Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
segunda-feira, setembro 29, 2014
And the winner is: Tratado Orçamental
Uma boa e uma má notícia. A boa, a nódoa Seguro foi comida pelos glutões. A má, os glutões não comeram o Costa.
DAQUI
O estado em que vamos estando
1. O primeiro-ministro tem de dizer quanto recebeu de reembolsos das despesas que apresentou à tal ONG com a qual diz ter colaborado, durante o período em que foi deputado em regime de exclusividade. Tem de o fazer por duas razões: primeira, porque em relação a um primeiro-ministro, que foi deputado em regime de exclusividade, não pode permanecer a dúvida sobre se alegados reembolsos eram de facto e apenas pagamentos de despesas realizadas, ou se eram, na verdade, uma forma encapotada de pagar um vencimento por serviços prestados; segunda, porque infelizmente a palavra do primeiro-ministro já há muito tempo deixou de ter valor. Não lhe resta, por isso, outra alternativa senão a de apresentar provas do que diz. Mas, anteontem, no Parlamento, o primeiro-ministro recusou-se a colaborar no esclarecimento das verbas que recebeu. A sua imagem e a sua credibilidade ficaram ainda mais degradas. Se prosseguir nessa recusa, a vida política de Passos Coelho não será longa.
2. Hoje, saberemos se é António José Seguro ou António Costa o candidato que o PS apresentará ao cargo de primeiro-ministro, caso este partido vença as próximas eleições legislativas. Para os portugueses, haverá diferença substancial em ser um ou em ser o outro o candidato a primeiro-ministro? Desgraçadamente não. Na realidade, entre aquele que pouco se diferencia do governo actual e aquele que diz ter um imenso orgulho no governo de Sócrates, qualquer opção é má. Nenhum dos dois protagoniza uma política capaz de ser alternativa à política dominante no cenário europeu. Ambos são reféns da incapacidade de enfrentar os enormes e poderosos interesses instalados que estão a conduzir a um empobrecimento generalizado e a um retrocesso civilizacional. Costa foi o n.º 2 do governo socialista mais à direita que, desde 1974, governou Portugal, e Seguro foi a oposição socialista mais inepta que um governo de direita teve, desde 1974. O PS é um partido largamente contaminado pelo mesmo tipos de interesses que contaminam o PSD e o CDS. Seja Seguro ou seja Costa nada de realmente importante se alterará.
3. O futuro nada tem de promissor, enquanto continuarmos inertes na passividade em que vamos vivendo.
3. O futuro nada tem de promissor, enquanto continuarmos inertes na passividade em que vamos vivendo.
domingo, setembro 28, 2014
Morreu Jean-Jacques Pauvert, o editor integral de Sade
O primeiro a editar na íntegra a obra do Marquês de Sade e o polémico A História de O ficou conhecido pela projecção de obras de referência da literatura erótica e pelo acumular de processos judiciais.
O
lendário editor francês Jean-Jacques Pauvert, conhecido por ter publicado obras
de referência da literatura erótica que lhe valeram tanto a popularidade como o
acumular de processos judiciais e de polémica, morreu este sábado, aos 88 anos.
Pauvert estava internado num hospital
de Toulon, em França. Em Agosto tinha sofrido um acidente vascular cerebral.
Foi o terceiro que suportou em vida.
Uma das
filhas, Camille Deforges, lembrou à AFP que o pai foi um grande editor, “um
defensor da liberdade contra todas as formas de censura”. A ministra francesa
da Cultura, Fleur Pellerin, prestou-lhe homenagem por ter desafiado a censura
em nome da liberdade, alegando que foi “precursor e transgressor”, contribuindo
para a “liberalização dos costumes.”
Nascido em
Paris em 1926, Jean-Jacques começou a sua actividade de editor com apenas 19
anos, com um texto de Jean-Paul Sartre. Aos 21 anos, e pela primeira vez na
história da edição, viria a publicar na íntegra, entre 1945 e 1949, a obra do Marquês de Sade, um
das grandes referências da literatura erótica, colocando o seu nome e o seu
endereço na capa dos livros, o que lhe renderia um julgamento que durou sete
anos e um início de carreira conturbado.
Privado dos
seus direitos, acumulou processos contra as leis da censura francesa. “Terem-me
processado só contribuiu para me tornar mais combativo”, haveria de
confidenciar anos mais tarde. Haveria de ficar também conhecido por ter
publicado em 1954 o icónico livro de literatura erótica A
História de O, da misteriosa Pauline Réage – que actualmente se
sabe ter sido escrito por Dominique Aury. No final dos anos 1960 acumulava
processos, mas continuava a editar, de Boris Vian a Malraux ou Gide. Foi o
derradeiro editor de André Breton e fez sair Georges Bataille da obscuridade. E
foi, ainda, o grande biógrafo de Sade numa obra em três volumes, Sade Vivant, que publicou entre 1986 e
1990.
Os seus
numerosos feitos editoriais foram contados nas suas memórias, La
Traversée du Livre, publicadas há dez anos. Um segundo volume de
memórias estava projectado, mas acabou por não ser editado.
A Escócia e os “perigos” da democracia
«Derrotada a proposta de independência da Escócia, o que é interessante agora é verificar como, a propósito do ato eleitoral mais participado desde há mais de 60 anos, permanecem muito vivos os típicos argumentos elitistas sobre os perigos do exercício da democracia, mais ou menos sintetizáveis numa frase: a política é demasiado importante para ser deixada aos cidadãos; o melhor é manter as grandes decisões (a soberania nacional, a guerra, as grandes políticas macroeconómicas da austeridade, privatização, liberdade plena do capital) para quem sabe...
Madrid fará bem em não deixar que na Catalunha se repita o erro feito na Escócia. Ora, pelo contrário, o que demonstra o referendo escocês é que as pessoas voltam às urnas quando percebem que a mudança está ao seu alcance, mas não o fazem quando lhe dão Blair vs. Cameron – ou Passos vs. Costa/Seguro (riscar o que não se aplique...).
Pela enésima vez, o medo (descrito como ”realismo”) funcionou como instrumento decisivo de condicionamento da decisão democrática. Recentemente, o mesmo se fez com os gregos – e, na história eleitoral do Ocidente, instilar o medo da mudança é do mais banal que encontramos. O disparate foi tal que o Royal United Services Institute (um think-tank financiado pelo Ministério da Defesa) disse que a Escócia independente podia sofrer um ataque de submarinos russos no dia em que um novo governo exigisse a saída da frota nuclear britânica das suas bases escocesas! O chefe do governo autónomo escocês, Alex Salmond, chamou-lhes as “dez pragas do Egito” que Londres prometia que se abateriam sobre a Escócia se ela quisesse ser independente: apesar da (moderadíssima) vontade dos nacionalistas no poder de manterem a libra britânica ou até mesmo a Rainha de Inglaterra como chefe de Estado (contrariando o republicanismo de muitos independentistas), Cameron recusou-lhes poderem manter a moeda, ameaçou-os (juntamente com Rajoy e o inefável Barroso!) com a saída da UE e da NATO, e de que se bloquearia um futuro processo de reingresso em ambas. A Ucrânia pode aderir a ambas - mas se a Escócia se separasse do Reino Unido, que nem pensasse em reentrar em nenhuma delas! Cameron sabia que uma boa parte dos partidários da independência, sobretudo à esquerda, apoiavam uma Escócia neutral e desnuclearizada, mas queria amedrontar (e teve sucesso) o escocês moderado, descrevendo a independência como o caminho para o poço sem fundo do isolamento internacional! O cinismo foi tal que semelhante isolamento deve parecer-se ao futuro que a direita britânica proporá em 2017 quando promover o seu próprio referendo para sair da União Europeia!
Acima de tudo, haveria cortes e caos nas pensões de reforma e no sistema público de saúde; na era em que as transações financeiras, façam-se onde se fizerem, não conhecem fronteiras, muitos escoceses iam perder o crédito à casa “porque metade dele estaria nas mãos de bancos [britânicos, não-escoceses] que passariam a ser considerados estrangeiros”!
Cameron fez aos escoceses uma verdadeira declaração de marido despeitado face ao pedido de divórcio da mulher: “Se a Escócia disser sim, o Reino Unido cinde-se e faremos para sempre caminhos separados”, num “divórcio [sic] doloroso”. “Uma família não é um compromisso”, disse ele - mas a unidade nacional, num Estado democrático, não é, forçosamente, um compromisso? “Uma família é uma identidade mágica, que nos junta mais do que alguma vez chegaremos a estar separados – portanto, por favor, não rompam esta família”. “Mágica”, notem bem! Quem julga que os sentimentos nacionais não passam disso mesmo - puros sentimentos e pouca razão -, e o repetiu à saciedade sobre o caso escocês, diga-me, por favor, que guionista de telenovela de 3ª categoria escreveu semelhante melodrama xaroposo para ser lido pelo Primeiro-Ministro do Reino [Duvidosamente] Unido!
Por fim, ao assegurar que, com a independência da Escócia, desapareceria “o maior exemplo de democracia que o mundo alguma vez conheceu, de abertura, de gentes de diferentes nacionalidades e fés se juntarem para formarem um só país”, Cameron deve ter-se esquecido de quanto sangue se verteu na Irlanda para conseguir a independência do país, de como os britânicos acusaram os nacionalistas irlandeses que fuzilaram em 1916, em plena I Guerra Mundial, de serem agentes a soldo da Alemanha, ou dos séculos de violência colonial, abertamente racista, praticada em África ou na Índia (e já nem quero falar dos nossos dias...).
Raras vezes figurões como o presidente dos EUA ou o de França, o da Comissão Europeia, o chefe do governo espanhol, se intrometeram onde nunca algum deles aceitaria que se fizesse o mesmo numas eleições em que eles estivessem em causa. Pelas nossas bandas, os anglófilos de serviço mostraram-se horrorizados com a traição escocesa! É que não esqueçamos que a maioria das elites do poder em Portugal, quer as que vêm diretamente da alta burguesia conservadora, quer as que, do maoísmo, transitaram para o neoliberalismo durante os tempos de Thatcher (1979-90), lê e estuda o mundo (só) em Inglês, e a capital visível, próxima, à distância de duas horas de avião, é Londres, nunca chegou a ser Washington/Nova Iorque. Acresce-lhes o vício de geopolitizar toda a realidade: não entendem que os escoceses queiram romper com Londres para, por exemplo, poder preservar a saúde e a escola públicas – que foi o que começou a fazer já o Parlamento autónomo ao tornar Escócia um dos raros sítios na Europa onde volta a ser gratuito estudar na universidade, rejeitando as mega-propinas que Blair (2003) e Cameron (2010) impuseram, hoje de 12 mil euros/ano! Os internacionálogos da nossa praça, que desprezam as questões sociais e usam uma História de pacotilha nas suas análises, gostam é de fazer contas às bases navais e aos rendimentos do petróleo escocês – que pode ser usado por Londres para gastar o que mais ninguém gasta em armamento na UE (2,3% do PIB, o dobro da Alemanha), mas é gordura de Estado se for gasto em Bem-Estar Social.»
sábado, setembro 27, 2014
A incompetência de Crato ao vivo e a cores
Conheço a incompetência de Nuno Crato por via da minha experiência na Associação de Pais da Escola Artística António Arroio. Uma escola com tudo para ser excelente, mas sem aulas no fim de setembro, com 53 professores por colocar, sem refeitório há três anos, com um estaleiro parado e onde os alunos são discriminados no acesso ao ensino superior. Tudo resultado de decisões tomadas por Crato em cima do joelho, sem preparação técnica e sem ponderação política. O homem que garantia que iria devolver o rigor às escolas. Talvez não fosse má ideia começar, na exigência de rigor, pela sua própria casa.
DAQUI
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Tudo bons rapazes
Cavaco Silva sobre a falta de explicações de Pedro Passos Coelho: “A informação que me foi dada é a de que ele respondeu a todas as questões que lhe foram colocadas e deu todos os esclarecimentos.” A informação que lhe foi dada, atenção, ele não viu nem ouviu nada, porque se a coisa engrossar a culpa é de quem o informou mal. Mas Cavaco foi capaz de dizer também o seguinte, com um intervalo de segundos: “eu estudo muito cuidadosamente todos os problemas e guio-me exclusivamente por aquilo que considero, no meu julgamento, ser o superior interesse nacional”. Ou seja, se a coisa correr bem, foi ele que julgou bem, ele nunca se engana e raramente tem dúvidas. Porreiro. O melhor é deixar a coisa morrer assim, não vá o gang da tecnoforma desatar a mandar umas bocas sobre o gang do BPN. Então se lhe pedissem emprestada a casa da Coelha... Ó Filipe, deixa-te lá mas é dessas coisas que Coelho tem tanto a ver com Coelha como aldrabão tem a ver com aldrabice. Nada.
DAQUI
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Universidade Passos Coelho
Está tudo muito incomodado pelo facto de o nosso primeiro-
ministro ter recebido uns dinheiros do Centro Português
para a Cooperação – uma ONG (Organização Não Golpista)
financiada pela Tecnoforma.
Pelos vistos, Passos Coelho era deputado em regime de
exclusividade e não podia receber dinheiro por fora ou,
afinal, podia receber porque talvez não estivesse em
exclusividade, mas não declarou esse dinheiro, o que
também não tem grande importância porque o crime, se
existiu, já prescreveu.
Confuso, não?
Quando lhe perguntaram directamente se tinha recebido 5
mil euros por mês quando era deputado em exclusividade,
Passos Coelho disse que não se lembrava – o que não me
espanta porque ainda hoje, só quando cheguei à minha
garagem e deparei com dois Maseratis é que me lembrei
que os comprei há uns anos, embora prefira conduzir o
Honda…
Além disso, em 1991, ainda não havia euros e Passos
Coelho não conseguiu converter os 5 mil euros em escudos
assim de repente. Nunca foi muito bom em contas, como
temos comprovado nestes últimos três anos…
Depois, Passos Coelho foi para casa, consultou os dossiers
onde guarda as recordações, os recortes de jornais em que
aparece de barba ao lado de uma das Doce e as fotos com
o Relvas, e hoje foi ao Parlamento explicar que nunca
recebeu nenhuma remuneração do Centro Português para a
Cooperação – mas apenas despesas de representação.
Portanto, eles foram uns almoços, elas foram umas
deslocações ao Porto e a Bruxelas e até a Cabo Verde.
Pelo vistos, uma das iniciativas da prestimosa ONG de
Coelho, foi a criação de uma Universidade em Cabo Verde.
É por isso que proponho que, como castigo por nos estar a
dar cabo da vida há três anos, Passos Coelho seja
condenado a frequentar um curso de representação na
Universidade que fundou em Cabo Verde.
Um curso de quatro anos.
Seguido de mestrado.
E doutoramento.
Só voltaremos a ouvir falar dele em 2022…
PASSOS E A FALÁCIA DOS 2% DE PROFESSORES
Passos Coelho disse, pela enésima vez e agora na Assembleia da República, que os erros nos concursos de professores atingiram apenas 2%. E repetiu a falácia de forma enfática. Francamente, nem sei se sabe do que fala ou se repete o que lhe dizem. É grave de qualquer dos modos e é um péssimo retrato.
Como os números deste MEC "nunca" batem certo, mas vamos lá apurar os tais 2% de forma arredondada.
Imaginemos que há 105 mil professores. 1700 vincularam recentemente, o MEC diz que reduziu a zero a mobilidade interna (mais uma falácia) e uns 100 mil são do quadro e não concorreram este ano. Se a BCE envolve umas 4000 vagas, o erro grave no algoritmo do concurso atingiu uns 80% dos professores que concorreram este ano e que tinham que ser colocados.
Talvez o fantasma de Passos lhe soletre: ai se os da BEC fossem mesmo 2% dos que concorreram. Esta AD a organizar concursos para 105 mil demoraria uma década a acertar o algoritmo.
Arquivado em: algoritmos, concursos de professores, falta de pachorra, falência total, política educativa, professores contratados, queda de crato, queda do governo
sexta-feira, setembro 26, 2014
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