sábado, dezembro 02, 2006

Boas notícias

E eis que, mesmo quando não parece, tudo, afinal, se continua a mover.

As boas notícias começaram na Holanda, onde o partido que havia polarizado a opinião pública contra o Tratado Constitucional, saltou de 9 para 26 deputados, com votações acima de 17 por cento em todas as principais cidades. O mais provável é que se venha a constituir novo governo de grande coligação ao centro. Mas o Partido Socialista, que por lá honra o qualificativo, transformou-se na terceira força política. Tudo indica não se tratar de um epifenómeno, como ocorrera, poucos anos antes, com a lista Fortuiyn, populista de direita e que agora desapareceu do mapa político. A ascensão do Partido Socialista é espectacular, mas traduz enraizamento social e uma deslocação da opinião pública para posições muito críticas da ofensiva liberal contra os direitos sociais.

A segunda notícia é ainda mais notável. Contra todas expectativas, Rafael Correa vence as presidenciais no Equador com quase 70 por cento dos votos. Do outro lado, estava Alvaro Noboa, o principal “bananeiro” do país. Foi uma vitória dos pobres contra os muito ricos. Eis uma história latino-americana. A candidatura de Rafael Correa identificou as aspirações da nação com as da pobreza a uma vida pelo menos um pouco mais digna.

Ocorreu no Equador mais um episódio da extraordinária vaga de fundo que percorre a América Latina. Sem recuar muito no tempo e sem se avançar para lá do próximo fim-de-semana, onde, na Venezuela, Hugo Chavez deverá ser reeleito, a mudança é de monta. É verdade que candidatos de esquerda perderam, por uma unha negra, no Peru e no México. É mais que provável, aliás, que no México, Obrador tivesse ganho, descontadas fraudes de contagem. Mas mesmo nestes dois casos, a esquerda afirma-se como a grande alternativa aos governos de submissão ao Norte do continente. É ainda verdade que as vitórias de Daniel Ortega na Nicarágua e de Lula da Silva no Brasil estão longe de conter a promessa dos primeiros combates políticos destes líderes. Mas só a cegueira não descortinará nestes resultados a expressão, mesmo que imperfeita ou até ilusória, da mesma vaga de fundo – a de povos que se levantam na sua procura de dignidade e mudança.

A verdade é que o mapa político do continente americano está a mudar. Nas traseiras do Império, criam-se, por vontade popular, as condições para uma comunidade latino-americana de nações, que enfrente a globalização com integração regional e autonomia política face a Washington. Rafael Correa é muito claro: quer renegociar a dívida externa e os contratos do petróleo. Opõe ao Tratado de livre comércio uma estratégia regional; e quer que a única base norte-americana da região seja desafectada em 2009, quando expira o contrato em vigor.

G. W. Bush encontra-se, entretanto, em Riga, para nova cimeira da NATO. José Sócrates também lá está. A serem verdadeiras as notícias, a “cacha” é um novo avião, o C-17, que, qual Hércules do passado, se apresenta com descomunais capacidades de carga, alta autonomia de voo e capacidade de aterragem em pistas de curta extensão. Uma maravilha da técnica, portanto... O drama da NATO é que não resolve os seus problemas transportando sempre mais e mais homens. Com pérolas destas, apenas garante aos fabricantes a sua carteira de encomendas. O drama da NATO é político. Enquanto polícia do mundo, começa a perceber que o seu cobertor é curto para o planeta. Ataca sem sucesso no Médio Oriente e apanha com o levantamento nacional e popular na América latina. Ora aqui está uma equação geoestratégica de monta, para a qual os novos C-17 não aportam qualquer contributo. Bem pelo contrário...

Miguel Portas
Esquerda
http://www.infoalternativa.org/mundo/mundo196.htm

A fé e a superstição

Naquele tempo, se houvesse consulta de planeamento familiar ou o Espírito Santo usasse preservativo, o rumo do mundo teria sido outro.O nariz de Cleópatra não teve mais influência na história da humanidade do que o aparecimento tardio dos contraceptivos. Enquanto um carpinteiro de Nazaré adormecia na oficina, cansado do trabalho, a mulher, ansiosa, aguardava-o. Vencida pelo cansaço, dormitava quando o pombo chegou, em voo picado, e se serviu.Não se sabe o ano, muito menos o mês ou o dia em que o nascimento de um menino aconteceu. Convinha ao negócio e à superstição que haviam de nascer que o solstício de Inverno fosse a referência.Que interessa ao Papa que Jesus nascesse no Verão ou no Inverno? Basta o óbolo que alimenta a concupiscência do Vaticano e uma multidão de parasitas espalhados pelo mundo. Não há Primavera que espere as religiões. Há apenas o medo e a ignorância a alimentar o Inverno do nosso descontentamento.Permanecem as ameaças com que os padres mantêm subjugados os simples e oprimidos os supersticiosos.
Carlos Esperança
http://www.ateismo.net/diario/

Rigor

Vamos ser rigorosos...! Parece que até agora não o éramos... Éramos uma espécie de diletantes, bem ou mal (segundo o ME) intencionados, uns gajos pouco cumpridores, razão pela qual a educação chegou onde chegou (isto é o ME a falar).Temos de ser rigorosos, tanto como o ME. E devemos mesmo ser. Cumprir o nosso horário à risca, não deixar nem mais um minuto por conta da boa vontade. Não há mais boas vontades! Há o escrupuloso cumprimento do que nos é imposto. Se assim for, pode ser que alguns Conselhos Executivos façam chegar à tutela o péssimo ambiente que há nas escolas, o descontentamento que se apoderou de nós...com imenso rigor.Sejamos rigorosos, portanto. O despacho 13599 assim obriga, o ECD vai mais longe... Temos uma carga lectiva, temos uma carga de escola, temos uma carga de reuniões, temos uma carga de casa..., temos um limite de faltas, temos imensos limites de progressão, só não temos um limite de trabalho, aí parece que tudo vale...Mas não vale e não pode mesmo valer!Se nos tratam como funcionários do papel, aqueles que cumprem o seu horário, seremos funcionários do papel, cumpridores de horários e... de tarefas... e nada mais!Vamos cumprir, para não faltar. Portanto, se temos no horário duas horas de reuniões, vamos cumprir. Não vamos é ficar 5 ou 6 horas em Pedagógico para que a escola funcione. Vamos cumprir! Vamos ser os profissionais cumpridores que até hoje não éramos. Se temos projectos que nos tiram horas à família é porque os projectos estão a mais!Se os alunos querem coisas diferentes, coisas que a escola sempre ofereceu (no tempo de casa dos professores), vamos exigir que se marquem no horário. Isto de trabalhar de borla tem de acabar. Não há ou não deve haver relações na escola para além das estritamente marcadas nos horários. Sejamos profissionais! Muito profissionais! Se tivermos de prolongar as nossas horas de acompanhamento do que quer que seja, façamos informações de serviço aos Conselhos Executivos (para que tudo fique registado). Qualquer coisa como "hoje, a miúda nº X, da turma Y, do ano N, chorou porque não teve a nota no teste que esperava e eu, professor profissional, fiquei no meu intervalo a falar com ela. Devem-me 20 minutos!!Parece absurdo???Absurdo é o tratamento que nos deram. O resto é só profissionalismo!Pareço zangado???Não pareço, estou mesmo!E vou cumprir horários, e cumprir tarefas dentro do meu horário.Quando a "hora" acabar, eu acabo...!!!Pode ser que não me canse tanto como me cansava, que não invista tanto como investia e ainda assim consiga ser cumpridor... de horários. Parece que até hoje não era! Era só calão!Este post é demasiado emocional?Não!Este é o post da racionalidade!Emocional e enormemente profissional era o que fazia até agora!Com o novo ECD, vou limitar-me a ver o que tenho de fazer para não ser mais castigado!É que estou farto de ser castigado sem perceber porquê!

http://nafloresta.blogspot.com/

Vida

Ganha a realidade, com a morte dum surrealista.

http://www.lobi-do-cha.blogspot.com/

Sócrates morreu

Sócrates morreu, e Deus e o Diabo brigam porque nenhum dos dois quer ficar
com ele. Sem acordo, pedem a mediadores uma solução, que decidem por uma
Proposta obrigatória: que se alterne um mês no céu e outro no inferno.
No 1° mês Sócrates vai para o céu. Deus não sabe o que fazer, quase fica
louco. O engenheiro maldiz de tudo. Atrapalha todos os elementos de oração
e da liturgia. Dissolve o sistema de assessoria pessoal dos anjos.
Suborna as nuvens. Transfere um km quadrado do céu para o inferno. Nomeia
Arcanjos provisórios aos milhares. Intervém nas comunicações aos Santos. Troca as
Placas das portas de São Pedro. Envia um projecto de lei aos apóstolos para
Reformar os Dez Mandamentos e dar amnistia a Lúcifer. O céu vira um caos. As pessoas não o suportam mais e promovem piquetes e invasões. Magistrados,
Funcionários judiciais, militares, GNR.s, polícias, bombeiros, médicos,
enfermeiros, professores,funcionários públicos, etc. etc. convocam greves,
protestos, manifestações, marchas...

O descontentamento é geral.

Deus não vê a hora de chegar o fim do mês para o mandar para o inferno.
Quando Sócrates finalmente se vai, Deus respira aliviado.
Mas lá pelo dia 20, começa a sofrer novamente pensando que em 10 dias tem
Que voltar a vê-lo. No primeiro dia do mês seguinte nada acontece. No 5° dia,
Ainda sem notícias, Deus estava feliz, mas logo começou a pensar que, tendo
Passado mais tempo no inferno, Sócrates poderia querer passar dois meses
seguidos no Paraíso...
Desesperado com a mera noção, Deus decide chamar o inferno por "banda
larga" para perguntar ao diabo o que estava acontecendo.
Ring...ring...ring...!!!
Atende um empregado e Deus pergunta:
"-Por favor, posso falar com o Demônio?"
"-Qual dos dois?", - responde o empregado - " O vermelho com chifres ou o
Filho da p... do simplex?"
E que Deus vos abençoe nas próximas eleições.

Certificado de isenção de prendas

Certificado de isenção de prendas
(nota: esta declaração-modelo pode ser livremente modificada pelos interessados, segundo a sua imaginação e fantasia)
Uma vez que o essencial da vida não se compra…
… e como já tenho tudo o que me é necessário
….sendo tudo o resto muitíssimo caro.Eu, abaixo-assinado, declaro isentar com todo o gosto o dever-obrigação dos meus amigos de me comprarem uma prenda neste período de festas e de Natal.Declaro, desde já, que prefiro muito mais:
- fazer um passeio em plena natureza com boa companhia
- partilhar uma refeição com os amigos
- aproveitar o meu tempo para conviver com quem tenho gosto de estar
- brincar e divertir-me em conjunto
- fazer qualquer outra coisa que me encha de prazer e que não passe por comprar bens e mercadorias sob a forma de prendas.
Assino com gosto e muita ternura,………….......
http://pimentanegra.blogspot.com/

O TERRITÓRIO ILEGAL DE ISRAEL

A questão dos assentamentos ilegais construídos por Israel sobre propriedades privadas de cidadãos palestinos, que foi iniciado principalmente após a Guerra Árabe-Israelense de 1967, como uma estratégia de anexar os territórios ilicitamente ocupados, é um fator decisivo para o processo de paz na região e para todo o Oriente Médio. Em junho de 1967, o Estado de Israel decidiu expandir suas fronteiras ao leste de Jerusalém, de 6,5 km² para 70,5 km², incluindo assim terras de muitas vilas palestinas da Cisjordânia. Condenados pela comunidade internacional, representada oficialmente pela ONU, Israel até hoje ignora a Resolução 242, que obriga-os a devolver as terras ilegalmente ocupadas a seus legítimos proprietários. O Estado de Israel sempre afirmou que existem "apenas" 141 assentamentos na Cisjordânia e Gaza, mas recentes imagens de satélite comprovaram que há no mínimo 282 assentamentos construídos por judeus na Cisjordânia, incluindo o leste de Jerusalém, cobrindo 150,5 km² de terras. Recentemente, imagens de satélite e mapas vazaram de dentro do governo israelense. Através desses dados, o projeto Settlement Watch, do grupo Peace Now, em conjunto com um grupo de pesquisadores e advogados israelenses, apresentaram um relatório em 21 de novembro comprovando que 39% das terras utilizadas por Israel com seus assentamentos ilegais na Cisjordânia são propriedade privada de cidadãos palestinos. O estudo indica que tais assentamentos são uma clara violação da Lei Internacional. Muitas das terras anunciadas por Israel como sua "futura fronteira definitiva", cercadas pelo controverso e ilegal "Muro de Israel", são propriedades privadas palestinas. Pouco mais de 86% do assentamento Maale Adumin, a maior colônia israelense na Cisjordânia, com 25 mil moradores, também é propriedade privada palestina. De maneira evidente, as afirmações do governo israelense de "não construírem sobre terras privadas palestinas" é mais uma invenção. De acordo com o estudo, apenas 1,3% das áreas colonizadas com assentamentos israelenses é de direito legal de Israel. Oficiais israelenses ainda não comentaram o relatório, mas anunciaram que seus dados serão estudados. Perante a ONU, a maioria das nações do mundo concordam com a visão de que o leste de Jerusalém é uma ocupação, e que a maioria dos assentamentos israelenses construídos sobre os territórios ocupados são ilegais de acordo com a Lei Internacional. Desde 1967, o auto-intitulado "Estado de Israel" têm investido em estabelecer e expandir assentamentos sobre os territórios ilegalmente ocupados, tanto em termos de área territorial como de população. O resultado disso é que, atualmente, 380 mil israelenses vivem em assentamentos ilegais na Cisjodânia e no leste de Jerusalém. A cada dia, uma possibilidade de paz na região se torna mais complexa.
www.geocities.com/orientemediovivo/edicao37.html

A penúltima montagem dos meios de comunicação venezuelanos

No passado dia 14 de Novembro, foi apresentada em Caracas em conferência de imprensa uma sondagem pré­‑eleitoral promovida pela fundação CEPS, com sede em Espanha, e dirigida por vários professores do grupo de Investigação “Globalização e Movimentos Sociais” (GMS), da Universidade Complutense de Madrid, em colaboração com a empresa venezuelana Veneopsa. A profissional que a apresentou foi a investigadora Carolina Bescansa da Universidade Complutense. O resultado do estudo apresentava uma diferença de entre 15 e 20 por cento na expectativa de voto de Hugo Chávez em relação ao segundo, Manuel Rosales.

Alguns meios de comunicação da oposição indignaram-se com o resultado desfavorável ao seu candidato, e decidiram apresentar a sua própria “investigação jornalística” sobre a legitimidade da investigação e os profissionais.

Dois dias depois, a 16 de Novembro, no programa da Globovisión “Aló Ciudadano”, cujo nome pretende arremedar o programa semanal de Chávez Aló Presidente, a presentadora María Isabel Párraga tenta desautorizar a professora afirmando que é falso que seja investigadora da Universidade Complutense de Madrid. Para isso, ao vivo a partir do cenário, entra na Internet e dirige­‑se ao site oficial da Universidade madrilena. A partir dali digita “Carolina Descansa”, isto é, substituindo o apelido Bescansa por Descansa, comprova que – evidentemente – não aparece no site da Universidade nenhuma professora com esse nome e assim afirma à audiência do programa que essa pessoa não é professora da Complutense. Não volta a tentar com o nome dos outros dois professores que participaram no projecto, mas sim com Javier Cazalis, o director executivo da empresa venezuelana que tinha colaborado no estudo. Logicamente, não aparece como professor da Universidade Complutense. Deste modo, mediante a mudança do apelido na sua busca, a jornalista “demonstra” a usurpação dos responsáveis como falsos professores madrilenos.

As operações manipuladoras dos meios de comunicação venezuelanos são sempre bem coordenadas entre vários deles. No dia seguinte, a 17 de novembro, o editorial do diário El Nacional retoma a denúncia dos que denomina “impostores” e cita o nome da professora espanhola como “Carolina Bescans”. Já não substituem o B por um D, mas eliminam o “a” do final para o caso de ocorrer a algum avisado leitor procurar o nome no site da Universidade ou simplesmente no Google e descobrir a verdade. Seguem-no na denúncia outros meios de imprensa como El Nuevo País ou 2001.

No jornal El Universal de 19 de Novembro, a virulenta jornalista opositora Marta Colomina escreve sobre «os falsos números, da falsa sondagem, da falsa universidade Complutense, destes pícaros espanhóis».

A verdade foi desmontada pela própria Universidade Complutense no dia 23 de Novembro, no denominado “Informe del Grupo de Investigación de la Universidad Complutense de Madrid al que pertenece Carolina Bescansa, a propósito de la reciente encuesta sobre intención de voto en las elecciones venezolanas” [“Relatório do Grupo de Investigação da Universidade Complutense de Madrid ao qual pertence Carolina Bescansa, a propósito da recente sondagem sobre as intenções de voto nas eleições venezuelanas”]. Este documento, elaborado em Madrid por Montserrat Galcerán e Mario Domínguez, coordenadores do grupo de Investigação “Globalização e Movimentos Sociais” (GMS) é iniciado afirmando que «perante o tumulto provocado pela desqualificação brutal de que foi objecto a recente sondagem sobre as intenções de voto nas próximas eleições venezuelanas, tornada pública pela investigadora principal Sra. Carolina Bescansa Hernandez, os abaixo assinados, co-directores do grupo de investigação da Universidade Complutense de Madrid ao qual pertence a dita professora, querem fazer constar o seguinte».

A seguir denunciam que «o facto de desprestigiar a equipa da nossa Universidade, dizendo que a doutora Carolina “Descansa” (em lugar de Bescansa) e a equipa que respalda o dito estudo não faz parte dessa Instituição, simplesmente porque não gostam das conclusões, ou insinuar que a primeira responsável deste estudo ou bem não existe ou bem é uma assalariada de uma tendência política em particular, são atitudes pouco sérias que envilecem a profissão jornalística». Além disso, reconhecem a credibilidade e rigor do estudo e lamentam «profundamente o descrédito que tais artimanhas tentam projectar sobre o nosso trabalho e as instituições a que pertencemos, algo que só podemos explicar como resultado do clima crispado com o qual a oposição ao presidente Chávez está a tentar turvar todo o processo eleitoral».

É só um exemplo dos métodos toscos de mentira e engano nos meios de comunicação da Venezuela. É fácil imaginar a credibilidade que podem merecer quando difundem as suas críticas ao governo de Hugo Chávez ou a inútil esperança em que alguma vez informem com veracidade do que acontece nesse país.
Pascual Serrano
Rebelión
http://www.infoalternativa.org/midia/midia056.htm

Debatendo guerra e paz atrás de portas fechadas: Conferência de Segurança da NATO em Riga

"E que imensa massa de males deve resultar, e na verdade resulta,de se permitir que homens assumam o direito de antecipar o que pode acontecer". Leon Tolstoi
Em 29 de Novembro chefes de Estado e de governo dos 26 Estados , juntamente com ministros da Defesa e altas patentes militares do NATO "alargada" reunir-se-ão em Riga, Letônia. O local do crime, organizado numa antiga República Soviética, reagrupa pela primeira vez todos os 26 membros da NATO ampliada, incluindo a Polónia. O evento desafia directamente a influência de Moscovo na Ásia Oriental e Central. Para Moscovo ele significa que a ampliação da NATO prossegue na soleira da porta da Rússia. Embora Israel não esteja representada na cimeira, nos últimos dois anos a NATO desenvolveu um estreito relacionamento de trabalho com Tel Aviv, o qual em termos práticos proporciona a Israel um estatuto de "associado de facto" dentro da Aliança Atlântica. A Cimeira da NATO em Riga lançará o programa de treinamento com base em Rosa para os seus países parceiros do Mediterrâneo e membros da Istanbul Cooperation Initiative (ICI). Esta última inclui um certo número de países árabes, bem como Israel. De um ponto de vista americano, esta reunião será utilizada para construir um consenso europeu acerca da "longa guerra" da América. A finalidade da reunião é reunir apoio (exemplo: em círculos políticos europeus e no complexo militar-industrial) para a aventura militar conduzida pelos EUA no Médio Oriente e na Ásia Central, a qual está intimamente relacionada, de um ponto de vista estratégico, com a batalha pelo petróleo e pelos corredores de oleodutos. O fortalecimento militar EUA-NATO no Golfo Pérsico no Mediterrâneo Oriental, bem como no "Novo Médio Oriente" de Washington, estará na agenda. Em paralelo com a cimeira, uma grande Conferência de Segurança ("The Riga Conference), a partir de 27 de Novembro, reunirá políticos, altas patentes militares, administradores de corporações, analistas de defesa e política externa, comentadores dos media, conselheiros políticos e académicos da Nova Ordem Mundial (ver lista de participantes abaixo). Sob muitos aspectos, esta actividade paralela organizada pelo Centro Transatlântico do George Marshall Fund é mais importante de um ponto de vista estratégico do que a cimeira oficial. Encabeçada por Ronald D. Asmus, um antigo vice secretário de Estado assistente na administração Clinton, a tarefa do Centro Transatlântico por conta da NATO é fomentar o "diálogo transatlântico" entre a Europa e a América bem como procurar activamente "cooperação europeia nas regiões mais vastas do Médio Oriente e Mar Negro". A Conferência pretende construir um consenso dentro da Europa quanto a agenda militar dos EUA no Médio Oriente mais vasto. O complexo militar-industrial europeu será representado por figuras chave do conglomerado aeroespacial franco-alemão EADS, Finemecanica da Itália; Scott Martin, presidente europeu da Lockheed Martin, dentre outros, estarão a participar. Vários membros do Council on Foreign Relations (CFR), do Senado americano, estarão em Riga para a conferência junto com representantes de grandes fundações, incluindo Soros, Carnegie, Konrad Adenauer e Robert Schuman. Entre os participantes estão várias figuras chaves, conhecidas por desempenhar um papel por trás do palco em assuntos internacionais, incluindo Zbigniew Brzezinski, autor de O grande tabuleiro de xadrez ; o antigo presidente do município de Nova York Rudolph Giuliani e Uzi Arad, antigo director de inteligência da Mossad e conselheiro de política externa do primeiro-ministro Netanyahu, Mar Grossman, agora com o Cohen Group, que foi sub-secretário de Estado no primeiro mandato de George W. Bush (2001-2005), Karl-Theodor zu Guttenberg do Comité de Assuntos Externo do Parlamento alemão, conselheiro da ministra Angela Merkel e firme apoiante de Israel. Entre os grandes temas da Conferência de Riga estão o papel da NATO no Médio Oriente, a questão mais vasta da "Segurança energética" e a "ampliação" da NATO para eventualmente incluir a Ucrânia e a Georgia. Estas duas antigas repúblicas soviéticas às portas da Rússia estão cada vez mais dentro da órbita dos EUA-NATO. Eles fazem parte do GUUAM, um acordo de cooperação militar de 1999 com a NATO. Elas desempenham um papel estratégico na estrutura de corredores de oleodutos destinados a transportar petróleo para fora da bacia do Mar Cáspio. Realizada na Letónia, na fronteira imediata da Rússia, o local escolhido é uma bofetada na cara não só de Vladimir Putin da Rússia como também do presidente Aleksandr Lukashenko da Bielorússia. Figuras chave da oposição política da Bielorússia também estão a participar da reunião. Participantes dos parceiros mediterranicos da NATO na Istanbul Cooperation Initiative (ICI) (incluindo Marrocos, Egipto, Jordânia, Tunísia e Israel) também estão na lista dos convidados. Além das sessões formais que serão cobertas pelos media, a conferência deverá realizar sessões nocturnas a portas fechadas que focarão três questões estratégicas inter-relacionadas: Sessão nocturna 1: Segurança energética: Que papel para a NATO e a UE? Sessão nocturna 2: Ucrãnia e Geórgia: Candidato críveis a membros da NATO? Sessão nocturna 3: Deve a NATO ter um papel no Médio Oriente? Também se pode esperar que, além das anunciadas sessões a portas fechadas, sejam efectuadas outras reuniões e consultas por trás do palco, as quais têm uma influência directa na agenda militar EUA-RU-NATO-Israel no Médio Oriente e na Ásia Central.
ANEXO Lista completa dos participantes na Conferência de Riga em 26 de Novembro de 2006 http://www.rigasummit.lv/nfil/Riga_Conference_Participant_
List_26_Nov_06.doc Professor Hannes ADOMEIT Stiftung Wissenschaft und Politik, Germany Mr. Bengt ALBONS Dagens Nyheter, Sweden Dr. Mohammed Fouad AMMOR Deputy Secretary General and Head of International Cooperation Section GERM: Groupement d'Etudes et de Recherches sur la Méditerranée, Morocco Mr. Frank AMODEO President and CEO, AQMI Strategy Corporation Mr. David APTSIAURI Embassy of Georgia to the Republics of Lithuania, Latvia and Estonia, Georgia Dr. Uzi ARAD Director, Institute for Policy and Strategy , Israel [former Mossad Director of Intelligence] Dr. Ronald ASMUS Executive Director, GMF/German Marshall Fund of the United States TransAtlantic Center/Brussels, USA Mr. Andris AUKMANIS Executive Director., Soros Foundation, Latvia Mr. Asli AYDINTASBAS Sabah Daily, Turkey Dr. Stefanie BABST Deputy Assistant Secretary General for Communication Coordination, Public Diplomacy Division, NATO Mr. Egemen BAGIS Member of the Grand National Assembly of Turkey and Foreign Policy Advisor to the Prime Minister of Turkey, Turkey Dr. Alyson J.K. BAILES Director, Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), UK The Hon. David BAKRADZE Member of Parliament and Chairman of Committee on European Integration - Parliament of Georgia, Georgia H.E. Ahmet Mithat BALKAN Ambassador, Energy Coordinator, Ministry of Foreign Affairs of Turkey Mr. Toms BAUMANIS Chairman LATO Latvian Transatlantic Organization, Latvia Dr. Andreas VON BELOW Director of the Konrad Adenauer Stiftung Riga Office Dr. Christoph BERTRAM Stiftung Wissenschaft und Politik, Germany H.E. Indulis BERZINS Ambassador of Latvia to the United Kingdom, Latvia [Admiral, ret.] Mr. Jean BETERMIER Advisor to the Presidents and CEOs, EASDS HQ [EADS] Mr. Valdis BIRKAVS PAREX Bank, Latvia Prof. Sven BISCOP Senior Research Fellow, Royal Institute for International Relations of Belgium, Belgium Mr. Hidajet BISCEVIC State Secretary for Political Affairs, Ministry of Foreign Affairs of the Republic of Croatia, Croatia Mr. Peteris BLUMBERG Chairman, Joint Baltic American National Committee, USA Mr. Martins BONDARS Chairman of the Board, Latvijas Krajbanka, Latvia The Hon. Zbigniew BRZEZINSKI Trustee and Counselor, Center for Strategic and International Studies, USA Mr. Omer Can BUHARALI Member of the Executive Board, Centre for Economics and Foreign Policy Studies, Turkey The Hon. Nino BURJANADZE Speaker of the Parliament of Georgia, Georgia Ms. Federica CACIAGLI Political Advisor to the Foreign Minister of Italy, Italy Dr. Iulian CHIFU Director, Conflict Prevention and Early Warning Centre, Romania Ms. Julie Ann CONWAY NATO Riga Summit 2006 Support Committee, USA Mr. Michael J. CORKERRY Executive Director, EMEA External Affairs, AT&T, USA Mr. Ralph CROSBY Chairman and CEO, EADS North America, USA [formerly corporate Vice President, Northrop Grumman Corporation] Ms. Anja DALGAARD-NIELSEN Senior Researcher and Program Director, "DIIS's Studies in Terrorism and Counter-Terrorism" Danish Institute for International Studies, Denmark Ms Sandra DAUBURE NATO Riga Summit Support Committee, Latvia H.E. Helena DEMAKOVA Minister of Culture of Latvia, Latvia Dr. Pavol DEMES Director for Central and Eastern Europe, GMF/German Marshall Fund of the United States, Slovakia Ms. Judy DEMPSEY International Herald Tribune, USA Mr. Jackson DIEHL The Washington Post, USA Dr. Ingemar Nils Hans DOERFER Guest Scholar, Swedish Institute of International Affairs, Germany Mr. Agris DOLNIEKS Member of Board, Insurance company Tris A Brokers Latvia, Latvia Dr. Karen DONFRIED Senior Director for Policy Programs, GMF/German Marshall Fund of the United States, USA Dr. Ahmed DRISS Professor, University of Tunis, Tunisia Mr. Andrew M. EDISON Sales Vice-President, AT&T, USA Ms. Anne EDWARDS The Reffe Group, USA Mr. Konstantin EGGERT Moscow Bureau Chief, BBC Russian Service, Russia H.E. Kai EIDE Ambassador, Former UN Special Envoy to Kosovo, Norway H.E. Faisal EL FAYEZ Ambassador, Senator, Chairman of Foreign Affairs Committee, Senate of the Hashemite Kingdom of Jordan, Jordan [former Prime Minister and Minister of Defense of the Hashemite Kingdom of Jordan] H.E. El Sayed EL REEDY Chairman, Egyptian Council for Foreign Affairs, Egypt Dr. Thomas ENDERS Chief Executive Officer, EADS, Germany [EADS is controlled by Deutsche Aerospace, which is a subsidiary of the Daimler Group] Mr. David Burnham ENSOR Executive Vice President, Mercuria Energy, UK [a subsidiary of the J&S Group] H.E. Oded ERAN Ambassador of Israel to the European Union, Israel Mr. Vahit ERDEM Member of Turkish Grand National Assembly, and Vice President of the NATO Parliamentary Assembly, Turkey Dr. Jonathan EYAL Director of International Security Studies, RUSI, Royal United Services Institute for Defence and Security Studies, UK Mr. Mark-Christian FISCHER Project-Coordinator and Program Officer, GMF/ German Marshall Fund of the United States TransAtlantic Center/Brussels, USA Mr. Jean FOURNET Assistant Secretary General, Public Diplomacy Division, NATO Mr. Klaus-Dieter FRANKENBERGER Frankfurter Allgemeine Zeitung, Germany Mr. Troels Kåre FROLING Sec. General, Atlantic Treaty Association, Denmark Mr. Ivan GABAL Director, Ivan Gabal Analysis & Consulting, Czech Republic Ms. Viktorija GEINE Head of Office, Latvian-American Financial Forum, Latvia H.E. Bronislaw GEREMEK Member of the European Parliament from Poland and former Foreign Minister of Poland, Poland Ms. Brett Ashley GERSON Acting Executive Director, U.S.-Baltic Foundation, USA Mr. Jean-Dominique GIULIANI Chairman, Foundation Robert Schuman, France Mr. Rudolph W. GIULIANI Chair/CEO Giuliani Partners and former Mayor of New York City USA Mr. Paul GOUBLE Senior Research Fellow, Tartu University Estonia / USA Mr. Charles Peter GRANT Director, Centre for European Reform, UK Prof. Jeffrey Guy GREY Professor, Australian Defence Force Academy Australia H.E. Marc GROSSMAN Vice Chairman/The Cohen Group, former Under Secretary of State, former Ambassador of U.S. to Turkey, USA Mr. Vladimer GURGENIDZE CEO, Bank of Georgia, Georgia Mr. Armands GUTMANIS Counselor for development to the Chairman of the Board, First Baltic Channel, Latvia The Hon. Karl Theodor FREIHERR ZU GUTTENBERG Member of the Committee on Foreign Affairs of the Bundestag, Germany H.E. Hans HAEKKERUP Former Minister of Defence of Denmark, Denmark Dr. Jean-Yves HAINE Research fellow for European Security, International Institute for Security Studies, Belgium Dr. Daniel Sheldon HAMILTON Professor, Center for Transatlantic Relations, Johns Hopkins University - SAIS, USA [former Deputy Assistant Secretary for European Affairs, responsible for NATO] Dr. François HEISBOURG Special adviser, Foundation for Strategic Research [former adviser to the French foreign Ministry] General Raymond Roland HENAULT Chairman of the NATO Military Committee, NATO Mr. Yevhen HLIBOVYTSKYY Consultant for Media and Government relations, Ukraine Dr. Scott HARRIS President, Continental Europe, Lockheed Martin Corporation, USA Mr. Henrik HOLMSTROM Svenska Dagbladet, Sweden Ms. Daiga HOLMA Project Manager, DDB Porter Novelli, Latvia H.E. Jaap DE HOOP SCHEFFER Secretary General of NATO Dr. Corinna HORST Deputy Director GMF/German Marshall Fund of the United States TransAtlantic Center/Brussels H.E. Toomas Hendrik ILVES The President of the Republic of Estonia, Estonia Mr. Barry Steven JACKSON The White House, Executive Office of the President USA Mr. Bruce P. JACKSON President, Project on Transitional Democracies, USA Mr. Vratislav JANDA Senior Consultant, PAN Solutions, Czech Republic Mr. Pavle JANKOVIC President, International and Security Affairs Centre (ISAC Fund), Republic of Serbia Mr. Pascale JOANNIN Gen. Manager, Foundation Robert Schuman, France Gen. James L. JONES Supreme Allied Commander in Europe Dr. Karl-Heinz KAMP Security Policy Coordinator, Konrad Adenauer Foundation, Germany Dr. Sergey KARAGANOV Chairman of the Presidium, Council on Foreign and Defence Policy, Russia Mr. Rems KARGINS Vice President, Parex Asset Management, Latvia Mr. Valerijs KARGINS President and Chairman of the Board, PAREX Bank, Latvia Mr. Andres Ilmar KASEKAMP Director, Estonian Foreign Policy Institute, Estonia H.E. Ojars KALNINS Director, The Latvian Institute, Vice Chairman/LATO - Latvian Transatlantic Organization and former Ambassador of Latvia to the United States, Latvia Mr. Frederick KEMPE President-Elect, The Atlantic Council of the United States, USA Mr. Craig KENNEDY President, GMF/German Marshall Fund of the United States, USA Mr. Suat KINIKLIOGLU Ankara Office Director GMF/German Marshall Fund of the United States, Turkey The Hon. Bert KOENDERS Member of the House of Representatives of The Netherlands, President of the NATO Parliamentary Assembly Ms. Iryna KRASOUSKAYA President, We Remember Foundation, Belarus Dr. Ivan KRASTEV Board Chairman, Centre for Liberal Strategies, Bulgaria Mr. Janis KARLSBERGS Deputy State Secretary for Defence Planning, Ministry of Defence of Latvia, Latvia Mr. Ilgvars KLAVA Under Secretary of State and Political Director, Ministry of Foreign Affairs of Latvia, Lativa The Hon. Girts Valdis KRISTOVSKIS Member of the European Parliament, Latvia Mr. Grigorijs KRUPNIKOVS Board member, LATO/Latvian Transatlantic Organization, Latvia H.E. Mamuka KUDAVA Ambassador of Georgia to France, Georgia Mr. Janis KUKAINIS Chairman, World Federations of Free Latvians, Latvia The Hon. Batu KUTELIA Deputy Minister of Foreign Affairs, Georgia Dr. Taras KUZIO Senior Atlantic Fellow, Visiting Professor/Eliot School of Intl Affairs, George Washington Univ., USA Mr. Janis KUZULIS Consultant, DDB Porter Novelli, Latvia H.E. Miroslav LAJCAK Ambassador, Director General for Political Affairs, Ministry of Foreign Affairs of the Slovak Republic Mr. Remzi LANI Director, Albanian Media Institute, Albania Dr. F. Stephen LARRABEE Corporate Chair in European Security, RAND Corp., USA Ms Antra LAUMANE Advisor to the President and CEO, PAREX Bank, Latvia Dr. Atis LEJINS Director, Latvian Institute of Foreign Affairs, Latvia Mr. Marc LELAND Co-chairman GMF/The German Marshall Fund of the United States, USA The Hon. José LELLO Member of the Assembly of the Republic of Portugal, Vice President of the NATO Parliamentary Assembly Mr. Robert Glenn LIBERATORE Group Senior Vice President, Daimler Chrysler Corporation H.E. Imants LIEGIS Ambassador, Permanent Representative of Latvia to the European Union, Latvia Mr. Kadri LIIK Magazine Diplomaatia, Estonia Mr. Tod LINDBERG Fellow, Hoover Institution, Stanford University, USA Ms. Dace LODZINA Marketing Department Manager, LATVIA STATOIL SIA, Latvia Dr. Raimundas LOPATA Director, Institute of International Relations and Political Science of Vilnius University, Lithuania Mr. Fabrizio William LUCIOLLI Secretary General, Italian Atlantic Committee, Italy Mr. Edward LUCAS Deputy Editor International Section and Central and Eastern Europe Correspondent, The Economist, UK The Hon. Richard G.LUGAR United States Senator and Chairman of the US Senate Committee on Foreign Relations USA Mr. Simon LUNN Secretary General, NATO Parliamentary Assembly H.E. Peter MACKAY Foreign Minister of Canada, Canada Mr. Viktors MAKAROVS Baltic Forum Mr. Mikhail MARYNICH Former Ambassador of Belarus to Latvia, Belarus H.E. Maurizio MASSARI Ambassador, Counselor, Ministry of Foreign Affairs of Italy, Italy Mr. Alyaksandr MILINKEVICH Leader of the United Democratic Forces, Belarus Dr. Ognyan Dimitrov MINCHEV Executive Director, IRIS - Institute for Regional and International Studies, Bulgaria H.E. Rihards MUCINS Ambassador of Latvia to Estonia, Latvia Mr. Igor MUNTEANU Executive Dirctor, Institute for Development and Social Initiatives (IDIS) "Viitorul", Republic of Moldova Mr. Kenneth A. MYERS III Majority Staff Director, U.S. Senate Foreign Relations Committee, USA Mr. Alexander NICOLL Director of Defense Analysis, International Institute for Strategic Studies, UK Mr. George NODIA Chairman, Caucasus Institute for Peace, Democracy and Development, Georgia The Hon. Pierre Claude NOLIN Senator, Senate of Canada, Vice President, NATO Parliamentary Assembly, Canada Mr. Saso ORDANOSKI Program Director, FORUM Center for Strategic Research and Documentation, Macedonia Dr. Zaneta OZOLINA Chairperson, Strategic Analysis Commission under the Auspices of the President of Latvia, Latvia Mr. Kaspars OZOLINS Director of Security Policy, Ministry of Foreign Affairs of Latvia, Latvia H.E. Artis PABRIKS Minister of Foreign Affairs of Latvia, Latvia Ms Sally PAINTER Principal/Dutko Worldwide, Latvian NATO Riga Summit Support Committee, USA The Hon. Ioan Mircea PASCU Member of Parliament of Romania and Observer to the European Parliament, Romania Dr. Carlos E. PASCUAL Vice President and Director of Foreign Policy Studies, The Brookings Institution, former U.S. Ambassador to Ukraine, USA Mr. Valdis Vilnis PAVLOVSKIS Director of Public Affairs American Latvian Association Latvia/USA Mr. Normans PENKE State Secretary, Ministry of Foreign Affairs of Latvia, Lativa The Hon. Jan PETERSEN Member of Parliament of Norway, Norway H.E. Andris PIEBALGS Energy Commissioner of the EU and former Ambassador of Latvia to the EU Mr. Andrejs PILDEGOVICS Head of the Office of the President of Latvia, Lativa Mr.Andrei POPOV Executive Director, Foreign Policy Association of Moldova, Republic of Moldova Ms. Sabine PROHOROVA Accounts Manager, DDB Porter Novelli, Latvia H.E. Ivars PUNDURS Ambassador of Latvia to Turkey, Latvia H.E. Dr. Zalmai RASSOUL Ambassador, National Security Advisor, Government of Afghanistan, Afghanistan Mr. Pauls RAUDSEPS Commentator and columnist, Diena, Latvia Dr. Tomas Herbert RIES Director, The Swedish Institute of International Affairs Sweden Mr. Paige REFFE President and Founder, The Reffe Group, USA [former assistant to Bill Clinton] H.E. Maris RIEKSTINS Ambassador of Latvia to the United States, Latvia Mr. Edgars RINKEVICS State Secretary of the Ministry of Defence of Latvia Director of NATO Riga Summit Task Force, Latvia Mr. Joseph ROBINSON Chief of Staff, AQMI Strategy Corporation, USA [AQMI has directly assisted the White House in strategic planning for U.S. participation in the Riga summit] Mr. Alexander RONDELI President, Georgian Foundation for Strategic and International Studies, Georgia H.E. Aivis RONIS Co-Chairman of the NATO Riga Summit Support Committee, Chair, Latvian American Financial Forum, Former Ambassador of Latvia to the United States, Latvia The Hon. Adam ROTFELD Chairman of the International Advisory Committee Polish Institute of International Affairs, Poland Ms Baiba Anda RUBESA CEO, Latvija Statoil SIA, Latvia Mr. Oleh RYBACHUK Advisor to the President of Ukraine, Ukraine Mr. Abdulaziz O. SAGER Chairman, Gulf Research Center, Saudi Arabia Mr. Andrei SANNIKOV International Coordinator/Former Deputy Foreign Minister, Charter 97, Belarus Mr. Randall SCHEUNEMANN Owner and President, Orion Strategies LLC, USA [former advisor to Donald H. Rumsfeld on Iraq, president of the Committee for the Liberation of Iraq, created by the Project for the New American Century (PNAC)] Mr. Karl-Heinz SCHLAISS Senior Manager, International Relations, DaimlerChrysler AG, Germany Mr. Vladimir SCHMALZ Directors of Mergers & Acquisitions, CEZ, Czech Republic Brig. Gen. Steven P. SCHOOK (ret). Principal Deputy Special Representative of the Secretary General, UN Mission in Kosovo UNMIK Mr. George SCHWAB President, National Committee on American Foreign Policy, USA The Hon. Karel SCHWARZENBERG Member of the Parliament of the Czech Republic, Czech Republic Mr. Ilja SEGALS Board Member, Liepajas Metalurgs, Latvia Mr. Shannon SENTELL Legislative Fellow, Office of Senator Sessions, USA The Hon. Jeff SESSIONS U.S. Senator and Member of the U.S. Senate Armed Services Committee, USA Dr. Stephen R. SESTANOVICH George F. Kennan Senior Fellow for Russian and Eurasian Studies/Council on Foreign Relations Columbia University, USA [member of the Council on Foreign Relations] Dr. Jamie P. SHEA Director of Policy Planning, Private Office of the Secretary General, NATO, UK Mr. Pavel SHEREMET Minsk Bureau Chief, Channel One TV, Russia H.E. Radoslaw SIKORSKI Minister of National Defence of Poland, Poland H.E. Atis SLAKTERIS Minister of Defence of Latvia, Latvia Mr. John V. SLAMECKA President, AT&T Business EMEA The Hon. John SMITH Member of the British House of Commons, UK Dr. Eugeniusz SMOLAR President, Center for International Relations, Poland Mr. Vladimir SOCOR Senior Fellow Jamestown Foundation, USA Mr. Gerhard SPORL Der Spiegel, Germany Mr. Steven SPRINGFIELD Member of the Commission of the Historians of Latvia, USA Mr. Wilhelm Karl STAUDACHER Secretary General, Konrad Adenauer Foundation, Germany Dr. Constanze STELZENMUELLER Director Berlin Office GMF/The German Marshall Fund of US, Germany Mr. Philip STEPHENS Associate Editor, Financial Times, UK Dr, Aivars STRANGA Head of History Department, Latvian University The Hon. Veton SURROI Head of Party ORA/Member of Assembly of Kosovo Ms. Jelena SUSKEVICA Managing Partner, BDO Investment, Latvia The Hon. Goran SVILANOVIC Chairman Working Table of Stability Pact for South Eastern Europe, Serbia Mr. Michael THUMANN Die Zeit, Germany Ms Karen A. TRAMONTANO Principal, Dutko Worldwide, USA Dr. Dmitry TRENIN Senior Associate, Deputy Director, Director of Studies Carnegie Endowment for International Peace, Carnegie Moscow Center, Russia Mr. Peteris USTUBS Foreign Policy Advisor to the Prime Minister of Latvia, Latvia Dr. Pieter VAN HAM Director, Global Governance Program, Clingendael Institute, The Netherlands Mr. Ari VATANEN Member, European Parliament, France Dr. Ivan VEJVODA Executive Director, U.S.-Balkan Trust For Democracy, GMF/German Marshall Fund of the United States, Serbia Mr. Paolo VENTURONI VP International Affairs, FINMECCANIA, Italy Mr. Peteris VINKELIS Riga Summit Foundation H.E. Aleksandr VONDRA Minister of Foreign Affairs of the Czech Republic, Czech Republic Dr. Radovan VUKADINOVIC Professor, University of Zagreb, President of Atlantic Council of Croatia, Croatia Ms Julie WADLER NATO Riga Summit 2006 Support Committee Mr. Sergiy YEVTUSHENKO Chief Executive, Institute for Euro-Atlantic Cooperation Ukraine [Member of the Political Council of PORA] Mr. Aleksejs ZAHARJINS Vice Chairman, Liepajas Metalurgs, Latvia Mr. Sergejs ZAHARJINS Chairman of the Board, Liepajas Metalurgs, Latvia
Michel Chossudovsky
http://resistir.info/

sexta-feira, dezembro 01, 2006

O ciclope do Barreiro

Mitos suburbanos
O ciclope do Barreiro
José Polifemo de Almeida tinha um sonho de criança e ninguém o conseguia convencer a desistir da ideia, para muitos despropositada, de se juntar aos Comandos. A paixão militarista fora despertada durante visita de estudo ao campo de batalha do conflito entre o Irão e o Iraque em meados dos anos 80. Fascinou-o tudo aquilo. As fardas, o armamento, o derrame constante de sangue e a coragem exigida aos soldados. E não valia a pena recordarem-lhe que, com uma altura de 3,42m, quase uma tonelada de peso e um único olho gigantesco colocado a meio da testa, dificilmente passaria nas exigentes provas militares de selecção física. A determinação de “Zé” (como lhe chamavam) não esmoreceu e, mal chegou à idade mínima exigida, prontificou-se a oferecer os seus préstimos ao mais exigente corpo militar do país, os afamados Comandos, tão célebres pelas boinas rubras como pela disposição em arrancar cabeças de galinhas vivas à dentada ou pela roupa interior de palha de aço que habitualmente usam. Como muitos, quase todos, esperavam, foi rejeitado. Não tanto pelo excesso de altura nem de peso, nem sequer pelo único olho tão bizarramente posicionado mas porque, sem o saber, era daltónico. E os Comando não querem correr o risco de que um dos seus operacionais não saiba distinguir se uma galinha é branca ou castanha antes de lhe arrancar a cabeça.Zé ficou desolado e regressou ao seu Barreiro natal. Mas não lhe arrancariam a desistência com facilidade. A inflamar-lhe ainda mais as ganas, havia a convicção de que a tropa faria dele um homem e, sem que isso quisesse dizer alguma coisa, via-se forçado a admitir que já tinha olhado para um ou outro traseiro masculino com atenção exagerada. Encheu-se de coragem e pensamento positivo e deu-se como voluntário a todos os ramos das Forças Armadas. Chegou mesmo a oferecer-se em desespero de causa aos Bombeiros, às forças policiais e a uma unidade paramilitar que descobriu por acaso e que, mais tarde, viria a compreender ser apenas uma convenção de porteiros de hotel. Por todos foi rejeitado (mesmo os porteiros de hotel só deixavam entrar quem estivesse vinculado ao sindicato com farda trazida de casa e, de preferência, passada a ferro e vincada como mandam as regras). Sentiu que era o fim. Como conseguiria ultrapassar esta destruição do seu maior e único sonho, a inutilização da sua vocação provocada pelos únicos factores que não poderia nunca alterar: os da sua invulgar e mitológica compleição física.Foram dias terríveis. Andou perdido sem saber o que fazer, rodeou-se de más companhias, arremessou penedos para o mar do alto de uma colina, afundando uma frota de galés gregas que por ali passava.
Os tempos foram passando e o desgosto militar também. Hoje, já foi quase esquecido. Justificando medos antigos, Zé dedica-se agora de corpo e alma (mas sobretudo de corpo) ao paneleirismo, já sem complexos e integrando mesmo o núcleo dirigente de um grupo activista. O mundo poderá ter perdido aquele que seria literalmente o maior Comando da história. Mas de uma coisa não haverá dúvida. Quando a marcha “Pride” desce a avenida, é impossível não reparar na colossal loura com o penacho de plumas de faisão indiano.
http://www.inepcia.com/

Se não acreditas no Deus cristão vais para o Inferno

Matthew LaClair, um jovem que há um ano se tornou notícia quando recusou recitar o pledge of allegiance ou juramento de lealdade com que as crianças americanas iniciam o seu dia - jurando fidelidade à bandeira e a uma nação indivisível sob Deus -, volta a animar a blogoesfera americana e os media de New Jersey, estado onde se situa a Kearny High School onde estuda.O professor de História de Matthew, um devoto pastor baptista que dá pelo nome de David Paszkiewicz, que não acredita na separação Estado-Igreja - a que chama «engenharia social» - e acha que desde o jardim de infância as crianças devem ser ensinadas a não tolerar «comportamentos sexuais desviantes», utiliza as suas aulas para proselitar os estudantes, ameaçando-os com o inferno se não acreditarem no Deus cristão e nos dislates que debita!De facto, no meio das patetadas criacionistas usuais dos fanáticos cristãos - tais como terem os dinossauros estagiado na Arca de Noé ou serem anti-científicos o Big Bang e o evolucionismo enquanto o criacionismo bíblico é comprovado por ... profecias bíblicas -, em vez de História Paszkiewicz ulula para os seus estudantes que a Bíblia é a palavra de Deus e que quem não aceita Jesus vai para o Inferno. Acerca de uma das estudantes da classe, muçulmana, o devoto cristão lamentou o seu destino inevitável se não se convertesse à única verdadeira religião.Matthew LaClair, não-cristão, não achou muita piada que os delírios de Paszkiewicz fossem debitados numa escola pública e pediu uma entrevista com o director da escola em que essencialmente pretendia não só uma desculpa pelas ofensas vociferadas pelo devoto pastor como uma correcção das afirmações falsas e anti-ciência deste. Umas semanas depois, o director, aparentemente outro devoto cristão - Paszkiewicz não sofreu qualquer sanção, disciplinar ou outra - acedeu ao pedido do estudante.Confrontado com as declarações de LaClair, o devoto pastor mentiu com quantos dentes tinha e negou ter debitado as afirmações que Matthew reproduziu, nomeadamente negou ter ameaçado com o Inferno os descrentes no Deus cristão.Mas Matthew, que aparentemente conhece bem os fanáticos cristãos, temia exactamente isto: que como bom cristão o professor mentisse descaradamente por um mito e ninguém acreditasse na palavra de um estudante, nomeadamente um que a escola não tem em grande consideração devido à sua postura face ao juramento de lealdade, contra a de um professor e gravou as alucinações religiosas do pastor nas aulas supostamente de História! Delírios dos quais alguns podem ser escutados aqui (gravação a que cheguei via Pharyngula)!Depois de Matthew mostrar dois CDs em que tinha gravadas as aulas do pastor este recusou continuar a conversa sem a presença de um representante do sindicato e lançou uma acusação de ateísta à «caça do grande (!) peixe, o grande (!) cristão que é professor» a Matthew.Nem o professor (obviamente) nem algum responsável da escola emitiram qualquer pedido de desculpas pelo inaceitável comportamente de David Paszkiewicz...

Palmira F. da Silva
http://www.ateismo.net/diario/

Ditos e Ditos

Dinheiro

Os que acreditam que com dinheiro tudo se pode fazer, estão indubitavelmente dispostos a fazer tudo por dinheiro.(Beauchène)
Os nossos desejos são como crianças pequenas: quanto mais lhes cedemos, mais exigentes se tornam. (Provérbio Chinês)

Algum dinheiro evita preocupações; muito dinheiro atrai-as.(Confúcio)

O avarento não possui as suas riquezas: são estas que o possuem a ele.(Bion de Esmirna)

Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade. (Provérbio Chinês)

A civilização é uma ilimitada multiplicação de necessidades desnecessárias.(M. Twain)

Na verdade não é a penúria que produz a avareza, mas sim a abundância.(Montaigne)
Educação

Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu aprenderei.
(Autor desconhecido)

O verdadeiro discípulo é aquele que supera o mestre.(Aristóteles)

Ensinar não é uma função vital, porque não tem o fim em si mesma; a função vital é aprender.(Aristóteles)

O objectivo da educação é a virtude e o desejo de converter-se num bom cidadão.(Platão)

Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. - É a única.(Albert Schweitzer)

Se os teus projectos forem para um ano, semeia o grão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, educa o povo.(Provérbio chinês)

Podemos converter alguém pelo que somos, nunca pelo que dizemos.(H. Rohden)

Usa a linguagem que quiseres; nunca poderás dizer senão o que és.(Emerson)

Corrigir, ajuda; encorajar, ajuda ainda mais.(Goethe)

É fundamental que o estudante adquira uma compreensão e uma percepção nítida dos valores. Tem de aprender a ter um sentido bem definido do belo e do moralmente bom.(Albert Einstein)

Quando os animais que metes num estábulo morrem uns atrás dos outros, não te debruces sobre eles à procura da cura do mal. Debruça-te sobre o estábulo e queima-o.(Saint-Exupéry)

O homem nada pode aprender senão em virtude daquilo que sabe.(Aristóteles)

Se deres um peixe a um homem, ele alimentar-se-á uma vez; se o ensinares a pescar, alimentar-se-á durante toda a vida.(Kuan-Tsu)

Procuremos acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão.(Provérbio chinês)

Educai as crianças e não será preciso castigar os homens.(Pitágoras)

A educação é aquilo que permanece depois de esquecermos tudo o que nos foi ensinado.(Halifax)

O talento é feito na solidão; o carácter, nos embates do mundo.(Goethe)

Veja as qualidades e elogie; os defeitos logo desaparecerão.(Autor desconhecido)

Pensa como pensam os sábios, mas fala como falam as pessoas simples.(Aristóteles)

Ignorância

Não há nada mais terrível do que uma ignorância activa.(Goethe)

A doença do ignorante é ignorar a sua próxima ignorância.(Amos Bronson Alcott, filósofo e professor norte-americano)

Não acredito na sabedoria colectiva da ignorância individual.(T. Carlyle)

Muitos homens passam por sábios graças à ignorância dos outros.(Autor desconhecido)

Necessitamos de um grande conhecimento só para nos apercebermos da enormidade da nossa ignorância.(Thomas Sowell)

Os sábios falam pouco e dizem muito; os ignorantes falam muito e dizem pouco.(Autor desconhecido)

O homem que sabe não fala; o homem que fala não sabe.(Lao-Tsé)

Perguntem aos jovens: eles sabem sempre tudo.(Provérbio chinês)

O mal da ignorância é que vai adquirindo confiança à medida que se prolonga.(Autor desconhecido)

http://pensamentos.aaldeia.net

Carta aberta ao povo e ao governo dos EUA (e resposta às FARC)

Em 9 de Novembro de 2006, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) enviaram uma “Carta Aberta ao Povo dos Estados Unidos”. Era dirigida especificamente a vários produtores e actores de Holywood (Michael Moore, Denzel Washington e Oliver Stone) assim como a três académicos de esquerda (James Petras, Noam Chomsky e Angela Davis) e a um político progressista (Jessie Jackson). O objectivo desta carta aberta era solicitar o nosso apoio para facilitar um acordo entre os governos dos EUA e da Colômbia e as FARC-EP para a troca de 600 guerrilheiros presos (incluindo dois sob julgamento nos EUA) por 60 prisioneiros presos pelos rebeldes incluindo três especialistas americanos de contra-insurreição. FARC-EP: Bando de terroristas ou movimento de resistência? Contrariamente à posição do governo americano que caracteriza as FARC-EP como uma 'organização terrorista', estas são actualmente o movimento de guerrilha mais antigo e de maior base camponesa do mundo. Fundadas em 1964 por uma dezena de activistas camponeses, como meio para defender as comunidades autónomas rurais das violentas depredações de militares e paramilitares colombianos, as FARC-EP transformaram-se num exército guerrilheiro fortemente organizado com 20 mil membros em várias centenas de milhares de milícias e apoiantes locais, extremamente influente em mais de 40% do país. Em 11 de Setembro de 2001, as FARC-EP já eram reconhecidas como um legítimo movimento de resistência pela maior parte dos países da União Europeia, América Latina e durante vários anos andou em negociações de paz com o governo colombiano chefiado pelo presidente Andrés Pastraña. Antes de 11/Set os líderes das FARC encontraram-se com chefes de estado europeus para trocarem ideias sobre o processo de paz. Inúmeros líderes de negócios influentes da Wall Street, da City de Londres e de Bogotá e gente famosa como a Rainha Noor da Jordânia encontraram-se com dirigentes das FARC na zona desmilitarizada, durante as fracassadas negociações de paz (1999-2002). Sob forte pressão da Casa Branca, em especial dos seus porta-vozes, extremistas de direita como o conhecido Otto Reich, Roger Noriega e John Bolton, o regime de Pastraña quebrou abruptamente as negociações e em menos de 24 horas enviou o exército colombiano para a área desmilitarizada, na tentativa de capturar os líderes das FARC envolvidos nas negociações. O ataque 'surpresa' fracassou mas estabeleceu o palco para a escalada do conflito. O papel dos EUA no conflito Começando com o presidente Clinton em 2000 e continuando com Bush, os EUA injectaram no regime colombiano mais de 4 mil milhões de dólares em ajuda militar a fim de destruir o exército guerrilheiro e a sua base social entre os camponeses, sindicatos urbanos e profissionais livres (principalmente professores, advogados, activistas dos direitos humanos e intelectuais). Washington empurra vigorosamente para uma solução militar subvertendo quaisquer negociações de paz, através de um substancial número de conselheiros militares, de mercenários contratados, operacionais da Repressão de Drogas, agentes da CIA, comandos das Forças Especiais e uma multidão de outros funcionários secretos. Desde o início dos anos 80 até ao fim dos anos 90, Washington manteve a ficção de que os seus programas militares faziam parte da campanha anti-narcóticos, embora não tenha explicado porque é que concentrava a maior parte dos esforços nas regiões influenciadas pelas FARC e não nas grandes áreas de plantações de coca controladas pelas forças militares e paramilitares colombianas. Com o lançamento do Plano Colômbia em 2000, Washington sublinhou explicitamente a natureza contra-revolucionária da sua ajuda e presença militares. Profundamente transtornado por o presidente Pastraña ter aceite as negociações de paz e as propostas dos movimentos social e guerrilheiro, Washington apoiou para presidente Álvaro Uribe, um político de direita, com um passado de ligação aos esquadrões da morte colombianos. A sua vitória eleitoral inaugurou uma das campanhas de extermínio mais sangrentas da violenta história da Colômbia. Os militares americanos e os seus parceiros colombianos financiaram uma poderosa força de esquadrões da morte com 31 mil efectivos que devastou o país, matando milhares de camponeses em regiões onde as FARC eram influentes. Foram assassinados em plena luz do dia centenas de sindicalistas por sicários contratados nas cidades e aldeias ocupadas pelos militares. Trabalhadores dos direitos humanos, jornalistas e académicos que se atreveram a noticiar a impunidade dos militares envolvidos em massacres de aldeias, foram raptados, torturados e mortos; não poucas vezes foram decapitados ou estripados para semear ainda maior terror. Mais de dois milhões de camponeses foram forçados a fugir das suas terras para nojentas favelas urbanas, as suas terras foram apreendidas por importantes chefes paramilitares ou grandes latifundiários. A 'limpeza de classe' do campo saiu directamente dos manuais de contra-insurreição do Pentágono, que ensinaram os militares colombianos a destruir a 'infra-estrutura social' dos movimentos de guerrilha – em particular das FARC que tinham ligações antigas e alargadas familiares, comunitárias e sociais com os camponeses. O presidente Uribe personificou o clássico governante autoritário sul-americano. A apertar o pescoço dos pobres e de joelhos diante do seu patrão de Washington. As suas perpétuas campanhas ofensivas em larga escala dizimaram o campo mas não conseguiram enfraquecer os guerrilheiros nem sequer capturar alguém do comando geral das FARC. Depois de seis anos de enormes e dispendiosas campanhas de extermínio, militares americanos de topo e muitos militares colombianos reconheceram que era altamente improvável uma vitória sobre as FARC. O mais que podia acontecer, argumentaram os estrategas militares, era um sério enfraquecimento das FARC, forçando-as a negociar um 'acordo de paz' favorável ao regime. Negociações de paz: História breve Durante a presidência de Belisário Betancourt (nos meados dos anos 80), as FARC concordaram num cessar-fogo e muitos alinharam no processo eleitoral. Milhares de guerrilheiros, simpatizantes e muitos independentes de esquerda formaram um partido político, a União Patriótica, e concorreram com candidatos a todos os níveis do governo. Em menos de 5 anos, 5 mil activistas, candidatos e eleitos foram assassinados pelos militares e seus esquadrões da morte, incluindo dois candidatos presidenciais, vários congressistas, grande quantidade de autarcas, centenas de conselheiros da cidade e líderes locais do partido. Os sobreviventes juntaram-se aos guerrilheiros, fugiram para o exílio ou passaram à clandestinidade. Contrariamente às afirmações do governo, a Colômbia não era uma 'democracia' no sentido vulgar, mas uma 'democracia de esquadrões da morte' na qual faltavam as mais elementares condições para a campanha eleitoral e normas políticas. Menos de duas décadas depois, quando as FARC já tinham alargado a sua influência até 65 km da capital Bogotá, o governo de Andrés Pastraña concordou com outra ronda de 'negociações de paz' numa grande região desmilitarizada sob a influência das FARC. Enquanto decorriam as negociações, centenas de 'visitantes' de todos os sectores da sociedade colombiana assim como políticos estrangeiros e gente de negócios conhecida, participavam em fóruns públicos. Debates abertos organizados pelas FARC cobriram questões sociais, económicas e políticas fundamentais. Pela primeira vez desde há muito foram debatidas sem medo de represálias dos esquadrões da morte questões como a reforma agrária, o investimento público em programas de criação de empregos, o investimento externo e a propriedade pública, as alternativas económicas para o cultivo da coca, a educação e a saúde. Foi contestada a imagem das FARC como uma 'força militarista narco-guerrilheira'; muitos observadores anteriormente hostis da Europa, América Latina e América do Norte, embora não concordassem necessariamente com algumas das reformas propostas pelas FARC, ficaram com a impressão que era possível negociar com elas e chegar a acordos para acabar com a guerra civil. A radicalização do regime de Bush a seguir ao 11 de Setembro de 2001 serviu de pretexto para forçar o rompimento das negociações de paz. A seguir à eleição de Álvaro Uribe, as FARC foram incluídas na lista das organizações 'terroristas'. A União Europeia, que tinha reunido publicamente com os líderes dessas mesmas FARC, seguiu a reboque dos EUA. Logo a seguir, foram presos na Bolívia, no Brasil, na Venezuela e no Equador negociadores e representantes internacionais das FARC. Estes últimos dois países entregaram os representantes das FARC à polícia política colombiana (DAS) conhecida pela sua brutalidade. Sob a capa da 'Guerra contra o Terrorismo' de Washington, o presidente Uribe prosseguiu, reprimindo severamente greves gerais sindicais e enormes manifestações rurais de protesto feitas pelas principais organizações agrícolas contra a assinatura de um acordo de 'comércio livre' com os EU. No meio da carnificina patrocinada pelo governo, as FARC continuaram uma estratégia de retirada táctica para os seus redutos na selva e nas montanhas e emitiu propostas para troca mútua de prisioneiros como um passo de 'instituição de confiança' para futuras negociações de paz. As FARC têm mais de 60 políticos e militares colombianos prisioneiros, incluindo um antigo candidato presidencial, Ingrid Betancourt e três americanos que se intitulam 'empreiteiros militares' contratados para uma missão de recolha de informações. O governo colombiano tem mais de 600 guerrilheiros. Os EUA têm actualmente dois membros das FARC. As FARC propuseram um encontro para negociar uma troca de prisioneiros numa zona desmilitarizada. Naturalmente, as famílias dos prisioneiros das FARC foram unânimes a favor da proposta, assim como a maior parte das organizações da sociedade civil, grupos humanitários, da igreja e de direitos humanos. Os EUA opuseram-se a qualquer troca de prisioneiros e Uribe imitou o seu amo, pelo menos durante o seu primeiro mandato. O seu slogan era que iria libertar os prisioneiros através de acção militar. Nos últimos cinco anos não foi 'libertado' nenhum prisioneiro. Pelo contrário, numa recente incursão militar fracassada, foram mortos 10 prisioneiros, incluindo um ex-ministro da Defesa, um governador e oito oficiais. Sob uma enorme pressão da sociedade civil colombiana, da União Europeia e da maioria dos governos latino-americanos, o presidente Uribe declarou, na sua reeleição, que estaria disposto a entrar em negociações para uma troca. Passado um mês, porém, voltou atrás utilizando como pretexto uma bomba colocada numa instalação militar, que atribuiu às FARC apesar dos desmentidos desta. Os especialistas suspeitam que foi uma operação encoberta montada pelos serviços secretos da Colômbia para minar qualquer avanço para uma troca de prisioneiros. Perspectivas para negociações de paz Fora dos círculos próximos de Washington e do presidente Uribe, todos concordam em que o início de qualquer processo de paz tem que começar com medidas de estabelecimento da confiança, especificamente a troca de prisioneiros. Para complicar de imediato essas negociações, os EUA extraditaram dois prisioneiros das FARC detidos pelo governo colombiano em 31 de Dezembro de 2004, e remeteram-nos para prisão solitária, algemados 23 horas por dia. A 16 de Outubro de 2006, um dos prisioneiros políticos das FARC, Ricardo Palmera – que é mais conhecido pelo 'nome de guerra' de Simon Trinidad – foi levado a julgamento por 'tráfico de drogas' e 'terrorismo' e também por 'rapto'. É um clássico 'julgamento político fantoche' em que foram montados uma prisão ilegal, o fabrico de provas e procedimentos judiciais perniciosos para garantir um veredicto de culpado. O aspecto mais suspeito desta charada política é a caracterização do papel de Trinidad nas FARC. Trinidad era o principal negociador da paz, como se tornou evidente quando foi reconhecido como principal interlocutor das FARC com o presidente colombiano Andrés Pastraña durante as negociações da paz de 1999-2002. Há inúmeras fotografias, notícias e entrevistas nos media colombianos e europeus da época que identificam claramente Trinidad como um negociador chave da paz. Igualmente importante, Trinidad foi o principal intermediário da paz que lidou com o representante dos Direitos Humanos das Nações Unidas, James Lemoyne, nomeado pelo governo americano e antigo jornalista do New York Times com sede na América Latina. Reconhecendo que o estatuto de Trinidad como negociador da paz das FARC, ligado principalmente a missões diplomáticas, comprometia seriamente o processo de Washington, o procurador federal modificou as acusações de envolvimento directo no 'rapto' de três funcionários americanos de contra-insurreição detidos como prisioneiros de guerra pelas FARC, para 'associação' com raptores e 'conspiração' para praticar o crime de 'tomada de reféns'. O promotor federal aproveitou a linguagem da nova legislação antiterrorista aprovada pelos presidentes Clinton e Bush para indiciar Trinidad. Esta moldura legal tem sido denunciada por todas as organizações de liberdades civis americanas e pela American Bar Association como violando a Constituição dos EUA. A acusação de 'associação' é baseada nas acusações não comprovadas de que Trinidad 'se encontrou' com os três funcionários americanos de contra-insurreição, depois de estes serem capturados, acusação a que falta qualquer prova concreta – o promotor não tem testemunhas nem documentos de tal encontro, nem especifica a hora, a data ou o local do alegado encontro. Com efeito, nessa altura Trinidad encontrava-se noutra província dirigindo um programa educativo das FARC. A acusação de 'conspiração' baseia-se no facto de Trinidad ser membro das FARC, que foi rotulada de 'organização terrorista' pelo presidente Clinton em 1997, uma definição rejeitada pela União Europeia que foi anfitriã de um grupo de turismo de líderes das FARC e de negociadores da paz pouco tempo depois. Além do mais, o presidente colombiano Pastraña, que esteve envolvido nas negociações de paz com as FARC entre 1999-2002, rejeitou o 'rótulo de terrorista' considerando Trinidad um interlocutor legítimo. A longa história política das FARC, as suas ligações históricas a um grande segmento do campesinato colombiano, o seu programa político de reformas sociais, a sua utilização direccionada no conflito para as forças armadas do estado colombiano, a sua continuada procura de negociações de paz baseadas na reforma da sociedade e das forças armadas estão em forte oposição a toda e qualquer definição de uma organização 'terrorista'. É absurda qualquer noção de 'rapto' de três americanos, sejam das informações sejam militares, envolvidos numa operação de vigilância militar numa área de combate contra uma rebelião que desagrada aos EUA. Enquanto combatentes capturados, são, conforme a definição das Convenções de Genebra, prisioneiros de guerra e, enquanto tal, sujeitos a possível troca de prisioneiros de guerra se as partes em conflito assim o concordarem. O promotor federal acusou Trinidad de estar envolvido na troca de prisioneiros quando foi ilegalmente detido no Equador e transferido para a Colômbia e depois extraditado para os EUA. No tribunal, Trinidad refutou essa alegação demonstrando que estava no Equador para organizar um encontro entre Lemoyne e um alto líder guerrilheiro. O promotor não apresentou nenhuma prova escrita ou gravada que ligasse Trinidad a qualquer 'troca de prisioneiros'. A detenção ilegal e a prisão de Simon Trinidad Qualquer procedimento jurídico digno desse nome rejeitaria o processo na base elementar de prisão ilegal. No final de Dezembro de 2003, Trinidad deslocou-se a Quito, no Equador para contactar James Lemoyne sobre possíveis negociações de paz com o governo colombiano, a começar pelo estabelecimento da confiança, e por medidas humanitárias relativas a prisioneiros e detidos. Durante a anterior negociação de paz, Lemoyne fora um negociador da paz decente, rejeitando a pressão da embaixada americana para furar os procedimentos. Dada a enorme escalada militar desencadeada pelo presidente Uribe, Trinidad não tinha possibilidade de se encontrar com Lemoyne na Colômbia. Soube-se nas FARC que Lemoyne estaria disponível para conversações em Quito. Sob a direcção da CIA, um esquadrão conjunto colombiano-equatoriano deteve Trinidad ilegalmente. Toda esta operação violou a soberania do Equador, os procedimentos judiciais e os direitos de asilo político. As detenções extra-territoriais de líderes da oposição e a sua transferência para tribunais imperialistas assemelham-se às práticas do Império Romano e não à lei internacional contemporânea. Enquanto em cativeiro, Trinidad viu-lhe ser recusado o acesso a traduções, documentos e materiais de escrita. Foi algemado e metido numa cela solitária durante 23 horas por dia durante mais de 21 meses sem acesso a um advogado legal. O juiz federal, Thomas Hogan, e o promotor federal actuaram em prejuízo do julgamento mesmo antes de este começar. Mais de 30 polícias armados numa caravana de veículos da polícia acompanhada por helicópteros levaram Trinidad, algemado, até ao tribunal. Recusaram-lhe a escolha do advogado e atribuíram-lhe uma equipa de advogados nomeados pelo tribunal. Quando os seus advogados tentaram fornecer um contexto histórico relevante incluindo as tentativas das FARC em participar na política eleitoral e o subsequente massacre de 5000 activistas e candidatos, incluindo dois candidatos presidenciais, a acusação objectou. A acusação também objectou contra a descrição da defesa da enorme e continuada violência do estado na Colômbia e o papel das forças americanas de contra-insurreição aliadas aos grupos paramilitares. Neste pesadelo kafkiano de um tribunal, a acusação pediu ao juiz que não divulgasse os nomes dos jurados para os proteger contra 'retaliações' da 'organização terrorista' de Trinidad (escondida na selva colombiana) – influenciando ainda mais um júri já amedrontado e um juiz preconceituoso. Os advogados de defesa nomeados pelo tribunal esqueceram-se de contestar as afirmações prejudiciais mais elementares feitas pela testemunha chave da acusação, um coronel do exército colombiano que se referiu a Trinidad como 'terrorista' apesar do facto óbvio de ele ainda não ter sido condenado. O juiz Hogan recusou-se a permitir que os jurados usassem os seus livros de notas que continham notas do julgamento do tribunal e recusou-lhes o acesso às transcrições, impedindo-os de avaliar racionalmente as provas. A refutação de Trinidad da principal testemunha colombiana da acusação e a natureza ultrajante deste julgamento político fantoche foram evidentes desde o primeiro dia em que o júri relatou ao juiz. O júri declarou que estava profundamente dividido em relação a todas as acusações e pediu ao tribunal para anular o julgamento. Após 18 dias de fortes acusações, demagogia e retórica política inflamada, os jurados passaram mais de sete horas a deliberar antes de informarem que estavam num beco sem saída. Uma nota dos jurados para o juiz distrital Thomas Hogan afirmava: “Cremos que as nossas divergências baseadas numa profunda reflexão são irresolúveis”. O juiz Hogan rejeitou o pedido de Trinidad para um julgamento inválido e disse aos jurados para continuarem a deliberação, afirmando que só declararia o julgamento inválido se os jurados repetissem a sua declaração de beco sem saída pela segunda vez. Conclusão O 'julgamento político fantoche' de Simon Trinidad é um exemplo flagrante das ameaças às liberdades constitucionais, que nós e os cidadãos de todo o mundo enfrentamos perante o poder desenfreado do presidente americano de ultrapassar todos os direitos de estados soberanos e dos seus cidadãos, a lei internacional e as liberdades constitucionais. É igualmente importante a realidade actual de detenções extra territoriais ilegais, de sequestros e de procedimentos anómalos ao serviço de políticas imperiais sangrentas e de governantes clientes cujas acções têm devastado a sociedade colombiana. Mais de 2,5 milhões de colombianos, camponeses e moradores em favelas urbanas, foram desalojados pelo programa selvagem de contra-insurreição apelidado de 'Plano Colômbia'; o número de pessoas deslocadas está em segundo lugar, logo a seguir ao Afeganistão. Os programas de contra-insurreição, intitulados variadamente 'Plano Colômbia', 'Plano Patriótico' e 'Segurança Democrática' são financiados e dirigidos pelos Estados Unidos e promovidos pelo seu cliente presidente Álvaro Uribe. A AFL-CIO americana documenta mais de 4 000 sindicalistas assassinados entre 1986-2002; o governo colombiano só investigou 376 casos dos quais apenas cinco processos levaram à condenação do assassino. Segundo os grupos de direitos humanos colombianos, entre 2003-2006, os militares e paramilitares aliados de Uribe assassinaram mais uns mil sindicalistas. Durante os últimos cinco anos, foram mortos com total impunidade 30 mil camponeses, professores rurais e líderes de camponeses e de indígenas. A repressão do estado ('Segurança Democrática') foi dirigida para o enfraquecimento da resistência sindicalista ao Acordo de Livre Comércio EUA-Colômbia, e não para combater os exércitos guerrilheiros. Com mais de 68% da população colombiana a viver abaixo do limiar da pobreza de 2 dólares por dia e apreensões de terras pelos líderes paramilitares, barões do gado e oficiais militares, não é de estranhar que a resistência guerrilheira esteja a recrutar e a conter com êxito as campanhas militares patrocinadas pelo governo, sempre com um título triunfalista e todas elas acabando num profundo fracasso. Sem reformas políticas e sociais fundamentais e na falta de um modelo económico que integre os milhões de deslocados, aterrorizados e excluídos, não há estratega nem estratégia militar, por muito bem financiada e dirigida por Washington, que possa acabar com o conflito civil. O primeiro passo para uma solução deste conflito de meio século é o reconhecimento de que a Colômbia está no meio de uma guerra civil, e não de uma 'guerra contra o terrorismo'. O segundo é libertar os protagonistas do processo da paz, Simon Trinidad e a sua camarada 'Sonia' como um movimento concreto para uma troca humanitária de prisioneiros e de estabelecimento de medidas de confiança que abram o caminho a negociações de paz a toda a escala. Paradoxalmente, o fim do banho de sangue poderia começar em Washington, num tribunal federal, ou até mesmo no Congresso dos EUA com o reconhecimento de que os EUA são um partido armado na guerra civil da Colômbia, que os seus combatentes são prisioneiros de guerra e que a sua libertação final depende do reconhecimento dos limites do poder militar americano (e do seu cliente colombiano) e que a única opção realista é a negociação de um acordo diplomático. Espero juntar-me a artistas e intelectuais como Denzel Washington, Oliver Stone, Michael Moore, Noam Chomsky e Angela Davis, referidos no apelo das FARC num esforço comum para pressionar o governo americano a concordar na troca de guerrilheiros presos (tanto aqui como na Colômbia) por prisioneiros detidos pelos rebeldes, incluindo os três combatentes americanos.
James Petras
http://resistir.info/

Portugal conhecia práticas da CIA

A comissão do Parlamento Europeu encarregue de investigar as actividades da CIA na Europa acusou 10 paises de conhecerem os planos da CIA. Portugal está entre eles.

Relatório do Parlamento Europeu
Portugal e mais dez países acusados de conhecerem práticas da CIA
Onze dos 25 Estados membros da União Europeia, incluindo Portugal, estavam a par da política norte-americana que autorizava a CIA a transferir ilegalmente e a manter suspeitos de terrorismo detidos em prisões secretas, afirma o relator da comissão de inquérito criada pelo Parlamento Europeu para investigar este caso. "Vários governos cooperaram passiva ou activamente. Eles sabiam", afirmou Claudio Fava na apresentação do projecto de relatório final na comissão parlamentar de inquérito, presidida pelo português Carlos Coelho. O eurodeputado socialista italiano denunciou também "a grande reticência da quase totalidade dos Estados membros em cooperar" nas investigações do Parlamento Europeu, destacando como excepções os casos de Espanha e da Alemanha. Claudio Fava acusou ainda o alto representante para a política externa da UE, Javier Solana, de ter cometido "omissões" durante a audição perante os eurodeputados, no passado dia 2 de Maio. Os países acusados Apesar das escassas provas apresentadas, Fava diz ter recolhido indícios suficientes de que Reino Unido, Polónia, Itália, Alemanha, Suécia, Áustria, Irlanda, Espanha, Portugal, Grécia e Chipre estavam a par das medidas levadas a cabo pela CIA em território europeu. O eurodeputado vai mais longe, ao garante ter "provas circunstanciais" de que a Polónia albergou, durante alguns meses, um centro de detenção ilegal gerido pela CIA. O relator afirma que mais tarde, no decorrer de três reuniões com responsáveis europeus, "os americanos falaram de forma explícita do sistema de transferência [de detidos] como sendo um dos métodos da luta anti-terrorista". Segundo o eurodeputado, essas informações foram prestadas pela secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, durante uma reunião ministerial da NATO em Fevereiro de 2005, e em reuniões de alto nível realizadas em Bruxelas a 8 de Fevereiro e 3 de Maio deste ano. Voos ilegais e "rendições extraordinárias" A comissão de inquérito do Parlamento registou ainda duas dezenas de casos das chamadas "rendições extraordinárias", nome dado pela Administração norte-americana à detenção de suspeitos de terrorismo e a sua extradição para países terceiros. Um dos casos é o do alemão Khaled el-Masri, detido em 2003 durante uma viagem à Macedónia e mantido em cativeiro durante vários meses no Afeganistão, ou do imã egípcio Abu Omar, sequestro por agentes da CIA em Milão no mesmo ano. Após vários meses de silêncio, o Presidente norte-americano, George W. Bush, reconheceu em Setembro a existência de prisões secretas geridas pela CIA, ao revelar que 14 suspeitos de pertencerem à liderança da Al-Qaeda detidos nos últimos anos tinham sido recentemente transferidos para Guantánamo, após longos meses de interrogatórios. A comissão de inquérito listou também 1245 escalas em território europeu de aviões fretados pelos serviços secretos norte-americanos. Embora a maioria se refira a voos logísticos, parte deles terão servido para a transferir detidos de forma extra-judicial. Ao longo de dez meses de inquérito, a comissão do Parlamento Europeu ouviu 130 pessoas, entre responsáveis governamentais, membros de agências de informação, magistrados, advogados, jornalistas e representantes de organizações não-governamentais. O projecto de resolução será votado pela comissão de inquérito após as férias de Natal, revelou uma fonte comunitária, sem adiantar as hipóteses que o texto tem de vir a ser aprovado.
http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=111958&cidade=1

O sistema escolar finlandês

“O sistema escolar finlandês baseia-se numa cultura de confiança, não de controlo, e os professores desempenham um papel activo no desenvolvimento das suas actividades laborais.”

Isto é o que é dito sobre o sistema de ensino na Finlândia retirado da própria página da embaixada da Finlândia em Portugal.
Toma Milú. Encaixa e aprende…se fores capaz.


http://www.finlandia.org.pt/doc/pt/infofin/educa.html#opsoes

Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Mário Cesariny
http://nafloresta.blogspot.com/

Separação da Igreja e do Estado na Noruega

Como o Ricardo já tinha referido, a situação anacrónica de um dos países menos religiosos do mundo, a Noruega, em que existe uma religião oficial e uma igreja de estado a que pertencem nominalmente 88% mas de facto apenas 10% da população, está prestes a terminar.A discussão pública sobre a separação entre o Estado e a Igreja na Noruega iniciada há uns meses - que inclui a possibilidade de um referendo sobre o tema - num país em que a larga maioria da população apoia a medida, foi reforçada pela decisão de há uns dias do órgão máximo eclesiástico, o Sínodo Geral, que votou maioritariamente (63 contra 19) a favor da separação da Igreja e do Estado neste país.Como referiu igualmente o Ricardo, a Igreja da Noruega, luterana, é liderada pelo Rei da Noruega, com o Storting (Parlamento Norueguês) como órgão legislativo supremo. A Constituição desta monarquia impõe que a família real e pelo menos metade dos membros do Governo professem a religião de Estado, uma imposição bizarra num país em que desde 1964 uma emenda à Constituição permite a todos os habitantes o direito de praticar a sua religião ou não religião livremente.
Palmira F. da Silva
http://www.ateismo.net/diario/

Em defesa do Papa Bento XVI

Os milhares de fanáticos que ululam nas ruas da Turquia não são meros manifestantes que detestam um homem de negócios que anda a vender a fé - Bento XVI -, são bandos de intolerantes que se julgam detentores da verdade única e do único Deus verdadeiro.Impedir a livre circulação de um indivíduo contra quem não existe qualquer mandado de captura, é um acto de proselitismo que a demência da fé alimenta. Não interessa se o Papa é igual aos que o contestam, se o monarca absoluto do Vaticano pensa de Maomé o que este pensava do toucinho, se está igualmente convencido de que as mentiras da sua Igreja são verdades únicas e o seu Deus o único com certificado de garantia.O que está em causa é a liberdade de circulação de pessoas e mercadorias, direito de que gozam o Sr. Ratzinger e a água benta. As bênçãos que leva, e não precisa de declarar à alfândega, destinam-se apenas a quem aprecia mercadorias sem existência física.Nenhum país é livre se não assegurar a liberdade de circulação, mesmo aos charlatães, enquanto não transitar em julgado uma sentença de um tribunal independente que os reconheça como tal e os condene.Não está em causa gostar ou não de um indivíduo de quem Deus, se existisse, também não gostaria. Está em causa a liberdade.Eis a razão de um ateu para defender o direito do Papa católico, embusteiro de milagres, indulgências e outras trapaças, a viajar pelo mundo e a promover os seus negócios. É, aliás, o direito que os ateus reclamam para denunciar as mentiras da fé.Combater ideias sem molestar as pessoas é um direito democrático que os beatos não aceitam. É por isso que a laicidade do Estado se torna tão necessária e urgente.

Carlos Esperança
http://www.ateismo.net/diario/

Sirvam se à vontade

Algumas pessoas perguntaram se podiam citar ou reproduzir os meus textos noutros blogs. Outros não gostaram que isso acontecesse. Ora quem leu os meus posts sobre direitos de autor deve saber que só considero estes textos meus no sentido em que fui eu que os escrevi. Não inventei a língua nem as palavras, e as ideias são de todos. Quem quiser reproduzir estes textos só tem que fazer duas coisas: copy, e paste. Não peçam autorização porque não tenho nenhuma para dar. E por favor lembrem-se que isto é um espaço público de discussão; tudo o que for aqui escrito será considerado pertença de todos.Para tornar isto mais claro, coloquei um aviso de copyright em rodapé.
LUDWIG KRIPPAHL 2006 Nenhum direito reservado
http://ktreta.blogspot.com/
Nota: Estas são também as minhas palavras desde Novembro de 2000.

Depois da Hora

A entrevista “colectiva” com MLRodrigues teve ontem aspectos a raiar o burlesco mais hilariante. A propósito da TLEBS a Ministra, em estratégia de catenaccio, afirmou que não se podia pronunciar porque é apenas uma terminologia e que seria o mesmo que pronunciar-se sobre o uso de máquinas de calcular nas aulas de Matemática. Para além disso anunciou qualquer coisa como novidades agradáveis para esta semana sobre o tema.
Isto é especialmente interessante, porque a par de um óbvio desconhecimento sobre a matéria (pois… a TLEBS realmente é uma terminologia, é isso mesmo que o T significa), se faz uma comparação absolutamente abstrusa.
Uma terminologia para uso em Língua Portuguesa não é propriamente o mesmo que o uso de uma máquina de calcular, como qualquer docente mesmo candidato apenas a “regular” ou “insuficiente” saberá. Uma terminologia gramatical é um instrumento cujo conhecimento e funcionamento o aluno deve interiorizar e saber aplicar. A ser equiparável a algo pode ser - pobremente - comparada ao conhecimento da tabuada. A utilização de uma máquina de calcular é exactamente a negação da necessidade de interiorização de um conhecimento, graças a um recurso externo que resolve o problema. Uma máquina ede calcular é o mesmo que um corrector ortográfico automático.
Ao que parece MLR não está perfeitamente consciente destas minudências. Já sei, claro, que uma responsável política não precisa de saber as technicalities do ofício. Só que isto é o grau 1 do que qualquer pessoa que passou pelo sistema educativo, mesmo que fugazmente, é obrigado a saber.
Sem usar máquina de calcular ou qualquer auxiliar de memória, obviamente.
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Foleirismo linguístico

Agora fala-se em acessibilidades. Uma estrada circular deixou de ser um acesso para passar a ser uma acessibilidade. Esta invenção só podia ter sido trazida pelo Dr. Sampaio, enquanto passava horas e dias no Palácio de Belém a mudar palavras banais dos seus discursos por vocábulos aparentemente mais inteligentes.Certo dia, num discurso, o então Presidente da República referiu-se aos acessos a um qualquer local inóspito como acessibilidades. Desde então, naturalmente, não há pessoa que não goste de colocar uma acessibilidade num diálogo. De resto, falar em acessos pode despontar um sorriso palerma no interlocutor.Ora, vejamos o exemplo do elevador. O elevador pode ter boas acessibilidades. Isto é, eu consigo entrar com facilidade no elevador, sem ter de sujar a minha camisa com óleo. Um elevador com boas acessibilidades é, também, aquele que não tem um degrau que nos faça tropeçar ou um penduricalho que nos abra a cabeça. Assim, este elevador com boa acessibilidade dá-me acesso ao primeiro, ao segundo e ao terceiro andares. O elevador é acessível e ao mesmo tempo um acesso a qualquer coisa.Ora, o IC19 é um acesso a Lisboa e não uma acessibilidade, mesmo que todos os socialistas do mundo se lembrem de afirmar o contrário. Pode ter acessibilidade, naturalmente, caso tenha boas entradas e boas saídas, servindo a Bobadela e a Abuxarda como nenhuma outra circular, mas o IC19 é, então, um acesso com acessibilidade, nunca uma acessibilidade isolada. Se assim fosse, entrava-se no IC19 e não se ia dar a lado nenhum. Ficavamos a flutuar.
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Na Hora

Na Sic-Notícias Maria de Lurdes Rodrigues é entrevistada, em modelo de trio com Teresa Calado e Ana Maria Magalhães, por Maria João Avillez que lhe pergunta o que é uma boa escola pública.
Como vai sendo habitual, a senhora Ministra não é capaz de responder directa e objectivamente à questão e no arremedo de discurso que alinhava diz algo que se ouve e não se acredita de tão trôpego e incoerente: antes de mais afirma que os países “com que nos identificamos”, os países da “liberdade, da democracia“, etc (quase que ouço o eco do Durão Barroso à saída da cimeira dos Açores), conseguiram o seu desenvolvimento com base numa escola pública de qualidade. Eu por acaso até lamento que assim (não) seja, mas isto não é verdade. A Inglaterra, os Estados Unidos, a Escandinávia, tudo nações que marcaram diversas fases do crescimento económico e da sociedade (pós)industrial moderna, foram nações onde um sistema público de ensino só surgiu depois de estar no terreno um forte sector educativo privado. É um facto histórico, nem sequer dá para contestar. Com escrevi até lamento que assim tenha sido, porque em Portugal não confio muito no papel do sector privado na Educação, mas as coisas são como são, ou foram como foram e não como convém afirmar que terão sido.
Em seguida, MLR envereda por um outro naco discursivo estranho sobre a igualdade de oportunidades e sobre a Escola como plataforma necessária para atenuar as fortes desigualdades sociais que existem em países como nosso, para que não se verifiquem processos de reprodução das desigualdades (por onde anda o PJ que me acusou de ser adepto do Bourdieu?). E seguindo uma lógica que me escapa afirma que só com rigor e qualidade na escola pública é possível uma igualdade de oportunidades.
Vamos lá a ver uma ou duas coisas: eu sou a favor da igualdade de oportunidades e do rigor e qualidade na Escola, mas lamento de novo dizer que o nexo causal entre estas variáveis pode ser ténue, em especial se a igualdade de oportunidades for feita com base no abaixamento dos critérios de avaliação, o que necessariamente implica uma redução do rigor, se não mesmo da qualidade do ensino. A resposta estará no facto de, muito provavelmente, o rigor a que se estaria a referir MLR seja apenas o que se aplica aos docentes.
Mas o que é sempre estranho, muito estranho, é que este cruzamento de lugares-comuns aparentemente incontestáveis, mas expressos de um modo incoerente do ponto de vista lógico, com as partes a não encaixarem num todo articulado, passem sempre sem reparo, como se fossem pérolas de sapiência quando são apenas manifestações do inversos, de um enorme de ideias vazio encoberto por uma barragem de clichés. Quase faz lembrar aquele aluno que, tendo empinado a matéria sobre um dado tema, quando pretende responder à questão, debita de forma desordenada e desarticulada tudo o que memorizou sem se preocupar em perceber se está na ordem certa e com as causas a antecederem os fenómenos delas decorrentes.
Já sei que me dirão que este é um ataque à pessoa e não à política, mas a isso eu replicarei que este é um ataque a uma nuvem difusa de ideias que nem percebo se lá estão verdadeiramente. Lamento, mas é com toda a sinceridade e sem qualquer especial má-vontade aquilo que penso sobre este tipo de declarações.
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Guerra contra o terrorismo ou guerra contra as liberdades?

Para medir a amplitude dos ataques que têm sido levados a cabo contra as liberdades em nome da luta antiterrorista, o exemplo da Grã-Bretanha revela-se particularmente interessante. Ela é o país europeu onde o desmantelamento do Estado de direito se encontra no ponto mais avançado, ultrapassando, em muitos casos, as medidas tomadas nos Estados Unidos. Observar o que se passa em Inglaterra permite-nos perceber imediatamente que tipo de reforma é que os governos europeus nos irão propor no futuro próximo. O governo britânico dispõe de uma capacidade de antecipação relativamente ao que se passa no continente. Essa antecipação é com efeito dupla. Ela existe em relação às medidas tomadas nos outros países europeus, mas também em relação aos atentados em si. O desmantelamento das liberdades públicas e privadas é geralmente justificado como uma resposta aos actos de terrorismo. A Grã-Bretanha apresenta a particularidade de a legislação antiterrorista preceder os atentados aos quais ela é susceptível de responder, produzindo assim uma nova luz sobre a dialéctica que se quis estabelecer entre os atentados e o abandono das nossas liberdades. Os delitos políticos A Grã-Bretanha foi o primeiro país a adoptar uma lei antiterrorista da nova geração: the Terrorism Act 2000. Relativamente à antiga legislação, destinada a lutar contra o IRA, a nova lei não tem como objectivo punir determinados grupos ou fracções particulares da população (a base por detrás da organização a combater), mas antes, permite o accionamento de medidas que limitam as liberdades do conjunto dos cidadãos. The Terrorism Act 2000 apresenta um carácter claramente político e cria um delito de intenção. O que define um acto terrorista é que ele é praticado com a intenção de fazer pressão sobre o governo ou sobre determinado corpo administrativo. Nesse sentido, essa lei permite a criminalização de qualquer movimento social. Essa lei serviu de modelo para a decisão-quadro da União Europeia relativamente ao terrorismo. Essa decisão-quadro foi integrada nos códigos penais dos Estados membros. Em Fevereiro de 2001, sete meses antes dos atentados nos Estados Unidos, o governo de Blair adoptou o the Terrorism Act 2001. Essa lei permite, à semelhança do Patriot Act americano, adoptado imediatamente depois dos acontecimentos de 11 de Setembro, o encarceramento indefinido, sem julgamento nem inculpação, de estrangeiros simplesmente suspeitos de terrorismo. A ausência de provas contra os indivíduos encarcerados, bem como a impossibilidade de os apresentar perante um tribunal, justifica o carácter administrativo da sua detenção. Em Dezembro de 2004, o Tribunal de Apelo da Câmara dos Lordes, a mais alta instância judiciária britânica, emitiu um parecer condenando essa detenção administrativa ilimitada, considerando-a como contrária à Convenção Europeia dos Direitos do Homem. O parecer considerava ainda discriminatória a diferença de tratamento entre nacionais e estrangeiros. O fim do habeas corpus O governo considerou que uma boa forma de ter em conta o parecer, era partir para a legitimação da generalização das disposições de excepção ao conjunto da população. The Prevention Terrorism Act, votado em Março de 2005, permite ao ministro do Interior tomar medidas de controlo, conducentes à prisão domiciliária de uma pessoa, sempre que ele suspeite que um indivíduo está "implicado numa acção ligada ao terrorismo". Ele pode também proibir esse indivíduo de utilizar telemóvel, limitar-lhe o acesso à Internet, impedi-lo de contactar com certas pessoas, obrigá-lo a estar em casa a determinadas horas, autorizar a polícia e os serviços secretos a aceder a tudo dentro do seu domicílio. Essas disposições poderão ser tomadas, com base num simples aviso dado pelos serviços secretos, uma vez que não existem provas que permitam levar o assunto para tribunal. O que justifica as medidas tomadas não são elementos objectivos, mas antes, a suspeita de que a pessoa é objecto ou a intenção que lhe é atribuída. O campo de aplicação da lei é bastante alargado, quase ilimitado e totalmente incontrolado. The Prevention of Terrorism Act apresenta-se como não discriminatório, na medida em que diz respeito tanto aos cidadãos britânicos como aos estrangeiros. Essa lei põe fim a um sistema duplo de organização jurídica: Estado de direito para os nacionais e violência pura para os estrangeiros. A supressão do habeas corpus foi generalizada ao conjunto da população. Entra-se assim num estado de excepção generalizada. Essa lei dá ao ministro do Interior prerrogativas de magistrado. Uma pessoa é considerada como terrorista, não através de um julgamento, mas por via de um certificado estabelecido por um representante do poder executivo. Este último não deve, em momento algum, justificar uma decisão que se aplique a simples suspeitos. Em comparação com as outras leis antiterroristas, The Prevention Terrorism Bill confirma a capacidade de antecipação das autoridades britânicas. Essa lei inova ao permitir que se ponha em causa o habeas corpus, não só dos estrangeiros, mas também dos nacionais. Como os presumidos autores dos atentados de Londres, em Julho de 2006, têm nacionalidade britânica, essa nova legislação encontra a sua justificação nas medidas relativas aos atentados que tiveram lugar quatro meses depois da votação da lei. Um delito de negligência Em Março de 2006, a Câmara dos Lordes votou uma nova lei antiterrorista, the Terrorism Act 2006, que deu origem às novas infracções de incitação indirecta e de glorificação do terrorismo. A incriminação da incitação indirecta não requer a existência da intenção de levar outras pessoas a cometer actos criminosos. Uma pessoa pode cometer esses delitos sem se dar conta. O delito de incitação indirecta existe se uma pessoa que publica uma declaração tiver sido simplesmente "negligente" quanto à possibilidade de o seu discurso poder ser entendido como encorajador do terrorismo. A pessoa que fala é assim responsável pelo modo como as suas declarações possam ser recebidas, seja qual for o seu objectivo. Também deixou de ser necessária a existência de uma ligação material entre o conteúdo do discurso pronunciado, por exemplo, palavras de apoio à resistência palestiniana, e os actos que essas "incitaram", ou, por exemplo, o alojamento de bombas no metro de Londres. Para se ser perseguido, basta que um tribunal considere que essas palavras criaram um "clima" favorável ao terrorismo. Segundo o governo, a incriminação da "glorificação" visa punir aqueles que "louvam ou celebram" os actos de terrorismo. O poder pretende dar a ideia de que quer, antes de tudo o mais, sancionar os imans radicais, apresentados como "pregadores do ódio". O termo glorificação não está definido. O fim do político Essa lei representa um novo passo antecipado na capacidade oferecida ao governo britânico de criminalizar não só toda a acção política, mas também toda a expressão de oposição radical ou de apoio a acções políticas. Ela instaura igualmente uma solidariedade entre poderes constituídos relativamente à sua oposição política, criminalizando todo o acto de resistência armada ou toda a acção de solidariedade material e de apoio verbal ou escrito, relativamente a pessoas que defendem ou defenderam tais actos no passado. Posicionar-se de maneira diferente do governo britânico no que diz respeito a um conflito violento pode tornar-se um delito, em todas as partes do mundo. Quem comete um desses delitos fora do Reino Unido pode ser perseguido por um tribunal britânico. Essa disposição não se refere apenas aos nacionais, mas a toda a pessoa implicada, seja qual for a sua nacionalidade. Assim, the Terrorism Bill 2006 tem um carácter marcadamente imperial. O seu poder de acção é imediatamente global. Ela dá ao poder executivo e aos tribunais britânicos o poder não só de criminalizar qualquer forma de apoio a um movimento social, a uma acção destinada a fazer pressão sobre o governo inglês, mas também o poder de determinar o que é bom e o que é mau em todas as partes do mundo. Essa lei nega a própria essência do político. Já não há conflitos de interesse, mas antes, uma luta mundial do bem contra o mal.
Jean Claude Paye
http://resistir.info/