sexta-feira, julho 03, 2015

Paulo Portas, um radical que não se importa de dar cabo de tudo

Durante uma homenagem ao congressista norte-americano luso-descendente Devin Nunes, Paulo Portas aproveitou o palanque para lançar algumas achas eleitoralistas para a fogueira grega:
Mas nem só de ideologias se fazem os radicalismos que não se importam de dar cabo de tudo. Outros há que dele fazem uso por motivos de ambição pessoal. Quando há exactamente dois anos e um dia atrás Paulo Portas apresentou a sua demissão, na sequência da nomeação da Maria Luís Albuquerque para ocupar o lugar deixado vago por Vítor Gaspar, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros afirmava, em carta dirigida à nação:
Expressei, atempadamente, este ponto de vista [oposição à escolha da actual ministra para o lugar] ao Primeiro-Ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.
Apesar do discurso rebuscado e artificialmente patriótico, Paulo Portas acabou por optar pela dissimulação e pelo politicamente insustentável que não lhe era pessoalmente exigível. Perante a hipótese de subir na cadeia alimentar governativa, o líder do CDS pôs de lado a irrevogabilidade da sua demissão e abraçou a nova função, sendo hoje frequente vê-lo em momentos de alguma intimidade com a ministra que o levou a escolher o caminho do radicalismo que dá cabo de tudo e que, no dia 3 de Julho de 2013, fez a bolsa de Lisboa afundar-se violentamente, com os juros da dívida a tocar os 8%. Só dois anos mais tarde, precisamente na passada Segunda-feira quando as negociações entre a Grécia e a Troika foram interrompidas e o sistema financeiro afundou em bloco, é que se voltaram a registar resultados tão negativos na bolsa de valores portuguesa.
Existem efectivamente radicalismos que não se importam de dar cabo de tudo. Uns por motivos ideológicos, entre os quais podemos destacar, no passado recente, o processo de privatizações em formato liquidação total ou a reforma-fantasma do Estado que basicamente consistiu no aumento brutal da carga fiscal e na aplicação de cortes cegos em salários e pensões, que deram cabo da vida de centenas de milhares de portugueses, outros por simples ambição pessoal, como foi o caso de Paulo Portas. Fruto do radicalismo da coligação que integra, capaz de dar cabo de tudo, o fosso entre ricos e pobres aumenta há cinco anos consecutivos e a própria Comissão Europeia, insuspeita de derivas esquerdistas, acusou Portugal de ser incapaz de lidar com o aumento da pobreza, acrescentando em relatório tornado público em Fevereiro passado que os cortes nos apoios sociais prejudicaram desproporcionalmente os mais pobres. Malditos radicais sem escrúpulos.

À espera de Domingo: radiografias da submissão e outros contos


Não, a fila que se vê na foto que ilustra este que lêem não se formou para levantar dinheiro num multibanco e muito menos foi tirada na Grécia. Podia ter sido tirada em Espanha, onde também se espera mais de meio ano por uma colonoscopia, Mas também não. Foi tirada em Portugal, numa das clínicas privadas com acordo com o SNS onde, quando abrem as marcações, centenas de pessoas aparecem de véspera para terem direito a fazer o exame por até 48 euros. Em clínicas sem esse acordo, o exame pode custar mais de 200. Uma ressonância magnética, outro exame que está a ser fortemente racionado, custa mais de 400. E, custem 200, 400 ou até mais, estes exames existem para poupar as vidas e muito sofrimento àqueles que necessitam de fazê-los para rastrear doenças oncológicas potencialmente mortais em fases mais avançadas  em que os tratamentos custam dez, vinte, centenas de vezes mais do que 200 ou 400 euros. O Governo condena à morte e ao sofrimento um número indeterminado de portugueses quando decide poupar 200 ou 400 em testes complementares de diagnóstico para gastar milhões em tratamentos oncológicos. Para além de ser um crime sem nome, é também um péssimo negócio se a lógica seguida for a da mera aritmética.

Regressando à foto, há quem umas vezes se lembre de dizer que somos todos – Charlie – ou todos e todas, depende da liturgia da congregação, noutras que somos todos gregos, neste momento ser grego é o que está a dar, amanhã logo se vê, outros ainda que nem uma coisa nem a outra, pertencem a uma massa amorfa que nunca diz nada. São diariamente convocadas acções que pretendem expressar solidariedade aos gregos. E muito bem, eles merecem-na, souberam organizar-se colectivamente, conseguiram pôr-se de pé e enfrentar o invasor que se apoderou do país. Mas nada disto tem significado algum se nos esquecermos que somos portugueses, se a solidariedade que manifestarmos aos outros for a solidariedade que não nos oferecemos a nós próprios e, sobretudo, se não percebermos que é nessa solidariedade que praticamos pouco que está a explicação de como uma minoria reduzida mas coesa tem conseguido subjugar uma maioria cuja vontade se dilui no individualismo de cada um.

Foi esse individualismo inconsciente e ignorante, que aquela foto ali em cima retrata tão bem, que nada fez quando o dinheiro dos nossos impostos começou a ser desviado da Saúde que era suposto financiar para pagar juros multiplicados por uma regra artificial, sem par em nenhum outro banco central, que impede o BCE de ceder liquidez directamente aos estados e, dessa forma, nos faz reféns de um sector financeiro que rentabiliza as nossas vidas e o nosso sofrimento especulando no mercado com a maior das naturalidades. Foi esse individualismo que se encolheu ao desinvestimento que foi desmantelando o SNS ao mesmo tempo que o foi concessionando a clínicas privadas onde os utentes que um dia fomos hoje fazemos filas intermináveis de clientes de um negócio tornado lucrativo pelos nossos impostos: “eu hoje não estou doente, sou um tipo saudável e até tenho que chegue para pagar um seguro de saúde, logo, não sou eu que tenho que me preocupar com o SNS que é de todos. "E eu que não tenho, que sozinho nada posso, resta-me sujeitar-me e obedecer."

Na Grécia, o cenário é o mesmo. “Eu hoje não posso levantar mais do que 60 euros no multibanco, quero lá saber de quem tem multibanco mas não tem 60 euros, de quem não tem nem multibanco nem 60 euros, de quem tem multibanco mas deixará de ter 60 euros caso vença o “sim” no referendo grego do próximo Domingo”. Foi sobre este individualismo, habitualmente permeável a provocações que põem trabalhadores contra trabalhadores e velhos contra novos, que a atrás referida minoria coesa e organizada resolveu trabalhar fechando a torneira à Grécia na Sexta-feira passada. Se aqueles que menos têm e aqueles que mais têm a perder cederem à chantagem ou ficarem em casa no próximo Domingo, e todos sabemos como os abstencionistas são todos iguais e como os abstencionismos servem sempre os mais fortes, o directório europeu conseguirá não apenas derrubar um Governo que tudo fez para defendê-los e ao seu país e colocar um qualquer bonequinho do multibanco no seu lugar como ainda estancar o efeito de contágio da – para eles – praga democrática a outros países à mercê da sua voracidade à prova de escrúpulos. Que vença o "não", muito pelos gregos mas sobretudo por todos nós, portugueses e não só, individualistas e desorganizados, logo, obedientes, que ainda não somos gregos por  mero tacticismo e conveniência. Mas já faltou mais.


MAIS UMA VEZ SE PÕE A QUESTÃO

Deve continuar a haver relatórios para análise do mercado financeiro? Em todo o caso, o conhecido site de notícias norte-americano Business Insider advertiu, perante a leitura do Global Financial Stability Report do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado em meados de Abril, que este relatório sobre o estado dos mercados financeiros mundiais "não era próprio para cardíacos". O FMI constatava um aumento da instabilidade do sistema financeiro mundial desde Outubro de 2014, em paralelo com um deslocamento de "riscos de estabilidade" para domínios onde são difíceis de detectar. Eles ter-se-iam deslocado das "economias avançadas para as economias emergentes, dos bancos para os bancos-sombra e de problemas de solvabilidade para problemas de liquidez".

O FMI concluía que os "mercados podem ser cada vez mais vulneráveis a episódios em que a liquidez desaparece e a volatilidade dispara." Como exemplos da crescente instabilidade estrutural do sistema financeiro global, o relatório mencionava as distorções desencadeadas pela abolição da ligação do franco suíço ao euro em Janeiro de 2015, bem como o repentino voo picado das obrigações a dez anos do tesouro dos EUA em Outubro de 2014, cujo colapso foi comparável à reacção à falência do Lehman Brothers em 2008. Estas turbulências nos mercados foram reforçadas principalmente pela enorme "retirada de apoio à liquidez", alertava o FMI.

Falando claramente: sob a superfície da actividade "normal" do mercado, o cepticismo e a desconfiança estão a espalhar-se entre os sujeitos que nele intervêm, já que existe mesmo a ideia da insustentabilidade da dinâmica de especulação actual – da bolha de liquidez desencadeada pela política monetária expansionista dos bancos centrais. Cada actor do mercado financeiro tem de participar durante tanto tempo quanto possível durante a bonança, mas ao mesmo tempo tem aumentar a disponibilidade para sair o mais rapidamente possível na turbulência. Por isso também podem ocorrer eventos limitados de ondas de choque maiores através de todo o sistema, como observava o Business Insider: "Quando a liquidez do mercado seca, em momentos de maior volatilidade, a extensão e o alcance dos movimentos do mercado é reforçada". O que surge aqui é o retorno da constelação de crise da crise financeira global de 2007/2008, quando os mercados "congelaram", após o choque do Lehman Brothers, e os empréstimos no mercado interbancário quase paralisaram, porque os actores do mercado financeiro já não confiavam entre si.


O panteão


Quão perto esteve a Grécia de chegar a um acordo?

Na quarta-feira de manhã, o Financial Times divulgou uma carta que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, enviou ao Presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, na terça-feira à noite, em que parecia aproximar-se ainda mais das posições das instituições que compõem a troika (Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu). Quão próximas estavam realmente as posições do Governo de Tsipras, expressas naquela carta, e a dos credores, publicadas pela Comissão Europeia no domingo?
IVA
O Governo grego tem resistido a um aumento no IVA para o sector da hotelaria, que está submetido actualmente a uma taxa de 13% no continente e em Creta, e de 9% nas ilhas gregas. Os credores têm exigido que o Governo aumente a taxa para 23% em todo o país. Mas a Comissão Europeia já indicou que pouco antes de as autoridades gregas abandonarem as negociações, os credores estavam dispostos a aceitar uma taxa unificada de 13% para os hotéis, mantendo todavia 23% para restaurantes. Na sua carta ao Eurogrupo, Tsipras aceitava as taxas propostas, pedindo apenas que fosse mantido sobre estas o desconto de 30% que é aplicável nas ilhas gregas.
A questão das isenções que se aplicam às ilhas gregas é importante, já que é uma das “linhas vermelhas” do ANEL (Gregos Independentes), o pequeno partido nacionalista que está na coligação governamental. O seu líder, Panos Kammenos, declarou recentemente que não aceitaria o fim das isenções fiscais para as ilhas,  "mesmo que o governo caia." 
Medidas orçamentais 
Os parceiros europeus queriam que, o mais tardar até final de 2016, as autoridades gregas exigissem o pagamento adiantado do IRC para o ano seguinte, assim como a eliminação de benefícios fiscais concedidos aos agricultores. Tsipras não se opunha a essas propostas na sua carta, pedindo apenas mais um ano para o fazer. 
O primeiro-ministro grego dizia ainda estar disposto a cortar o orçamento militar em 200 milhões de euros já em 2016, e 400 milhões de euros em 2017, enquanto a troika pedia 400 milhões já em 2016. Atenas mantém uma despesa militar importante, cerca de 2,2% do PIB, o que ironicamente faz da Grécia um dos poucos países que cumpre a meta da NATO de 2% do PIB.
Pensões
Este é um capítulo importante, onde desde o início os credores têm insistido na necessidade de reformas, já que as pensões gregas representam cerca de 16% do PIB, a maior proporção na UE. A troika pedia poupanças na ordem dos 0,5% do PIB em 2015, e 1% do PIB em 2016, através da supressão dos incentivos às reformas antecipadas, o aumento progressivo da idade da reforma para 67 anos e a eliminação gradual até 2019 do complemento concedido a cerca de 200 mil pessoas que recebem pensões modestas, cortando de imediato esse complemento aos 20% mais abastados.
Na carta que enviou ao Eurogrupo, Tsipras, embora aceitasse implementar algumas dessas medidas, propunha fazê-lo apenas no Outono de 2015, mediante uma nova lei geral sobre pensões que o seu Governo pretende apresentar. Quanto aos complementos das pensões aceitava avançar com a eliminação gradual desse complemento até 2019, mas sem o corte imediato aos 20% menos pobres. 
Mercado de trabalho
As regras laborais na Grécia têm vindo a ser flexibilizadas desde o início da crise, e o Governo do Syriza propunha-se restaurar algumas protecções laborais, nomeadamente procedendo a modificações nas regras sobre negociações colectivas. Os credores opõem-se a esses planos, e exigem ainda que qualquer modificação ulterior das regras laborais seja previamente aprovada pelas instituições da troika. 
Tsipras estava disposto a congelar as suas propostas de reformas até o Outono de 2015, e na sua carta não emitia qualquer objecção à proposta de um controlo prévio pelas instituições a reformas futuras.
Privatizações
As propostas das instituições publicadas no domingo insistiam na necessidade de avançar com mais privatizações no sector dos transportes e das telecomunicações. O Governo de Alexis Tsipras, que interrompeu as privatizações em curso depois de ganhar as eleições em Janeiro, já foi entretanto obrigado a ceder, avançando com o processo de privatização do porto do Pireu. 
O Governo grego dizia-se pronto a aceitar as privatizações, mesmo no sector da electricidade, que tem sido uma área sensível nas negociações entre gregos e credores, exigindo apenas separar a empresa que gere a rede de distribuição eléctrica (ADMIE) para mantê-la sob controlo público.

Reestruturação de dívida
Apesar da insistência do lado grego - ainda esta semana Tsipras voltou a propor uma reestruturação da dívida aos seus parceiros, que foi rejeitada pelo Eurogrupo na terça-feira - este é um tema que os credores europeus se têm recusam a abordar, e onde há uma divergência clara com o FMI, que vê a reestruturação como necessária para manter a dívida grega a um nível sustentável. 


SÓ DUAS PERGUNTAS NUM EXAME?

Comecei a ler o exame de português, mas podia ser um de filosofia, e viajei no tempo. Lembrei-me do professor que pegava numa obra, passava aulas à volta do conteúdo e tratava da gramática e das circunstâncias mais variadas. Um teste com duas ou três perguntas era suficiente para nos avaliar.
Mas voltando ao tal exame, impressionou-me a fragmentação das duas ou três obras incluídas. Não há belo que resista. Não sei se esse tipo de obsessão métrica não nos está a impedir de olhar para a crise da Europa sem ser através de uma folha excel onde muito remotamente cabem pessoas.

Os perigos de um MEC implodido

Nuno Crato apresentou como uma das bandeiras do seu mandato, aquilo a que chamou a “implosão” do Ministério da Educação. De acordo com as suas declarações a esse respeito entendia-se que pretendia que o aparelho administrativo do seu ministério se aligeirasse e que a burocracia na relação com as escolas se reduzisse.
Subjacente ao seu desejo estava, em larga medida, uma visão partilhada com outr@s titulares da pasta acerca da “monstruosidade” e perversidade desse aparelho, que seriam contrárias à eficácia dos procedimentos e inimigas da liberdade de acção das escolas para resolver com celeridade os seus problemas.
Com o mandato a terminar é interessante fazer um balanço de tal pretensão e analisar se o que foi feito corresponde ao que se prometia e se conduziu a uma melhoria de funcionamento do “aparelho” do MEC e a uma maior liberdade das escolas.
Em termos práticos, a “implosão” prometida ficou restringida a uma redução dos quadros qualificados ao serviço do MEC, o que se integrou no esforço por reduzir a despesa com pessoal, nada tendo sido feito de relevante no sentido de desburocratizar os procedimentos que se tornaram ainda mais irracionais do que eram devido à opção por uma hiper-concentração dos centros de decisão e pelo desenvolvimento de novas cadeias de controlo de todos os actos de gestão nas escolas através de plataformas electrónicas de preenchimento obrigatório para os detalhes mais remotos do quotidiano escolar e a necessidade de autorizações hierárquicas para qualquer acto que fuja à mais pedestre normalidade.
Toda a retórica em favor da desburocratização e da descentralização dos procedimentos, não passou de uma falsidade repetida e desmentida decreto após decreto, portaria após portaria, circular após circular, continuando o MEC por se caracterizar por um torrencial delírio legislativo e regulamentador. Sendo isto agravado com a evidente perda de qualidade de muita dessa regulamentação, exactamente em virtude da saída de muitos dos quadros mais competentes que antes a produziam. Porque uma coisa é concordarmos ou não com o conteúdo de certos diplomas e outra é o que achamos da sua qualidade em termos técnicos.
Os efeitos perversos da famigerada “implosão” concretizada por Nuno Crato podem ser demonstrados, entre outros, em três áreas:
O desaparecimento de alguns organismos administrativos intermédios levou a que muitas decisões e disputas sobre a interpretação de diversos normativos ficassem dependentes em exclusivo de Lisboa. O que levou a uma morosidade extrema das respostas às escolas, ao desencontro dessas respostas entre vários serviços sem coordenação e ao puro e simples desrespeito de muitos prazos definidos no Código do Procedimento Administrativo para dar despacho, por exemplo, a meros recursos hierárquicos. De novo, uma coisa era criticar o nepotismo que campeava nesses órgãos intermédios e outra é considerar que eles devem ser completamente eliminados.
A falta de pessoal qualificado em áreas cruciais da administração educativa conduziu a situações de ruptura ou à demonstração pública de profunda incompetência, de que o exemplo maior foi a concepção e execução do concurso para colocação de professores no ano lectivo anterior e que motivou este ano, pelo que se lê na imprensa, a necessidade de contratação externa de serviços que antes eram assegurados a nível interno. Não é raro que as poupanças de curto prazo resultem em despesas posteriores maiores e neste ano de eleições o medo de novo fracasso na colocação de professores parece ter deixado a austeridade esquecida neste particular.
Em terceiro lugar, a redução de pessoal técnico qualificado para dar apoio a algumas decisões conduziu a uma situação em que o MEC se tornou presa fácil de grupos de pressão e de interesses externos que passaram a influenciar de modo directo o círculo restrito de decisores em matérias demasiado sensíveis e em que são notórias as cedências do poder político a esses grupos. Há decisões desconexas e casuísticas em termos curriculares, apresentadas quase como se fossem resultantes de estados de alma, que só se conseguem explicar pela incapacidade do MEC resistir à sedução de tais grupos de interesses.

E tudo isto se passa enquanto a burocracia e opacidade de alguns procedimentos permanecem praticamente inalteráveis se não mesmo mais incompreensíveis em tempos de exaltação “liberal”. As escolas raramente estiveram tão presas de movimentos e nunca a transparência esteve tão ameaçada pela dificuldade em controlar potenciais atropelos à legalidade graças ao anonimato digital e ao já clássico “foi um problema informático”.


quinta-feira, julho 02, 2015

Esperem só um bocadinho que já vos atendo!...


Há quem consiga dizer NÃO!!!


Pensamento para hoje!...


Estes são os tempos modernos!...


Onde é que vamos plantar esta casa?


Mais do que uma foto!










Como não usar um machado!

Homem consegue na justiça autorização para casar com uma cabra

O agricultor Josafá José de Jesus Jaraguá, 48 anos, conseguiu autorização judicial para se casar com sua cabra, Jupira, de 5 anos de idade.
A decisão foi prolatada pelo juiz da 2ª Vara Cível da comarca de Lapão Roliço-MG, e obriga o tabelião do cartório local a realizar o casamento do inusitado casal.
“Estou muito feliz com a decisão”, disse Josafá, que é conhecido na localidade como “Josafá da burra”.
Questionado sobre o motivo de ser conhecido por tal epíteto, Josafá explica que no passado teve “relacionamento amoroso com uma equina, daí vem a origem do apelido”.
Algumas pessoas da cidade ficaram surpresas com a decisão. É o caso de dona Maria de Lourdes, que qualificou o julgado como “falta de vergonha na cara”.
Leia abaixo um trecho da sentença:
“O progressivo avanço das relações sociais tem trazido ao Judiciário demandas até outrora impensáveis.
Este poder deve seguir na vanguarda, olhar para as aspirações do povo brasileiro. Foi assim quando permitiu o casamento de pessoas do mesmo sexo. Ora, por qual motivo o conceito de família deve ser hermético e imutável?
Por qual motivo que seres de espécies diferentes que se amam não podem constituir família.
Isto posto, com amparo no princípio da isonomia, consagrado na Magna Carta de 1988, defiro o pedido autoral determinando que o Cartório de Registro Civil da Comarca de Lapão Roliço realize o enlace matrimonial do autor da ação e de sua consorte, Jupira.”
P.S. mas o que é que isso tem de especial? Não são situações que acontecem todos os dias? Quantas vezes ouvimos homens dizer angustiadamente: "A cabra da minha mulher!"...

Ciência em Portugal: ASCENSÃO E QUEDA

O nosso sistema de ciência e tecnologia desenvolveu-se extraordinariamente nas décadas de 1990 e 2000. O Ministério da Educação e Ciência (MEC) foi criado em 1995 por António Guterres, tendo José Mariano Gago como titular. Em 2005, Mariano Gago voltou, tendo o Ministério passado a ser da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Em 2011, no governo de Pedro Passos Coelho, Nuno Crato assumiu a pasta de Educação e Ciência: passados quatro anos, é hoje consensual que tanto a ciência como o ensino superior estão piores. É justo sublinhar o papel que Gago desempenhou no desenvolvimento da ciência nacional. Convicto de que a ciência era uma mola para o desenvolvimento, ele colocou a ciência na agenda política. E, de facto, nessa área, o país conheceu enorme transformação. O braço armado do ministério foi a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), fundada em 1996. No mesmo ano nasceu a Agência Ciência Viva para a Cultura Científica e Tecnológica, por Gago considerar a cultura científico-tecnológica essencial para o florescimento da ciência. Contrariando a política anterior, Crato é o responsável por um óbvio retrocesso quer na ciência quer na cultura científica.

Para verificar como o sistema de ciência cresceu, basta consultar a PORDATA, base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos. O investimento em investigação e desenvolvimento subiu de 0,4% para 1,5% do PIB desde 1986, ano da entrada de Portugal na União Europeia (UE), para 1,5% em 2011. Dois bons indicadores dos resultados desse investimento são o número anual de novos doutorados formados e o número de novas publicações científicas. Em 1996 obtiveram o diploma de doutor 216 pessoas, mas em 2011 já foram 1845. O número de publicações científicas em revistas indexadas, que era de 664, passou para 15233 em 2011. Se o investimento subiu quase quatro vezes, o número de novos doutores subiu nove vezes e o número de publicações subiu 23 vezes. Poucas coisas subiram tanto em Portugal em tão pouco tempo! 

As 6 razões de Varoufakis para votar ‘Não’ no domingo

O ministro das Finanças grego publicou no seu blogue as 6 razões que o levam a apelar ao voto ‘Não’ no referendo à proposta dos credores. E diz que os sinais dados por Bruxelas nos últimos dias, ao admitir a restruturação da dívida, “mostram que a Europa oficial também votaria ’NÃO’ à sua própria oferta ‘final’”.

1. As negociações bloquearam por os credores da Grécia (a) recusaram reduzir a nossa dívida pública impagável e (b) insistiram que devia ser reembolsada de forma “paramétrica” pelos mais fracos da nossa sociedade, os seus filhos e netos.
2. O FMI, o governo dos Estados Unidos, muitos outros governos por todo o mundo, e a maioria dos economistas independentes acredita – tal como nós – que a dívida deve ser restruturada.
3. O Eurogrupo já tinha (Novembro 2012) admitido que a dívida teria de ser restruturada, mas recusa-se a comprometer-se com a restruturação da dívida.
4. Desde o anúncio do referendo, a Europa oficial deu sinais de que estão prontos a discutir a restruturação da dívida. Esses sinais mostram que a Europa oficial também votaria ’NÃO’ à sua própria oferta “final”.
5. A Grécia vai ficar no euro. Os depósitos nos bancos gregos estão seguros. Os credores escolheram a estratégia da chantagem, apoiando-se no encerramento dos bancos. O impasse atual deve-se a essa escolha dos credores e não pelo governo grego ter interrompido as negociações nem por quaisquer ideias da Grécia sobre o Grexit e a desvalorização. O lugar da Grécia na zona euro e na União Europeia não é negociável.
6. O futuro exige-nos uma Grécia orgulhosa dentro da zona euro e no coração da Europa. Esse futuro exige que os gregos digam um rotundo NÃO no domingo, que fiquemos na zona euro e que, com o poder que nos for investido por esse NÃO, renegociemos a dívida pública da Grécia bem como a distribuição dos sacrifícios entre ricos e pobres.
DAQUI 

A burguesia lusitana e as eleições

Entre 1985 e 2008, ou seja, do primeiro governo de Cavaco Silva ao primeiro de Sócrates, Portugal foi governado por uma elite composta por poucos sectores: a banca, a construção civil, o sector empresarial do Estado (que inclui empresas recém-privatizadas, mas ainda vinculadas à estratégia conjunta desta fracção burguesa, como a EDP), além de outras empresas dependentes de contratos com o Estado como as empresas de produção de energia. A especulação imobiliária e as obras públicas foram o motor do crescimento económico lusitano e, enquanto pareceu dar certo, os "outros" – quer dizer, os sectores incluídos na outra fracção burguesa – aceitaram ou toleraram esse modelo. Afinal, esta fracção dependeu dos trabalhadores da primeira enquanto seus consumidores. 

A crise de 2008 pôs em causa a capacidade de endividamento do Estado e, portanto, o modelo que havia sido organizado sob a batuta de Cavaco Silva. A crise do modelo data do final de 1999, quando a compra de casas começa a diminuir. Por isso, a banca necessitou colocar no governo um homem da sua confiança, José Sócrates, para prolongar o modelo à custa exclusivamente de obras públicas e do endividamento do Estado. Foi somente com o eclodir da crise que os "outros" se organizaram com a liderança dos supermercados. Deixámos de ter os restaurantes (e os supermercados) cheios de pedreiros e funcionários públicos e passámos a ter Soares dos Santos, nas televisões, dizendo mal de Sócrates. Esta segunda fracção da burguesia difundiu a ideia segundo a qual, não fosse o Orçamento de Estado ajudar tanto a construção civil, o país estaria cheio de Auto-Europas… E, ainda que a Auto-Europa, um enclave alemão em Portugal, tenha dado pouca importância a isso, a média e pequena burguesias, bem como um bom número de intelectuais e jornalistas, se alinharam com Soares dos Santos.


Todo o texto aqui

A terrível realidade da moderna escravatura...6

A Organização Internacional do Trabalho estima que a escravatura é responsável por cerca de 150 mil milhões de dólares anuais para os proprietários de escravos





Nada será como dantes

Foram grandes as expectativas criadas em Portugal com a vitória do Syriza nas eleições do passado Janeiro. A direita no governo, apoiada por uma maioria dos órgãos de comunicação transformada em caixa-de-ressonância, rapidamente desenhou os piores cenários, considerando-a um erro de avaliação da parte dos gregos – obviamente entendidos como crianças grandes, politicamente menorizadas –, e antevendo, como consequência, o incumprimento do pagamento da dívida, tal como a saída da Grécia do euro ou mesmo da União Europeia. Ao mesmo tempo, um sobressalto transversal foi partilhado pela quase totalidade da esquerda e do centro-esquerda, traduzido numa visível simpatia pelo novo governo de Atenas e por alguns dos seus protagonistas, bem como num apoio expresso ou tácito às suas escolhas.
Foi assim que alguns militantes e dirigentes do Partido Socialista, bem como muitos dos seus simpatizantes e presumíveis votantes, exultaram publicamente com aquela vitória, embora, como era de esperar, desde o início outros a temessem ou rejeitassem de forma liminar. Foi assim que o PCP, sem apoiar expressamente  o Syriza, se eximiu de o criticar, ao contrário daquilo que, como é sabido, tem feito o KKE, o Partido Comunista da Grécia, que o combate por lhe atribuir um papel de mera «muleta do capitalismo». Foi assim também que a nossa «esquerda da esquerda» apoiou incondicionalmente a experiência grega, assumindo como suas as suas escolhas, por muito que algumas delas, em particular aquelas que têm privilegiado os fatores de unidade e de moderação, sejam estranhas a muitas das suas opções políticas internas.
Aquilo que ninguém nesta área política fez foi, porém, prever a forte possibilidade da experiência grega falhar, suscitando uma onda de choque capaz de mergulhar no desânimo e de deixar sem um vislumbre de saída otimista, quem, por um exercício de vontade, numa primeira fase participou dessa exaltação quase unanimista. À hora a que escrevo ninguém poderá, é um facto, salvo se enveredar por um inútil exercício de adivinhação, traçar o desfecho desta etapa dramática da história da Grécia. Mas uma coisa é certa: todos, cá e lá, estamos a experimentar um banho de realismo, uma vez que poucas coisas aconteceram como o previsto. Um banho cujos efeitos na nossa perceção da coisa pública – e da relação da esquerda com a conquista e o exercício do poder na Europa de hoje – se encontra ainda por avaliar.
A dimensão do recuo do Syriza, tal como a das fraturas que por esse motivo este irá inevitavelmente conhecer, é ainda desconhecida. Como o é a capacidade do povo grego para conservar nas circunstâncias presentes o seu capital de esperança. Mas uma coisa é segura: uma vez mais está a ficar provado que não é possível moldar o curso da história apenas por um exercício de vontade ou com recurso a gestos de bravura. O que força sempre a procurar novas vias para reduzir os danos e evitar o pior, agregando forças de forma aberta e criativa com base no que é prioritário para a vida das pessoas e dos Estados. Governar a direito, essencialmente a régua e esquadro e na rejeição da democracia, tentaram-no Hitler ou Estaline, com os resultados que se conhecem. Só ao procurar consensos, unindo o que houver a unir, se poderá conhecer o modo de evitá-lo. Neste domínio o Syriza tem sido exemplar. Pelo menos até agora.

DRAGHI, O ANJO EXTERMINADOR

Onde estava Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, a entidade que executa as ordens dos credores para asfixiar o povo grego, quando se teceram as malhas fraudulentas que ajudaram a trepar a dívida soberana da Grécia aos níveis estratosféricos em que se encontra?
Consultando o seu currículo profissional apura-se que, durante os primeiros anos do século, Mário Draghi foi o vice-presidente para a Europa do banco norte-americano Goldman Sachs, o tal que “governa o mundo”, de acordo com alguma comunicação social que não enferma de quaisquer doenças de esquerda, e pelo qual passaram ainda nomes sonantes envolvidos nas malfeitorias da União Europeia e da troika, como é o caso doméstico do secretário adjunto do primeiro ministro de Portugal em exercício, Carlos Moedas.
Nessas funções, Draghi tinha sob a sua alçada as relações do Goldman Sachs com as empresas e os países europeus. O actual presidente do Banco Central Europeu é, sem qualquer dúvida, um dos responsáveis pelas manobras realizadas a partir de 2001 pelo Goldman Sachs e os gestores gregos para esconderem a dimensão da dívida de Atenas de modo a enganar Bruxelas e a mascarar a grosseira violação pela Grécia dos critérios de convergência estabelecidos no Tratado de Maastricht.
A história foi descoberta e contada há tempos por órgãos de comunicação como a Der Spiegel, o New York Times, a BBC, a própria Bloomberg, catedrais do neoliberalismo reinante, pelo que até as consciências virgens e tão incomodadas com os supostos gastos sumptuosos que o governo grego pretende renegociar deviam por de lado as hipócritas e convenientes amnésias.
Sob a tutela do actual presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, na primeira década do século o Goldman Sachs providenciou empréstimos à Grécia envolvendo swaps cambiais com valores fictícios de mercado – imagine-se, nem o mercado escapou – que praticamente duplicaram a dívida grega ao banco. Só entre o momento do primeiro acordo e o dia da assinatura, estava-se então em Junho de 2001, as fraudulentas trocas de swaps em ienes e dólares por euros, a taxas falsas, fizeram crescer a dívida grega em 600 milhões de euros, ao mesmo tempo que os descomunais excessos desta desapareciam dos radares de Bruxelas. Além disso, o banco norte-americano cobrou grossa comissão para por em prática tal engenharia financeira
Os gestores da dívida grega confessaram depois que assinaram de cruz porque não se aperceberam da complexidade e dos alçapões do acordo. Pediram então ao Goldman Sachs uma renegociação dos reembolsos e este banco, generoso como sempre, envolveu novos produtos tóxicos que agravaram a situação. Não contente com isso, precavendo-se de um eventual incumprimento grego, tratou de vender os swaps ao Banco Nacional da Grécia, presidido por Petros Christodoulos, um gestor com afinidades ao citado banco norte-americano e que depois passou a gerir a dívida grega. Como se percebe, o actual presidente do Banco Central Europeu esteve em todas.
Não se julgue que Mario Draghi era um estreante nestas actividades, que já testara no seu país natal, a Itália. Quem o explica é o ex-presidente Francesco Cossiga. Segundo ele, Draghi favoreceu a Goldman Sachs em contratos importantes quando exercia funções de diretor do Tesouro, numa altura em que avançava a todo o vapor o processo privatizador italiano.
Conta-se que em 2010, quando a crise explodiu e tramoias como estas se tornaram conhecidas, a senhora Merkel comentou que “será um escândalo quando se descobrir que os mesmos bancos que nos deixaram à beira do abismo ajudaram a falsificar as estatísticas”.
Disse “escândalo”? Não se incomode! Lukas Papademus, governador do Banco da Grécia quando tudo foi congeminado, tornou-se primeiro-ministro grego não eleito, indicado pela senhora Merkel para substituir Papandreu e cumprir as ordens de Bruxelas e da troika para combater a dívida – com os resultados que estão à vista.
E o homem que esteve ao leme de tudo, Mário Draghi, foi recompensado com o lugar de presidente do Banco Central Europeu, a instituição que – sob ordens do governo de Merkel e dos credores agiotas em geral – fustiga o povo grego para o fazer pagar uma dívida que ele ajudou a mascarar enquanto contribuía para a aumentar desmedidamente. É nesta Europa que estamos, à mercê de traficantes de humilhação e miséria como Mário Draghi.
Lloyd Blankfein, o número 1 do Goldman Sachs e um dos responsáveis pelas fraudes que catapultaram a dívida grega para os níveis actuais, costuma dizer que é “um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”. Sendo assim, Mário Draghi é o seu anjo exterminador.


O princípio do fim da privacidade dos portugueses

Quando valores mais altos se levantam, o bloco central diz presente e coloca de lado as suas diferenças de fachada, à semelhança daquilo que aconteceu há uns meses quando se juntaram para tentar controlar o trabalho da comunicação social durante as campanhas eleitorais através de uma espécie de visto prévio estilo lápis azul. Como se o “ascendente” que têm sobre a imprensa não fosse já suficiente.
Foi ontem levada ao Parlamento uma proposta da maioria para reforçar o poder das secretas portuguesas cuja aprovação, segundo me foi possível apurar (não encontro informação que me esclareça para além da notícia do Expresso Diário de Terça-feira), terá contado com o apoio do PS. A proposta permitirá, entre outras coisas, que os espiões acedam às listas de chamadas de qualquer cidadão (Jorge Silva Carvalho, antigo chefe do SIED que trabalhou para a Ongoing mas que afirma nunca ter disponibilizado informações à empresa, começará a ser julgado dentro de dois meses por aceder ilegalmente à lista de chamadas do jornalista Nuno Simas), dados de comunicações online, informação bancária e dados fiscais, bastando para isso uma aprovação de uma comissão composta por três magistrados do Supremo Tribunal de Justiça. Contudo, a proposta do bloco central é vaga sobre os critérios subjacentes à tal aprovação, não implicando sequer a existência de indícios fortes do investigado ter cometido qualquer crime.
Sobre o último ponto, a Comissão Nacional de Protecção de Dados emitiu um parecer que critica violentamente a proposta, afirmando que representa “uma agressão grosseira aos direitos à privacidade e à protecção de dados pessoais e, em consequência, ao direito à liberdade“. Um Patriot Act ao virar da esquina. Sejam bem-vindos ao princípio do fim da vossa privacidade.

O jogo da sardinha


Danos e dolo

Parafraseando José Saramago, há uma regra fundamental que é, simplesmente, não calar. Não calar!

1. O despacho nº 7031 - A/2015 introduz o ensino de mandarim em algumas escolas secundárias públicas no próximo ano-lectivo. Os professores serão chineses e as despesas correm por conta da República Popular da China, mediante um protocolo com o Instituto Confúcio. Este instituto tem por objectivo imediato a promoção da língua e da cultura chinesas. Mas outros vêm a seguir, ou mesmo antes, pese embora tratar-se de matérias a que Confúcio era avesso. Com efeito, logo que a iniciativa foi conhecida, chegaram notícias de experiências idênticas de países ocidentais, que cancelaram acordos similares por ameaça à liberdade académica (vigilância indesejável de estudantes e actos de censura). Dito nada pelo Ministério da Educação sobre este começo menos auspicioso, sobram perguntas, a saber: que diz o ministro à suspeita transnacional (França, Suécia, EUA e Canadá, entre outros) quanto à utilização do Instituto Confúcio como instrumento de promoção da ideologia do governo chinês? Poderemos aceitar que uma disciplina curricular do sistema de ensino nacional seja leccionada por professores estrangeiros, escolhidos pelo governo da China, pagos pelo governo da China e com programas elaborados por uma instituição que obedece ao governo da China? Conhecida que é a complexidade extrema da aprendizagem do mandarim, particularmente no que à escrita respeita, fará sentido iniciá-la … no 11º ano? Terá a iniciativa relevância que a justifique? Pensará o grande timoneiro Nuno Crato substituir o Inglês (cujos exames acabou de entregar a outra instituição estrangeira) pelo mandarim, como língua de negócios? Ou tão-só se apresta, pragmaticamente, a facilitar a vida aos futuros donos disto tudo, numa visão futurista antecipada pela genialidade de Paulo Futre?

A indústria do financiamento alienou por completo a solidez pedagógica das decisões e transformou o currículo escolar numa manta de retalhos de experimentalismos sem coerência.

O ministério de Nuno Crato ficará marcado por um contínuo de soluções aos solavancos, determinadas pela ânsia de responder a um sistema político e económico que exige do ensino resultados com impacto rápido no sistema produtivo. Uma simples lógica de obediência a mecanismos simplistas de mercado, com total desprezo pela vertente personalista da acção educativa e pela necessidade de colher aceitação social para as políticas educativas.


Todo o texto aqui

OS GREGOS AVANÇAM E RECUAM? PUDERA...

Percebeu-se, desde logo, que os governantes gregos não tinham descido do Olimpo e que estavam determinados a enfrentar a dívida colossal e os indicadores de miséria da Grécia. Revelaram-se preparados para ir ao casino da banca alemã e francesa (não esqueçamos os "Goldman Sachs") e jogar contra os DDT's deste mundo correspondendo ao apelo dos europeus que, contudo, consideravam o combate impossível e destinado ao fracasso na primeira esquina. Os governantes gregos estão a enfrentar o fim da história decretado pelo Eurogrupo. Compreendo os avanços e recuos e desejo que sejam bem sucedidos. Estão a tentar e não se refugiaram nos prognósticos no fim do jogo nem no "não há nada a fazer". Sem precipitações, os casinos assim o exigem, esperemos pelos próximos lances.

DAQUI

quarta-feira, julho 01, 2015

Até amanhã!...


Quem é que tem a boca maior?


Crise: Deputado esfomeado reivindica jantar na cantina da AR

deputado do PS Ricardo Gonçalves gostava de ter a cantina da AR aberta ao jantar.Isto porque 3700€/mês que aufere "não dão para tudo". Fiquei com um "aperto no coração" ao ler isto.

Pensava que nada me podia surpreender na política, mas eis que um deputado me acorda para a triste realidade: Portugal. O absurdo é o limite. O horizonte da estupidez ganha novos desígnios e contornos todo o santo dia. Ao deputado Ricardo Rodrigues dos gravadores junta-se agora o deputado Ricardo Gonçalves das refeições.

Se o primeiro meteu gravadores no bolso. Este afirma que o que lhe põem no bolso não chega para tudo, mesmo que seja um valor a rondar os 3700€/ mês. Uma miséria. "Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comerCorreio da Manhã (vou fazer uma pausa para ir buscar uns kleenex...)
O corte de 5% nos salários irá obrigá-lo, como "deputado da província", a apertar o cinto e consequentemente o estômago, levando-o a sugerir com ironia mas com seriedade (!?) a abertura da cantina da AR para poder jantar. Uma espécie de Sopa dos Pobres mas sem pobres e sem vergonha. Só com políticos, descaramento e sopa.
"Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá" Valerá a pena acrescentar alguma coisa? Não me parece. Só dizer que as almôndegas que comi ao jantar não se vão aguentar no estômago durante muito tempo depois de ter feito copy/paste desta declaração
Mas continuando a dar voz ao Sr. Deputado: "Estamos todos a apertar o cinto, e os deputados são de longe os mais atingidos na carteira". Pois é, coitadinhos, andam todos a pão e água. Alguns são meninos para largar os bifes do Gambrinus.
Bem sabemos que os grandes sacrificados do novo pacote de austeridade do Governo vão ser os senhores deputados. Ninguém tinha dúvidas quanto a isto. E ajuda a explicar o"aperto de coração" que o Primeiro-Ministro sentiu ao ter de tomar estas "medidas duras". Sabia perfeitamente que ao fazê-lo estava a alterar os hábitos alimentares do Sr. Deputado Ricardo Gonçalves, o que é lamentável.
Que tal um regresso à província com o ordenado mínimo e um pacote senhas do Macdonalds? Ser deputado não é o serviço militar obrigatório. Pela parte que me toca de cidadão preocupado está dispensado. Não o quero ver passar necessidades.
Há quem sobreviva com pensões de valor equivalente a 4 dias de ajudas de custo do senhor deputado. Quem ganha o ordenado mínimo está habituado a privações, paciência. Agora com 3700€ por mês e 60€/dia de ajudas compreendo que seja mais difícil saber onde cortar. Podíamos começar por cortar na pouca-vergonha. Mas isso seria pedir demais.


Três gerações em consonância...


Por que nunca se deve estacionar numa zona para deficientes...no Brasil!...

Vozes de animais feitas por...crianças!...

As televisões portuguesas não chegam a este nível de sofisticação de teor sexual!...

A terrível realidade da moderna escravatura...5

A maior parte dos escravos devem-no a dívidas hereditárias. As pessoas já nascem na escravidão porque os pais não conseguiram pagar as sua dívidas.


Acendam o rastilho!



Aprendamos a dançar sem medo


109 mil soldados para uma população de 10 milhões de habitantes. 10 militares por mil habitantes. É o país com o rácio mais alto da Europa (França tem 3,5, Espanha 2,5, Portugal 3,1). Nos últimos dez anos, 4% do PIB foi gasto na defesa, o dobro do que a NATO, sempre empenhada em pressionar aumentos orçamentais nesta área, recomenda. Dos países da NATO, somente os EUA gastam mais em percentagem do PIB. Neste mesmo tempo histórico, este país importou equipamento militar no valor de 12 mil milhões de euros. Entre 2005 e 2009 foi o quinto maior importador de armas do mundo. Nas suas fileiras conta com 1620 blindados, mais do que Alemanha, França e Itália juntas.
Este país é a Grécia e estes números foram revelados esta semana pelo “Público” espanhol. Mas há mais um dado particularmente relevante. Grande parte da despesa grega em armamento foi realizada com a Alemanha e França, 4 mil milhões e 3 mil milhões, respectivamente. Segundo o “Guardian”, em 2012, as vendas de armamento para a Grécia representavam 15% do total de exportações alemãs nestas áreas. Yorgos Papandréu, assessor do primeiro-ministro grego entre 2009 e 2011, declarou que ninguém lhes dizia para comprar armas, mas que a UE ficava sempre mais solícita se o fizessem.
O actual braço-de-ferro entre os donos disto tudo e a Grécia não é apenas decisivo para o povo grego. Se a Grécia claudica e aceita o acordo que a pretende vergar e castigar por ameaçar levantar a cabeça, perdemos todos. Se o povo grego rejeitar o acordo, abre-se uma frente que terá de ter correspondência, em Portugal, muito além dos ineficazes manifestos de militante solidariedade. Depois da Grécia, estamos na linha da frente deste plano de extorsão e empobrecimento. Passará por todos nós a decisão de continuar de cabeça baixa à espera dos novos cortes nas pensões/ordenados e aumentos do IVA, ou ganhar coragem e perder o medo.
Não há saídas fáceis. Todos os caminhos de fuga estão armadilhados, mas quanto mais nos deixarmos afundar neste buraco, mais dura será a saída.
(publicado ontem no jornal i)

Portugueses: preparem-se para pagar



Por breves momentos, alguns portugueses mais ingénuos acreditaram nas palavras do habitante do Palácio de Belém, que afirmava, sem reservas, que os portugueses podiam confiar no BES. Estávamos em Julho de 2014. Alguns meses mais tarde, confrontado com perguntas incómodas de uma jornalista, Cavaco desmentia Cavaco e afirmava, naquele tom de indignação dissimulada habitual em políticos sem coluna vertebral, que nunca tinha feito qualquer declaração sobre o BES.
Um ano depois das certezas de Cavaco posteriormente desmentidas por Cavaco, milhares de portugueses continuam a desconhecer o paradeiro das suas economias, em alguns casos a poupança de uma vida, e preparam-se para doar mais algum para o peditório do Espírito Santo. É que segundo as notícias que vieram ontem a público após o encerramento do prazo definido pelo governo para receber propostas vinculativas para a compra do Novo Banco, cuja corrida ficou reduzida aos camaradas da Fosun, da Anbang e ao fundo de investimento Apollo, as propostas dos finalistas não irão além dos 4 mil milhões de euros. Significa isto que o Fundo de Resolução bancária, cujo principal “accionista” é a nossa Caixa Geral de Depósitos, vai ter que assumir cerca de 900 milhões de perdas. Mais um ficheiro para o arquivo dos casos que não iam custar um cêntimo ao contribuinte.

Mentes que brilham


Comentário e intervenção de Varoufakis

Da página electrónica do Expresso, o comentário, que o ministro das Finanças grego deixou no seu blogue, sobre o que se passou na última reunião do Eurogrupo:
«A reunião de 27 de Junho de 2015 do Eurogrupo não vai ficar na história da Europa como um momento de que nos possamos orgulhar. Os ministros recusaram o pedido do governo grego para que fosse concedido ao povo grego uma mera semana durante a qual diriam 'Sim' ou 'Não' às propostas das instituições — propostas cruciais para o futuro da Grécia na Zona Euro. A simples ideia de que um governo consulte o seu povo quanto a uma proposta problemática que lhe é feita pelas instituições foi tratada com incompreensão e muitas vezes desdém que roçava o desprezo. Chegaram a perguntar-me: 'Está à espera que as pessoas normais compreendam questões tão complexas?'. Na verdade, a democracia não teve um bom dia na reunião do Eurogrupo deste sábado! Mas as instituições europeias também não. Depois de o nosso pedido ser rejeitado, o presidente do Eurogrupo quebrou o pacto de unanimidade (emitindo uma declaração sem o meu consentimento) e tomou mesmo a dúbia decisão de convocar um encontro sem o ministro grego, ostensivamente para discutir os 'passos seguintes'. É possível a coexistência de uma união monetária e da democracia? Ou uma delas tem de desistir? Esta é a questão fundamental a que o Eurogrupo decidiu dar resposta colocando a democracia na gaveta de baixo. De momento, esperemos.»
Clicar aqui, para ler a intervenção de Varoufakis nessa reunião, do passado dia 27 de Junho.

QUATRO INSUSPEITOS DIVERGEM

Paul Krugman e Joseph Stiglitz, norte-americanos distinguidos com o Nobel da economia, defendem o não no referendo grego. Cavaco Silva e Passos Coelho, portugueses que também estudaram economia, nem precisam de declarar o lado que apoiam. Francamente: desejo que Portugal não perceba tarde demais o efeito dos seus incompreendidos representantes.

A seguinte observação não é ensinada em todos os cursos de economia e é pena: é inigualável a grandeza de quem não se verga para não perder a liberdade.