quarta-feira, novembro 26, 2014

Sócrates – visionário, sofisticado e patriota

Dois factos demonstram a visão de Sócrates como grande estadista, à frente do seu tempo:
1. Foi Sócrates que inaugurou, em 2009, o Campus da Justiça, de modo a poder ser interrogado em instalações condignas, com vista para o Tejo.
2. Foi também Sócrates quem decidiu modernizar o Estabelecimento Prisional de Évora, para que, agora, pudesse usufruir de uma cela confortável, com ar condicionado, hi-fi, wi-fi e lcd.
Todos vimos hoje, nas excelentes reportagens televisivas, que Sócrates recebeu a visita da ex-mulher, Sofia Fava.
Em tempo de bolo-rei, a Sócrates saiu-lhe a Fava…
Foi Sofia que informou que Sócrates pediu para que ela lhe levasse livros de filosofia.
Pedir livros de filoSOFIA a SOFIA deve ser alguma mensagem cifrada para que o juiz Carlos Alexandre não perceba…
Sofia não se lembrava dos títulos dos livros, só sabia que eram em francês.
Mas a sofisticação do ex-primeiro ministro não o impede de ser um verdadeiro patriota.
A comprová-lo, o facto de os jornais informarem qual foi o primeiro prato que Sócrates comeu na prisão de Évora: cozido à portuguesa!
De que estão à espera para libertar o homem?!

DA IGUALDADE EM POLÍTICA


terça-feira, novembro 25, 2014

Finalmente a sós!...


Uma imperial para mim e um peixe para o meu amigo!...


O progresso nem sempre traz mais conforto...


Desempate por penaltys! Momentos únicos e extraordinários!!!

A diferença entre protestos nos EUA e na Bósnia


Há pessoas a quem o fim de semana faz mal!!


As peripécias de um matemático português que inventou um pseudo-artigo científico

Escrito por um matemático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, chega às livrarias esta segunda-feira, dia 24, um livro de histórias de matemática. Na primeira, o autor conta como criou umalter ego e inventou um pseudo-artigo totalmente absurdo – que acabou por ser aceite para publicação por várias revistas desde que fosse pago –, para expor as fraudes das editoras científicas de livre acesso.

Fazer investigação e atingir resultados inovadores e significativos na área em que se trabalha não é fácil. Quando se aborda um problema, há que conhecer toda a literatura relevante — e também uma grande quantidade de literatura irrelevante: com frequência, as melhores ideias para o atacar surgem não dos caminhos já trilhados por dezenas de investigadores, mas pela centelha de uma ligação inesperada entre dois campos à primeira vista não relacionados.
Todo o percurso é cheio de falsas partidas, hesitações e becos sem saída. Mas, de vez em quando – alegria suprema! – atinge-se um resultado novo e relevante.
É altura de o dar a conhecer à comunidade científica o mais rapidamente possível. Por outras palavras, supe­rada a parte árdua, atinge-se a parte simples: publish or perish. Publicar ou perecer.
Todo o texto aqui

Se a Itália sair do Euro…

A possibilidade de a Itália sair do Euro, algo que poderia acontecer no fim da Primavera de 2015, é cada vez mais frequentemente mencionada na imprensa internacional, a italiana naturalmente mas também a alemã, americana  e britânica. O silêncio da imprensa francesa é ensurdecedor... É preciso compreender porque o processo de destruição do Euro poderia muito bem começar pela Itália e quais seriam as consequências para a França. 

Estava tudo a correr tão bem

Vistos gold, subvenções vitalícias. Estava tudo a correr tão mal à maioria. Já tinha corrido melhor antes da sucessão de indefinições do líder e das malfadadas subvenções, mas continuava quase tudo a correr tão bem ao PS. Também corria tudo pelo melhor ao candidato a CDS do PS. E prenderam Sócrates. Não se fazia. A maioria soube conter-se nas comemorações. Um inusitado “os políticos não são todos iguais” dito, logo por quem, por alguém que, a seu tempo, é um mais que provável sucessor tecnofórmico para ocupar as actuais acomodações de Sócrates na Pensão São Pedro (PSP). E pouco mais. Nas claques da rosa e da papoila é que foi o caraças. Não há direito! O homem foi preso à noite! O Dias Loureiro continua por condenar! A Felícia Cabrita escreveu uma biografia muito bonita a Passos Coelho! Isto foi tudo uma grande manobra cheia de fugas de informação! Certíssimo. Tinham que dizer umas coisas, saíram essas. Mas calma, meus senhores. Concordo que houve um grande aparato, de todo desnecessário e vergonhoso, que denota as tão habituais como inaceitáveis violações do segredo de Justiça. Também não tenho a melhor ideia sobre a idoneidade e competência profissional da tal senhora. Pelo contrário, e porque não defendo o direito à impunidade para todos, aquela ideia de ficar à espera que prendam o Manuel para poder prender o José parece-me um perfeito disparate. Mas e que tal se falássemos em corrupção, em branqueamento de capitais, em fraude fiscal e na improbabilidade de haver condenações num emaranhado legislativo tecido por aqueles que haveria que julgar e, se fosse o caso, condenar exemplarmente? É isto que interessa aos portugueses que vêm pagando todos os roubos de todos os governantes que arruinaram este país. À tal “indigência moral” da Felícia ouço-a a falar nos crimes. A vocês, classe bem pensante cá do sítio, alegadamente uns patamares acima na indigência intelectual da Nação, vejo-vos entretidos a entreter com outras abordagens. E a todos, ela e outros que tais a trabalhar para um dos lados, vocês a trabalhar para o outro, vejo-vos a tentarem salvar o regime. É o regime que dá sinais de ruptura. e é isto que não vos agrada. Estava tudo a correr tão bem, vocês até iam com uma certa frequência dizer umas coisas àquele programa do regime umas vezes dos prós, outras dos contras, mas sempre do regime da alternância que nunca negou notoriedade e sustento à elite da sua devoção. Todo o resto era povo, populistas, radicais ou o que se lembrassem de chamar-lhes para que ficassem lá fora, a ouvir-vos falar sobre dificuldades que nunca sentiram. Um dia, a casa vem mesmo abaixo. Vocês sabem-no. Inquietam-se. Inquietem-se lá.

DAQUI

Dar dinheiro aos cidadãos

Para a maioria dos cidadãos europeus (e mesmo dos alunos de macroeconomia deste mundo) é difícil relacionar as decisões tomadas pelo Conselho do BCE, tão remotas da realidade, com a vida do dia-a-dia. Que interessa se o Conselho do BCE decidiu despender 1 bilião de euros a comprar títulos de dívida estruturada (“Asset-Backed Securities”) do sector privado e a conceder empréstimos a 0,15% a 4 anos à banca europeia? Tal não afecta a “minha vida” nem tem nada a ver com ela – pensam.
Mas não é bem assim. Um bilião de euros representa €3000 por cidadão da zona euro. Esses €3000 são seus, caro leitor. A remuneração base média em Portugal era de €914 em 2012. Portanto, um trabalhador por conta de outrem teria, em média, de trabalhar 3,3 meses para ganhar tal remuneração.
Mas é o Conselho do BCE que decide o que vai fazer com esses €3000 por cidadão ou com outro dinheiro que venha a decidir criar. Entre outras coisas, já se fala em imprimir novos euros para comprar acções na bolsa. Acha bem que o BCE faça isso com o seu dinheiro?
Em post anterior, e também numa das aulas de macroeconomia, referi que em vez de realizar essas operações financeiras, o Banco Central Europeu poderia, invocando, de forma fundamentada, o artigo 20º dos Estatutos do BCE e do SEBC, simplesmente dar esse dinheiro directamente aos cidadãos da zona euro.
Penso que choquei os alunos com a proposta. Um dos alunos disse-me que seria estranho receber dinheiro sem ter de fazer nada em troca, sem ter de trabalhar! Impossível, disse…
Estamos tão moldados à forma como a sociedade está organizada que aceitamos que o Banco Central dê a nossa quota-parte desse dinheiro a terceiros, mas choca-nos que o dê a cada um de nós directamente, sem contrapartidas.
Essa proposta já esteve mais longe de se tornar realidade. Académicos, mas também gente do mundo financeiro já a discute abertamente.
Concluo, assim, que emissões de novo dinheiro público pelo Banco Central Europeu só deveriam poder ser utilizadas para dois fins:
-       ou para comprar dívida pública dos países membros da zona euro, que utilizariam esses dinheiros para fins legitimados democraticamente;
-       ou para serem dados a cada um dos cidadãos da zona euro.
Nem uma nem outra das alternativas é actualmente utilizada pelo Banco Central Europeu. O BCE pode comprar dívida pública nos mercados secundários, mas só o fez uma vez, entre Maio de 2010 e Fevereiro de 2012, no âmbito do “Securities Market Programme”[1]. Porque será?

[1] Acresce ainda que, decorrente de um acordo de cavalheiros entre o Banco Central Europeu e o Governo Irlandês, o Banco Central da Irlanda comprou 25 mil milhões de euros de dívida pública irlandesa, assumida em consequência da garantia pública sobre a dívida do sistema bancário irlandês. Com isso o BCE permitiu que o Banco Central da Irlandamonetizasse dívida pública, resultando em poupanças para o Governo da Irlanda estimadas em 20 mil milhões de euros (Karl Whelan estima que o valor presente da poupança na despesa com juros é de cerca de 7 mil milhões de euros).

“500 Frases Que Mudaram a Nossa História”, de João Ferreira


Ora aqui está um livro curioso, para estar sempre à mão de semear, para consulta.
O jornalista João Ferreira coleccionou 500 frases mais ou menos célebres que, de um modo ou outro, marcaram a História – e escrevo História com agá maísculo, uma vez que o livro cita frases proferidas desde a chamada Antiguidade Clássica até aos nossos dias.
Mas o autor não se limitou a coleccionar as ditas frases célebres; cada uma delas está devidamente contextualizada,  o que nos permite melhor perceber o impacto da frase.
Tomem lá algumas dessas frases:
«A longo prazo estaremos todos mortos» – John Maynard Keynes
«Quarenta anos é uma idade terrível… porque é a idade em que nos tornamos aquilo que somos» – Charles Péguy
«Não posso ouvir tanto Wagner. Começa a dar-me vontade de invadir a Polónia» – Woody Allen
«Houve alturas em que ponderei o suicídio, mas com a sorte que tenho seria provavelmente uma solução temporária» – Woody Allen
«Não quero conquistar a imortalidade pela minha obra, quero conquistar a imortalidade por não morrer» – Woody Allen
«O estúpido é mais perigoso que o bandido» – Carlo M. Cippola
«Se você deve 100 libras ao seu banco, você tem um problema. Mas se deve um milhão, ele é que tem» – John Maynard Keynes.
O facto de ter escolhido três frases do Woody Allen, não quer dizer que o humor predomine nestas 500 frases – é apenas uma preferência pessoal.

segunda-feira, novembro 24, 2014

O amor é uma coisa muito bonita!


Não parece ser uma boa ideia...


Um verdadeiro ninja!

Uma óptima vista!


Porque não, tendo em conta que a consciência política da maior parte dos que votam é equivalente à de um vegetal?


PSEUDOCIÊNCIA POR TODO O LADO



"Enquanto a ciência tiver credibilidade, haverá sempre quem queira vender as suas ideias, produtos e serviços, alegando que estes têm validade científica, sem que isso seja verdade. A pseudociência está por todo o lado e recorre a um conjunto de estratégias reconhecíveis, na tentativa de se validar. O uso abusivo de linguagem aparentemente científica e a evocação de figuras de autoridade (tais como especialistas e médicos), são as estratégias mais comuns da pseudociência. Mas a ciência não se baseia em nada disso, mas sim em provas, passíveis de confirmação. Há algumas ferramentas para ajudar a distinguir ciência de pseudociência, mas o único antídoto para a pseudociência é a cultura científica."

DAQUI

A importância da banca para a economia e a subserviência do poder politico e dos supervisores aos banqueiros

Neste momento está em funcionamento uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso BES/GES. E apesar de muitas perguntas feitas pelos deputados pouco ou nada contribuírem para o esclarecimento deste caso, pois são sobre matérias secundárias, mesmo assim já foram apuradas situações que revelam mais uma vez que tanto as autoridades de supervisão como o próprio governo estão reféns dos banqueiros, ou seja, que o poder politico e a regulação estão subjugados ao poder económico. Mas antes de analisar essas situações que são importantes, interessa recordar a importância que tem a banca para a economia e para o próprio país, o que é muitas vezes esquecido, assim como o peso do BES no setor bancário que é necessário ter presente para se compreender devidamente a dimensão e as consequências deste caso

Todo o texto aqui

Agarra que é ladrão


Um homem honesto de quem hoje se diz que durante os anos em que foi Primeiro-ministro amealhou uma fortuna de cerca de 20 milhões de euros convenientemente depositadas numa conta num banco suíço em nome de um amigo foi detido ontem à noite no aeroporto de Lisboa. Vinha de Paris, onde tem uma casa avaliada em 3 milhões de euros que adquiriu recorrendo a um crédito bancário. Mais uma campanha negra? É de duvidar que uma Justiça como a nossa, que não costuma ficar a dever grande coisa à coragem, se atrevesse a avançar para algo tão grave como prender pela primeira vez na nossa História um ex-Primeiro-ministro sem ter na sua posse provas irrefutáveis de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, os crimes que lhe sãoapontados. E seria estranho que esse império de virtude que dava pelo nome de Espírito Santo, com o qual os Governos Sócrates mantiveram relações de grande proximidade, caísse sem arrastar consigo um grupo razoavelmente numeroso de gente impoluta. Para já, é ficar à espera de novos desenvolvimentos. E é ir observando quer o aproveitamento que a gente séria que actualmente governa este país fará deste caso para erguer um altar à sua própria santidade, quer o espectáculo de vitimização e de comparações com outros casos que os candidatos à sucessão farão em defesa do seu amo e senhor. Sócrates chegou ao altar graças a exercício semelhante feito com Santana, Passos Coelho e Paulo Portas fizeram o mesmo com Sócrates (ver imagem junta) e ainda lá estão. Os uns são sempre melhores do que os outros e estes são sempre melhores do que os uns. Resulta. A nossa cleptocracia vem sobrevivendo ao sabor desta tradição tão portuguesa.

DAQUI

Quem será a seguir?




Não fiquei espantado com a prisão de José Sócrates.
Ainda ontem aqui escrevi que ele era o culpado da crise da dívida soberana, do subprime norte-americano, da epidemia do ébola e da queda da bolsa de Tóquio.
Até me admira como só agora foi preso!
Se fosse pelo Correio da Manhã, o homem já estava preso desde os tempos em que frequentava o Jardim de Infância…
Sócrates é acusado de vários crimes.
No que respeita à acusação de corrupção e de fuga aos impostos, não me espanta.
Aliás, foi por tentativa de fuga que Sócrates foi preso em plena manga do avião, quando se preparava para se esconder na casa de banho, afim de se pirar para Paris.
O que eu estranho é a acusação de branqueamento de capitais.
Parece-me uma acusação racista.
Branquear é crime?
E escurecer?
E, afinal, o que é branquear capitais?
Transformar Kinshasa em Londres e Monróvia em Madrid?
De qualquer modo, acho que o juiz Carlos Alexandre escusava de se incomodar esta noite a interrogar o ex-primeiro ministro porque já se percebeu que Sócrates é culpado disto tudo.
Aguardo, serenamente, a detenção dos outros…

A travessia de Sócrates


DA NEUTRALIDADE DA SUÍÇA

É raro o caso de grande corrupção que não passe pela Suíça. Já cansa de tanta "neutralidade". 


Para além do rol de organizações citadas, há décadas que se reconhece à Suíça o alojamento confidencial das contas de tudo o que é ditador e muitas vezes de local de abrigo para os déspotas deste mundo. Dá ideia que o poder formal instituiu há muito a Suíça como o local neutral que dá jeito em caso de desvario.

domingo, novembro 23, 2014

Vamos dar uma volta?


Tu bebes por aí, que eu bebo por aqui!...


Todos os sismos têm réplicas!



Entretanto na Síria!...


Como se dá de comer , hoje em dia, aos bebés!...


Por cá barafusta-se muito! Na Rússia é assim!...

Da longa série "se queres ver o vilão, então põe-lhe o pau na mão"

A deputada socialista Isabel Moreira admitiu esta sexta-feira ao PÚBLICO recorrer ao Tribunal Constitucional para repor as subvenções vitalícias. Não, nem o número que prepararam para esta manhãfoi um repente de bom senso, nem a vergonha de ontem foi um mal entendido. O centrão é isto. Não é defeito, é feitio. É realmente uma chatice que a lei eleitoral ainda não esteja à medida do exclusivo parlamentar rosa-laranja. Com os círculos uninominais que defendem PSD e PS, Bloco e  PCP seriam varridos da AR. Aquilo tinha sido aprovado ontem. Nas calmas. E ficava assim.

DAQUI

Ciência (e a escova de dentes)

Depois de anos de posts sobre ciência e religião, já é altura de esclarecer o que quero dizer com estes termos. Hoje vou começar pelo primeiro. O outro fica para uma próxima oportunidade. Definições de “ciência” como «um empreendimento sistemático que constrói e organiza conhecimento na forma de explicações testáveis»(1) ou «sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico»(2) não me satisfazem. São como dizer que uma escova de dentes é um cabo de plástico com cerdas na ponta. Mesmo sendo verdade, adianta de muito pouco. A ciência e a escova de dentes foram criadas com certos objectivos em vista e percebe-se melhor o que são se focarmos aquilo para que foram concebidas. A escova de dentes é uma escova que serve para lavar os dentes e 

A ciência é a procura por uma explicação consistente para a realidade enquanto objecto. 

Isto não traça uma fronteira precisa entre o que é ciência e o que não é ciência. Seria uma tarefa fútil. A escova de dentes é muito mais simples do que a ciência e, mesmo sendo claro que uma escova com cinco metros de diâmetro não dá para lavar os dentes, ainda assim não se consegue determinar, ao milímetro, com que tamanho a escova deixa de ser de dentes. Também na ciência há uma forma ideal, outras claramente inadequadas e uma zona intermédia de eficácia decrescente onde qualquer fronteira será arbitrária e subjectiva. Por isso, prefiro apresentar o conceito pelos objectivos e deixar os detalhes em aberto. 

A ciência é uma procura. É uma enorme investigação distribuída por milhões de pessoas que, há séculos, andam que nem baratas a vasculhar tudo. Esta ideia da ciência como trabalho de pesquisa é muito melhor do que focar características acessórias como “resultados empíricos reprodutíveis” ou “hipóteses falsificáveis”. Além de ser a razão fundamental de toda essa bijuteria, permite perceber que a ciência não se define pela crença dogmática num conjunto de hipóteses. Em ciência, quaisquer hipóteses que se considere verdadeiras, e quaisquer métodos que se considere válidos, sê-lo-ão apenas como consequência do que se vai descobrindo. Para grande frustração de alguns filósofos que andam há décadas a tentar pregar a sopa ao prato. 

Acerca das explicações, recomendo a palestra TED do David Deutsch (3) mas, se não tiverem quinze minutos, o que quero dizer por “explicação” é uma descrição que não só nos diz como as coisas são mas também especifica por que razões têm de ser assim. O relato da criação no livro do Génesis é uma descrição que não explica. Descreve quando Deus terá criado cada coisa mas deixa em aberto a possibilidade de ter sido tudo completamente diferente. Podia ter piscado os olhos e pronto. Podia ter demorado milénios. Podia ter começado pelas latas de pêssego em calda. A cosmologia, a geologia e a teoria da evolução não só descrevem o que aconteceu em mais detalhe como restringem muito mais o que poderia ter acontecido. Não podia haver água antes de haver estrelas porque não haveria oxigénio. Não podia haver baleias antes dos mamíferos terrestres dos quais descenderam. E assim por diante. 

A ciência procura uma explicação consistente porque todas as explicações que vai encontrando têm de encaixar numa estrutura conceptual sem contradições. Partes da ciência podem focar aspectos diferentes, até porque não é prático modelar o comportamento das abelhas ao nível da mecânica quântica. Mas qualquer contradição será um problema a resolver e nunca uma solução aceitável. A ideia de haver milagres é incompatível com a ciência porque exige aceitar que as coisas funcionem normalmente de certa forma mas que, quando um deus quer, as regras se suspendam para um vale tudo excepcional. Mesmo que algumas pessoas fossem realmente curadas por intervenção divina, a medicina só daria o problema como resolvido quando encontrasse uma explicação que incluísse tanto os curados quanto aqueles que o deus deixasse morrer (4). Uma explicação consistente em vez de um pote de alhos e bugalhos. 

Acerca do conceito de realidade podia dizer que é muito discutido em filosofia. Mas como isso é verdade para quase tudo, não seria informativo. De uma forma pragmática, a realidade é aquilo que pode demolir as nossas conjecturas e o que leva mesmo os anti-realistas mais ferrenhos a evitar sair pela janela do 10º andar. Como é isso que a ciência visa explicar, tudo o que se assuma como ficção fica de fora. Além disso, a ciência tem de explicar a realidade numa perspectiva neutra. Proposições como “gosto de ervilhas” têm um valor de verdade que depende do sujeito que as profere e, por isso, não encaixam numa explicação consistente para tudo. Para lidar com esta informação, a ciência tem de descartar a perspectiva subjectiva e tratar o sujeito como um objecto. “O Ludwig gosta de ervilhas” já serve. Fundamentalmente, é esta exigência que impede a ciência de modelar certos aspectos da ética, da estética ou de experiências pessoais. É uma limitação bem menor do que muitos apregoam, mas é uma limitação, determinada pelo objectivo de obter uma explicação consistente para a realidade. 

Isto, proponho, é o que interessa. O resto é consequência ou acessório. Ou, por vezes, mera tentativa de abrir buracos na ciência para se poder alegar que “não interfere” numa treta qualquer que se quer defender. Por isso, desconfiem de definições de ciência que só dêem detalhes arbitrários sem considerar para que é que a ciência serve. Afinal, um cabo de plástico com cerdas na ponta também pode ser uma piaçaba. 

1- Wikipedia, Science
2- Wikipedia, Ciência
3- TED, David Deutsch: A new way to explain explanation.
4- Isto seria inaceitável em ciência: S. Harris, Then a miracle occurs...


DAQUI

TUDO O QUE SE SABE SOBRE “A DETENÇÃO”


Sobre a detenção de José Sócrates, só podemos comentar para já aquilo que conhecemos e aquilo que conhecemos, para já, sobre a detenção de José Sócrates, é um Opel Corsa de 97, uma Volkswagen Sharan de 2008 e um Renault Mégane 4 portas de 2002, que é tudo o que vimos até agora.
Ora bem, a Sharan é uma viatura espaçosa, boa quando se quer ir logo buscar 7 de uma vez para ouvir, mas que tem vidros a mais, expondo demasiado os arguidos. O Renault Mégane é muito carro de bófia, sim senhor. Sobre o Corsa de 97, que foi aliás o primeiro carro a dar boleia ao ex-primeiro-ministro, é que há mais qualquer coisa a dizer.
Os indícios contra Sócrates até podem ser muito fortes, mas atravessar Lisboa num Corsa de 97 da bófia tem de equivaler a meio ano de pena. Não tenho nada contra os Corsas, atenção, mas ao ver como eles entram e saem das garagens, aquele que levou Sócrates deve ter os amortecedores no estaleiro. Neste contexto, não deixa de ser indelicado, para pessoas que a Justiça já suspeita que tenham problemas de postura, mandar-se um Corsa com os amortecedores na miséria.
Depois há aquela imagem levemente desprestigiante de um ex-primeiro-ministro, independentemente da sua culpa, aos saltos no banco de trás do Corsa, sem sequer conseguir falar, sobretudo quando passa por buracos.
É claro que sendo um ex-primeiro-ministro, podemos admitir sempre a hipótese de os polícias terem feito de propósito, só para dizerem, a meio da viagem, “lembra-se quando lhe pedimos viaturas novas!?”.

Bom, mas é isto que se conhece para já. Três automóveis, um dos quais devia estar para abate, e duas noites preso nos calabouços da PSP a ouvir os gajos que foram presos no Cais do Sodré a ressonar. Uma coisa é absolutamente certa: ou Sócrates vai mesmo dentro ou o juiz vai mesmo ao psiquiatra. Depois disto, cá fora os dois é que não podem ficar.

Preso por ter cão...


EX-PRIMEIRO-MINISTRO DETIDO

Pelo que consta, é a primeira vez que um ex-primeiro-ministro português é detido. Nem adianta acrescentar que as notícias falam em corrupção. Já ninguém se espanta com o estado da nossa democracia, tal a vertiginosa sucessão de ilegalidades que alastraram pelo território. É uma vergonha.

O poder político não podia ser mais mal-tratado pelos seus actores nos últimos dias: à história das pensões vitalícias para ex-deputados sucede-se a detenção de um ex-primeiro-ministro comepisódios que também datam ao tempo em que exercia as funções de chefe de Governo.

Quem olha a partir do sistema escolar, recorda-se de um primeiro-ministro que dizia que finalmente se iam avaliar professores e que debitava argumentação sobre tudo o que dizia respeito à organização da escola pública. Um exemplo, realmente.