Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
terça-feira, novembro 04, 2014
Finalmente um estudo sobre os efeitos deste governo no Ensino
Portugal desceu de 33º em 2012 para 47º lugar no
ano passado em Educação, estando agora abaixo de países como a Mongólia,
Montenegro, Emirados Árabes Unidos ou Rússia
Portugal caiu para o grupo dos dez países europeus com pior
classificação na área da Educação, mas manteve em 2013 o 27º lugar no Índice
global de Prosperidade que avalia 142 países, foi hoje divulgado.
Portugal desceu de 33º em 2012 para 47º lugar no ano passado em
Educação, estando agora abaixo de países como a Mongólia, Montenegro, Emirados
Árabes Unidos ou Rússia.
Apenas 77% dos portugueses estão satisfeitos com a qualidade da
educação e acreditam que as crianças estão a aprender na escola, o valor mais
baixo de sempre.
Houve também um declínio na escolarização primária, de 99,2 para
98%, o que indica uma quebra no número de crianças que entram para a escola,
apesar de a taxa nacional continuar elevada, e o rádio de professores por aluno
aumentou de 10.
Por outro lado, o número de jovens no ensino superior cresceu, e
Portugal teve em 2013 uma taxa de 69%, a maior de sempre no país registada pelo
índice.
O Índice de Prosperidade é coligido pelo Legatum Institute, que
compara os níveis de riqueza e bem estar, cobrindo 96% da população e 99% do
Produto Interno Bruto mundial.
Tem em conta oito fatores: economia, educação, empreendedorismo e
oportunidades, governação, saúde, liberdade pessoal, segurança e capital
social.
Na economia, Portugal é agora o segundo pior classificado na
Europa ocidental, atrás da Grécia, na área económica, e está agora atrás de
países como Argélia, Colômbia, Marrocos ou Latvia.
Portugal tem também o nono pior valor global de sentimento quanto
à existência de oportunidades de trabalho, tendo apenas nove por cento dos
inquiridos respondido afirmativamente à questão "Pensa que é uma boa
altura para encontrar emprego" - mesmo assim superior à Grécia e Itália
(3%) e Espanha (4%).
"Embora tenham sido registados melhorias na economia portuguesa
no ano passado devido a um aumento da poupança interna bruta, de exportações de
produtos tecnológicos e do investimento direto estrangeiro, ao mesmo tempo que
a inflação baixou, as estatísticas subjetivas sobre as condições de vida não
mostraram progressos", disse a analista do instituto Joana Alfaiate.
Por exemplo, apenas 55% dos portugueses mostraram satisfação com a
qualidade de vida, inferior à média global de 60%, e caiu de 91% em 2011 para
82% a proporção de pessoas com acesso a comida e abrigo, o valor mais baixo
desde sempre.
Da longa série "Ali Babá e os 40 me(r)dalhões"
O ex-presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, afirmou hoje que "o reconhecimento" de Portugal, através da condecoração entregue pelo Presidente da República, significa que "foi correcta a decisão" que tomou de deixar o Governo em 2004”. Durão gostaria tanto que o reconhecimento de Cavaco fosse o reconhecimento dos portugueses como eu gostaria de ter um Presidente da República que soubesse sê-lo. Mas seja. Já que estamos em maré de silogismos, substituamos Durão por Zeinal. Fica assim: o ex-administrador da PT , Zeinal Bava, afirmou no tal dia
DAQUI
Negativo e positivo.
Quando procuramos uma forma justa de resolver conflitos é útil distinguir dois tipos de direitos. Os direitos negativos, que correspondem, grosso modo, à liberdade de cada um agir conforme os seus interesses, e os direitos positivos, que correspondem à obrigação de terceiros agirem de acordo com os interesses do detentor desses direitos. Por exemplo, o direito à vida é um direito negativo, enquanto direito a não ser morto pelos outros, mas o direito à assistência médica é positivo porque exige que outros prestem esse auxílio. Apesar da distinção não ser sempre inequívoca, é útil ter em mente uma escala entre estes extremos porque os direitos negativos tendem a ser prioritários e mais fundamentais. O direito à protecção policial, por exemplo, é um direito positivo que se justifica por direitos negativos, como o direito à integridade física e à propriedade pessoal, e que obriga principalmente quem escolheu ser polícia. A proibição de agredir os outros toca a todos mas o dever de intervir numa rixa para deter o agressor não é igual para toda a gente. Como esta hierarquia subordina os direitos positivos aos negativos, quem exige direitos positivos em violação de direitos negativos de terceiros tende a querer confundir estas diferenças. A defesa do copyright está pejada desta manobra falaciosa (1), começando logo pela expressão “propriedade intelectual”.
A propriedade pessoal depende de um direito negativo: o direito do indivíduo não sofrer interferências no uso daquilo que é seu, como a sua casa ou a sua roupa. Mas se abandona uma casa ou um terreno agrícola já é questionável que vedar a terceiros o uso dessa propriedade seja um direito negativo, e tão fundamental como se se tratasse da casa onde reside. Mais distante ainda é o caso do proprietário de uma entidade financeira que detém uma cadeia de supermercados. Este direito de propriedade é claramente positivo porque o indivíduo só pode exercer controlo como proprietário com a colaboração activa de legisladores, tribunais e agentes da autoridade. Apesar da noção de propriedade ser sempre convencional, estas diferenças são importantes quando avaliamos direitos do proprietário. Os direitos que tem sobre o seu supermercado não são iguais aos que tem sobre o seu domicílio. Quando se diz que o autor tem o direito de proteger a sua propriedade intelectual parece invocar-se um direito negativo, fundamental, de que não mexam nas suas coisas. Que não o privem da sua roupa, nem lhe invadam a casa nem queimem os seus livros. Mas é falacioso inferir daqui que se deve coagir terceiros a não copiar ficheiros ou partilhar informação sem autorização do autor porque mandar nas coisas dos outros não tem nada que ver com direitos negativos de propriedade.
O direito à remuneração é outro exemplo desta falácia. Se alguém quiser ganhar dinheiro fazendo esculturas na areia tem o direito de ser remunerado pelo seu trabalho. Mas este é o direito negativo de não o impedirem de negociar com quem lhe queira pagar. Concessionários de restaurantes, produtores de cinema ou organizadores de festas na praia, por exemplo. Este direito negativo nunca justificaria punir com três anos de cadeia quem tirasse fotografias às esculturas sem autorização do escultor. Mesmo que tal lei visasse facilitar a remuneração, permitindo ao autor cobrar por cada foto, estaria longe de um direito de não interferência. Só com a colaboração activa de muita gente é que o autor poderia controlar o que cada pessoa, sentada na sua toalha, iria fazer com a sua máquina fotográfica. E este suposto direito de controlar a propriedade dos outros nunca se poderia sobrepor ao direito negativo de cada um usar a sua propriedade sem interferência. Invocar o direito à remuneração para justificar restrições à partilha de ficheiros é uma falácia por confundir o direito negativo de poder negociar uma remuneração com o direito positivo de coagir toda a gente a ajudar o autor a ganhar mais dinheiro.
A legislação de direitos de autor é produto de três séculos de braço-de-ferro entre uns poucos detentores dos meios de cópia e aqueles autores que tinham interesse em vender cópias. Ao contrário do que muitas vezes se presume, este conjunto de autores sempre ficou muito aquém de corresponder à totalidade das pessoas que contribuem para o progresso da cultura, do conhecimento e das artes. Com uma audiência tão restrita e um âmbito tão limitado, esta legislação foi sendo implementada por meio de tratados internacionais e negociada à porta fechada sem contributo da vasta maioria das pessoas para quem estas leis, até recentemente, nunca tiveram importância. Nas últimas décadas isto mudou. Em resposta à inovação tecnológica que tornou o acto de copiar universal e trivial, a legislação criada para resolver um conflito de interesses de uma pequena minoria passou a ser aplicada a milhares de milhões de pessoas que nunca tinham tido nada que ver com o assunto. Se bem que todos concordem que é preciso adequar a legislação à nova tecnologia, muitos esquecem-se de que o problema não é meramente tecnológico. Não é coisa que se resolva taxando pendisks e censurando a Internet.
Além da evolução tecnológica e da lei que regulava a relação entre editores e alguns autores ter passado a regular a vida privada de toda a gente, nestes trezentos anos também houve muitas alterações nas nossas noções de justiça, ética e da legitimidade democrática da legislação. O Statute of Anne, a primeira codificação do copyright moderno, data de 1710, mais de um século antes do Reino Unido abolir a escravatura. A ideia de proibir o povo de copiar para que uma aristocracia de privilegiados ganhasse mais dinheiro estava em linha com as boas práticas da época, que incluíam a escravatura, ter crianças a trabalhar nas minas e conceder privilégios legais a quem tivesse mais poder. Mas, além de se ter tornado tecnologicamente obsoleta, esta legislação tornou-se também incompatível com os valores fundamentais da sociedade moderna. A única solução é deitar esta legislação para o lixo e refazê-la de origem respeitando os princípios da democracia e dando prioridade aos direitos mais importantes.
1- A RIAA dá um exemplo engraçado, que nem vale a pena comentar, alegando que sites como o Pirate Bay atacam direitos humanos fundamentais e que por isso têm de ser eliminados: Torrent Freak, RIAA: The Pirate Bay Assaults Fundamental Human Rights
DAQUI
A propriedade pessoal depende de um direito negativo: o direito do indivíduo não sofrer interferências no uso daquilo que é seu, como a sua casa ou a sua roupa. Mas se abandona uma casa ou um terreno agrícola já é questionável que vedar a terceiros o uso dessa propriedade seja um direito negativo, e tão fundamental como se se tratasse da casa onde reside. Mais distante ainda é o caso do proprietário de uma entidade financeira que detém uma cadeia de supermercados. Este direito de propriedade é claramente positivo porque o indivíduo só pode exercer controlo como proprietário com a colaboração activa de legisladores, tribunais e agentes da autoridade. Apesar da noção de propriedade ser sempre convencional, estas diferenças são importantes quando avaliamos direitos do proprietário. Os direitos que tem sobre o seu supermercado não são iguais aos que tem sobre o seu domicílio. Quando se diz que o autor tem o direito de proteger a sua propriedade intelectual parece invocar-se um direito negativo, fundamental, de que não mexam nas suas coisas. Que não o privem da sua roupa, nem lhe invadam a casa nem queimem os seus livros. Mas é falacioso inferir daqui que se deve coagir terceiros a não copiar ficheiros ou partilhar informação sem autorização do autor porque mandar nas coisas dos outros não tem nada que ver com direitos negativos de propriedade.
O direito à remuneração é outro exemplo desta falácia. Se alguém quiser ganhar dinheiro fazendo esculturas na areia tem o direito de ser remunerado pelo seu trabalho. Mas este é o direito negativo de não o impedirem de negociar com quem lhe queira pagar. Concessionários de restaurantes, produtores de cinema ou organizadores de festas na praia, por exemplo. Este direito negativo nunca justificaria punir com três anos de cadeia quem tirasse fotografias às esculturas sem autorização do escultor. Mesmo que tal lei visasse facilitar a remuneração, permitindo ao autor cobrar por cada foto, estaria longe de um direito de não interferência. Só com a colaboração activa de muita gente é que o autor poderia controlar o que cada pessoa, sentada na sua toalha, iria fazer com a sua máquina fotográfica. E este suposto direito de controlar a propriedade dos outros nunca se poderia sobrepor ao direito negativo de cada um usar a sua propriedade sem interferência. Invocar o direito à remuneração para justificar restrições à partilha de ficheiros é uma falácia por confundir o direito negativo de poder negociar uma remuneração com o direito positivo de coagir toda a gente a ajudar o autor a ganhar mais dinheiro.
A legislação de direitos de autor é produto de três séculos de braço-de-ferro entre uns poucos detentores dos meios de cópia e aqueles autores que tinham interesse em vender cópias. Ao contrário do que muitas vezes se presume, este conjunto de autores sempre ficou muito aquém de corresponder à totalidade das pessoas que contribuem para o progresso da cultura, do conhecimento e das artes. Com uma audiência tão restrita e um âmbito tão limitado, esta legislação foi sendo implementada por meio de tratados internacionais e negociada à porta fechada sem contributo da vasta maioria das pessoas para quem estas leis, até recentemente, nunca tiveram importância. Nas últimas décadas isto mudou. Em resposta à inovação tecnológica que tornou o acto de copiar universal e trivial, a legislação criada para resolver um conflito de interesses de uma pequena minoria passou a ser aplicada a milhares de milhões de pessoas que nunca tinham tido nada que ver com o assunto. Se bem que todos concordem que é preciso adequar a legislação à nova tecnologia, muitos esquecem-se de que o problema não é meramente tecnológico. Não é coisa que se resolva taxando pendisks e censurando a Internet.
Além da evolução tecnológica e da lei que regulava a relação entre editores e alguns autores ter passado a regular a vida privada de toda a gente, nestes trezentos anos também houve muitas alterações nas nossas noções de justiça, ética e da legitimidade democrática da legislação. O Statute of Anne, a primeira codificação do copyright moderno, data de 1710, mais de um século antes do Reino Unido abolir a escravatura. A ideia de proibir o povo de copiar para que uma aristocracia de privilegiados ganhasse mais dinheiro estava em linha com as boas práticas da época, que incluíam a escravatura, ter crianças a trabalhar nas minas e conceder privilégios legais a quem tivesse mais poder. Mas, além de se ter tornado tecnologicamente obsoleta, esta legislação tornou-se também incompatível com os valores fundamentais da sociedade moderna. A única solução é deitar esta legislação para o lixo e refazê-la de origem respeitando os princípios da democracia e dando prioridade aos direitos mais importantes.
1- A RIAA dá um exemplo engraçado, que nem vale a pena comentar, alegando que sites como o Pirate Bay atacam direitos humanos fundamentais e que por isso têm de ser eliminados: Torrent Freak, RIAA: The Pirate Bay Assaults Fundamental Human Rights
DAQUI
Engalanados
Cavaco Silva condecora Durão Barroso, por razões que a razão desconhece. No acto solene nenhum partido da oposição se faz representar. Durante a cerimónia, os elogios são múltiplos e recíprocos.
Ascenso Simões, ex-secretário de Estado de um governo de José Sócrates mostra-se queixoso, com razões que a razão também desconhece, por Cavaco Silva ainda não ter condecorado aquele ex-primeiro-ministro. Santos Silva, ex-ministro daquele ex-primeiro-ministro insurge-se contra a possibilidade dessa condecoração ser dada por Cavaco Silva, considerando que isso [ainda?] sujaria [mais?] o currículo do seu ex-chefe de governo. Manuel Alegre discorda de Santos Silva e concorda com Ascenso Simões, exigindo que Cavaco Silva condecore José Sócrates. Nos bastidores daquilo a que erradamente se chama política, insinua-se que, se Cavaco Silva decidisse condecorar José Sócrates, este recusaria.
Portugal olha-se ao espelho e vê-se representado deste modo: no meio de uma gravíssima crise económica, social e financeira a nossa elite atribui-se medalhas, discute medalhas e luta por medalhas.
Não temos modo de aprender: continuamos mestres no mexerico, no entretenimento fútil, na arte da aparência, na inutilidade, enquanto o desemprego ronda os 14%, os jovens não conseguem o primeiro trabalho, os salários continuam miseráveis, a educação degrada-se, a saúde deteriora-se, a justiça anedotiza-se e o futuro é tétrico.
Mas tudo é normal, desde que as televisões medíocres prossigam na transmissão de programas medíocres, as revistas nauseabundas divulguem alcovitices nauseabundas, o facebook não imploda, o smartphone não avarie e as futeboladas não acabem. Aceitamos a pobreza material e de espírito como duas inevitabilidades geradas por uma misteriosa genética. Aceitamos a incompetência com uma misteriosa indiferença. Aceitamos a corrupção com uma misteriosa complacência. Aceitamos tudo o que nos façam com um impressionante marasmo. Não parecemos gente de carne, osso e sangue, parecemos uma massa mole.
Medalhados, condecorados e engalanados assim vamos tudo aceitando.
DOS INTERESSES E DA SOCIEDADE
Não podemos despir a pele e ainda bem que é assim. A singularidade dos humanos é um verdadeiro oxigénio.
Mas a história já nos ensinou vezes sem conta que quando colocamos os interesses individuais muito acima dos colectivos acabamos por afectar os segundos e irremediavelmente os primeiros. Os gestos mais egoístas que prejudicam os interesses dos grupos acabam sempre com danos sérios para ambos, seja no âmbito nacional ou local; é só deixar passar o tempo, embora se tenha que registar, e infelizmente, que há danos que são quase irreparáveis.
Ter um olhar para o grupo e outro para o individual é uma formulação difícil; sabemos disso. Mas quem olha para o interesse geral consegue sempre proteger os interesses mais particulares.
segunda-feira, novembro 03, 2014
Reparem no estado de concentração em que se encontra o gato...
Gostava que os meus alunos conseguissem nas aulas de Filosofia esse nível de concentração...Talvez o ideal seria ter gatos como alunos...
O Super Homem existe e chama-se Tsutomu Yamaguchi
Em 1945, Tsutomu Yamaguchi sobrevivente da bomba atómica de Hiroshima passou essa noite num abrigo improvisado ao ar livre para no dia seguinte apanhar o comboio de modo que pudesse chegar a tempo ao emprego - em Nagasaki - onde sobreviveu à outra bomba atómica!...
Treta da semana (passada): não fazer publicidade.
No passado dia 21, o Clube de Filosofia Al-Mu'tamid organizou na Mesquita de Lisboa um debate sobre o Estado Islâmico. Naturalmente, David Munir, o xeque da mesquita, criticou o Estado Islâmico. O intrigante foi a forma como criticou essa organização criminosa que anda a massacrar populações, a escravizar, a torturar e a violar crianças, tudo em nome do islão. Segundo Munir, «à luz da religião o líder do Estado Islâmico não tem direito a declarar, como fez, a constituição de um califado, e insistiu que as bases do islão são de paz, não de guerra.»(1) Com tanto defeito a apontar, limitou-se a um detalhe técnico e um par de banalidades. É interessante pensar porquê.
Também na audiência questionaram o porquê dos representantes da comunidade islâmica não condenarem mais claramente as atrocidades daquele grupo. «"Vocês não sentem necessidade de uma demonstração de renúncia? Sei lá, um anúncio no jornal a dizer 'não tenho nada que ver com aquilo'?"» A resposta de Mahomed Abed, coordenador cultural da mesquita, foi de que «Ao ir pelo outro caminho estaríamos a fazer publicidade»(2).
Há várias razões para não ficar satisfeito com a resposta. Evitar a publicidade ao Estado Islâmico pressupõe que pouca gente tenha ouvido falar desse grupo, o que não é plausível. Pressupõe também que não falar no assunto contribua para resolver o problema de ter milhares de homens armados a cometer atrocidades no Iraque e na Síria, outra premissa que me parece incorrecta. Finalmente, organizarem um debate público sobre o Estado Islâmico contradiz claramente a tese de que não repudiam esse grupo apenas para evitar fazer publicidade. Tem de haver outra razão.
Uma diferença importante entre o islão e as outras religiões com mais aderentes é o seu livro sagrado. A Bíblia, os Vedas e os Sutras são compilações de textos muito diversos, de fontes diferentes e que os crentes aceitam como relatos inspirados mas que podem ser interpretados com alguma flexibilidade. Em contraste, o Corão é um texto muito mais uniforme, conciso e coerente e que os muçulmanos assumem como sendo uma recitação da palavra divina. Não tem partes que se possa descartar como alegóricas ou metafóricas nem se dá a grandes interpretações. Por exemplo, 4:89 expõe claramente como se deve lidar com quem abandona a fé: «Anseiam (os hipócritas) que renegueis, como renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham migrado pela causa de Deus. Porém, se se rebelarem, capturai-os então, matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor.»(3) No Antigo Testamento também há exemplos deste género, mas enquanto cristãos podem invocar que o Novo Testamento se sobrepõe ao antigo e judeus podem interpretar tais trechos como relatos históricos de práticas que já não se aplicam, para um muçulmano é muito mais difícil descartar as ordens do Corão enquanto mantém a fé neste livro como registo das palavras do seu deus.
Esta diferença tem consequências práticas. Não é certamente coincidência que os 23 países que punem explicitamente a apostasia como um crime estejam entre os 49 países de maioria muçulmana. Dos outros países, sejam seculares ou dominados por outras religiões, nenhum considera a apostasia um crime. A razão mais plausível não parece ser económica ou social. Parece ser a de que o islão tem um texto sagrado que é aceite como a palavra directa de Deus onde está explícito que se deve matar quem se rebelar contra esta religião.
Outra diferença importante é a vida e o legado do fundador da religião. Jesus pregou, rezou, ensinou e foi crucificado. Buda pregou, jejuou, ensinou e abandonou o seu corpo. Maomé unificou as tribos de Medina e conquistou Meca com um exército que depois enviou para destruir todos os templos das outras religiões na península arábica. Nos hadiths é-lhe atribuída a ordem de que«Quem quer que abandone a sua religião Islâmica, então matai-o»(4). Consumou o seu casamento com Aisha quando esta tinha nove ou dez anos (5). E assim por diante. Um muçulmano não pode descartar estas coisas como um cristão faz com as barbaridades do Antigo Testamento porque trata-se do Profeta, a peça central da sua religião. É tão difícil a um muçulmano condenar inequivocamente estas práticas pela barbaridade que são como seria a um cristão admitir que a história da ressurreição é fictícia.
Não é por medo da publicidade que os líderes dos muçulmanos moderados se limitam a acusar o Estado Islâmico, e extremistas afins, de meras falhas processuais como a de não ter «direito a declarar, como fez, a constituição de um califado». O problema é que aquilo que os extremistas fazem é cópia chapada do que fez o fundador do islão, e é impossível condenar os actos daqueles sem uma censura implícita aos actos deste. Censura essa que Maomé deixou bem claro como deve ser castigada.
PS: Se tiverem oportunidade, recomendo a entrevista que Sam Harris deu a Cenk Uygur. São três horas, mas vale a pena: Sam Harris and Cenk Uygur Clear the Air on Religious Violence and Islam
1- Público, A noite em que a mesquita de Lisboa se encheu para debater o Estado Islâmico
2- Expresso, Sheikh David Munir. "Nós não temos mesquitas clandestinas. Isso não existe. Vocês conhecem-nos"
3- eBookLibris, O Alcorão Sagrado
4- Center for Muslim-Jewish engagement (vis WebCite), Dealing with Apostates.
5- Wikipedia, Aisha.
DAQUI
Também na audiência questionaram o porquê dos representantes da comunidade islâmica não condenarem mais claramente as atrocidades daquele grupo. «"Vocês não sentem necessidade de uma demonstração de renúncia? Sei lá, um anúncio no jornal a dizer 'não tenho nada que ver com aquilo'?"» A resposta de Mahomed Abed, coordenador cultural da mesquita, foi de que «Ao ir pelo outro caminho estaríamos a fazer publicidade»(2).
Há várias razões para não ficar satisfeito com a resposta. Evitar a publicidade ao Estado Islâmico pressupõe que pouca gente tenha ouvido falar desse grupo, o que não é plausível. Pressupõe também que não falar no assunto contribua para resolver o problema de ter milhares de homens armados a cometer atrocidades no Iraque e na Síria, outra premissa que me parece incorrecta. Finalmente, organizarem um debate público sobre o Estado Islâmico contradiz claramente a tese de que não repudiam esse grupo apenas para evitar fazer publicidade. Tem de haver outra razão.
Uma diferença importante entre o islão e as outras religiões com mais aderentes é o seu livro sagrado. A Bíblia, os Vedas e os Sutras são compilações de textos muito diversos, de fontes diferentes e que os crentes aceitam como relatos inspirados mas que podem ser interpretados com alguma flexibilidade. Em contraste, o Corão é um texto muito mais uniforme, conciso e coerente e que os muçulmanos assumem como sendo uma recitação da palavra divina. Não tem partes que se possa descartar como alegóricas ou metafóricas nem se dá a grandes interpretações. Por exemplo, 4:89 expõe claramente como se deve lidar com quem abandona a fé: «Anseiam (os hipócritas) que renegueis, como renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham migrado pela causa de Deus. Porém, se se rebelarem, capturai-os então, matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor.»(3) No Antigo Testamento também há exemplos deste género, mas enquanto cristãos podem invocar que o Novo Testamento se sobrepõe ao antigo e judeus podem interpretar tais trechos como relatos históricos de práticas que já não se aplicam, para um muçulmano é muito mais difícil descartar as ordens do Corão enquanto mantém a fé neste livro como registo das palavras do seu deus.
Esta diferença tem consequências práticas. Não é certamente coincidência que os 23 países que punem explicitamente a apostasia como um crime estejam entre os 49 países de maioria muçulmana. Dos outros países, sejam seculares ou dominados por outras religiões, nenhum considera a apostasia um crime. A razão mais plausível não parece ser económica ou social. Parece ser a de que o islão tem um texto sagrado que é aceite como a palavra directa de Deus onde está explícito que se deve matar quem se rebelar contra esta religião.
Outra diferença importante é a vida e o legado do fundador da religião. Jesus pregou, rezou, ensinou e foi crucificado. Buda pregou, jejuou, ensinou e abandonou o seu corpo. Maomé unificou as tribos de Medina e conquistou Meca com um exército que depois enviou para destruir todos os templos das outras religiões na península arábica. Nos hadiths é-lhe atribuída a ordem de que«Quem quer que abandone a sua religião Islâmica, então matai-o»(4). Consumou o seu casamento com Aisha quando esta tinha nove ou dez anos (5). E assim por diante. Um muçulmano não pode descartar estas coisas como um cristão faz com as barbaridades do Antigo Testamento porque trata-se do Profeta, a peça central da sua religião. É tão difícil a um muçulmano condenar inequivocamente estas práticas pela barbaridade que são como seria a um cristão admitir que a história da ressurreição é fictícia.
Não é por medo da publicidade que os líderes dos muçulmanos moderados se limitam a acusar o Estado Islâmico, e extremistas afins, de meras falhas processuais como a de não ter «direito a declarar, como fez, a constituição de um califado». O problema é que aquilo que os extremistas fazem é cópia chapada do que fez o fundador do islão, e é impossível condenar os actos daqueles sem uma censura implícita aos actos deste. Censura essa que Maomé deixou bem claro como deve ser castigada.
PS: Se tiverem oportunidade, recomendo a entrevista que Sam Harris deu a Cenk Uygur. São três horas, mas vale a pena: Sam Harris and Cenk Uygur Clear the Air on Religious Violence and Islam
1- Público, A noite em que a mesquita de Lisboa se encheu para debater o Estado Islâmico
2- Expresso, Sheikh David Munir. "Nós não temos mesquitas clandestinas. Isso não existe. Vocês conhecem-nos"
3- eBookLibris, O Alcorão Sagrado
4- Center for Muslim-Jewish engagement (vis WebCite), Dealing with Apostates.
5- Wikipedia, Aisha.
DAQUI
Uma maneira de ser português...
CARTA ABERTA AO VENCEDOR DO EUROMILHÕES
Vencedor do Euromilhões, sou eu, o Zé, lembras-te?
Andámos na mesma escola. Lá onde nasceste. Onde nascemos, aliás. Então,
vencedor do Euromilhões, não te recordas? Não me digas que o dinheiro te subiu
à cabeça, granda vencedor do Euromilhões! Os nossos passeios de bicicleta… E
quando tu dizias “se um de nós um dia ficar rico, não há-de faltar nada ao
outro” e eu até te respondia, “se me sair a mim dou-te metade”. Ah, granda
vencedor do Euromilhões. Que saudades, pá. Escrevo-te agora porque soube que
ganhaste o Euromilhões e por isso vais ter imensa gente em cima de ti por causa
do dinheiro. Vais por isso precisar de amigos à séria como eu. Um grande
abraço, vencedor do Euromilhões, daqueles bem apertados que nós dávamos porque
éramos muito muito amigos, às vezes até nos faltava o ar, numa ocasião tu até
perdeste os sentidos e eu salvei-te a vida, apesar de teres ido com a cabeça ao
canteiro. Aliás, se calhar é por causa disso que não te lembras de mim.
Qual é o plural de secretário de Estado?
Descobri hoje que temos um secretário de Estado dos Assuntos Europeus!
Deu uma entrevista ao Público e chama-se Bruno Maçães.
Suponho que, afinal, Maçães seja o plural de maçã.
Ora se o plural de maçã é maçães, o plural de manhã é muito capaz de ser manhães.
No entanto, se o masculino de maçã for mação, o seu plural deve ser também maçães, o que gera alguma confusão (plural: confusães).
Teremos, assim, que mudar alguns plurões: o de limão será limones, o de leão será leães, o de corrimão, corrimanes, o de catalão, catalões, o de lã, lães, o de cão, cões, o de mão, mães e o de mãe, mões.
Mas se o plural de maçã continuar a ser maçãs, o secretário de Estado tem um apelido com erro ortográfico.
Avisem-no, por favor.
Mais uma prova que deita abaixo a teoria da treta do aquecimento global!!!
Gelo da Antárctida atinge o maior valor de “sempre”
No passado dia 21 de Setembro, antepenúltimo dia do Inverno Austral [a Primavera do Hemisfério Sul (Outono do Norte) iniciou-se às 3:29 (hora de Lisboa) do dia 23 de Setembro] o gelo que cobre grande parte do mar que rodeia o continente dos “gelos eternos” atingiu o seu maximum maximorum. Ou seja, foi alcançado o valor mais elevado, desde que se iniciaram os registos, para a área de gelo que rodeia a Antárctida. O novo recorde é de dezasseis milhões oitocentos e sete mil quilómetros quadrados.
Considerando o gelo marinho e o continental, no Inverno deste ano, em redor do Pólo Sul, o gelo atingiu uma área superior a 30,5 milhões de quilómetros quadrados, o valor mais elevado alguma vez “visto” pelos satélites (e que corresponde a mais do triplo do tamanho da Europa). Recordo que o Gelo da Antárctida corresponde a mais de 85% do gelo da planeta.
Os dados são da responsabilidade da National Snow and Ice Data Center e foram (como habitualmente) obtidos pelos radiómetros SMMR e SSM/I instalados a bordo de satélites da NASA.
A imagem abaixo, mostra a variação do gelo marítimo que rodeia a Antárctida desde que em 1979 se iniciaram as observações por satélite.
DAQUI
domingo, novembro 02, 2014
ASSUNTO: PSEUDOCIÊNCIA NA FACULDADE DE FARMÁCIA
Caros docentes, discentes, displicentes, Homo sapiens em geral da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa: chegou ao meu conhecimento, o que só prova que os vossos meios de divulgação funcionam bem, que está a ser oferecido na vossa instituição um “Curso Avançado em Medicamentos Homepáticos”. Pelo nome fico com a dúvida se terei perdido o curso básico ou se a homeopatia é sempre avançada. Mas é precisamente para tirar dúvidas que vos escrevo. E também porque, confesso, não quero pagar os 50€ da taxa de candidatura e muito menos os 500€ de “propinas”, embora reconheça que a inclusão do número da conta bancária (IBAN) no aviso de abertura seja uma solução bastante prática.
A homeopatia, que foi inventada há 200 anos pelo médico alemão Samuel Hahnemann, tem vários princípios. Segundo um deles, a Lei dos Semelhantes, uma substância capaz de provocar um determinado sintoma numa pessoa saudável pode ser usada para tratar esse mesmo sintoma numa pessoa doente. O que me leva a supor que, se tiver algum problema grave com o fígado, o poderei resolver com uma aguardente velha. Mas este princípio, francamente, não interessa muito, tendo em conta outro, de acordo com o qual o poder curativo de uma substância será tanto maior quanto mais diluída ela for. Pouco importa se é uma aguardente velha ou a água dos dentes de uma velha. Como os remédios homeopáticos são preparados através de um grande número de diluições sucessivas, no final não sobra nada.
E aqui fica um curso básico de preparação de “medicamentos homeopáticos”: pega-se numa gota de uma substância qualquer, a chamada tintura-mãe, e dilui-se em 99 gotas de água. Dá-se três pancadinhas, pega-se numa gota dessa primeira diluição e dilui-se novamente em 99 gostas de água. Se repetirmos este procedimento 28 vezes chegamos a um preparado 30C, uma diluição (“potência”) comum em remédios homeopáticos. A diluição total de um preparado 30C é equivalente à de uma gota de tintura mãe diluída em 999999999999999999999999999999999999999999999999999999999999 gotas de água (são 60 noves).
A chatice é que a matéria é constituída por átomos e moléculas. Não podemos dividir indefinidamente uma determinada quantidade de matéria porque a partir de certa altura ficamos com menos de um átomo ou de uma molécula. E é possível saber o número de moléculas que existem numa determinada quantidade de matéria em virtude do “número de Avogadro”, uma constante determinada por vários métodos independentes e que esteve na base do Nobel da Física de 1926. Como qualquer estudante de química do 10.º ano poderá confirmar, se partirmos de uma tintura-mãe com uma concentração de 1 molar (é uma concentração respeitável) ao fim de 12 diluições centesimais sucessivas restará menos do que uma molécula por cada litro de preparado homeopático. Claro que a concentração inicial pode ser diferente. Mas, como a diluição de um preparado homeopático 12C é tão grande, pouco importa qual é a concentração inicial da tintura-mãe. No final restarão no máximo meia dúzia de moléculas por cada litro, que nenhum efeito têm. E há remédios homeopáticos bastante mais diluídos, em que a probabilidade de se encontrar uma única molécula da tintura-mãe é equivalente à de ganhar o Euromilhões várias vezes seguidas.
Assim, gostaria de perguntar se o número de Avogadro foi revisto, e com ele boa parte da física e da química. Ou se o número de Avogadro, a física e a química que conhecemos se mantêm, e os remédios homeopáticos não têm nada a não ser água e açúcar (no caso dos comprimidos).
Também sei que muitos homeopatas dizem que isto não interessa por causa das pancadinhas dadas entre cada diluição, e que justificam que água retenha uma memória das moléculas que teve dissolvidas (ainda estou à espera da primeira auto-biografia de uma molécula de água). Sei que um artigo da autoria de um famoso cientista francês, publicado em Junho de 1988 na prestigiada revista Nature, demonstrava a existência de uma memória da água. Foi um mês glorioso para a homeopatia, mas foi só um, porque o artigo acabou denunciado como uma fraude em Julho desse mesmo ano, na mesma revista, após uma comissão independente ter tentado reproduzir os resultados.
Em coerência, os ensaios clínicos metodologicamente bem concebidos demonstram que os remédios homeopáticos funcionam tão bem como comprimidos de açúcar, porque são comprimidos de açúcar.
Ou não será assim? Fico, então, a aguardar pela revogação do número de Avogadro, pelas provas experimentais reprodutíveis de que a água tem memória e pelo corpo de ensaios clínicos bem concebidos que demonstre a eficácia dos remédios homeopáticos. Até lá, julgo que a homeopatia não tem lugar numa faculdade de farmácia que deseje ser levada a sério.
Cordialmente,
David Marçal
Praga de mosquitos
Garante o Expresso – e eu já confirmei na pele – que há uma praga de mosquitos, sobretudo a sul do Tejo.
Ainda hoje verifiquei isso, com um ataque que me deixou marcas em ambas as mãos e na testa.
A entomologista Carla Sousa diz que “não há sinal para alarme” e esclarece que esta praga se deve “às elevadas temperaturas que se seguiram a um período de chuvas”.
Acrescenta que não foram detectadas espécies exóticas, isto é, são os mosquitos do costume…
Quem quiser saber mais sobre estes mosquitos, pode visitarhttp://mosquitoweb.ihmt.unl.pt e pode, até, capturar alguns exemplares, enfiá-los num envelope e enviá-los para o Instituto de Higiene e Medicina Tropical.
Mortos, claro.
Eu não fiquei descansado com a explicação da entomologista.
Vou estar mais atento e já enrolei o Expresso, transformando-o num eficaz mata-mosquitos.
Se os avistar, esmago-os!
DOS PARADOXOS NÃO ESTRUTURANTES
O conceito "escola completa" significa que o ensino "regular" não se deve limitar às matérias estruturantes como a matemática e a língua materna.
É óbvio que quem defende a "escola completa" não desvaloriza as matérias estruturantes.
Já nem se questiona, nos sistemas escolares mais avançados, o equilíbrio entre as ciências, as humanidades e as expressões (dito assim para ser sucinto) porque eliminaram há muito o analfabetismo e porque sabem que os alunos mais apoiados aprendem as matérias estruturantes independentemente da carga horária (nos limites do razoável, obviamente). Epifanias como as de Nuno Crato são desconhecidas.
O desequilíbrio da carga horária em sociedades como a nossa provoca, para além de tudo o resto, desigualdade de oportunidades. Os alunos têm apoios muito desiguais à sua educação. Esse desequilíbrio tem sempre dois indicadores: aumento do abandono escolar e vantagens nulas no desempenho dos alunos mais apoiados como se referiu no parágrafo anterior (os alunos mais apoiados aprendem as matérias estruturantes independentemente da carga horária).
A crônica de um fracasso
Governos têm sucesso quando executam políticas públicas que respondem aos desafios apresentados, e criam assim condições para um futuro melhor. No caso do que se convencionou chamar da crise de desabastecimento de água em São Paulo, algumas características deste evento foram sendo delineadas, e hoje estão bem definidas.
O sistema Cantareira, que abastece 364 municípios paulistas, de um total de 645, atendendo 27,7 milhões de pessoas que respondem por 73% da receita da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo detém 50,26% das ações da companhia, e os outros 49,74% estão nas mãos de acionistas privados), poderá deixar 6,5 milhões de paulistanos sem água em suas torneiras. A culpa é menos de São Pedro do que do governo de São Paulo que administra a Sabesp, e que subestimou os impactos das mudanças climáticas, da extração desordenada e descontrolada de recursos hídricos, da falta de conservação e proteção dos mananciais, e, não menos relevante, da poluição.
Faltaram planejamento estratégico na gestão integrada e compartilhada dos recursos hídricos, e os investimentos necessários em obras que poderiam ter amenizado o racionamento existente (sobre o qual o presidente da Sabesp demonstrou descaso ao dizer que “Não existe racionamento, existe uma administração da disponibilidade de água”).
Em 2004, uma série de seminários com especialistas debateram a crise de 2003 do sistema Cantareira, e apontaram para a necessidade de ampliar a disponibilidade de água do sistema, indicando que o melhor caminho para isso era buscar água no Vale do Ribeira através de uma obra que demoraria aproximadamente 10 anos para ser estudada, projetada e concluída, mas que, caso tivesse sido realizada, provavelmente não haveria problema de escassez de água como ocorre atualmente.
E a falta de transparência ficou evidenciada, mais do que nunca, quando foi tornado público um relatório de 2012 da própria Sabesp, revelando o risco de desabastecimento no sistema Cantareira, e alertando investidores da Bolsa de Valores de Nova York para a estiagem prevista e seus impactos nas finanças da empresa. Somente encarou o problema a partir do inicio de 2014, quando criou um bônus para quem economizasse água.
A irresponsabilidade técnica e gerencial da empresa merece ser destacada. O plano enviado a ANA (Agência Nacional de Águas) para operar o sistema Cantareira até abril de 2015 não tem amparo adequado na realidade. A probabilidade de recuperação do sistema é altamente arriscada, com um cenário traçado que já não se confirma neste mês de outubro (2014).
A arrogância e soberba dos gestores da água em São Paulo levaram a Justiça Federal a proibir a captação da segunda cota do volume morto do sistema Cantareira, já que a empresa vinha captando mais água que o autorizado. Tudo se faz para não decretar oficialmente o racionamento, nem prejudicar o valor de suas ações na bolsa. A água é tratada como um mero “negócio”, não como um bem coletivo.
Apesar dos problemas verificados nos anos 2000, o que se constatou foi um aprofundamento ainda maior da política da água como mercadoria, e da empresa a serviço do mercado e de interesses políticos escusos, com diretorias indicadas por estes interesses inconfessos, sem nenhuma abertura para um planejamento técnico sério, vinculado às necessidades da população. Prova disso é o quadro funcional da Sabesp, reduzido de 21 mil trabalhadores para 14 mil. Em particular, o setor de engenharia e operação foi diminuído a ponto de, atualmente, várias unidades terem um quadro de técnicos capacitados abaixo da necessidade para a atividade fim da companhia. Por outro lado, no último balanço divulgado foi comemorado um lucro de 1,9 bilhões de reais da companhia, mostrando que do ponto de vista mercadológico a empresa vai bem.
O centro da questão está na malfadada gestão dos recursos hídricos de responsabilidade do governo do estado de São Paulo. Não por acaso o Ministério Público possui, segundo a Promotoria de Justiça do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente, 50 investigações sobre a gestão da água feita pela Sabesp.
A mercantilização de um bem essencial a vida, cujo lucro, ao invés de usar na realização de obras, paga dividendos a acionistas e especuladores é que tem provocado uma crise de tal dimensão, e consequentemente o sofrimento da população paulista.
Heitor Scalambrini Costa
Professor da Universidade Federal de Pernambuco
(Enviado por mail)
sábado, novembro 01, 2014
O ERRO DE COUTINHO
Afinal a Universidade de Lisboa (devido ao Instituto Superior Técnico) e outras Universidades Portuguesas são boas em Engenharia, competindo muito bem em rankings internacionais. A biomedicina portuguesa é que parece não ter suficiente competitividade internacional. Portanto o conselheiro principal do ministro Nuno Crato, que desdenhou da investigação em Engenharia na Universidade de Lisboa, está perfeitamente equivocado quanto às áreas de excelência da ciência nacional. E o Reitor da Universidade de Lisboa tem inteira razão, com os outros Reitores, ao dizer que a "avaliação" da FCT não tem ponta por onde se lhe pegue. A FCT, numa atitude anti-científica, tirou da cartola uma "avaliação" sem correspondência com a realidade na tentativa de confundir a realidade com os seus desejos. Mas a realidade é o que é e não o que a FCT quer que seja.
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Nuno Crato: sozinho em casa III
E vão três. Em pouco mais de um mês, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) perdeu três dos seus directores-gerais. Depois das saídas dos dirigentes das áreas da Administração Escolar e Educação, agora é o responsável pelo Ensino Superior, Vítor Magriço, quem deixa o cargo vago, pedindo a demissão por “razões pessoais”. Realmente, muitas razões pessoais assolam aquele ministério. Mas os portugueses podem ficar tranquilos que o seu Ministro da Educação não vai sentir-se sozinho: graças a Deus que o Ministério tem a internet a ligá-lo a um mundo cada vez mais global e cheio de desafios. Quando a solidão lhe apertar aquele coraçãozinho sensível, o Nuno pode abrir o facebook sempre que quiser e aí conversar com os milhões de amigos que tem espalhados naquela rede social. e a internet não tem "razões pessoais".Até ver.
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Para Passos pôr e repor é um supor
Confusão!, queixavam-se os jornais online. Referiam-se ao discurso inicial de Passos Coelho, ontem no Parlamento, sobre a reposição dos salários da função pública - que seria integral em 2016, disse ele -, e que, pouco depois, o próprio primeiro-ministro modificou para uma reposição gradual de 20% a partir de 2016. Confusão coisa nenhuma! O que houve foi a preguiça habitual dos jornalistas que não souberam ouvir Passos Coelho. Felizmente estava lá eu. Aqui vos deixo as palavras límpidas do orador: "Senhores deputados, como ainda há pouco vos disse que repunha, desdigo agora porque não ponho. E dizendo-o, mais que digo, reitero, porque se ponho o que não punha nada mais faço do que dispor sobre o que antes não pusera. Ponho, pois. Isto é, não ponho. E sendo isto tão claro, não contraponham reticências onde exclamação pede ser posta: não só reponho como logo oponho! Reponho tudo, como eu disse às dez. E só ponho 20% (que é não pôr 80), como garanti ao meio-dia. Não é isto tão simples? Pôr e repor é um supor. Meu senhores, se há verbo que gosto é do pôr - no indicativo ("enquanto vós púnheis o voto na urna"), no conjuntivo ("quando eu puser as promessas mais falsas") e no imperativo ("põe tu as ilusões de molho") -, e, sobretudo, nesse maravilhoso pôr conjugado no porém. Ah, dizer pôr e, com porém, passar ao não pôr... Eis, senhores deputados, a essência do que para mim é ser porítico, perdão, político."
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Para "virar" estão cá eles
"São muitos anos a virar frangos" é uma expressão popular, com o seu quê de cómico, utilizada para referir experiência. "Fazes isso muito bem", "pois faço, são muitos anos a virar frangos". Vagamente parecida, esta com o seu quê de trágico, é a expressão "Este vai ser um ano de viragem". Pedro Passos Coelho anda a anunciar anos de viragem há tanto tempo quanto anda a atropelar a Constituição da República Portuguesa. Desde que chegou ao poder, em 2011. 2012 seria um ano de viragem, e não foi, depois 2013, e não foi, depois 2014, que também não foi, e agora, para não variar, a viragem será em 2015. Todos estes anos de conflito institucional constante e consentido com o TC e de chumbos sucessivos foram muitos anos a virar vidas, como pode ler-se com todo o detalhe nesta resenha. E a culpa de um fracasso em toda a linha destes quatro anos em que o empobrecimento geral apenas serviu para fazer milionários, a dívida pública cresceu como nunca antes tinha crescido e a economia foi virando para trás 20 anos, para não variar muito, volta a ser do Tribunal Constitucional. Só não conseguiram a viragem na Constituição. Será mais fácil fazê-lo estando na oposição. O PS de Costa também promete viragens. Sem dizer que viragens.
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