esse grande dia em que o meu componedor se tornou para mim o símbolo e o instrumento da minha liberdade.” Ele nunca percebeu mais do que as consequências nefastas da máquina para os operários. Contudo, considerando que tudo depende da educação, propôs “uma enciclopédia ou politecnia da aprendizagem”, a fim de aliviar as consequências de uma prática parcelar do trabalho. O aprendiz seria iniciado “em todas as operações que compõem a especialidade do estabelecimento” onde está empregado. Poderia assim, uma vez operário, trocar de profissão e “circular no sistema da produção colectiva como uma moeda circula no mercado”.A 17 de Fevereiro de 1864, operários parisienses com quem Proudhon mantém relações publicam um Manifesto chamado des Soixante, que preconiza candidaturas operárias às eleições complementares de 1864.“Repetiu-se muitíssimo que já não há classes: desde 1789 que todos os franceses são iguais perante a lei. Mas nós, que não temos outra propriedade que não sejam os nossos braços, nós, que todos os dias sofremos as condições legítimas ou arbitrárias do capital, nós, que vivemos sob leis excepcionais, (...) custa-nos muito a acreditar nesta afirmação.”Proudhon inspirou tanto menos este Manifeste quanto ele é abstencionista em matéria eleitoral. Mas o texto provocou nele uma meditação mais profunda sobre o lugar e o papel das classes sociais. Anteriormente e durante muito tempo tinha acentuado a coexistência de três classes: uma classe superior, uma classe inferior e uma classe média. Era para esta última (cujas fronteiras definia muito mal) que iam as suas preferências, e ficou desiludido com o seu comportamento. Proudhon escreveu então De la capacité politique des classes ouvrières, obra que apareceu pouco tempo depois da sua morte (Gustave Chaudey escreveu a conclusão). Proudhon proclama aí que a democracia operária “fez a sua entrada na vida política”. Daí em diante, “entre a burguesia - capitalista, proprietário, empresário e governo - e a democracia operária os papeis, sob todos os pontos de vista, estão invertidos: já não é a esta que se chama a massa, a multidão, a vil multidão, mas sim àquela”. Não se vê porém muito bem, lendo Proudhon, por que caminhos a democracia operária atingirá os seus objectivos a não ser fazendo passar para os factos a ideia da mutualidade. Mas como? Está na mão das classes operárias aceitarem a sua inferioridade, em vez de darem, como fizeram em 1863 e em 1864, “a massa dos seus sufrágios aos burgueses”. Quanto à coligação, já não há direito de coligação, “porque não há um direito de chantagem, de vigarice e de furto, assim como não há um direito de incesto ou de adultério.”De Proudhon, cuja personalidade é simultaneamente apaixonante e irritante, só retivemos aquilo que poderia interessar para a história do socialismo. O “socialismo de Proudhon” é finalmente difícil de limitar. Temos que aceitá-lo tal como podemos tentar reconstruí-lo e evitar apreciá-lo em relação ao marxismo. O pensamento de Proudhon saciou-se em diversas fontes. Sofreu influências impossíveis de conciliar. Numa altura em que começa a desenvolver-se a grande indústria, Proudhon, que disso por vezes tem nítida consciência, procura soluções que correspondem aos desejos, assim como às queixas, dos pequenos produtores. Se a sua empresa se manteve enquanto se degradava esta pequena produção, foi porque a mentalidade artesanal sobreviveu muito tempo, embora as condições que favoreceram a sua formação estivessem em vias de desaparecimento.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Não estejas de trombas...senão tiro-te a palhinha!

Mas que inconsciência!!!

Go back é a solução?

coreografia...

Assassínio! Chamem o CSI!

um relógio inglês...

Epistemologia

Eu penso que a melhor forma de avaliar a verdade de uma alegação é considerando os dados apresentados a seu favor, a consistência destes com os restantes dados de que disponho, e o mérito relativo de ambas as hipóteses: a alegação ser verdade, ou não ser. No entanto, tenho encontrado muita gente que discorda desta abordagem.

Uns acham que o testemunho é muito importante, mesmo que não seja substanciado por dados objectivos. Outros dão prioridade à crença, à fé, à perseverança. Acredita e será verdade, e essas coisas. Outros ainda alegam que é verdade quando não se prova que é falso, quando há muitos que também acreditam, quando era bom se fosse verdade e outras heurísticas de mérito duvidoso.

A todos esses dedico este testemunho, visualmente documentado e que muita gente pela Internet fora provavelmente acredita ser verdade. Sigam os vossos métodos epistemológicos preferidos, treinem com afinco e convicção, tenham pensamentos positivos e fé que baste. Boa sorte.

Kadafi o ditador líbio...


protector do terrorista de Lockerbie...


é responsável pelo banho de sangue...


não vai mais dormir na sua tenda no deserto...


nem passear de camelo...


porque dentro de poucos dias vai juntar-se a estes dois ditadores no exílio.