quarta-feira, junho 03, 2015

Solidariedade com a Grécia – Boaventura de Sousa Santos

Escrevo de Atenas, onde me encontro a convite do Instituto Nicos Poulantzas para discutir os problemas e desafios que enfrentam os países do sul da Europa e as possíveis aprendizagens que se podem recolher de experiências inovadoras tanto na Europa como noutras regiões do mundo. Convergimos em que o que se vai passar nos próximos dias ou semanas nas negociações da Grécia com as instituições europeias e o FMI serão decisivas, não só para o povo grego, como para os povos do sul da Europa e para a Europa no seu conjunto.
O que está em causa? Defender a dignidade e o mínimo bem-estar de um povo vítima de uma enorme injustiça histórica e de políticas de austeridade (para além do mais, mal calibradas) que espalharam morte e devastação social (bem visíveis nas ruas e nas casas) sem sequer atingir nenhum dos objetivos com que se procuraram legitimar. Não admira que o primeiro ponto do programa de Salónica do Syriza seja o alívio imediato da grave crise humanitária. Com um envolvimento militante que há muito desapareceu dos cinzentos políticos europeus, a vice-ministra para a solidariedade social, Theano Fotiou, fala-me do modo como está a ser organizado o resgate dos que caíram em pobreza extrema (programas de alimentação, eletricidade e tratamento médico gratuitos), não deixando de salientar a cooperação, de algum modo surpreendente, que tem tido dos bancos gregos para gerir o sistema de pagamentos. Para além das políticas de emergência, o programa do Syriza, tal como o de Podemos na Espanha, é um programa social-democrático moderado. Esta é a grande ironia da 2 Europa: os sociais-democratas de ontem são os liberais de hoje; os revolucionários de ontem são os sociais-democratas de hoje. As principais linhas vermelhas que Syriza não pode deixar cruzar referem-se à redução das pensões e ao fim da contratação coletiva. Trata-se dos dois pilares principais da social-democracia europeia. Ao defendê-los, o Syriza está a defender o que há de mais luminoso no património político, social e cultural da Europa do último meio século. É uma defesa corajosa no processo de negociação mais assimétrico e desigual da história europeia (e talvez mundial) recente. Uma defesa que só não será solitária se puder contar com a solidariedade ativa dos cidadãos europeus para quem o pântano da resignação não é opção.
O que vem aí? Costumo dizer que os sociólogos são bons a prever o passado. Mas não é difícil ver nos sinais disponíveis mais razões para pessimismo do que para otimismo. Surpreendentemente, um desses sinais mais perturbadores para os gregos é o programa económico recentemente apresentado pelo PS português. A radicalidade conservadora de algumas propostas, sobretudo no domínio das relações laborais e das pensões (mais conservadoras do que as do partido socialista espanhol e muito semelhantes às do novo partido conservador espanhol, Ciudadanos), leva a considerar que ele foi elaborado com inside knowledge, isto é, com conhecimento prévio e privilegiado das decisões, por enquanto secretas, que os “grandes decisores” europeus já tomaram em relação à Grécia e aos países do sul da Europa. Tanto no domínio das pensões (erosão das condições de sustentabilidade para justificar futuras reduções) como no das relações laborais (erosão fatal da contratação coletiva), o PS propõe-se uma política que viola as duas linhas vermelhas principais do Syriza e, que, aplicada entre nós, porá fim à mitigada social-democracia que conquistámos nos últimos quarenta anos. Pré-anúncio de que o Syriza vai ser trucidado para 3 servir da vacina contra o que pode ocorrer na Espanha, na Irlanda, em Portugal e mesmo na Itália? Não sabemos, mas é legítimo ter uma suspeita e uma certeza. A suspeita é que os “grandes decisores” visam atingir o coração do Syriza, fazendo com que parte dos seus apoiantes (sobretudo os que não dependem de ajuda humanitária) o abandonem, eventualmente com a promessa ardilosa de que sem o Syriza poderão obter mais benesses europeias do que com ele. A certeza é que, com a derrota do Syriza, os partidos socialistas que em tempos optaram pela terceira via saberão em breve que esta via é em verdade um beco sem saída
Texto de Boaventura de Sousa Santos, publicado na Visão de 28 de Maio

NEONAZISMO À BEIRA DO NOBEL DA PAZ

Depois de Barack Obama, chega a vez de o regime neonazi vigente na Ucrânia poder vir a ser agraciado com o Prémio Nobel da Paz através da figura do seu presidente, o oligarca Piotr Poroshenko, entronizado através de eleições parciais e manipuladas.
Uma carta enviada pelo presidente do Parlamento de Kiev, Vladimir Groysman, à encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Oslo, Julie Furuta-Toy, agradece as pressões já realizadas sobre o Comité Nobel a favor do chefe da junta ucraniana mas adverte que a acção tem de continuar uma vez que, até agora, apenas dois dos cinco membros acataram as instruções norte-americanas para a escolha de Poroshenko. De acordo com a mesma carta, “aguardamos mais esforços no sentido de alterar as posições de Beirit Reiss-Anderssen, Inger-Marie Ytterhorn e especialmente do presidente do Comité Nobel, Kaci Kullmann Five”.
Nos termos da carta, que cita o envolvimento pessoal da subsecretária de Estado Victoria Nuland na operação, a atribuição do Nobel da Paz a Poroshenko será muito importante para garantir a “integridade da Ucrânia”, incluindo a reintegração da Crimeia, e também para a “democracia e a liberdade de expressão em todo o mundo”.
É verdade que o Nobel da Paz anda pelas ruas da amargura, de tal modo que o Parlamento Norueguês se viu forçado a destituir o anterior presidente do Comité, o ex-primeiro ministro Thorbjørn Jagland, por comprovada corrupção. Jagland, presidente do Conselho da Europa e um dos notáveis trabalhistas (sociais-democratas) noruegueses, foi relegado para a posição de membro do Comité e nessa qualidade – mostrando uma notável coerência e uma desafiadora contumácia – é agora um dos dois elementos que já se manifestaram pela atribuição do prémio a Poroshenko. O outro nessa situação é o conservador Kenrik Syse, do mesmo partido que Kulmann Five, o actual presidente do Comité, pelo que a formação da necessária maioria não é assim tão imprevisível.
É importante salientar que a intensificação das pressões no sentido de o Nobel ser atribuído a Poroshenko está associada a jogos internos de poder nos Estados Unidos da América desencadeados depois de o secretário de Estado, John Kerry, se ter encontrado em 11 de Maio com o presidente russo pedindo-lhe o envolvimento numa solução negociada da questão ucraniana.
Esta iniciativa de Kerry e Obama causou a ira dos neoconservadores, dos quais Victoria Nuland é a ponta de lança na Ucrânia, empenhados não apenas na sabotagem dos acordos de Minsk como no reforço das operações militares contra as populações do Leste e Sudeste do país. A carta contem uma sibilina insinuação segundo a qual a entrega do Nobel a Poroshenko poderá criar condições susceptíveis de evitar as manifestações de força que o regime de Kiev está pronto a desencadear contra as regiões de maioria russófona.
Poroshenko encabeça um regime instaurado por golpe de Estado, institucionalizado através de eleições fraudulentas e parciais, chefiado por uma junta de poder no qual os aparelhos militar e de segurança foram entregues a grupos nazis que se declaram herdeiros das correntes fascistas que colaboraram com as tropas de Hitler nas chacinas praticadas durante a ocupação alemã. O silêncio em torno dos resultados dos prometidos inquéritos reforça as suspeitas de envolvimento da junta de Kiev no derrube do avião malaio que fazia o voo MH17 com 300 pessoas a bordo, em 17 de Julho do ano passado. As operações repressivas realizadas pelas tropas ao serviço da junta no Leste e Sudeste da Ucrânia têm sido denunciadas como limpezas étnicas, em consonância, aliás, com os ideólogos nazis no poder que reclamam uma purificação da população do país. Além disso, a junta e o parlamento têm vindo a decretar a ilegalização de forças políticas da oposição, começando pelos comunistas, e a forçar o encerramento de numerosos meios de comunicação social. O presidente ucraniano assinou recentemente um decreto segundo o qual as organizações que colaboraram com Hitler são reconhecidas como “combatentes da liberdade”.
De descrédito em descrédito, o Nobel da Paz baterá, sem dúvida, no fundo se as pressões em curso sobre o Comité de Oslo resultarem e Piotr Poroshenko, um senhor da guerra, for o escolhido de 2015.



Série "milagre português": mérito

Ontem a notícia foram os desempregados que o IEFP anda a prejudicar para proveito das estatísticas transformando-os em população inactiva através de anulações das suas inscrições contra a sua vontade e ignorando as recomendações do Provedor de Justiça. Hoje a notícia é uma nova descida na taxa     de desemprego - o número não importa grande coisa, ninguém encontra trabalho - para 13%. Confirma-se. O pessoal do IEFP anda a trabalhar mesmo bem.
Vagamente relacionado: O Observatório sobre Crises e Alternativas estima em 24,7% o desemprego real para 2014, dado que compara com os 13,5% oficiais avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Se for tido em conta o sub-emprego, a percentagem sobe para 29,1%. Sobre a estratégia utilizada para que o desemprego real não estrague a propaganda da recuperação que apenas se encontra na comunicação social que se limita a divulgar os dados oficiais, o Observatório   escreve no seu último Barómetro: “se no primeiro trimestre de 2011 este diferencial se situava em cerca de quatro pontos percentuais, em 2013 passa para oito pontos percentuais e atinge os onze pontos percentuais no final de 2014. E se às estimativas de Desemprego 'Real' juntarmos ainda o subemprego, essa diferença passa de sete pontos percentuais em 2011 para treze pontos percentuais em 2013, atingindo um valor de dezasseis pontos percentuais no final de 2014”, isto é, neste momento por cada ponto percentual da taxa de desemprego considerada oficialmente já são desconsiderados mais de 1,18 pontos percentuais de desemprego real. O pleno emprego está mesmo aí ao virar da esquina.


Crimes de oportunidade

Na tarde de 18 de Dezembro de 2012 a minha mulher, Rafael Marques e eu fomos ao cinema num centro comercial em Lisboa. Quando regressámos ao carro, estacionado no primeiro piso do parque subterrâneo, um indivíduo tentou subitamente e com desconcertante nervo forçar a entrada no banco de trás onde Rafael Marques já estava sentado. O episódio foi muito rápido. Durou alguns segundos, mas os três reagimos com grande vigor e o homem, jovem e musculado, que já tinha conseguido meter meio corpo no interior do carro, acabou por se escapulir com rapidez surpreendente, desaparecendo entre as colunas e os carros do estacionamento.
O alvo do que quer que se tenha passado foi, claramente, o Rafael. A minha mulher e eu teríamos sido danos colaterais que estávamos no local errado, ou certo, à hora certa, ou errada. Comuniquei às autoridades o que, para todos nós que o vivemos, configurou um atentado. Na sequência da minha queixa, Rafael Marques foi posto sob a vigilância de várias polícias especiais do nosso país. Na altura decidimos não mediatizar o episódio, não só porque qualquer de nós abomina o tabloidismo que seria inevitável, mas, sobretudo, porque achámos que a segurança de Rafael Marques em Portugal seria mais bem assegurada com as autoridades a trabalhar sem pressões mediáticas. A estratégia resultou. O Rafael teve, e espero que continue a ter, um acompanhamento discreto mas claramente eficaz sempre que vem a Portugal. Chegou a altura de contar estes detalhes porque Rafael Marques está, novamente, no meio de uma emboscada. O suplício jurídico a que está a ser sujeito em Angola, num campo minado de traições e embustes feitos a coberto de uma lei adaptável aos moldes do ditame político, está a ter grande destaque na imprensa internacional e a preocupar grupos que zelam pelos direitos humanos e pela liberdade de expressão na Europa e na América. Infelizmente em Portugal, com a excepção deste jornal e dos corajosos despachos que a Agência Lusa tem mantido sobre a tragédia de Rafael Marques, os relatos noticiosos, quando existem, têm sido extremamente cautelosos, numa estratégia óbvia para não melindrar o capital angolano que hoje controla a quase totalidade da imprensa diária em Portugal e tem influência determinante na radiodifusão privada, incluindo televisões.
Rafael Marques disse-me uma vez que muita da sua capacidade de intervenção advinha da sua exposição no Jornal das 9 da SIC Notícias. Mas as suas denúncias sempre causaram grande incómodo em Portugal. O Governo justifica a complacência para com Angola com os postos de trabalho dos portugueses emigrados. O mesmo argumento usado no passado para manter as mais cordiais relações com o apartheid de Pretória, ostracizando o ANC por causa dos imigrantes na África do Sul. Foi por isso que as relações entre Lisboa e o ANC sempre foram difíceis. Com o regime do MPLA e o poderio financeiro angolano, a atitude governamental e empresarial é a mesma dos tempos em que Mandela estava preso em Robben Island; não se pode ofender os anfitriões de tanto posto de trabalho, sejam eles quem forem.
No decurso da minha actividade jornalística, fui admoestado dos melindres que causavam as declarações que Rafael Marques fazia nos noticiários da minha responsabilidade. Numa das comunicações que recebi por escrito na sequência de um trabalho sobre os Diamantes de Sangue chegaram a tentar exigir um exame prévio dos meus entrevistados. Noutro episódio em que Rafael Marques denunciou no Jornal das 9 o conúbio entre o regime do MPLA e a revista Rumo, que a Impresa de Pinto Balsemão editava em Luanda, fui advertido dos problemas causados a “colegas” que estavam a trabalhar em Angola. Foi neste ambiente que a SIC, por razões que a razão há-de sempre desconhecer, aceitou exibir em prime time, no seu canal principal, a extraordinária “entrevista” de Henrique Cymerman a José Eduardo dos Santos. Actualmente, a SIC transmite nos noticiários longos panegíricos sobre os paraísos angolanos e adoptou como slogan o angolaníssimo “Estamos Juntos”, saudação decalcada do cumprimento dos guerrilheiros angolanos, ironicamente, muito popular entre a UNITA. Até ao cancelamento do meu contrato de trabalho, continuei a dar voz a Rafael Marques e a divulgar as suas denúncias, fossem elas do saque dos diamantes das Lundas, do regime de escravatura dos camponeses com os piores índices de expectativa de vida e de mortalidade infantil do mundo, à bestialidade do tratamento de prisioneiros nos cárceres de Angola. Prisões com que Rafael Marques está agora ameaçado, depois de ter caído no embuste de aceitar um acordo judicial com os seus algozes para, de surpresa, o Tribunal e a Procuradoria abjurarem tudo, fustigando-o com uma dura e desproporcionada pena, ignorando o entendimento lavrado por escrito em papel timbrado do Ministério da Justiça da República de Angola, validado por um juiz, que dava por findo o processo dos Diamantes de Sangue.
O ambiente em Angola é selvático. Rafael Marques tem tentado opor-se à criminalidade institucionalizada que faz o Departamento de Estado de Washington descrever Angola como um local de eleição para a prática de “crimes de oportunidade”. Mas se oportunidade para o crime existe em Angola, Portugal, no Governo, nos media e na alta finança, contribui para que essa oportunidade seja aproveitada por quem a história tornou numa elite realmente desalmada. Houve alguém que durante o estalinismo disse que as indecências da história não toleram testemunhas.
Rafael Marques tem sido a principal testemunha do que de mais indecente se passa em Angola e, nesse processo, do que aqui em Portugal também não é decente. É por isso que o silenciam. Cá e lá.

De pequenino…

Tudo muito indignado porque a PSP de Portalegre, ontem, nas comemorações do Dia Mundial da Criança, organizou um simulacro de uma carga policial.
De um lado, as crianças-manifestantes, atirando bolas de papel, do outro, as crianças-polícias de choque.
Aposto que os putos se divertiram à brava.
Porque é de pequenino que se torce o pepino e já que obrigamos miúdos de 8 anos a fazer ditados sobre a princesa Esbrenhaxa, por que não colocá-lo perante situações da vida real?
Uma carga policial foi só o começo.
Incentivo as autarquias, como apoio da PSP, a iniciarem outros projectos semelhantes: cenas de violência doméstica, assaltos a residências, fugas a impostos e orgias sexuais.
Os putos vão adorar!

Podre de maduro


OS MUNICIPALIZADORES ESTÃO DESORIENTADOS? VÃO VER QUE A CULPA É DOS PROFESSORES

Acreditem que os municipalizadores vão culpar os professores pelo insucesso das suas epifanias escolares. Não gastarão um segundo a pensar que não têm qualquer prova dada ou que os seus atrevimentos não têm correspondência na realidade.

Muitos partidocratas confundem liberalismo com providencialismo e legitimidade democrática com comunidade educativa. É bom que se repita que a nossa bancarrota não é apenas uma invenção que nada tem a ver com a forma como gerimos a coisa pública. Sempre foi preciso remar contra muitas marés para erguer, por exemplo, uma escola. A terraplanagem e o desrespeito pela organização das escolas é um metabolismo que acelerou vertiginosamente dois ou três anos depois do início deste milénio.

Mas já se sabe: estamos virados para o Atlântico, os nossos "especialistas" em gestão acham que só podem trabalhar com os "melhores" e que os outros, que nunca são eles, optarão pelo mergulho no oceano. É como tantas vezes se repetiu: o país não funciona? Mude-se o povo.

O que é difícil, belo e da família da boa administração, é melhorar uma organização pública com os que existem.

terça-feira, junho 02, 2015

Dia Mundial da Criança! Foi tão bom!

Foi tão querido o dia da criança em Portalegre! As crianças polícia de choque dum lado e do outro as crianças supostamente arruaceiras... É assim que se ensina a ser bom cidadão e é assim que se moldam as inocentes mentalidades ao capitalismo cada vez mais selvagem!





Homem de idade comendo sozinho acompanhado pela foto da mulher falecida...


Uma mulher aprecia o Rijksmuseum uma última vez...


Aos gregos não estará reservado o destino de Tântalo

Os senhores que comandam as «instituições» e decidem sobre dinheiros leram umas histórias sobre a mitologia grega e decidiram que Tântalo pode ser um modelo a impor como exemplo aos actuais helénicos. Considerando que estes insistiram em provar ambrósia que não lhes estava reservada no Olimpo dos mercados, e que se portaram mal nos sacrifícios que ofereceram aos deuses, mostram-lhes água e manjares sem deixarem que os alcancem para matar a sede e a fome. E gostariam que a situação se eternizasse – como para Tântalo.
Passaram quatro meses desde as eleições, acabou a semana, mais uma que seria «a decisiva», e tudo se encontra praticamente na mesma. Multiplicam-se reuniões públicas, semipúblicas e privadas e as propostas gregas continuam a não ser suficientes para que UE, BCE e FMI aceitem que há linhas vermelhas que o governo grego não quer – nem deve – pisar ou deixar que sejam pisadas.
Tsipras chegou a anunciar que já se estava na fase de redigir o rascunho de um acordo, mas foi rebate falso; as trapalhadas com supostas declarações de Christine Lagarde segundo as quais a responsável pelo FMI admitiria uma saída da Grexit para breve, posteriormente desmentidas por um porta-voz da organização, provocaram uma compreensível corrida aos levantamentos bancários; continuam os rumores sobre divergências entre Angela Merkel e o seu ministro das Finanças; etc., etc, etc.

Um pouco de fé


JUNHO ANUNCIA-SE SANGRENTO

O mês de Junho anuncia-se sangrento na arena internacional. É um mês decisivo para os senhores da guerra de vários matizes, que tentarão ganhar e definir posições ainda antes da assinatura do acordo dito de prevenção nuclear a assinar no dia 30 entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irão sob a batuta do presidente Hassan Rohani.
O acordo, em si mesmo, fecha uma história batoteira que serviu para alimentar sanções e outras medidas de isolamento do Irão, sobretudo para conter a sua influência regional até que o regime de Teerão se “moderou”. Qualquer dirigente norte-americano, mesmo os que não o admitem, sabe que o Irão não tinha qualquer projecto nuclear militar na manga, o seu objectivo estratégico através da energia atómica é meramente civil. O regime iraniano pretende gerir as suas riquezas petrolíferas da maneira que melhor entende, de forma a não depender energeticamente apenas delas. É importante recordar, a propósito da enorme mentira mundial que foi a possível “bomba atómica” do Irão, o decreto religioso emitido em 1988 pelo líder histórico da revolução, o ayatollah Khomeiny, proclamando a renúncia da República Islâmica à utilização da energia atómica com fins militares.
O que significa então o acordo a assinar em 30 de Junho, negociado em segredo nos últimos dois anos entre Washington e Teerão, em paralelo e muitas vezes à revelia das chamadas conversações 5+1 na Suíça? Significa que Estados Unidos e Israel, por um lado, e o Irão, pelo outro, vão partilhar esferas de influência no Médio Oriente estabelecendo, de certa maneira, umNOVO mapa da região. Escreveu-se Israel, mas sabe-se que o primeiro-ministro Netanyahu está contra este arranjo, uma vez que ele traduz, se funcionar, uma possível rejeição norte-americana do projecto de Grande Israel. Este ponto levanta uma série de interrogações sobre o futuro do governo de Netanyahu recém-constituído, ao qual a administração norte-americana não parece agora disposta a facilitar a vida.
O acordo entre Washington e Teerão formaliza a rejeição, pelo Irão, do uso da energia atómica para fins militares, a renúncia à “exportação da revolução islâmica” e, em contrapartida, determina o levantamento das sanções internacionais contra a República Islâmica. O Irão conservará as suas esferas de influência na Síria, no Líbano, no Iraque e a questão palestiniana deverá regressar aos objectivos de Oslo; os Estados Unidos e Israel reinarão sobre uma grande aliança no Golfo acrescida do Egipto, que assentará num eixo militar entre Israel e a Arábia Saudita, cuja existência é cada vez mais nítida. A administração Obama não se compromete, porém, a garantir preto no branco a sobrevivência das actuais monarquias corruptas, o que se percebeu através do meio fracasso da recente cimeira das ditaduras realizada em Washington.
Os Estados Unidos pretendem, através dos arranjos com o Irão, estabilizar a situação no Médio Oriente de maneira a transferirem para a Ásia grande parte dos efectivos afectados actualmente à região. A estratégica asiática, de maneira a fazer frente à China e à Rússia, é agora o principal objectivo imperial e por isso está a nascer no sultanato do Brunei a maior base militar norte-americana e mundial.
Na perspectiva do acordo a assinar no dia 30 desenvolvem-se agora intensas operações militares buscando a conquista de posições que, muito hipoteticamente, ficariam congeladas nesse dia. Daí o recrudescimento da ofensiva israelita-americana-europeia em território sírio, de que é exemplo a conquista em dois dias, pelos terroristas do Estado Islâmico, de duas das principais cidades da Síria e do Iraque, Palmyra e Ramadi. Salta aos olhos que o Estado Islâmico faz parte da estratégia norte-americana e israelita para a fase que se segue à assinatura do acordo. Alguém acredita que um grupo terrorista alegadamente sujeito, há vários meses, a uma campanha de bombardeamentos aéreos norte-americanos mantenha vitalidade para lançar uma bem sucedida ofensiva, e logo em duas frentes? A guerra ocidental contra o Estado Islâmico é falsa porque este grupo, sustentado logisticamente também por Israel, faz parte dos arranjos territoriais em curso.
A guerra pela conquista de posições antes de dia 30 vai marcar todo o mês de Junho. Daí falar-se também, cada vez mais insistentemente, na possível criação de um Estado Curdo no Curdistão iraquiano patrocinado pelos Estados Unidos, Israel, e tolerado pelo Irão.
Os arranjos existem no papel, o que não quer dizer que funcionem. O mais provável é que não funcionem, como demonstra toda a história do Médio Oriente desde os acordos entre o Reino Unido e a França (Sykes-Picot) a seguir à Primeira Guerra Mundial. As variáveis são mais que muitas, a começar pelo facto de a administração Obama estar em fim de carreira e em Israel existir, embora mais frágil que anteriormente, um governo que fará tudo para minar o entendimento entre Washington e Terrão. Acresce que a proliferação de grupos terroristas islâmicos e o estado de degradação a que chegaram as situações na Síria, no Iraque, no Iémen e a questão palestiniana não se compadecem com geometrias diplomáticas, mesmo que parecessem realistas e aplicáveis – o que nem sequer é o caso. Não é certo, sequer, que depois de assinado o acordo a propaganda global silencie as mentiras sobre a opção nuclear militar iraniana.


Copos, chapadas, gravatas e ditadores



O título do vídeo refere-se ao presidente da Comissão Europeia como estando alcoolizado. É possível que esteja, até porque em alguns momentos fica no ar a sensação de que o senhor está efectivamente embriagado, não só pelas atitudes pouco protocolares mas também por alguns gestos vagarosos e frouxos, comuns entre aqueles que já beberam um copito a mais. Talvez isso explique a graçola – que não é mentira nenhuma – de se referir ao seu colega do PPE Victor Orbán como o ditador (“the dictator arrives“), a quem de resto deu um valente “bacalhau” e aplicou mais um bela chapada. Ditador ou não, Juncker não parece propriamente incomodado com a sua chegada e o cumprimento é caloroso. Afinal de contas, Orbán é apenas um fascista que pretende ressuscitar a pena de morte e reinstituir campos de trabalho forçado.

DAQUI

Isabel Jonet, um papagaio ideológico do regime


No rescaldo de mais uma campanha do Banco Alimentar Contra a Fome (BACF), a inenarrável Isabel Jonet fez uma declaração à Isabel Jonet admitindo que “apesar da recuperação económica, esta ainda não terá chegado às famílias que são apoiadas pelas instituições de solidariedade social” [via Expresso].
Nem vai chegar tão cedo, isto se algum dia chegar. É que essas são precisamente as famílias que perderam empregos, que foram alvo de cortes em pensões, salários e/ou prestações sociais e/ou que estão hoje sujeitas a cargas fiscais verdadeiramente brutais que as impedem de conseguir fazer face às suas despesas. Aquelas que os amigos de Jonet no governo – com os quais a presidente do BACF parece concordar – disseram que teriam que empobrecer.
De pouco serve às camadas mais desfavorecidas da população que o PSI-20 esteja a crescer, que as exportações das contribuintes holandesas estejam a aumentar e que a situação da balança comercial esteja a melhorar por via da redução drástica das importações, que acontece porque não existe dinheiro para as fazer e não porque os portugueses decidiram ser patriotas e passar a comprar o que é nosso. O fosso continua a aumentar, o desemprego – cujos maiores inimigos têm sido políticos corruptos, clientelistas e incompetentes e não as redes sociais – só desce por via da engenharia política do desemprego e do estratagema dos estágios profissionais, a emigração em massa de centenas de milhares de jovens reduz o número de cérebros e afecta a demografia e o SNS não consegue dar resposta à procura, ao mesmo tempo que os abutres do sector privado, apoiados pelos mercenários liberais que desgovernam o país, o tomam de assalto. Falar em “recuperação económica” poderá fazer sentido nos círculos de tias e de banquetes solidários, opulentos e hipócritas, onde Isabel Jonet ocasionalmente se move, mas pouco ou nada se aplica ao mundo real onde a fome e o desespero crescem e se multiplicam. Contudo, serve na perfeição a agenda pró-austeridade deste governo num período pré-eleitoral tão delicado.
Não é a primeira vez que a presidente do BACF nos presenteia com este alinhamento saloio com a narrativa governamental. Ou é o empobrecimento necessário, ou são os mandriões dos portugueses que vivem acima das suas possibilidades com os seus frigoríficos e ocasionais refeições de carne, ou são as crianças carenciadas que chegam à escola de barriga vazia, algo que segundo esta personagem se deve à “não responsabilização e falta de tempo dos pais” e não a “hipotéticas” dificuldades financeiras, ou são os portugueses irresponsáveis que desperdiçam, por oposição à grande distribuição que faz uma gestão rigorosíssima dos bens alimentares e às regras comunitárias que, para proteger a aristocracia dos supermercados, obrigam milhares de produtores e destruir alimentos que ultrapassem determinadas cotas de produção. Mas os verdadeiros “profissionais da pobreza” que existem neste país estão no governo a trabalhar em prol do nosso empobrecimento e nos corredores lobistas a proteger o lucro da grande distribuição em detrimento da sobrevivência dos pequenos produtores e das condições laborais dos trabalhadores. Para além de pessoas como a senhora Jonet, que não só funcionam como papagaios ideológicos deste e de outros governos como acabam por usar a sua influência para (tentar) legitimar manipulações repugnantes como o conto para crianças do português comum que viveu acima das suas possibilidades, contribuindo desta forma para a narrativa de desculpabilização da incompetência e irresponsabilidade de quem nos governa e nos trouxe até aqui.
Quero sinceramente acreditar que a mediocridade comunicativa e argumentativa de Isabel Jonet é a outra face de uma moeda que no seu reverso apresenta uma gestora capaz que está efectivamente a fazer um bom trabalho à frente do BACF. Mas ouvir/ler as alucinações que a senhora traz a público leva-me por vezes a acreditar na possibilidade de haver ali um qualquer problema do foro psicológico a que se junta um alinhamento ideológico com os fanáticos da austeridade que, esses sim, viveram e vivem acima das suas possibilidades enquanto governam este país e nos mandam empobrecer. Para esses não endereça Isabel Jonet os seus falsos moralismos. Porque será?

Os bons ares da Madeira


Soneto do século XVII por António Fonseca Soares (Frei António das Chagas)

CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo ...


segunda-feira, junho 01, 2015

Qualquer semelhança é pura coincidência!...


Uma mãe a ouvir o bater do coração do filho morto, na mulher que o recebeu...



Há aquela tese que diz que não há mulheres bonitas, há sim mulheres bem pintadas...

Parece que cantar no carro, não dá bom resultado!...

É para a "virgem" maria?


Um "programa altamente estruturado de formatação ideológica"

“Não fomos informados previamente, não nos pediram autorização, o que deveria ter sido feito dado o conteúdo gravíssimo deste programa, onde a sociedade é apresentada como sendo exclusivamente regida por relações económicas e que exclui tudo o que sejam relações de solidariedade e de afecto” [tudo isto] “vai contra o que tenta ensinar ao filho” [e também contra] “os valores da escola pública” (Mariana Santos, mãe).
“Não queremos que a escola pública obrigue os nossos filhos a serem empreendedores competitivos obcecados pelo sucesso” contestam o que consideram ser “um programa altamente estruturado de formatação ideológica” (Carta aberta  de vários pais enviada à comunicação social).
No início deste mês, no jornal PúblicoClara Viana, deu a conhecer a surpresa e indignação de uma mãe ao descobrir na mochila do seu filho de seis ou sete anos um folheto que lhe havia sido oferecido na escola por alguém que foi lá "educar para...". Outros pais se lhe juntarem, protestaram em conjunto e a imprensa deu-lhe eco, em artigos como o de José Soeiro, publicado no Expresso.

Mas, que folheto era esse que tanta agitação provocou entre pais e jornalistas?
Era de "educação para o empreendedorismo".

E, sendo sobre "educação para o empreendedorismo", justificava-se tanta agitação?

Dou, desde já, a minha opinião: sim, justificava. Melhor, justifica. Explico as minha razões.

1. A "educação para o empreendedorismo" como componente curricular

1.1. A "educação para o empreendedorismo" constitui, efectivamente, uma orientação (com força de directriz) de instâncias internacionais, como a OCDE e a UE, para todos os níveis da educação escolar, desde o Jardim de Infância até ao final do Ensino Superior), estando estas instâncias muito atentas ao seu cumprimento. Para se perceber melhor o que digo, leiam-se dois relatórios publicados durante este ano: Perspetivas da Política da Educação 2015: Concretização das Reformas, da OCDE e Country Report Portugal 2015, da UE (páginas 42-49).

No primeiro, salienta-se Portugal pela positiva no que respeita à ponte que tem estabelecidos entre escolas e empresas; no segundo recomenda-se que a educação permaneça na agenda política como um dos principais motores do crescimento económico sustentável e da produtividade, e nele se acrescenta que a revisão curricular mais recente "despreza várias competências chave transversais como a capacidade empreendedora".

1.2. Passando para o plano nacional, a "educação para o empreendedorismo" encontra-se consagrada como uma das quinze áreas de Educação para a Cidadania. No sítio online da Direcção-Geral de Educação, constam as linhas gerais que a devem guiar, bem comodocumentos de referência, recursos educativos e tudo o mais que seja preciso para o seu ensino. Dá-se também destaque a ligações úteis, colaboradores, concursos, etc.

1.3. E, chegamos às escolas, que no Projecto Educativo devem integrar uma ou várias "Educações para...". Não tenho dados em mão, mas estou convenciada de que, a par da "Educação para a saúde" e da "Educação sexual", escolhem a "Educação para o empreendedorismo" e  a "Educação financeira".

Se atendermos a 1.1. e 1.2. concluimos que estão a cumprir orientações internacionais e nacionais. Podem, é certo, optar por outra(s) "Educação(ões) para..." que se afigurarão mais formativas, como a "Educação para os Direitos Humanos" ou a "Educação para a Paz", mas estas não têm, nem de perto nem de longe, o suporte institucional e logístico que aquelas têm.

2A força da "educação para o empreendedorismo"

Efectivamente, esse suporte inclui tudo o que as escolas precisam e nem imaginam que precisam para que os mais e menos jovens se tornem, diz-se, gestores das (suas) finanças e empreendedores de excelência.

Tudo é feito com o máximo de profissionalismo: os documentos parecem mesmo curriculares; as metodologias e os recursos parecem mesmo pedagógicos. Usa-se a linguagem que seduz: "abordagens activas e significativas", "ir ao encontro do interesse dos alunos", "proporcionar a expressão da sua natural criatividade", "trabalho colaborativo e autónomo"... Há concursos, prémios e muita animação.

Neste rol incluem-se as tais pessoas de que fala a mãe a que aludi no início deste texto: representantes “do mundo empresarial” ou, como a evolução da abordagem escolar desta matéria tem ditado, de consórcios. Trata-se de pessoas que não são educadores, não têm credenciais para ensinar mas levam “o empreendedorismo para dentro das salas de aula”.

Pelas razões que apontámos em 1 a que se juntam outras - não parecerem fechadas à sociedade, porque as autarquias assim o preferem ou exigem, pela falta de reflexão sobre o que realmente subjaz a estas "Educações para...", sobre a legitimidade de se aceitarem e sobre a ponderação ética que a aceitação requer -, as escolas escancaram-lhes a porta da frente e entregam-lhe, de bandeja, as crianças para que as doutrinem à vontade.

E, como Clara Viana apurou, são aos milhares em Portugal e aos milhões pelo mundo.

Os pais acima citados, tendo percebido isso mesmo, destacam, no meu entender muitíssimo bem, que estamos perante uma "formatação ideológica" segundo um "programa altamente estruturado".

Não é, na verdade, obra de amadores mas de técnicos altamente qualificados que conseguiu legitimidade curricular nos vários níveis de decisão curricular, desde o mais macro ao mais micro. Assim, entra pela porta da frente das escola para fazer exactamento o contrário daquilo que esta instituição tem por missão fazer: educar.


DAQUI

Oferta de escola: Introdução à Cultura e Línguas Clássicas


Como é bem sabido, nas décadas mais recentes a cultura e, sobretudo, as línguas clássicas - latim e grego - foram sendo afastadas do sistema educativo português, tendo chegado praticamente à extinção.

Vários professores dos diversos níveis de escolaridade não desistiram, no entanto, de as ensinar, fosse em contexto formal fosse em contexto não formal.

Algum do trabalho desses professores foi agora reunido e acolhido pelo Ministério da Educação e Ciência, que o disponibliza a todos Agrupamentos de escolas/Escolas não agrupadas que o queiram aproveitar.

Assim, a partir do próximo ano lectivo, as escolas com Ensino Básico que considerem pertinente integrar uma componente de cultura e línguas clássicas no seu Projecto Educativo  poderão enquadrá-la na "Oferta de Escola" dos 1.º, 2.º e/ou 3.º Ciclos,

Para apresentar essa componente e o quadro curricular em que se insere, realizar-se-á, no dia 5 de Junho, no Conservatório de Música de Coimbra, um seminário aberto à comunidade educativa, com especial destaque para directores, professores e formadores de professores.


Seria Bom para o FMI se a Grécia Deixasse de Pagar

Esta semana, a comunidade de credores enfrenta mais um momento de pânico; são cada vez mais as vozes influentes a defender que a Grécia devia deixar de pagar os empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI), canalizando os escassos recursos públicos de que dispõe para fazer frente à crise económica e humanitária. Embora o primeiro Ministro Tsipras continue a tentar acalmar os credores, a ideia veio para ficar. E é boa: a Grécia devia não apenas adiar o pagamento dos empréstimos, mas pura e simplesmente entrar em incumprimento — isto é, deixar de pagar ao FMI definitivamente. Seria o ponto de partida para, finalmente, reformar o FMI e fazer dele um instrumento real e efetivo para responder às crises, em vez do fantoche político que é atualmente.
Empréstimos sem riscos podem transformar-se rapidamente em empréstimos irresponsáveis
Saia quem saia a perder de uma crise da dívida — normalmente, muita gente —, o FMI está sempre a salvo. É prática comum os devedores concederem-lhe o estatuto de credor preferencial, e pagarem sempre os empréstimos na íntegra e atempadamente. Embora não esteja escrito em parte alguma do direito internacional que exista um estatuto de credor preferencial do FMI — nem sequer nos próprios estatutos do FMI —, tradicionalmente, todos os países aderem a esta prática. Incluindo países como a Argentina, que foi considerada devedora incumpridora por juízes americanos, e não tem quaisquer intenções de manter boas relações com o FMI.
Pagar ao FMI geralmente implica um custo elevado para o desenvolvimento dos países devedores, e para os restantes credores, que são obrigados a aceitar cortes — maiores ainda se o FMI não participar na restruturação da dívida. O facto de toda a gente pagar ao FMI significa que os empréstimos são essencialmente sem riscos. E, como em todas as outras situações em que o empréstimo é considerado sem riscos, o credor é encorajado a agir irresponsavelmente, e a fazer coisas verdadeiramente estúpidas.

BALSEMÃO, BARROSO & Cia

Anuncia a comunicação dita “de referência”, que nestas coisas do chamado arco da governação tem obrigação de saber do que fala, que o senhor Pinto Balsemão, luso-imperador da comunicação social com sotaque global do comendador Marinho, escolheu sucessor na comissão permanente do universo conspirador conhecido por Grupo de Bilderberg. E esse sucessor é: o inefável Durão Barroso, pois quem havia de ser? De conspirador militante anti-25 de Abril, via mrpp, a intérprete dos desejos dos barões da especulação financeira a quem foi confiado o cutelo da austeridade, passando por anfitrião da cimeira de grandes mentirosos que acelerou o caos em que se encontra o Médio Oriente, o seu currículo merece tão valiosa recompensa como insigne distinção. Barroso não passa apenas a fazer parte do núcleo dos grandes conspiradores que, numa clandestinidade aristocrática, definem como deve funcionar a “democracia transparente” em todo o mundo; assume também funções executivas, isto é, empunha o facho com a chama acesa entre conclaves anuais e, por inerência, convida os portugueses a quem serão atribuídas as missões estratégicas a desempenhar nos próximos tempos.
Esta interpretação de factos tão relevantes que aqui vos transmito emana, como não podia deixar de ser, dos sinistros antros da teoria da conspiração. O senhor Balsemão foi um corajoso dissidente do fascismo, até integrou a Ala Liberal, uma engenhosa manobra de regeneração do marcelismo através do manto diáfano da democracia para que o capitalismo continuasse a ser o que sempre foi; foi apanhada em contrapé pelos militares, é verdade, mas logo se recompôs reencarnando em forma PSD. O senhor Balsemão foi até primeiro-ministro durante a longa marcha contra a herança do 25 de Abril conduzida juntamente com o dr. Soares e o prof. Freitas, sob a batuta ágil e enérgica do embaixador Carlucci, para devolver o país à essência da Ala Liberal, que hoje tanto pode chamar-se ala neoliberal como arco da governação. No entanto, a vocação autêntica do senhor Balsemão é a propaganda, tendo encontrado no Grupo de Bilderberg o lugar certo para desempenhar a missão que lhe foi outorgada, com vantagens inegáveis para o próprio e quem o escolheu e danos vultosos para a democracia. Danos vultosos estes que não são colaterais, mas sim a essência dos objectivos a atingir.
Quanto ao senhor Durão Barroso, uma geração abaixo, é a sucessão natural do agora fatigado guerreiro Balsemão, merecedor de repouso e de uma enxurrada de condecorações. De feroz inimigo da “educação burguesa” traulitando a eito contra o 25 de Abril a enfático presidente da Comissão Europeia com um pé ou os dois sempre em Washington – lembre-se a cruzada pelo “acordo de comércio transatlântico” lançada a todo o gás e com as urgências máximas no último ano do seu mandato - ele tem energia, contactos e experiência para dar e vender nos areópagos da conspiração mundial. Parece ser o homem certo no lugar certo porque nos últimos anos poucos dirigentes políticos têm conseguido ser tão eficazes contra a democracia e os direitos humanos em nome da democracia e dos direitos humanos. O senhor Barroso – há que reconhecer-lhe esse talento - tem o savoir-faire, a intrepidez e a flexibilidade de manobra fundamentais para executar missões e trabalhos de sapa encomendados pelos padrinhos, que assim conservam as mãos limpas e impolutas. Das Lages ao desempenho à cabeça da Comissão Europeia não faltam exemplos ilustrando uma tal vocação que lhe vem da meninice e à qual soube puxar o lustro exigido pela elegância da especulação financeira.
Neste mês de Junho, que promete ser quente, dar-se-á a passagem do testemunho de Balsemão para Barroso em mais um conclave anual de Bilderberg. Com as ondas de choque do acordo entre os Estados Unidos da América e o Irão no horizonte, os magnatas, generais, barões da propaganda, super-espiões, estrategos, ex-governantes, imperadores das telecomunicações vão formatar os acontecimentos do próximo ano e daí canalizarão as ordens a cumprir pelas múltiplas versões de arco da governação implantadas através do globo. Lá estarão também os portugueses, escolhidos quiçá a quatro mãos por Balsemão & Barroso, para serem instruídos nas missões a desempenhar, sejam quais foram os resultados das eleições, para que a lusitana versão do arco da governação prossiga no caminho em que deve prosseguir para que os ricos sejam cada vais mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e mais numerosos.
Interpretação esta que não passa, como sempre, de mal-intencionada teoria da conspiração.


LEILÃO DE IMÓVEIS!


Enviado pela leitora F.S.

Quem quer receber uma reforma miserável?

O tema sustentabilidade da Segurança Social não sai das notícias. Ainda bem. Se lhe soubermos dar o uso devido, e estamos a falar do direito a uma velhice digna para o qual todos trabalhamos, nenhuma informação peca por excesso.

Um dos alertas do dia chega-nos através de um relatório da Comissão Europeia que mais uma vez chama a atenção para um futuro que a todos deve preocupar: mantendo-se as actuais regras, quem hoje trabalha e faz descontos para no final da sua carreira contributiva receber uma reforma de 1000 euros pode começar desde já a pensar na melhor forma de agir para evitar chegar a 2025, que é já daqui a dez anos, e, em vez dos mil,  receber um pouco menos de 450 euros, valor que irá encolhendo até aos pouco mais de 300 euros que a CE prevê seja a pensão a receber por quem hoje faz descontos para ter direito a 1000.

O outro alerta encontramo-lo nas abordagens a estes números dos "especialistas" que contribuíram para que hoje nos alarmemos com a perspectiva das velhices miseráveis que o uso que deram ao poder que lhes foi confiado pelos eleitorados respectivos produziu. Resumem o problema a uma mera questão demográfica. Envelhecemos, têm toda a razão, dizem que temos poucos jovens, continuam com toda a razão, mas ignoram as estatísticas do emprego que mostram que sendo poucos os jovens que temos são demasiados, a taxa  de desemprego jovem vai chegando aos 40%, e fazem de conta que não conhecem as estatísticas da emigração que nos mostram que temos tanta falta de jovens que até os exportamos. Estupidez natural? Nada disso.

Já foram reveladas as datas de produção do filme para 2016 do mestre Woody Allen!



Woody Allen’s 2015 film is Irrational Man, but he is already prepping his 2016 film. Starring Jesse EisenbergBlake LivelyKristen Stewart and Bruce Willis, we now have specific filming dates.
According to Production Weekly, the film (known as Woody Allen Summer Project 2015) will begin shooting 17th August in LA. It will take until early September. Production then moves to New York from 8th September until mid October.
It’s worth noting that New York makes up twice as much shooting as LA. It marks Allen’s first film shot mostly in New York since 2009’s Whatever Works and only his second in over a decade. With a bulk of shooting taking place in September, it seems wrong to call it a ‘summer’ project at all. It is later than Allen’s usual July/August shooting schedule of previous years. And that late start makes it really unlikely he will fit in production of the 2016 Amazon Series this year.
There’s probably a good chance that the stars will be out on the streets and that there will be photos on social media. Although, it could turn out to be all studio work like Shadows And Fog or something. Some of them might appear in one city only, like Alec Baldwin in Blue Jasmine. Who knows.
With a good ten weeks before production starts, we assume more details will emerge about this film. At the moment we know very little. More casting perhaps?