sábado, junho 27, 2015

Este bife é tão macio!


A terrível realidade da moderna escravatura...

A moderna escravatura é conhecida pelo nome de "tráfico de humanos" e refere-se a imigrantes ilegais que não podem livremente deixar o trabalho que os seus "senhores" lhes arranjaram.

Globalmente, existem cerca de 47 milhões de escravos em 2015, enquanto que havia cerca de 4 milhões de escravos nos Estados Unidos em 1860!

SUUM QUIQUE TRIBUERE



“Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste”  (Sigmund Freud).

Indo contra a corrente que entende, ou mesmo defende, que a entrada de leão da Grécia, em despique com a troika e a Alemanha (ou vice-versa), lhe traria uma vitória estrondosa, ocorre-me à lembrança o conselho de um  ditado português: "Com o teu amo não jogues às pêras, porque ele dá-te as verdes e come as maduras”.

Assim penso que a gravidade do problema da Grécia (melhor, do povo grego), vítima de elevadíssima corrupção e descontrolo governativo, não se coaduna com o ar blasé e sorriso permanentemente despreocupado do respectivo primeiro-ministro, Alex Tsiparas, quando se apresenta em areópagos decisivos para o destino do país, em perigo de bancarrota, como quem vai a uma recepção oficial em dia festivo. E mais discordo da chantagem do género ou vocês, Comunidade Europeia, Alemanha e troika, cedem às nossas condições ou vamos bater às portas de Moscovo…

Passado este (des)ajustado intróito, porque aos gregos o que é dos gregos e aos portugueses o que é dos portugueses nativos de um país que ainda  passa “as passas do Algarve” com a ameaça da espada de Dâmaclos do Fundo Monetário Internacional (FMI), numa Europa vítima de uma política  em que os países mais pobres se ajoelham perante o trono de Rei Midas, ocupado pela chanceler alemã Angela Merkel, vou tentar clarificar e fundamentar, mais detalhadamente, com exemplos concretos, o que pretendi denunciar no meu post “O Fundo Monetário Internacional e as Reformas de Aposentação” (DRN, 15/06/2015).

Para evitar mal-entendidos, ou seja aquilo que podemos traduzir, ainda que um tanto forçadamente, pela expressão francesa honny soit  qui mal y pense, desde já assumo a minha identificação  com uma direita democrática que não ressumbre  vestígios de ditadura que se perdura contra a vontade do povo. Condição política essa que não me exime, no entanto, e por vezes, de ao  falar com amigos da esquerda, lhes confessar: - “Eu é que pareço de esquerda e vocês de direita!” Tal o statu quo  a que chegou a política portuguesa em que as pessoas chegam a  não saberem as águas turvas da política em que navegam!

Concedendo que as exigências do FMI são medidas inamovíveis, qual Rochedo de Gibraltar, vamos ao cerne da questão no que tange aos cortes cegos, repito, cortes cegos, nas pensões dos actuais aposentados. Recuemos a tempos em que os licenciados ganhavam mais do que os bacharéis e o bacharéis, por sua vez, mais do que os diplomados com cursos médios, cifrando-se os escalões de vencimentos,  respectivamente, nas letra A, B e C da carreira docente. Evidentemente, que os descontos para a Caixa Geral de Depósitos  seguiam essa linha gradativa, sendo menores para as letras C e B e maiores para a letra A.

Tudo mudou! Em vésperas de se reformarem os antigos diplomados com cursos médios, equiparados a bacharéis, para continuação de estudos, procuraram o negócio de escolas  superiores privadas que escancararam as  portas para venderem licenciaturas “ignominia causa” (adjectivação com direitos de autor da minha pertença). Que diacho, se há doutoramentos “honoris causa” de toda a respeitabilidade, porque não  atribuir a estas licenciaturas, embora de nenhuma respeitabilidade, o papel (ou mesmo pergaminho) de maná caído do céu aos pés dos respectivos usufrutuários?

E se assim o pensarem, assim o fizeram para que lhe fossem oferecidas de bandeja reformas idênticas aos licenciados, mas com um capital de descontos incomparavelmente menor, como se uma conta bancária, de milhares de euros devesse dar os mesmo juros de uma conta de escassos euros. E se tudo isto ainda fosse pouco, foi este statu quo agravado por a lei permitir a esses docentes bacharéis a reforma aos 52 anos de idade e aos licenciados aos 56 anos, sem, por outro lado, qualquer benefício para os que se reformaram aos 70 anos de idade empurrados à força para fora da função pública.

Façamos um exercício sobre este bónus que pesa nas bolsas dos contribuintes em jogadas de puro oportunismo que a lei consente em conquistas sindicais defendidas nos gabinetes ministeriais ou/e na praça pública. Resumindo, prevendo a hipótese de Portugal ser obrigado a cumprir directivas do FMI, que esses cortes sejam feitos com os olhos bem abertos e em respeito pelos descontos atribuídos ao longo de uma carreira livre de  qualquer género de oportunismo..

Como diria Teilhard Chardin, “o barbarismo da nossa época é ainda mais estarrecedor pelo facto de tanta gente não ficar realmente estarrecida”. Estarrecida por haver cortes cegos nas reformas dos actuais aposentados mais idosos, e que mais descontaram para a sua reforma perante a resignação de quem suporta tanta e tamanha injustiça. 

Estes cortes mutatis mutandins, assemelham-se à accão de arrecadar impostos exemplificada por Jean-Baptiste Colbert: "O acto de tributar é idêntico ao depenar de um ganso, procurando obter o maior número de penas com a menor gritaria"!  E assim, perante a apatia de uns tantos reformados, decorre o triste e insólito mundo das aposentações em Portugal em que tudo o que é legal nem sempre é moral!


Grécia vai referendar ultimato dos credores

Dia 5 de julho há referendo à proposta dos credores para introduzir mais austeridade em troca do prolongamento do garrote financeiro por cinco meses. Para o governo, este “ultimato” foi uma “tentativa de humilhação do povo grego”.
Depois de deixar o aviso na cimeira europeia, Alexis Tsipras reuniu o governo e fez uma comunicação ao país a explicar que a proposta dos credores, apresentada em forma de ultimato – ou de “oferta generosa“, nas palavras de Angela Merkel – para ser votada este sábado no Eurogrupo, é inaceitável para o governo de Atenas. Entre cortes nas pensões e salários e aumentos do IVA, as exigências dos credores contrariam muito do que os gregos aprovaram nas últimas eleições “e compromete a recuperação da sociedade e da economia grega”.
Sem esconder que a vontade do governo é a de chumbar a proposta, Tsipras apelou aos eleitores “a que tomem esta decisão de forma soberana e com o orgulho que nos ensinou a história da Grécia”. Qualquer que seja o resultado, o primeiro-ministro promete respeitá-lo, para além de garantir que a “Grécia é e continuará a ser uma parte indissolúvel da Europa”.

Discurso de Alexis Tsipras

Compatriotas,
Durante estes seis meses, o governo grego tem travado uma batalha em condições de asfixia económica sem precedentes para implementar o mandato que nos foi dado, a 25 de Janeiro, por vós.
O mandato que negociávamos com os nossos parceiros visava acabar com a austeridade e permitir que a prosperidade e a justiça social regressassem ao nosso país.
Era um mandato com vista um acordo sustentável que respeitasse quer a democracia, quer as regras europeias comuns e que conduzisse à saída definitiva da crise.
Ao longo deste período de negociações, fomos convidados a executar os acordos concluídos pelos governos anteriores através dos memorandos, embora estes tenham sido categoricamente condenados pelo povo grego nas recentes eleições.
Apesar disso, nem por um momento pensámos em render-nos. Isso seria trair a vossa confiança.
Após cinco meses de duras negociações, os nossos parceiros, infelizmente, lançaram, na reunião do Eurogrupo de anteontem, um ultimato à democracia grega e ao povo grego.
Um ultimato que é contrário aos princípios e valores fundamentais da Europa, os valores do nosso projecto comum europeu.
Pediram ao governo grego que aceitasse uma proposta que representa um novo fardo insustentável para povo grego e boicota a recuperação da economia e da sociedade grega, uma proposta que, não só perpetua a instabilidade, mas acentua ainda mais as desigualdades sociais.
A proposta das instituições inclui: medidas conducentes a uma maior desregulamentação do mercado de trabalho, cortes nas pensões, reduções adicionais aos salários do sector público e um aumento do IVA sobre os alimentos, a restauração e o turismo, enquanto elimina alguns benefícios fiscais das ilhas gregas.
Estas propostas violam directamente os direitos sociais e fundamentais europeus: elas são reveladoras de que, no que diz respeito ao trabalho, à igualdade e à dignidade, o objectivo de alguns dos parceiros e instituições não é um acordo viável e benéfico para todas as partes, mas a humilhação do povo grego.
Estas propostas manifestam, sobretudo, a insistência do FMI na austeridade severa e punitiva e tornam mais oportuna do que nunca a necessidade de que as principais potências europeias aproveitem a oportunidade e tomem as iniciativas que permitirão o fim definitivo da crise da dívida soberana grega, uma crise que afecta outros países europeus e ameaça o futuro da integração europeia.
Compatriotas,
Pesa, agora, sobre os nossos ombros uma responsabilidade histórica face às lutas e sacrifícios do povo grego para a consolidação da democracia e da soberania nacional. A nossa responsabilidade para com o futuro do nosso país.
E essa responsabilidade obriga-nos a responder a um ultimato com base na vontade soberana do povo grego.
Há pouco, na reunião do Conselho de Ministros, sugeri a organização de um referendo, para que o povo grego decida de forma soberana.
A sugestão foi aceita por unanimidade.
Amanhã, será convocada uma reunião de urgência no Parlamento para ratificar a proposta do Conselho de Ministros de um referendo a realizar no próximo domingo, 5 de Julho, sobre a aceitação ou rejeição das propostas das instituições.
Já informei desta minha decisão o presidente francês e a chanceler alemã, o presidente do BCE, e amanhã farei seguir, por carta, um pedido formal, aos líderes e às instituições da UE, para que prolonguem por alguns dias o programa actual, para que o povo grego possa decidir, livre de qualquer pressão e chantagem, como é exigido pela Constituição do nosso país e pela tradição democrática da Europa.
Compatriotas,
À chantagem do ultimato que nos pede para aceitar uma severa e degradante austeridade sem fim e sem qualquer perspectiva de recuperação social e económica, peço-vos para responderem de forma soberana e orgulhosa, como a história do povo grego exige.
Ao autoritarismo e à dura austeridade, responderemos com democracia, calmamente e de forma decisiva.
A Grécia, o berço da democracia, irá enviar uma retumbante resposta democrática à Europa e ao mundo.
Estou pessoalmente empenhado em respeitar o resultado da vossa escolha democrática, qualquer que ele seja.
E estou absolutamente confiante de que a vossa escolha honrará a história do nosso país e enviará uma mensagem de dignidade ao mundo.
Nestes momentos críticos, todos temos de ter em mente que a Europa é a casa comum dos povos. Na Europa, não há proprietários nem convidados.
A Grécia é e continuará a ser uma parte integrante da Europa e a Europa é uma parte integrante da Grécia. Mas, sem democracia, a Europa será uma Europa sem identidade e sem rumo.
Convido-vos a demonstrar unidade nacional e calma para que sejam tomadas as decisões certas.
Por nós, pelas gerações futuras, pela história do povo grego.
Pela soberania e a dignidade de nosso povo.


DAQUI

O MEC DE CRATO ERRA COMO RESPIRA?

MEC de Crato recorda aquelas pessoas que só evitam decisões incompetentes quando não decidem. Então sempre que há concursos de professores já sabemos que haverá confusão. A última é um "protocolo com um Instituto Chinês sob suspeita noutros países". Mas será possível tanta impreparação? Não haverá uma raiz ideológica a orquestrar o plano inclinado?

No legado de Nuno Crato evidencia-se um forte ataque à imagem da escola pública. Se o ministro revelava duas características decisivas, desconhecimento do sistema escolar e associação, por ideologia, às cooperativas de ensino, o tempo comprovou-o. 

Crato corporizou duas ideias feitas (a primeira falaciosa): "tudo está mal numa escola pública dominada por sindicatos" e "não se pode confiar em escolas controladas pelo pior da partidocracia local". Mas não foi o poder central que criou o modelo de gestão escolar? E não foram avisados que o pior ainda estava para acontecer? E não estão a promover um tipo de municipalização que acentuará a desgraça?

Fica a ideia, para animar a consciência dos optimistas iniciais, que AirCrato acordou tarde para o vírus do experimentalismo.

O que resta é penoso. Nunca um ministro da Educação se arrastou no lugar com tanta desconsideração mediática.

sexta-feira, junho 26, 2015

Em nome do povo


O governo grego anunciou um referendo sobre a proposta de “acordo” das instituições europeias. A resposta ao ultimato de instituições não-democráticas que desprezam a vontade eleitoral de um povo é a da escolha direta e soberana desse povo. Toda a força da democracia contra uma chantagem indecente. Este é o único governo europeu que não tem medo dos que representa.

DAQUI

Amor de criança!...


Foto de família


A guerra!...


É mais do que uma foto!...












Reunião do Eurogrupo sobre a Grécia


… em 2283.

TSUNAMI SILENCIOSO NO MÉDIO ORIENTE

A notícia passou quase despercebida, mas ainda assim causou algumas dúvidas e perplexidades: a Arábia Saudita e a Rússia, arqui-inimigos de longa data, assinaram um acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos. Em termos mais prosaicos: a petromonarquia comprou 16 centrais nucleares a Moscovo para entrarem em funcionamento dentro de meia dúzia de anos.
Isto é, o maior exportador mundial de petróleo decidiu poupar nos combustíveis fósseis, aproveita a tecnologia associada para desenvolver projectos de dessalinização de águas e elegeu como parceira uma empresa tutelada pelo governo do infiel Vladimir Putin.
É assim, tal e qual. Mas a notícia não passa de um pequeno abalo, uma simples réplica do enorme e silencioso tsunami que por estes dias atinge o Médio Oriente.
O epicentro do magno sismo, como já se focou nestas linhas, é a próxima assinatura de um acordo (que são pelo menos dois) entre outros arqui-inimigos, os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irão. Para consumo geral, um dos acordos é o chamado 5+1, que teoricamente acaba de vez com o mito das nunca existentes ambições iranianas ao nuclear militar; outro é bilateral e traduz uma espécie de partilha de zonas de influência norte-americanas e iranianas em amplos espaços do Médio Oriente, com repercussões colaterais, que podem ou não ser danosas, consoante a perspectiva.
Rezam as fugas de bastidores que os Estados Unidos reconhecerão tacitamente as zonas de influência do Irão em dois terços do Iraque, na Síria, em grande parte do Líbano; em contrapartida, Teerão conforma-se em não “exportar” a revolução islâmica.
Os Estados Unidos e o Irão vêm negociando secretamente este acordo em paralelo com as conversações internacionais realizadas na Suíça. O que praticamente não se sabia até aqui é que, também em paralelo, Israel e a Arábia Saudita já realizaram pelo menos cinco sessões de negociações secretas, a primeira das quais na Índia. Pode dizer-se até, sempre segundo as fugas de bastidores, que as negociações já deram frutos, uma vez que pilotos israelitas comandam bombardeiros sauditas nos massacres cometidos no Iémen, prenúncio de uma cooperação muito mais profunda em perspectiva entre o Estado fundamentalista hebraico e o Estado fundamentalista islâmico. Ao que se sabe, o quartel-general israelita para esta operação foi instalado na Somalilândia, um Estado fantasma.
Todos estes abalos são frutos do entendimento-base entre os Estados Unidos e o Irão, a assinar muito em breve. O acordo prevê que a chamada “força árabe comum”, sob a bandeira da Liga Árabe, tecnicamente encabeçada pela Arábia Saudita, tenha comando operacional israelita. A cooperação israelo-saudita não ficará por aqui: os dois países irão explorar em comum o petróleo do terrível deserto de Rub Al Khali e também as reservas do Ogaden, estas sob controlo etíope, outro satélite norte-americano. Israel será responsável por garantir a “estabilidade” no porto sul-iemenita de Aden, um dos terminais de uma projectada ponte que ligará o Iémen ao Djibuti. Iémen este que fará parte de uma “federação” formada em torno da Arábia Saudita e que incluirá provavelmente Omã e os Emirados Árabes Unidos.
A Arábia Saudita dará o seu aval à criação do Estado do Curdistão sob controlo israelita, tal como vem sendo planeado, sendo que os patronos da estratégia tentarão estendê-lo do Iraque aos “Curdistões” turco e iraniano. A ser assim, confirma-se que a Turquia de Erdogan está mesmo a cair em desgraça, a braços com as teias terroristas, principalmente as que actuam na Síria, que Riade lhe foi passando aos poucos. Israel aceitará a aplicação dos acordos de Oslo sobre o estatuto final dos territórios palestinianos, que ganharão a independência mas perderão o direito ao retorno dos refugiados pelo qual gerações se sacrificaram.

É assim o tsunami que abala os bastidores diplomáticos do Médio Oriente, sabendo-se que tsunami algum pode ser planeado, muito menos desenhando e redesenhando fronteiras. Dois enormes pontos de interrogação emergem só para se terem em conta situações que não podem apagar-se com uma borracha ou carregando na tecla “delete”: Netanyahu, o novo profeta do Grande Israel, é um feroz inimigo destes arranjos tutelados por prestigiados militares sionistas, pelo que ou se adapta, ou reage, ou se demite levando atrás de si a irada horda de colonos que já foi capaz de liquidar um primeiro-ministro. E o Estado Islâmico? Que fazer com o monstro sustentado por Israel, tolerado por Washington? A Síria, país que teoricamente será um dos beneficiados por este tsunami, vai tratando do assunto; os padrinhos poderão deixá-lo cair, mas tendo em conta o histórico de relações entre criadores e criaturas as perspectivas não são animadoras. A não ser que os sanguinários mercenários se contentem episodicamente com a Líbia, cujas receitas do tráfico clandestino (mas pouco) de petróleo não são de deitar fora. Será?


“O FMI está a gozar connosco?”, pergunta Paul Krugman

Na sua coluna no New York Times, o Nobel da Economia ataca o FMI quando diz que as propostas gregas prejudicam o crescimento, recordando o historial de falhanço das previsões de crescimento da economia grega feitas pelo mesmo FMI. Leia aqui o texto traduzido pelo infoGrécia:
Tenho estado bastante calado sobre a Grécia, por não querer gritar Grexit num auditório cheio de gente. Mas ao ouvir os relatos das negociações em Bruxelas, algo tem de ser dito – nomeadamente, o que é que os credores, em especial o FMI, julgam que estão a fazer?
Esta devia ser uma negociação sobre metas para os excedentes orçamentais, e depois sobre o perdão da dívida que previne futuras crises intermináveis. E o governo grego concordou com metas que são até bastante altas, sobretudo considerando que o orçamento teria excedentes enormes se a economia não estivesse tão deprimida. Mas os credores continuam a rejeitar as propostas gregas com o argumento de que dependem muito dos impostos e não o suficiente em cortes na despesa. Continuamos ainda no ramo de ditar a política interna.
A suposta razão para a rejeição de uma resposta com base em impostos é que irá prejudicar o crescimento. A resposta óbvia é, estão a gozar connosco? Os mesmos que falharam redondamente em prever os estragos que a austeridade causou – vejam o gráfico, que compara as previsões no memorando de 2010 com a realidade – estão agora a dar lições aos outros sobre crescimento? Mais ainda, as preocupações sobre crescimento estão todas do lado da oferta, numa economia a funcionar pelo menos 20% abaixo da sua capacidade.

PS - Produto e Serviço

António Costa e o Partido Socialista já esqueceram Lisboa mas Lisboa não os vai esquecer. Quem se lembra do “oásis” de Pedro Santana Lopes na Figueira da Foz não pode agora deixar de pensar nos novos oásis que António Costa deixa na capital do país. E o oásis é sempre uma miragem e é sempre seco...
O oásis da Lisboa liberal é a seca profunda de quem já não consegue acompanhar o aumento das rendas e não lhe resta outra solução senão o “ir para fora cá dentro”. E são pessoas, são mais umas centenas de lojas, mercados e pequenos negócios… fim da linha, porque as rendas são sempre mais altas e afinal, bonito é vender cafés a 1,5€ num café trendy no Mercado da Ribeira. Não tem estilo nenhum vender um molho de bróculos ao senhor Marco do bairro de Santos… (já em Berlim se avança com a criação de um teto para as rendas)
O oásis liberal é a criação de escalões sociais de usufruto da cidade e a poluição como instrumento de seleção.Enquanto o menino Martim Afonso Albuquerque de Mello pode andar de BMW - 2.800cc - todo o dia em Lisboa o Tó Mané dos Olivais foi bloqueado fora da cidade com o seu Peugeut de 1999. Ao mesmo tempo, os navios de cruzeiro e de carga colocam a cidade de Lisboa com níveis de poluição atmosférica “muito elevados”, segundo a Quercus, mas os transeuntes do turismo são importantes e vêm cá deixar algum dinheiro nas cadeias de hotéis. E os tuk-tuk ensurdecedores, e os táxis, e as carrinhas e camionetas das empresas de transportes? Poluição? Caos rodoviário? …na liberdade do dinheiro não se pode tocar, é a nova democracia.
O oásis liberal é vender a história e a cultura a quem tenha dinheiro, como produto ou serviço. E se por acaso o Tó Mané dos Olivais não pode entrar em Lisboa com o carro, já o João de Santo António dos Cavaleiros pode. Tem sorte porque tem um Clio dos novos – 2004! E aí vem o João visitar o Castelo de São Jorge. Ou talvez não… São 8,5€ a visita do João. O João vem com a família? Perfeito, temos um desconto ótimo para famílias: 20€ e podem entrar no marco histórico da capital e do país. Ah! Que infelicidade, tem salário baixo ou a companheira desempregada? Enfim, pode ver de fora João, também é bonito.
O oásis liberal é selecionar as pessoas e educá-las na exclusão. Porque o Fernando de Alfama, que é mesmo, mesmo de Lisboa, está a caminho do Miradouro do Elevador de Santa Justa. Ainda há pouco tempo foi lá ao café, pois desde que fosse a pé, não pagava. Oh Nando, que azar, agora não há café e alguém decidiu que só sobe e só espreita quem a moedinha deixa (1,5€). Mas não fiques triste Nando, afinal, podes ir para casa e ver no teu computador a visita virtual 3d! É o máximo! Aproveita, é grátis!
O oásis liberal é o oásis do Partido Socialista, o mesmo do Partido Social Democrata. O oásis liberal é uma cidade que se quer para hoje, para que produza dinheiro hoje e para ser usufruída por quem tenha dinheiro hoje. Se não há transportes de qualidade, se não há mobilidade, se não há proteção ambiental,… se tudo isto significa o consumir da própria cidade, a sua destruição enquanto lugar de vida, de história e de culturas, não é assim tão grave.
Afinal, o oásis liberal é transformar tudo num produto e num serviço, e a cidade também. Nem PS nem PSD desafiarão esse dogma, nem aqui, nem em lado nenhum porque eles próprios se tornaram nisso: num produto e num serviço.

Ceteris paribus

O Pedro Romano publicou (mais) um bom post sobre a trapalhada económica que se vive na Europa. Sintetizando, «No final de 2014, a Grécia tinha uma situação orçamental controlada [e] não tinha de carregar mais no travão para atingir saldos primários na casa dos 4-5% do PIB. As taxas de juro estavam altas, mas em valores minimamente comportáveis». Porém, «O Syriza […] ostracizou os credores, o que fez subir os juros e tornou o país ainda mais dependente da Troika; e colocou em cima da mesa a possibilidade do Grexit, que gerou uma fuga de capitais cuja principal consequência foi tornar um crescimento robusto de 2,9% numa míngua pouco acima dos 0%»(1). O Pedro explica estas coisas sempre de forma clara e bem fundamentada e estas análises são úteis porque permitem quantificar os efeitos das várias alternativas. Olhando para as finanças da Grécia, e assumindo que o resto permaneceria constante, parece que o Syriza fez asneira. O problema é que, para se poder quantificar e prever algo a partir do modelo, é preciso assumir que o que não está quantificado no modelo ou não importa ou é constante. Mas isso nem sempre é verdade e, em casos extremos, até costuma ser falso. 

Vamos imaginar que o Pedro tem problemas orçamentais e dívidas. A cada dia que passa pede mais dinheiro emprestado e os amigos já começam a torcer o nariz. Tem de consolidar as suas finanças. Se o Pedro decidir deixar de ir ao cinema podemos usar um modelo quantitativo considerando o que o Pedro ganha e o que o Pedro gasta e comparar com o que aconteceria se ele continuasse a ir ao cinema. Isso é fiável porque podemos assumir que, além do que poupa em deslocações, pipocas e bilhetes, mais nada de relevante vai mudar na vida do Pedro por deixar de ir ao cinema. Mas vamos imaginar que isso não chega para acertar as contas e o Pedro decide também não comprar mais comida. Na primeira semana come o que tem na dispensa e a coisa corre bem. Vai rolando as dívidas, os amigos começam a confiar mais nele por devolver algum dinheiro e vai-se aguentando. À parte do pão bolorento e a comida de gato que tem de comer no Domingo, é uma boa semana. A segunda semana é pior. Financeiramente, o Pedro consegue manter a consolidação. Mas jantar chá sem açúcar sete dias de seguida começa a dar-lhe muito apetite. Na terceira semana o Pedro desiste. Vai às compras, enche a barriga e aborrece os amigos porque já não tem o dinheiro que lhes prometeu devolver nessa semana. Do ponto de vista financeiro parece ser uma má opção. Quando tudo estava a correr bem e já nem era preciso«carregar mais no travão para atingir» os objectivos orçamentais, o Pedro deu numa de Syriza e estragou tudo. Agora terá de aguentar mais austeridade ainda para conseguir pagar aos amigos. O erro dessa análise é que a ideia de que bastaria manter as coisas como estavam assume que tudo o que estava fora do modelo se manteria tão constante como os aspectos orçamentas que o modelo considerava. O que é falso porque, mais cedo ou mais tarde, o Pedro tem de comer. 

Parafraseando Passos Coelho, o Pedro não é a Grécia. Mas a situação é análoga no que importa. Quando se corta subsídios de desemprego e se aumenta o desemprego, as pessoas ainda se aguentam por uns tempos vivendo das poupanças ou da ajuda de familiares. O mesmo com instituições como hospitais e universidades. Adia-se as obras menos urgentes. Se metade das casas de banho estão avariadas usa-se as outras. Se não há compressas esterilizadas do tamanho certo corta-se as maiores. E assim por diante. Mas, nestas circunstâncias, o que está fora do modelo financeiro deixa de ser constante. É variável e com efeitos potencialmente perigosos. Por exemplo, quando os desempregados começam a ficar sem meios de se sustentarem é inevitável que a criminalidade aumente, especialmente com o desemprego jovem rondando os 50%. E se o crime ultrapassa a capacidade da polícia o reprimir, rapidamente dispara para níveis incomportáveis. A receita do Estado também pode cair a pique se as pessoas perdem a confiança no Estado e o medo de serem sancionadas por não pagar impostos. Ao contrário do que acontece quando se decide poupar deixando de ir ao cinema, o nível de austeridade imposto à Grécia – e a Portugal – desencadeia processos caóticos que podem deitar tudo a perder mesmo sem «carregar mais no travão»

Neste momento, há uma data de gente séria no ECB, na UE e no FMI a ponderar gráficos e modelos como os do Pedro, mas muito mais complicados, onde contabilizam todos os euros e com os quais traçam todos os cenários quantificáveis. E, em todos estes modelos, assumem que tudo o que está fora do modelo se irá manter constante. Em geral, isto é o mais correcto porque costuma ser verdade – esses modelos incluem muitas variáveis e, normalmente, abrangem tudo o que importa – e porque não se pode prever nada sem assumir que o modelo contém tudo o que varia e é relevante. Mas, neste caso, a premissa é falsa e enquanto os senhores engravatados traçam gráficos e discutem cêntimos corremos o risco, cada vez maior, de um maluco incendiar o parlamento, ou um grupo de fascistas desatar a partir lojas, ou algum disparate do género, e se desencadear uma chatice das grandes. Como já aconteceu várias vezes na Europa. Infelizmente, parece que a missão mais importante e fundamental da União Europeia agora é manter a inflação nos 2% em vez de evitar que essas desgraças se repitam. 

1- Desvio Colossal, Pior era impossível


DAQUI

Gémeos falsos


AVOLUMA-SE A SAGA "PROFESSORES COLOCADOS NO VAZIO"



Lendo os depoimentos sobre o assunto, conclui-se: existem dois tipos de erros das escolas: de planeamento ou no lançamento digital das vagas a concurso. No segundo caso, o MEC não terá corrigido as solicitações para a reparação do erro.

Mas há erros do MEC: num possível lançamento digital das vagas ou no algoritmo da aplicação informática. Percebe-se que o processo errático tem uma grande dimensão e que os professores seriamente lesados (os que concorreram e os que não concorreram e ficaram com horário zero) não podem entrar em mobilidade especial. É o mínimo; mas mais: era uma boa oportunidade para acabar com esta praga dos horários zero.


quinta-feira, junho 25, 2015

As novas tecnologias chegaram ao mosteiro!...


esquerda e direita...


ESTE ANO JÁ FORAM PENHORADAS MAIS DE 70 MIL REFORMAS

O número das reformas penhoradas tem vindo a crescer e em 2014 cifrou-se nos 44 milhões de euros – números que representam um acréscimo de 8% em relação a 2013.
De acordo com dados da Câmara dos Solicitadores divulgados pelo Diário Económico, até Maio de 2014 foram penhoradas mais de 70 mil reformas, incluindo a a Caixa Geral de Aposentações e o Centro Nacional de Pensões.
No total do ano passado, foram penhoradas 195.800 reformas, das quais “quase dois terços”, segundo o mesmo jornal, se reportam ao sector privado. Em causa estão mais de 123 mil reformas penhoradas relativas a valores de 24 milhões de euros.
No sector público os montantes chegam aos 20 milhões de euros.
“Verifica-se um aumento progressivo do número de pensões penhoradas”, diz Diário Económico o presidente da Câmara dos Solicitadores, José Carlos Resende, frisando que “uma das explicações é que a cobrança passou a ser feita a fiadores”, que “muitas das vezes são pensionistas”.
José Carlos Resende explica ainda no Diário Económico que este aumento é também fruto da “maior eficácia e mais celeridade na intervenção do agente de execução”.
“Graças a um acesso mais rápido a um maior volume de informação passou a ser mais simples encontrar bens para penhora”, acrescenta ainda o presidente da Câmara dos Solicitadores.

Base das Lajes, local de crime - Agora reconvertido num centro de espionagem?

A Base das Lajes tem servido claramente, e por diversas vezes, de apoio a numerosos crimes praticados pelo imperialismo norte-americano à escala global. Como exemplos significativos e ainda recentes desta política submissa e cúmplice de Portugal em relação à política dos EUA, destacamos o papel desempenhado pela Base das Lajes no assalto, mortes e destruição do Iraque ou como local de escala de presos torturados pela CIA e polícias congéneres.
Com a recente decisão do governo norte-americano relativa à saída da Base de cerca de mil militares e civis, portugueses e norte-americanos, antes do fim do ano, os EUA prevêem uma poupança anual de cerca de 500 milhões de dólares. Com inevitáveis consequências no abaixamento do rendimento das famílias açorianas, particularmente na Ilha Terceira.
Após esta decisão dos EUA, foram envidados esforços pelo governo açoriano (do PS), pelo governo de Passos Coelho (PSD/CDS), assim como por vários outros elementos ligados ao chamado arco da governação, no sentido de convencer as autoridades norte-americanas a minorarem as consequências económicas de tal decisão. E, na sequência destas diligências, o congressista Devin Nunes – que preside ao comité dos Serviços de Informações na Câmara dos Representantes – apresentou há algumas semanas uma proposta de avaliação da possibilidade de instalar um Centro de Análise de Informações nas Lajes (em vez de construí-lo no Reino Unido, conforme estava previsto), salientando aí algumas vantagens desta solução.
Segundo o jornal Público, numa recente reunião bilateral Portugal/EUA realizada em Washington para discutir a redução de efectivos norte-americanos, o presidente do Governo Regional dos Açores afirmava que nas negociações se tinham alcançado “alguns entendimentos com os EUA em matérias laborais, de infraestruturas, ambientais e de mitigação socioeconómica”. E, aqui, os negociadores norte-americanos aceitaram “assumir a obrigação de manter a segurança das infra-estruturas que, não sendo necessárias para a actual missão da Força Aérea norte-americana, possam vir a ser úteis” para a transferência de um Centro de Análise de Informações para as Lajes.
Às classes dominantes portuguesas nada lhes repugna desde que daí lhes advenham benefícios, particularmente económicos. Não há qualquer moral na condução das suas políticas. Para tal, estão dispostas a cometer quaisquer crimes. E não tenhamos ilusões: uma parte significativa da sociedade portuguesa tem sido cúmplice destes crimes. Pelo que diz, pelo que cala, pelo que consente. O caso da Base das Lajes é disso um exemplo claro.

Filhos de imigrantes conquistam direito à nacionalidade grega

O parlamento da Grécia aprovou o direito à nacionalidade por parte de filhos de imigrantes com frequência escolar a partir do 1º ano. A proposta do Syriza foi aprovada na generalidade com os votos do PASOK e do To Potami, a oposição da Aurora Dourada, Nova Democracia e Gregos Independentes e a abstenção do KKE.
A votação desta proposta foi separada de outras que estabeleciam as condições para a atribuição de cidadania ao fim de nove anos de escolaridade e no fim da frequência universitária, que só tiveram a oposição dos deputados neonazis.
“Optámos por seguir o caminho do maior consenso possível no parlamento”, afirmou a ministra da Imigração Tasia Christodoulopoulou, sublinhando que a proposta final não reflete a posição ideológica do Syriza e que outros países europeus têm leis mais abertas que a que foi agora aprovada.
“Para nós, a cidadania não é uma prenda, um privilégio ou um prémio, mas sim uma necessidade e uma obrigação do Estado para com as crianças que nasceram e cresceram aqui”, defendeu a ministra.

Mais um dia em cheio

Apesar de ainda faltar o principal, um compromisso de reestruturação de uma dívida impagável nas actuais condições, sem a qual o máximo dos máximos que se poderia retirar de um entendimento seria um adiamento da saída da Grécia do euro, ontem parecia haver um princípio de acordo entre dois lados de um mesmo problema que, com cedências de parte a parte, empregando a expressão infeliz da senhora Lagarde, negociavam aparentemente “como adultos uma solução minimamente satisfatória para todos.

Mas hoje as aparências começaram a dissipar-se depois do comunicado emitido pelo Governo grego para denunciara recusa de algumas propostas gregas que, mais tarde, uma fonte do Financial Times identificou ter partido do FMI e ficar a dever-se ao desagrado suscitado pela proposta grega de pôr os que mais têm a pagar a austeridade que até agora foi paga por pobres e remediados: o FMI exige que os impostos propostos para as empresas sejam retirados, colocando antes o ónus nos trabalhadores e nos pensionistas, a velha agenda de reconfiguração social neoliberal da qual não abdicam nem mesmo na iminência de uma ruptura de consequências difíceis de prever sobre o futuro do euro e da própria União.

E fica tudo à vista. Os “adultos” jogaram sujo. o Governo grego assumiu a responsabilidade de se expor ao desagrado do seu suporte parlamentar ao ceder até no que era impensável ceder. Enquanto isso, os “adultos” andaram a recrear-se com elogios públicos ao que sempre quiseram recusar com o objectivo de desgastar o apoio interno, que para seu desgosto até tem aumentado, dos gregos a um Governo que finalmente é capaz de representar os interesses do seu país. Ao mesmo tempo, na calada das negociações, os elogios transformaram-nos em pressão, uma pressão que serve o mesmo objectivo de expor o Governo grego à erosão da sua base de apoio. Se dúvidas havia sobre o lado onde mora o radicalismo e a irresponsabilidade, hoje elas dissiparam-se. Nos próximos dias saberemos até onde vai o descaramento destes "adultos" que não levantaram qualquer objecção ao saberem que hoje a TAP e o Oceanário foram oferecidos a privados. Tudo corre bem quando o que é de todos pinga doce onde deve sempre pingar doce.

A verdade é que em Portugal reina um clima de amena paz social e que os ofertantes até vão à frente nas intenções de voto dos portugueses. Foi apenas mais um dia em cheio.


No sítio do costume…

Tubarões, raias, peixes-anjo, peixes-morcegos, atuns rabilho, peixes-diamante, mandarins, sargos-veado e muitos outros, são peixes que pode encontrar no Oceanário…
E agora, graças ao governo Passos-Portas, também no sítio do costume, o Pingo Doce.
De facto, o governo acaba de vender o Oceanário ao segundo merceeiro mais rico de Portugal.
Agora, só falta vender o Jardim Zoológico ao Belmiro…

Governo cria nova unidade monetária

Ao vender a companhia aérea portuguesa por 10 milhões de euros, o governo Passos-Portas criou uma nova unidade monetária: a TAP.
A TAP vale 10 milhões de euros.
Assim, podemos dizer, por exemplo, que o Sporting contratou Jorge Jesus por duas TAP e que o Atlético de Madrid vai pagar ao Porto, pela contratação de Jackson, três TAP e meia.

Os putos


PROFESSORES COLOCADOS NO VAZIO

Professores do quadro concorreram e foram colocados noutras escolas em vagas sem horário? Este absurdo é a novidade do último concurso e a culpa é do MEC ou das escolas destinatárias que declararam com erros de planeamento as vagas do quadro a concurso. Quem não tem culpa são os professores que são os únicos a sofrerem as consequências se não "passarem" a desgraça dos horários zero aos seus colegas das escolas destinatárias.

DAQUI

GOVERNO FECHA ESCOLAS COM MEDO?!

Há estados norte-americanos com três dias de aulas por semana para poupar dólares com professores. Será que o Governo de Passos segue essa lógica Tea Party e está a atrasar a reabertura das aulas com medo de não conseguir colocar professores antes das legislativas? Neste caso, a austeridade caíu em cima da ética mais elementar.

Se nos lembraramos da retórica PassoCratianaMitoUrbano só podemos abanar a cabeça na horizontal.

quarta-feira, junho 24, 2015

Quem é quem?...


Pele de contribuinte!...


Tempo verbal!


Pregar uma partida com uma bomba de ketchup!...

Colapso: Grécia

O tema desta semana é colapso. É um tópico grande e complexo porque há tantos tipos de colapso quanto há de sistemas. Alguns sistemas parecem estáveis à superfície mas subitamente entram em colapso; outros entram em decadência visível durante décadas antes de finalmente deslizarem para trás das ondas da história; e alguns atravessam várias etapas de colapso. 

A taxonomia do colapso é vasta e cada sistema insustentável (isto é, um sistema que fracassará apesar de afirmações em contrário) tem suas características únicas. 

O que nos traz à Grécia. 

Tenho escrito amplamente acerca da Grécia e do condenado arranjo financeiro conhecido como Euro ao longo de muitos anos.


Todo o texto aqui

AGORA ESCOLHA: AUSTERIDADE OU AUSTERIDADE?

A estação de TV gerida por um misto de executivo de Bilderberg e lobby Marinho saudoso de um Brasil governado a partir de Washington começou a apregoar o seu próximo atentado ao direito dos portugueses à informação, recorrendo ao inconfundível paleio de banha de cobra do nacional-bacoquismo lusitano que se acha iluminado.
Podia ser qualquer das outras TV’s existentes no menu disponível, porque não há quem as diferencie em vocação, conteúdos e espírito censório já que devem todas elas obediência ao arco da governação e, como muito bem sabemos, nem a censura escapou à fúria privatizadora dos governos das últimas décadas, mesmo quando exercida por entidades nominalmente públicas.
É verdade que as leis eleitorais estabelecem um tratamento igual para todas as forças políticas que se apresentam a eleições. Porém, como também sabemos, as leis fizeram-se para ser violadas, e quando não existem alçapões para tal inventam-se. O Estado, é certo, deveria travar estas manobras para que, pelo menos, o espírito da lei que rege as escolhas dos cidadãos, a lei eleitoral, prevalecesse perante o desrespeito ostensivo praticado pelos órgãos de propaganda. Mas o Estado, helas!... O Estado são eles mesmos.
Pois a dita estação apregoa importantes e sem dúvida muito esclarecedoras entrevistas a dois cabeças de lista às próximas eleições gerais. Não sabemos ainda quantos se apresentarão às urnas, mas a TV em causa já decidiu: um destes dois vai ganhar, aos portugueses cabe escolher ou um ou outro, o resto é paisagem para fazer de conta que os votos contam para alguma coisa ou, como se diz no jargão futebolístico, joga-se para cumprir o calendário.
Assim sendo, num canto do ringue teremos o campeão em título, um dos caniches favoritos com que a senhora Merkel se passeia nas cimeiras europeias e que se alguma vez consegue arreganhar a taxa é contra o malfadado homólogo grego; no outro canto o candidato ao título, um retrato robot desenhado com inspiração nas caricaturas do senhor Hollande, do senhor Blair e do senhor Soares, de preferência ainda com os contornos que usou para nos encafuar à viva força no monte de trabalhos com que nos debatemos. Existe um pequeno challenger, que em última análise será o emplastro sempre ao lado do vencedor, esse resultante de uma manipulação genética aleatória conseguida metendo numa moulinex os genes de figuras como as senhoras Le Pen e Lagarde e de outros valerosos democratas nacionalistas e/ou neofascistas entre os quais se citam apenas, para não enfastiar, nomes como os de Farage, Viktor Orban e Poroshenko. Este pequeno challanger não será entrevistado, mas conhecendo nós o que a casa gasta, é como se fosse.
Vale este critério por dizer que, para felicidade dos portugueses garantida pela prestimosa estação, não precisam de matar a cabeça a escolher o seu futuro no próximo quinquénio. Podem decidir se querem mais austeridade ou mais austeridade, mais dívida ou mais dívida, mais despedimentos ou mais despedimentos, ainda mais miséria ou ainda mais miséria, mais troika ou mais troika, menos salários ou menos salários, mais impostos ou mais impostos, arco da governação ou arco da governação. Entre Coelho ou Costa, tal como quer a TV de Bilderberg, e as outras quererão também, os portugueses poderão escolher o neoliberalismo à moda de Centeno ou de Loureiro/Cavaco/Nogueira. É assim como escolher entre decapitação ou fuzilamento, forca ou injecção letal.
Pode dize-ser: as televisões apenas se limitam a seguir o que é dado como certo. Tal como o que é dado como certo foi ajudado a fabricar pelas práticas censórias das televisões e afins. No fundo um ciclo tão vicioso como o próprio arco da governação, não funcionassem eles em harmonia perfeita.
Seja como for, mesmo envolvidos por tais manobras – sem contar as que a NATO virá para cá fazer nesses dias - os portugueses terão no segredo do voto uma oportunidade única de, em liberdade e sem medos, pregarem uma enorme partida a esta clique corrupta que nos governa através de todos os mecanismos podres do arco da governação, incluindo os principais meios de comunicação social.

Se cada um pensar pela sua cabeça, se fizer cego e surdo perante a censura e não aceitar a canga que insistem em por-lhe, Portugal ganhará um novo alento. O único voto útil é o que nos pode livrar do arco da governação. E assim poderá chegar, mais uma vez, o dia das surpresas.


Proposta de acordo acende o debate no Syriza

Se os credores não bloquearem o acordo esta semana com novas exigências, ele terá de ir a votos no parlamento grego até dia 30 de junho. Mas antes disso terá de passar no Comité Central e no grupo parlamentar do Syriza. A única certeza é a de que vozes críticas não irão faltar.
O debate entre os apoiantes do governo e militantes do Syriza sobre as propostas apresentadas ontem pelo governo grego em Bruxelas promete dar que falar nos próximos dias, caso a proposta não sofra o veto do Eurogrupo de quarta-feira ou da cimeira europeia do fim da semana. Ou ainda do FMI, cuja diretora geral não compareceu à habitual conferência de imprensa no fim da reunião que aceitou a proposta grega.
De regresso a Atenas esta terça-feira, Alexis Tsipras informou o líder do parceiro de coligação dos resultados das reuniões de Bruxelas, tendo reunido depois com o secretário-geral do Syriza e o líder parlamentar sobre os próximos passos da semana. E pelo menos dois ministros – Nikos Pappas e Alekos Flambouraris – já avisaram que se o governo perder a maioria no parlamento, seguir-se-ão eleições antecipadas.