domingo, maio 03, 2015

Imagens extraordinárias que ninguém acredita que se trata de pinturas!...











O melhor cinema de acção do mundo! O cinema do Uganda!

A escola (sempre a escola) é que tem de resolver...

Soube-se na passada semana que no primeiro trimestre deste ano morreram em Portugal mais de trinta pessoas devido a acidentes de trabalho. A propósito, o inspector-geral da Autoridade para as Condições do Trabalho disse que a falta de inspectores não pode, de forma alguma, relacionar-se com essa catástrofe.

O que se pode, então, fazer? Antes de o senhor dar a resposta adivinhei-a: “introduzir as temáticas da segurança e saúde no trabalho” no ensino básico e secundário e superior. E, acrescentou: são “matérias de cidadania que têm que entrar no código genético dos portugueses”.

Não conseguindo esta inspecção assumir sequer uma parte do problema, empurra-o para a escola.

Pobre escola, tão acusada de não cumprir isto e mais aquilo mas todos exigem que resolva as tragédias da humanidade.


DAQUI

A vitória da Grécia

O título não é provocatório, reflecte apenas o que me ocorreu imediatamente quando li o relato que James K. Galbraith fez da sua última visita à Grécia, há pouco mais de um mês: «Há um espírito de dignidade em Atenas, que vale muito mais do que dinheiro. Sente-se algo de muito profundo, que talvez só me tenha sido possível observar duas ou três vezes na vida. E trata-se de um espírito que é contagioso, que pode em breve ser sentido em Espanha, em Portugal, na Irlanda e em outros locais.» (No que nos diz respeito parecemos estar muito longe disso, mas adiante: lá chegaremos, mais cedo ou mais tarde.)
Um povo que reagiu ao jugo austeritário e devastador de troikas elegendo um partido como o Syriza e um governo que tem demonstrado uma persistência e uma firmeza notáveis durante os últimos três meses merecem o nosso aplauso, o nosso respeito – e a nossa gratidão também. Venceram, até agora, qualquer que venha a ser o futuro próximo. Com uma grande dignidade.
Somos massacrados todos os dias com noticias agoirentas, e de regozijo mal disfarçado, sobre a inevitabilidade de uma derrota na guerra implacável que está a ser movida contra a Grécia pelos seus pares europeus e pelas chamadas «instituições». De inevitabilidades estão os nossos olhos e os nossos ouvidos cheios e continuemos por isso a esperar que acabe por vencer a razão daqueles que recusam pisar linhas vermelhas que jogam com a vida de pessoas e não com regras ditadas por folhas de Excel. Atenas não pode, nem deve, continuar a aceitar, como no passado que a levou ao estado em que se encontra, reformas cruéis no mercado de trabalho, privatizações insensatas ou atentados ao sistema de reformas. E, sim, como disse Alexis Tsipras em entrevista concedida há alguns dias a uma estação de televisão do seu país, «a prioridade do governo grego é pagar os salários e as pensões».
Honrar a dignidade é isso mesmo: não tratar as pessoas apenas como meios, esquecendo que são, antes de mais, um fim em si mesmas. Não há dívida, défice ou burocracia que justifiquem que este princípio seja esquecido. A humanidade não pode regredir e a dignidade deve sair vencedora.
Não se sabe, neste preciso momento, qual será o desfecho, a curto ou médio prazo, do braço de ferro de que nos tornaram espectadores. Mas ninguém tirará ao povo e ao governo grego a vitória na terrível batalha travada nestes três últimos longos meses. Se a Grécia vier a perder a guerra, é sobretudo a Europa que sairá vencida.

Uma foto da International Space Station da Península Ibérica


DIA DO TRABALHADOR É TODOS OS DIAS

No próximo ano passam 130 anos sobre o sacrifício dos mártires de Chicago em Haymarket Square, no primeiro de Maio de 1886. O que pensaria a maioria dos jovens de hoje – e dos não jovens, já agora – se por um improvável acaso passassem os olhos por estas linhas introdutórias?

Dia do Trabalhador? Isso não é um feriado inventado com o 25 de Abril? E se mataram os tais americanos é porque alguma coisa estavam a fazer, talvez uma greve, reivindicações nocivas para o mercado, de certeza era mais uma conspiração contra a saúde da economia. Num tempo em que se sucedem os dias das mentiras rivalizando, com vantagem, sobre o 1 de Abril – dia da paz, dia da Terra, dia do ambiente, dia da criança, dia do reformado, dia da Europa, dia do jornalista, enfim tantos dias de um calendário a fazer de conta – dia do trabalhador é apenas mais um, ainda com a agravante de juntar um feriado contra uma pobre economia que já sofre de tantos, por isso é que não arriba.

Não será antes dia do colaborador? Isso sim. Não teria que ser feriado, estaria muito mais de acordo com o espírito dos tempos, soa a bendita concertação, pronuncia-se em língua que todos percebem e poderia juntar patrões e empregados em clima de fraternidade empresarial num curto intervalo, uma happy hour – descontada nos salários, é claro – onde se serviriam papas e bolos, nada desses anacronismos de desfilar nas ruas gritando coisas disparatadas que as autoridades não escutam, e muito bem, que o Senhor lhes reconheça a virtude…

Parece haver quem não goste que se use a palavra colaborador e chegue ao descaramento provocatório de dizer que soa a corporativismo, e afinal que mal tem isso, não devem os patrões e os empregados agir para o mesmo fim, numa corrente produtiva capaz de retirar a economia do estado vegetativo em que se encontra muito por culpa dos que se acham trabalhadores e não colaboradores? Nos tempos em que o trabalho já não é sequer o principal produtor de riqueza, graças a Deus substituído pela imparável dinâmica financeira – a que só por irredentismo incurável alguns, os mesmos de sempre, chamam especulação – que sentido faz celebrar, pior que isso, fazer um feriado num dia do trabalhador que tresanda a 25 de Abril, morto e enterrado, para lembrar uns contestatários anarquistas mortos há muito mais de um século por não querem trabalhar o tempo que os patrões ordenavam?

Nas altas esferas, contudo, alertaram que pode não cair muito bem usar a expressão dia do colaborador agora que lá pela Ucrânia e adjacências há pessoas que, sob as bandeiras pacíficas da NATO e da União Europeia, pretendem restaurar e retomar a herança de tantos heróis aviltados que colaboraram com Hitler e limparam os seus países e outros de uma data de energúmenos, por certo do mesmo jaez dos abatidos em Chicago. Há quem ainda lhes chame colaboradores, colaboracionistas e por causa das ressonâncias das raízes das palavras recomenda-se alguma prudência no recurso a vocábulos e celebrações susceptíveis de alimentar reflexões e teorias da conspiração para as quais há sempre mentes maléficas disponíveis.

Soou-vos de modo absurdo este monólogo? Afinal o absurdo anda por aí feito regime, e não apenas na espuma dos dias, reparem como até elites laborais escolhem provocatoriamente o 1º de Maio para lançar greves que mais parecem lock-outs porque fazem o governo esfregar as mãos, já de si ávidas por destruir um bem que é de todos – a TAP – para o entregar a alguns empreendedores, melhor dito especuladores.

Por tudo isto, é importante que Dia do Trabalhador não seja apenas o 1 de Maio e consiga ir substituindo todos e cada um dos dias das mentiras que tomaram conta do calendário de todos nós.


Asco

Uma criança é violada. Engravida. Aos 12 anos, e muito bem, é decidido interromper mesmo que tardiamente a sua gravidez: é um daqueles casos, óbvios, em que se opta por tentar salvar a vítima, colocando em primeiro lugar a vida da criança existente.
E que diz o inquisidor Gonçalo Portocarrero de Almeida, da seita franquista Opus Dei? lamenta que a mãe da criança, que assistiu impávida às sucessivas violações, não tenha sido ouvida. Só se esqueceu de pedir também a opinião do violador.

Celeuma da abstinência

Os homossexuais podem dar sangue, desde que declarem não ter relações com outros homens. É este o princípio que vigora em Portugal. Não está mal. Há países em que os homossexuais não podem ser homossexuais. Por cá podem, não podem é exercer a homossexualidade. Ou melhor, até podem, mas depois têm de ficar em quarentena.
São um grupo de risco, diz o instituto do sangue, que tem números. E como são um grupo de risco, é melhor perguntar-lhes se andam a namorar, pois em caso afirmativo é melhor metermos uma máscara.
Curioso, uma entidade que não tem oficialmente confiança num grupo de pessoas, fazer-lhes apenas uma pergunta. Sim, porque com certeza não se pede aos homossexuais provas de que não têm andado na brincadeira. É portanto apenas uma pergunta burocrática.
Mas a questão nem é tanto a avaliação do risco ou do grupo de risco. O problema aqui é outro. É um organismo que diz à sociedade “há ali um grupo de pessoas mais complicado, mas nao há problema porque a gente pergunta-lhes se andam no forró”. O que é que se ganha com isto?
Se o sangue é testado antes – como penso que li algures – então é sempre testado. Claro que eliminar grupos de risco é sempre uma boa prevenção, mas julgo que essa triagem jamais pode ser feita perguntando à pessoa se anda a fazer o amor. E quantas vezes? E com quem? Um ou mais? Menos de cinco? Num mês ou num ano? «Ui, ui, isso foi demais, meu amigo, se quiser dar sangue vai ter de passar uma temporada a sarapitolas. Próximo!»
Para além disso, esta pergunta sem sentido faz ainda menos sentido se for feita apenas a homossexuais. Grupos de risco são todos. Um cavalheiro com alergia ao látex acabadinho de chegar de uma expedição sexual pela Ásia também parecer ser levemente ameaçador, mas graças à sua macheza não será necessário abrir o livro no guichet.
Grotesco. Se o sangue é testado, é testado. Se mesmo com testes existem riscos que a ciência ainda não pode eliminar, então claro que se tem de fazer uma selecção ou mais testes, não se pode é ir perguntar às pessoas o que andam a fazer, porque então depois é preciso perguntar também há quanto tempo não aldrabam uma resposta.


CARTOONS





sábado, maio 02, 2015

Uma ida ao museu pode ser uma coisa engraçada!...
















As pessoas estão constantemente a perguntar-me como é ser um símbolo sexual?

Greve dos Hipermercados

É normal uma urgência hospitalar estar aberta às 10 da noite, é normal e quem trabalha a essa hora tem que ser muito recompensado, não é normal alguém estar a vender tupperwares, lingerie ou champôs a essa hora. Não é normal e não era normal há 20 anos atrás. Vivi na Alemanha, na Holanda, só no Brasil vi esta ideia surreal de ter um supermercado aberto pela noite dentro, e sempre com trabalhadores a ganharem mal. As sociedades não podem estar presas nas narrativas dominantes, sociedades sem futuro não existem. Este país fez um 1º de Maio há 41 anos que juntou nas ruas 2 milhões de pessoas. Como é possível que 41 anos depois, de andar para a frente, de produzir mais, de ter inventado mais, haja supermercados abertos (vejam: uma coisa são hospitais mas porquê um supermercado aberto?),e os que lá trabalham hoje estão em condições de exaustão, com salários que mal conseguem chegar ao fim do mês e sem perspectivas nenhumas de mudar de vida, melhorar, aprender, mobilidade social?

DAQUI

Além do dinheiro ‪#‎AdhocracyATH‬

A crise não é uma oportunidade para a esmagadora maioria das pessoas. Não cria esperança. Condiciona os sonhos. Crises financeiras como a que a Grécia atravessa são provocadas e metodicamente desenhadas. São reajustes da concentração de capital mais do que a consequência de políticas económicas desapropriadas.
Contudo, no decorrer destes processos de terra queimada – cíclicos ao longo da história do capitalismo -, interessa perceber e valorizar tudo o que vai brotando.
Adhocracy é uma exposição que, depois de Istambul (2012), Nova Iorque (2013) e Londres (2013), inaugurou há dois dias em Atenas com curadoria da dpr-barcelona (Ethel Baraona Pohl e César Reyes Nájera), Pelin Tan e Panos Dragonas.
O termo “adhocracy remonta aos anos 60, inicialmente ligado à esfera dos negócios, tendo sido redesenhado nos anos 70, por Charles Jencks e Nathan Silver (1972), para descrever práticas de vida e de fazer coisas “ad-hoc” utilizando os materiais que estão mais à mão sem esperar pelas condições perfeitas e pela abordagem mais própria.
Esta exposição destaca projectos que questionam o sistema e as suas formas de produção, valorizando o que é feito em comum e deixado em código aberto para que outros deles se apropriem e os desenvolvam. Estão expostos cinquenta e quatro projectos que vão desde o site Kickended um arquivo de projectos que não obtiveram financiamento, ao espaço “A Embaixada” de troca e partilha de comida, trabalho e arte na Grécia, ao resultado da Wiki Weapon Project, à plataforma cidadã para acções urbanas FabAthens, ao #OccupyGezi ou à estratégia de design participativo Aigaleon 639.
Adhocracy, mais do que divulgar projectos e práticas disciplinares transversais à nossa vida em sociedade, recentra a questão no ser humano, na sua capacidade de criar e fazer em comum. Numa existência além da dívida. Além do dinheiro.


DAQUI

Treta da semana: falsidades demagógicas antitaurinas.

Nuno Markl e Ricardo Araújo Pereira fizeram um vídeo (1) apoiando a campanha “Enterrar as Touradas” (2), da associação ANIMAL. Nesta campanha, a associação pede assinaturas para duas petições, uma pela proibição do emprego e assistência de menores nas touradas e outra contra o financiamento público destes espectáculos. A associação PRÓTOIRO reagiu acusando Markl e Pereira de serem “taurofóbicos” e de fazerem «afirmações demagógicas que promovem falsidades e preconceitos contra milhões de aficionados portugueses, num atentado à cultura e liberdade dos portugueses»(3). 

Esta acusação de promoção demagógica de falsidades é irónica, além de ridícula, por vir de uma associação que defende a tortura pública dos toiros alegando ser pró-toiro. Ainda por cima, chamam “taurofóbicos” aos que não concordam que espetar ferros em bovinos seja uma entretenga aceitável. Se algo aqui é claramente falsidade demagógica é rotular de «atentado à cultura e liberdade dos portugueses» o apelo à assinatura destas petições, que pecam apenas pela modéstia. Proibir a participação de menores e acabar com o subsídio público às touradas seria tratar a tortura pública dos toiros como se trata o consumo de tabaco ou as apostas, que a lei também tenta vedar a menores e que o Estado não subsidia. E mesmo que se quisesse proibir as touradas, não atentaria mais contra a liberdade do que proibir as lutas de cães, proibição que presumo ser consensual mesmo entre os aficionados da tauromaquia. 

Atrás desta demagogia da treta há uma confusão mais substancial. O argumento principal dos defensores da tourada é o de que este passatempo merece um estatuto especial porque faz parte da nossa cultura. A premissa implícita é a de que tudo o que faz parte da cultura é, só por isso, automaticamente aceitável independentemente dos defeitos que tiver. Mas não é a pertença à cultura que torna algo bom. É precisamente o contrário. O que queremos é incluir na nossa cultura aquilo que nos ajude a ser melhores seres humanos, individualmente e colectivamente. É por isso que vamos mudando a nossa cultura. Proibimos o trabalho infantil em favor da escolaridade obrigatória para as crianças. Proibimos a escravatura e consagramos na Constituição liberdades inalienáveis. Proibimos a discriminação e defendemos a igualdade de direitos para pessoas de todas as raças, credos e sexos. Em vez de alegar que a tourada merece um estatuto especial por fazer parte da nossa cultura, os defensores deste espectáculo teriam de demonstrar que a tourada merece fazer parte da nossa cultura. O que não conseguem porque a tourada é uma barbaridade cruel que até repugnaria a maioria dos aficionados se a vítima fosse outro animal qualquer que não aquele a cujo sofrimento o hábito os dessensibilizou. 

1- Dailymotion, Nuno Markl e Ricardo Araújo Pereira 
2- ANIMAL, Enterrar as touradas
3- PRÓTOIRO, Digo NÃO às mentiras e preconceitos taurofóbicos....


DAQUI

CARTOONS




As perguntas do PSD (e as respostas do PS)

Factos: o PS apresentou um cenário macroeconómico para os próximos 10 anos, da autoria de uma equipa de economistas chefiada por um tipo chamado Centeno
.
O PSD não acreditou no cenário e decidiu fazer algumas perguntas ao PS, no sentido de esclarecer as coisas.
Eis algumas dessas perguntas e respectivas respostas.

PSD – Há alguma relação entre Centeno e Milenium?

PS – O Centeno é 1/10 avos do milénio; estudem as fracções porra!

PSD – Onde é que a Maria de Belém compra a roupa? Na secção infantil da Zara?

PS – Não: no mesmo sítio onde o Marco António Costa compra os óculos.

PSD – O Mário Soares toma comprimidos para a memória?

PS – Começou a tomar há 6 meses; foram-lhe aconselhados pelo Cavaco, que já os toma há 5 anos.

PSD – Como compensam os milhões que perdem ao repor a sobretaxa do IRS?

PS – Pedimos dinheiro emprestado ao Sócrates e ao grupo LENA.

PSD – O António Galamba usa piercing na orelha porquê?

PS – É uma promessa: retira-o quando aquele deputado gordo do PSD deixar de usar brilhantina.

PSD – Podem garantir que não vão cortar nas pensões?

PS – Somos um partido de esquerda! Vocês cortaram nas pensões; nós, se tiver que ser, cortamos nos hotéis!


PSD – Fizeram um plano para 10 anos: estão a pensar governar durante esse tempo todo?

PS – Não: estimamos que 10 anos seja o tempo que resta a Portugal.

PSD – Por que razão o Ferro Rodrigues usa aquele cabelo que parece uma boina?

PS – Porque, por baixo, é completamente careca
.
PSD – O Guterres deu-vos com os pés; o Sampaio da Nóvoa é uma segunda escolha?

PS – Não, a nossa segunda escolha era a Angelina Jolie…

PSD – Como raio vão vocês conseguir criar 15 mil postos de trabalho?

PS – Despedimos todos os gajos do PSD da Administração Pública.

PSD – Precisaram de uma equipa de 12 economistas para elaborar essa merda?

PS – Sim: um escreveu e os outros 11 fizeram força.


I have a dream


Enviado pela leitora B.V.

Passos elogia, "de uma forma muito amiga e especial", Dias Loureiro




Os cidadãos ficam sempre muito incomodados com este tipo de situação, não percebendo ou não querendo perceber que todos eles fazem parte da mesma pandilha e que se protegem uns aos outros...

O mais irónico por um lado e triste por outro é que são os mesmos cidadãos que os escolhem para os cargos públicos que desempenham com tanto afinco!...

"Dias Loureiro foi um dos principais responsáveis do BPN, que causou aos contribuintes um prejuízo superior a 4.700 milhões de euros. Passos Coelho elogiou Dias Loureiro, nesta quinta-feira, dizendo que é “um empresário bem-sucedido” que sabe que se “queremos vencer na vida” “temos de ser exigentes, metódicos”.

O que de mais notável há nos últimos três governos liderados por ex-jotas é que nem se dão ao trabalho de disfarçar.
Mas mais uma vez, o que é verdadeiramente extraordinário são os eleitores que gostam de apostar no suicídio colectivo ao continuarem a votar nesta cambada!...


sexta-feira, maio 01, 2015

A vida está cheia de coincidências engraçadas!...














E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão?


No país que muito provavelmente mais golpes de estado patrocinou, entre dezenas ou mesmo centenas de invasões e ataques militares que devastaram países, cidades, serviços básicos e sobretudo pessoas, que em muitos casos foram empurradas para um nível de pobreza muito abaixo daquilo que algum dia teriam imaginado, em países que já de si existiam em situações extremamente frágeis, para não falar dos mortos, nos regimes totalitários que se instalaram e nas ervas daninhas que plantaram, entre as quais a Al-Qaeda será a sua obra-prima, ainda existe violência racial. O que não é grande novidade claro. A novidade é que em Baltimore a paciência parece ter chegado ao fim.
Depois da morte de Freddie Gray na prisão daquela cidade, os protestos multiplicaram-se e estenderam-se a outras cidades. Nova Iorque foi um desses casos e o título que surge sobre o assunto no Sapo é um excelente exemplo não só do mau jornalismo que se pratica neste pais mas também da forma como se manipulam ideologicamente estes casos: “Mais de 100 detidos em protestos contra a polícia em Nova Iorque“. Mas os protestos não são contra a polícia. Os protestos são contra a violência policial sentida pela população afro-americana na cidade de Baltimore. Se fossem na Venezuela, e obviamente fruto da crueldade do regime chavista, aposto que os manifestantes eram todos corajosos guerrilheiros da liberdade. A indignação dos unicórnios teria proporções bíblicas. Como tudo isto se passa nos EUA, deve ser apenas um bando de delinquentes que armou tudo isto para pilhar uns bancos.

Fuga de depósitos e banqueiros anarquistas

Varoufakis e a mulher foram atacados num restaurante por militantes (alegadamente) anarquistas. Diz o jornal The telegraph, no seu site, que o ataque se ficou a dever à situação descrita no gráfico abaixo (ver o gráfico da notícia, em que os números são mais claros).


O Telegraph não fornece nenhum dado ou razão para pensar que os agressores fossem, de facto, anarquistas preocupados com a fuga de depósitos. No entanto, o mais importante na notícia são os dados citados no gráfico com base no Banco da Grécia e na Bloomberg, que permitem traçar a história da fuga de depósitos desde 2010, ano em que se iniciou a intervenção da Troika. Nesse primeiro momento, saíram da Grécia cerca de 87 mil milhões de euros. Seguiu-se um período de recuperação após a reestruturação da dívida grega de março/abril de 2012 e uma estabilização até ao impasse negocial que agora se verifica e durante o qual saíram mais 24 mil milhões.
Durante todo este período, os depósitos caíram para cerca de 60% do seu valor no início de 2010. Esse valor mostra bem a dimensão da crise bancária grega, mas também as suas origens. Um primeiro movimento de fuga no contexto da recessão económica que o país enfrentou nos primeiros anos do ajustamento, uma recuperação baseada na esperança (ilusória) de que a reestruturação de 2012 fosse suficiente para devolver a dívida a uma trajetória de sustentabilidade e, mais recentemente, uma nova queda associada certamente à incerteza quanto ao desfecho das negociações entre governo grego e o Eurogrupo e quanto à própria permanência do país na moeda única. Em todo o caso, a fuga de depósitos é um expoente grave da crise bancária grega e, ao contrário da imagem que é frequentemente transmitida, é tudo menos recente.

A minha austeridade é melhor do que a tua




Porque a minha é "de esquerda" e a tua é de direita. António Costa tinha toda a razão quando decidiu andar todos estes meses a esconder-se atrás de discursos vazios. Cavaco Silva tem toda a razão quando insiste que o consenso é possível. 

DAQUI

O caçador de talentos

Ontem, a pretexto do Dia Europeu da Solidariedade e Cooperação entre Gerações, foi dia de promover aos olhos dos portugueses a alegada vantagem de desmantelar um Estado-pecado que ainda assegura direitos e da sua substituição por instituições-virtude escolhidas pelos benfeitores do regime para a nobre missão de transformar esses direitos em caridade. Com esse propósito, a Obra Diocesana de Promoção Social, do Porto, foi agraciada pelo Presidente da República que nunca se engana e raramente tem dúvidas com o título de membro honorário da Ordem do Mérito. Nem 24 horas depois, hoje, nova homenagem, desta vez oferecida pela PJ e inspectores da Segurança Social, que fizeram buscas nas instalações  do mais recente membro honorário da Ordem do Mérito na sequência de suspeitas de fraude à Segurança Social, mais concretamente uma denúncia de recebimento de dinheiros públicos por serviços prestados a utentes-fantasma. Sem dúvida alguma, Cavaco Silva é um caça talentos. Acertou em cheio na condecoração ao Zeinal que fez voar 900 milhões da PT para o universo Espírito Santo. Arrisca-se a acertar na mouche outra vez. Quem serão os medalhados do próximo 10 de Junho? A PJ que esteja atenta.

DAQUI

CARTOONS





Não, não foram os pilotos que destruíram a TAP

Vamos partir de uma premissa justa: a TAP está feita em fanicos. Ora, tal como se deve fazer com as boas premissas, vamos então formular todo um raciocínio: Porque é que a TAP está feita em fanicos?
Aparentemente, por decisões de gestão que saíram furadas, também por alguns galos e diz o seu dono – o Estado – que a impossibilidade de investir também foi uma gaita. Recorde-se que as companhias aéreas não podem ser subvencionadas graças à legislação comunitária e este é, aliás, o melhor argumento para a privatização.
Bom, tendo em conta alguns dos grandes negócios da TAP, ainda bem que o Estado não pôde lá meter dinheiro. É até engraçado dizer-se que o problema de uma empresa é a falta de investimento quando praticamente todos os grandes investimentos que ela fez rebentaram com ela. Como é que isto se explica a uma criança? Olha, pequenote, a TAP andou a deitar dinheiro ao rio e agora nós queríamos deitar mais dinheiro ao rio mas não nos deixam. É isto?
É evidente que há um problema sério ao nível da gestão, o que dá azo a outra pergunta: Porque é que não se substituiu entretanto a administração da TAP, que também está a precisar de uma manutenção? Uma situação financeira dramática, erros grosseiros, azares diversos, instabilidade… e nada? O acionista não faz nada? Fica a ver? A curtir?
Bem sei que está em curso um processo de privatização, mas não será melhor privatizar-se uma empresa estável? Quem é que teve esta ideia de rebentar com a empresa para o povo perceber que ela tem mesmo de ser privatizada? Bem sei que este povo é um pouco casmurro e não está a ser fácil explicar-lhe que estamos numa comunidade que obedece a regras e uma das quais é não se poder subsidiar companhias de aviação, mas destruir a empresa jamais podia ser o caminho. Porém, foi. Foi mesmo esse o caminho. E a culpa não é dos pilotos, porque ainda não é aos comandos de uma aeronave que se destrói empresas, a menos que se aterre em cima delas.
A TAP está na miséria. Uma greve de dez dias é de facto pesada, mas uma companhia devia ter a capacidade de aguentar. Uma empresa não pode desaparecer do mapa por causa de uma greve. Há menos de um ano, os pilotos da Air France estiveram em greve 14 dias.
Não foram os pilotos que destruíram a TAP. Foi um processo. “Mas nós não pudemos investir, a sério, a Europa não deixa, juro» – dirá o Governo, mas deixem-se de tretas. Se pusermos dinheiro na TAP, a Europa não nos bombardeia. Eventualmente levanta-nos um auto e prega-nos uma coima. Mas é fazer as contas com a coima. Talvez compensasse privatizar a empresa melhor, já estabilizada, e pagar a multa. Isto se houvesse multa, porque às vezes, bem conversado e bem explicado, a boa Europa ajuda.
Por outro lado, se o Governo percebe que há uma questão passional com a TAP, porque não admite a hipótese de ficar com uma percentagem da empresa? Organiza-a, estabiliza-a, dá-lhe valor e privatiza a maioria do seu capital, ficando só ali com uma coisa para ir às reuniões. Isto não faz sentido?
Repito, não foram os pilotos que destruíram a TAP, independentemente da greve avançar e durar mais ou menos tempo, com mais ou menos adesão. Foi um processo. A TAP tem vindo a ser destruída. Apresenta resultados dramáticos e não houve, em anos, uma única alteração de estratégia ou de política. Calendarizou-se uma privatização e aqui vai disto, ninguém nos pára.
Os resultados estão aí. Uma empresa sem valor, que, diz o seu dono, nem aguenta uma greve. A culpa até pode ser dos pilotos, mas não dos que comandam os aviões, é dos que comandam a TAP.


O encanto das eleições




Apelo aos pilotos da TAP


Dia Mundial do Trabalhador... do Colaborador...

Celebrar o Dia do Trabalhador numa época em que o trabalhador é considerado cada vez mais uma despesa, um empecilho ou um mal necessário tem evidentemente um lado cínico.
Só a falta de coragem política é que impede que se institua oficialmente o dia ou os dias: do Capital, do Patrão, do Banqueiro ou, numa linguagem mais moderna e mais abrangente: do Empreendedor, do Financeiro, do Gestor, do Administrador, do CEO, do CFO, da Governance, doBenchmarking, das Sinergias, daAccountability, da Análise Custo-Benefício, da Análise Custo-Eficácia, da Análise de Risco, da Análise SWOT, do Competitivo, doBrainstorming, do Empowerment, da Avaliação de Desempenho, da Avaliação Externa, da Avaliação Interna, das Evidências, do Focus Group, das Competências, da Estratégia, da Gestão Orientada para Resultados, dos Indicadores de Contexto, dos Indicadores de Eficácia, dos Indicadores de Eficiência, dos Indicadores de Impacto, das Taxas de Cobertura, dos Top-Down, dos Inputs, dos Outputs, dos Outcomes, dos Objectivos Estratégicos, dos Objectivos Operacionais, dos Objectivos SMART, do Auditor, da Liderança, da Triangulação, da Key Performance Indicators, dos Stakeholders, da Missão, do Painel de Peritos, do Standard, do Value-For-Money.
Que vale um trabalhador comparado com este universo de intelligence
Celebrar o Dia Mundial do Trabalhador é evidentemente um anacronismo. Até porque já não há trabalhadores, há somente colaboradores. Deste modo, por determinação superior, o 1.º de Maio passará em breve a ser o Dia Mundial do Colaborador, e, a médio prazo, quando a realidade estiver um pouco mais madura, tentar-se-á que a designação passe a ser a de Dia Mundial do Colaboracionista...

DA ATRIBUIÇÃO DOS DIREITOS

“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se em sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.
                                                                                                                                                   Pierre Manent