terça-feira, janeiro 27, 2015

De que cor é que vou agora pintar o cabelo?


Lutas dos moradores, lançamento de livro

No dia 30 de Janeiro, pelas 18h30m, no Bar A Barraca, Jardim de Santos, é apresentado o livro Sem Mestres, nem Chefes, o Povo Tomou a Rua. Trata-se de um livro sobre as lutas dos moradores no pós-25 de Abril de 1974, da autoria de José Hipólito dos Santos, militante político-social de pendor libertário e bom conhecedor deste tipo de problemas. Edição da Letra Livre.


Optimismo por encomenda

A hora do “especialista”. Acontece sempre que aquela Europa que nos tem a saque produz um número para prolongar o mais possível uma crise que vai fazendo milionários com a massa da pobreza que a sua austeridade selectiva vai generalizando. A hora do optimista. Não deixa de acontecer nem mesmo quando essa crise está prestes a ficar fora de controlo e o fantasma da deflação se agiganta para tomar conta de tudo. Ontem Mario Draghi anunciou que o BCE irá lançar-se numa compra trilionária de dívida pública e privada aos bancos e é vê-los, especialistas, optimistas, europeístas, yessologistas, sem saberem muito mais do que o muito pouco que foi avançado, a fazerem coro: “isto é muito positivo para Portugal, os bancos vão ter mais dinheiro para emprestar à economia, foi um grande passo para dar cabo da crise, é desta que isto arriba”.

Sem contraditório. Por isso não tiveram que explicar coisinhas óbvias. Por exemplo, e vou saltar o tema relações parasitárias  – a manutenção da intermediação remunerada do sector financeiro na concessão de liquidez aos Estados e o risco de nacionalização de mais dívida privada constam do anúncio de ontem, como é que o investimento irá aumentar apenas porque os bancos eventualmente emprestarão mais dinheiro a um juro menor: por mais baixa que seja a taxa de juro, qual será o empresário disposto a endividar-se – e ouvi dizer que os bancos não emprestam nestas condições – para produzir bens que quase garantidamente sabe não irá vender no país onde  andaram quatro anos a encolher os salários do privado em mais de 11%, os salários do público em mais de 22%, onde o desemprego e o subemprego dispararam para números estratosféricos, onde quase meio milhão de consumidores emigraram? O mesmo relativamente ao consumo: por mais baixo que seja o juro e mais abundante que seja o crédito, sabendo como as indemnizações por despedimento estão ao preço da uva mijona e como as empresas continuam a encerrar por não haver procura, qual será o maluco – e ouvi dizer que os bancos não emprestam dinheiro a malucos - que se irá endividar para comprar casa, automóvel ou o que quer que seja?

Pois é, o dinheiro vai continuar a não chegar à economia real. Há-de servir para alimentar a especulação na bolsa e no imobiliário, mas as bolhas especulativas rebentam mais cedo ou mais tarde, o que não é nada animador. Para além do mais, do pouco que se soube, transpirou qualquer coisa sobre a compra de dívidas em países como Portugal ficar dependente de mais “reformas estruturais” daquelas que põem os salários a encolher, o desemprego a aumentar e as pessoas a emigrar, logo, daquelas que tornam o investimento e o consumo completamente independentes da taxa de juro e da abundância de crédito. Os nossos especialistas sabem disto, mas também sabem que se o dissessem nunca mais seriam convidados para vomitarem aquele optimismo especializado em opinar por encomenda. Eles lá se vão safando.


Notas sobre as eleições gregas

– Houve tempos em que a esquerda portuguesa, sobretudo a moderada, era toda Hollande. Depois Hollande começou a dar barraca e então voltaram todos aos seus lugares.
– Agora, a esquerda portuguesa, incluindo a moderada, é toda Syriza. A esquerda e não só. Até o CDS vai aparecer a colar-se a esta vitória.
– Quanto ao Bloco de Esquerda… Parecia que tinha limpo isto com uma maioria absoluta. Já não se via o Bloco de Esquerda tão feliz desde as 19:59 do primeiro domingo eleitoral em que foi a votos.
– Entretanto, parece que o Syriza se coligou com a direita nacionalista. Com quem? A direita nacionalista não são aqueles coisos de… Ok, não é uma coligação com a extrema-direita que vai estragar uma vitória histórica da extrema-esquerda.
– A esquerda radical portuguesa, que é incapaz de se coligar até com ela própria, já indo no quinto novo partido só esta semana, já veio explicar que esta coligação tem toda a razão de ser.
– Passam algumas horas desde a tomada de posse. A coligação ainda se mantém?
– Aqui ao lado, em Espanha, o Podemos vai coligar-se com que nacionalistas?
– Enfim, parece mesmo que a Grécia quer animar a Europa. Aliás, as próprias eleições já parecem um filme de aventuras. Vejamos: Ganhou o Syriza, do herói Tsipras. Atrás ficou a Nova Democracia – parabéns também ao Manuel Monteiro – e depois vem a Aurora Dourada, o To Potami, o Kke, o Anel e o Pasok. Só faltava o Harry Potter e o Cálice de Fogo.
– Mais uma nota apenas para Tsipras, o novo primeiro-ministro grego que, como grande homem de esquerda que é, fez tudo ao contrário. Não usa gravata, mudou logo a tomada de posse toda, se calhar nem vai governar a Grécia. Isso é que era mesmo romper costumes. Metia-se a governar a Macedónia, por exemplo, para ser mesmo diferente. Governar a Grécia foi, afinal de contas, o que fizeram todos os indivíduos que foram eleitos na Grécia.


DAQUI

LÍNGUAS!






O justo e o pecador


TAL SÓCRATES, TAL PASSOS

Foi em Paris que Sócrates afirmou que o pagamento das dívidas era uma história para ser contada às crianças. Passos Coelho afirmou hoje que as pospostas do Syriza são "contos para crianças". Embora em ângulos opostos, os dois últimos primeiro-ministros testemunham o azar português.

E já que se fala em contos, Paul Krugman considera mais realistas as propostas gregas do que o que tem ocorrido na Europa da troika.

A ESTRELA DO DIA (atrasada)


segunda-feira, janeiro 26, 2015

Freira vai a hospital com dores e descobre que está grávida! Só pode ser mesmo milagre!

O jornal italiano Il Messagero revelou que uma freira do convento de San Severino Marche, em Itália, foi ao hospital com dores de barriga, mas acabou por descobrir que estava grávida de um menino.

Uma freira do convento de San Severino Marche, em Itália, dirigiu-se a um hospital com fortes dores abdominais. Com suspeitas de um grave problema nos intestinos, a mulher acabou por descobrir que estava grávida.
Sem complicações, deu à luz, de parto natural. A freira ainda não foi identificada, sabe-se apenas é oriunda do Burundi, em Itália.
Quando chegou ao hospital, acompanhada por algumas irmãs, a freira disse aos médicos que jamais suspeitou que estivesse grávida.
O jornal italiano Il Messagero conta que a freira fez os votos de castidade há vários anos, e quando ingressou naquele convento italiano em junho, já estaria grávida.
O bebé é um menino saudável, mas que se encontra ainda no hospital por precaução. Já a freira regressou ao convento.

Os novos terroristas!...


Miúdo dá uma lição a pai metediço!...



"O meu pai lia sempre o meu correio, então decidi dar-lhe uma lição!"

Tsipras é o primeiro líder do Governo grego a prescindir do juramento religioso.

Tsipras é o primeiro líder do Governo grego a prescindir do juramento religioso.

Esta é, para já, a primeira medida inovadora e de ruptura com o passado

Alexis Tsipras tomou hoje posse como primeiro-ministro da Grécia após a vitória nas eleições legislativas de domingo do seu partido, o Syriza, e após ter chegado a acordo com os nacionalistas Gregos Independentes esta manhã.
Syriza conquistou 149 lugares no parlamento, menos dois do que o necessário para ter a maioria absoluta. Os gregos independentes obtiveram 4,75% dos votos, conquistando 13 deputados.
À saída do encontro com Alexis Tsipras, Panos Kammenos, líder dos nacionalistas do ANEL, anunciou: "A partir deste momento há governo neste país".
O novo primeiro-ministro prestou juramento perante o chefe de Estado grego, Karolos Papoulias. Tsipras é o primeiro líder do Governo grego a prescindir do juramento religioso junto do arcebispo de Atenas, líder da Igreja grega, feito tradicionalmente antes de o vencedor se apresentar ao Presidente.
Syriza conquistou 36,34% dos votos nas eleições de domingo, ganhando 149 lugares no parlamento, menos dois do que o necessário para ter a maioria absoluta. Os gregos independentes obtiveram 4,75% dos votos, conquistando 13 deputados.

Não quero ver, não quero saber!...



Novos donos

A afirmação de Passos Coelho de que “os donos do país” estão a desaparecer, significando ele com isso os grandes grupos nacionais apoiados pelo Estado, tem de se entender como uma confissão. Passos Coelho assume, com efeito, o seu papel de agente do capital internacional para o efeito de “libertar” o capital português das suas âncoras nacionais e o levar a fundir-se por inteiro nos grandes grupos espanhóis, europeus ou mundiais. Retirar-lhe o apoio estatal é uma peça dessa manobra, como manda a UE.
É a isso que o primeiro-ministro chama “uma economia mais aberta”. E foi por desempenhar plenamente esse papel, escudado nos interesses maiores do capital europeu, que Passos Coelho, por exemplo, rejeitou os apelos de financiamento estatal por parte do grupo GES-BES — não por bravura política própria ou por pena dos contribuintes.
O sentido “anti-nacional” que tem a política do seu governo, está nisto. De resto ele não o escondeu quando, batendo-se por ser o bom mordomo da troika, deu urgência às privatizações e viu na falência de empresas um sinal de “renovação” do “tecido económico”. Mas, contra uma certa onda moralista, perpassando toda a esquerda, que vê nisso uma arbitrariedade de um governo “vende-pátrias”, é preciso acrescentar que este processo se dá pela própria dinâmica em que está envolvido, por vontade própria, o capital português.
Na verdade, a evolução a que assistimos resulta de pelo menos dois factores. Um, é a fraqueza dos capitalistas portugueses em geral face às investidas do capital estrangeiro, nomeadamente imperialista, facto que leva à liquidação pura e simples de muitos deles. Outro, é o próprio interesse de boa parte do grande capital português (da finança ou de qualquer outro sector), mas também de muito do capital médio, que, para sobreviverem, se associam ou se integram nos grupos mais poderosos, deles se tornando uma espécie de accionistas menores.

Todos nós temos um talento escondido!...

Os mercados devem estar loucos

É incrível como as teorias auto-explicadas têm tanto sucesso. Por que razão o Deus que é tão imensamente bom me castiga assim com esta doença incurável ou esta deficiência irreversível? A auto-explicação despacha a questão com um “Deus escreve direito por linhas tortas, são os insondáveis desígnios do Senhor.” Por que é que a astrologia diz que as pessoas do meu signo têm esta e aquela característica que eu não tenho e previram que o nosso futuro desta semana caminharia em tal direcção e o meu seguiu precisamente na direcção oposta? A auto-explicação será qualquer coisa do género: “é que tu deves ter um ascendente em tal signo que  baralhou completamente as influências do principal”. Por que razão as bolsas não afundaram a pique esta manhã em toda a Europa? A auto-explicação que ouvi da boca de “especialistas” muito decepcionados por não poderem anunciar aquela catástrofe que andaram semanas a vender foi a de que  os investidores já tinham descontado o risco acrescido causado pela vitória do Syriza. Mas a bolsa grega caía 4%. Ah, pois, coiso e tal, era o risco que faltava descontar, os “investidores” resolveram fazê-lo hoje. Mas recuperou logo a seguir. "O mercado corrigiu". Bate sempre tudo certinho. Tal como Deus e os astros, os mercados nunca se enganam. E o jornalismo de mercado ainda menos.

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Treta da semana: água fluidificada

A Associação Espírita de Évora oferece um serviço gratuito de fluidoterapia. «Esta transferência de fluidos é feita através de um trabalhador da Casa Espírita, preparado e seleccionado para o efeito, que serve de mediador entre o mundo espiritual e o mundo material; os espíritos canalizam seus fluídos através do passista, combinando ambos e dando ao fluído humano as qualidades que lhe faltam e que são adequadas àquele receptor.»(1) Se bem que pareça pouco higiénico à primeira vista, não há nada a temer porque são fluidos espirituais. Não molham, não colam e não deixam mancha quando secam. Também é importante salientar que «No Centro Espírita não se deve tocar no receptor.» Não há poucas vergonhas. 

Mais interessante ainda do que a passagem dos fluidos espirituais para um receptor é a sua transferência para a água. «A água é um dos corpos mais simples e receptivos da Terra. É como que a base pura, em que a medicação Espiritual pode ser impressa.»(2) Pela acção dos espíritos, obtém-se a água fluidificada: «A água fluidificada é a água normal, acrescida de fluidos curadores. Em termos de Espiritismo, entende-se por água fluidificada aquela em que fluidos medicamentosos são adicionados à água. É a água magnetizada por fluidos.» Esta água magnetizada por fluidos medicamentosos curadores espirituais tem como efeitos, entre outros, «aceleração dos processos de fagocitose, incremento na produção de linfócitos (células de defesa); […] efeito rejuvenescedor no organismo […] captura e precipitação do cálcio em excesso no meio celular»

Como as doenças transmitidas pela água matam quase trêm milhões e meio de pessoas por ano (3), a possibilidade de fluidificar a água com esta magnetização espiritual medicamentosa tem um potencial imenso para a saúde mundial. Mesmo que os espíritos não consigam inactivar os agentes patogénicos, fluidificar a água consumida pelas pessoas que não têm acesso a água potável ajudaria imenso por fortalecer as suas defesas, rejuvenescer os seus organismos e até capturar o cálcio em excesso, se fosse caso disso. 

Infelizmente, as terapias espirituais e alternativas só servem para quem usufrua de boa infraestrutura sanitária, acesso a vacinas e antibióticos e a um sistema de saúde que resolva os problemas sérios. Para essas pessoas, a água fluidificada pode ser um bom complemento para a «Reposição da energia espiritual, renovando a estrutura perispiritual». Seja lá o que isso for. Para quem precisa de ajuda a sério não há milagres. 

1- Associação Espírita de Évora, Fluidoterapia Espírita
2- Centro Espírita Adolfo Bezerra de Menezes, O Que é Água Fluidificada?
3- Voice of America, WHO: Waterborne Disease is World's Leading Killer


DAQUI

O que Merkel precisa é de levar com o Syriza


O arco da governação


domingo, janeiro 25, 2015

Vá lá...a voz de um anjo!

As 3 Kates...


Publicidade ao leite...desconcertante!

Não, há não armários onde nos possamos esconder

Não há casa ou divisão onde passamos ter a certeza de estarmos sós ou apenas com quem escolhemos estar. Mesmo que estejamos na nossa casa e que a vida que levamos seja banal, não podemos ter a certeza de não termos sido já ouvidos ou vistos de fora, de o estarmos a ser neste momento ou de o virmos a ser algum dia.

Há muito que sabemos isso (aqui aqui, por exemplo), mas o que, agora, deve sobrecarregar a nossa preocupação é o facto de, criado um clima de insegurança, tender-se a aceitar toda e qualquer invasão da privacidade, dispensando-se a ordem judicial. Sendo os equipamentos, capazes de fazer essa observação, acessíveis e portáteis, a decisão de os usar pode depender apenas da polícia. Quando um tal poder fica nas mãos de uma só entidade são os pilsres da democracia que desabam.


DAQUI

Yellen a Mário Draghi


Ver as origens políticas dos atentados de Paris

“Loucos”, “fanáticos”, etc. são os nomes mais comuns dados aos autores dos atentados de Paris pelos governos europeus, seguidos por grande parte da opinião pública. A “irracionalidade” seria portanto a marca da acção destes “extremistas” que não teriam outro objectivo senão destruir a “civilização ocidental”, pelo ódio que os mobilizaria contra a liberdade e a democracia.
Na verdade, este é o caminho mais curto para evitar a pergunta crucial: quais são as motivações políticas dos atentados?
É esta a questão a que os poderes da Europa querem fugir, porque admitir que haja motivações políticas na origem dos atentados será abrir a porta para julgar o comportamento da União Europeia (bem como dos EUA) em relação ao mundo árabe e muçulmano.
De resto, o alibi do “fanatismo” ficou a descoberto quando as polícias de praticamente todos os países da UE, na sequência dos atentados, lançaram o alerta contra o perigo dos “jihadistas” e desencadearam — para já, em França, na Bélgica e na Alemanha — uma verdadeira caça ao árabe e ao muçulmano (causando a morte de “suspeitos”, sem outras provas que não sejam as fornecidas pela polícia) com base no argumento de que essas comunidades seriam albergue de redes de militantes “islamistas”. Afinal, as razões políticas, sejam elas quais forem, existem…
Não esquecer o pano de fundo
Efectivamente, não pode haver dúvidas de que o pano de fundo das diferentes formas de luta desencadeadas pelos povos árabes e muçulmanos é a guerra que lhes é movida por europeus e norte-americanos, em regiões tão vastas como o Médio e Próximo Oriente, ou a África do Norte e Central. Essa guerra desenrola-se no solo dos seus próprios países com efeitos devastadores nas populações. E, não menos importante, atrás dos acontecimentos dos últimos anos há um longo rasto de décadas e mesmo de séculos de exploração e de dominação pelo colonialismo e pelo imperialismo.
É bom não esquecer que vários desses países, como o Afeganistão e o Iraque, foram invadidos e estão ocupados há mais de uma década. A Palestina não tem sequer direito à existência como Estado e foi sendo retalhada, desde há quase 70 anos, por esse intermediário do imperialismo que é Israel. A Líbia e a Síria foram transformadas desde 2011 num caos, em resultado de ataques militares e do financiamento de uma guerra civil sem quartel, ambas as acções promovidas pelos EUA e a UE. O Sudão, a Somália, a Nigéria, o Mali, a República Centro Africana são alvos e teatros de operações militares dos EUA, do Reino Unido e da França. O Egipto é hoje, de novo, uma ditadura militar tenebrosa por obra e graça dos EUA com cumplicidade europeia. Para não falar dos apoios dados por europeus e norte-americanos às ditaduras da Arábia Saudita e demais estados da Península Arábica.
Pensar, pois, que os atentados cometidos nos EUA e na Europa nascem do nada é esquecer tudo isto. Na verdade, o mundo árabe e muçulmano conduz uma guerra de resistência à guerra iniciada pelo imperialismo — e está mesmo, no plano mundial, na frente desse combate. É, de resto, este facto, não admitido publicamente deste modo, que preocupa acima de tudo os governos imperialistas.


Da longa série "onde é que eu - já vi / ainda não - vi isto?"

«(...) Depois de ser despedida, sem meios para viver, Sophia voltou a ir viver para a casa dos pais, ambos com 85 anos e “felizmente, bem de saúde”. “Temos sorte porque eles têm a sua própria casa. Se não, não sei como seria.” Há muitas mulheres aqui com filhos e com netos, muitas famílias presas por uma fina corda do rendimento de um familiar; um ordenado de um filho, a reforma de um pai. (...) “O nosso caso é mesmo muito injusto”, diz Sophia. O ministério despediu-as para cumprir a quota de despedimentos no sector público e contratou, em vez delas, uma empresa privada. “Quem ganha com isto é a empresa privada, que cobra mais do que o ministério gastaria connosco e emprega imigrantes muito mais baratas, a um euro à hora ou algo do género.”» (artigo completo aqui)


«(...) Eleni Papaglorgiou, 23 anos, até tem sorte, diz com um encolher de ombros. Trabalha num esquema público, financiado pela União Europeia, para minorar o problema do desemprego jovem, um programa chamado "Vouchers". Vai ganhar 400 euros por mês, mas apenas receberá a quantia no final dos seis meses que dura o programa. Eleni explica como funciona: o candidato inscreve-se num centro que faz a ligação entre quem procura trabalho e quem procura empregados. O centro envia alguns candidatos para os potenciais empregadores para entrevistas e estes escolhem o que acham mais adequado. O beneficiário recebe uma formação no centro antes de ir trabalhar para o empregador correspondente.

Só nesta frase há três problemas. Um, o beneficiário. “Somos beneficiários, não trabalhadores”, explica. Não há direitos como têm os trabalhadores em geral, como baixa por doença, nem é pago seguro de saúde (na Grécia, normalmente é o empregador que paga o seguro de saúde do empregado). Dois, a formação. “É inútil”, sublinha. “No meu caso, sou professora, foi para isso que estudei, e fui colocada numa escola. Não preciso de estar a ouvir formação de coisas que não têm nada a ver, como gestão de crises.” Terceiro, onde se trabalha: “No meu caso, encontrei trabalho na minha área. Mas conheço professores que estão a trabalhar em farmácias ou como empregados de café.”

Eleni faz parte de um grupo chamado “V for Voucherades”. Querem chamar a atenção para alguns problemas deste programa. “O centro ganha mais pela formação que me dá, e da qual eu não preciso, do que o que eu ganho com o trabalho que faço”, diz Eleni. Se é preferível estar a trabalhar com o sistema de vouchers do que não trabalhar, os activistas da V for Voucherades dizem que cada vez mais os empregadores preferem beneficiários dos vouchers do que empregados, o que, a longo prazo, ainda vai piorar mais as perspectivas de emprego dos jovens.  

(...) O optimismo individual não se traduz em optimismo quanto à situação do país. Querem que ganhe o Syriza, mas, mesmo que o partido seja capaz de formar governo, mostram algum cepticismo. Por outro lado, é “o mal menor”. Os dois falam sobre isso num pequeno grupo no café. Stathis tem uma máxima. “As coisas não podem ficar piores.” Faz uma pausa, olha para os amigos. “Bom, já disse isto em 2009, em 2012… E ficaram sempre pior.” Toda a gente se ri. “Mas desta vez não me engano”, garante. Fica tudo calado. “Bom, espero mesmo não me enganar…” - Artigo completo aqui.
«(...) “Eu não sabia que a Grécia estava assim”, disse-me Omid. “Eu pensava: Grécia é Europa. Vai ser bom. Aqui não há vida para nós. Não é só pelo desemprego. As pessoas não gostam de nós…” A ascensão da extrema-direita era só o lado mais visível do medo pelo “outro”, pelo que vem de fora. Naqueles quatro andares, em 20 quartos, moravam mais de 70 pessoas, 30 das quais crianças, a maior parte afegãs, algumas palestinianas, curdas, sírias, somalis. Os inúmeros sapatos, de diferentes tamanhos, arrumados dois a dois, em frente a cada porta, sinalizavam muito aperto. (...)» (artigo completo aqui)

«(...) Aqui passam pessoas que não têm seguro de saúde ou segurança social - na Grécia há um sistema misto entre o serviço de saúde público e seguros privados (normalmente pagos pelo empregador), quem está desempregado deixa de ter serviço nacional de saúde após três meses (com um taxa de desemprego de 25% e de desemprego jovem de 50%, isso é um problema). Vêm para consultas ou para buscar medicamentos. Às vezes é possível que a policlínica ajude – há até um consultório de dentista. Há médicos especialistas que recebem algumas pessoas por indicação da policlínica nos seus consultórios. Mas demasiadas vezes não é possível fazer o que precisam. Cirurgias, não é possível. Exames de laboratório, também não. (...)» (artigo completo aqui)


Dois cromos!


Até que enfim ... já temos alternativa para o ramal da Lousã !


Enviado pela leitora F.S.

TOTALMENTE INTERNACIONAL o carácter do povo Português!

- Se  tem um problema intrincado..........................................-
Vê-se grego;

- Se  não compreende alguma coisa.....................................-
"aquilo" é chinês;

- Se  trabalha de manhã à noite.......................................-
trabalha como um mouro;

- Se vê  uma invenção moderna.........................................-
É  uma americanice;


- Se  alguém fala muito depressa......................................-
fala como um espanhol;

- Se  alguém vive com luxo..........................................-
vive à grande e à francesa;

- Se  alguém quer causar boa impressão.................................-
é  só para inglês ver;

- Se  alguém tenta regatear um preço.................................-
é pior que um cigano;

- Se  alguém é agarrado ao dinheiro ..................................-

é  pior que um judeu;

- Se vê  alguém a divertir-se..................................-
está a gozar que nem um preto;

- Se vê  alguém com um fato claro vestido........................-
parece um brasileiro;

- Se vê  uma loura alta e boa...........................................-
parece uma autêntica sueca;

- Se  quer um café curtinho....................................................-
pede uma italiana;

- Se vê  horários serem cumpridos......................-
trata-se de pontualidade britânica;

- Se vê  um militar bem fardado..................................-

parece um soldado alemão;

- Se  uma máquina funciona bem...............................-
é  como um relógio suíço;

Mas  quando alguma coisa corre mal.............................-
é "à PORTUGUESA"


Enviado pela leitora B.V.

DA BATOTA NO ACESSO AO SUPERIOR

A batota no acesso ao superior já leva umas duas décadas a promover um rol de injustiças e de salve-se quem puder. Conhecem-se os principais instrumentos causadores da vergonha institucionalizada. Fica a ideia que a falta de coragem do poder político ficou sempre ligada à capacidade dos aparelhos partidárias para tratarem dos seus e das suas clientelas. A última década do sistema escolar ficou marcada por um conjunto de políticas que acentuaram o descrito. Não há nada a fazer? Há e, bem pelo contrário, até está tudo por fazer outra vez.

DAQUI

sábado, janeiro 24, 2015

Os convictos


Imitações


"Moving In" - Um filme de mistério e suspense até ao fim!

Olá, bom dia a todos!


O pão nosso de cada dia

Um jovem de 17 amos que sofre de cancro há uma década perdeu recentemente a isenção total de pagamento de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde (SNS) porque os 41 euros em juros do dinheiro angariado em campanhas de solidariedade para tratamentos no estrangeiro entraram no cálculo de rendimentos do seu agregado familiar e fizeram-no ultrapassar os 628,28 euros mensais, valor a partir do qual os cidadãos deixam de estar abrangidos pela isenção por insuficiência económica. Para voltar a ter direito a isenção em todos os serviços de saúde públicos, desta feita motivada pela incapacidade decorrente da doença de que padece, exigem-lhe agora que se apresente a uma junta médica e pague 50 euros pelo atestado de incapacidade respectivo, queixa-se a mãe, Glória Calisto, que foi para os jornais denunciar a história por se sentir “revoltada” com a situação. Mas "a situação" é mesmo esta. Os cidadãos aceitaram a fixação da linha dos 628,28 euros que faz a triagem entre necessitados isentos e desafogados não isentos e, cada um por si, tentam usar a criatividade para contornar a desconfiança gerada pela degradação do SNS resolvendo o seu caso particular e borrifando-se para os outros. Uma "campanha de solidariedade"conseguiria facilmente angariar os 50 euros requeridos e esta mãe deixaria de ter motivos de queixa porque o motivo da sua "revolta" não é o que todos pagam e sim o seu caso particular, mas até nem é preciso, basta  informar-se melhor. Inicialmente o Governo tentou cobrar os 50 euros que refere, mas rapidamente os revogou, tantos foram os protestos gerados pela intenção inicial. E este caso não existiria se, um por todos e todos por um, os portugueses tivessem feito o mesmo relativamente à linha dos 628,28 euros de rendimento mensal que separa os que pagam dos que estão isentos de taxas moderadoras. É o individualismo, ainda por cima um individualismo alienado e mal informado sobre os seus direitos e os seus deveres,  é a enorme falta de valores colectivos  que nos vai desagregando enquanto comunidade. Cada um por si, tornamo-nos vulneráveis e ficamos à mercê de toda a espécie de arbitrariedades que nos vão sendo sorteadas por aqueles que usam o poder para brincarem com as nossas vidas. O pão nosso de cada dia.

DAQUI

Os accionistas do sector privado do Novo Banco?

As roupas novas do imperador é um pequeno conto para crianças do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen em que dois tecelões prometem ao imperador um novo conjunto de roupas que é invisível mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-las. Quando o imperador desfila perante os seus súbditos nas suas roupas novas, uma criança grita: “O imperador vai nu!””, Fonte do resumo do conto: Wikipedia
A Ministra das Finanças e o Primeiro-Ministro asseguraram aos portugueses nos últimos dias que o Novo Banco é privado e que cabe aos accionistas do Novo Banco decidir como votar na Assembleia Geral da PT SGPS. o Novo Banco é um dos maiores accionistas da PT SGPS. Ora o único accionista do Novo Banco é o Fundo de Resolução.
O Fundo de Resolução é formalmente constituído só por três pessoas que integram o seu conselho directivo, sem auferirem qualquer remuneração. Um desses membros foi nomeado pelo Ministro das Finanças, o segundo pelo Governador do Banco de Portugal e o terceiro por ambos. É a essas pessoas, sem escrutínio democrático nenhum, que cabe uma decisão sobre o futuro da PT, com elevada relevância económica para o país.[1]
Que poder se dá a esses técnicos! E temos de acreditar nas palavras da Senhora Ministra que o Governo não fala com esses técnicos nem lhes dá instruções?
Já argumentei em posts anteriores que um bom processo de tomada de decisão pública obriga a que decisões com maior valor económico sejam mais escrutinadas. Ora, no caso do Fundo de Resolução, as decisões em apreço (votação na Assembleia Geral da PT SGPS e a privatização do Novo Banco) parecem estar sujeitas a um escrutínio público inferior àquele que se observa num processo de despesa pública de uns “meros” 76.000€ (i.e., num concurso público).
Afigura-se, que com tais afirmações, a Ministra das Finanças e o Primeiro-Ministro estão a comportar-se como o imperador do conto de Hans Christian Andersen e a deixar que as suas crenças e convicções se sobreponham ao seu dever de defesa do interesse público. Precisamos, portanto, de muitas crianças inocentes que gritem que “o imperador vai nu”, revelando a verdade aos portugueses.
[1] Tenha-se presente que esses membros do conselho directivo têm a responsabilidade de tomar outras decisões muito importantes sobre a privatização do Novo Banco e sobre a gestão do Novo Banco. Estão em causa 3,9 mil milhões de euros dos empréstimos públicos ao Fundo de Resolução, 3,5 mil milhões de euros de garantias públicas ao Novo Banco, bem como o próprio futuro do Novo Banco, com 75 mil milhões de euros de obrigações financeiras (passivos) sobretudo a residentes do país.

PRIVARAM


PASSOS COELHO REIVINDICA O NOVO BCE?

Realmente, a realpolitik não tem limites. Ouvir Passos a reivindicar o "novo" BCE por causa do aluno-sem-ondas é uma espécie de cúmulo do descaramento.

Para além de tudo, e olhando para o presente, a queda do défice em 1760 milhões foi feita à custa decoisas-que-tinham-que-ser-desde-que-fossem-nos-familiares-dos-outros como a seguinte: "mais de 57% dos desempregados não têm acesso ao subsídio de desemprego".

Finalmente boas noticias para o ano de 2015…!!!


O conta-gotas de Draghi. Gotas de soro curam o glaucoma?

Draghi avançou, finalmente, com o seu plano de financiamento dos bancos, na procura de um sopro de crescimento na UE, após mais de seis meses de concertação no seio das altas esferas comunitárias, tendo o FMI como observador atento e empenhado. Propõe-se comprar títulos de dívida pública e privada imobilizados nos ativos dos bancos, ao ritmo de € 60000 M por mês, a partir de março próximo e até setembro de 2016 (e que pode ser prolongado), recebendo os  bancos, em troca, dinheiro fresco. Em economês, trata-se de um quantitive easing.

  • Merkel e Christine Lagarde já vieram dizer que estão de acordo, como se estas decisões não tivessem uma concertação prévia que envolveu as duas figuras. Porém, não deixaram de insistir na concretização das sempre inacabadas reformas estruturais, cuja tradução prática significa privatizações, redução de gastos públicos, baixos custos laborais, austeridade, etc;

  • Note-se que em setembro último, a taxa de juro de referência caiu para uns ridículos 0.05% a cobrar aos bancos a necessitar de refinanciamento; e que nem assim animou a atividade económica;

  • Perante a deflação que se vive numa Europa em que ninguém investe pois todos veem poucas oportunidades de negócio  - devido à entropia social resultante do desemprego e da redução dos rendimentos das populações - não parece que a existência de mais dinheiro disponível nos bancos constitua uma vantagem para quem não tem intenções de investir. Podem os bancos estar interessados em mais liquidez se, com isso, beneficiarem de privatizações incluídas em “reformas estruturais” ou destinarem esses fundos na especulação bolsista, com impactos na valorização das suas ações mas que em nada melhoram a vida das pessoas;

  • No caso português, a compra de divida fica limitada a 1.7434%, que é a parcela do Banco de Portugal no BCE e que não ultrapassará € 25000 M, o que é aproximadamente 1/5 da dívida pública total, excluídas as parcelas das instituições da troika e os certificados de aforro. É o Banco de Portugal que assumirá os riscos de 80% do valor dos títulos adquiridos, cabendo a responsabilidade pelos riscos do restante ao conjunto dos países da zona euro;

  • A compra pelo BCE de títulos de dívida pública já detidos pelos bancos não altera as taxas de juro inerentes a pagar pelo devedor, não altera o volume em dívida ,nem dos encargos que lhes estão relacionados. Isso, a não ser que em época posterior e em função de uma evolução mais realista do endividamento dos países europeus do Sul, o BCE os troque, por outros títulos menos gravosos ou que pura e simplesmente os anule. Reconhecer-se-ia assim, por exemplo, que as dívidas públicas portuguesa e grega são impagáveis nos seus atuais níveis e que é ilegítimo apenas alguns países arcarem com os custos da sustentação do euro na configuração atual, tecida no Pacto de Estabilidade e Convergência e no Tratado Orçamental;

  • Porém, a abertura à compra, ainda que limitada de títulos de dívida pública portuguesa pelo BCE reduz a sensação de risco sobre a globalidade e portanto as taxas de juro para novos empréstimos sabendo os futuros detentores que os poderão endossar ao BCE em troca de liquidez. Tudo porém, dependerá da notação dos “fatwa” das empresas de rating que, atualmente afastam a Grécia e Chipre desta habilidade do BCE, poupando por pouco os títulos portugueses da designação de lixo. Ao que se sabe, os verdadeiros destinatários do empenho de Draghi serão a França e a Itália, too big to fail;

  • As distorções constantes na arquitetura do funcionamento da UE e da zona euro em particular evidenciam-se no ridículo do BCE, que tem como único objetivo estatutário o controlo da inflação -como reflexo da má memória alemã com a inflação dos anos 20 - se lance agora numa cruzada contra a deflação tendo como objetivo uma …inflação inferior a 2%;

  • Em Portugal as empresas têm tradicionalmente um grau de endividamento dos maiores da Europa ainda que minorado pela fuga fiscal e contributiva; neste último caso, a dívida cresceu € 2815/minuto em 2013. Confrontam-se também com um passado recente de recessão e um futuro já anunciado de austeridade para as próximas décadas; e daí que não haja candidatos ao investimento produtivo nem que abundem empresas suficientemente robustas para os bancos concederem crédito;

  • Nos últimos dias Portugal colocou, a 5 anos, € 5000 M de dívida em boas condições, beneficiando da conjuntura de baixas taxas de juro, como também da perspetiva das declarações de Draghi. Por outro lado, ontem, dia 21, Maria Luís, baseada na possibilidade de obtenção de novos empréstimos com baixas taxas pretende antecipar um pagamento ao FMI não se sabendo, no entanto, se os outros credores prescindem do direito de rateio e de beneficiar igualmente desse reembolso.

  • Nada disto vai aligeirar a carga da existência de um capitalismo subalterno e atrasado, de empresários tão cúpidos como incompetentes e de uma classe política que tresanda a conformismo e corrupção.