segunda-feira, outubro 27, 2014

Reescrever a História, já!

Em poucos dias, foram homenageadas duas figuras públicas com responsabilidades muito diretas na asfixia social em que vivemos. A Câmara Municipal da Covilhã decidiu homenagear José Sócrates em “merecido e singelo” reconhecimento pelo trabalho desenvolvido “a favor da cidade”. Eu ainda não tinha fechado a boca do espanto quando se noticiou que, na mesma cidade, a Universidade da Beira Interior (UBI) concedia um DoutoramentoHonoris Causa a Zeinal Bava, o homem que foi decisivo a desfazer em fumo anos de trabalho da Portugal Telecom!
E lembrei-me que, há um ano, o ISEG, de Lisboa, decidira homenagear da mesma forma Ricardo Salgado, o homem que, segundo João Duque, “é um exemplo de liderança (...), tem as relações nacionais e internacionais certas, que delas faz a gestão sensata, e zela pelo ativo mais preciso da atividade bancária: a confiança”, com as “qualidades de liderança em tranquilidade, (…) de decisão em serenidade” (discurso do padrinho do candidato a Doutor, 11.7.2013).
Seria bom momento para discutir a função simbólica (e económica?) dos doutoramentos Honoris Causa, estes rituais que tantas vezes mostram falta de independência e elogio babado aos poderosos, com os quais as sociedades pós-aristocráticas em que vivemos procuram saciar a nostalgia que as elites sempre sentiram pela nobilitação – mas não é o que farei. O que me indigna é a vontade deliberada, acintosa, de reescrever a História, de procurar uma glória totalmente imerecida para encobrir precisamente o contrário daquilo por que se homenageia!


BES: a recta final

Uma análise aos últimos oitos meses de vida do Grupo Espírito Santo revela que o banco era na prática o gestor de tesouraria da Portugal Telecom. O colapso do GES não poderia, por isso, deixar ilesa a PT. E um banqueiro caiu em desgraça. Esta é a segunda parte da história do fim de um império.

As grandes crises desenvolvem-se, muitas vezes, em plena luz do dia, mas há sempre quem não dê por elas. Foi o que aconteceu com o Grupo Espírito Santo (GES), que, depois de três anos de progressiva degradação, permanentemente disfarçada, e comportamentos duvidosos, faliu num mês. Para se ser mais preciso: o universo empresarial Espírito Santo tinha excesso de dívida acumulada, que a crise económica profunda e longa acentuou, e não resistiu; Ricardo Salgado, presidente do grupo, baseava o seu poder num fôlego financeiro que afinal não existia e o mito caiu. Há ainda a Portugal Telecom com uma relação promíscua com o BES, que actuava como gestor de tesouraria da operadora, o que os episódios aqui relatados provam.

A história do poder que o GES assumiu durante décadas conta-se até Dezembro de 2013. Os oitos meses seguintes, que culminaram na detenção para interrogatório de Ricardo Salgado, líder do clã durante duas décadas, são o epílogo deum grupo com 149 anos. E foi tão fácil pôr-lhe uma pedra em cima.

Treta da semana (passada): sem autoria

João Grancho, ex-secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, copiou de outros autores uma boa parte da sua comunicação sobre "A dimensão moral da profissão docente", apresentada em 2007 em Espanha (1,2). Como não referiu as fontes nem distinguiu as partes copiadas das partes que escreveu, plagiou. Nas muitas discussões em que me meto a propósito do copyright, por vezes vejo o plágio a ser apresentado como um exemplo de violação dos direitos de autor. Grancho parece partilhar esta opinião, declarando-se inocente de plágio por se tratar de «um mero documento de trabalho, não académico nem de autor»(3). Ou seja, não sendo uma questão de autoria, não pode ser plágio, subentendendo-se que o plágio só o é se violar algum preceito do tal direito de autor. Penso que a maioria dos leitores facilmente concordará que a desculpa de Grancho é uma treta. Mais difícil será convencê-los de que é uma treta porque o mal do plágio não nada que ver com autoria ou direitos de autor. Deve-se simplesmente ao atentado contra a verdade, a honestidade e a reputação de terceiros. Mas argumentar só vale a pena quando não é trivial, por isso aqui vai. 

Eu defendo que nenhum autor tem o direito de restringir a cópia ou o uso de obras que voluntariamente decidiu publicar. Antes de publicar, claro que sim. Todos temos direito à privacidade e, como os direitos de uns acabam onde começam os dos outros, ninguém tem o direito de devassar a privacidade de terceiros reproduzindo ou divulgando o que é privado. Mas, quando decidimos tornar pública uma obra, ultrapassamos a fronteira além da qual os nossos direitos dão lugar aos dos outros. Aí já não temos legitimidade para proibir ou restringir o que quer que seja só por termos sido autores. O meu direito de decidir quem pode ou não pode ler, copiar, usar ou distribuir este texto extingue-se no momento em que carrego no “Publish”. 

Por isso, se alguém copiar isto para o seu blog insinuando que é o autor, não está a violar qualquer direito que eu tenha sobre este texto. Não é uma situação análoga a uma invasão de propriedade ou a um furto, em que se apropriam de algo que é meu. É, antes, análoga à situação do miúdo que parte um vidro com uma bolada e culpa o companheiro de jogo, inocente, quando a vizinha vem à janela saber o que se passou. É uma mentira que nega o direito à verdade e imputa demérito a quem tem mais mérito e mérito a quem não o merece. É isso que faz o plagiador. É indiferente se é um documento “de trabalho” ou se “não é de autoria”, seja lá o que isso for. O que importa é que, ao cometer plágio, arroga-se de méritos que não tem, acusa implicitamente o autor de mentir e nega à audiência o direito de saber a verdade. 

1- Jornal de Negócios, Secretário de Estado plagiou textos sobre a "dimensão moral" do professor
2- Público, Os originais e as cópias de João Grancho
3- Público, Secretário de Estado demite-se por “imperativos de consciência” após notícia do PÚBLICO sobre plágio


DAQUI

domingo, outubro 26, 2014

Então adeusinho...


Protestos criativos!...


















A doença do telemóvel…


Finalmente livre!


Inversão de papéis


In extremis...


O ministro no seu labirinto

Era um professor de Matemática e Estatística que não usava gravata, que tinha um passado maoísta, mas que depois foi para a América e cortou com a política. Divulgador científico, apaixonado pela astronomia, ganhou protagonismo com a guerra contra o “eduquês”. Quase aos 60 anos, surgiu num Governo PSD/CDS-PP como ministro da Educação.
No último Natal, Nuno Crato distribuiu pelos colaboradores do seu gabinete uma prenda: uma folha A4, dobrada como se fosse um cartão de Natal, onde não falta a imagem de uma pilha de livros em forma de pinheiro. Lá dentro, “10 ideias para mudar a educação”, o título de um artigo que escreveu em 2009 para um jornal. “Centrar o ensino nas matérias fundamentais, Português, Matemática, História...” e “recrutar os novos professores com base num exame de entrada na profissão” são apenas dois dos pontos da lista — que, na verdade, não é mais do que a síntese da cartilha que durante anos defendeu publicamente. Mas, depois de ter distribuído os seus votos de boas festas, a vida complicou-se. Este ano lectivo arrancou caótico, faltaram professores nas escolas, milhares de alunos somaram furos nos horários, teve de pedir desculpa no Parlamento pelos transtornos causados às famílias. Multiplicaram-se os que pediram a sua demissão. Contudo, sentado à cabeceira de uma comprida mesa de reuniões, no seu gabinete, num 13.º andar da Av. 5 de Outubro, em Lisboa, é ainda a essa folha dobrada que ofereceu ao staff há quase um ano que Nuno Crato se agarra.
Ofereceu-a à Revista 2, também, no final de uma entrevista, há menos de duas semanas, quando muitos alunos continuavam sem aulas, para desespero dos pais. Antes, leu em voz alta, rapidamente, os diferentes pontos. E disse, com um sorriso, que cumpriu a lista quase toda.
Vai continuar até ao fim do mandato? “Não vejo porque não.”


Festa Alegórica

O bobo do imperador Maximiliano organizou uma festa alegórica que o povo e a corte de soberano à frente saborearam em grandes gargalhadas:   juntou na praça todo o cego pobre, prendeu a um poste um porco muito gordo, e anunciou ganhar o dito porco aquele que à paulada o matasse.   Os cegos todos a varapau se esmocaram uns aos outros, sem acertar no porco por serem cegos, mas uns nos outros por humanos serem.   A festa acabou numa sangueira total: porém havia muito tempo que o imperador e a corte e o povo não se riam tanto.   O bobo, esse tinha por dever bem pago o fabricar as piadas para fazer rir.

Jorge de Sena

Cheira a fim

Postulava um tal senhor Murphy que não há nada que já esteja suficientemente mal que não possa ficar ainda pior. O Governo vai-se esforçando por comprová-lo graças às garantias dadas por outro senhor famoso que mora ali para os lados de Belém. Estamos quase em Novembro e ainda há alunos sem professores. Pedro Passos Coelho esteve à vontade para irresponsabilizar o Ministro elogiando-o. O país esteve sem Justiça durante uns inacreditáveis 44 dias a fio. Os Tribunais estiveram completamente paralisados durante um mês e meio. A Ministra, que começou por ganhar tempo pondo toda a gente a falar sobre o seu deslavado pedido de desculpas, lembrou-se de reorientar a sua loucura furiosa para a teoria da cabala. Diz-nos agora, e à PGR,  que o Citius rebentou devido a sabotadores desconhecidos. Pedro Passos Coelho, na mesma linha, atribui aos comentadores e jornalistas que sempre trouxeram o Governo ao colo a sabotagem da sua credibilidade e acusa-os, nem mais nem menos, de serem"preguiçosos", "orgulhosos" e "patéticos". O Governo estrebucha. E há rumores de que amanhã poderá ser o dia em que começará a ser finalmente oficializada a situação, escondida durante ainda mais tempo do que a do BES, de falência  do BCP. Será desta? Está na hora de mudar de aldrabão.

DAQUI

A melhor cidade do mundo


Natureza morta


Enviada pela leitora B.V.

sábado, outubro 25, 2014

Se déssemos "Metal" aos operários da construção civil teriam eles uma outra genica??!!!

O diabo existe e está à solta!


Os polícias zelam para que tudo corra bem!


2 tipos vão a uma convenção sobre alimentos e pretendem servir comida orgânica, pura, gourmet mas na realidade estão a servir comida do McDonald's. Vejam a reacção das pessoas!



Um novo tipo de suicídio...

Têm a certeza que isto era necessário??!!! Mas somos todos uma cambada de estúpidos??!!!















Reitores arrasam avaliação da FCT: “Um falhanço pleno”

Reitores de 15 universidades portuguesas consideram que a avaliação dos centros de investigação do país não tem a “necessária qualidade”, apresenta inúmeros erros factuais e é “uma oportunidade perdida” para a promoção da ciência.

Pela primeira vez, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) arrasa a avaliação que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) está a fazer aos centros de investigação do país. Os 15 reitores do CRUP divulgaram esta sexta-feira a posição consensual, tomada a 14 de Outubro, que enviaram no início da semana ao ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, em que lhe dizem que já não é mais possível dar o “benefício da dúvida” ao actual processo de avaliação. “Para que um sistema de avaliação seja capaz de promover a excelência tem de, ele próprio, ser pelo menos excelente, se não excepcional. Não é o caso.”

DAQUI

O pulmão natural

Os dirigentes da Igreja Católica têm estado a decidir se a Idade Média já acabou. O assunto pode parecer simples para quem está de fora mas, como o Espírito Santo diz umas coisas ao Papa e outras aos bispos, a decisão está complicada. Entretanto, alguns comentadores católicos por cá já chegaram à sua verdade revelada. Admito que aquilo que João César das Neves pensa acerca do casamento e do divórcio é entre ele a a sua esposa, e o que Gonçalo Portocarrero de Almada pensa é só com ele. Mas achei piada aos argumentos que apresentam para fazer de conta que não defendem um disparate. 

Neves argumenta que o divórcio é inadmissível com uma analogia entre o cônjuge e o pulmão.«Tenho problemas respiratórios desde pequeno, com asma, bronquites, etc. Viver com os meus pulmões não é nada fácil, mas nunca me passou pela cabeça andar sem eles.» Foi «pelas mesmas razões» que não lhe ocorreu divorciar-se (1). É uma analogia estranha mas reveladora da noção que Neves tem do casamento. Eu não trocaria os meus pulmões porque, com a medicina que temos hoje, isso teria consequências desagradáveis. Mas se, quando eu tiver sessenta anos, a medicina permitir trocar de pulmões com a mesma facilidade com que se tira um apêndice, não verei problema ético nenhum em trocar os meus pulmões de sessenta anos por uns de vinte. Trocar assim de cônjuge já não seria um acto moralmente neutro. Mas, ao contrário do que Neves defende, isto não tem nada que ver com preservarmos «aquele corpo a que pertencemos desde que nascemos». Não se trata de um dever de permanecer juntos só porque calhou estar juntos. Tem que ver com o cônjuge ser uma pessoa e não um apêndice. 

À primeira vista, isto pode parecer dar ainda mais razão à tese de Neves por ser pior trocar de cônjuge do que de pulmões. Mas o dever de ter consideração pelo cônjuge pode tornar o divórcio numa obrigação moral se a relação não for aquela que ambos merecem. A tese de Neves revela um problema comum a muitas religiões: descurar o facto de que, mesmo quando fazem parte de famílias, comunidades ou cultos, as pessoas continuam a ser indivíduos. Não passam a ser órgãos. 

Gonçalo Portocarrero de Almada tenta chegar ao mesmo sítio por outra via. Invoca que «O matrimónio cristão [é] o casamento natural elevado à condição de sacramento» e que, por ser natural, «essa união só pode ser estabelecida entre uma mulher e um varão e deve durar enquanto os dois cônjuges forem vivos.»(2). Concordo que o casamento é algo natural na nossa espécie. A nossa espécie é, apesar do que por vezes parece, especialmente inteligente, e temos muito a ganhar por viver em grupos mistos de adultos e crianças. No entanto, as nossas crias precisam da atenção de ambos os progenitores, o que exige que os machos saibam quais são as suas crias. A dificuldade de combinar a vida em grupo com o investimento paternal e evitar que os machos matem as crias dos outros obrigou a nossa espécie a criar rituais e normas de comportamento que permitissem este tipo de colaboração. O casamento é um dos mecanismos resultantes desta pressão. 

Mas se há algo natural na nossa espécie é a capacidade de nos adaptarmos às circunstâncias. É por isso falso que o casamento tenha de ser entre “uma mulher e um varão” e durar a vida toda. Todas as culturas têm formas de divórcio e quantos casam com quem e com quantos depende das condições em que vivem. Culturas nas quais os homens arriscam frequentemente a vida em confrontos para capturar recursos tendem a favorecer a poliginia. Habitar em regiões mais pobres pode favorecer a poliandria, com uma mulher tipicamente casando com dois irmãos, o que lhe permite reunir os recursos necessários para criar os filhos. Com a formalização legal das uniões e a separação entre o Estado e a vida privada, é perfeitamente natural que o casamento possa ser a união entre duas pessoas, qualquer que seja o sexo. Não será um matrimónio no sentido original do termo mas, como as evidências claramente demonstram, não sai do intervalo de adaptabilidade destas normas sociais. 

É perfeitamente legítimo que os católicos concebam o seu casamento como bem entenderem. Mas a sua condenação do divórcio é uma idiossincrasia religiosa que não reflecte qualquer realidade profunda acerca da natureza humana ou dos transplantes de órgãos. 

1- DN, Amputação
2- Voz da Verdade, Divórcio, casamento natural e matrimónio cristão


DAQUI

Quem quer ser inteligente?


DAS PRÁTICAS



Aprender de Cor quem Amamos

Comportamo-nos como se as pessoas de quem gostamos fossem durar para sempre. Em vida não fazemos nunca o esforço consciente de olhar para elas como quem se prepara para lembrá-las. Quando elas desaparecem, não temos delas a memória que nos chegue. Para as lembrar, que é como quem diz, prolongá-las. A memória é o sopro com que os mortos vivem através de nós. Devemos cuidar dela como da vida. 
Devemos tentar aprender de cor quem amamos. Tentar fixar. Armazená-las para o dia em que nos fizerem falta. São pobres as maneiras que temos para o fazer, é tão fraca a memória, que todo o esforço é pouco. Guardá-las é tão difícil. Eu tenho um pequeno truque. Quando estou com quem amo, quando tenho a sorte de estar à frente de quem adivinho a saudade de nunca mais a ver, faço de conta que ela morreu, mas voltou mais um único dia, para me dar uma última oportunidade de a rever, olhar de cima a baixo, fazer as perguntas que faltou fazer, reparar em tudo o que não vi; uma última oportunidade de a resguardar e de a reter. Funciona. 


DAQUI

sexta-feira, outubro 24, 2014

Então, boa noite!


Cartaz para tentar disciplinar as travessias de estradas pelos peões!...


Quatro dias e sete escolas: a história de um pesadelo com um final feliz

Em quatro dias, Catarina, professora do grupo de Educação Especial, foi colocada em sete escolas. O suficiente para quatro dias de pesadelo, com os prazos para as decisões a esgotarem-se. A história de um caso normal de colocação através da Bolsa de Contratação de Escola.
Quando se foi deitar, na noite de segunda-feira, Catarina, professora, tinha cinco escolas por onde escolher, todas a mais de 300 quilómetros de casa; na terça decidiu-se por uma delas; na quarta partiu sem saber onde iria dormir e na quinta ficou colocada à porta de casa. Esta é a história de um processo de colocação “normal” de “uma professora normal”, que, ainda por cima, diz Catarina, “teve um final feliz”. “De que é que me posso queixar?”, pergunta, depois de dizer que não consegue parar de sorrir.
Não se queixa. Catarina Santos, de 31 anos, residente em Cinfães, no Norte do país, diz que até tem dificuldade em regressar a segunda-feira, o dia em que acordou desempregada e com o coração apertado, a olhar de esguelha para o telemóvel e a actualizar a página do computador como quem não quer a coisa, para não criar expectativas que a deixassem ainda mais triste do que no dia anterior.

DAQUI

O filme desta tarde - A Tale of Momentum and Inertia

Estas senhoras não têm mais nada que fazer??!!!


Isto não é uma simples coincidência!...