Nada de mal acontecerá se, amanhã, após uma patriótica privatização para resolver a emergência financeira de hoje, os planos de expansão da REN forem anunciados num hotel londrino e os lucros das redes energéticas nacionais forem distribuídos pelas viúvas da Escócia, pelos reformados da Califórnia ou pelos oligarcas russos. Mas os consumidores portugueses de energia não retirarão daí qualquer benefício.
As redes nacionais de transporte de electricidade e de gás natural estão à venda. Eufemisticamente, diz-se que vão ser privatizadas – parcialmente, como sempre acontece quando o Estado, envergonhado, vende o seu património. Sobretudo quando esse património corresponde a uma infra-estrutura essencial que actua e continuará a actuar em regime de monopólio.
A privatização da REN-redes energéticas nacionais parece ser a resposta tecnicamente iluminada, politicamente moderna, economicamente inteligente, financeiramente vanguardista e socialmente ousada a uma qualquer questão. Será?
Será que a privatização da REN decorre de uma obrigação ou de uma recomendação comunitária (sabe-se como a Europa da concorrência sem distorções tinha as costas largas)? A resposta é não.
De acordo com o direito comunitário, o transporte de energia (electricidade e gás natural) é um monopólio regulado e deve ser exercido por empresas separadas juridicamente de empresas que actuem, em regime de concorrência, na produção, na importação e na comercialização de energia. Assegura-se assim o acesso não discriminatório de todos os interessados às infra-estruturas de transporte e facilita-se o desenvolvimento de mercados de energia eficientes.
O direito comunitário apenas impõe a separação jurídica da actividade de transporte, nem sequer obrigando à separação patrimonial. Contudo, quer a experiência portuguesa de separação patrimonial do transporte de electricidade, ocorrida em 2000, quer numerosas experiências internacionais, na electricidade e no gás natural, demonstram a vantagem de proceder à separação patrimonial.
A junção do transporte da electricidade e do gás natural numa mesma empresa é, normalmente, uma livre decisão empresarial. Embora em Portugal ela tenha sido imposta pelo legislador, não resulta, em todo o caso, de qualquer constrangimento do direito comunitário. Tratando-se de dois monopólios, esta forma de concentração não cria, em princípio, obstáculos ao desenvolvimento da concorrência e, potencialmente, pode proporcionar algumas economias ao sector energético (embora a escassa experiência internacional não seja conclusiva a respeito do valor das sinergias).
Relativamente à natureza da propriedade das empresas de transporte de energia - pública, privada ou cooperativa - o direito comunitário é neutro e as mais diversas situações coexistem no espaço da União Europeia. Olhando em torno, pode-se concluir que nem a propriedade privada das infra-estruturas de transporte garante automaticamente maior eficiência aos mercados de energia - sobretudo quando não é acompanhada da já referida separação patrimonial - nem a propriedade pública garante automaticamente melhor qualidade de serviço, contrariamente a algumas intuições difusas.
Será que a privatização da REN decorre de um compromisso eleitoral? A resposta é não.
O programa do Governo estabelece como objectivo "[d]ar um novo impulso à liberalização do mercado da electricidade, em todos os seus segmentos (produção, distribuição, comercialização) e antecipar o calendário de liberalização do mercado do gás natural" mas não refere a privatização da REN.
Que motivos podem justificar a privatização do transporte de energia em Portugal? Duas hipóteses ocorrem ao espírito:
a) Necessidade de atrair capital para novos investimentos no transporte de energia.
As dificuldades financeiras da EDP, no final dos anos 1980, levaram à abertura da produção de electricidade ao capital privado e à construção, no início dos anos 1990, da primeira central eléctrica em regime de project finance em Portugal (que foi também a primeira na Europa continental).
Todavia, a REN goza de excelente saúde financeira (em 2006 teve resultados líquidos de 148 milhões de euros e em 2005, antes da junção do gás à electricidade, de 104 milhões de euros) e são-lhe atribuídos os melhores ratings. Em 2005 investiu 215 milhões de euros no sector eléctrico - bem acima dos 137 milhões de 2004, dos 118 milhões de 2003 e dos cerca de 60 milhões por ano que investia nos anos 1990, antes da liberalização e da regulação do sector.
b) Necessidade de melhorar o desempenho da empresa.
O desempenho técnico e económico da REN tem vindo a melhorar ao longo dos últimos anos. De acordo com um estudo de benchmarking encomendado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, a REN, não sendo a empresa de transporte de electricidade mais eficiente, e tendo embora importantes ganhos de eficiência a obter, também não é a menos eficiente. Em 2006, as tarifas de uso da rede de transporte estavam 27% abaixo do valor de 1999, em termos reais.
Entre 1999 e 2004, a gestão optimizada dos contratos vinculados de produção de energia eléctrica do sistema público, realizada pela REN, permitiu obter ganhos comerciais de 111 milhões de euros que foram partilhados entre os consumidores e os accionistas da empresa.
O desempenho técnico da REN tem vindo a melhorar ao longo dos últimos anos, quer em termos de qualidade de serviço, quer em termos de redução das perdas de electricidade na rede - estas desceram de 2,6% em 1995 para 1,4% em 2005.
Se o Estado proprietário considerava o desempenho financeiro da empresa insuficiente, podia mudar a sua administração, como fazem normalmente os accionistas descontentes e como sugere o próprio programa do Governo: "O Estado, pela posição que ainda ocupa em importantes empresas, deve ser um exemplo catalisador da adopção de boas práticas de governação societária, tendo em vista a definição de um quadro de gestão que fomente o rigor, que responsabilize os responsáveis e promova uma maior transparência da sua acção. O Estado, deste ponto de vista, é um accionista como os demais e deve reger a sua actividade dentro do quadro normativo vigente".
Não sendo evidentes razões objectivas intrínsecas aos sectores da electricidade e do gás natural que justifiquem a privatização da REN, essas razões devem ser procuradas fora do sector energético. Descartando motivações ideológicas, manifestamente fora de moda, restam motivações financeiras – a emergência das contas públicas, a necessidade de reduzir o défice público.
O "emergencialismo" parece ser a nova ideologia do Estado português no século XXI, no bem e no mal. No bem, quando serve de pretexto para a introdução de reformas necessárias; no mal, quando relega para segundo plano considerações de carácter económico, industrial, ambiental e social de longo prazo em nome de imperativos financeiros de curto prazo.
Privatizar uma empresa não significa liberalizar um sector. Privatizar um monopólio não tem mesmo nada a ver com liberalização. Na perspectiva dos consumidores de energia, mais útil que privatizar as redes de transporte, seria liberalizar e privatizar integralmente os produtores e comercializadores de electricidade e de gás natural, favorecendo o desenvolvimento de uma concorrência saudável entre eles, num quadro ibérico transparente e eficiente. Assim, um monopólio semi-privado no meio de um mercado virtual produz o mesmo efeito que um smoking na praia.
Nada de mal acontecerá se, amanhã, após uma patriótica privatização para resolver a emergência financeira de hoje, os planos de expansão da REN forem anunciados num hotel londrino e os lucros das redes energéticas nacionais forem distribuídos pelas viúvas da Escócia, pelos reformados da Califórnia ou pelos oligarcas russos. Mas os consumidores portugueses de energia não retirarão daí qualquer benefício.
Jorge Vasconcelos
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Argumentos de autoridade
Usa-se muitas vezes a expressão «argumento de autoridade» como sinónimo de «mau argumento de autoridade». Todavia, nem todos os argumentos de autoridade são maus; o progresso do conhecimento é impossível sem recorrer a argumentos de autoridade; e pode-se distinguir com alguma proficiência os bons dos maus argumentos de autoridade.
Um argumento de autoridade é um argumento baseado na opinião de um especialista. Os argumentos de autoridade têm geralmente a seguinte forma lógica (ou são a ela redutíveis): «a disse que P; logo, P». Por exemplo: «Aristóteles disse que a Terra é plana; logo, a Terra é plana». Um argumento de autoridade pode ainda ter a seguinte forma lógica: «Todas as autoridades dizem que P; logo, P».
A maior parte do conhecimento que temos de física, matemática, história, economia ou qualquer outra área baseia-se no trabalho e opinião de especialistas. Os argumentos de autoridade resultam desta necessidade de nos apoiarmos nos especialistas. Por isso, uma das regras a que um argumento de autoridade tem de obedecer para poder ser bom é esta:
1) O especialista (a autoridade) invocado tem de ser um bom especialista da matéria em causa.
Esta é a regra violada no seguinte argumento de autoridade: «Einstein disse que a maneira de acabar com a guerra era ter um governo mundial; logo, a maneira de acabar com a guerra é ter um governo mundial». Dado que Einstein era um especialista em física, mas não em filosofia política, este argumento é mau.
Contudo, apesar de Marx ser um especialista em filosofia política, o seguinte argumento de autoridade também é mau: «Marx disse que a maneira de acabar com a guerra era ter um governo mundial; logo, a maneira de acabar com a guerra é ter um governo mundial». Neste caso, é mau porque viola outra regra:
2) Os especialistas da matéria em causa não podem discordar significativamente entre si quanto à afirmação em causa.
Dado que os especialistas em filosofia política discordam entre si quanto à afirmação em causa, o argumento é mau. É por causa desta regra que quase todos os argumentos de autoridade sobre questões substanciais de filosofia são maus: porque os filósofos discordam entre si sobre questões substanciais. Poucas são as afirmações filosóficas substanciais que a generalidade dos filósofos aceitam unanimemente e por isso não se pode usar a opinião de um filósofo para provar seja o que for de substancial em filosofia. Fazer isso é falacioso.
Os seguintes argumentos contra Galileu são igualmente maus: «Aristóteles disse que a Terra está imóvel; logo, a Terra está imóvel» e «A Bíblia diz que a Terra está imóvel; logo, a Terra está imóvel». O primeiro é mau porque nem todos os grandes especialistas da altura em astronomia, entre os quais se contava o próprio Galileu, concordavam com Aristóteles; o argumento viola a regra 2. O segundo é mau porque os autores da Bíblia não eram especialistas em astronomia; o argumento viola a regra 1.
Considere-se o seguinte argumento: «Todos os especialistas afirmam que a teoria de Einstein está errada; logo, a teoria de Einstein está errada». Qualquer pessoa poderia ter usado este argumento quando Einstein publicou pela primeira vez a teoria da relatividade. Este argumento é mau porque é derrotado pela força dos argumentos independentes que sustentam a teoria de Einstein. A regra violada é a seguinte:
3) Só podemos aceitar a conclusão de um argumento de autoridade se não existirem outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da conclusão contrária.
A regra 2 é redundante relativamente a 3. Não se aceita um argumento de autoridade baseado num filósofo quando há outros argumentos de igual força, baseados noutro filósofo, a favor da conclusão contrária. Mas 3 abrange o tipo de erro presente no último argumento sobre Einstein, ao passo que 2 não o faz. No caso do argumento de Einstein, o erro consiste no facto de o argumento de autoridade baseado em todos os especialistas em física ser mais fraco do que os próprios argumentos físicos e matemáticos que sustentam a teoria de Einstein.
Considere-se o seguinte argumento: «O psiquiatra X defende que toda a gente deve ir ao psiquiatra pelo menos três vezes por ano; logo, toda a gente deve ir ao psiquiatra pelo menos três vezes por ano». Admita-se que todos os especialistas em psiquiatria concordam com X, que é um grande especialista na área. A regra 3 diz-nos que este argumento é fraco porque há outros argumentos que colocam em causa a conclusão: dados estatísticos, por exemplo, que mostram que a percentagem de curas efectuadas pelos psiquiatras é diminuta, o que sugere que esta prática médica é muito diferente de outras práticas cujo sucesso real é muitíssimo superior. Além disso, este argumento viola outra regra:
4) Os especialistas da matéria em causa, no seu todo, não podem ter fortes interesses pessoais na afirmação em causa.
Quando Einstein afirma que a teoria da relatividade é verdadeira, tem certamente muito interesse pessoal na sua teoria. Mas os outros físicos não têm qualquer interesse em que a teoria da relatividade seja verdadeira; pelo contrário, até têm interesse em demonstrar que é falsa, pois nesse caso seriam eles a ficar famosos e não Einstein. Mas nenhum psiquiatra tem interesse em refutar o que diz X. E, por isso, a sua afirmação não tem qualquer valor — porque é a comunidade dos especialistas, no seu todo, que tem tudo a ganhar e nada a perder em concordar com X.
Os argumentos de autoridade são vácuos ou despropositados quando invocam correctamente um especialista para sustentar uma conclusão que pode ser provada por outros meios mais directos. Por exemplo: «Frege afirma que o modus ponens é válido; logo, o modus ponens é válido». Dado que a validade do modus ponens pode ser verificada por outros meios mais directos (nomeadamente através de um inspector de circunstâncias), este argumento é vácuo ou despropositado. Os argumentos de autoridade devem unicamente ser usados quando não se pode usar outras formas argumentativas mais directas.
Texto adaptado da obra Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos (Martins Fontes, 2006)
Posted by Desidério Murcho
http://dererummundi.blogspot.com/
Um argumento de autoridade é um argumento baseado na opinião de um especialista. Os argumentos de autoridade têm geralmente a seguinte forma lógica (ou são a ela redutíveis): «a disse que P; logo, P». Por exemplo: «Aristóteles disse que a Terra é plana; logo, a Terra é plana». Um argumento de autoridade pode ainda ter a seguinte forma lógica: «Todas as autoridades dizem que P; logo, P».
A maior parte do conhecimento que temos de física, matemática, história, economia ou qualquer outra área baseia-se no trabalho e opinião de especialistas. Os argumentos de autoridade resultam desta necessidade de nos apoiarmos nos especialistas. Por isso, uma das regras a que um argumento de autoridade tem de obedecer para poder ser bom é esta:
1) O especialista (a autoridade) invocado tem de ser um bom especialista da matéria em causa.
Esta é a regra violada no seguinte argumento de autoridade: «Einstein disse que a maneira de acabar com a guerra era ter um governo mundial; logo, a maneira de acabar com a guerra é ter um governo mundial». Dado que Einstein era um especialista em física, mas não em filosofia política, este argumento é mau.
Contudo, apesar de Marx ser um especialista em filosofia política, o seguinte argumento de autoridade também é mau: «Marx disse que a maneira de acabar com a guerra era ter um governo mundial; logo, a maneira de acabar com a guerra é ter um governo mundial». Neste caso, é mau porque viola outra regra:
2) Os especialistas da matéria em causa não podem discordar significativamente entre si quanto à afirmação em causa.
Dado que os especialistas em filosofia política discordam entre si quanto à afirmação em causa, o argumento é mau. É por causa desta regra que quase todos os argumentos de autoridade sobre questões substanciais de filosofia são maus: porque os filósofos discordam entre si sobre questões substanciais. Poucas são as afirmações filosóficas substanciais que a generalidade dos filósofos aceitam unanimemente e por isso não se pode usar a opinião de um filósofo para provar seja o que for de substancial em filosofia. Fazer isso é falacioso.
Os seguintes argumentos contra Galileu são igualmente maus: «Aristóteles disse que a Terra está imóvel; logo, a Terra está imóvel» e «A Bíblia diz que a Terra está imóvel; logo, a Terra está imóvel». O primeiro é mau porque nem todos os grandes especialistas da altura em astronomia, entre os quais se contava o próprio Galileu, concordavam com Aristóteles; o argumento viola a regra 2. O segundo é mau porque os autores da Bíblia não eram especialistas em astronomia; o argumento viola a regra 1.
Considere-se o seguinte argumento: «Todos os especialistas afirmam que a teoria de Einstein está errada; logo, a teoria de Einstein está errada». Qualquer pessoa poderia ter usado este argumento quando Einstein publicou pela primeira vez a teoria da relatividade. Este argumento é mau porque é derrotado pela força dos argumentos independentes que sustentam a teoria de Einstein. A regra violada é a seguinte:
3) Só podemos aceitar a conclusão de um argumento de autoridade se não existirem outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da conclusão contrária.
A regra 2 é redundante relativamente a 3. Não se aceita um argumento de autoridade baseado num filósofo quando há outros argumentos de igual força, baseados noutro filósofo, a favor da conclusão contrária. Mas 3 abrange o tipo de erro presente no último argumento sobre Einstein, ao passo que 2 não o faz. No caso do argumento de Einstein, o erro consiste no facto de o argumento de autoridade baseado em todos os especialistas em física ser mais fraco do que os próprios argumentos físicos e matemáticos que sustentam a teoria de Einstein.
Considere-se o seguinte argumento: «O psiquiatra X defende que toda a gente deve ir ao psiquiatra pelo menos três vezes por ano; logo, toda a gente deve ir ao psiquiatra pelo menos três vezes por ano». Admita-se que todos os especialistas em psiquiatria concordam com X, que é um grande especialista na área. A regra 3 diz-nos que este argumento é fraco porque há outros argumentos que colocam em causa a conclusão: dados estatísticos, por exemplo, que mostram que a percentagem de curas efectuadas pelos psiquiatras é diminuta, o que sugere que esta prática médica é muito diferente de outras práticas cujo sucesso real é muitíssimo superior. Além disso, este argumento viola outra regra:
4) Os especialistas da matéria em causa, no seu todo, não podem ter fortes interesses pessoais na afirmação em causa.
Quando Einstein afirma que a teoria da relatividade é verdadeira, tem certamente muito interesse pessoal na sua teoria. Mas os outros físicos não têm qualquer interesse em que a teoria da relatividade seja verdadeira; pelo contrário, até têm interesse em demonstrar que é falsa, pois nesse caso seriam eles a ficar famosos e não Einstein. Mas nenhum psiquiatra tem interesse em refutar o que diz X. E, por isso, a sua afirmação não tem qualquer valor — porque é a comunidade dos especialistas, no seu todo, que tem tudo a ganhar e nada a perder em concordar com X.
Os argumentos de autoridade são vácuos ou despropositados quando invocam correctamente um especialista para sustentar uma conclusão que pode ser provada por outros meios mais directos. Por exemplo: «Frege afirma que o modus ponens é válido; logo, o modus ponens é válido». Dado que a validade do modus ponens pode ser verificada por outros meios mais directos (nomeadamente através de um inspector de circunstâncias), este argumento é vácuo ou despropositado. Os argumentos de autoridade devem unicamente ser usados quando não se pode usar outras formas argumentativas mais directas.
Texto adaptado da obra Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos (Martins Fontes, 2006)
Posted by Desidério Murcho
http://dererummundi.blogspot.com/
A histeria do aquecimento global
Ar quente e dinheiro frio – os comerciantes do medo
Nenhuma resposta é mais previsível do que aquelas esganiçadas pelos que vendem o medo do efeito de estufa: dizem eles que qualquer um que questione as suas afirmações está na folha de pagamento das companhias de energia. Uma segunda réplica, igualmente previsível, contrasta o número sempre diminuto de agnósticos com as crescentes legiões de cientistas agora renascidos para a "verdade" de que o CO 2 antropogénico é responsável pela tendência para o aquecimento da Terra, a fusão das calotas polares, o alteamento dos mares, o aumento dos furacões, o declínio da fertilidade do pinguim e outros horrores demasiado numerosos para serem mencionados.
Realmente, as companhias de energia adaptaram-se há muito às fantasias em voga, recitando devidamente todo o catecismo acerca da neutralidade do carbono, descontraidamente e sem rir referem-se ao encantador endosso de Tom Friedman ao "carvão limpo", reposicionando-se a si próprias como pioneiras interessadíssimas na investigação de virtuosos combustíveis alternativos, a estabelecerem-se confortavelmente em novos lares, tais como o "Energy Biosciences Institute" da British Petroleum no Campus de Berkeley da Universidade da Califórnia, primeiro fruto de um acordo de US$ 500 milhões entre aquela companhia petrolífera e um campus cuja família fundadora, os Hearsts, afinal de contas fez a acumulação da sua fortuna no negócio mineiro.
De facto, quando se chega ao patrocínio corporativo de teorias insanas acerca da razão porque o mundo está a ficar mais quente, a conspiração de interesses mais bem documentada é entre os comerciantes do medo do aquecimento global e a indústria nuclear, agora largamente possuída por companhias de petróleo, cujas perspectivas vinte anos atrás pareciam negras, no meio de manchetes acerca das precipitações de Chernobyl, centrais a envelhecerem e depósitos de resíduos nucleares com fugas até à eternidade. Os que administram a fabricação do medo do efeito de estufa estão bem conscientes de que a única saída para a crise imaginária que têm estado a patrocinar é através de uma porta com a inscrição "energia nuclear", com uma porta de serviço lateral com a etiqueta "carvão limpo". James Lovelock, o Rasputin do Gaia, disse que "A energia nuclear tem uma importante contribuição a dar". (Àqueles que se sobressaltaram com as palavras "crise imaginária", remeto ao meu último artigo acerca deste tópico, onde enfatizo que ainda há zero evidência empírica de que a produção de CO 2 antropogénico esteja a dar qualquer contribuição mensurável à actual tendência para o aquecimento do mundo. Os comerciantes do medo do efeito de estufa confiam inteiramente em modelos computacionais não verificados, brutalmente super-simplificados, para apontar o dedo à contribuição pecaminosa da espécie humana).
O histérico mais bem conhecido do mundo, auto-promotor do tópico da responsabilidade física e moral do homem pelo aquecimento global, é Al Gore, um sócio da indústria nuclear e dos barões do carvão desde o primeiro dia em que entrou no Congresso encarregado do sagrado dever de proteger os interesses orçamentais e regulamentares do Tennessee Valley Authority e do Oakridge National Lab. As "task forces" da Casa Branca sobre alterações climáticas nos anos Clinton-Gore foram sempre bem despachadas por Gore e o seu conselheiro John Holdren com gente da indústria nuclear como John Papay da Bechtel.
Como cidadão de Washington desde os seus verdes anos, Gore sempre entendeu que a ameaça da inflação é a ferramenta mais segura para engordar orçamentos e incitar multidões de eleitores. Em meados da década de noventa ele posicionou-se como chefe da aliança estratégica e táctica formada em torno do "desafio das alterações climáticas", que agora avançava para ocupar o lugar do comunismo no teatro essencial a toda a vida política. Na verdade, foi no New Republic, um incansável agente publicitário da ameaça soviética em fins da década de 70, que Gore anunciou em 1989 que a guerra ao aquecimento global não poderia ser ganha sem uma renovação dos valores espirituais.
A infantaria nesta aliança tem sido os privilegiados modeladores climáticos e a sua Internacional, o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) da ONU, cuja perícia científica colectiva é reverentemente invocada por todos os devotos do catecismo dos fabricantes do medo do Efeito de Estufa. Fora o facto de que o cemitério de erros intelectuais está recheado com uma miríade de lápides de "esmagador consenso científico", o IPCC tem o exército habitual de funcionários e colectores de privilégios, e uns pequenos salpicos de cientistas reais com a qualificação primária de climatologistas ou físicos da atmosfera.
Identificar tanto os modeladores do clima financiados por governos como as suas tropas de choque, os membros do IPCC, com rigor e objectividade científica é tão irrealista quanto detectar tais atributos num craniologista financiado por Lombroso que estuda a cabeça de um assassino numa prisão do século XIX para criminosos insanos. Os dedos e compassos dos craniologistas foram programados pelos habituais incentivos de estipêndios, privilégios e ego profissional a fim de descobrir sulcos, protuberâncias e depressões na caveira daquele assassino, cada uma delas meticulosamente equacionada com uma ingovernável paixão, um défice étnico ou um desarranjo mental. A cabeça do indivíduo assassino tornou-se um modelo universal, o particular promovido a uma teoria inatacável.
Lombroso e os seus seguidores pelo menos mediam cabeças. Mas tudo o que Al Gore alguma vez precisou para promover a sua inatacável teoria do aquecimento global feito pelo homem foi de um dia quente ou alguma chuva forte. Viesse um Verão chuvoso (1995), um El Niño perfeitamente rotineiro (1997) ou um incêndio florestal na Florida (1998) e lá estava Gore para a foto oportunidade, com o dedo levantado a advertir da pioria do aquecimento por vir. O ano de 1997 também encontrou Gore no Parque Nacional de Glaciares, a apontar para o glaciar Grinnell e a dizer com gravidade à imprensa que ele estava a fundir, o que na verdade tem estado a acontecer desde o fim da Pequena Idade do Gelo, de 1450-1850 . Os glaciares das latitudes médias expandem-se, assim como se contraíram no Período do Aquecimento Medieval, mais quente do que hoje e portanto tão vexatório para alarmistas do clima como Michael Mann (agora um burocrata reinante do clima no IPCC) que eles o extirparam dos seus gráficos de temperaturas históricas, tal como um editor no tempo de Stalin recortou uma foto da equipa de antigos bolcheviques para livrar-se de indesejáveis que haviam sido anatematizados.
A teoria de um aquecimento global produzido pelo homem é alimentada por previsões pseudo quantitativas de carreiristas do clima a extraírem [dados] primariamente do grande mega-computador Modelos de Circulação Geral (MCG), os quais incluem o National Center for Atmospheric Research (NCAR), o Goddard Institute for Space Studies da NASA, o Geophysical Fluid Dynamics Lab do Departamento do Comércio, um MCG privado que costumava estar no estado de Oregon antes de a Universidade de Illinois atrair a equipe para outro lugar. Há um outro em Livermore e um na Inglaterra, em Hadley.
Estas burocracias da programação do modelo computacional manobram muitos milhares de milhões de dólares e pretendem a sua auto-preservação e reforços orçamentais tal como as burocracias nucleares cognatas de Oakridge e Los Álamos.
É tão improvável que desenvolvam modelos refutando a hipótese do aquecimento global induzido por humanos quanto o IPCC de dizer que o tempo possivelmente está a ficar um pouco mais quente mas que não há grande motivo para alarme e na verdade até alguma razão para regozijo, uma vez que este aquecimento (cujas causas naturais discuti naquele artigo recente) dão-nos uma estação de plantio mais longa e CO2 acrescido, um poderoso fertilizante de plantas. Bem vindo ao amadurecimento global.
Remontando ao princípio da década de 1970, em agências tais como a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento (Conference on Trade and Development, UNCTAD) a ONU alimentou alguns planos bastante radicais para uma nova ordem económica internacional, os quais estabeleciam termos de comércio mais favoráveis para os países mais pobres. No fim da década dos 70 tais esperanças estavam a esvanecer-se sob a maré neoliberal e a era Reagan-Clinton pôs-lhe fim. No fim da década de 1980 os altos escalões da ONU perceberam claramente que o "desafio" das alterações climáticas poderia ser o cavalo de batalha para reconstruir a cada vez mais esfarrapada autoridade moral da organização, e para reclamar um papel além daquele de ser um óbvio garoto de recados americano. Em 1988, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, criado originalmente em 1972, foi unido num não sagrado matrimónio burocrático à Organização Metereológica Mundial da ONU, dando-nos o IPCC.
O ciclo de previsões alarmistas agora está bem estabelecido. Não muito antes de algum novo debate da ONU sobre "O que fazer acerca do clima", algum conhecido vendedor de medo como James Hansen ou Michael Mann fará uma trémula declaração acerca da aceleração do tempo e das dimensões da crise do aquecimento.
A choradeira é então retomada pelo IPCC (e na década de 1990 pelo par Clinton/Gore - Casa Branca), com os comunicados de imprensa postos em manchete pelo New York Times, exactamente com a mesma falta intencional de avaliação crítica com que aquele jornal reciclou as mentiras do governo acerca das armas de destruição maciça de Saddam. Meses e anos mais tarde virão as qualificações e retractações, muito depois de novos contratos e privilégios terem sido concedidos, e novas legiões contratadas para os impérios sempre em expansão dos fabricantes do medo. (O Pentágono pelo menos entendeu a situação, e instruído por um brilhante almirante que conduz o estudo do Center for Naval Analysis, está a construir o fundamento intelectual para enormes novos aumentos orçamentais com base em hipotéticas conexões entre aquecimento global e terrorismo explosivo devido à fome).
Quando a realidade medida não coopera com as apavorantes previsões do modelo, são cozinhados novos "factores" compensadores, tais como os – populares por breve tempo – dos aerossóis da década de 1990, recrutados para arrefecer o calor obviamente excessivo previsto pelos modelos. Ou os existentes dados inconvenientes são despachados como aconteceu com as amostras dos cilindros de gelo que deixaram de confirmar as necessidades dos modeladores de temperaturas recorde hoje a serem opostas às de meio milhão de anos atrás. Como observou Richard Kerr, o homem do aquecimento global na revista Science, "Os modeladores climáticos têm estado a trapacear por tanto tempo que isto se torna quase respeitável".
A consequência? Tal como a espiral de gastos com armas fomentadas pelos mercadores do medo da Guerra Fria, vastas quantias de dinheiro serão gastas inutilmente em programas que não funcionam contra um inimigo que não existe. Enquanto isso, perigos reais e ambientais sanáveis são tratados superficialmente ou ignorados. A histeria governa estes dias, afogando necessidades urgentes de limpeza no nosso quintal enquanto aplaina o caminho para a indústria nuclear colher as suas recompensas globais.
Alexander Cockburn
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Nenhuma resposta é mais previsível do que aquelas esganiçadas pelos que vendem o medo do efeito de estufa: dizem eles que qualquer um que questione as suas afirmações está na folha de pagamento das companhias de energia. Uma segunda réplica, igualmente previsível, contrasta o número sempre diminuto de agnósticos com as crescentes legiões de cientistas agora renascidos para a "verdade" de que o CO 2 antropogénico é responsável pela tendência para o aquecimento da Terra, a fusão das calotas polares, o alteamento dos mares, o aumento dos furacões, o declínio da fertilidade do pinguim e outros horrores demasiado numerosos para serem mencionados.
Realmente, as companhias de energia adaptaram-se há muito às fantasias em voga, recitando devidamente todo o catecismo acerca da neutralidade do carbono, descontraidamente e sem rir referem-se ao encantador endosso de Tom Friedman ao "carvão limpo", reposicionando-se a si próprias como pioneiras interessadíssimas na investigação de virtuosos combustíveis alternativos, a estabelecerem-se confortavelmente em novos lares, tais como o "Energy Biosciences Institute" da British Petroleum no Campus de Berkeley da Universidade da Califórnia, primeiro fruto de um acordo de US$ 500 milhões entre aquela companhia petrolífera e um campus cuja família fundadora, os Hearsts, afinal de contas fez a acumulação da sua fortuna no negócio mineiro.
De facto, quando se chega ao patrocínio corporativo de teorias insanas acerca da razão porque o mundo está a ficar mais quente, a conspiração de interesses mais bem documentada é entre os comerciantes do medo do aquecimento global e a indústria nuclear, agora largamente possuída por companhias de petróleo, cujas perspectivas vinte anos atrás pareciam negras, no meio de manchetes acerca das precipitações de Chernobyl, centrais a envelhecerem e depósitos de resíduos nucleares com fugas até à eternidade. Os que administram a fabricação do medo do efeito de estufa estão bem conscientes de que a única saída para a crise imaginária que têm estado a patrocinar é através de uma porta com a inscrição "energia nuclear", com uma porta de serviço lateral com a etiqueta "carvão limpo". James Lovelock, o Rasputin do Gaia, disse que "A energia nuclear tem uma importante contribuição a dar". (Àqueles que se sobressaltaram com as palavras "crise imaginária", remeto ao meu último artigo acerca deste tópico, onde enfatizo que ainda há zero evidência empírica de que a produção de CO 2 antropogénico esteja a dar qualquer contribuição mensurável à actual tendência para o aquecimento do mundo. Os comerciantes do medo do efeito de estufa confiam inteiramente em modelos computacionais não verificados, brutalmente super-simplificados, para apontar o dedo à contribuição pecaminosa da espécie humana).
O histérico mais bem conhecido do mundo, auto-promotor do tópico da responsabilidade física e moral do homem pelo aquecimento global, é Al Gore, um sócio da indústria nuclear e dos barões do carvão desde o primeiro dia em que entrou no Congresso encarregado do sagrado dever de proteger os interesses orçamentais e regulamentares do Tennessee Valley Authority e do Oakridge National Lab. As "task forces" da Casa Branca sobre alterações climáticas nos anos Clinton-Gore foram sempre bem despachadas por Gore e o seu conselheiro John Holdren com gente da indústria nuclear como John Papay da Bechtel.
Como cidadão de Washington desde os seus verdes anos, Gore sempre entendeu que a ameaça da inflação é a ferramenta mais segura para engordar orçamentos e incitar multidões de eleitores. Em meados da década de noventa ele posicionou-se como chefe da aliança estratégica e táctica formada em torno do "desafio das alterações climáticas", que agora avançava para ocupar o lugar do comunismo no teatro essencial a toda a vida política. Na verdade, foi no New Republic, um incansável agente publicitário da ameaça soviética em fins da década de 70, que Gore anunciou em 1989 que a guerra ao aquecimento global não poderia ser ganha sem uma renovação dos valores espirituais.
A infantaria nesta aliança tem sido os privilegiados modeladores climáticos e a sua Internacional, o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) da ONU, cuja perícia científica colectiva é reverentemente invocada por todos os devotos do catecismo dos fabricantes do medo do Efeito de Estufa. Fora o facto de que o cemitério de erros intelectuais está recheado com uma miríade de lápides de "esmagador consenso científico", o IPCC tem o exército habitual de funcionários e colectores de privilégios, e uns pequenos salpicos de cientistas reais com a qualificação primária de climatologistas ou físicos da atmosfera.
Identificar tanto os modeladores do clima financiados por governos como as suas tropas de choque, os membros do IPCC, com rigor e objectividade científica é tão irrealista quanto detectar tais atributos num craniologista financiado por Lombroso que estuda a cabeça de um assassino numa prisão do século XIX para criminosos insanos. Os dedos e compassos dos craniologistas foram programados pelos habituais incentivos de estipêndios, privilégios e ego profissional a fim de descobrir sulcos, protuberâncias e depressões na caveira daquele assassino, cada uma delas meticulosamente equacionada com uma ingovernável paixão, um défice étnico ou um desarranjo mental. A cabeça do indivíduo assassino tornou-se um modelo universal, o particular promovido a uma teoria inatacável.
Lombroso e os seus seguidores pelo menos mediam cabeças. Mas tudo o que Al Gore alguma vez precisou para promover a sua inatacável teoria do aquecimento global feito pelo homem foi de um dia quente ou alguma chuva forte. Viesse um Verão chuvoso (1995), um El Niño perfeitamente rotineiro (1997) ou um incêndio florestal na Florida (1998) e lá estava Gore para a foto oportunidade, com o dedo levantado a advertir da pioria do aquecimento por vir. O ano de 1997 também encontrou Gore no Parque Nacional de Glaciares, a apontar para o glaciar Grinnell e a dizer com gravidade à imprensa que ele estava a fundir, o que na verdade tem estado a acontecer desde o fim da Pequena Idade do Gelo, de 1450-1850 . Os glaciares das latitudes médias expandem-se, assim como se contraíram no Período do Aquecimento Medieval, mais quente do que hoje e portanto tão vexatório para alarmistas do clima como Michael Mann (agora um burocrata reinante do clima no IPCC) que eles o extirparam dos seus gráficos de temperaturas históricas, tal como um editor no tempo de Stalin recortou uma foto da equipa de antigos bolcheviques para livrar-se de indesejáveis que haviam sido anatematizados.
A teoria de um aquecimento global produzido pelo homem é alimentada por previsões pseudo quantitativas de carreiristas do clima a extraírem [dados] primariamente do grande mega-computador Modelos de Circulação Geral (MCG), os quais incluem o National Center for Atmospheric Research (NCAR), o Goddard Institute for Space Studies da NASA, o Geophysical Fluid Dynamics Lab do Departamento do Comércio, um MCG privado que costumava estar no estado de Oregon antes de a Universidade de Illinois atrair a equipe para outro lugar. Há um outro em Livermore e um na Inglaterra, em Hadley.
Estas burocracias da programação do modelo computacional manobram muitos milhares de milhões de dólares e pretendem a sua auto-preservação e reforços orçamentais tal como as burocracias nucleares cognatas de Oakridge e Los Álamos.
É tão improvável que desenvolvam modelos refutando a hipótese do aquecimento global induzido por humanos quanto o IPCC de dizer que o tempo possivelmente está a ficar um pouco mais quente mas que não há grande motivo para alarme e na verdade até alguma razão para regozijo, uma vez que este aquecimento (cujas causas naturais discuti naquele artigo recente) dão-nos uma estação de plantio mais longa e CO2 acrescido, um poderoso fertilizante de plantas. Bem vindo ao amadurecimento global.
Remontando ao princípio da década de 1970, em agências tais como a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento (Conference on Trade and Development, UNCTAD) a ONU alimentou alguns planos bastante radicais para uma nova ordem económica internacional, os quais estabeleciam termos de comércio mais favoráveis para os países mais pobres. No fim da década dos 70 tais esperanças estavam a esvanecer-se sob a maré neoliberal e a era Reagan-Clinton pôs-lhe fim. No fim da década de 1980 os altos escalões da ONU perceberam claramente que o "desafio" das alterações climáticas poderia ser o cavalo de batalha para reconstruir a cada vez mais esfarrapada autoridade moral da organização, e para reclamar um papel além daquele de ser um óbvio garoto de recados americano. Em 1988, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, criado originalmente em 1972, foi unido num não sagrado matrimónio burocrático à Organização Metereológica Mundial da ONU, dando-nos o IPCC.
O ciclo de previsões alarmistas agora está bem estabelecido. Não muito antes de algum novo debate da ONU sobre "O que fazer acerca do clima", algum conhecido vendedor de medo como James Hansen ou Michael Mann fará uma trémula declaração acerca da aceleração do tempo e das dimensões da crise do aquecimento.
A choradeira é então retomada pelo IPCC (e na década de 1990 pelo par Clinton/Gore - Casa Branca), com os comunicados de imprensa postos em manchete pelo New York Times, exactamente com a mesma falta intencional de avaliação crítica com que aquele jornal reciclou as mentiras do governo acerca das armas de destruição maciça de Saddam. Meses e anos mais tarde virão as qualificações e retractações, muito depois de novos contratos e privilégios terem sido concedidos, e novas legiões contratadas para os impérios sempre em expansão dos fabricantes do medo. (O Pentágono pelo menos entendeu a situação, e instruído por um brilhante almirante que conduz o estudo do Center for Naval Analysis, está a construir o fundamento intelectual para enormes novos aumentos orçamentais com base em hipotéticas conexões entre aquecimento global e terrorismo explosivo devido à fome).
Quando a realidade medida não coopera com as apavorantes previsões do modelo, são cozinhados novos "factores" compensadores, tais como os – populares por breve tempo – dos aerossóis da década de 1990, recrutados para arrefecer o calor obviamente excessivo previsto pelos modelos. Ou os existentes dados inconvenientes são despachados como aconteceu com as amostras dos cilindros de gelo que deixaram de confirmar as necessidades dos modeladores de temperaturas recorde hoje a serem opostas às de meio milhão de anos atrás. Como observou Richard Kerr, o homem do aquecimento global na revista Science, "Os modeladores climáticos têm estado a trapacear por tanto tempo que isto se torna quase respeitável".
A consequência? Tal como a espiral de gastos com armas fomentadas pelos mercadores do medo da Guerra Fria, vastas quantias de dinheiro serão gastas inutilmente em programas que não funcionam contra um inimigo que não existe. Enquanto isso, perigos reais e ambientais sanáveis são tratados superficialmente ou ignorados. A histeria governa estes dias, afogando necessidades urgentes de limpeza no nosso quintal enquanto aplaina o caminho para a indústria nuclear colher as suas recompensas globais.
Alexander Cockburn
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Terrorismo?
O terrorismo tem sido definido como o recurso a formas violentas para derrubar as instituições vigentes. O curioso nesta definição é o seu carácter assimétrico, porque o facto de as instituições recorrerem sistematicamente a formas violentas para não serem derrubadas não costuma ser classificado como terrorismo. O que aliás não espanta, porque são os donos das instituições a ditar quem é terrorista e quem não o é.
A legislação antiterrorista (Terrorism Act) promulgada em 2006 no Reino Unido considera como crime a publicação de quaisquer textos que «glorifiquem a execução ou a preparação» de actos terroristas, «tanto no passado como no futuro ou em geral» (The Economist, 13 de Outubro de 2007, pág. 70). Um artigo em defesa de uma pessoa acusada ou condenada por ser terrorista pode ser entendido como uma «glorificação», e zás!
O facto de a lei britânica abranger todo o escopo temporal tem implicações engraçadas. Segundo esses padrões, será terrorismo um artigo ou um livro de crítica às instituições capitalistas do qual se conclua que elas não poderão ser derrubadas sem que, em qualquer momento, haja um recurso à violência. Também é interessante na nova legislação antiterrorista o facto de ter abolido a velha distinção entre teoria e prática. Terrorista não é só quem faz as bombas e as coloca, mas também quem analisa os actos numa perspectiva que as autoridades considerem «glorificadora».
Isto faz-me recear pela segurança daqueles historiadores portugueses que «glorificam», por exemplo, Mousinho de Albuquerque, que recorreu metodicamente ao terrorismo para destruir as instituições do Império Vátua. Por meu lado, pensarei duas vezes antes de escrever o quer que for acerca de D. Afonso Henriques.
http://www.jornalmudardevida.net/?p=585
A legislação antiterrorista (Terrorism Act) promulgada em 2006 no Reino Unido considera como crime a publicação de quaisquer textos que «glorifiquem a execução ou a preparação» de actos terroristas, «tanto no passado como no futuro ou em geral» (The Economist, 13 de Outubro de 2007, pág. 70). Um artigo em defesa de uma pessoa acusada ou condenada por ser terrorista pode ser entendido como uma «glorificação», e zás!
O facto de a lei britânica abranger todo o escopo temporal tem implicações engraçadas. Segundo esses padrões, será terrorismo um artigo ou um livro de crítica às instituições capitalistas do qual se conclua que elas não poderão ser derrubadas sem que, em qualquer momento, haja um recurso à violência. Também é interessante na nova legislação antiterrorista o facto de ter abolido a velha distinção entre teoria e prática. Terrorista não é só quem faz as bombas e as coloca, mas também quem analisa os actos numa perspectiva que as autoridades considerem «glorificadora».
Isto faz-me recear pela segurança daqueles historiadores portugueses que «glorificam», por exemplo, Mousinho de Albuquerque, que recorreu metodicamente ao terrorismo para destruir as instituições do Império Vátua. Por meu lado, pensarei duas vezes antes de escrever o quer que for acerca de D. Afonso Henriques.
http://www.jornalmudardevida.net/?p=585
A discriminação da mulher continua a ser tanto maior quanto mais elevada for a sua escolaridade e qualificação profissional
Os dados dos quadros de pessoal das empresas referentes a 2005, disponibilizados pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, revelam que quanto mais elevada é a escolaridade e a qualificação da mulher maior é a discriminação a que continua sujeita no nosso País. Entre 2000 e 2005, a discriminação que se registava no primeiro destes anos não diminuiu; muito pelo contrário, continuou a verificar-se e mesmo em relação aos níveis de escolaridade e categorias profissionais elevadas até aumentou.
No 4º Trimestre de 2006, as mulheres representavam 50,5% da população empregada com o ensino secundário, e 57,4% dos empregados com o ensino superior. Só em relação à população com mais baixo nível de escolaridade (com o ensino básico ou menos), é que os homens constituíam a maioria (57,3%) da população empregada.
Em 2000, a remuneração recebida pela mulher com um nível de escolaridade inferior ao 1º ciclo do ensino básico representava 79,4% da remuneração recebida pelo homem com idêntica escolaridade, enquanto uma mulher licenciada recebia apenas o correspondente a 66% da do homem com idêntico nível de escolaridade. Em 2005, essa discriminação tinha-se agravado, já que a percentagem que a remuneração da mulher com um nível de escolaridade inferior ao ensino básico tinha aumentado para 80,7% da do homem (em 2000, era 79,4%), enquanto em relação à mulher licenciada a percentagem que a sua remuneração representava em relação à do homem com idêntica escolaridade diminuiu para 65,8% (em 2000, correspondia a 66% da do homem)
Entre 2000 e 2005, a situação discriminatória a que estavam sujeitas as mulheres com a categoria de "quadros superior" não melhorou, já que em 2000 a remuneração que recebiam correspondia a 70% da dos homens e essa percentagem é idêntica à de 2005. Nas categorias profissionais "Encarregados, contramestres, mestres e chefes" e "Profissionais altamente qualificados " a discriminação a nível das remunerações agravou-se entre 2000 e 2005, pois a percentagem que a remuneração média das mulheres representava em relação à dos homens diminuiu de 84,3% para 82,8% na primeira categoria e, em relação à segunda, baixou de 86,7% para 84%. A tendência geral é da discriminação ser tanto maior quanto mais elevada é a qualificação. Por exemplo, em 2005, a remuneração da mulher representava 92,3% da do homem na categoria "Praticantes e aprendizes", 82,7% a nível de "Quadros médios", e de apenas 70% na categoria "Quadros superiores".
O governo de Sócrates não está interessado em fiscalizar as empresas para acabar com as praticas discriminatórias existentes. A prová-lo está o facto de a Inspecção Geral do Trabalho, a quem compete essa fiscalização, ter um quadro para 550 inspectores, que está apenas preenchido em 252 lugares, ou seja, em menos de metade. E isto apesar da OIT considerar que mesmo um quadro de 550 era insuficiente, e que devia ser reforçado em mais 200, totalizando 750 inspectores, para poder fazer face às necessidades de um país com uma população superior a 5.000.000 de empregados.
Eugénio Rosa
http://resistir.info/e_rosa/mulheres_discr.html
No 4º Trimestre de 2006, as mulheres representavam 50,5% da população empregada com o ensino secundário, e 57,4% dos empregados com o ensino superior. Só em relação à população com mais baixo nível de escolaridade (com o ensino básico ou menos), é que os homens constituíam a maioria (57,3%) da população empregada.
Em 2000, a remuneração recebida pela mulher com um nível de escolaridade inferior ao 1º ciclo do ensino básico representava 79,4% da remuneração recebida pelo homem com idêntica escolaridade, enquanto uma mulher licenciada recebia apenas o correspondente a 66% da do homem com idêntico nível de escolaridade. Em 2005, essa discriminação tinha-se agravado, já que a percentagem que a remuneração da mulher com um nível de escolaridade inferior ao ensino básico tinha aumentado para 80,7% da do homem (em 2000, era 79,4%), enquanto em relação à mulher licenciada a percentagem que a sua remuneração representava em relação à do homem com idêntica escolaridade diminuiu para 65,8% (em 2000, correspondia a 66% da do homem)
Entre 2000 e 2005, a situação discriminatória a que estavam sujeitas as mulheres com a categoria de "quadros superior" não melhorou, já que em 2000 a remuneração que recebiam correspondia a 70% da dos homens e essa percentagem é idêntica à de 2005. Nas categorias profissionais "Encarregados, contramestres, mestres e chefes" e "Profissionais altamente qualificados " a discriminação a nível das remunerações agravou-se entre 2000 e 2005, pois a percentagem que a remuneração média das mulheres representava em relação à dos homens diminuiu de 84,3% para 82,8% na primeira categoria e, em relação à segunda, baixou de 86,7% para 84%. A tendência geral é da discriminação ser tanto maior quanto mais elevada é a qualificação. Por exemplo, em 2005, a remuneração da mulher representava 92,3% da do homem na categoria "Praticantes e aprendizes", 82,7% a nível de "Quadros médios", e de apenas 70% na categoria "Quadros superiores".
O governo de Sócrates não está interessado em fiscalizar as empresas para acabar com as praticas discriminatórias existentes. A prová-lo está o facto de a Inspecção Geral do Trabalho, a quem compete essa fiscalização, ter um quadro para 550 inspectores, que está apenas preenchido em 252 lugares, ou seja, em menos de metade. E isto apesar da OIT considerar que mesmo um quadro de 550 era insuficiente, e que devia ser reforçado em mais 200, totalizando 750 inspectores, para poder fazer face às necessidades de um país com uma população superior a 5.000.000 de empregados.
Eugénio Rosa
http://resistir.info/e_rosa/mulheres_discr.html
As desigualdades com base no sexo não estão a diminuir em Portugal
Neste estudo abordamos aspectos da situação da mulher em Portugal que foram omitidos, talvez por serem desagradáveis para o poder politico, no texto divulgado pelo INE com a designação "Dia Internacional da Mulher – 32 anos (1975-2007- Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para todos (2007).
Em Portugal, as mulheres são já maioritárias na população empregada com o ensino secundário e superior, e também em subgrupos e grupos profissionais de qualificação elevada e média. No entanto, em áreas importantes, como são o salário que recebem, a segurança no emprego, o rendimento de substituição que recebem quando estão doentes ou perdem o emprego, ou quando se reformam, a situação da mulher continua a ser ainda pior do que a do homem, revelando a discriminação a que está sujeita.
Assim, no 4º Trimestre de 2006, as mulheres representavam 50,5% da população empregada com o ensino secundário, e 57,4% da população empregada com o nível superior. Em relação a profissões, as mulheres eram maioritárias no subgrupo "Especialistas das profissões intelectuais e cientificas" (56,4%) e em todos os subgrupos da população empregada com "Qualificação e escolaridade média" (65,8%). Apesar de serem já maioritárias em todos estes subgrupos e grupos, o salário médio anual auferido pelas mulheres continuava a ser inferior ao dos homens e a diferença está a aumentar desde 2002 (em 2002, a diferença era 3.170 euros e, em 2006, era já de 3.874 euros); são ainda as mulheres que têm sido mais atingidas pelo desemprego, nomeadamente durante os dois anos de governo de Sócrates (entre 2002 e 2004. o desemprego oficial das mulheres aumentou em 14.300, enquanto, entre 2004 e 2006, cresceu em 47.800, ou seja, 3,3 vezes mais; no mesmo período o acréscimo no desemprego dos homens baixou de 43.600 para 21.000, ou seja, registou uma diminuição de -51,8%). Em 2006, de acordo com a Estatísticas da Segurança Social, o subsidio de doença recebido pelas mulheres representou apenas 69,8% do recebido pelos homens (Mulher: 377,98 euros; Homem: 541,48 euros); o subsidio de desemprego das mulheres representou apenas 78% do recebido pelos homens (M. 336,6€; H: 380,8 €); e a pensão media de velhice das mulheres foi somente 60,9% da pensão média recebida pelos homens (M: 261,4 €; H: 339,4€).
Estes dados calculados com base em dados oficiais mostram que a situação dos trabalhadores e das trabalhadoras em Portugal é bastante grave, mas a situação das mulheres é ainda pior, o que é consequência das discriminações que as mulheres continuam sujeitas, e que urge eliminar.
Eugénio Rosa
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Em Portugal, as mulheres são já maioritárias na população empregada com o ensino secundário e superior, e também em subgrupos e grupos profissionais de qualificação elevada e média. No entanto, em áreas importantes, como são o salário que recebem, a segurança no emprego, o rendimento de substituição que recebem quando estão doentes ou perdem o emprego, ou quando se reformam, a situação da mulher continua a ser ainda pior do que a do homem, revelando a discriminação a que está sujeita.
Assim, no 4º Trimestre de 2006, as mulheres representavam 50,5% da população empregada com o ensino secundário, e 57,4% da população empregada com o nível superior. Em relação a profissões, as mulheres eram maioritárias no subgrupo "Especialistas das profissões intelectuais e cientificas" (56,4%) e em todos os subgrupos da população empregada com "Qualificação e escolaridade média" (65,8%). Apesar de serem já maioritárias em todos estes subgrupos e grupos, o salário médio anual auferido pelas mulheres continuava a ser inferior ao dos homens e a diferença está a aumentar desde 2002 (em 2002, a diferença era 3.170 euros e, em 2006, era já de 3.874 euros); são ainda as mulheres que têm sido mais atingidas pelo desemprego, nomeadamente durante os dois anos de governo de Sócrates (entre 2002 e 2004. o desemprego oficial das mulheres aumentou em 14.300, enquanto, entre 2004 e 2006, cresceu em 47.800, ou seja, 3,3 vezes mais; no mesmo período o acréscimo no desemprego dos homens baixou de 43.600 para 21.000, ou seja, registou uma diminuição de -51,8%). Em 2006, de acordo com a Estatísticas da Segurança Social, o subsidio de doença recebido pelas mulheres representou apenas 69,8% do recebido pelos homens (Mulher: 377,98 euros; Homem: 541,48 euros); o subsidio de desemprego das mulheres representou apenas 78% do recebido pelos homens (M. 336,6€; H: 380,8 €); e a pensão media de velhice das mulheres foi somente 60,9% da pensão média recebida pelos homens (M: 261,4 €; H: 339,4€).
Estes dados calculados com base em dados oficiais mostram que a situação dos trabalhadores e das trabalhadoras em Portugal é bastante grave, mas a situação das mulheres é ainda pior, o que é consequência das discriminações que as mulheres continuam sujeitas, e que urge eliminar.
Eugénio Rosa
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Noam Chomsky - Questões sobre o Anarquismo
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 1 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 2 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 3 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 4 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 5 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 2 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 3 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 4 of 5
Noam Chomsky - Questions about Anarchism - 5 of 5
domingo, fevereiro 10, 2008
A saúde e os custos da saúde em Portugal
A saúde continua a ser um direito garantido a todos os portugueses pela Constituição da República. Apesar disso, o actual governo desencadeou um forte ataque contra esse direito que tem provocado o protesto das populações por todo o País. E o principal argumento utilizado pelo governo na sua campanha contra a saúde dos portugueses é que os custos com o Serviço Nacional de Saúde têm crescido de uma forma insustentável e que é preciso reduzi-los. Por isso, interessa analisar este argumento do governo (os custos) para responder à campanha lançada pelo governo contra este direito fundamental dos portugueses.
Entre 1970 e 2003, portanto num período de 33 anos, as despesas com a saúde em dólares PPC (Paridades Poder de Compra), aumentaram por habitante em Portugal 1.764 dólares, enquanto cresceram na Dinamarca 2.368 dólares, na Alemanha 2.726 dólares e nos Estados Unidos 5.288 dólares por habitante. Durante o mesmo período a mortalidade infantil diminuiu em Portugal 51 pontos; na Dinamarca 9,8; na Alemanha 18,3 e nos Estados Unidos a redução foi de 13 pontos. Também durante o mesmo período, a esperança de vida à nascença aumentou em Portugal 9,8 anos, na Dinamarca 3,9 anos, na Alemanha 8 anos e nos Estados Unidos 6,3 anos. Em resumo, Portugal foi um dos países onde a despesa com a saúde aumentou menos por habitante, mas onde os ganhos em saúde foram maiores. A confirmar isto, está o facto que, também de acordo com a OCDE (OECD Health Data 2006), entre 1995 e 2004, o aumento médio das despesas de saúde foi em Portugal de 3,2% ao ano, enquanto em Espanha atingiu 4,2% ao ano; nos EUA 4,8% ao ano; na Finlândia 4,4%; na França também 4,4% ao ano; na Grécia 4,9% ao ano; na Irlanda 7,4% ao ano; na Itália 3,3%, na Inglaterra 5,4% ao ano, e na Suécia 3,9% ao ano.
Portugal é igualmente um dos países da OCDE onde a comparticipação do Estado na despesa total da saúde é mais baixa. Em percentagem, em Portugal a comparticipação do Estado na despesa total de saúde de cada português (71,9%) é inferior à média dos países da OCDE (80,4%).
Entre 2004 e 2007, as transferências do Orçamento do Estado para o Serviço Nacional de Saúde aumentaram apenas 2,2%, enquanto o PIB, a preços correntes, cresceu 10,7%, o que determinou que a percentagem que essas despesas representam em relação ao PIB tenha diminuído de uma forma continua de 5,2% para apenas 4,8% do PIB. Durante esse período, como os preços aumentaram 8%, portanto o valor da transferência da transferência de 2007 é inferior, em termos reais, em cerca de 5,4% a de 2004.
Os gastos do Estado com a "Função de saúde", medidos em percentagem do PIB registaram, a partir de 2005, também uma diminuição. Entre 2004 e 2007, o PIB, a preços de mercado, aumentou em 10,7%, enquanto com os gastos suportados pelo Estado com a "Função saúde" cresceram apenas 5,4%, ou seja, praticamente metade do aumento do PIB. No mesmo período os preços subiram 8%, o que determina que o valor atribuído pelo Estado à "Função saúde" seja em 2007, em termos reais, inferior à de 2004.
Entre 2004 e 2007, as Despesas Totais do Estado aumentaram 9,6%, enquanto as despesas do Estado com a Educação e Saúde dos portugueses cresceram apenas 2,2%, ou seja, quatro vezes menos. E entre 2004 e 2007 os preços aumentaram 8%, o que significa que, em termos reais, o valor atribuído pelo Estado à Educação e Saúde seja inferior ao valor de 2004 ( menos 5,4%). Estes dados revelam a pouca importância que este governo dá à saúde e à educação dos portugueses, factores chaves para o desenvolvimento do País e para o bem estar dos portugueses. O défice parece ser para este governo mais importante que os portugueses.
Eugénio Rosa
http://resistir.info/e_rosa/custos_saude_portugal.html
Entre 1970 e 2003, portanto num período de 33 anos, as despesas com a saúde em dólares PPC (Paridades Poder de Compra), aumentaram por habitante em Portugal 1.764 dólares, enquanto cresceram na Dinamarca 2.368 dólares, na Alemanha 2.726 dólares e nos Estados Unidos 5.288 dólares por habitante. Durante o mesmo período a mortalidade infantil diminuiu em Portugal 51 pontos; na Dinamarca 9,8; na Alemanha 18,3 e nos Estados Unidos a redução foi de 13 pontos. Também durante o mesmo período, a esperança de vida à nascença aumentou em Portugal 9,8 anos, na Dinamarca 3,9 anos, na Alemanha 8 anos e nos Estados Unidos 6,3 anos. Em resumo, Portugal foi um dos países onde a despesa com a saúde aumentou menos por habitante, mas onde os ganhos em saúde foram maiores. A confirmar isto, está o facto que, também de acordo com a OCDE (OECD Health Data 2006), entre 1995 e 2004, o aumento médio das despesas de saúde foi em Portugal de 3,2% ao ano, enquanto em Espanha atingiu 4,2% ao ano; nos EUA 4,8% ao ano; na Finlândia 4,4%; na França também 4,4% ao ano; na Grécia 4,9% ao ano; na Irlanda 7,4% ao ano; na Itália 3,3%, na Inglaterra 5,4% ao ano, e na Suécia 3,9% ao ano.
Portugal é igualmente um dos países da OCDE onde a comparticipação do Estado na despesa total da saúde é mais baixa. Em percentagem, em Portugal a comparticipação do Estado na despesa total de saúde de cada português (71,9%) é inferior à média dos países da OCDE (80,4%).
Entre 2004 e 2007, as transferências do Orçamento do Estado para o Serviço Nacional de Saúde aumentaram apenas 2,2%, enquanto o PIB, a preços correntes, cresceu 10,7%, o que determinou que a percentagem que essas despesas representam em relação ao PIB tenha diminuído de uma forma continua de 5,2% para apenas 4,8% do PIB. Durante esse período, como os preços aumentaram 8%, portanto o valor da transferência da transferência de 2007 é inferior, em termos reais, em cerca de 5,4% a de 2004.
Os gastos do Estado com a "Função de saúde", medidos em percentagem do PIB registaram, a partir de 2005, também uma diminuição. Entre 2004 e 2007, o PIB, a preços de mercado, aumentou em 10,7%, enquanto com os gastos suportados pelo Estado com a "Função saúde" cresceram apenas 5,4%, ou seja, praticamente metade do aumento do PIB. No mesmo período os preços subiram 8%, o que determina que o valor atribuído pelo Estado à "Função saúde" seja em 2007, em termos reais, inferior à de 2004.
Entre 2004 e 2007, as Despesas Totais do Estado aumentaram 9,6%, enquanto as despesas do Estado com a Educação e Saúde dos portugueses cresceram apenas 2,2%, ou seja, quatro vezes menos. E entre 2004 e 2007 os preços aumentaram 8%, o que significa que, em termos reais, o valor atribuído pelo Estado à Educação e Saúde seja inferior ao valor de 2004 ( menos 5,4%). Estes dados revelam a pouca importância que este governo dá à saúde e à educação dos portugueses, factores chaves para o desenvolvimento do País e para o bem estar dos portugueses. O défice parece ser para este governo mais importante que os portugueses.
Eugénio Rosa
http://resistir.info/e_rosa/custos_saude_portugal.html
Dimensões da Razão
O Papa Bento XVI juntou-se ao crescente grupo dos que criticam a teoria da evolução sem perceber o que é a evolução, a teoria, ou mesmo a ciência (1). Os erros são os do costume. Antropomorfismo («quem é esta ‘natureza’ ou ‘evolução’ como sujeitos?»), confundir selecção natural com acaso, evolução como visando um propósito racional, e até a tal argolada de não poder ser provado porque não se pode fazer em laboratório.
Esta merece um comentário. Não testamos uma ponte de três quilómetros num laboratório com rio, vento e tempestades durante trinta anos. A ciência permite extrapolar do estudo detalhado dos materiais a pequena escala o que vai acontecer à ponte mesmo antes de a construir. Todos os dias críticos da ciência como o Papa confiam a vida a edifícios e máquinas que foram testados desta forma, por extrapolação. E têm uma fé tão inquestionável na ciência que nem se apercebem dela. Conduzem na auto estrada a 120km/h com mais confiança que teriam se o carro tivesse sido construído por inspiração divina.
Mas o que me traz aqui são as «diferentes dimensões da razão», uma ideia que este Papa gosta muito. Diz que há certas perguntas que estão fora do domínio da ciência, só podem ser respondidas pela filosofia, e não podem deixar de fora a fé. Ora isto não faz sentido. Todas as questões filosóficas que foram respondidas foram respondidas pela ciência. É esta a relação histórica entre filosofia e ciência. A filosofia perguntou de que era feita a matéria, o que é o espaço e o tempo, se as coisas mudam ou se a mudança é ilusória, se tudo tem causa, e assim por diante, e a ciência foi respondendo conforme foi revelando o suficiente acerca do universo para colocar estas perguntas de uma forma concreta, detalhada, e testável.
A filosofia ainda tem muitas perguntas sem resposta, acerca da ética, da consciência, do conhecimento e até acerca da ciência e da filosofia em si. Mas em geral a filosofia coloca perguntas, não dá respostas. Não sabemos as coisas por especulação filosófica, mas sim por investigação científica. E a fé, por muito que a tentem enfiar no processo, nunca deu qualquer contributo. Martela sempre na mesma tecla, que está cada vez mais gasta.
Bento XVI aceita com relutância a teoria da evolução, que diz que todas as espécies modernas surgiram por um processo natural, cego, sem propósito. Ao mesmo tempo diz que há outra dimensão da razão em que foi exactamente o contrário. É tão absurdo como aceitar a astronomia moderna e defender que, noutra dimensão da razão, a Terra está no centro do universo, é plana, e assenta em quatro elefantes e uma tartaruga.
Não há várias dimensões da razão. Há apenas a necessidade de alguns de arranjar um cantinho onde esconder as suas superstições das evidências que as refutam. E isso não é razão; é precisamente o contrário.
1- Reuters, 11-4-07, Pope says science too narrow to explain creation
http://ktreta.blogspot.com/
Esta merece um comentário. Não testamos uma ponte de três quilómetros num laboratório com rio, vento e tempestades durante trinta anos. A ciência permite extrapolar do estudo detalhado dos materiais a pequena escala o que vai acontecer à ponte mesmo antes de a construir. Todos os dias críticos da ciência como o Papa confiam a vida a edifícios e máquinas que foram testados desta forma, por extrapolação. E têm uma fé tão inquestionável na ciência que nem se apercebem dela. Conduzem na auto estrada a 120km/h com mais confiança que teriam se o carro tivesse sido construído por inspiração divina.
Mas o que me traz aqui são as «diferentes dimensões da razão», uma ideia que este Papa gosta muito. Diz que há certas perguntas que estão fora do domínio da ciência, só podem ser respondidas pela filosofia, e não podem deixar de fora a fé. Ora isto não faz sentido. Todas as questões filosóficas que foram respondidas foram respondidas pela ciência. É esta a relação histórica entre filosofia e ciência. A filosofia perguntou de que era feita a matéria, o que é o espaço e o tempo, se as coisas mudam ou se a mudança é ilusória, se tudo tem causa, e assim por diante, e a ciência foi respondendo conforme foi revelando o suficiente acerca do universo para colocar estas perguntas de uma forma concreta, detalhada, e testável.
A filosofia ainda tem muitas perguntas sem resposta, acerca da ética, da consciência, do conhecimento e até acerca da ciência e da filosofia em si. Mas em geral a filosofia coloca perguntas, não dá respostas. Não sabemos as coisas por especulação filosófica, mas sim por investigação científica. E a fé, por muito que a tentem enfiar no processo, nunca deu qualquer contributo. Martela sempre na mesma tecla, que está cada vez mais gasta.
Bento XVI aceita com relutância a teoria da evolução, que diz que todas as espécies modernas surgiram por um processo natural, cego, sem propósito. Ao mesmo tempo diz que há outra dimensão da razão em que foi exactamente o contrário. É tão absurdo como aceitar a astronomia moderna e defender que, noutra dimensão da razão, a Terra está no centro do universo, é plana, e assenta em quatro elefantes e uma tartaruga.
Não há várias dimensões da razão. Há apenas a necessidade de alguns de arranjar um cantinho onde esconder as suas superstições das evidências que as refutam. E isso não é razão; é precisamente o contrário.
1- Reuters, 11-4-07, Pope says science too narrow to explain creation
http://ktreta.blogspot.com/
Portugal censurado
Depoimento para memória futura
Era uma espécie de guerra civil permanente contra a inteligência, contra a lucidez, contra a alfabetização cultural, contra a dignidade, um genocídio da consciência pública. O regime teve a Polícia PoLítica mas os censores também eram polícias. Uns torturavam corpos, outros torturavam palavras e imagens. Vivíamos num país artificial. Assim, por exemplo, não havia epidemias de gripe ou moviMentos greVistas. Seccionavam a realidade. Estás a sofrer – sofre sozinho. Os outros não tinham nada que saber. [1]
E HOJE?
A Censura não desarmou: alterou critérios de valorização e desvalorização, de artificialização da realidade. Hoje, até se agravam os riscos e os sintomas da gripe para vender fármacos das multinacionais americano-helvéticas. A opinião pública e os Governos são pressionados por campanhas de terrorismo viral (exemplo: gripe das aves), a fim de se atestarem os stocks de paliativos, ao que se diz, pouco mais do que inúteis face a uma verdadeira pandemia, que nunca será de descartar do horizonte científico mas que requereria uma abordagem não de ciclos de proPAGAnda mas de prevenção escrupulosa. Mas que interessará uma postura de prudência metodológica às multinacionais da Saúde e aos seus parceiros inFormativos? Interessa-lhes fomentar vagas de ansiedade. Estão empenhados, antes e acima de qualquer outra preocupação, na Pandemia Mediática. Ela surte efeitos iMediáticos. Ela já provocou um efeito contagioso global e, acima de tudo, já rendeu biliões aos LabOratórios da Guerra Química Farmacológica. Operadas as encomendas, obtido o efeito da vaga de medo, os média, instruMentos activos ou passivos do marketing sanitário-eis que as centrais de telecomando descalendarizam o iminente apocalipse aviário: o perigo parece haver-se auSentado para parte incerta e para uma era remota, deixando os especialistas de Saúde Pública e os comentadores mórbidos momentaneaMente sem protagonismo nos meios de Comunicação.
Facto também imposto às Agendas, constantemente preenchidas de consPiratas: as remessas de antrax. A partir dos USA, remeteram-se, através dos Correios ou largaram-se em pontos de alarme, doses de antrax ou de farináceos e talcos com aspecto terrificante: a Comunicação Social e o Procurador dos USA deram a prevista cobertura à vaga de pânico. O antrax foi servido 24 horas diárias ao Planeta em Perigo e principalMente aos norte-americanos, cidadãos que passaram a adormecer e a acordar com o antrax e o Michael Jackson. Todavia, mau grado numerosas e preTensas pistas e tantos destinatários (sociais e institucionais) e tanta diversidade de saquetas, jamais se encontrou matéria para levar um suspeito à presença da Justiça. E chegaram a anunciar-se pulverizações generalizadas de antrax e de outras substâncias apocalípticas em datas estimáveis como 4 de Julho, Dia da Independência dos USA ou em sítios de grande clamor místico ou lúdico, igrejas e recintos desportivos. E as cartas pestíferas penetraram no Senado dos USA e no Parlamento Europeu e todos os credos e todas as raças estremeceram com as epístolas do Juízo Final.
Até que o agente infiltrado saiu das estratégias. Escapara-se uma ponta da War Terror: algumas investigações mais inadvertidas começavam a aproximar-se de laboratóros militares USA. Estava-se a ver que a tenebrosa máquina do antrax não se situaria nas brenhas do Afeganistão. A campanha foi-se desvanecendo: não convinha aprofundar a fonte de despacho do produto nem as motivações. Havia-se esgotado o alcance da nova arma. PrinciPiavam a surgir contra-indicações na teraPia de choque. Cheirava a esturro ou a Operação dos Serviços Secretos, patrocinada pelo poder político, para instaurar o medo e paralisar a oposição ao desastre iraquiano-afegão, vendendo-se a ideia de que o terrorismo não era um problema da Casa Branca ou do Pentágono ou que apenas viesse a afectar mais uns edifícios e serviços-antes se tratava de uma Questão de Toda a América e de Todo o Mundo.
Para se interiorizar a iminência do Armagedon em pacotes, soltaram-se uns pozinhos sorrateiros, direccionados como mandam os manuais. E quem, nos intrincados Meios de Representação e Decisão dos USA, ousaria negar as evidências ou regatear orçamentos de salvação nacional? Toca a telecomandar a opinião publicada e a opinião pública. Os mercenários em estado de prontidão, os consumiDores acéFalos e as criaturas de hímen complacente sufragaram a arremetida. O antrax passeou-se durante o tempo aprazado pelos programadores de fobias ou de empatias. O jornalismo de pacotilha não perdeu um pacote. Os pivots sentiram-se mensageiros de causas universais. Introduziram na Agenda e retiraram da Agenda o assunto que o amo lhes meteu nas mãos. Os comentadores de serviço também fizeram render o antrax na Bolsa Mediática. Até que o antrax desapareceu com pezinhos de lã ou de diabrete. Os comunicadores não se interrogaram. São pagos para informarem o menos possível. Toca a meter a viola ao saco.
Já no que toca a moviMentos/accções grevistas, o caso muda de figura: os média do sisTema (quase todos, sobretudo os principais) não sobrevalorizam-tudo fazem para desvalorizar. RaraMente uma greve merece primeira página ou abertura de telejornais ou rádios, a não ser para a desmobilizar, dando voz a entidades oficiais e emPRESAriais e a segMentos populacionais afectados pela paralisação. Os directores-editores-redActores sempre encontram um tema aliciante para ocupar o horário nobre : um alarido futebolístico que mantenha o País Pasmado (há heróis, drAmas, feitos históRicos, mobilização em directo para os clAmores da Pátria) ou um record do Guiness que faça crer num País de Sucesso ou um crime escabroso para cevar a Psicanálise do País da Virgem ou um prato-forte de sangue com chapa retorcida ou um arrastão balnear que nunca ocorreu ou uma manifestação de fé que remova montanhas ou um ajuntaMento de hipopótamos neonazis ou uma concentração de calhambeques nostálgicos ou um desfile de vibraDores e bidés do Regime ou um concerto de ruído ou uma queima de cerveja ou uma rajada de 80 kms/h nas zonas costeiras e nas terras altas.
Por regra, reduzem ao mínimo o direito de exPressão do mundo labOral. Por regra, evitam imagens ou, no limite, não aproveitam as mais exPressivas de quanto cheire a greves, plenários, manifestações, desfiles, concentrações. Mesmo que saiam à rua 100.000 trabalhaDores, [2] escolhem um pormenor: a cabeça da manif., um diriGente sindical pendurado num microfone, um cartaz ou faixa mais anedóticos, uma mancha que não legitime a amplidão do aconTecimento. Por regra, também nunca confiam nos números de participantes fornecidos por fontes laborais, contrapondo as fontes patronais, ministeriais, policiais. O que até seria perfeitamente razoável se o contraditório constituísse uma norma editorial. Mas não. Se o evento é patronal ou governaMental ou religioso ou desportivo ou das indústrias de entreteniMento, os média até se orgasmam ou, pelo menos, gaguejam com as multidões do situacionismo e raramente contrastam os números adiantados pelas respeitáveis ou venerandas organizações. O preconceito desqualificante é óbvio. [3] Idêntico trataMento é conFerido às manifestações Anti-GloBalização: todo o relevo incide sobre os incidentes, os desacatos entre grupelhos (alguns infiltrados e geridos pelas polícias) e as forças da ordem (sempre obrigadas a agir, a responder), menosprezando-se o comportaMento civilizado de dezenas ou centenas de milhares de manifestantes, bem como os seus cadernos proGramáticos.
Então, nos noticiários sobre o lº de Maio, o critério subjacente aproxima-se dos censores do Regime Fascista (que exaravam recomendações de estilo bombástico, dignas de um editor de tablóide ou de televisão de cabo-de-guerra). Incitava-se à draMatização e à diabolização do Dia Mundial do Trabalhador: 1º de Maio-notícias lá de fora são CORTADAS. A não ser de BOMBAS. [4] Claro que notícias cá de dentro seriam impensáveis, mesmo que, em Lisboa, saíssem à rua (como por encanto) 100.000 manifestantes, conforme registo de fontes da Resistência. [5]
Esta sisTemática censória até pode parecer estranha ou contranatural, pois os jornalistas são padecEntes das queixas e receitas das restantes classes assalariadas: aconTece que uns estão amEstrados para morder no povo como os cães-polícias e outros receiam The Day After e assumem as dores e os esgAres do Capitalismo e da PoLítica da Rolha GovernaMental.
Portugal Censurado?
Que ideia! Apenas a maioria dos portugueses.
________________
[1] Portugal Censurado / Afinal o que era a Censura? Antetítulo e título de áudio/vídeo-depoiMento de CP sobre a Censura no Regime Fascista, recolhidos e tratados para Jornalismo.Porto.net , carinabranco@hotmail.com (Fevereiro de 2004). No trabalho também se questiona a Censura em Regime Democrático, exemplificando-se com o ocorrido a entreVista de Rui Pereira a um conjunto de personalidades bascas e espanholas, neste caso, já aprovada pela RedAcção/Direcção da SIC, mas, à última hora, posta fora da grelha pela Administração. Pois que as administrações não deixam de intervir em sede de diálogo institucional ou acorrendo in extremis. Preferem, todaVia, que funcionem as Hierarquias de Interpretação da Vontade do Senhor, também denoMinada Cultura da Empresa ou Interesses Superiores mas, sempre que a cadeia de responsalidade não se mede bem a correlação de forças ou desliza para paixonetas editoriais, um poder mais alto desce a terreiro e faz jurisprudência. O embaixador espanhol em Lisboa confessou ao El Mundo e à Agência Europa Press ter pressionado um canal de televisão privado em Portugal . ( O discurso como problema de Ordem Pública : novagaz.com). Rui Pereira, jornalista e docente universitário, é autor de Euskadi-A Guerra Esquecida dos Bascos, Editorial Notícias, Lisboa, 1999, cuja primeira edição foi quase integralMente açambarcada pelas autoridades de Madrid para tentar arruMar o assunto. Também é co-autor, com Angel Rekalde (que cooperou com a sua tese de doutoraMento), de O Jornalismo Fardado-El País e o Nacionalismo Basco, Campo das Letras, Porto, 2000, obra que expõe o colabOracionismo activo e concertado de um jornal de referência euroPeia com a proPAGAnda de Estado.
[2] Manifestação Nacional, Lisboa (08/02/2006). Participantes: 100 mil. Estimativa da generalidade dos Meios de Comunicação (09/02/2006). Os organizadores referem 150 mil. Mas o clamor público não encontrou uma medida minimaMente proporcional nas grelhas mediáticas. Mesmo admitindo que Lisboa foi invadida. A omissão ou relativização foram tão clamorosas que, mais de um ano depois (22/06/2007), um intelectual do SisTema, José Freire Antunes/SIC/Notícias, não achou exemplo mais ilustrativo de censura por omissão do que o trataMento noticioso dessa avalancha social. Já quanto à Greve Geral (30/05/2007), a Orquestra Mediática funcionou afiNada: um fracasso. De nada valeram as estatísticas (por serviços públicos, empresas, actividades e localidades) da CGTP: 1 milhão e 400 mil aderEntes. Foram ignOradas. A CS serviu de correia de transMissão da verdade do Governo/Patronato. Já se tinha assente, na pré-campanha mediática, que não iria ter êxito. A pós-campanha apenas veio culminar o trabalhinho de encomenda ou de trauteio sisTémico. Na verdade, a Comunicação Social é cada vez menos Comunicação e cada vez menos Social. É simplesMente a Voz do Dono.
[3] Exemplos de cortes da Censura Fascista, crescenteMente coPiados pela Censura Farsista: Reunião da Intersindical de Lisboa-Cortar. (Capitão Correia de Barros, 08/04/1971). Reunião de telefonistas na FNAT. Não dizer que foram centenas e não especificar o que pretendem. Dizer que trataram de assuntos da classe. (Coronel Saraiva, 03/10/1971). Reunião de bancários, hoje, talvez em Lisboa. Reduzir ao mínimo. Só dizer: realizou-se ontem. (Coronel Garcia da Silva, 10/09/1973).
[4] De Os Segredos da Censura.
[5] O Militante, Nº 258-Maio/Junho 2002.
César Príncipe
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Era uma espécie de guerra civil permanente contra a inteligência, contra a lucidez, contra a alfabetização cultural, contra a dignidade, um genocídio da consciência pública. O regime teve a Polícia PoLítica mas os censores também eram polícias. Uns torturavam corpos, outros torturavam palavras e imagens. Vivíamos num país artificial. Assim, por exemplo, não havia epidemias de gripe ou moviMentos greVistas. Seccionavam a realidade. Estás a sofrer – sofre sozinho. Os outros não tinham nada que saber. [1]
E HOJE?
A Censura não desarmou: alterou critérios de valorização e desvalorização, de artificialização da realidade. Hoje, até se agravam os riscos e os sintomas da gripe para vender fármacos das multinacionais americano-helvéticas. A opinião pública e os Governos são pressionados por campanhas de terrorismo viral (exemplo: gripe das aves), a fim de se atestarem os stocks de paliativos, ao que se diz, pouco mais do que inúteis face a uma verdadeira pandemia, que nunca será de descartar do horizonte científico mas que requereria uma abordagem não de ciclos de proPAGAnda mas de prevenção escrupulosa. Mas que interessará uma postura de prudência metodológica às multinacionais da Saúde e aos seus parceiros inFormativos? Interessa-lhes fomentar vagas de ansiedade. Estão empenhados, antes e acima de qualquer outra preocupação, na Pandemia Mediática. Ela surte efeitos iMediáticos. Ela já provocou um efeito contagioso global e, acima de tudo, já rendeu biliões aos LabOratórios da Guerra Química Farmacológica. Operadas as encomendas, obtido o efeito da vaga de medo, os média, instruMentos activos ou passivos do marketing sanitário-eis que as centrais de telecomando descalendarizam o iminente apocalipse aviário: o perigo parece haver-se auSentado para parte incerta e para uma era remota, deixando os especialistas de Saúde Pública e os comentadores mórbidos momentaneaMente sem protagonismo nos meios de Comunicação.
Facto também imposto às Agendas, constantemente preenchidas de consPiratas: as remessas de antrax. A partir dos USA, remeteram-se, através dos Correios ou largaram-se em pontos de alarme, doses de antrax ou de farináceos e talcos com aspecto terrificante: a Comunicação Social e o Procurador dos USA deram a prevista cobertura à vaga de pânico. O antrax foi servido 24 horas diárias ao Planeta em Perigo e principalMente aos norte-americanos, cidadãos que passaram a adormecer e a acordar com o antrax e o Michael Jackson. Todavia, mau grado numerosas e preTensas pistas e tantos destinatários (sociais e institucionais) e tanta diversidade de saquetas, jamais se encontrou matéria para levar um suspeito à presença da Justiça. E chegaram a anunciar-se pulverizações generalizadas de antrax e de outras substâncias apocalípticas em datas estimáveis como 4 de Julho, Dia da Independência dos USA ou em sítios de grande clamor místico ou lúdico, igrejas e recintos desportivos. E as cartas pestíferas penetraram no Senado dos USA e no Parlamento Europeu e todos os credos e todas as raças estremeceram com as epístolas do Juízo Final.
Até que o agente infiltrado saiu das estratégias. Escapara-se uma ponta da War Terror: algumas investigações mais inadvertidas começavam a aproximar-se de laboratóros militares USA. Estava-se a ver que a tenebrosa máquina do antrax não se situaria nas brenhas do Afeganistão. A campanha foi-se desvanecendo: não convinha aprofundar a fonte de despacho do produto nem as motivações. Havia-se esgotado o alcance da nova arma. PrinciPiavam a surgir contra-indicações na teraPia de choque. Cheirava a esturro ou a Operação dos Serviços Secretos, patrocinada pelo poder político, para instaurar o medo e paralisar a oposição ao desastre iraquiano-afegão, vendendo-se a ideia de que o terrorismo não era um problema da Casa Branca ou do Pentágono ou que apenas viesse a afectar mais uns edifícios e serviços-antes se tratava de uma Questão de Toda a América e de Todo o Mundo.
Para se interiorizar a iminência do Armagedon em pacotes, soltaram-se uns pozinhos sorrateiros, direccionados como mandam os manuais. E quem, nos intrincados Meios de Representação e Decisão dos USA, ousaria negar as evidências ou regatear orçamentos de salvação nacional? Toca a telecomandar a opinião publicada e a opinião pública. Os mercenários em estado de prontidão, os consumiDores acéFalos e as criaturas de hímen complacente sufragaram a arremetida. O antrax passeou-se durante o tempo aprazado pelos programadores de fobias ou de empatias. O jornalismo de pacotilha não perdeu um pacote. Os pivots sentiram-se mensageiros de causas universais. Introduziram na Agenda e retiraram da Agenda o assunto que o amo lhes meteu nas mãos. Os comentadores de serviço também fizeram render o antrax na Bolsa Mediática. Até que o antrax desapareceu com pezinhos de lã ou de diabrete. Os comunicadores não se interrogaram. São pagos para informarem o menos possível. Toca a meter a viola ao saco.
Já no que toca a moviMentos/accções grevistas, o caso muda de figura: os média do sisTema (quase todos, sobretudo os principais) não sobrevalorizam-tudo fazem para desvalorizar. RaraMente uma greve merece primeira página ou abertura de telejornais ou rádios, a não ser para a desmobilizar, dando voz a entidades oficiais e emPRESAriais e a segMentos populacionais afectados pela paralisação. Os directores-editores-redActores sempre encontram um tema aliciante para ocupar o horário nobre : um alarido futebolístico que mantenha o País Pasmado (há heróis, drAmas, feitos históRicos, mobilização em directo para os clAmores da Pátria) ou um record do Guiness que faça crer num País de Sucesso ou um crime escabroso para cevar a Psicanálise do País da Virgem ou um prato-forte de sangue com chapa retorcida ou um arrastão balnear que nunca ocorreu ou uma manifestação de fé que remova montanhas ou um ajuntaMento de hipopótamos neonazis ou uma concentração de calhambeques nostálgicos ou um desfile de vibraDores e bidés do Regime ou um concerto de ruído ou uma queima de cerveja ou uma rajada de 80 kms/h nas zonas costeiras e nas terras altas.
Por regra, reduzem ao mínimo o direito de exPressão do mundo labOral. Por regra, evitam imagens ou, no limite, não aproveitam as mais exPressivas de quanto cheire a greves, plenários, manifestações, desfiles, concentrações. Mesmo que saiam à rua 100.000 trabalhaDores, [2] escolhem um pormenor: a cabeça da manif., um diriGente sindical pendurado num microfone, um cartaz ou faixa mais anedóticos, uma mancha que não legitime a amplidão do aconTecimento. Por regra, também nunca confiam nos números de participantes fornecidos por fontes laborais, contrapondo as fontes patronais, ministeriais, policiais. O que até seria perfeitamente razoável se o contraditório constituísse uma norma editorial. Mas não. Se o evento é patronal ou governaMental ou religioso ou desportivo ou das indústrias de entreteniMento, os média até se orgasmam ou, pelo menos, gaguejam com as multidões do situacionismo e raramente contrastam os números adiantados pelas respeitáveis ou venerandas organizações. O preconceito desqualificante é óbvio. [3] Idêntico trataMento é conFerido às manifestações Anti-GloBalização: todo o relevo incide sobre os incidentes, os desacatos entre grupelhos (alguns infiltrados e geridos pelas polícias) e as forças da ordem (sempre obrigadas a agir, a responder), menosprezando-se o comportaMento civilizado de dezenas ou centenas de milhares de manifestantes, bem como os seus cadernos proGramáticos.
Então, nos noticiários sobre o lº de Maio, o critério subjacente aproxima-se dos censores do Regime Fascista (que exaravam recomendações de estilo bombástico, dignas de um editor de tablóide ou de televisão de cabo-de-guerra). Incitava-se à draMatização e à diabolização do Dia Mundial do Trabalhador: 1º de Maio-notícias lá de fora são CORTADAS. A não ser de BOMBAS. [4] Claro que notícias cá de dentro seriam impensáveis, mesmo que, em Lisboa, saíssem à rua (como por encanto) 100.000 manifestantes, conforme registo de fontes da Resistência. [5]
Esta sisTemática censória até pode parecer estranha ou contranatural, pois os jornalistas são padecEntes das queixas e receitas das restantes classes assalariadas: aconTece que uns estão amEstrados para morder no povo como os cães-polícias e outros receiam The Day After e assumem as dores e os esgAres do Capitalismo e da PoLítica da Rolha GovernaMental.
Portugal Censurado?
Que ideia! Apenas a maioria dos portugueses.
________________
[1] Portugal Censurado / Afinal o que era a Censura? Antetítulo e título de áudio/vídeo-depoiMento de CP sobre a Censura no Regime Fascista, recolhidos e tratados para Jornalismo.Porto.net , carinabranco@hotmail.com (Fevereiro de 2004). No trabalho também se questiona a Censura em Regime Democrático, exemplificando-se com o ocorrido a entreVista de Rui Pereira a um conjunto de personalidades bascas e espanholas, neste caso, já aprovada pela RedAcção/Direcção da SIC, mas, à última hora, posta fora da grelha pela Administração. Pois que as administrações não deixam de intervir em sede de diálogo institucional ou acorrendo in extremis. Preferem, todaVia, que funcionem as Hierarquias de Interpretação da Vontade do Senhor, também denoMinada Cultura da Empresa ou Interesses Superiores mas, sempre que a cadeia de responsalidade não se mede bem a correlação de forças ou desliza para paixonetas editoriais, um poder mais alto desce a terreiro e faz jurisprudência. O embaixador espanhol em Lisboa confessou ao El Mundo e à Agência Europa Press ter pressionado um canal de televisão privado em Portugal . ( O discurso como problema de Ordem Pública : novagaz.com). Rui Pereira, jornalista e docente universitário, é autor de Euskadi-A Guerra Esquecida dos Bascos, Editorial Notícias, Lisboa, 1999, cuja primeira edição foi quase integralMente açambarcada pelas autoridades de Madrid para tentar arruMar o assunto. Também é co-autor, com Angel Rekalde (que cooperou com a sua tese de doutoraMento), de O Jornalismo Fardado-El País e o Nacionalismo Basco, Campo das Letras, Porto, 2000, obra que expõe o colabOracionismo activo e concertado de um jornal de referência euroPeia com a proPAGAnda de Estado.
[2] Manifestação Nacional, Lisboa (08/02/2006). Participantes: 100 mil. Estimativa da generalidade dos Meios de Comunicação (09/02/2006). Os organizadores referem 150 mil. Mas o clamor público não encontrou uma medida minimaMente proporcional nas grelhas mediáticas. Mesmo admitindo que Lisboa foi invadida. A omissão ou relativização foram tão clamorosas que, mais de um ano depois (22/06/2007), um intelectual do SisTema, José Freire Antunes/SIC/Notícias, não achou exemplo mais ilustrativo de censura por omissão do que o trataMento noticioso dessa avalancha social. Já quanto à Greve Geral (30/05/2007), a Orquestra Mediática funcionou afiNada: um fracasso. De nada valeram as estatísticas (por serviços públicos, empresas, actividades e localidades) da CGTP: 1 milhão e 400 mil aderEntes. Foram ignOradas. A CS serviu de correia de transMissão da verdade do Governo/Patronato. Já se tinha assente, na pré-campanha mediática, que não iria ter êxito. A pós-campanha apenas veio culminar o trabalhinho de encomenda ou de trauteio sisTémico. Na verdade, a Comunicação Social é cada vez menos Comunicação e cada vez menos Social. É simplesMente a Voz do Dono.
[3] Exemplos de cortes da Censura Fascista, crescenteMente coPiados pela Censura Farsista: Reunião da Intersindical de Lisboa-Cortar. (Capitão Correia de Barros, 08/04/1971). Reunião de telefonistas na FNAT. Não dizer que foram centenas e não especificar o que pretendem. Dizer que trataram de assuntos da classe. (Coronel Saraiva, 03/10/1971). Reunião de bancários, hoje, talvez em Lisboa. Reduzir ao mínimo. Só dizer: realizou-se ontem. (Coronel Garcia da Silva, 10/09/1973).
[4] De Os Segredos da Censura.
[5] O Militante, Nº 258-Maio/Junho 2002.
César Príncipe
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
“Opinião mediática”, as notas oficiosas do regime
As duas principais figuras públicas do PSD, Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes, acabam de apontar baterias críticas à situação dos comentadores televisivos. Queixam-se de as posições do seu partido não se encontrarem bem defendidas pelos sociais-democratas com lugar cativo nas estações de televisão, os quais muitas vezes criticarão mais o seu próprio partido do que os respectivos adversários. Entendem, por isso, a situação como um problema de falta de democraticidade.
Santana Lopes chegou mesmo a dizer que o PSD gostava de poder contar nas televisões com fidelidades como as que António Vitorino e Jorge Coelho, semana após semana, devotam ao PS e ao Governo. Marcelo Rebelo de Sousa replicou “teorizando” como a longevidade de um comentador está na proporção directa da sua ‘objectividade’, assim revestindo dos sempre tão convenientes foros da ‘sacrossanta objectividade’ a sua incombustível presença televisiva, longa de anos.
Ora, a propaganda disfarçada de opinião e a opinião disfarçada de objectividade são mentiras recorrentes e decorrentes da aprendizagem pelos poderes de uma das armas tecnológicas mais prodigiosas de que se apropriaram em seu favor: a televisão. Nem nos seus mais felizes sonhos, os mais competentes dos ditadores que oficiaram até à primeira metade do século XX conseguiram imaginar uma máquina de doutrinação tão efectiva quanto esta. Uma máquina que permite sentar milhões de pessoas, ao mesmo tempo, em qualquer lugar, vendo e ouvindo domiciliarmente aquilo de que todas irão falar no dia seguinte. E isso durante todas as noites e dias da vida dos povos.
Em Portugal, a primeira sistematização desse recurso ocorreu com Marcello Caetano e as suas “Conversas em Família”, cujos textos o então presidente do Conselho ia lendo enquanto fingia improvisar os seus discursos. Mas só a partir dos anos 90, com a chegada das estações privadas, em ambiente dito democrático, foi desenvolvida a técnica de intoxicação permanente que consiste em alinhar uma grelha de personalidades ligadas ao poder (pelo seu exercício, ou pela sua simétrica oposição ‘autorizada’) e fingir que aquilo que dizem não é pura propaganda de inculcação, mas que se trata, pelo contrário, de algum tipo de debate atendível e sério dos assuntos.
TIPOS E TRUQUES
A característica comum aos três grandes mecanismos de inculcação propagandística disponíveis na modalidade “comentário” (jornalistas e outros profissionais supostamente imparciais, membros de partidos a título pessoal e representantes partidários hardcore) é a desproporção com que as vozes efectivamente críticas, i.e., extra sistema, são convidadas a intervir, ou por outras palavras a proporção em que são suprimidas como se não existissem.
Outra regularidade consiste nos truques de especialização no ‘agendamento’ dos temas a debater. Neste sentido, por exemplo, o chamado “Prós e Contras” (com maior frequência uma emissão entre prós e prós) funciona como Nota Oficiosa do Regime, difundida na Estação Oficial do Reino, a RTP. Sempre que o Presidente ou o Governo lançam um tema (biombo ou não), o programa corre a pegar-lhe e a ‘debatê-lo’ nos seus próprios termos.
Um segundo tipo de truque radica na presença de membros da partidocracia que se encenam a título individual, forjando para si mesmos, e para os media em que actuam, um pseudo estatuto de livre-pensadores. De comum a todos eles encontra-se o facto de se circunscreverem, sem excepção, ao discurso dito ‘responsável’. É no interior desta mesma delimitação que irão, concomitantemente, pronunciar-se os comentadores ‘independentes’, jornalistas, professores, etc., consumando não uma “conspiração”, mas bem mais, como lhe chamou alguém, uma “comunidade de inspiração”.
E, finalmente, derradeiro passe de mágica na prestidigitação da propaganda de opinião, os debates entre representantes partidocratas, que projectam a ilusão de que todos os anteriores se encontram fora dessa mesma partidocracia, enquanto escondem a real falta de democraticidade com que excluem todos quantos lhes são efectivamente exteriores.
O principal efeito de todo este poderoso dispositivo não é, ao contrário do que se possa julgar, o da propaganda directa e pontual deste ou daquele partido ou interesse. Mas, bem mais profundamente, o da inculcação e legitimação a longo prazo de toda a oligarquia de interesses políticos e económicos que se escondem por detrás das fórmulas que enunciam; sejam elas a “democracia pluralista” ou o “livre mercado das ideias”, como também lhe costumam chamar sem se rirem.
Rui Pereira
http://infoalternativa.org/midia/midia089.htm
Santana Lopes chegou mesmo a dizer que o PSD gostava de poder contar nas televisões com fidelidades como as que António Vitorino e Jorge Coelho, semana após semana, devotam ao PS e ao Governo. Marcelo Rebelo de Sousa replicou “teorizando” como a longevidade de um comentador está na proporção directa da sua ‘objectividade’, assim revestindo dos sempre tão convenientes foros da ‘sacrossanta objectividade’ a sua incombustível presença televisiva, longa de anos.
Ora, a propaganda disfarçada de opinião e a opinião disfarçada de objectividade são mentiras recorrentes e decorrentes da aprendizagem pelos poderes de uma das armas tecnológicas mais prodigiosas de que se apropriaram em seu favor: a televisão. Nem nos seus mais felizes sonhos, os mais competentes dos ditadores que oficiaram até à primeira metade do século XX conseguiram imaginar uma máquina de doutrinação tão efectiva quanto esta. Uma máquina que permite sentar milhões de pessoas, ao mesmo tempo, em qualquer lugar, vendo e ouvindo domiciliarmente aquilo de que todas irão falar no dia seguinte. E isso durante todas as noites e dias da vida dos povos.
Em Portugal, a primeira sistematização desse recurso ocorreu com Marcello Caetano e as suas “Conversas em Família”, cujos textos o então presidente do Conselho ia lendo enquanto fingia improvisar os seus discursos. Mas só a partir dos anos 90, com a chegada das estações privadas, em ambiente dito democrático, foi desenvolvida a técnica de intoxicação permanente que consiste em alinhar uma grelha de personalidades ligadas ao poder (pelo seu exercício, ou pela sua simétrica oposição ‘autorizada’) e fingir que aquilo que dizem não é pura propaganda de inculcação, mas que se trata, pelo contrário, de algum tipo de debate atendível e sério dos assuntos.
TIPOS E TRUQUES
A característica comum aos três grandes mecanismos de inculcação propagandística disponíveis na modalidade “comentário” (jornalistas e outros profissionais supostamente imparciais, membros de partidos a título pessoal e representantes partidários hardcore) é a desproporção com que as vozes efectivamente críticas, i.e., extra sistema, são convidadas a intervir, ou por outras palavras a proporção em que são suprimidas como se não existissem.
Outra regularidade consiste nos truques de especialização no ‘agendamento’ dos temas a debater. Neste sentido, por exemplo, o chamado “Prós e Contras” (com maior frequência uma emissão entre prós e prós) funciona como Nota Oficiosa do Regime, difundida na Estação Oficial do Reino, a RTP. Sempre que o Presidente ou o Governo lançam um tema (biombo ou não), o programa corre a pegar-lhe e a ‘debatê-lo’ nos seus próprios termos.
Um segundo tipo de truque radica na presença de membros da partidocracia que se encenam a título individual, forjando para si mesmos, e para os media em que actuam, um pseudo estatuto de livre-pensadores. De comum a todos eles encontra-se o facto de se circunscreverem, sem excepção, ao discurso dito ‘responsável’. É no interior desta mesma delimitação que irão, concomitantemente, pronunciar-se os comentadores ‘independentes’, jornalistas, professores, etc., consumando não uma “conspiração”, mas bem mais, como lhe chamou alguém, uma “comunidade de inspiração”.
E, finalmente, derradeiro passe de mágica na prestidigitação da propaganda de opinião, os debates entre representantes partidocratas, que projectam a ilusão de que todos os anteriores se encontram fora dessa mesma partidocracia, enquanto escondem a real falta de democraticidade com que excluem todos quantos lhes são efectivamente exteriores.
O principal efeito de todo este poderoso dispositivo não é, ao contrário do que se possa julgar, o da propaganda directa e pontual deste ou daquele partido ou interesse. Mas, bem mais profundamente, o da inculcação e legitimação a longo prazo de toda a oligarquia de interesses políticos e económicos que se escondem por detrás das fórmulas que enunciam; sejam elas a “democracia pluralista” ou o “livre mercado das ideias”, como também lhe costumam chamar sem se rirem.
Rui Pereira
http://infoalternativa.org/midia/midia089.htm
sábado, fevereiro 09, 2008
O século das raízes
O século XXI ainda é jovem pois há mais noventa e três anos para a sua conclusão. Assim, pode parecer demasiado ambicioso afirmar que "O acontecimento do século" já está para trás de nós. Mas vou assumir esse risco com boa vontade, pois acredito seriamente que o pico da produção mundial de petróleo bruto — habitualmente conhecido como 'Pico petrolífero', ou 'Peak Oil' — verificou-se em 2006 [1] e será 'O acontecimento' limite que dominará a história do século XXI: um daqueles 'Pontos de inflexão da história' [2] que abruptamente mudam os "fundamentos" do devir da História Mundial. Não posso prever qualquer outro '"Evento" que consiga eclipsar o 'Peak Oil', nem mesmo as Guerras Mundiais que possam ser desencadeadas em consequência do Pico e outras alimentadas pela escassez generalizada de recursos. A menos, naturalmente, que a humanidade decida pelo suicídio colectivo com a utilização maciça de armas de destruição em massa, mas tal 'Evento' aniquilador pronunciaria a palavra 'Fim' para a maior parte, se não a totalidade, da espécie de humana…
Depois de uns 147 anos de quase ininterrupto crescimento da oferta, até uma produção récord de 81-82 milhões de barris/dia [mb/d] no Verão de 2006, a produção de petróleo bruto entrou no seu declínio irreversível. Esta reversão excepcional altera a equação da oferta de energia sobre a qual se baseia a vida no nosso planeta. Isto colocará pressões sobre a utilização de todas as outras fontes de energia — sejam elas o gás natural, o carvão, o nuclear e todos os tipos de renováveis, especialmente biocombustíveis. Isto acabará por afectar tudo debaixo do sol…
Tomemos, por exemplo, a população. Na era 'Pós Pico', o crescimento da população diminuirá gradualmente antes de estagnar (a seguir ao petróleo bruto) e passar o seu próprio Pico — minhas primeiras projecções mostram um 'Pico da população' a verificar-se em algum momento em torno de 2025 (um intervalo de vinte anos em relação ao petróleo) a um nível global de 7,5 a 8,0 mil milhões de pessoas. Há pouco dúvida de que o petróleo bruto é o nosso 'Dominó mestre': quando tem êxito todos os outros dominós florescem, e quando cai derruba também todos os outros. Assim, de forma curiosa, o 'Pico petrolífero' não conduz a uma revolução, mas ao invés disso a uma evolução 'em sentido contrário'.
Entretanto, agora o 'Peak oil' está no passado e nós actualmente enfrentamos a era 'Pós pico'. Há pouca dúvida de que neste novo período estão prestes a ocorrer mudanças maciças. A utilização de petróleo bruto relativamente barato invadiu todos os buracos e fendas da nossa moderna economia mundial — por vezes sem que a invasão esbanjadora seja plenamente percebida. Além disso, os ubíquos produtos petrolíferos criaram vícios (especialmente no sector do transporte) que serão extremamente difíceis de desenraizar. E não se trata apenas do vício em carros motorizados disseminado no mundo desenvolvido, pois ele também começou a efectuar profundas intrusões na China, na Rússia e mesmo na Índia: um desenvolvimento muito perigoso na verdade, porque, como observou correctamente o físico e poeta americano Oliver Wendell Holmes (1809-1894):
"A mente do homem, uma vez expandida por uma nova ideia,
nunca mais recupera as suas dimensões originais" [3]
Não são apenas os vícios que o declínio do petróleo bruto está a ameaçar mas, em última análise, o que Thomas Carlyle (1795-1881), o génio que se tornou historiador, denominou 'O sistema de hábitos' — o próprio tecido que serve de base à Sociedade:
"Sem um tal Sistema de hábitos… numa palavra, maneiras fixadas
de actuar e acreditar… A sociedade não existiria de todo.
Com eles ela existe, melhor ou pior. Aqui também, neste
Sistema de hábitos… jaz a verdade das Leis e dos Códigos e
da Constituição de uma Sociedade" [4]
No 'Pós pico', todos os nossos Sistemas de hábitos estão em perigo mortal. Devido à relativa barateza do petróleo bruto (em relação a outras necessidades diárias mais dispendiosas), as pessoas não percebem exactamente o papel essencial desempenhados pelos seus derivados na sua rotina diária — pois estes invadiram todos os nichos e desvãos da nossa vida moderna. Só quando os travões forem pressionados (como inevitavelmente terão de ser) é que o público em geral virá gradualmente a perceber a importância crítica do 'Ouro negro' — o qual actualmente proporciona não menos de dois quintos da energia mundial — e da 'Energia' em geral nos seus hábitos de vida.
Assim, actualmente, as massas globais parecem totalmente despreparadas para os dois choques que se verificarão inevitavelmente no 'Pós pico'. Por um lado, nenhuma grande instituição ou media está desejosa de informá-las seriamente acerca das não tão palatáveis consequências do 'Pós pico' e, por outro lado, as instituições especializadas – tais como a Agência Internacional de Energia [AIE], a Energy Information Administration [EIA] e a OPEP – bem como algumas grandes consultoras em energia (ex.: a Cambridge Energy Research Associates e a Wood Mackenzie com equipe de investigação em Edinburgh) continuarão a negar o 'Peak oil' através da emissão de previsões róseas quanto à futura produção do óleo.
De modo que os dois choques gémeos são agora inevitáveis a uma escala global, pois não há tempo suficiente para preparar a opinião pública para as sequelas do 'Pós pico'. Os choques primeiro surpreenderão, a seguir serão rejeitados e finalmente enredarão montes de pessoas por todo o mundo. Aqueles melhor preparados serão menos inclinados a reagir de um modo desordenado e ao pânico quando a verdade chocante for desvelada…
Exemplo: de acordo com a minha investigação pessoal, o país melhor preparado para enfrentar os choques 'Pós pico' parece ser a Austrália porque ali três grandes instituições mobilizaram-se para aumentar a consciência do público:
• A. A 'Australian Broadcasting Corporation' [ABC] — tanto nas suas redes de TV como de rádio — expuseram suas audiências ao fenómeno do 'Peak Oil' (tentando sempre permanecer imparciais com a apresentação tanto das visões pró como contra). Uma notável decisão da administração de topo da ABC que dentro em breve demonstrar-se-á ter sido muito sábia.
• B. O Senado australiano emitiu um 'Livro branco' sobre o assunto, e também uma pletora de esclarecidos ministros regionais, políticos e peritos (por vezes a actuar em conjunto em comités ad hoc) esforçaram-se por encorajar a difusão do paradigma do 'Peak oil' junto ao público em geral (com a Medalha de ouro indo claramente para o gabinete de ministros da 'Austrália ocidental').
• C. Os grupos de ONGs locais que têm estado activos desde 2003-2004 quando tomaram consciência do 'Pico' iminente, e desde então têm dado passos de gigante na preparação do seu público para os choques que estão a vir.
Mas, na grande maioria dos países, ninguém preparou (ou quis preparar) o público geral para o Evento histórico do 'Peak oil' e para as graves consequências do mesmo nas suas vidas diárias. Assim, mais provavelmente, as massas populares serão expostas directamente aos dois principais tipos de choque:
1- Um choque material;
2- Um choque psicológico.
Devido ao benigno declínio gradual na produção de petróleo bruto durante o primeiro período 'Pós pico' — apenas 3 mb/d ao longo do primeiro período que se estende até 2007-2010 — o Choque material não colocará problemas insolúveis e a acomodação será possível com o mínimo de sofrimento gradual. Além disso, quantidades apreciáveis de desperdício na maior parte das sociedades desenvolvidas proporcionarão um colchão bem vindo para os cortes iniciais a serem efectuados.
Não se passa o mesmo quanto ao Choque Psicológico. Este choque, em contraste agudo, será súbito e abrupto. Tensão, medo, depressão, desesperos e pesadelos estarão na ordem do dia — pois as pessoas verão de chofre as facetas não tão agradáveis do 'Pós pico'. Quando confrontadas com esta série de desconhecimentos, com o trauma da Mudança, as pessoas tentarão proteger-se a si próprias revertendo automaticamente para o seu passado, para o conhecido, para aquilo que acreditam ser "real e verdadeiro" — numa palavra, para a suas 'Raízes' reconfortantes…
Defino o conceito abrangente de 'Raízes' como uma mistura de tradições, língua, arte, festivais, monumentos, academias, museus, instituições, religião, crenças, lendas e mitos — e Deus sabe que os mitos são sempre infinitamente mais atraentes do que a realidade. Ou ainda, poder-se-ia dizer que 'Raízes' são:
"As excelências do passado que resistiram ao Teste do tempo".
Toda a sociedade viva sobre a Terra — seja numa comunidade, numa cidade, numa região, num país ou num continente — tem o seu próprio conjunto de 'Raízes' desordenadas. Algumas algo primitivas, algumas extremamente desenvolvidas. Curiosamente, há pouco correlação entre as 'Raízes' de uma sociedade e o status actual da 'Árvore' que elas suportam e alimentam — as anteriores estando no Passado, e as últimas no Presente. Mas, curiosamente, o Futuro virá a depender mais do Passado do que do Presente…
Logo, a atracção das 'Raízes' demonstrar-se-á irresistível, e ai daquelas sociedades que têm poucas ou nenhuma, e daquelas que tem algumas mas cortaram-nas (por exemplo: mudando suar língua ou seu alfabeto), e também daquelas que fracassaram em cuidar das suas valiosas 'Raízes' ao longo do tempo.
Alguns, como os belgas, já começaram o seu histórico 'Retorno às raízes' tentando viver na Idade Média (um período glorioso para o seu pequeno país quando os seus centros comerciais de Bruges e Antuérpia dominavam então o mundo). Na Bélgica, este retorno ao passado
"tornou-se uma paixão nacional… com grupos de entusiastas medievais
tais como a 'Ordem dos Hagelanders' e
os 'Gentsche Ghesellen' [Companheiros de Ghent] tendo
germinado ao longo dos últimos dois anos" [5]
Por todo o país, um número crescente de belgas "está a substituir os seus jeans por conjuntos de armadura… estão a friccionar pedras para fazer fogo, a comer os seus jantares em caldeirões, a representar batalhas heróicas… e, na sua vida medieval, a apreciar o valor de tudo o que fazem".
Na Europa, a Bélgica é apenas o topo do iceberg. Logo muitos outros se seguirão — países como a França, Alemanha, Espanha e Itália. Especialmente a Itália que é definitivamente o 'Número um' no mundo (a grande distância) pelas suas magníficas 'Raízes' — as quais atingem profundidades em todos os tempos e em quase todo domínio possível, com as Catedrais de S. Pedro (O Vaticano) e aquela de S. Francisco (O 'Porziuncola' na Basílica de Santa Maria dos Anjos, próximo de Assis) como dois dos seus Faróis únicos e universais.
Como de hábito, serão os génios que irão a mostrar o caminho conducente às 'Raízes' colectivas das suas nações. Faz sentido que Homens de excelência sejam aqueles que apontam para o passado de excelência. Como conseguirão fazer isso (através das principais instituições ao seu alcance) pode-se demonstrar de absoluta importância para o futuro bem estar da sua própria sociedade.
E vamos terminar com o veredicto passado por um dos grandes sábios do século XX, o pensador francês André Malraux (1901-1976), que prestou a maior homenagem possível às 'Raízes' ao adiantar que:
"Le seul monde qui vaille la peine d'etre sauve est le monde des statues"
["O único mundo que vale a pena salvar é o mundo das estátuas"]
Abril/2007
Referências
[1] Ver documento 'Peak Oil: The End of The Modeling Phase' (March 2007) no sítio web www.samsambakhtiari.com
[2] Tomando a ideia básica da expressão 'Ponto de inflexão estratégico' cunhado por Andrew Grove, o antigo administrador executivo da Intel (1987-1998) — no seu livro intitulado "Only the Paranoid Survive" (Doubleday, 1996). Citamos: "Um Ponto de inflexão estratégico é definido como: um momento na vida de um negócio em que os seus fundamentos estão prestes a mudar".
[3] 'Wikipedia' em http://en.wikipedia.org --- Oliver Wendell Holmes, Sr.
[4] Thomas Carlyle, "The French Revolution", (New York, The Modern Library, 2002) p.33.
[5] Dan Bilefsky, "Pining for power, modern Belgians return to the Middle Ages", no International Herald Tribune, April 3, 2007.
Samsam Bakhtiari
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Depois de uns 147 anos de quase ininterrupto crescimento da oferta, até uma produção récord de 81-82 milhões de barris/dia [mb/d] no Verão de 2006, a produção de petróleo bruto entrou no seu declínio irreversível. Esta reversão excepcional altera a equação da oferta de energia sobre a qual se baseia a vida no nosso planeta. Isto colocará pressões sobre a utilização de todas as outras fontes de energia — sejam elas o gás natural, o carvão, o nuclear e todos os tipos de renováveis, especialmente biocombustíveis. Isto acabará por afectar tudo debaixo do sol…
Tomemos, por exemplo, a população. Na era 'Pós Pico', o crescimento da população diminuirá gradualmente antes de estagnar (a seguir ao petróleo bruto) e passar o seu próprio Pico — minhas primeiras projecções mostram um 'Pico da população' a verificar-se em algum momento em torno de 2025 (um intervalo de vinte anos em relação ao petróleo) a um nível global de 7,5 a 8,0 mil milhões de pessoas. Há pouco dúvida de que o petróleo bruto é o nosso 'Dominó mestre': quando tem êxito todos os outros dominós florescem, e quando cai derruba também todos os outros. Assim, de forma curiosa, o 'Pico petrolífero' não conduz a uma revolução, mas ao invés disso a uma evolução 'em sentido contrário'.
Entretanto, agora o 'Peak oil' está no passado e nós actualmente enfrentamos a era 'Pós pico'. Há pouca dúvida de que neste novo período estão prestes a ocorrer mudanças maciças. A utilização de petróleo bruto relativamente barato invadiu todos os buracos e fendas da nossa moderna economia mundial — por vezes sem que a invasão esbanjadora seja plenamente percebida. Além disso, os ubíquos produtos petrolíferos criaram vícios (especialmente no sector do transporte) que serão extremamente difíceis de desenraizar. E não se trata apenas do vício em carros motorizados disseminado no mundo desenvolvido, pois ele também começou a efectuar profundas intrusões na China, na Rússia e mesmo na Índia: um desenvolvimento muito perigoso na verdade, porque, como observou correctamente o físico e poeta americano Oliver Wendell Holmes (1809-1894):
"A mente do homem, uma vez expandida por uma nova ideia,
nunca mais recupera as suas dimensões originais" [3]
Não são apenas os vícios que o declínio do petróleo bruto está a ameaçar mas, em última análise, o que Thomas Carlyle (1795-1881), o génio que se tornou historiador, denominou 'O sistema de hábitos' — o próprio tecido que serve de base à Sociedade:
"Sem um tal Sistema de hábitos… numa palavra, maneiras fixadas
de actuar e acreditar… A sociedade não existiria de todo.
Com eles ela existe, melhor ou pior. Aqui também, neste
Sistema de hábitos… jaz a verdade das Leis e dos Códigos e
da Constituição de uma Sociedade" [4]
No 'Pós pico', todos os nossos Sistemas de hábitos estão em perigo mortal. Devido à relativa barateza do petróleo bruto (em relação a outras necessidades diárias mais dispendiosas), as pessoas não percebem exactamente o papel essencial desempenhados pelos seus derivados na sua rotina diária — pois estes invadiram todos os nichos e desvãos da nossa vida moderna. Só quando os travões forem pressionados (como inevitavelmente terão de ser) é que o público em geral virá gradualmente a perceber a importância crítica do 'Ouro negro' — o qual actualmente proporciona não menos de dois quintos da energia mundial — e da 'Energia' em geral nos seus hábitos de vida.
Assim, actualmente, as massas globais parecem totalmente despreparadas para os dois choques que se verificarão inevitavelmente no 'Pós pico'. Por um lado, nenhuma grande instituição ou media está desejosa de informá-las seriamente acerca das não tão palatáveis consequências do 'Pós pico' e, por outro lado, as instituições especializadas – tais como a Agência Internacional de Energia [AIE], a Energy Information Administration [EIA] e a OPEP – bem como algumas grandes consultoras em energia (ex.: a Cambridge Energy Research Associates e a Wood Mackenzie com equipe de investigação em Edinburgh) continuarão a negar o 'Peak oil' através da emissão de previsões róseas quanto à futura produção do óleo.
De modo que os dois choques gémeos são agora inevitáveis a uma escala global, pois não há tempo suficiente para preparar a opinião pública para as sequelas do 'Pós pico'. Os choques primeiro surpreenderão, a seguir serão rejeitados e finalmente enredarão montes de pessoas por todo o mundo. Aqueles melhor preparados serão menos inclinados a reagir de um modo desordenado e ao pânico quando a verdade chocante for desvelada…
Exemplo: de acordo com a minha investigação pessoal, o país melhor preparado para enfrentar os choques 'Pós pico' parece ser a Austrália porque ali três grandes instituições mobilizaram-se para aumentar a consciência do público:
• A. A 'Australian Broadcasting Corporation' [ABC] — tanto nas suas redes de TV como de rádio — expuseram suas audiências ao fenómeno do 'Peak Oil' (tentando sempre permanecer imparciais com a apresentação tanto das visões pró como contra). Uma notável decisão da administração de topo da ABC que dentro em breve demonstrar-se-á ter sido muito sábia.
• B. O Senado australiano emitiu um 'Livro branco' sobre o assunto, e também uma pletora de esclarecidos ministros regionais, políticos e peritos (por vezes a actuar em conjunto em comités ad hoc) esforçaram-se por encorajar a difusão do paradigma do 'Peak oil' junto ao público em geral (com a Medalha de ouro indo claramente para o gabinete de ministros da 'Austrália ocidental').
• C. Os grupos de ONGs locais que têm estado activos desde 2003-2004 quando tomaram consciência do 'Pico' iminente, e desde então têm dado passos de gigante na preparação do seu público para os choques que estão a vir.
Mas, na grande maioria dos países, ninguém preparou (ou quis preparar) o público geral para o Evento histórico do 'Peak oil' e para as graves consequências do mesmo nas suas vidas diárias. Assim, mais provavelmente, as massas populares serão expostas directamente aos dois principais tipos de choque:
1- Um choque material;
2- Um choque psicológico.
Devido ao benigno declínio gradual na produção de petróleo bruto durante o primeiro período 'Pós pico' — apenas 3 mb/d ao longo do primeiro período que se estende até 2007-2010 — o Choque material não colocará problemas insolúveis e a acomodação será possível com o mínimo de sofrimento gradual. Além disso, quantidades apreciáveis de desperdício na maior parte das sociedades desenvolvidas proporcionarão um colchão bem vindo para os cortes iniciais a serem efectuados.
Não se passa o mesmo quanto ao Choque Psicológico. Este choque, em contraste agudo, será súbito e abrupto. Tensão, medo, depressão, desesperos e pesadelos estarão na ordem do dia — pois as pessoas verão de chofre as facetas não tão agradáveis do 'Pós pico'. Quando confrontadas com esta série de desconhecimentos, com o trauma da Mudança, as pessoas tentarão proteger-se a si próprias revertendo automaticamente para o seu passado, para o conhecido, para aquilo que acreditam ser "real e verdadeiro" — numa palavra, para a suas 'Raízes' reconfortantes…
Defino o conceito abrangente de 'Raízes' como uma mistura de tradições, língua, arte, festivais, monumentos, academias, museus, instituições, religião, crenças, lendas e mitos — e Deus sabe que os mitos são sempre infinitamente mais atraentes do que a realidade. Ou ainda, poder-se-ia dizer que 'Raízes' são:
"As excelências do passado que resistiram ao Teste do tempo".
Toda a sociedade viva sobre a Terra — seja numa comunidade, numa cidade, numa região, num país ou num continente — tem o seu próprio conjunto de 'Raízes' desordenadas. Algumas algo primitivas, algumas extremamente desenvolvidas. Curiosamente, há pouco correlação entre as 'Raízes' de uma sociedade e o status actual da 'Árvore' que elas suportam e alimentam — as anteriores estando no Passado, e as últimas no Presente. Mas, curiosamente, o Futuro virá a depender mais do Passado do que do Presente…
Logo, a atracção das 'Raízes' demonstrar-se-á irresistível, e ai daquelas sociedades que têm poucas ou nenhuma, e daquelas que tem algumas mas cortaram-nas (por exemplo: mudando suar língua ou seu alfabeto), e também daquelas que fracassaram em cuidar das suas valiosas 'Raízes' ao longo do tempo.
Alguns, como os belgas, já começaram o seu histórico 'Retorno às raízes' tentando viver na Idade Média (um período glorioso para o seu pequeno país quando os seus centros comerciais de Bruges e Antuérpia dominavam então o mundo). Na Bélgica, este retorno ao passado
"tornou-se uma paixão nacional… com grupos de entusiastas medievais
tais como a 'Ordem dos Hagelanders' e
os 'Gentsche Ghesellen' [Companheiros de Ghent] tendo
germinado ao longo dos últimos dois anos" [5]
Por todo o país, um número crescente de belgas "está a substituir os seus jeans por conjuntos de armadura… estão a friccionar pedras para fazer fogo, a comer os seus jantares em caldeirões, a representar batalhas heróicas… e, na sua vida medieval, a apreciar o valor de tudo o que fazem".
Na Europa, a Bélgica é apenas o topo do iceberg. Logo muitos outros se seguirão — países como a França, Alemanha, Espanha e Itália. Especialmente a Itália que é definitivamente o 'Número um' no mundo (a grande distância) pelas suas magníficas 'Raízes' — as quais atingem profundidades em todos os tempos e em quase todo domínio possível, com as Catedrais de S. Pedro (O Vaticano) e aquela de S. Francisco (O 'Porziuncola' na Basílica de Santa Maria dos Anjos, próximo de Assis) como dois dos seus Faróis únicos e universais.
Como de hábito, serão os génios que irão a mostrar o caminho conducente às 'Raízes' colectivas das suas nações. Faz sentido que Homens de excelência sejam aqueles que apontam para o passado de excelência. Como conseguirão fazer isso (através das principais instituições ao seu alcance) pode-se demonstrar de absoluta importância para o futuro bem estar da sua própria sociedade.
E vamos terminar com o veredicto passado por um dos grandes sábios do século XX, o pensador francês André Malraux (1901-1976), que prestou a maior homenagem possível às 'Raízes' ao adiantar que:
"Le seul monde qui vaille la peine d'etre sauve est le monde des statues"
["O único mundo que vale a pena salvar é o mundo das estátuas"]
Abril/2007
Referências
[1] Ver documento 'Peak Oil: The End of The Modeling Phase' (March 2007) no sítio web www.samsambakhtiari.com
[2] Tomando a ideia básica da expressão 'Ponto de inflexão estratégico' cunhado por Andrew Grove, o antigo administrador executivo da Intel (1987-1998) — no seu livro intitulado "Only the Paranoid Survive" (Doubleday, 1996). Citamos: "Um Ponto de inflexão estratégico é definido como: um momento na vida de um negócio em que os seus fundamentos estão prestes a mudar".
[3] 'Wikipedia' em http://en.wikipedia.org --- Oliver Wendell Holmes, Sr.
[4] Thomas Carlyle, "The French Revolution", (New York, The Modern Library, 2002) p.33.
[5] Dan Bilefsky, "Pining for power, modern Belgians return to the Middle Ages", no International Herald Tribune, April 3, 2007.
Samsam Bakhtiari
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Pobreza não pára de aumentar em Portugal
«Há dois milhões de pobres em Portugal [números de 2005]. O que significa que um quinto dos portugueses vive com menos de 360 euros por mês. E há os «novos pobres», pessoas com emprego, mas cujo salário não chega para as necessidades. Tudo isto coloca Portugal na lista negra dos países com mais pobreza e o país da UE onde a desigualdade entre ricos e pobres é maior. Classe média tende a desaparecer»
É uma das imagens de marca desta III República: aumento da pobreza, aumento do fosso entre ricos e pobres e morte da classe média. O próprio presidente Cavaco afirma-se envergonhado, confirmando que este Estado é incapaz de melhorar a situação: «Estou convencido que o Estado só por si não consegue resolver estes problemas», disse o chefe de Estado, afirmando que é preciso que «os cidadãos se organizem». Então, do que estamos à espera?
Chamam-lhe "risco de pobreza", refiro me aos 18% de portugueses que ganham igual ou menos de 366 euros mensais, mas que o governo não quer chamar pobres. Eu chamo-lhe: MISÉRIA.
E o número de 18% escamoteia que há outros mais de 21% que, oficialmente, são considerados pobres. O que somado significa que 40% dos portugueses vivem com igual ou menos de 366 euros, uma quantia miserável para sobreviver, mas que os burocratas no INE e nos Ministérios não entendem como trágico e extremamente injusto (e ainda se vangloriam disso). Pois, claro... não são eles que têm de sobreviver nessas condições. Quero fazer aqui justiça a esses 40% de portugueses que sofrem todos os dias só para continuarem vivos dizendo: sim, falamos de 40% de portugueses pobres a quem o governo burguês neo-liberal PS-PSD (com a ajuda do CDS às vezes) não dá nenhuma oportunidade de uma vida digna. Isto é o capitalismo, sem mascara, com todo o seu desprezo pelo povo português humilde e trabalhador.
Aqui fica mais um retrato cru dessa pobreza esquecida no Portugal profundo:
http://tirem-as-maos-da-venezuela.blogspot.com/2008/01/pobreza-aumenta-em-portugal-apesar-das.html
É uma das imagens de marca desta III República: aumento da pobreza, aumento do fosso entre ricos e pobres e morte da classe média. O próprio presidente Cavaco afirma-se envergonhado, confirmando que este Estado é incapaz de melhorar a situação: «Estou convencido que o Estado só por si não consegue resolver estes problemas», disse o chefe de Estado, afirmando que é preciso que «os cidadãos se organizem». Então, do que estamos à espera?
Chamam-lhe "risco de pobreza", refiro me aos 18% de portugueses que ganham igual ou menos de 366 euros mensais, mas que o governo não quer chamar pobres. Eu chamo-lhe: MISÉRIA.
E o número de 18% escamoteia que há outros mais de 21% que, oficialmente, são considerados pobres. O que somado significa que 40% dos portugueses vivem com igual ou menos de 366 euros, uma quantia miserável para sobreviver, mas que os burocratas no INE e nos Ministérios não entendem como trágico e extremamente injusto (e ainda se vangloriam disso). Pois, claro... não são eles que têm de sobreviver nessas condições. Quero fazer aqui justiça a esses 40% de portugueses que sofrem todos os dias só para continuarem vivos dizendo: sim, falamos de 40% de portugueses pobres a quem o governo burguês neo-liberal PS-PSD (com a ajuda do CDS às vezes) não dá nenhuma oportunidade de uma vida digna. Isto é o capitalismo, sem mascara, com todo o seu desprezo pelo povo português humilde e trabalhador.
Aqui fica mais um retrato cru dessa pobreza esquecida no Portugal profundo:
http://tirem-as-maos-da-venezuela.blogspot.com/2008/01/pobreza-aumenta-em-portugal-apesar-das.html
Clerical é o maior progenitor português
É sobejamente normal os encapuçados traçarem as acções das suas vivências invertendo aquilo que professam. A hipocrisia religiosa atinge excessivas vezes as proporções inimagináveis da mais fértil criatividade Humana. O celibato é apregoado na Igreja Católica como uma verdade incontornável das vivências das sotainas, tendo como bases uma suposta virgindade de Jesus Cristo. Quanto a essas bases, desconhecem-se, mas poderá presumir-se que algures nos arquivos secretos do Vaticano estejam milhares de cd´s contendo um qualquer reality show de baixo orçamento baseado nas gravações de 24 horas por dia da vida do messias. Também se poderá encontrar, quem sabe, as gravações do mesmo reality show envolvendo a sua mãe virgem e comprovando essa mesma virgindade acompanhada de uma gravidez que tem como paternidade o pombo-correio de nome Espírito Santo.
No século IV teve lugar um tal de Concílio de Elvira, que começou a impor na Igreja Católica, pela mesma, o celibato entre as sotainas, mediante as leis abstractas que tão bem caracterizam as irracionalidades religiosas, "continência sob pena de degradação". Alguém mais desinformado destas lides religiosas poderia estranhar um clerical passar uma vida inteira sem urinar, e quem sabe algumas mentes mais abertas às fantasias religiosas poderiam considerar uma plausível miraculosa acção divina de esvaziamento de bexigas sem pingas no tampo da sanita.
Entre 1545 e 1563 realizou-se o concílio de Trento, que voltou a definir o celibato como uma lei inerente ao exercício da profissão clerical. Muito se poderia extrair e divagar sobre este conceito antinatural que atormenta as libidos de tantas sotainas, e que posteriormente se poderá declarar como desarranjo mental grave, que associado à religiosidade poderá obter contornos bastante explosivos, como violações e pedofilia. Mas tal não é necessário dissecar, pois o escrito se foca essencialmente no incumprimento de tais regras.
Deduzindo que ninguém terá obrigado debaixo de armas o padre Francisco Costa a enveredar pela lucrativa e socialmente vantajosa carreira clerical, extraímos uma das mais puras e excelsas hipocrisias católicas. O clerical referido anteriormente foi o maior progenitor português. Para quem queria seguir os caminhos da religião católica, é interessante descobrir como os trilhos da religiosidade são percorridos inversamente pelos seus mentores. Enquanto inocentes eram queimados vivos e sujeitos às piores torturas imaginadas exclusivamente pelas mesmas sotainas, o encapuçado Francisco Costa deleitava-se com os prazeres terrenos. Quem sabe não iria assistir aos espectáculos católicos flamejantes enquanto descansava de tão extenuantes actividades.
O prior da cidade medieval de Trancoso, conseguiu conceber 275 filhos em 54 incubadoras no século XV. Entre as incubadoras encontravam-se a sua própria mãe, que também não escapou às libertinagens do demente sexual. Para além da sua própria progenitora, na qual gerou 2 filhos, o encapuçado manteve relações sexuais com 29 afilhadas, 9 comadres, 7 amas, 2 escravas, 5 irmãs e uma tia.
O cenário é interessante para conjecturas imensas e numerosas. Perante este cenário, a palavra poligamia torna-se transcendental, assim como as palavras violação e incesto. Não querendo levantar falsas acusações, conjecturava uma situação de paternidade complexa, com a necessidade de memorização de 329 nomes, 329 datas de aniversário e outras explorações da complexidade cerebral em termos improváveis.
Adjectivar estes actos torna-se desnecessário, tão evidentes eles se adjectivam a si mesmos. A justiça medieval foi efectuada em contornos de real repressão à libertinagem do clerical. A justiça impôs-se em grande perseverança e dignificando Portugal e a Igreja Católica em completa condenação da libertinagem da sotaina!
Mas muitas vezes a esmola é grande e o pobre desconfia, tal qual se antecipa uma premonição de que uma condenação de tais actos em tal contexto espácio-temporal seria extremamente improvável. Pois então se confirma a desconfiança, sabendo que tais condenações existiram... No papel...
Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo extraímos essa condenação. "Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado, o seu corpo exposto aos quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido: com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e setenta e cinco, sendo cento e quarenta e oito do sexo feminino e cento e vinte e sete do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e quatro mulheres".
Tal condenação foi perdoada no mesmo ano pelo rei D. João II que ordenou a absolvição do demente. Tal perdão foi associado a uma ainda mais escabrosa conduta, o aplauso e gratificações perante tais actos, com a simples frase: "O padre Francisco Costa contribui para o povoamento da Beira Alta". Escusado discursar e dissertar sobre imoralidades de tal situação, tais as evidências hediondas que emanam das pérfidas demências religiosas.
Bruno Miguel Resende
http://www.ateismo.net/diario/
No século IV teve lugar um tal de Concílio de Elvira, que começou a impor na Igreja Católica, pela mesma, o celibato entre as sotainas, mediante as leis abstractas que tão bem caracterizam as irracionalidades religiosas, "continência sob pena de degradação". Alguém mais desinformado destas lides religiosas poderia estranhar um clerical passar uma vida inteira sem urinar, e quem sabe algumas mentes mais abertas às fantasias religiosas poderiam considerar uma plausível miraculosa acção divina de esvaziamento de bexigas sem pingas no tampo da sanita.
Entre 1545 e 1563 realizou-se o concílio de Trento, que voltou a definir o celibato como uma lei inerente ao exercício da profissão clerical. Muito se poderia extrair e divagar sobre este conceito antinatural que atormenta as libidos de tantas sotainas, e que posteriormente se poderá declarar como desarranjo mental grave, que associado à religiosidade poderá obter contornos bastante explosivos, como violações e pedofilia. Mas tal não é necessário dissecar, pois o escrito se foca essencialmente no incumprimento de tais regras.
Deduzindo que ninguém terá obrigado debaixo de armas o padre Francisco Costa a enveredar pela lucrativa e socialmente vantajosa carreira clerical, extraímos uma das mais puras e excelsas hipocrisias católicas. O clerical referido anteriormente foi o maior progenitor português. Para quem queria seguir os caminhos da religião católica, é interessante descobrir como os trilhos da religiosidade são percorridos inversamente pelos seus mentores. Enquanto inocentes eram queimados vivos e sujeitos às piores torturas imaginadas exclusivamente pelas mesmas sotainas, o encapuçado Francisco Costa deleitava-se com os prazeres terrenos. Quem sabe não iria assistir aos espectáculos católicos flamejantes enquanto descansava de tão extenuantes actividades.
O prior da cidade medieval de Trancoso, conseguiu conceber 275 filhos em 54 incubadoras no século XV. Entre as incubadoras encontravam-se a sua própria mãe, que também não escapou às libertinagens do demente sexual. Para além da sua própria progenitora, na qual gerou 2 filhos, o encapuçado manteve relações sexuais com 29 afilhadas, 9 comadres, 7 amas, 2 escravas, 5 irmãs e uma tia.
O cenário é interessante para conjecturas imensas e numerosas. Perante este cenário, a palavra poligamia torna-se transcendental, assim como as palavras violação e incesto. Não querendo levantar falsas acusações, conjecturava uma situação de paternidade complexa, com a necessidade de memorização de 329 nomes, 329 datas de aniversário e outras explorações da complexidade cerebral em termos improváveis.
Adjectivar estes actos torna-se desnecessário, tão evidentes eles se adjectivam a si mesmos. A justiça medieval foi efectuada em contornos de real repressão à libertinagem do clerical. A justiça impôs-se em grande perseverança e dignificando Portugal e a Igreja Católica em completa condenação da libertinagem da sotaina!
Mas muitas vezes a esmola é grande e o pobre desconfia, tal qual se antecipa uma premonição de que uma condenação de tais actos em tal contexto espácio-temporal seria extremamente improvável. Pois então se confirma a desconfiança, sabendo que tais condenações existiram... No papel...
Do Arquivo Nacional da Torre do Tombo extraímos essa condenação. "Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado, o seu corpo exposto aos quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido: com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e setenta e cinco, sendo cento e quarenta e oito do sexo feminino e cento e vinte e sete do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e quatro mulheres".
Tal condenação foi perdoada no mesmo ano pelo rei D. João II que ordenou a absolvição do demente. Tal perdão foi associado a uma ainda mais escabrosa conduta, o aplauso e gratificações perante tais actos, com a simples frase: "O padre Francisco Costa contribui para o povoamento da Beira Alta". Escusado discursar e dissertar sobre imoralidades de tal situação, tais as evidências hediondas que emanam das pérfidas demências religiosas.
Bruno Miguel Resende
http://www.ateismo.net/diario/
A Razão do Ridículo
Li recentemente, de uma assentada, um livro curioso de António Costa Santos, sobre as proibições do chamado «antigo regime», intitulado «Proibido!». Li para me relembrar de algumas coisas que os adultos me contavam quando eu, chavalo, olhava para as imagens a preto e branco da revolução na televisão em 74, dando graças aos comunistas por me darem uma mão cheia de dias livres de aulas. Enquanto lia sobre as absurdas e tacanhas proibições do pré-25 de Abril, fui-me apercebendo que, passados 33 anos da libertadora revolução, o país continua tão ridículo quanto antes. Principalmente no que toca a proibições e deveres.
Esta percepção do ridículo é preocupante porque me faz ter a perfeita consciência que, por mais anos que passem, Portugal será sempre uma metáfora fácil do rídiculo tacanho e mesquinho. As leis neste país tiveram sempre aquela arbitrariedade imbecil e subjectiva do legislador, o mesmo gajo que há 40 anos proibia que se namorasse na rua, que as pessoas se pudessem divorciar, que as mulheres casadas pudessem ter passaporte e viajar para o estrangeiro, que pudéssemos ler certo livro ou ouvir certa música, esse legislador estreptococo, conseguiu criar uma prole de descendentes que hoje continuam a legislar no mesmo registo de estupidez subjectiva. É o caso dos mentecaptos da ASAE, que não legislam mas sugerem, proibições e deveres tão absurdos como os dos seus antecessores pulhas pidescos. Seria particularizar demasiado se chamássemos à ASAE os pulhas pidescos dos tempos modernos. Na realidade os socráticos, disfarçados sobre um conceito enviezado de socialismo, são na realidade uns fascizóides com vertigens alucinadas de Poder.
Estamos entregues a uma ditadura económica, tão perigosa quanto a ditadura tradicional. Hoje já não temos de ter licença para usar isqueiro, nem de ter medo de expressar livremente a nossa opinião (isto se não pensarmos naquele professor da DREN ou naquele bloguista do «Portugal Profundo» que se lixaram por falar mal do artolas do nosso primeiro-ministro), mas em contrapartida somos obrigados a descontar metade daquilo que ganhamos, a pagar ao Estado (essa abstracção incómoda) mais de 1/5 daquilo que compramos e a acatar obedientemente, como no tempo da ditadura a descoberto, todas as merdinhas de leis que o Governo vai inventando para pagar o seu status quo (que por vezes toma a forma de Audis topo de gama).
Que o país é ridículo é uma realidade. Que os portugueses se deixem ridicularizar por estes ditadorzecos de pacotilha, que mais parecem perus disléxicos em dias de cimeira é outra coisa.
Quem elegeu este Desgoverno merece, na boa tradição deste blog, uma tribo de somalis rebarbados, com a testosterona alterada quimicamente, pelos glúteos acima. Mas merece mais. Merece ter um tempinho de reflexão, só para ver em que estado é que deixou chegar este lugar mal frequentado a que chamamos país. Não estou nada satisfeito com os anormais babosos que deram o poder a este engenheiro instântaneo do José Sócrates.
http://www.razao-tem-sempre-cliente.blogspot.com/
Esta percepção do ridículo é preocupante porque me faz ter a perfeita consciência que, por mais anos que passem, Portugal será sempre uma metáfora fácil do rídiculo tacanho e mesquinho. As leis neste país tiveram sempre aquela arbitrariedade imbecil e subjectiva do legislador, o mesmo gajo que há 40 anos proibia que se namorasse na rua, que as pessoas se pudessem divorciar, que as mulheres casadas pudessem ter passaporte e viajar para o estrangeiro, que pudéssemos ler certo livro ou ouvir certa música, esse legislador estreptococo, conseguiu criar uma prole de descendentes que hoje continuam a legislar no mesmo registo de estupidez subjectiva. É o caso dos mentecaptos da ASAE, que não legislam mas sugerem, proibições e deveres tão absurdos como os dos seus antecessores pulhas pidescos. Seria particularizar demasiado se chamássemos à ASAE os pulhas pidescos dos tempos modernos. Na realidade os socráticos, disfarçados sobre um conceito enviezado de socialismo, são na realidade uns fascizóides com vertigens alucinadas de Poder.
Estamos entregues a uma ditadura económica, tão perigosa quanto a ditadura tradicional. Hoje já não temos de ter licença para usar isqueiro, nem de ter medo de expressar livremente a nossa opinião (isto se não pensarmos naquele professor da DREN ou naquele bloguista do «Portugal Profundo» que se lixaram por falar mal do artolas do nosso primeiro-ministro), mas em contrapartida somos obrigados a descontar metade daquilo que ganhamos, a pagar ao Estado (essa abstracção incómoda) mais de 1/5 daquilo que compramos e a acatar obedientemente, como no tempo da ditadura a descoberto, todas as merdinhas de leis que o Governo vai inventando para pagar o seu status quo (que por vezes toma a forma de Audis topo de gama).
Que o país é ridículo é uma realidade. Que os portugueses se deixem ridicularizar por estes ditadorzecos de pacotilha, que mais parecem perus disléxicos em dias de cimeira é outra coisa.
Quem elegeu este Desgoverno merece, na boa tradição deste blog, uma tribo de somalis rebarbados, com a testosterona alterada quimicamente, pelos glúteos acima. Mas merece mais. Merece ter um tempinho de reflexão, só para ver em que estado é que deixou chegar este lugar mal frequentado a que chamamos país. Não estou nada satisfeito com os anormais babosos que deram o poder a este engenheiro instântaneo do José Sócrates.
http://www.razao-tem-sempre-cliente.blogspot.com/
Conferência Climática de Bali
Carta aberta ao secretário-geral das Nações Unidas e aos chefes de Estado que subscreveram o acordo para novo tratado
Signatários
É impossível deter as alterações climáticas, um fenómeno natural que tem afectado a humanidade através dos tempos. Os testemunhos históricos, geológicos, arqueológicos, orais e escritos provam todos os desafios fundamentais que as sociedades antigas tiveram de enfrentar perante alterações imprevistas de temperatura, de precipitação, de vento e de outras variáveis climáticas. Devemos consequentemente preparar as nações para resistir a todos estes fenómenos naturais promovendo o crescimento económico e a criação de riqueza.
O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) tem publicado conclusões cada vez mais alarmistas sobre a influência climática do CO2 de origem humana, um gás não poluente que é essencial à fotossíntese das plantas. Embora compreendamos os argumentos que levaram a considerar as emissões de CO2 como perigosas, as conclusões do IPCC são absolutamente injustificadas e não devem conduzir a políticas que vão reduzir significativamente a prosperidade futura. Em especial, não foi estabelecido que seria possível modificar significativamente o clima global reduzindo as emissões humanas de gases com efeito de estufa. Acima de tudo, porque as tentativas de reduzir emissões vão retardar o desenvolvimento, a abordagem actual da ONU sobre a redução do CO2 é susceptível de agravar o sofrimento humano devido às alterações climáticas futuras em vez de o reduzir.
O Resumo para os Decisores Políticos do IPCC é o documento mais consultado pelos políticos e pelos não-cientistas e está na base da maior parte das decisões políticas sobre as alterações climáticas. Contudo, este resumo é preparado por um núcleo relativamente restrito de redactores e a sua versão final é aprovada linha a linha por representantes dos governos. A grande maioria dos contribuintes e revisores do relatório [geral do IPCC] e das dezenas de milhares doutros cientistas qualificados que comentam sobre esta matéria não estão implicados na preparação deste documento [do Resumo]. O Resumo não pode por conseguinte ser considerado como representativo de um consenso de especialistas.
Contrariamente à impressão dada pelo Resumo para os Decisores Políticos, do IPCC:
• As observações recentes dos fenómenos como a retracção dos glaciares, o aumento do nível do mar e a migração das espécies não testemunham uma alteração climática anormal porque nenhuma destas alterações está para além dos limites da variabilidade natural que conhecemos.
• O ritmo médio de aquecimento de 0,1 ºC/década a 0,2 ºC/década registado pelos satélites nas últimas décadas do século XX está dentro dos limites de aquecimento e de arrefecimento observado nos últimos 10 mil anos.
• Cientistas de primeiro plano, incluindo representantes importantes do IPCC, reconhecem que os modelos informáticos actuais não podem prever o clima. Assim, e apesar das projecções dos computadores de um aumento de temperatura, não tem havido aquecimento global desde 1998. O patamar de temperatura actual que se seguiu a um período de aquecimento no final do século XX está de acordo com ciclos naturais multidecenais ou milenários.
• Exactamente oposto à afirmação frequentemente repetida de que na ciência do clima "terminou o debate", um número importante de novas publicações em revistas com revisão pelos pares coloca cada vez mais em dúvida a hipótese de um aquecimento perigoso de origem humana. Mas como os grupos de trabalho do IPCC tiveram instruções para examinar as publicações [somente] até Maio de 2005 (cf. instruções IPCC ) as posteriores conclusões importantes não estão incluídas no seu relatório; o que quer dizer que os relatórios de avaliação do IPCC são baseados em resultados já obsoletos.
A conferência sobre o clima de Bali foi destinada a conduzir o Mundo pelo caminho de uma restrição severa de CO2, ignorando as lições evidentes que se podem tirar do malogro do Protocolo de Quioto, o caos no mercado de transferências de CO2 estabelecido pela Europa e a ineficácia de outras iniciativas dispendiosas destinadas a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Análises custo-benefício objectivas desacreditam a introdução de medidas globais destinadas a limitar e a reduzir o consumo de energia para reduzir as emissões de CO2. Além disso, é irracional aplicar o "princípio da precaução" porque numerosos cientistas reconhecem que um arrefecimento ou um aquecimento são ambos procedentes e realistas para o clima a médio prazo.
O esforço actual da ONU para "combater as alterações climáticas", como é apresentado no Relatório sobre o Desenvolvimento Humano do Programa de Desenvolvimento da ONU, de 27 de Novembro de 2007, desvia a atenção dos governos para a ameaça de alterações climáticas inevitáveis sob as suas diferentes formas. É necessária a planificação nacional e internacional perante tais mudanças, ajudando prioritariamente os cidadãos mais vulneráveis a adaptar-se às condições futuras. Tentar impedir o clima de se alterar é fútil e constitui uma má e trágica aplicação de recursos que seriam bem melhor utilizados na resolução de problemas verdadeiros e mais prementes.
[*] Lista de signatários:
- Don Aitkin, PhD, Professor, social scientist, retired vice-chancellor and president, University of Canberra, Australia
- William J.R. Alexander, PhD, Professor Emeritus, Dept. of Civil and Biosystems Engineering, University of Pretoria, South Africa; Member, UN Scientific and Technical Committee on Natural Disasters, 1994-2000
- Bjarne Andresen, PhD, physicist, Professor, The Niels Bohr Institute, University of Copenhagen, Denmark
- Geoff L. Austin, PhD, FNZIP, FRSNZ, Professor, Dept. of Physics, University of Auckland, New Zealand
- Timothy F. Ball, PhD, environmental consultant, former climatology professor, University of Winnipeg
- Ernst-Georg Beck, Dipl. Biol., Biologist, Merian-Schule Freiburg, Germany
- Sonja A. Boehmer-Christiansen, PhD, Reader, Dept. of Geography, Hull University, U.K.; Editor, Energy & Environment journal
- Chris C. Borel, PhD, remote sensing scientist, U.S.
- Reid A. Bryson, PhD, DSc, DEngr, UNE P. Global 500 Laureate; Senior Scientist, Center for Climatic Research; Emeritus Professor of Meteorology, of Geography, and of Environmental Studies, University of Wisconsin
- Dan Carruthers, M.Sc., wildlife biology consultant specializing in animal ecology in Arctic and Subarctic regions, Alberta
- R.M. Carter, PhD, Professor, Marine Geophysical Laboratory, James Cook University, Townsville, Australia
- Ian D. Clark, PhD, Professor, isotope hydrogeology and paleoclimatology, Dept. of Earth Sciences, University of Ottawa
- Richard S. Courtney, PhD, climate and atmospheric science consultant, IPCC expert reviewer, U.K.
- Willem de Lange, PhD, Dept. of Earth and Ocean Sciences, School of Science and Engineering, Waikato University, New Zealand
- David Deming, PhD (Geophysics), Associate Professor, College of Arts and Sciences, University of Oklahoma
- Freeman J. Dyson, PhD, Emeritus Professor of Physics, Institute for Advanced Studies, Princeton, N.J.
- Don J. Easterbrook, PhD, Emeritus Professor of Geology, Western Washington University
- Lance Endersbee, Emeritus Professor, former dean of Engineering and Pro-Vice Chancellor of Monasy University, Australia
- Hans Erren, Doctorandus, geophysicist and climate specialist, Sittard, The Netherlands
- Robert H. Essenhigh, PhD, E.G. Bailey Professor of Energy Conversion, Dept. of Mechanical Engineering, The Ohio State University
- Christopher Essex, PhD, Professor of Applied Mathematics and Associate Director of the Program in Theoretical Physics, University of Western Ontario
- David Evans, PhD, mathematician, carbon accountant, computer and electrical engineer and head of 'Science Speak,' Australia
- William Evans, PhD, editor, American Midland Naturalist; Dept. of Biological Sciences, University of Notre Dame
- Stewart Franks, PhD, Professor, Hydroclimatologist, University of Newcastle, Australia
- R. W. Gauldie, PhD, Research Professor, Hawai'i Institute of Geophysics and Planetology, School of Ocean Earth Sciences and Technology, University of Hawai'i, Manoa
- Lee C. Gerhard, PhD, Senior Scientist Emeritus, University of Kansas; former director and state geologist, Kansas Geological Survey
- Gerhard Gerlich, Professor for Mathematical and Theoretical Physics, Institut für Mathematische Physik der TU Braunschweig, Germany
- Albrecht Glatzle, PhD, sc.agr., Agro-Biologist and Gerente ejecutivo, INTTAS, Paraguay
- Fred Goldberg, PhD, Adjunct Professor, Royal Institute of Technology, Mechanical Engineering, Stockholm, Sweden
- Vincent Gray, PhD, expert reviewer for the IPCC and author of The Greenhouse Delusion: A Critique of Climate Change 2001, Wellington, New Zealand
- William M. Gray, Professor Emeritus, Dept. of Atmospheric Science, Colorado State University and Head of the Tropical Meteorology Project
- Howard Hayden, PhD, Emeritus Professor of Physics, University of Connecticut
- Louis Hissink MSc, M.A.I.G., editor, AIG News, and consulting geologist, Perth, Western Australia
- Craig D. Idso, PhD, Chairman, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change, Arizona
- Sherwood B. Idso, PhD, President, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change, AZ, USA
- Andrei Illarionov, PhD, Senior Fellow, Center for Global Liberty and Prosperity; founder and director of the Institute of Economic Analysis
- Zbigniew Jaworowski, PhD, physicist, Chairman - Scientific Council of Central Laboratory for Radiological Protection, Warsaw, Poland
- Jon Jenkins, PhD, MD, computer modelling - virology, NSW, Australia
- Wibjorn Karlen, PhD, Emeritus Professor, Dept. of Physical Geography and Quaternary Geology, Stockholm University, Sweden
- Olavi Kärner, Ph.D., Research Associate, Dept. of Atmospheric Physics, Institute of Astrophysics and Atmospheric Physics, Toravere, Estonia
- Joel M. Kauffman, PhD, Emeritus Professor of Chemistry, University of the Sciences in Philadelphia
- David Kear, PhD, FRSNZ, CMG, geologist, former Director-General of NZ Dept. of Scientific & Industrial Research, New Zealand
- Madhav Khandekar, PhD, former research scientist, Environment Canada; editor, Climate Research (2003-05); editorial board member, Natural Hazards; IPCC expert reviewer 2007
- William Kininmonth M.Sc., M.Admin., former head of Australia's National Climate Centre and a consultant to the World Meteorological Organization's Commission for Climatology
- Jan J.H. Kop, MSc Ceng FICE (Civil Engineer Fellow of the Institution of Civil Engineers), Emeritus Prof. of Public Health Engineering, Technical University Delft, The Netherlands
- Prof. R.W.J. Kouffeld, Emeritus Professor, Energy Conversion, Delft University of Technology, The Netherlands
- Salomon Kroonenberg, PhD, Professor, Dept. of Geotechnology, Delft University of Technology, The Netherlands
- Hans H.J. Labohm, PhD, economist, former advisor to the executive board, Clingendael Institute (The Netherlands Institute of International Relations), The Netherlands
- The Rt. Hon. Lord Lawson of Blaby, economist; Chairman of the Central Europe Trust; former Chancellor of the Exchequer, U.K.
- Douglas Leahey, PhD, meteorologist and air-quality consultant, Calgary
- David R. Legates, PhD, Director, Center for Climatic Research, University of Delaware
- Marcel Leroux , PhD, Professor Emeritus of Climatology, University of Lyon, France; former director of Laboratory of Climatology, Risks and Environment, CNRS
- Bryan Leyland, International Climate Science Coalition, consultant and power engineer, Auckland, New Zealand
- William Lindqvist, PhD, independent consulting geologist, Calif.
- Richard S. Lindzen , PhD, Alfred P. Sloan Professor of Meteorology, Dept. of Earth, Atmospheric and Planetary Sciences, Massachusetts Institute of Technology
- A.J. Tom van Loon, PhD, Professor of Geology (Quaternary Geology), Adam Mickiewicz University, Poznan, Poland; former President of the European Association of Science Editors
- Anthony R. Lupo, PhD, Associate Professor of Atmospheric Science, Dept. of Soil, Environmental, and Atmospheric Science, University of Missouri-Columbia
- Richard Mackey, PhD, Statistician, Australia
- Horst Malberg, PhD, Professor for Meteorology and Climatology, Institut für Meteorologie, Berlin, Germany
- John Maunder, PhD, Climatologist, former President of the Commission for Climatology of the World Meteorological Organization (89-97), New Zealand
- Alister McFarquhar, PhD, international economy, Downing College, Cambridge, U.K.
- Ross McKitrick, PhD, Associate Professor, Dept. of Economics, University of Guelph
- John McLean, PhD, climate data analyst, computer scientist, Australia
- Owen McShane, PhD, economist, head of the International Climate Science Coalition; Director, Centre for Resource Management Studies, New Zealand
- Fred Michel, PhD, Director, Institute of Environmental Sciences and Associate Professor of Earth Sciences, Carleton University
- Frank Milne, PhD, Professor, Dept. of Economics, Queen's University
- Asmunn Moene, PhD, former head of the Forecasting Centre, Meteorological Institute, Norway
- Alan Moran, PhD, Energy Economist, Director of the IPA's Deregulation Unit, Australia
- Nils-Axel Morner, PhD, Emeritus Professor of Paleogeophysics & Geodynamics, Stockholm University, Sweden
- Lubos Motl, PhD, Physicist, former Harvard string theorist, Charles University, Prague, Czech Republic
- John Nicol, PhD, Professor Emeritus of Physics, James Cook University, Australia
- David Nowell, M.Sc., Fellow of the Royal Meteorological Society, former chairman of the NATO Meteorological Group, Ottawa
- James J. O'Brien, PhD, Professor Emeritus, Meteorology and Oceanography, Florida State University
- Cliff Ollier, PhD, Professor Emeritus (Geology), Research Fellow, University of Western Australia
- Garth W. Paltridge, PhD, atmospheric physicist, Emeritus Professor and former Director of the Institute of Antarctic and Southern Ocean Studies, University of Tasmania, Australia
- R. Timothy Patterson, PhD, Professor, Dept. of Earth Sciences (paleoclimatology), Carleton University
- Al Pekarek, PhD, Associate Professor of Geology, Earth and Atmospheric Sciences Dept., St. Cloud State University, Minnesota
- Ian Plimer, PhD, Professor of Geology, School of Earth and Environmental Sciences, University of Adelaide and Emeritus Professor of Earth Sciences, University of Melbourne, Australia
- Brian Pratt, PhD, Professor of Geology, Sedimentology, University of Saskatchewan
- Harry N.A. Priem, PhD, Emeritus Professor of Planetary Geology and Isotope Geophysics, Utrecht University; former director of the Netherlands Institute for Isotope Geosciences
- Alex Robson, PhD, Economics, Australian National University Colonel F.P.M. Rombouts, Branch Chief - Safety, Quality and Environment, Royal Netherland Air Force
- R.G. Roper, PhD, Professor Emeritus of Atmospheric Sciences, School of Earth and Atmospheric Sciences, Georgia Institute of Technology
- Arthur Rorsch, PhD, Emeritus Professor, Molecular Genetics, Leiden University, The Netherlands
- Rob Scagel, M.Sc., forest microclimate specialist, principal consultant, Pacific Phytometric Consultants, B.C.
- Tom V. Segalstad, PhD, (Geology/Geochemistry), Head of the Geological Museum and Associate Professor of Resource and Environmental Geology, University of Oslo, Norway
- Gary D. Sharp, PhD, Center for Climate/Ocean Resources Study, Salinas, CA
- S. Fred Singer, PhD, Professor Emeritus of Environmental Sciences, University of Virginia and former director Weather Satellite Service
- L. Graham Smith, PhD, Associate Professor, Dept. of Geography, University of Western Ontario
- Roy W. Spencer, PhD, climatologist, Principal Research Scientist, Earth System Science Center, The University of Alabama, Huntsville
- Peter Stilbs, TeknD, Professor of Physical Chemistry, Research Leader, School of Chemical Science and Engineering, KTH (Royal Institute of Technology), Stockholm, Sweden
- Hendrik Tennekes, PhD, former director of research, Royal Netherlands Meteorological Institute
- Dick Thoenes, PhD, Emeritus Professor of Chemical Engineering, Eindhoven University of Technology, The Netherlands
- Brian G Valentine, PhD, PE (Chem.), Technology Manager - Industrial Energy Efficiency, Adjunct Associate Professor of Engineering Science, University of Maryland at College Park; Dept of Energy, Washington, DC
- Gerrit J. van der Lingen, PhD, geologist and paleoclimatologist, climate change consultant, Geoscience Research and Investigations, New Zealand
- Len Walker, PhD, Power Engineering, Australia
- Edward J. Wegman, PhD, Department of Computational and Data Sciences, George Mason University, Virginia
- Stephan Wilksch, PhD, Professor for Innovation and Technology Management, Production Management and Logistics, University of Technolgy and Economics Berlin, Germany
- Boris Winterhalter, PhD, senior marine researcher (retired), Geological Survey of Finland, former professor in marine geology, University of Helsinki, Finland
- David E. Wojick, PhD, P.Eng., energy consultant, Virginia
- Raphael Wust, PhD, Lecturer, Marine Geology/Sedimentology, James Cook University, Australia
- A. Zichichi, PhD, President of the World Federation of Scientists, Geneva, Switzerland; Emeritus Professor of Advanced Physics, University of Bologna, Italy.
Esta carta aberta encontra-se em http://resistir.info/
Signatários
É impossível deter as alterações climáticas, um fenómeno natural que tem afectado a humanidade através dos tempos. Os testemunhos históricos, geológicos, arqueológicos, orais e escritos provam todos os desafios fundamentais que as sociedades antigas tiveram de enfrentar perante alterações imprevistas de temperatura, de precipitação, de vento e de outras variáveis climáticas. Devemos consequentemente preparar as nações para resistir a todos estes fenómenos naturais promovendo o crescimento económico e a criação de riqueza.
O Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) tem publicado conclusões cada vez mais alarmistas sobre a influência climática do CO2 de origem humana, um gás não poluente que é essencial à fotossíntese das plantas. Embora compreendamos os argumentos que levaram a considerar as emissões de CO2 como perigosas, as conclusões do IPCC são absolutamente injustificadas e não devem conduzir a políticas que vão reduzir significativamente a prosperidade futura. Em especial, não foi estabelecido que seria possível modificar significativamente o clima global reduzindo as emissões humanas de gases com efeito de estufa. Acima de tudo, porque as tentativas de reduzir emissões vão retardar o desenvolvimento, a abordagem actual da ONU sobre a redução do CO2 é susceptível de agravar o sofrimento humano devido às alterações climáticas futuras em vez de o reduzir.
O Resumo para os Decisores Políticos do IPCC é o documento mais consultado pelos políticos e pelos não-cientistas e está na base da maior parte das decisões políticas sobre as alterações climáticas. Contudo, este resumo é preparado por um núcleo relativamente restrito de redactores e a sua versão final é aprovada linha a linha por representantes dos governos. A grande maioria dos contribuintes e revisores do relatório [geral do IPCC] e das dezenas de milhares doutros cientistas qualificados que comentam sobre esta matéria não estão implicados na preparação deste documento [do Resumo]. O Resumo não pode por conseguinte ser considerado como representativo de um consenso de especialistas.
Contrariamente à impressão dada pelo Resumo para os Decisores Políticos, do IPCC:
• As observações recentes dos fenómenos como a retracção dos glaciares, o aumento do nível do mar e a migração das espécies não testemunham uma alteração climática anormal porque nenhuma destas alterações está para além dos limites da variabilidade natural que conhecemos.
• O ritmo médio de aquecimento de 0,1 ºC/década a 0,2 ºC/década registado pelos satélites nas últimas décadas do século XX está dentro dos limites de aquecimento e de arrefecimento observado nos últimos 10 mil anos.
• Cientistas de primeiro plano, incluindo representantes importantes do IPCC, reconhecem que os modelos informáticos actuais não podem prever o clima. Assim, e apesar das projecções dos computadores de um aumento de temperatura, não tem havido aquecimento global desde 1998. O patamar de temperatura actual que se seguiu a um período de aquecimento no final do século XX está de acordo com ciclos naturais multidecenais ou milenários.
• Exactamente oposto à afirmação frequentemente repetida de que na ciência do clima "terminou o debate", um número importante de novas publicações em revistas com revisão pelos pares coloca cada vez mais em dúvida a hipótese de um aquecimento perigoso de origem humana. Mas como os grupos de trabalho do IPCC tiveram instruções para examinar as publicações [somente] até Maio de 2005 (cf. instruções IPCC ) as posteriores conclusões importantes não estão incluídas no seu relatório; o que quer dizer que os relatórios de avaliação do IPCC são baseados em resultados já obsoletos.
A conferência sobre o clima de Bali foi destinada a conduzir o Mundo pelo caminho de uma restrição severa de CO2, ignorando as lições evidentes que se podem tirar do malogro do Protocolo de Quioto, o caos no mercado de transferências de CO2 estabelecido pela Europa e a ineficácia de outras iniciativas dispendiosas destinadas a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Análises custo-benefício objectivas desacreditam a introdução de medidas globais destinadas a limitar e a reduzir o consumo de energia para reduzir as emissões de CO2. Além disso, é irracional aplicar o "princípio da precaução" porque numerosos cientistas reconhecem que um arrefecimento ou um aquecimento são ambos procedentes e realistas para o clima a médio prazo.
O esforço actual da ONU para "combater as alterações climáticas", como é apresentado no Relatório sobre o Desenvolvimento Humano do Programa de Desenvolvimento da ONU, de 27 de Novembro de 2007, desvia a atenção dos governos para a ameaça de alterações climáticas inevitáveis sob as suas diferentes formas. É necessária a planificação nacional e internacional perante tais mudanças, ajudando prioritariamente os cidadãos mais vulneráveis a adaptar-se às condições futuras. Tentar impedir o clima de se alterar é fútil e constitui uma má e trágica aplicação de recursos que seriam bem melhor utilizados na resolução de problemas verdadeiros e mais prementes.
[*] Lista de signatários:
- Don Aitkin, PhD, Professor, social scientist, retired vice-chancellor and president, University of Canberra, Australia
- William J.R. Alexander, PhD, Professor Emeritus, Dept. of Civil and Biosystems Engineering, University of Pretoria, South Africa; Member, UN Scientific and Technical Committee on Natural Disasters, 1994-2000
- Bjarne Andresen, PhD, physicist, Professor, The Niels Bohr Institute, University of Copenhagen, Denmark
- Geoff L. Austin, PhD, FNZIP, FRSNZ, Professor, Dept. of Physics, University of Auckland, New Zealand
- Timothy F. Ball, PhD, environmental consultant, former climatology professor, University of Winnipeg
- Ernst-Georg Beck, Dipl. Biol., Biologist, Merian-Schule Freiburg, Germany
- Sonja A. Boehmer-Christiansen, PhD, Reader, Dept. of Geography, Hull University, U.K.; Editor, Energy & Environment journal
- Chris C. Borel, PhD, remote sensing scientist, U.S.
- Reid A. Bryson, PhD, DSc, DEngr, UNE P. Global 500 Laureate; Senior Scientist, Center for Climatic Research; Emeritus Professor of Meteorology, of Geography, and of Environmental Studies, University of Wisconsin
- Dan Carruthers, M.Sc., wildlife biology consultant specializing in animal ecology in Arctic and Subarctic regions, Alberta
- R.M. Carter, PhD, Professor, Marine Geophysical Laboratory, James Cook University, Townsville, Australia
- Ian D. Clark, PhD, Professor, isotope hydrogeology and paleoclimatology, Dept. of Earth Sciences, University of Ottawa
- Richard S. Courtney, PhD, climate and atmospheric science consultant, IPCC expert reviewer, U.K.
- Willem de Lange, PhD, Dept. of Earth and Ocean Sciences, School of Science and Engineering, Waikato University, New Zealand
- David Deming, PhD (Geophysics), Associate Professor, College of Arts and Sciences, University of Oklahoma
- Freeman J. Dyson, PhD, Emeritus Professor of Physics, Institute for Advanced Studies, Princeton, N.J.
- Don J. Easterbrook, PhD, Emeritus Professor of Geology, Western Washington University
- Lance Endersbee, Emeritus Professor, former dean of Engineering and Pro-Vice Chancellor of Monasy University, Australia
- Hans Erren, Doctorandus, geophysicist and climate specialist, Sittard, The Netherlands
- Robert H. Essenhigh, PhD, E.G. Bailey Professor of Energy Conversion, Dept. of Mechanical Engineering, The Ohio State University
- Christopher Essex, PhD, Professor of Applied Mathematics and Associate Director of the Program in Theoretical Physics, University of Western Ontario
- David Evans, PhD, mathematician, carbon accountant, computer and electrical engineer and head of 'Science Speak,' Australia
- William Evans, PhD, editor, American Midland Naturalist; Dept. of Biological Sciences, University of Notre Dame
- Stewart Franks, PhD, Professor, Hydroclimatologist, University of Newcastle, Australia
- R. W. Gauldie, PhD, Research Professor, Hawai'i Institute of Geophysics and Planetology, School of Ocean Earth Sciences and Technology, University of Hawai'i, Manoa
- Lee C. Gerhard, PhD, Senior Scientist Emeritus, University of Kansas; former director and state geologist, Kansas Geological Survey
- Gerhard Gerlich, Professor for Mathematical and Theoretical Physics, Institut für Mathematische Physik der TU Braunschweig, Germany
- Albrecht Glatzle, PhD, sc.agr., Agro-Biologist and Gerente ejecutivo, INTTAS, Paraguay
- Fred Goldberg, PhD, Adjunct Professor, Royal Institute of Technology, Mechanical Engineering, Stockholm, Sweden
- Vincent Gray, PhD, expert reviewer for the IPCC and author of The Greenhouse Delusion: A Critique of Climate Change 2001, Wellington, New Zealand
- William M. Gray, Professor Emeritus, Dept. of Atmospheric Science, Colorado State University and Head of the Tropical Meteorology Project
- Howard Hayden, PhD, Emeritus Professor of Physics, University of Connecticut
- Louis Hissink MSc, M.A.I.G., editor, AIG News, and consulting geologist, Perth, Western Australia
- Craig D. Idso, PhD, Chairman, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change, Arizona
- Sherwood B. Idso, PhD, President, Center for the Study of Carbon Dioxide and Global Change, AZ, USA
- Andrei Illarionov, PhD, Senior Fellow, Center for Global Liberty and Prosperity; founder and director of the Institute of Economic Analysis
- Zbigniew Jaworowski, PhD, physicist, Chairman - Scientific Council of Central Laboratory for Radiological Protection, Warsaw, Poland
- Jon Jenkins, PhD, MD, computer modelling - virology, NSW, Australia
- Wibjorn Karlen, PhD, Emeritus Professor, Dept. of Physical Geography and Quaternary Geology, Stockholm University, Sweden
- Olavi Kärner, Ph.D., Research Associate, Dept. of Atmospheric Physics, Institute of Astrophysics and Atmospheric Physics, Toravere, Estonia
- Joel M. Kauffman, PhD, Emeritus Professor of Chemistry, University of the Sciences in Philadelphia
- David Kear, PhD, FRSNZ, CMG, geologist, former Director-General of NZ Dept. of Scientific & Industrial Research, New Zealand
- Madhav Khandekar, PhD, former research scientist, Environment Canada; editor, Climate Research (2003-05); editorial board member, Natural Hazards; IPCC expert reviewer 2007
- William Kininmonth M.Sc., M.Admin., former head of Australia's National Climate Centre and a consultant to the World Meteorological Organization's Commission for Climatology
- Jan J.H. Kop, MSc Ceng FICE (Civil Engineer Fellow of the Institution of Civil Engineers), Emeritus Prof. of Public Health Engineering, Technical University Delft, The Netherlands
- Prof. R.W.J. Kouffeld, Emeritus Professor, Energy Conversion, Delft University of Technology, The Netherlands
- Salomon Kroonenberg, PhD, Professor, Dept. of Geotechnology, Delft University of Technology, The Netherlands
- Hans H.J. Labohm, PhD, economist, former advisor to the executive board, Clingendael Institute (The Netherlands Institute of International Relations), The Netherlands
- The Rt. Hon. Lord Lawson of Blaby, economist; Chairman of the Central Europe Trust; former Chancellor of the Exchequer, U.K.
- Douglas Leahey, PhD, meteorologist and air-quality consultant, Calgary
- David R. Legates, PhD, Director, Center for Climatic Research, University of Delaware
- Marcel Leroux , PhD, Professor Emeritus of Climatology, University of Lyon, France; former director of Laboratory of Climatology, Risks and Environment, CNRS
- Bryan Leyland, International Climate Science Coalition, consultant and power engineer, Auckland, New Zealand
- William Lindqvist, PhD, independent consulting geologist, Calif.
- Richard S. Lindzen , PhD, Alfred P. Sloan Professor of Meteorology, Dept. of Earth, Atmospheric and Planetary Sciences, Massachusetts Institute of Technology
- A.J. Tom van Loon, PhD, Professor of Geology (Quaternary Geology), Adam Mickiewicz University, Poznan, Poland; former President of the European Association of Science Editors
- Anthony R. Lupo, PhD, Associate Professor of Atmospheric Science, Dept. of Soil, Environmental, and Atmospheric Science, University of Missouri-Columbia
- Richard Mackey, PhD, Statistician, Australia
- Horst Malberg, PhD, Professor for Meteorology and Climatology, Institut für Meteorologie, Berlin, Germany
- John Maunder, PhD, Climatologist, former President of the Commission for Climatology of the World Meteorological Organization (89-97), New Zealand
- Alister McFarquhar, PhD, international economy, Downing College, Cambridge, U.K.
- Ross McKitrick, PhD, Associate Professor, Dept. of Economics, University of Guelph
- John McLean, PhD, climate data analyst, computer scientist, Australia
- Owen McShane, PhD, economist, head of the International Climate Science Coalition; Director, Centre for Resource Management Studies, New Zealand
- Fred Michel, PhD, Director, Institute of Environmental Sciences and Associate Professor of Earth Sciences, Carleton University
- Frank Milne, PhD, Professor, Dept. of Economics, Queen's University
- Asmunn Moene, PhD, former head of the Forecasting Centre, Meteorological Institute, Norway
- Alan Moran, PhD, Energy Economist, Director of the IPA's Deregulation Unit, Australia
- Nils-Axel Morner, PhD, Emeritus Professor of Paleogeophysics & Geodynamics, Stockholm University, Sweden
- Lubos Motl, PhD, Physicist, former Harvard string theorist, Charles University, Prague, Czech Republic
- John Nicol, PhD, Professor Emeritus of Physics, James Cook University, Australia
- David Nowell, M.Sc., Fellow of the Royal Meteorological Society, former chairman of the NATO Meteorological Group, Ottawa
- James J. O'Brien, PhD, Professor Emeritus, Meteorology and Oceanography, Florida State University
- Cliff Ollier, PhD, Professor Emeritus (Geology), Research Fellow, University of Western Australia
- Garth W. Paltridge, PhD, atmospheric physicist, Emeritus Professor and former Director of the Institute of Antarctic and Southern Ocean Studies, University of Tasmania, Australia
- R. Timothy Patterson, PhD, Professor, Dept. of Earth Sciences (paleoclimatology), Carleton University
- Al Pekarek, PhD, Associate Professor of Geology, Earth and Atmospheric Sciences Dept., St. Cloud State University, Minnesota
- Ian Plimer, PhD, Professor of Geology, School of Earth and Environmental Sciences, University of Adelaide and Emeritus Professor of Earth Sciences, University of Melbourne, Australia
- Brian Pratt, PhD, Professor of Geology, Sedimentology, University of Saskatchewan
- Harry N.A. Priem, PhD, Emeritus Professor of Planetary Geology and Isotope Geophysics, Utrecht University; former director of the Netherlands Institute for Isotope Geosciences
- Alex Robson, PhD, Economics, Australian National University Colonel F.P.M. Rombouts, Branch Chief - Safety, Quality and Environment, Royal Netherland Air Force
- R.G. Roper, PhD, Professor Emeritus of Atmospheric Sciences, School of Earth and Atmospheric Sciences, Georgia Institute of Technology
- Arthur Rorsch, PhD, Emeritus Professor, Molecular Genetics, Leiden University, The Netherlands
- Rob Scagel, M.Sc., forest microclimate specialist, principal consultant, Pacific Phytometric Consultants, B.C.
- Tom V. Segalstad, PhD, (Geology/Geochemistry), Head of the Geological Museum and Associate Professor of Resource and Environmental Geology, University of Oslo, Norway
- Gary D. Sharp, PhD, Center for Climate/Ocean Resources Study, Salinas, CA
- S. Fred Singer, PhD, Professor Emeritus of Environmental Sciences, University of Virginia and former director Weather Satellite Service
- L. Graham Smith, PhD, Associate Professor, Dept. of Geography, University of Western Ontario
- Roy W. Spencer, PhD, climatologist, Principal Research Scientist, Earth System Science Center, The University of Alabama, Huntsville
- Peter Stilbs, TeknD, Professor of Physical Chemistry, Research Leader, School of Chemical Science and Engineering, KTH (Royal Institute of Technology), Stockholm, Sweden
- Hendrik Tennekes, PhD, former director of research, Royal Netherlands Meteorological Institute
- Dick Thoenes, PhD, Emeritus Professor of Chemical Engineering, Eindhoven University of Technology, The Netherlands
- Brian G Valentine, PhD, PE (Chem.), Technology Manager - Industrial Energy Efficiency, Adjunct Associate Professor of Engineering Science, University of Maryland at College Park; Dept of Energy, Washington, DC
- Gerrit J. van der Lingen, PhD, geologist and paleoclimatologist, climate change consultant, Geoscience Research and Investigations, New Zealand
- Len Walker, PhD, Power Engineering, Australia
- Edward J. Wegman, PhD, Department of Computational and Data Sciences, George Mason University, Virginia
- Stephan Wilksch, PhD, Professor for Innovation and Technology Management, Production Management and Logistics, University of Technolgy and Economics Berlin, Germany
- Boris Winterhalter, PhD, senior marine researcher (retired), Geological Survey of Finland, former professor in marine geology, University of Helsinki, Finland
- David E. Wojick, PhD, P.Eng., energy consultant, Virginia
- Raphael Wust, PhD, Lecturer, Marine Geology/Sedimentology, James Cook University, Australia
- A. Zichichi, PhD, President of the World Federation of Scientists, Geneva, Switzerland; Emeritus Professor of Advanced Physics, University of Bologna, Italy.
Esta carta aberta encontra-se em http://resistir.info/
Subscrever:
Mensagens (Atom)