terça-feira, abril 28, 2015

O fisco perante o cidadão assalariado ou reformado


COM UM DESENHO É MAIS SIMPLES

A História nunca assistiu a uma transferência tão volumosa de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta. A dívida pública é usada como um dos argumentos estratégicos e os especialistas conhecem a falácia. Nem é preciso recorrer a Joseph Stiglitz. O super-rico dos EUA Warren Buffett, disse, em 2006, que "existe uma guerra de classes, sem dúvida, mas é a minha classe - a classe dos ricos - que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la."


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segunda-feira, abril 27, 2015

Eu sei que sou muito forte!


Os turistas adoram ver em Londres a mudança da guarda...Agora percebo porquê!

Árvore não vai abaixo sem luta!...

Comportamentos habituais na nossa sociedade que são considerados ofensivos noutras partes do mundo



Estar a horas

Para muitos europeus chegar a horas a um encontro ou jantar é visto como rude. Para a generalidade dos norte-americanos é correcto chegar a horas.


O MEDO DO CONHECIMENTO



Filosofia na academia

Sublinhei a influência que as ideias construtivistas exercem actualmente sobre as humanidades e as ciências sociais. Contudo, há uma disciplina de humanidades em que a influência dessas ideias é muito fraca, que é a própria filosofia, pelo menos tal como é normalmente praticada nos departamentos de filosofia analítica no mundo de língua inglesa.

Isto não significa que essas ideias não tenham recebido apoio de filósofos analíticos. Pelo contrário, em sua defesa, poderíamos citar uma boa parte dos filósofos mais proeminentes desta tradição — por exemplo, Ludwig Wittgenstein, Rudolf Carnap, Richard Rorty, Thomas Kuhn, Hilary Putnam e Nelson Goodman. Estes filósofos, por sua vez, poderiam evocar alguns precedentes intelectuais importantes.

Immanuel Kant negava que o mundo, na medida em que o podemos conhecer, pudesse ser independente dos conceitos segundo os quais o apreendemos. David Hume questionava o nosso direito de pensar que existe apenas um conjunto correcto de princípios epistémicos que captam aquilo que faz uma crença ser racionalmente sustentada. E Friedrich Nietzsche pode ser lido como questionando se alguma vez somos realmente levados à crença por meio de provas, em oposição a outros motivos não epistémicos — interesse próprio ou ideologia — que podem agir sobre nós.

No entanto, apesar de todo o seu passado intelectual distinto e de toda a atenção que receberam nos tempos recentes, é justo dizer que estas concepções anti‑objectivistas da verdade e da racionalidade não são geralmente aceites nos departamentos normais de filosofia no mundo de língua inglesa.

O resultado foi um afastamento progressivo da filosofia académica em relação ao resto das humanidades e das ciências sociais, levando a níveis de acrimónia e de tensão nas universidades americanas que mereceram o nome de «guerras da ciência».

Os académicos simpatizantes do pós‑modernismo queixam‑se de que a defesa da revisão das concepções tradicionais do conhecimento é esmagadoramente clara desde há muito tempo e que só a intransigência habitual da ortodoxia estabelecida pode explicar a resistência com que estas novas ideias têm sido recebidas. Os tradicionalistas, por outro lado, têm ignorado impacientemente os seus colegas inclinados para a filosofia nas humanidades e nas ciências sociais mais por considerações de correcção política do que por verdadeiras considerações filosóficas.


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O LOBO A GUARDAR A CAPOEIRA

No meio das entrevistas de rua realizadas durante a manifestação do 25 de Abril em Lisboa, e nas quais o auricular da jornalista a incitava a concentrar as perguntas na assinatura de uma coligação contra o 25 de Abril há muito anunciada, surgiu um cavalheiro cuja imagem não me é muito familiar, por culpa minha, confesso. Convidado, como todos os outros, a comentar a tão excitante coligação, decidida a renascer dos escombros para servir os restos do país ao insaciável mercado, o cavalheiro escusou-se polidamente: aos partidos o que é dos partidos, aos sindicatos o que é dos sindicatos, sábia e prudente opinião dentro do consagrado estilo a minha política é o trabalho e não tenho nada a ver com o resto, não me comprometam.

Ainda assim, e porque alguma coisa me escapara antes, deduzi que o cavalheiro era sindicalista. Pelo andar da conversa não tardei a perceber que era mais do que isso, muito mais, aliás, porque é o chefe de uma central sindical conhecida por UGT.

Como estávamos no 25 de Abril, dia propenso a memórias e evocações, revi em flashes curtos um pouco da história dessa entidade, desde os tempos da “Carta Aberta” pela “liberdade sindical”, ainda na pré-história deste grupo cujo nascimento teve o glorioso patrocínio do senhor embaixador Carlucci e da central sindical norte-americana, a AFL-CIO, que em boa verdade deveria escrever-se AFL-CIA-Mafia, mas isso são contos que não vêm ao caso. Lembro-me também de fotografias publicadas nesses tempos testemunhando o nascimento da criatura, selado depois de negociações segredadas nos Passos Perdidos, em plena Assembleia da República, entre destacados dirigentes do PS e do PSD. Enfim, outros tempos, velharias da História que as sensibilidades do 25 de Abril trazem à superfície; mas os tempos são outros, os da modernidade, há que nos adaptarmos à realidade. Tanto mais que o cavalheiro entrevistado, e logo em plena manifestação do 25 de Abril, sentenciara aos partidos o que é dos partidos, aos sindicatos o que é dos sindicatos.

Como o auricular da jornalista pé de microfone insistisse na previsão do futuro dos trabalhadores à luz da assinatura da nefanda coligação, o cavalheiro acabou por avançar um pouco sobre o tema. Repetiu várias vezes a palavra da moda, “compromisso”, e nesse contexto manifestou a esperança no que de bom pode trazer aos trabalhadores um compromisso – e juro que a expressão foi esta – “dentro do arco da governabilidade”.

Como sabem, a expressão “arco da governabilidade”, por sinal usada de preferência pelo dr. Portas, é um sinónimo de arco da governação, arco da austeridade, arco da exploração, arco censório, da trapaça, centrão… Enfim designações que definem a democracia tal como hoje se pratica, o um-dó-li-tá entre PS, PSD e CDS, quando não todos juntos e ao molho, seja o que Deus quiser…

Pois bem, o cavalheiro, aquele chefe de uma central sindical aposta todas as suas esperanças, e as dos trabalhadores, pois é a isso que se dedica, no compromisso dentro do tal arco, no que em nada difere da arqueológica figura que ainda se arrasta dentro do palácio de Belém. Ora sabendo nós o que significa a coligação de trastes agora renovada e, por outro lado – neste caso o lado é o mesmo – o conteúdo do programa eleitoral produzido para o PS por encartados tecnocratas neoliberais, prometendo mais “flexibilização do mercado de trabalho”, alguma coisa que nos diz que, apesar de vivermos em modernidade, a tal UGT continua com os tiques de nascença, resultantes de um lamentável exercício de manipulação genética suprimindo o alelo associado aos trabalhadores.

Ao-fim-e-ao-cabo o que o ilustre cavalheiro nos revelou no invernoso 25 de Abril que tivemos foi um sintoma da prolongada agonia dessa criatura contra natura, cujo comportamento é tão aberrante como deixar um lobo a guardar a capoeira.


Mandarim


E vivam os eurodeputados que vivem à grande e em Bruxelas à nossa conta!

UMA ESPÉCIE DE BALANÇO ESCOLAR

Com a legislatura a chegar ao fim, ouve-se repetidamente que o diagnóstico dos problemas está feito e que sufragaremos as soluções. Não concordo. Os diagnósticos não são imutáveis e carecem de actualização depois de quatro anos a descer inequivocamente no sistema escolar.

Sublinhe-se que a vigente legislatura sucedeu a um período igualmente histórico e nefasto para os indicadores escolares. Mas os números do exercício da actual maioria não enganam.

O investimento em Educação já deve estar abaixo dos 3% do PIB. As taxas de frequência baixaram significativamente, depois de décadas com progressos incontestáveis: do básico e secundário ao superior e passando pela escolarização de adultos.

A redução no número de profissionais da Educação atinge os 30%. Os que estão em exercício revelam três características: desesperança, envelhecimento e sobrecarga de actividades lectivas e em tarefas inúteis. A reprovação e o abandono escolares aumentaram, não existindo qualquer indicador que inscreva os propalados ganhos em qualidade e rigor.

Os cortes a eito mergulharam o sistema escolar num pântano que começou a encher-se com as alterações no estatuto da carreira e na avaliação de professores. A destruição do que existia, e que vinha do século passado, atingiu o auge com os mega-agrupamentos e com o modelo de gestão escolar. 

E são eles pela liberdade de expressão!...



domingo, abril 26, 2015

Quando a gargalhada do espectador supera o próprio espectáculo cómico que está em cena!...

Reacção do cão da minha vizinha ao ter conhecimento do reforço da coligação coelho - portas!


Comportamentos habituais na nossa sociedade que são considerados ofensivos noutras partes do mundo

Falar com as mãos nos bolsos

 Falar casualmente com as mãos nos bolsos é não um problema na nossa sociedade mas na Coreia é considerado uma atitude desrespeitosa


"O povo não precisa de gramática"

No dia em que a "Revolução de Abril" fez quarenta e um anos, sente-se, de modo muito particular, o país, desmoralizado e descrente, a caminhar para um precipício, para uma ruptura, ou para uma inacção.

Releio palavras de Sophia de Mello Breyner dirigidas a Jorge de Sena (publicadas no livroCorrespondência 1959-1978, Guerra e Paz, 2006, p. 134) e percebo melhor o que nos aconteceu e o que nos está a acontecer.

A educação das crianças e dos jovens não foi nem é uma aposta. Falo de uma aposta no conhecimento em que a inteligência cria raízes e não (apenas) na ampliação do tempo de escolaridade. Tal como há quatro décadas, a nossa tragédia é, sim, a incompetência cultural.

Fica a interrogação de Sophia...
O problema, a tragédia de toda esta revolução a sua INCOMPETÊNCIA CULTURAL. Desde a descolonização onde tudo se fez com um despabho simplícissimo, primário "ad hoc", até à reforma agrária falseada e demagógica! Passando pela constituição onde se lutou pela vitória da estupidez com o maior sucesso salvo alguns pontos que a muito custo foi possível salvar. Houve até quem no grupo parlamentar, numa reunião de discussão, respondesse à miha crítica à má redacção de um articulado, dizendo-me que o "o povo não precisa de gramática" (...). Será ainda tempo de emergirmos de todos estes erros e demagogias soezes? 
Sophia de Mello Breyner, Abril de 1976.

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BANCO ANULA DÍVIDA DOS CLIENTES MAIS POBRES

O Banco de Pireu, um dos maiores da Grécia, decidiu anular as dívidas e congelar as hipotecas de clientes que devam até o máximo de 20 mil euros.  A decisão, destinada a aliviar o fardo da dívida que atinge os clientes mais pobres, poderá ser seguida por outros bancos gregos.  Este é o primeiro caso de uma anulação em massa de dívida.   Os media portugueses não deram relêvo a esta notícia.  Ela está aqui e aqui.

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SÍNDROME DO TIO PATINHAS!!!

tora F.S.
Enviado pela leitora F.S.

Haja doença!

O descalabro na saúde pública, que se acentua de dia para dia, não levanta apenas a questão dos cortes orçamentais em resultado da política dita de austeridade. Levanta de forma gritante a necessidade da nacionalização de todos os cuidados de saúde, como uma exigência social que não pode estar sujeita aos interesses de lucro dos capitais privados. É isso que mostram as mortes nas urgências por falta de assistência, as mortes por falta de medicamentos (como no caso da hepatite C), o excesso de óbitos no inverno devido ao frio, a inoperância dos serviços por falta de médicos e enfermeiros, o encerramento dos serviços de proximidade, etc. Tudo isto vai a par de um crescente investimento privado no sector da Saúde, precisamente porque os capitalistas sabem que não lhes faltarão clientes — tanto por diminuir a eficácia dos serviços públicos, como pelo facto de a crise social se encarregar de produzir cada vez mais doentes, que são a matéria do negócio.

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SÃO AS PESSOAS, ESTÚPIDOS!

“É a economia, estúpido!”, garantiram um dia a Bill Clinton como recomendação infalível para se tornar um perfeito chefe do império, qual ovo de Colombo empinado com maestria sobre a secretária da sala oval. Ele tirou-se dos seus pecadilhos democráticos e percebeu a recomendação, pouco depois estava a bombardear escolas no Afeganistão, laboratórios de produtos farmacêuticos no Sudão e a verdade é que, com ele, o neoliberalismo campeão ganhou novo alento universal, quase fazendo esquecer as sagas pioneiras de Reagan, Thatcher e do patriarca da família Bush.

“É a economia, estúpidos!”, cacarejam ainda hoje as aves de arribação afinadas pelos maestros do arco da governação, vulgo arco da exploração, largando os seus ovos de Colombo saltitando de poleiro em poleiro, de coluna impressa para microfone de rádio, daí para uma televisão, e outra, e outra, numa vertigem maluca. Graças a elas hoje sabemos quanto a economia vai crescer enquanto se apaga, se o mercado está ou não suficientemente flexibilizado, se o emprego desceu zero vírgula qualquer coisa por cento ao contrário do que diz a malandragem da oposição ao assegurar que continua a crescer, que a nossa dívida vai baixar porque tudo o que sobe descerá um dia, não se sabe é quando. Graças a elas discute-se em economês nos cafés nos intervalos dos gozos e arrelias da bola, arenga-se em economês nos jantares de família, no meio dos lamentos sobre os achaques, as peripécias da novela e as indiscrições sobre os próximos divórcios, sentencia-se em economês nos supermercados, nos transportes públicos, os taxistas metem conversa com os passageiros no seu mais vernáculo economês. Em suma, abreviando, aprendemos economês, deixámos de ser estúpidos, graças a Deus… Graças a Deus não, graças ao omnipresente arco da governação, vulgo arco da austeridade, e suas aves de arribação poedeiras.

Foi nisto que se transformou o 25 de Abril, nascido há 41 anos para cuidar das pessoas depois de quase cinco décadas em que o país tratou de meia dúzia de famílias. Hoje o país trata da economia, as pessoas podem continuar a esperar. Os senadores do arco da governação, vulgo arco da trapaça, e respectivos herdeiros começaram por engavetar o socialismo, depois engavetaram o espírito de Abril, a seguir, de passinho insidioso em passinho insidioso, foram engavetando a democracia reduzindo-a a um reles cavaco, a um coelho tinhoso; e não tarda, se os ventos da Ucrânia e vizinhanças continuarem a soprar como sopram, estarão a engavetar pessoas por atacado. Não ouvimos nós uma senhora eurodeputada tão da esquerda que só visto, que até sabia dos aviões da CIA e coisas assim, dizer que esteve em Kiev nestes dias negros para a Europa e garantir que aquilo na Praça Maidan é democrático a valer? Não foi o seu novo chefe quem entregou a algumas eminências domésticas do ultraliberalismo, Centenos & companhia, a produção do programa eleitoral do seu partido, provavelmente porque os militantes e quadros ainda não falam o economês com a necessária fluência?

A verdade é que o arco da governação, vulgo arco da censura, não encontrou melhor maneira de celebrar o aniversário do 25 de Abril do que apresentar um projecto de “regulamentação prévia” da próxima campanha eleitoral que tresanda a lei da rolha, pelos vistos achando que a censura em curso, praticada em economês, ainda não é suficiente.

O 25 de Abril está assim, 41 anos depois. Mas por ter havido 25 de Abril aprendemos que uma coisa, mesmo parecendo invencível, felizmente é derrotável.

Um bom princípio será demonstrar que o tal ovo de Colombo apresentado a Clinton ainda na pré-história da ditadura do mercado, e tão do agrado das domésticas aves de arribação poedeiras, era podre de nascença.

É altura de restaurar o que o 25 de Abril prometeu ao país: “são as pessoas, estúpidos!”


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As mentiras de Pires de Lima

Numa entrevista publicada há poucos dias num jornal galego, o ministro da Economia faz um excelente exercício daquela prática dupla de enganar em casa e mentir fora.
Mas o exercício de mentir abertamente a um jornal galego, ignorando que no dia seguinte todo o Norte terá conhecimento disso, apenas pode ser fruto da ignorância ou da arrogância. Ou de ambas.
Centrar-me-ei em duas questões que revelam o alto grau de desprezo que Pires de Lima sente pelo Norte. À pergunta da jornalista: "Após a inauguração do AVE entre a Corunha e Vigo, em que ponto se encontram as obras em Portugal da linha Porto-Vigo?", Pires de Lima responde sem qualquer pejo: "No processo de eletrificação. A minha homóloga Ana Pastor e eu reunimo-nos várias vezes para decidir o plano de infraestruturas ferroviárias entre ambos os países. A nova reformulação ferroviária Porto-Vigo foi fruto de acordos bilaterais para aumentar a sua utilidade e rentabilidade. É um tema importante."
Pois saibam que é uma grande mentira. Nada avançou na linha desde há dois anos. Nenhum concurso foi licitado desde o ano passado. E o dinheiro que se pediu para esta ligação ferroviária desconhece-se o seu destino, pelo que suspeitamos de que tenha sido desviado novamente para outra parte do país. Há quatro meses que pedimos que nos informe da situação da obra. Não houve resposta. Então pedimos ao primeiro-ministro, que deu instruções para que nos informasse. Não houve resposta. Voltámos a pedi-lo ao primeiro-ministro, que voltou a instruir a um tal de Pires de Lima, que nada respondeu.
Sendo que, apesar de tudo isto, Pires de Lima afirma sem embaraço que “há dois anos se inaugurou o comboio Celta, entre Porto e Vigo, que está a funcionar bem”. A única verdade. Continua Pires de Lima: "Demos prioridade às interligações ibéricas com a Europa, à linha de Sines-Badajoz-Madrid e à ligação Aveiro-Salamanca-Irún." Outra mentira. Nada se sabe de ambas as ligações. Nada se viu. Nem um só papel. Nem em Lisboa nem em Bruxelas, onde também perguntámos.
E já para finalizar, quando a jornalista lhe pergunta: "Que lhe parece a proposta do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, de um comboio de alta velocidade Porto-Vigo que passe pelo Sá Carneiro e que ligue com Leixões?", Pires de Lima responde sem titubear: "É a ideia que temos em cima da mesa. Há vários milhões de euros de fundos europeus destinados para isto." Mentira. A última, a maior e a mais gritante de todas as mentiras que contém a entrevista. Porque não há em cima da sua mesa nenhum projeto de alta velocidade. Há uma petição a Bruxelas de 138 milhões de euros para a modernização da linha do Minho, pela terceira vez, e qualquer comum mortal sabe que com 138 milhões apenas se moderniza o Alfa Pendular. Mas até na sua mentira se contradiz a si mesmo, já que afirma estar a trabalhar na alta velocidade, quando, na mesma entrevista, afirma que o Governo renunciou à alta velocidade porque não a considera rentável. E nesses 138 milhões não se contempla nenhuma ligação com Leixões, não se contempla o bypass com o Sá Carneiro e não se contempla o bypass com Braga, terceira cidade do país. 
Os portugueses não merecem um ministro que lhes minta. Nem um primeiro-ministro (boa pessoa e honesto, por certo) a quem os seus não obedecem.Asim que cando o Pires de Lima diga que fai sol, melhor apanhem o gardachuvas.


O último discurso


sábado, abril 25, 2015

A foto mais entusiasmante dos últimos 15 dias!...


A evolução do trabalho de Picasso através do tempo








Comportamentos habituais na nossa sociedade que são considerados ofensivos noutras partes do mundo

Assobiar em público

Assobiar é uma actividade divertida, despreocupada feita durante uma caminhada, por exemplo, mas em países como o Haiti é visto como uma atitude rude de alguém que só pretende dar nas vistas!


Preços de monopólio

A Galp foi multada em Portugal em 9 milhões de euros (e depois em Espanha em 800 mil euros) por “práticas anticoncorrenciais”, ou seja, por concertar preços em prejuízo dos consumidores. As consequências deste procedimento, resultante de um domínio do mercado de tipo monopolista, não se verificam apenas nos combustíveis automóveis, mas também no gás de consumo doméstico. Foi aliás na comercialização do gás de garrafa que a fraude se verificou no nosso país. Assim, enquanto a Galp distribui dividendos milionários aos seus accionistas — o principal dos quais é o grupo de Américo Amorim, com quase 40% das acções — os portugueses mais pobres cortam no consumo e passam frio para “não viverem acima das suas posses”.

Eles andam aí

Não passam de uma tropa de cobardes. Cobardes perigosos, atenção. Agora não foi ninguém. António Costa rejeita proposta para cobertura das campanhas que PS apoiou. Luís Montenegro responsabiliza socialistas pelas ideias de criação da comissão mista e do plano de cobertura da campanha. Paulo Portas diz "prezar muito" a liberdade de imprensa. Não, não se tratou de nenhummal entendido. Estão prestes a conseguir despachar o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública que soubemos construir em democracia e já conseguiram pulverizar quase completamente os direitos laborais e sociais conquistados em 1974. Liberdade de imprensa, liberdade de expressão, liberdade de associação, Constituição da República Portuguesa, lei eleitoral, se os deixarmos à vontade, ao mínimo deslize, o ajuste de contas com o 25 de Abril que PSD, PS e CDS vêm consumando nada poupará. Desta vez correu-lhes mal. E o alerta que esta tentativa fracassada deixa atrás de si é o contributo que estes três partidos estariam menos interessados em dar para encher de sentido as comemorações do 25 de Abril deste ano: a democracia é um edifício inacabado que tanto pode crescer como pode sumir-se nas mãos de uns quantos, dependendo da qualidade e da vontade dos cidadãos que a cuidem ou que a desbaratem. O 25 de Abril custou demasiadas vidas e quase meio século de obscurantismo para que agora o deixemos desaparecer nas mãos de uma tropa de anões. Eles vão continuar a tentar.


Arco da austeridade: o consenso do 24 de Abril

O Eurogrupo, a teia da dívida, a democracia por ela aprisionada e a corte dos aranhiços. Por estes dias, vamos assistindo a uma Europa das austeridades que faz como a aranha sem pressa que sabe que tem o tempo a jogar a seu favor e, sim ou sim, acabará por comer a borboleta grega que, imposição após imposição, cedência após cedência, se vai debatendo na sua teia de exigências com o tempo a dizer-lhe que a aranha irá abocanhá-la exemplarmente para que mais nenhuma borboleta tenha o arrojo democrático de querer voar. Por cá, vamos observando como a nossa corte de aranhiços trabalha para o mesmo objectivo. As páginas do El Pais de hoje contam-nos como PSD, PS e CDS chegaram facilmente a um consenso sobre o que fazer às asas da borboleta portuguesa. Por hora, a censura prévia é o acordo possível. Os círculos uninominais e a redução do número de deputados é consenso a alcançar depois das eleições.

[El Pais] «Portugal celebra os 40 anos de liberdade de expressão mas parece que não comemorará os 41. Pela calada da noite, à traição, com uma rapidez desconhecida neste país, os três partidos maioritários, os governantes PSD e CDS, e o principal partido da oposição, o Partido Socialista, puseram-se de acordo num projecto de lei que pretende estabelecer o controlo prévio dos meios de comunicação na próxima campanha eleitoral.

O texto da proposta legislativa, que foi enviado aos restantes partidos com representação parlamentar Partido Comunista e Bloco de Esquerda, obriga a que cada órgão de comunicação, público ou privado, apresente um plano de cobertura das eleições  antes do período eleitoral, plano esse que será controlado por uma comissão mista formada por personalidades designadas pelos partidos políticos. O seu incumprimento acarretará multas e sanções de até 50.000 euros, entre outras ameaças.

O oficialmente designado "visto prévio”, ou seja, a censura prévia, abrange qualquer conteúdo, sejam noticias, reportagens, entrevistas ou debates, e abarca todos os tipos de órgãos de comunicação social: escritos, radiofónicos, televisivos, analógicos e digitais; pela primeira vez, as páginas de internet vão ter que enviar os seus planos de cobertura eleitoral ao poder político.

Estas regras não abrangem apenas os 15 dias de campanha eleitoral, entrarão em vigor após a oficialização das candidaturas; Ou seja, haverá mais de um mês de controlo prévio de opiniões, entrevistas e debates ou reportagens que se queiram realizar. O actual texto chega ao extremo de detalhar que as opiniões não podem "exceder o espaço que é dedicado à notícia ou reportagem". Também diz que o órgão ou jornalista não poderá criticar sempre o mesmo partido.» (texto original na íntegra está disponível aqui)


CARTOONS





Portugal, 24 de Abril

* Miguel Macedo foi ministro da Administração Interna e demitiu-se porque era amigo de um alto funcionário que foi preso, acusado de corrupção.
Rumores correm, segundo os quais Macedo também está envolvido, pelo que ele, que é deputado, pede o levantamento da imunidade.
A Comissão de Ética do Parlamento recusa o seu pedido, por unanimidade.
Decisão corporativa ou medicina preventiva?
Sem imunidade, quem livraria Macedo de ser infectado mais cedo?
* O PSD, CDS e PS querem fazer renascer o chamado “exame prévio”, eufemismo para censura.
Cada órgão de comunicação social deveria, então, apresentar um plano de cobertura jornalística do período eleitoral, que seria apreciado por um novo órgão, uma espécie de comissão mista composta por elementos da Comissão Nacional de Eleições e pela Entidade Reguladora da Comunicação Social.
Teríamos assim mais um órgão, como se o pâncreas, o fígado, a próstata e os testículos já não fossem suficientes!
Depois, se esse órgão achasse que o plano não era, digamos, adequado, o órgão não poderia fazer a cobertura.
Ora, um órgão sem cobertura apanha pó e está sujeito a emperrar.
Voltaríamos ao exame prévio.
Abrir as pernas antes de ser comida.
* Uma investigação da Universidade da Beira Interior, na Covilhã, indica que o consumo moderado de cafeína – 3 a 4 cafés por dia – pode ajudar à produção de espermatozóides.
Ora aqui está uma boa notícia, para compensar.
Hoje é sexta-feira e, esta semana, já bebi, pelas minhas contas, 24 cafés.
Portanto, cuidado comigo!
* Diz o Correio da Manhã que a Linha de Saúde 24 atendeu, em 2014, 526 mil chamadas telefónicas.
No que respeita à doença, os portugueses seguem a máxima: não vá, telefone?
Não – preferem a máxima: telefone e vá na mesma!
* O relatório das Nações Unidas sobre a felicidade dos países, coloca-nos no 88º lugar do ranking, 15 lugares abaixo do que estávamos há 3 anos!
O Governo Passos-Portas tornou-nos mais infelizes!
Ainda mais infelizes!
O país mais feliz do mundo é a Suíça e nós ficamos abaixo da China, da Sérvia e até da Zâmbia, país onde a esperança média de vida é de 57 anos, enquanto que nós, vivemos, em média, 80 anos.
Quer dizer, vivemos mais 23 anos fodidos da vida dos que os zambianos (ou será zambenses?).
Numa escala de felicidade de 0 a 10, ficamo-nos por 5,1.
Somos uns meias-tintas da merda!
O que vale é que, amanhã, é 25 de Abril…

Quadragésima primeira visita

Todos os anos o 25 de Abril visita-nos. Vai na quadragésima primeira vistoria. 
Nas primeiras revistas, o 25 de Abril encontrava mulheres e homens que festejavam e lutavam. Mexiam-se, reagiam, ganhavam, perdiam, faziam coisas boas, menos boas, asneiras, mas tinham iniciativa, aprendiam, desenvolviam-se em conhecimento e na melhoria das suas condições de vida. Em pouco tempo, estas mulheres e estes homens deram um salto significativo na sua qualidade de vida. De situações de miséria, muitos passaram a ter o mínimo que a decência humana exigia e exige. A saúde, a educação, a habitação deixaram de ser privilégio de alguns e tornaram-se bens acessíveis a todos.
Foi demais? Não foi demais. Foi de menos. Ficou muita coisa por fazer, muita coisa por mudar. 
Este processo social incomodou alguma gente? Incomodou. Incomodou demais? Não incomodou demais, incomodou de menos. Na verdade, o incómodo causado a alguma gente foi incomensuravelmente menor que oincómodo que alguma dessa gente causou, durante décadas, a milhões de portugueses — mulheres, homens, crianças, idosos.
A partir de certa altura, a energia dos actores destas mudanças foi quebrando. A ideia de que não se podia «ir longe demais», de que as alterações não podiam ser radicais, de que os interesses estabelecidos não podiam ser todos postos em causa começou a medrar e as mudanças pararam. Pouco tempo depois, as mudanças começaram a regredir e muitas foram apagadas do mapa das conquistas. Reinstalaram-se interesses, poderes e valores das elites que tinham sido desapossadas, com o 25 de Abril de 1974.
Chegados à quadragésima primeira vistoria, vemos o quanto voltámos ao passado. O quanto foi perdido em qualidade de vida e o quanto foi perdido em vontade e energia. A cultura do «inevitável» impôs-se, a corrupção instalou-se ao nível mais elevado, a incompetência ganhou estatuto de cidadania, as desigualdades sociais e económicas multiplicaram-se, o serviço nacional de saúde deixou de responder às necessidades e o sistema educativo público começou a ser destruído. 
Quarenta e uma visitas depois encontramo-nos degradados, anestesiados e crédulos, como quase sempre... 


CULTURA HORTOGRÁFICA


sexta-feira, abril 24, 2015

Comportamentos habituais na nossa sociedade que são considerados ofensivos noutras partes do mundo

Usar uma máscara cirúrgica em público quando se está doente

Na nossa sociedade parece-nos estranho quando pessoas utilizam máscaras cirúrgicas em público, mas em lugares como o Japão, é visto como cortesia utilizar tais máscaras quando se está doente para precaver a disseminação dos germes.



O encantador de vacas

É tudo piada! São uns brincalhões!

Autoridades australianas já abriram inquérito. "O diretor pensa existirem provas científicas"

As autoridades da Austrália deram hoje início a um inquérito sobre uma escola islâmica que terá proibido as raparigas de participarem em corridas por recearem que "percam a virgindade".
Em comunicado, o ministro da Educação do estado de Victoria, James Merlino, afirmou ter pedido "à autoridade reguladora para abrir um inquérito" relativo a uma situação "muito preocupante", caso se comprovem as acusações.
Um antigo professor da escola Al-Taqwa de Melbourne escreveu, esta semana, ao Governo federal e do estado de Victoria para acusar o diretor, Omar Hallak, de acreditar "que se as mulheres correrem excessivamente podem perder a virgindade", noticiou o jornal The Age.
"O diretor pensa existirem provas científicas que demonstram que se as raparigas ficarem feridas, por exemplo, se partirem uma perna a jogar futebol, podem ficar estéreis", indicou.
O jornal publicou também uma carta dirigida ao diretor a criticar, numa aparente referência à equipa de corrida de fundo da escola, a proibição imposta, em 2013 e no ano passado, de participação das alunas da primária nestas competições.

O que é que prefere? Uma valsa ou um tango?



O irrealismo dos cenários macroeconómicos do governo e do PS

 “(…)Os funcionários públicos esperavam as 35 horas? Nada. Esperavam a devolução dos dias de férias? Nada. Esperavam a restituição do valor do salário? As decisões do Tribunal Constitucional não são cumpridas, o PS limita-se a propor uma restituição em dois anos, ao contrário dos quatro do PSD e CDS. Os desempregados esperavam a reconstituição das indemnizações por despedimento ou dos valores dos subsídios de desemprego? Não pense nisso. Os trabalhadores esperavam os feriados de volta? Nada. Os reformados esperavam o seu nível de pensão reposto? A decisão do Tribunal Constitucional não é cumprida, esperem dois anos. Os cidadãos esperavam a rejeição da privatização da TAP? Nada, até são prometidas mais privatizações, embora o PS se tenha dispensado de nos dizer quais. )…)” (Francisco Louçã)
E nada a ver com"(...) Em suma, governo e PS estão a alimentar uma fantasia: ou a austeridade terá de ser reforçada para que se cumpram as metas orçamentais, o que implica que o crescimento será inferior ao que nos prometem ou o próximo governo procurará evitar que a política orçamental constitua um entrave à recuperação da economia e do emprego, mas para isso terá de abdicar de cumprir o Tratado Orçamental. Assim, seria bom que PSD, CDS e PS respondessem com clareza a uma questão: se após as eleições tiverem de escolher entre a criação de emprego e o cumprimento do Tratado Orçamental, como tudo indica que acontecerá, qual será a vossa escolha?"


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CARTOONS





Depois dos impostos, é só mais uma taxa

Felizmente, manda a Constituição que os serviços do Estado sejam “tendencialmente gratuitos”, porque assim podem ser gratuitos, o tanas. Se a Constituição mandasse que os serviços fossem gratuitos, era uma maçada, mas como diz “tendencialmente gratuitos” podem ser a pagar, porque não deixam de ser tendencialmente gratuitos. Por exemplo, eu sou tendencialmente bem educado, mas às vezes apetece-me mandar o Estado levar nos cofres.
A Justiça, a Saúde, por exemplo. Tudo grátis, só temos de pagar uma pequena taxa e é tudo maravilhosamente gratuito.
Na Saúde, criaram-se as taxas moderadoras para moderar, justamente, o acesso aos cuidados de Saúde. A Saúde é gratuita, mas há uma taxa moderadora, só para o serviço ser bem prestado, claro. Não é uma conta, não. Que disparate. É uma taxa moderadora e dizer o contrário é até uma grande ofensa para o Estado.
Por falar em ofensa, isso são outros quinhentos. A Justiça. “Tenho um amigo” que está a ser incomodado por uma octogenária que já flipou no que ao discernimento diz respeito. Má vizinhança, portanto. O “meu amigo” até já teve de incomodar os agentes de autoridade, bem como delegados de saúde e gabinetes de cidadãos. O Estado é Social, mas cuidar dos velhinhos abandonados que gripam no meio da rua, está quieto. É tão social quanto gratuito, está visto.
Nestas andanças, o “meu amigo” lá teve de dizer à polícia que talvez tivesse então de apresentar umas queixas, por exemplo, pelas ofensas, pelas injúrias ou pelas ameaças. Tudo muito bem. Pode apresentar-se as queixas todas, mas o próprio agente avisa logo que, só as ofensas – penso que era isto – são duzentos e tal euros no tribunal. Ou seja, temos de pagar.
O Estado consegue a proeza de ser ainda mais ofensivo que a ofensa que teria a obrigação de julgar. Mas é claro que também se trata, neste caso, de uma espécie de taxa moderadora. Se não fossem estes 200 euros, as pessoas que são ofendidas queixavam-se. Mas por duzentos euros leva tudo os desaforos para casa ou então vai buscar-se a caçadeira. Sim, não sei até que ponto este “livre acesso” à Justiça não terá influenciado a Justiça pelas próprias mãos, francamente mais económica e célere.
Seria natural que um Tribunal aplicasse uma taxa – ou coima – ao autor de uma queixa sem sentido ou de um queixoso recorrente ou em que se percebesse que havia outra intenção. Mas cobrar à cabeça valores desta natureza é um incomensurável escândalo, sobretudo quando o serviço da Justiça é uma miséria. Dois euros é uma fortuna por um processo em Portugal. Duzentos euros era o que deviam receber as partes, logo à cabeça, do Tribunal, a título de indemnização.
Pelo menos ficamos a saber que, numa altercação, podemos tranquilamente chamar os nomes todos ao adversário e ameaçar estraçalhá-lo com uma rebarbadora, que o desgraçado ainda tem de se chegar à frente em duzentos paus.
Enfim, mas é tudo tendencialmente gratuito. No fundo, o Estado é um burlão. É um esquema como as cartas da Nigéria. A simpática viúva também nos quer mandar os seus milhões, só que antes temos de lhe mandar uns milhares. A simpática viúva não deixa de tendencionalmente querer mandar-nos os seus milhões.