Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
domingo, julho 27, 2014
Ao segundo banco
O interesse público e o interesse do público. A mesma imprensa que sempre endeusou e bajulou Ricardo Salgado hoje festeja-lhe a desgraça com artigos para todos os gostos e como se apenas agora soubesse dos segredos que vai tirando dos cofres onde aceitou mantê-los aferrolhados a sete chaves durante anos. De todos os artigos que vão circulando, pouco mais há a retirar do que histórias bolorentas de interesse variável e um estardalhaço enorme que abafa abordagens menos factuais, sem as quais esta será apenas mais uma história de um banco que caiu nas mãos de delinquentes que durante décadas gozaram de plena liberdade para brincarem com o dinheiro que mais cedo do que tarde todos seremos convocados a repor. O espectáculo de hoje convida uma plateia de olhos arregalados a entreter a sua criatividade com adjectivações a repartir irmãmente ao sabor do instinto pelo monstro do dia e pelos políticos todos iguais que lhe rentabilizaram os talentos em proveito próprio e dos partidos respectivos. De fora ficam aqueles políticos todos diferentes que a mesma imprensa sempre ajudou a percepcionar como “radicais” com “preconceitos ideológicos” contra cidadãos impolutos como Ricardo Salgado, que está longe de ser exemplar único da espécie banqueirus larapiocorruptus, e contra um sistema que ostensivamente ignora os riscos incomportáveis associados a confiar a fiscalização dos Salgados desta vida a outro dos seus animais de estimação, um regulador que vai regulando na medida certa do enriquecimento de uma plutocracia que lhe recompensa os serviços com salário e regalias de príncipe. Ainda não será desta que a nacionalização do sector financeiro e a proibição dos seus negócios especulativos deixarão de ser “preconceitos ideológicos”. Estamos exactamente no mesmo ponto onde estávamos no dia em que o BPN nos caiu em cima. Mais vale banqueiro e corrupto do que “radical” e “utópico”.
DAQUI
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Lideranças fortes, unipessoais e assentes no mérito
«É preciso perceber a mitificação que existia à volta de Ricardo Salgado, em muitos membros da comunidade mas sobretudo dentro do Banco Espírito Santo. Os quadros falavam de Salgado como de um banqueiro predestinado, um líder de que se orgulhavam, um homem que estaria sempre acima dos desafios e dos seus pares.» (Revista do Expresso - 19/7/2014)
Era, por conseguinte, aquilo a que se chama uma liderança forte, unipessoal, resultante de inquestionável mérito demonstrado por evidências.
«De alguma maneira, a situação foi semelhante no BCP aquando da crise de Jardim Gonçalves: era venerado pelos seus quadros, a incredulidade foi semelhante.» (Revista doExpresso - 19/7/2014)
É outro exemplo daquilo a que se chama uma liderança forte, unipessoal, resultante de inquestionável mérito demonstrado por evidências.
Oliveira e Costa, do BPN, João Rendeiro, do BPP, Henrique Granadeiro, da PT, são outros exemplos daquilo a que se chama uma liderança forte, unipessoal, resultante de inquestionável mérito demonstrado por evidências. A lista poderia continuar.
Todas estas lideranças, para além de terem em comum o facto de serem fortes, unipessoais e resultantes de inquestionável mérito assente em evidências, têm outro elemento em comum: estão sob a alçada da justiça (ou virão a estar, como será certamente o caso de Granadeiro). Sobre estes líderes fortes, unipessoais e meritórios impendem acusações de elevada gravidade. Mas para além das múltiplas violações da lei, as consequências da sua gestão ruinosa afectaram e estão a afectar a vida de milhões de portugueses e de estrangeiros.
Todas estas lideranças, para além de terem em comum o facto de serem fortes, unipessoais e resultantes de inquestionável mérito assente em evidências, têm outro elemento em comum: estão sob a alçada da justiça (ou virão a estar, como será certamente o caso de Granadeiro). Sobre estes líderes fortes, unipessoais e meritórios impendem acusações de elevada gravidade. Mas para além das múltiplas violações da lei, as consequências da sua gestão ruinosa afectaram e estão a afectar a vida de milhões de portugueses e de estrangeiros.
Todavia, durante anos, todas estas lideranças, para além de terem sido, do ponto de vista social, exemplos dos designados «bem sucedidos na vida», daqueles que a sociedade deveria venerar e seguir; estas lideranças eram também, e principalmente, expoentes máximos de um modelo de gestão e protagonistas de uma ideologia. Da ideologia que fez e faz precisamente do modelo de gestão assente nas ditas lideranças fortes e unipessoais a garantia de eficácia, de competitividade e de meritocracia. Da ideologia que apresenta este modelo como a fusão ideal entre a gestão focalizada nos resultados e a (suposta) premiação do mérito.
As consequências desta ideologia não seriam graves se elas se restringissem a um nicho social privado que quisesse viver segundo esta crença. Mas, infelizmente, as coisas não se passam assim: por um lado, o âmbito desta crença não está circunscrito a um nicho, pelo contrário, tem-se alargado a grande parte da sociedade, que ingenuamente tende a vê-la como uma «verdade natural»; por outro lado, o que acontece no domínio privado interfere sempre, em maior ou menor grau, com o domínio público, o que deveria retirar àquele a possibilidade de viver em «roda livre»; por último, mas não menos importante, esta ideologia conseguiu exportar o seu modelo de gestão para o sector público. Deste modo, escolas, hospitais e empresas públicas passaram, desde há alguns anos, a ter como arquétipo de gestão a designada liderança forte, unipessoal e (alegadamente) assente no mérito. O sector público foi tomado pelo mito ideológico deste modelo de gestão, assim como pelos valores retrógrados que lhe estão associados.
As consequências do domínio desta ideologia na sociedade estão a ser terríveis a todos os níveis — desde o financeiro e económico até ao educativo e cultural. E apesar da realidade nos mostrar todos os dias a incompetência deste modelo e a falsidade dos pressuspostos em que assenta, mantemo-nos embevecidos na esperança naïf que depositamos nas lideranças unipessoais e na crença provinciana de que o sector público deve seguir os modelos do sector privado.
O escrutínio dos factos e dos argumentos e a consequente alteração dos comportamentos continuam a ser relegados em proveito ou dos interesses instalados ou de credulidades mais ou menos rústicas.
As consequências desta ideologia não seriam graves se elas se restringissem a um nicho social privado que quisesse viver segundo esta crença. Mas, infelizmente, as coisas não se passam assim: por um lado, o âmbito desta crença não está circunscrito a um nicho, pelo contrário, tem-se alargado a grande parte da sociedade, que ingenuamente tende a vê-la como uma «verdade natural»; por outro lado, o que acontece no domínio privado interfere sempre, em maior ou menor grau, com o domínio público, o que deveria retirar àquele a possibilidade de viver em «roda livre»; por último, mas não menos importante, esta ideologia conseguiu exportar o seu modelo de gestão para o sector público. Deste modo, escolas, hospitais e empresas públicas passaram, desde há alguns anos, a ter como arquétipo de gestão a designada liderança forte, unipessoal e (alegadamente) assente no mérito. O sector público foi tomado pelo mito ideológico deste modelo de gestão, assim como pelos valores retrógrados que lhe estão associados.
As consequências do domínio desta ideologia na sociedade estão a ser terríveis a todos os níveis — desde o financeiro e económico até ao educativo e cultural. E apesar da realidade nos mostrar todos os dias a incompetência deste modelo e a falsidade dos pressuspostos em que assenta, mantemo-nos embevecidos na esperança naïf que depositamos nas lideranças unipessoais e na crença provinciana de que o sector público deve seguir os modelos do sector privado.
O escrutínio dos factos e dos argumentos e a consequente alteração dos comportamentos continuam a ser relegados em proveito ou dos interesses instalados ou de credulidades mais ou menos rústicas.
Portugal deve sair do euro. Sim ou não?
Conclusões
- Quer a entrada na UE quer a adopção do euro foram decididas pela classe política, que sempre se recusou a referendar essas questões por incurável sobranceria; e tanto pior quanto estamos convictos de que os portugueses teriam votado favoravelmente;
- Não existe um estudo quantificado que avalie os custos de uma saída do euro, apenas a procura assustada de regresso a um passado irreversível, como solução salvítica para um povo em entropia social;
- A criação do euro, como instrumento facilitador da circulação de mercadorias e capitais, teve uma longa ascendência processual, mais nítida após a criação da UEM – União Económica e Monetária;
- Para maior agilização dessa circulação foi necessário aproximar taxas de inflação, dimensões de dívida pública ou de deficit externo e conter as relações entre as várias moedas nacionais num apertado espartilho. Esse conjunto de objetivos está contido nos célebres critérios de convergência, ou de Maastricht, e no mecanismo das taxas de câmbio (MTC);
- Capitalismo é sinónimo de desigualdades entre países e dentro deles; desestrutura-os enquanto entidades nacionais e reestrutura-os em redes transnacionais de negócios utilizando como instrumentos o crédito, a dívida, as políticas fiscais e laborais, a corrupção ou meios militares em casos mais delicados;
- Enquanto projeto de acumulação capitalista, a integração europeia foi, desde o seu início, um gerador de reestruturações espaciais de rendimento, riqueza e bem-estar social, com o consequente cortejo de desigualdades geográficas e sociais. E isso, apesar de cada país-membro ter tido a sua própria moeda, a sua soberania monetária, nos primeiros 44 anos de processo integrador;
- O processo de geração de desigualdades dentro da Europa, a determinada altura, exigiu uma moeda única como instrumento, entre vários outros, de continuidade da segmentação da UE entre Centro e periferias. Porém, é simplista considerar-se ter sido a moeda única a gerar as desigualdades e o empobrecimento;
- No quadro ibérico, há alterações na hierarquia das regiões, em desfavor das constituídas em território português mas, as profundas desigualdades existentes são anteriores à introdução do euro, mantendo-se a faixa ocidental e o sul da Península como as áreas mais pobres, se se excluir Lisboa e Galiza;
- O cumprimento das obrigações de convergência de Maastricht e os apoios comunitários reduziram alguns desequilíbrios estruturais em Portugal mas, abriram portas para um recurso disparatado ao crédito (barato), em parte obtido no exterior através de um sistema bancário em euforia contagiante dos meios dos negócios e também da população;
- O volume do crédito concedido às empresas representava 2.9 meses do rendimento global em 1990, sete meses em 2009, reduzindo-se entretanto para seis meses. Por outro lado esse crédito que equivalia ao valor da FBCF em 1990 era-lhe quatro vezes superior em finais de 2013;
- Gerada pelos bancos com todo o apoio dos seus subalternos governantes constituiu-se uma cadeia de acumulação de crédito que, não podendo ser infinita nem sustentável, teria de desembocar em desastre. Os elos dessa cadeia são bancos nacionais-construtores/imobiliárias-famílias com a conivência de autarcas corruptos;
- Essa forma de aplicação do crédito realizou-se em paralelo com a construção de uma estrutura produtiva alicerçada nas cadeias transnacionais que desenham o perfil produtivo da UE e do mundo, alheias aos impactos sobre a vida das pessoas;
- O financiamento das empresas portuguesas está ancorado no crédito bancário, sendo baixa a parcela de capitais próprios, resultando daí dificuldades de gestão, planeamento, juros mais elevados e alargamento de prazos de pagamento a fornecedores, com reflexos negativos na rendabilidade;
- A produtividade do trabalho em Portugal apresenta um crescimento relativamente regular há cerca de 20 anos, sem sofrer efeitos perniciosos da adopção do euro ou da crise económica;
- Os custos do trabalho baixam com a crise nos dois países ibéricos, como consequência dos ditames da troika, das introduções capciosas dos governos para favorecer a competitividade dos capitalistas e da eficácia do apaziguamento social estabelecido nas instâncias de concertação social.
sábado, julho 26, 2014
Gaza, o cinismo e os mortos
“Temos
de os matar – não só os militantes do Hamas, mas toda a população de
Gaza!" É o que diz a um correspondente do Guardian um soldado israelita de 22 anos no
funeral de um camarada seu, um dos 18 soldados israelitas mortos na enésima
invasão de Gaza, um miúdo de 20 anos que fazia o serviço militar obrigatório.
"Não temos escolha: se
não lutarmos até ao fim, eles matam-nos." Nas ruas de Jerusalém todos se
dizem contra um cessar-fogo: querem que se “dê cabo do Hamas. E isso leva
tempo”. Perguntados pelas centenas de palestinianos mortos (até ontem de manhã
eram mais de 600, o equivalente aos passageiros de dois aviões iguais ao da Malaysia
Airlines abatido na
Ucrânia), 80% dos quais civis, segundo a ONU, 20% crianças. A lengalenga
sinistra é a mesma de sempre: “Muita gente foi morta porque o Hamas usa escudos
humanos. Os palestinianos não têm respeito pela vida, nós é que temos.” De
descrições de inimigos fanatizados e sem apego à vida está a História cheia: os
americanos achavam o mesmo dos vietnamitas, era o que os nazis diziam de
soviéticos e jugoslavos na II Guerra Mundial... Como explica uma porta-voz da B'Tselem(uma
ONG israelita de direitos humanos), “os israelitas não negam que [os
palestinianos] morram; simplesmente fazem um raciocínio que os culpa pela sua
própria morte”. E queixam-se de que os media “mostram imagens de crianças
mortas sem explicar o contexto do conflito” (Guardian,
20 e 21.7.2014).
Pois
é, o contexto... A Aministia Internacional (AI) tem repetido que é precisamente
o inverso que se passa: nas sucessivas operações punitivas sobre Gaza, “soldados
israelitas utilizaram civis palestinianos, crianças incluídas, como escudos
humanos durante as operações militares”. Foi o que aconteceu na operação Chumbo
Fundido (22
dias entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009): cerca de 1400 palestinianos
mortos, “incluídas pelo menos 330 crianças” Cinco anos depois (e, pelo
meio, outra operação, em 2012, que matou mais 160 palestinianos), tudo se
repete: Israel, ainda que incomparavelmente menos pressionado que qualquer
outro ator internacional, martela a opinião pública com esta propaganda de que,
se há mortos, a culpa é da forma perversa como os seus adversários fazem a
guerra – mas quando a poeira assentou em 2009, o que as organizações
independentes (a AI, as agências da ONU) comprovaram é que o Exército israelita
atacou “15 dos 27 hospitais de Gaza”, “uma trintena de ambulâncias”,
“matou 16 membros do pessoal médico”. Ao contrário do que dizia a propaganda
israelita, “a AI não encontrou indício algum de que os combatentes do Hamas ou
doutros grupos armados tenham utilizado os hospitais para se esconder ou para
conduzir ataques, e as autoridades israelitas não forneceram provas dessas
alegações”. Pelo contrário: “impediram deliberadamente a ajuda humanitária e as
equipas de socorro [da Agência das Nações Unidas para os Refugiados e da Cruz
Vermelha] de entrar em Gaza, ou obstaculizaram a sua circulação, atacaram
veículos, centros de distribuição e pessoal médico.” (AI, Relatório
Anual 2010)
Por
tudo isto é verdadeiramente patética a discussão sobre se é “desproporcionada”
a reação israelita aos rockets lançados a partir de Gaza.
Desproporcionada, não; ela é um crime internacional, feito enquanto o resto do
mundo olha para os restos do avião Malysia Airlines! Invoca
Obama o direito de Israel a defender-se, como se Gaza fosse um país
independente que agride outro país independente. Não: é Israel que desde há 47
anos ocupa Gaza (e a Cisjordânia, e Jerusalém Oriental) ilegalmente, e a
bloqueia por terra, ar e mar (nenhum barco se pode aproximar da costa, nenhum
avião pode aterrar sem autorização militar israelita) desde 2007, controlando
todos os seus acessos (salvo Rafah, no qual tem a colaboração do Egito). A
retirada militar israelita em 2005 não alterou em nada o estatuto de território
ocupado. Em apenas 360 km2 (o tamanho do concelho de Sintra) vivem 1,8 milhões
de pessoas, 43% delas menores de 14 anos, 80% dependendo de ajuda humanitária
por causa do desemprego, da pobreza extrema. Para a AI, “a amplitude do
bloqueio e as declarações dos responsáveis israelitas sobre os seus objetivos
demonstram que esta medida é uma forma de castigo coletivo infligido à
população de Gaza, em violação flagrante do Direito Internacional.”
De
todo o quadro de ilegalidades cometidas por Israel que a UE e os EUA toleram, o
bloqueio a Gaza supera tudo. Nada há neste planeta mais próximo de um gueto (o
mundo deveria pensar a que é que isto soa...) no qual se fecham, até à
exasperação total, quase dois milhões de pessoas. Os israelitas – e esta
coisa a que cinicamente se chama comunidade internacional – comportam-se como se eles fossem
todos “terroristas” do Hamas. Os media(veja-se o Huffington
Post, 13.7.2014) mostram moradores das colinas próximas de Gaza
sentados em cadeiras de praia a aplaudir o espetáculo dos aviões e drones que
bombardeiam Gaza. Trazem pipocas, fumam cachimbos de água – enquanto a poucos
quilómetros de distância famílias inteiras ficam soterradas debaixo dos
escombros, crianças são levadas em desespero para hospitais bombardeados, onde
se operam feridos num corredor... “Os palestinianos não têm respeito pela
vida!”
E se fosse Seguro a anunciar uma agenda a 10 anos sem falar de dívida e finanças?
Imagine-se a carga de pancadaria que levaria António José Seguro se resolvesse convocar uma conferência de imprensa sobre uma "convenção" e agenda de 10 anos para o país e se se recusasse a dizer o que pensa sobre a consolidação orçamental, o que pensa sobre a reestruturação da dívida e de como sair do buraco em que estamos, alegando que queria ir às "origens da falta de competitividade da economia portuguesa". O Largo do Carmo e a cervejaria da Trindade haveriam de cair estrondosamente, o blogue inventado pelos assessores de Sócrates no governo faria algumas graçolas de gosto duvidoso, o Twitter e o Facebook ficariam atordoados de tantos apoiantes de António Costa a criticarem a "ausência", "a falta de opiniões", a "hesitação", a "falta de firmeza", a "falta de projecto para o país" e para o seu problema mais imediato.
Para azar de muitos desses apoiantes, não foi Seguro a protagonizar a conferência de imprensa em que o tempo dedicado à questão da dívida foi zero, mas sim o "homem que tem um projecto", a "alternativa", o dirigente "decidido". Agora vão manter-se caladinhos, por várias razões: alínea a) acreditam em António Costa como quem acredita na Virgem Maria e nos seus milagres a prazo; alínea b) não acreditam muito mas não têm nenhum outro amigo que seja candidato a primeiro-ministro pelo PS; alínea c) no fundo sempre souberam que a ausência de respostas de Seguro é a ausência de respostas da social-democracia europeia em geral, mas o argumento dava jeito para o remover do cargo de secretário-geral.
Para quem foi tão festejado por alguns elementos da esquerda do PS, por militantes do Livre e ainda alguns do futuro partido de Ana Drago que quer "governar" com o PS de Costa, o candidato a primeiro-ministro não poderia ter tido uma semana mais extraordinária. A estreita relação com Rui Rio foi suficientemente exposta, com os dois eventuais protagonistas de um futuro bloco central a concordarem num pacto de regime a 10 anos. E o discurso do "depois vemos como tratamos das finanças" faz temer o pior no que respeita a uma alternativa à austeridade em vigor. Descobrir nos meandros do Tratado Orçamento qualquer coisa que ajude o país é a ideia de Costa - anunciada na entrevista do fim-de-semana ao "Público". Convenhamos que é muito pouco e nada diferente do que tem sido sugerido e anunciado por Seguro. O concurso "sexy platina" do "Correio da Manhã" ao menos não ilude ninguém.
Ciência e religiões
No que tenho lido e discutido sobre isto tenho encontrado três reacções à incompatibilidade entre a ciência e as crenças religiosas. Uma consiste em afirmar a crença religiosa como cientificamente sólida mesmo que isso exija mentir descaradamente. É o que fazem os fundamentalistas, dos criacionistas aos cientólogos. Outra é alegar que ciência e religião são separadas e nunca interferem. É atraente para quem não quer chatices, como os agnósticos, por exemplo. A terceira é defender que ciência e religião se complementam porque lidam com realidades diferentes. Esta é popular entre os católicos que, apesar das evidências em contrário, insistem que fé e razão não se podem contradizer.
A primeira abordagem deturpa os resultados da ciência. As “evidências científicas” para o Dilúvio, para a dianética ou para a misoginia muçulmana são tão disparatadas que os crentes mais esclarecidos até pedem que não se mencione essas coisas, não vá alguém notar que “religião” abarca mais do que a versão light que estes defendem. A tese da não-interferência assume que a investigação dos factos está isolada da procura pelos melhores valores. Isto é fundamentalmente falso porque a ciência assume valores e qualquer discussão ética depende de factos. No entanto, mesmo considerando ciência e ética superficialmente independentes, as religiões não são ética. As religiões são sistemas de regras assentes em alegações acerca do que os deuses querem e toda a autoridade religiosa deriva desses alegados factos.
A tese da complementaridade deturpa a ciência, mas a deturpação passa mais facilmente despercebida. A ideia fundamental é a de que a ciência lida com a matéria enquanto “a religião” (no singular, como se só houvesse uma) lida com o espírito. Assim, como disse recentemente o filósofo Michael Ruse: «Se a pessoa de fé quiser dizer que Deus criou o mundo, não acho que se possa negar isto por razões científicas»(1). O que Deus faz está no campo da religião e fora dos assuntos da ciência. Isto parece razoável mas está errado.
O erro é julgar que a ciência lida com aspectos da realidade como a matéria, o espaço e energia como o carpinteiro trabalha com a madeira e o pedreiro com a pedra. Assim, tal como o carpinteiro não solda e o pedreiro não aduba, o cientista não toca no sobrenatural. Desde que seja aquele deus, é claro. Os religiosos não levantam objecções quando a ciência refuta as crenças sobrenaturais dos outros; só as suas é que estão fora do âmbito da ciência, noutro “nível da realidade”. Isto está errado porque o propósito da ciência é encontrar as ideias – modelos, hipóteses, teorias e afins – que melhor correspondam à realidade. Por isso, aquilo que a ciência molda, esculpe, serra e martela são as ideias e não a realidade em si.
Para se ir aproximando da verdade, a ciência confronta constantemente todas as ideias umas com as outras e com tudo o que, a cada momento, justificadamente se julga saber. Não é um processo linear nem isento de retrocessos porque por vezes revela que o que se julgava ser conhecimento era erro. Mas só isso já é uma vantagem sobre as alternativas e a história da relação entre a ciência e as religiões é uma prova de como a ciência é a mais fiável. Apesar de inicialmente terem tentado, pela força, que fosse a ciência a ceder, o que tem sempre acontecido é a ciência revelar erros nas crenças religiosas. O contrário nunca aconteceu.
Também é errado pensar que a ciência só serve para avaliar ideias que sejam empiricamente testáveis. O conhecimento não é um saco de alegações soltas. É um edifício de modelos e teorias fortemente interligados. As fundações têm de assentar em dados empíricos mas, desde que seja sólido, o edifício pode ir muito mais alto. É por isso que a ciência pode responder a perguntas hipotéticas como o que acontece se explodir uma bomba nuclear no Chiado ou como se pode cultivar plantas em Marte. Mesmo sem testar directamente as respostas pode-se avaliá-las pela sua consistência com o edifício de conhecimento que já está construído. É também assim que podemos concluir, com legitimidade científica, que a Alexandra Solnado não fala com Jesus, que o professor Bambo não tem poderes videntes e que as biópsias que a Maya faz por telefone não são de fiar. Não por podermos testar cada alegação individualmente mas porque o conhecimento que temos, assente num fundamento empírico, faz com que a hipótese mais plausível seja a de que essas alegações são falsas.
Aplica-se o mesmo às doutrinas religiosas. Considerando o que sabemos, desde a física e cosmologia à psicologia e sociologia, a hipótese que tem melhor fundamento é a de que os deuses são uma invenção humana. Se bem que a ciência não explique tudo, sem deuses explica muita coisa enquanto os deuses não explicam nada. A imaginação humana tem limites e não chegaria para inventar a mecânica quântica ou a teoria da relatividade sem ser guiada, passo a passo, por muitos indícios experimentais. Mas os mitos religiosos são comparativamente simples e vagos e estão bem dentro daquilo que os humanos conseguem inventar por si. Se a pessoa de fé quiser dizer que Deus criou o mundo, está no seu direito. Diz e acredita o que quiser. Mas é legítimo que a ciência rejeite essa hipótese porque há uma hipótese alternativa com um fundamento muito mais sólido: os deuses são personagens fictícios.
1- New York Times, Opinionator, Does Evolution Explain Religious Beliefs?
DAQUI
A primeira abordagem deturpa os resultados da ciência. As “evidências científicas” para o Dilúvio, para a dianética ou para a misoginia muçulmana são tão disparatadas que os crentes mais esclarecidos até pedem que não se mencione essas coisas, não vá alguém notar que “religião” abarca mais do que a versão light que estes defendem. A tese da não-interferência assume que a investigação dos factos está isolada da procura pelos melhores valores. Isto é fundamentalmente falso porque a ciência assume valores e qualquer discussão ética depende de factos. No entanto, mesmo considerando ciência e ética superficialmente independentes, as religiões não são ética. As religiões são sistemas de regras assentes em alegações acerca do que os deuses querem e toda a autoridade religiosa deriva desses alegados factos.
A tese da complementaridade deturpa a ciência, mas a deturpação passa mais facilmente despercebida. A ideia fundamental é a de que a ciência lida com a matéria enquanto “a religião” (no singular, como se só houvesse uma) lida com o espírito. Assim, como disse recentemente o filósofo Michael Ruse: «Se a pessoa de fé quiser dizer que Deus criou o mundo, não acho que se possa negar isto por razões científicas»(1). O que Deus faz está no campo da religião e fora dos assuntos da ciência. Isto parece razoável mas está errado.
O erro é julgar que a ciência lida com aspectos da realidade como a matéria, o espaço e energia como o carpinteiro trabalha com a madeira e o pedreiro com a pedra. Assim, tal como o carpinteiro não solda e o pedreiro não aduba, o cientista não toca no sobrenatural. Desde que seja aquele deus, é claro. Os religiosos não levantam objecções quando a ciência refuta as crenças sobrenaturais dos outros; só as suas é que estão fora do âmbito da ciência, noutro “nível da realidade”. Isto está errado porque o propósito da ciência é encontrar as ideias – modelos, hipóteses, teorias e afins – que melhor correspondam à realidade. Por isso, aquilo que a ciência molda, esculpe, serra e martela são as ideias e não a realidade em si.
Para se ir aproximando da verdade, a ciência confronta constantemente todas as ideias umas com as outras e com tudo o que, a cada momento, justificadamente se julga saber. Não é um processo linear nem isento de retrocessos porque por vezes revela que o que se julgava ser conhecimento era erro. Mas só isso já é uma vantagem sobre as alternativas e a história da relação entre a ciência e as religiões é uma prova de como a ciência é a mais fiável. Apesar de inicialmente terem tentado, pela força, que fosse a ciência a ceder, o que tem sempre acontecido é a ciência revelar erros nas crenças religiosas. O contrário nunca aconteceu.
Também é errado pensar que a ciência só serve para avaliar ideias que sejam empiricamente testáveis. O conhecimento não é um saco de alegações soltas. É um edifício de modelos e teorias fortemente interligados. As fundações têm de assentar em dados empíricos mas, desde que seja sólido, o edifício pode ir muito mais alto. É por isso que a ciência pode responder a perguntas hipotéticas como o que acontece se explodir uma bomba nuclear no Chiado ou como se pode cultivar plantas em Marte. Mesmo sem testar directamente as respostas pode-se avaliá-las pela sua consistência com o edifício de conhecimento que já está construído. É também assim que podemos concluir, com legitimidade científica, que a Alexandra Solnado não fala com Jesus, que o professor Bambo não tem poderes videntes e que as biópsias que a Maya faz por telefone não são de fiar. Não por podermos testar cada alegação individualmente mas porque o conhecimento que temos, assente num fundamento empírico, faz com que a hipótese mais plausível seja a de que essas alegações são falsas.
Aplica-se o mesmo às doutrinas religiosas. Considerando o que sabemos, desde a física e cosmologia à psicologia e sociologia, a hipótese que tem melhor fundamento é a de que os deuses são uma invenção humana. Se bem que a ciência não explique tudo, sem deuses explica muita coisa enquanto os deuses não explicam nada. A imaginação humana tem limites e não chegaria para inventar a mecânica quântica ou a teoria da relatividade sem ser guiada, passo a passo, por muitos indícios experimentais. Mas os mitos religiosos são comparativamente simples e vagos e estão bem dentro daquilo que os humanos conseguem inventar por si. Se a pessoa de fé quiser dizer que Deus criou o mundo, está no seu direito. Diz e acredita o que quiser. Mas é legítimo que a ciência rejeite essa hipótese porque há uma hipótese alternativa com um fundamento muito mais sólido: os deuses são personagens fictícios.
1- New York Times, Opinionator, Does Evolution Explain Religious Beliefs?
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sexta-feira, julho 25, 2014
O “flagelo”
Muita boa gente se tem mostrado condoída com a má sorte dos desempregados.
Depois de em 2012 ter dito que o desemprego era “uma oportunidade para mudar de vida”, Passos Coelho veio agora, com dois anos de governação sua em cima, verter lágrimas por um mal “insuportavelmente elevado”. O Papa falou em “flagelo” e na “perda de dignidade humana” em visita a uma região pobre de Itália. E Felipe VI, no seu passeio por Lisboa, proclamou o combate ao desemprego “um desafio ibérico”.
Depois de em 2012 ter dito que o desemprego era “uma oportunidade para mudar de vida”, Passos Coelho veio agora, com dois anos de governação sua em cima, verter lágrimas por um mal “insuportavelmente elevado”. O Papa falou em “flagelo” e na “perda de dignidade humana” em visita a uma região pobre de Itália. E Felipe VI, no seu passeio por Lisboa, proclamou o combate ao desemprego “um desafio ibérico”.
“Flagelo” é a expressão que melhor define o discurso do poder sobre o desemprego: um mal de ressonâncias bíblicas, sem sinal de origem nem remédio humano. A versão terrena do desemprego é outra: em fase de crise dos negócios, os patrões despedem trabalhadores, fecham empresas, retiram capital das funções produtivas, reduzem em cadeia toda a actividade económica.
As lamúrias do poder escondem uma incapacidade: a de dominar o curso da economia e de debelar as crises. Soa a ridículo o dogma de que “são as empresas que criam emprego” (Portas); ou os apelos para que as empresas lancem “iniciativas de combate” ao desemprego (Coelho) — quando justamente o que se vê, dia a dia, é a incapacidade do capital para recuperar da crise em que se afunda há quase sete anos.
A verdade é que não há hoje sinais de crescimento económico que absorva o gigantesco desemprego criado. Mesmo quando, aqui ou ali, há algum crescimento, ele é residual e conseguido principalmente à custa de despedimentos. O capitalismo actual baseia-se em baixos salários, em alta tecnologia e na permanente dispensa de mão de obra. Os seus esforços para “sair da crise” vão todos nesse sentido — reforçando os factores de crise!
É por isto que o combate dos trabalhadores contra o desemprego não pode deixar de ser também um combate contra o sistema social capitalista.
Só agora?
O título dos títulos de hoje de “A voz de Fátima” poderia bem ser “Espírito Santo detido no aniversário de Jesus”. Mas não, não se trata de milagre nenhum e o Jesus que hoje faz anos é o encarnado. É apenas ahistória de uma detenção no âmbito de um caso com mais de dois anos, o Monte Branco, que ficou à espera quer da falência de mais um banco que todos vamospagar, quer da perda de poder do detido. Já sabemos como a nossa Justiça é corajosa, tão bem como sabemos que o poder legislativo sempre esteve em mãos amigas de delinquências várias, entre elas a fiscal e a banqueira. Para além disso, o regime não estará mesmo nada interessado em tornar públicos os negócios que foi fazendo com a família do banqueiro com quem sempre se deitou. Nada a festejar, portanto. E tudo a questionar.
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Alemanha enfrenta a praga invisível do analfabetismo
Turma de alfabetização de adultos na porta da escola, na Alemanha, mostra orgulhosa seus cadernos: país ainda registra alto índice de iletrados
BERLIM - A Alemanha é o país dos grandes filósofos,
escritores e... analfabetos. Uma pesquisa divulgada na semana passada revela
que 7,5 milhões de alemães não sabem ler e escrever. Segundo Urda Thiessen,
professora de alfabetização para adultos entre 18 e 64 anos de idade, o sistema
alemão favorece os melhores e oferece poucas chances aos mais fracos. Quem
termina o primeiro ano escolar sem saber ler ou escrever corre o risco de ficar
analfabeto para sempre.
— No sistema de educação regular, não há nenhuma chance de
recuperação desse déficit no início do período escolar, provocado muitas vezes
por doenças ou crises familiares, como a separação dos pais — diz Thiessen.
Problema passa despercebido
Frequentemente, os analfabetos têm um QI normal ou até mais
alto do que a média da população. Quer dizer, eles não deixaram de aprender a
ler por falta de inteligência, mas sim por problemas que não foram observados
pelo professor.
— Na Alemanha, há escola gratuita para todos, mas os
professores da escola primária, em classes com 30 ou mais alunos, não têm tempo
para se ocupar com alunos problemáticos — explica.
São casos como o de Thomas S., de 21 anos. No primeiro ano
escolar, ele faltou muito à escola por motivo de doença. Como os pais não
tinham dinheiro para pagar aula particular de apoio, Thomas terminou
analfabeto.
— A vida é um estresse constante de fazer de conta que se
sabe ler — confessa Thomas.
Depois de completar 20 anos, ele resolveu contornar seu
problema. Matriculou-se em um curso de alfabetização para adultos em NeuKölln,
no Sul de Berlim, e com o método especial, que consiste em ensinar os alunos a
ler e a escrever com base na vida cotidiana, aprendeu rapidamente o que não
tinha conseguido nos quatro anos de escola primária.
Thomas acha tão divertida a sensação de superar uma
dificuldade que dedica seu tempo livre a projetos da associação, como a
“oficina escrever”, que tem um jornal escrito por ex-analfabetos.
— Os analfabetos são muitas vezes altamente criativos —
registra Urda, confirmando a teoria de que problemas escolares não estão
relacionados ao grau de inteligência.
Segundo Tim Thilo Fellner, ex-analfabeto e hoje escritor de
livros infantis, o problema surge em algum momento do período inicial escolar e
fica cada vez “mais crônico” com a completa perda da autoconfiança. Quando ele
tinha 29 anos, tentava ganhar a vida como motorista, mas tinha problema até
para ler os nomes das ruas. Aos 30, matriculou-se num curso de alfabetização, e
o resultado foi uma revolução individual. Para ele, o problema do analfabetismo
é ainda mais grave do que os dados apontados no último estudo, feito por
associações dedicadas à alfabetização para adultos e pela Universidade de
Hamburgo.
— Na verdade, uma em cada sete crianças deixa a escola sem
aprender a ler e escrever — registra.
Os analfabetos deixam a escola sem conclusão e começam a
trabalhar numa profissão em que sua deficiência é pouco notada, como ajudante
de cozinha ou na construção civil.
— É uma tortura viver como analfabeto na Alemanha.
Precisamos de muito esforço para ocultar o problema e não sermos alvo de
discriminação — revela Peggy Gaedecke, outra ex-aluna de Urda Thiessen.
Peggy começou a vida profissional trabalhando em
restaurantes. Ficava exausta com o esforço para que ninguém percebesse seu
problema: ela decorava o cardápio, mas acabava entrando em apuros quando havia
mudanças.
— O analfabeto vive de mentiras — conta ela.
Segundo o estudo da Universidade de Hamburgo, apenas 50% dos
analfabetos vivem no desemprego. Como a demanda por mão de obra de baixa
qualificação é grande na Alemanha, eles não têm grandes dificuldades em
conseguir um emprego, ao contrário de acadêmicos que se formam em disciplinas
de pouco uso prático, como Filosofia, Latim ou Grego antigo, cursos oferecidos
em quase todas as universidades alemãs.
Já o Instituto do Trabalho e Qualificação revelou que, na
disputa por emprego, 8,6% das pessoas com título acadêmico — muitos até com
doutorado — terminam aceitando ofertas que exigem baixo nível de educação
formal, competindo com os analfabetos.
Até o próximo ano, todos os estados alemães promovem uma
estratégia nacional para erradicar o analfabetismo. Mas Urda Thiessen não
acredita que o tempo previsto pelo programa seja suficiente.
— Apenas começamos a atacar o problema de frente — diz,
embora a associação onde trabalha exista há mais de 20 anos.
O estudo da Universidade de Hamburgo revela, ainda, que
muitas pessoas hoje analfabetas um dia chegaram a aprender a ler e a escrever
na escola. A falta de leitura seria a causa de elas terem voltado ao
analfabetismo.
Obrigado à B.V. pela chamada de atenção!
quinta-feira, julho 24, 2014
Como a mídia afeta as mulheres
Um breve relato parte do documentário Kyling us sofly 4 sobre a força da publicidade e da mídia na formação de gêneros e esterótipos favoráveis para as industrias de bens de consumo.
CPLP: oficialmente, uma associação de malfeitores
E já está. A Guiné Equatorial, uma das ditaduras mais ferozes e um dos estados mais corruptos de todo o mundo, foi aceite pelo consenso dos seus pares na CPLP. A Comunidade de Países de Ladrões dos seus Povos substitui definitivamente a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Pedro Passos Coelho, que juntou o seu aplauso à aclamação do ditador Teodoro Obiang, justificou-se dizendo que Portugal ficaria isolado caso se opusesse à inclusão na CPLP de um país que nem sequer fala português e onde os direitos humanos são violados todos os dias, por mais que Cavaco Silva divague em sentido contrário. Compreende-se. Por vergonha, qualquer pessoa de bem prefere ficar sozinha a sentar-se à mesa com um bandido. Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho nunca se envergonharam de comer à mesma mesa com José Eduardo dos Santos e a sua filha Isabel. Por medo, qualquer pessoa de mal prefere ficar sozinha a sentar-se à mesa com um bandido de outra quadrilha. Obiang agora já faz parte da família. Finalmente, por conveniência óbvia, qualquer bandido aceita o que quer que seja para evitar afastar-se de uma quadrilha que lhe assegura avultados proveitos. Não é segredo que os angolanos adquiriram o estatuto de donos de Portugal através de negócios e negociatas feitas com biliões roubados ao povo angolano. Sobre o novo estatuto da Guiné Equatorial escreve Ana Gomes: “a moeda de troca foram meia dúzia de contratos de construção, sem quaisquer garantias, assumidos por algumas empresas sob duvidosíssimo patrocínio político. E foi a prometida injecção de capital no BANIF, banco resgatado com dinheiro dos contribuintes. E ainda um possível investimento no BCP, já controlado pela petrolífera estatal angolana. Pergunto-me se ficarão descansados os accionistas, investidores e depositantes destes bancos e empresas, quando passam a depender e a ser identificados como parceiros de um regime notoriamente criminoso e sem escrúpulos, que enfrenta processos judiciais em França e nos Estados Unidos por criminalidade económica e financeira? E as entidades reguladoras, poderão considerar que estes são investimentos saudáveis e isentos de riscos para as instituições bancárias e para a economia portuguesa?”
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Junta-te à CPLP!
Se o teu presidente tomou o Poder à força, num golpe de Estado sangrento;
Se vives numa ditadura;
Se aprovas a tortura e a pena de morte;
Se tens uma taxa de analfabetismo superior a 50%;
Se não falas uma palavra de português;
Junta-te à Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa!
A Guiné Equatorial já o fez!
De que estás à espera?!
DAS CONTAS DO DÉFICE
Metade da redução de pessoas na administração central, entre 2001 e 2013, foi em cortes a eito em professores do ensino não superior. Cerca de 49000 pessoas saíram desse sector, sendo que perto de 22000 eram educadores e professores dos ensinos básico e secundário. Uma razia comprovada, derivada do aumento do número de alunos por turma, da diminuição da carga curricular dos alunos, dos agrupamentos de escolas e do aumento dos horários dos professores.
Há um estudo interessante a fazer.
Se aumentou significativamente a rubrica dos consumos intermédios do Estado, podemos considerar que as 20 e tal mil pessoas a menos que não são professores passaram a despesa por outsourcing. Ou seja, deixou de fazer o Estado para dar lugar a empresas com boa convivência no aparelhismo partidário.
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