terça-feira, fevereiro 24, 2015

CARTOONS





Valha-te o DIAP


É possível o novo governo grego impedir o caos social?

A novidade na Europa, a chegada de uma coligação de esquerda ao poder na Grécia, parece com que assistimos no Brasil há doze anos. A diferença é que na Grécia, além da reação do chamado mercado, tem-se um discurso intransigente dos governos europeus querendo enquadra a pequena rebelde. Aqui no Brasil, buscou-se uma acomodação rápida com o capital, convidando para o comando da política econômica um executivo de grandes bancos, confiável ao meio empresarial nacional e internacional para acalmar os ânimos.

O discurso de campanha que aparentava novo, em nome da “governabilidade e do desenvolvimento” revelou-se tão velho quanto aos demais no apoio sem limites à valorização do capital, com políticas danosas ao ambiente que agora se revela com toda força na seca resultante das mudanças climática pela destruição da Mata Atlântica, Floresta Amazônica e dos mananciais no entorno das grandes cidades. Não se podia esperar nada diferente de uma formação estatal que nos primórdios do capitalismo teve papel decisivo na acumulação e depois como guardiã das garantias jurídicas e da segurança necessária à valorização do capital, cuja lógica não muda em função das trocas de governo.

A Grécia, com sua dívida astronômica com os bancos da Europa, superior a 175% do PIB, vai resistir às bravatas de seus parceiros ou capitular? Por trás dessa pressão estão os bancos centrais e os bancos privados europeus que precisam manter a ilusão de que receberão com juros o dinheiro enterrado para sempre nesse País. Mas, há também o medo que um governo bem sucedido na defesa dos interesses locais, ao resistir à violência do capital internacional, faça surgir movimentos semelhantes em outros países da Europa. E os sinais de que isso possa acontecer começam a surgir: recentemente assistiu-se uma grande manifestação em Madri organizada pelo movimento “Democracia Real Já” (Podemos), também uma frente de esquerda de tendência díspar.

Ainda é muito cedo para dizer o que vai acontecer.  No entanto, é necessário ter claro que a Grécia, um País em crise, encontra-se num Continente aonde a crise piora a cada medida tomada pelos seus governantes para resolvê-la, e que faz parte de um mundo capitalista em crise terminal. O novo governo grego, apesar do ímpeto e desejo de resolver os problemas, o que pode fazer é mostrar, a partir de uma análise crítica, que a crise não se resolve dentro dos limites da sociedade capitalista, tornando urgente a discussões de alternativas, mesmo que não se tenha claro ainda qual o rumo a ser seguido. Para isso, porém, faz-se necessário uma ampla consciência crítica.

Nas condições dadas, a questão social pode no máximo ser mitiga, mas não resolvida, se o capital internacional for forçado aceitar redução da dívida e negociar em condições vantajosas para Grécia o que sobrar. O que não é certeza. O mais provável é que seus representantes usem métodos truculentos, chantageando e ameaçando derreter as finanças do País, para garantir seus interesses mesmo que lhes custe caro. 

No afã de resolver os problemas, há o risco dos novos governantes gregos caírem no pragmatismo da Realpolitik, tão comum nessa fase de declínio do capitalismo entre as esquerdas, e que, quando no poder, restringe-se a administrar a crise. Evidencia-se nos países mais duramente atingidos pela crise, tendência à exacerbação do discurso sexista, racista e antissemita, com conotações nacionalistas, pois bem sabem seus mensageiros que encontra ressonância principalmente no desespero das classes médias empobrecidas e nos sujeitos excluídos do mercado. É curioso saber como uma frente de esquerda que surgiu a partir de um movimento social de resistência, vai lidar com esse discurso interna e externamente.

O grande problema numa sociedade fetichista é que as mudanças pode não acontecer obedecendo à vontade dos que detém o poder e na velocidade requerida. Pode, inclusive, tomar direções surpreendentemente diferentes do desejado, como se tem frequentemente observado. Mesmo sobrando apoio e firmeza nos enfrentamentos, isso não é suficiente para mudar os rumos das coisas: o mais comumente assistido o aguçamento da crise e a degradação das condições humana, mesmo em países que fazem a gestão da crise em condições vantajosas quanto à disponibilidade de recursos.

Nesse início deste século, os movimentos que despontaram na periferia do capitalismo, ou se afundaram direto na barbárie, e os exemplos vão do Egito, Líbano, Síria, os países da chamada “Primavera Árabe”, até Venezuela aonde as taxas de homicídios explodiram nos últimos anos; ou, como no Brasil, onde se buscou a conciliação com neoliberalismo garantindo os privilégios dos mais ricos em troca de distribui migalhas aos mais pobres, e permitindo a “captura” do Estado por grupos políticos em aliança com  grandes empresas públicas e privadas.

Em muitos países o Estado em desagregação transformou-se em casamata de grupos de interesses, e bandos armados proliferaram sem controle, submetendo a população pela violência e o medo. Por outro lado, o que pode ser classificado como movimento social, prisioneiros que são das categorias do modo de produção capitalista – trabalho abstrato, mercadoria, valor, dinheiro, Estado e mercado - não conseguem enxergar saídas além da sociedade que dizem combater.

A subida do Syriza não vai muda o caráter do Estado e a sociedade grega. O conjunto de instituições que dão sustentação a funcionalidade dessa sociedade vão continuar intactas, executando suas tarefas como antes, independentemente de quem nele está no comando. Na condição atual do capitalismo, os movimentos que abalaram e desorganizaram o Estado burguês ou o que restava deste, mostraram-se incapaz de oferecer alternativas viáveis. A tendência tem sido sempre o aviltamento da situação e as forças políticas que aí se instalam, ao não se entenderem, digladiam-se e armam trincheiras na esperança de surpreender inimigos vindos de todos os lados. No Norte da África e em outras regiões do planeta, à medida que os conflitos se agudizam, os grupos políticos cindidos transformam-se em bandos armados prontos a impor pelo terror seu domínio sob os territórios ocupados.

A Grécia não está livre do caos e da violência se a crise social não for rapidamente aliviada. A “troika”, Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional, pressionada pela Alemanha, ao puxar a corda além do que seja possível à sociedade grega suportar, pode deixar a crise inadministrável e acelerar o processo de desagregação social, cujas repercussões devem ultrapassar as fronteiras nacionais. A Grécia pode ser o Lehman Brothers da Europa. Entretanto, no momento de crise categorial do capitalismo, a construção de uma nova sociedade em cima dos escombros materiais e espirituais da sociedade capitalista, não passa pelas vias partidárias e pelo Estado moderno. É necessário que surjam movimentos sociais que resistam à tentação de caminhar por essas vias e distanciem-se dessas formas de organização próprias da sociedade capitalistas, sem, no entanto deixar de reconhecer que existem.   


É EM CÍRCULOS?



Caminhos da crise

Quando o capitalismo entrou em crise nos anos 70, as reformas que se seguiram tinham como um dos focos levar ao limite a exploração da força de trabalho. Um dos eixos dessa reforma foi à intensificação da terceirização e flexibilização das relações de trabalho, que resultou na precarização e aumento da rotatividade como forma de rebaixar os salários. Apesar da melhoria da rentabilidade de alguns setores empresarias, a terceirização não conseguiu impedir a queda da massa total de mais-valia. A partir daí, a velocidade com que as tecnologias inovadoras tornavam não-rentável contingentes de força de trabalho, não era compensada pela novas formas de gestão e extração e mais-valia ancoradas na terceirização, mesmo levando ao extremo a intensificação e exploração do trabalho.

O trabalho improdutivo não gerador de mais-valia, relacionado com as atividades administrativas e burocráticas das empresas, ao ser terceirizado e transformado em trabalho produtivo de capital por passar a produzir mais-valia, não pode compensar a expulsão do trabalho produtivo pela introdução de novas tecnologias nas linhas de produção, forçada pela concorrência empresarial e entre nações. Isso fez com que a rentabilidade continuasse em queda quando vista no conjunto em uma série histórica, e que o capital fictício fosse crescentemente mobilizado com a criação das chamadas inovações da “indústria financeira”, como os derivativos, e pela injeção de uma grande quantidade de capital monetário na economia, onde se destaca o uso desse capital na aquisição, modernização e vendas de empresas, num processo especulativo que faz crescer o estoque de capital fictício. Ao mesmo tempo amplia-se o consumo pela expansão do crédito, mantendo com isso uma aparente normalidade da acumulação.


segunda-feira, fevereiro 23, 2015

Afinal eras tu!


E viva a luta!...


Erotismo ou pornografia?

Confesso que o “fenómeno” das “50 Sombras de Grey” me passou praticamente ao lado.

Claro que não li os livros da E. L. James, nem faço tensão de os ler. Tenho uma prateleira cheia de livros a sério para ler.
Não sei se isto é “pornografia para mamãs” como vários comentadores já o afirmaram a pés juntos!
O que sei é que tudo isto me fez lembrar um texto do Mário-Henrique Leiria, publicado em 1975, sob o título “Erotismo ou pornografia”.
A história era assim:

“O Coiso tem andado bastante preocupado, dado que se sente inculto, ignorante, indigno de ser intelectual do novo tipo. O Coiso não sabe qual é a diferença entre erotismo e pornografia, vejam vocês!
(…) Sem saber essa diferença que parece ser fundamental, como é que ele podia candidatar-se a crítico literário, de arte, de teatro, de televisão, enfim, crítico importante no processo revolucionário? Sim, como?
Achei por bem que nos fôssemos esclarecer. É que eu tenho um amigo, professor universitário, é evidente, que sabe dessas coisas. É democrata tremendo há já um ano e alguns dias, o que nos dá garantias suficientes. Além disso, percebe muito de semântica e tem uma barba razoável. Mais garantias ainda.
Fomos, velozes.
O meu amigo, professor universitário, repito, afirmou-nos, concreto:
- Ora vejamos. Quando declaro grunf tobutu grink zunk zunk anabólico toribu chi cué damoi trabusni, isto é erotismo. Dado que a incidência zunk zunk se projecta directa e integralmente em trabusni. Muito bem. Mas se eu afirmar, peremptório, grunf tobutu grink zunk zunk anabólico toribu chi cué trabusni damoi, isto é pornografia. E porquê? Porque, meus caros, a incidência passa de trabusni para damoi. Creio que fui suficiente e dialecticamente claro. E agora deixem-me trabalhar.”

Espero que tenham ficado esclarecidos.

Dos homens mais fortes do mundo!

A defesa ocasional da liberdade de expressão


Como Humanidade temos ainda uma longa caminhada à nossa frente para fazer valer os direitos humanos universais além do papel, de discursos circunstanciais e de casos pontuais que nos convocam e empurram.

Ainda há pouco tempo, aquando do ataque ao jornal "Charlie Hebdo", a Europa mobilizou-se, parecendo unida, para afirmar o direito à liberdade de expressão. Pareceria que estávamos todos de acordo: políticos e pessoas comuns.

Passadas poucas semanas, em pleno Carnaval, políticos avisavam organizadores de desfiles que tomariam as devidas medidas judiciais caso a sua caricatura, a aparecer, fosse desfavorável. Em democracia estavam, de facto, no seu direito, mas não me consta que isso tivesse detido os "brincalhões". Poucos dias depois, um dos países que encabeçou a manifestação em Paris a favor dessa liberdade condenava formalmente uma caricatura de um dos seus políticos mais poderosos. A caricatura foi publicada mas o assunto passou mais ou menos despercebido.


DAQUI

Será uma poda ou uma...


Enviado pela leitora F.S.

Treta da semana: especial é pouco

«A Romilda é especial. Desde muito nova começou a ver as pessoas para além da pele. Vê o corpo à transparência, como um raio X, onde as zonas problemáticas se apresentam em tons diferentes de acordo com a gravidade da situação.»(1) 

É assim que se apresenta Romilda Costa, curandeira brasileira que já há 18 anos dá consultas em Portugal. Eu penso que esta descrição peca pela modéstia porque a Romilda tem de ser muito mais do que meramente especial. Para começar, um raio X apenas mostra a densidade dos vários tecidos e é preciso depois um médico com anos de formação e experiência para fazer daí um diagnóstico, normalmente usando também informação de outros exames. O raio X da Romilda indica automaticamente onde estão os problemas. Mas faz mais do que isso. No vídeo que Romilda apresenta no seu site, aos 14 minutos, ela diz a uma voluntária que a sua serotonina “trabalha muito rápido”. A serotonina é uma pequena molécula orgânica, libertada pelos neurónios nas sinapses, onde o espaçamento entre as células é de cerca de vinte milionésimas de milímetro. A transmissão sináptica demora menos de uma milésima de segundo (2). E a Romilda não só vê isto a olho nú como consegue perceber, só de olhar, quando a serotonina “trabalha muito rápido”. Mas isto nem é o mais fascinante. Ao diagnosticar aquela senhora, a Romilda viu um quistozinho “entre o ovário e o colo”. O extraordinário é que o quisto tinha sido removido dois anos antes. A visão da Romilda não se restringe ao tempo presente mas transcende as limitações espácio-temporais que a natureza impõe aos meros mortais. 

Romilda Costa parece ter também uma vida extraordinária. Em 2003 foi instaurado um inquérito pelo Conselho de Administração do Serviço Regional de Saúde da Madeira pela morte de um paciente após uma visita pouco ortodoxa: «O inquérito refere que uma das duas mulheres que se encontravam no quarto particular do Centro Hospitalar do Funchal, estaria a vestir uma camisa da noite, em frente ao doente, um empresário do Porto Moniz, enquanto a outra, identificada como sendo Romilda, mas da qual o hospital não tem registo, estaria deitada num colchão com pouca roupa vestida.»(3) 

Em 2011, o médico Paulo Jorge Coelho fez uma participação à Entidade Reguladora da Comunicação Social contra essa edição do programa A Tarde é Sua. No entanto, a ERC considerou a participação improcedente alegando que «não está habilitada, nem detém as devidas competências, para avaliar e manifestar-se sobre as questões de ordem médica que podem resultar do referido programa». Aparentemente, é preciso grande competência técnica para concluir que "serotonina trabalha muito rápido" e «muita esqueriose» são diagnósticos da treta. 

Eu penso que à Romilda só falta um pouco mais de confiança nos seus dons. No mês passado, Romilda desapontou os pacientes a quem tinha prometido deslocar-se a Jersey, no Reino Unido, para dar consultas. Num comentário no Facebook, Romilda pediu desculpa mas, afinal, não poderia ir «Pelo simples fato de já varias pessoas me terem dito, que corro o risco de ser expulsa do pais, ou ate mesmo presa»(5). Parece que as autoridades britânicas têm uma certa aversão a quem vai lá trabalhar sem autorização nem intenção de pagar impostos. Gostava de deixar aqui uma palavra de encorajamento à Romilda para que confie mais na sua missão e na protecção divina. Que não tenha receio de levar os seus dons para outros países. E quantos mais e mais longe, melhor. 

1- RomildaCosta.com, Centro de Tratamento Natural (obrigado ao leitor que me enviou um email com este link).
2- Wikipedia, Chemical synapse
3- Tribuna da Madeira (via saudinha.pt), MP mantém investigação do caso que envolve o hospital e Romilda
4- ercs, Deliberações adoptadas pelo conselho regulador a 25, 26 e 27 de outubro de 2011
5- Romilda Costa, 22 de Janeiro de 2015 (Facebook)


DAQUI

CARTOONS





O homem sonha, a obra nasce


(In)dignidades

A semana que agora termina foi demolidora para o governo português.

1. A assunção pública, por parte do actual presidente da Comissão Europeia, de que a tróica atentou «contra a dignidade dos portugueses, dos gregos e às vezes dos irlandeses» é o reconhecimento (tardio) de que o resgate de Portugal (da Grécia e da Irlanda) nada teve que ver com solidariedade europeia ou ajuda amiga. Foi um negócio, mas um negócio em que o credor entrou na casa do devedor, sentou-se à cabeceira da mesa da sala e passou a ditar as novas regras de funcionamento do lar. Nem um agiota se comporta assim, e muito menos os amigos. Por isso, Juncker afirma que atentaram contra a dignidade dos portugueses e dos gregos (e às vezes dos irlandeses — note-se a diferenciação...).
Esta afirmação pública constata um facto e evidencia um outro daí decorrente: o governo português não defendeu a dignidade do povo que representa. Permitiu que a sua dignidade ficasse ferida. Na verdade, o governo português, através das suas principais figuras (Passo Coelho, Paulo Portas, Vítor Gaspar, Maria Luís) foi colaboracionista nessa agressão. Foram múltiplos, repetidos e insistentes os discursos destes responsáveis políticos a enalteceram, a elogiarem, a agradecerem a «ajuda» europeia. O governo português foi protagonista activo no atentado à dignidade dos portugueses.

2. O comportamento político do primeiro-ministro e das ministra das Finanças relativamente ao problema grego/europeu faz-me sentir vergonha. Um país ser representado por políticos subservientes e bajuladores envergonha e repugna. A função a que se prestou Maria Luís Albuquerque, deslocando-se à Alemanha para se sentar ao lado do seu colega Schäuble e para, como uma marioneta política, fazer e dizer o que os alemães queriam que ela fizesse e dissesse, não tem adjectivação capaz dentro do vocabulário convencional. A decência política foi violada e, mais uma vez, a dignidade nacional foi ofendida.
A esta rebaixamento político, Passos Coelho acrescentou um discurso grosseiro sempre que se referiu ao novo governo grego. Falando como um menino birrento e mal-educado, não como um representante de um Estado, pronunciou-se de forma rasca, afirmando que os gregos querem viver à custa do dinheiro dos outros. A um primeiro-ministo exige-se mais. Linguajares desta natureza ouvimos nós de quem é involuntariamente desinformado ou de quem é voluntariamente mentiroso. De um primeiro-ministro espera-se mais decoro e mais seriedade política. Desgraçadamente, de Passos Coelho já nem isto podemos esperar.

3. A actuação do novo governo grego confirma o que todos sabíamos e sabemos e que sempre foi negado pelo governo português: que era e é possível defender políticas alternativas, que era e é possível lutar por elas, que era e é possível discutir, confrontar e combater a política do «inevitável». O exemplo grego confirma a confrangedora irrelevância política do nosso primeiro-ministro, no contexto europeu.


TEMOS UM GOVERNO COERENTE


O Governo está em pânico com as próximas eleições e com o julgamento histórico; é coerente. Começou além da troika e preparava-se para a aura da salvação. A resolução dos problemas imediatos dos bancos alemães e o sucesso eleitoral do Syriza, e tudo aquilo que mais tarde se venha a saber, inverteram a história e os possíveis votos. Nesta fase, é escusado falar ao Governo de interesse nacional: a tragédia associada a um erro histórico monumental, já denunciado por Gaspar, desorientaria qualquer um.

O efeito eleitoral PASOK e Nova Democracia paira de tal forma que até o indizível Marcelo R. Sousa classificou Varoufakis como um artista da bola. Para além da diminuição do conceito "artista", o candidato gosta de discutir a esse nível e o conhecido frenesi tira-lhe a compostura. Talvez nem saiba que tem muito a aprender com Varoufakis, desde logo a educação com que Varoufakis tratou Maria Luís que estará a anos luz dos conhecimentos de Varoufakis (assim mesmo, repetido quatro vezes no mesmo parágrafo).

limpeza necessária?


domingo, fevereiro 22, 2015

Agora leva-me a casa!


Toma lá macaca!


O que se pode fazer com uma tampa de esferográfica!...


Vai ser desta?


Os mais extraordinários bancos de via pública



























Vamos a uma corridinha?


O governo Syriza capitulou? - O Anovis apresenta o texto do acordo assinado entre o Eurogrupo e o governo Grego

Eurogroup statement on Greece


The Eurogroup reiterates its appreciation for the remarkable adjustment efforts undertaken by Greece and the Greek people over the last years. During the last few weeks, we have, together with the institutions, engaged in an intensive and constructive dialogue with the new Greek authorities and reached common ground today. 
The Eurogroup notes, in the framework of the existing arrangement, the request from the Greek authorities for an extension of the Master Financial Assistance Facility Agreement (MFFA), which is underpinned by a set of commitments. The purpose of the extension is the successful completion of the review on the basis of the conditions in the current arrangement, making best use of the given flexibility which will be considered jointly with the Greek authorities and the institutions. This extension would also bridge the time for discussions on a possible follow-up arrangement between the Eurogroup, the institutions and Greece. 
The Greek authorities will present a first list of reform measures, based on the current arrangement, by the end of Monday February 23. The institutions will provide a first view whether this is sufficiently comprehensive to be a valid starting point for a successful conclusion of the review. This list will be further specified and then agreed with the institutions by the end of April.  
Only approval of the conclusion of the review of the extended arrangement by the institutions in turn will allow for any disbursement of the outstanding tranche of the current EFSF programme and the transfer of the 2014 SMP profits. Both are again subject to approval by the Eurogroup. 
In view of the assessment of the institutions the Eurogroup agrees that the funds, so far available in the HFSF buffer, should be held by the EFSF, free of third party rights for the duration of the MFFA extension. The funds continue to be available for the duration of the MFFA extension and can only be used for bank recapitalisation and resolution costs. They will only be released on request by the ECB/SSM. 
In this light, we welcome the commitment by the Greek authorities to work in close agreement with European and international institutions and partners. Against this background we recall the independence of the European Central Bank. We also agreed that the IMF would continue to play its role. 
The Greek authorities have expressed their strong commitment to a broader and deeper structural reform process aimed at durably improving growth and employment prospects, ensuring stability and resilience of the financial sector and enhancing social fairness. The authorities commit to implementing long overdue reforms to tackle corruption and tax evasion, and improving the efficiency of the public sector. In this context, the Greek authorities undertake to make best use of the continued provision of technical assistance. 
The Greek authorities reiterate their unequivocal commitment to honour their financial obligations to all their creditors fully and timely. 
The Greek authorities have also committed to ensure the appropriate primary fiscal surpluses or financing proceeds required to guarantee debt sustainability in line with the November 2012 Eurogroup statement. The institutions will, for the 2015 primary surplus target, take the economic circumstances in 2015 into account. 
In light of these commitments, we welcome that in a number of areas the Greek policy priorities can contribute to a strengthening and better implementation of the current arrangement. The Greek authorities commit to refrain from any rollback of measures and unilateral changes to the policies and structural reforms that would negatively impact fiscal targets, economic recovery or financial stability, as assessed by the institutions. 
On the basis of the request, the commitments by the Greek authorities, the advice of the institutions, and today's agreement, we will launch the national procedures with a view to reaching a final decision on the extension of the current EFSF Master Financial Assistance Facility Agreement for up to four months by the EFSF Board of Directors. We also invite the institutions and the Greek authorities to resume immediately the work that would allow the successful conclusion of the review.
We remain committed to provide adequate support to Greece until it has regained full market access as long as it honours its commitments within the agreed framework.

Este camarada

Como sabemos, manifestar simpatia é muito diferente de apoiar. Manifestar simpatia não compromete ninguém. Um bom exemplo de alguém que nunca se compromete com nada e vai tentando tirar partido de eventuais confusões entre as suas manifestações ocasionais de simpatia pelo Governo grego e o apoio que nunca lhe expressou publicamente é António Costa. Não perdeu tempo em fazê-lo novamente no comentário que fez à reunião do Eurogrupo de ontem: “qualquer português fica perplexo quando vê as noticias no final do Eurogrupo e percebe que o Governo português, em vez de querer que os portugueses e a economia portuguesa beneficiem da flexibilidade da austeridade, quer aumentar a agonia da austeridade dos outros”, disse à saída de uma conferência de líderes socialistas europeus em Madrid. Se toda a razão que tem no que diz relativamente ao Governo português ninguém lha tira, o local que escolheu para dizê-lo não poderia ser melhor para ilustrar  como a diferença atrás citada vai povoando as intervenções de um Costa que apenas quer parecer e não ser diferente daqueles que critica: por que razão não estendeu a crítica aos seus camaradas, por exemplo, Hollande e Renzi? Seja lá o que tenha conquistado ontem, a Grécia nada lhes deve. A França e a Itália, aliás como todos os demais países governados por "socialistas",encolheram-se ao lado da grande Alemanha e ajudaram-na no seu propósito de prolongar ao máximo a agonia da austeridade que, tanto como os países governados por liberais e conservadores, impuseram à Grécia em capítulos anteriores deste naufrágio europeu. À Costa.

DAQUI

Ontem negociou-se

Um acordo de princípio à condição, que ainda não se sabe se irá durar apenas três dias, o pior dos cenários, ou se quatro meses, o melhor. Tudo é melhor do que nada, pelo que ser melhor do que nada nunca será vitória para ninguém. Mas no saldo provisório da reunião do Eurogrupo de ontem há a registar um enorme recuo da intransigência tentada pela Alemanha ao longo de toda a semana, que a tradicional subserviência dos restantes países nunca conseguiu contrariar, e a primeira vez em muitos anos em que se discutiram políticas, afinal havia alternativas, e que umas eleições conseguiram dar voz aos eleitores nas instâncias europeias, há muito tempo que a vontade das pessoas não se conseguia fazer ouvir ali, onde os seus destinos são decididos por uma gente que não as considera mais do que centros de custos e de proveitos. E nada disto é pouco. Será esta voz que o Governo grego irá verter nas propostas que apresentará na próxima Segunda-feira, de igual para igual, não de membro convidado para membros de pleno direito, pelo que teremos que aguardar até lá para fazer o balanço final do quanto conseguirá avançar, e note-se bem que serão sempre avanços, o recuo será sempre relativamente à sua intenção inicial de avançar mais rapidamente. Empresa difícil.

Ficámos a saber como decorrem estas reuniões quando há uma voz dissonante. São 18 contra 1, a Comissão Europeia eclipsa-se, a Alemanha senta-se numa sala, a voz noutra, nada de confianças de todos sentados à mesma mesa, o diálogo faz-se através de documentos que circulam pelo corredor carregados por estafetas, os restantes estados ou são tão alemães como a Alemanha ou esforçam-se por sê-lo ainda mais, como fizeram Portugal e Espanha, que apostaram tudo em impedir um acordo final apesar de serem precisamente aqueles cujo interesse nacional mais coincide com o grego. Uma conduta tão miserável ao ponto de Janis Varoufakis invocar as "boas maneiras" para não comentar as  posições defendidas por Maria Luís Albuquerque. A nossa vergonha tudo fez para vergar a dignidade grega. Fracassou, como inexistência que nem mesmo ajoelhando-se consegue deixar de ser. Ontem negociou-se. E mais uma vez foi o Governo grego que representou o interesse nacional de Portugal.
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse este sábado numa declaração televisiva que o acordo de ontem com o Eurogrupo “deixa para trás a austeridade, o memorando, a troika”, mas que as “dificuldades reais” estão para chegar. “O acordo de ontem com o Eurogrupo… cancela os compromissos dos governos anteriores para cortes nos salários e nas pensões, para despedimentos no sector público, para subidas do IVA na alimentação , na saúde”. “Ganhámos uma batalha mas não a guerra". “Evitámos a asfixia da Grécia”, “mas o pior vem agora". “Com o decisivo apoio do povo grego".


Aforismos gregos

* É impossível agradar a gregos e a troikanos

* Dos varoufrakos não reza a História

* Perante a crise, há que fazer do Tsipras coração

* Grego que se preze não se limpa a toalha turca

* Na mesa de negociações, vale mais a bravata que a gravata


CARTOONS