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segunda-feira, setembro 15, 2008

Candidatos com Açúcar

Não encontro diferença entre o adolescente que vê os Morangos com Açúcar e o intelectual que acompanha as eleições americanas.
Lá no fundo, bem no fundo dos candidatos, há divergências. É verdade. Mas governar os Estados Unidos é tarefa bem mais simples do que parece e não se compadece com grandes teorias. Um pé na Casa Branca e muda tudo.
Conversava um dia com um piloto da TAP que nessa altura fazia a ligação à Madeira. Na minha ingenuidade aeronáutica, quis saber como se preparava, como aguentava a pressão e se cada viagem era ou não era uma grande aventura.
Vai daí, desilusão das desilusões, diz-me ele, com absoluto desprezo pelo mito, que levar um avião de Lisboa à Madeira é sempre a mesma coisa. É basicamente entrar, fazer umas contas, ver se está de chuva, meter o aparelho na pista, ligar o piloto automático e apreciar a vista.
Ora, governar os Estados Unidos é desilusão semelhante. Os lóbis - nem todos - e os conselheiros fazem o trabalho do Presidente. Mais soldados para ali, menos para aqui. Uma aposta nas renováveis e quando o sistema dá de si, uma injecção de capital nas too big to fail. Assim se governa uma superpotência.
Por tudo isto, as eleições americanas são uma fantochada, onde só há lugar para as maiores trivialidades deste mundo. Como nos Morangos com Açúcar.
Um é preto, o outro é branco. Entra uma mulher ou não? Entra mesmo. Terá assumido um filho da sua filha? Filha essa que está grávida (se calhar outra vez). Tão nova… A mãe conservadora e a filha danada para a brincadeira… Mas parece que se vai casar. E o rapaz já apareceu na convenção. Tem bom aspecto. Saudável. Deve comer muitos legumes. E o marido? «Diz que» já foi detido.
Eu não gosto da cara dela. Tem ar de safada. E quer roubar o lugar ao velhote! Coitado, está a cair da tripeça. Faz dois anos e patina. É garantido.
Barack? Que sucesso... Encheu Berlim. Como nem os Beatles. Por isso tem a cabeça a prémio, que o racismo nos Estados Unidos é de gancho. E também não se livra da má fama que o reverendo, aquele reverendo doidivanas, lhe deu.
Bom, no meio desta novela presidencial, os candidatos lá vão dizendo coisas como «I’m asking you to believe. Not just in my ability to bring about real change in Washington… I’m asking you to believe in yours».
Isto é poesia, não é política. Mas a poesia ajuda a pensar, mais do que a política. E assim, chego finalmente a uma conclusão e já sei quem gostava de ver na Casa Branca: Barack Obama ou John McCain.
http://lobi.blogs.sapo.pt/

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