O cartaz xenófobo do PNR no Marquês de Pombal ganhou um vizinho incómodo. Os Gato Fedorento ridicularizam a mensagem anti-imigração dos nacionalistas e dizem que «a melhor maneira de chatear estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal». Ricardo Araújo Pereira falou ao SOL
Os Gato Fedorento responderam com humor à mensagem xenófoba que o Partido Nacional Renovador exibe desde a semana passadana Praça do Marquês de Pombal, em Lisboa.
Ao lado do outdoor do partido de Pinto Coelho, agora vandalizado, o colectivo humorístico resolveu brincar com a postura anti-imigração da força política.
«Mais Imigração! A melhor maneira de chatear estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal. Com Portugueses não vamos lá. Nacionalismo é Parvoíce».
A mensagem não deixa ninguém indiferente e contraria a do cartaz ao lado.
«Basta de Imigração, façam boa viagem, Nacionalismo é a solução», eram algumas das frases expostas no cartaz do PNR, agora apagadas.
O SOL falou com Ricardo Araújo Pereira, que se encontra em Barcelona, e perguntou-lhe o porquê desta intervenção. «A ideia surgiu do cartaz mesmo ao lado. Lamento que esteja todo sujo. Democracia não é isto», disse o humorista,acrescentando que «é uma piada um bocado mais cara do que é costume».
Sem receio de represálias por parte do PNR, Ricardo Araújo Pereira afirma que «em princípio as pessoas não nos ligam nenhuma. É a atitude mais sensata». No entanto, o telemóvel do Gato Fedorento já tocou «algumas» vezes e a imagem faz primeira página no Público.
A haver agressões, Ricardo Araújo Pereira espera que sejam dirigidas a Miguel Góis, Tiago Dores, José Diogo Quintela porque gosta de ser «solidário» com os colegas do grupo.
O humorista nega que o grupo tenha um programa político. «Nem sequer é uma mensagem política. É uma mensagem de lógica elementar»,apesar de admitir que a sátira possa ter «consequências politicas».
Ricardo Araújo Pereira recorda o recente sketch dirigido ao treinador do Sporting, Paulo Bento. «Quem faz uma sátira a um desportista não está a fazer desporto».
O humorista afirma que a ideia fundamental por trás do cartaz é a de que «um nacionalista que se preze quer chatear os estrangeiros. E não há maior castigo a dar a um estrangeiro do que este», o de viver em Portugal.
A título pessoal refere que nunca teve problemas com estrangeiros e que «todos os dias tenho problemas com portugueses, por exemplo no trânsito».
Para o Gato Fedorento o nacionalismo faz pouco sentido. «Como podemos ter ódio aos africanos se somos quase pretos? Não há maneira de esconder isso».
Ricardo Araújo Pereira brinca ainda com o conceito de branco. «Os suecos é que são brancos e os ingleses que quando apanham sol parecem lagostas com escarlatina. Os skinheads portugueses rapam a cabeça para esconder que têm carapinha».
http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=115764&cidade=1
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