quarta-feira, setembro 03, 2008

A treta da competividade


«Ferraz da Costa, presidente do Fórum para a Competitividade e ex-presidente da CIP, traça um quadro negro sobre a evolução da competitividade externa do país, advogando que o ajustamento da economia só se fará com cortes nos salários.
“Infelizmente, um dos cenários mais prováveis para Portugal é continuar a empobrecer de uma forma lenta mas progressiva, quase com um efeito de uma anestesia sobre as pessoas”.
Com o país a perder competitividade externa, Ferraz da Costa lembra o estudo do economista do MIT, Olivier Blanchard, segundo o qual Portugal teria necessidade de uma quebra dos salários reais em cerca de 30 por cento “para manter a competitividade da maior parte dos sectores tradicionais”, no contexto do euro. O gestor partilha da mesma opinião.»

Num país que já se situa no cu da Europa, a esta gente não se cansa de largar “bufas” pela boca com soluções de merda. Quando recentemente vi passar no rodapé de um telejornal, a “noticia” que os trabalhadores portugueses eram os menos produtivos da Europa, já esperava a chegada destes arautos do capitalismo com discursos deste género. Ainda nem têm em vigor o ultimo assalto que fizeram aos nossos direitos com o novo código de trabalho e já voltam à carga para “criar a necessidade” de nos apertar mais o cinto. Esta escumalha, esta gente que nos rouba mais que o “crime violento”, não tem vergonha de vir para a praça pública proclamar a miséria e a fome para este país em nome dos lucros de alguns e das mordomias de outros. Gente que não sobrevivia a viver um dia com o salário mínimo, vem defender que nos deviam reduzir os baixos salários deste país, tão baixos que o Manuel Pinho até os propagandeia na China, em trinta por cento. Os nossos, é claro, que com mais lucros ainda poderiam aumentar muito mais os deles e receber lautos prémios pelos resultados obtidos à nossa custa.
Trabalhamos tantas ou mais horas que qualquer outro Europeu, sempre que o fazemos no estrangeiro somos apreciados, ganhamos menos que os outros e mesmo assim a nossa produtividade é menor. Será que a culpa é nossa ou deles? http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

o novo professor

Carta Aberta de um professor reformado

Li, no blogue de Paulo Guinote, A Educação do Meu Umbigo, a Carta Aberta, que a seguir transcrevo, escrita pelo professor Joaquim Moedas Duarte, da Escola P. Francisco Soares, de Torres Vedras, reformado desde o passado mês de Janeiro.
Sei que é mais um testemunho a juntar a milhares de outros, mas por isso mesmo, por ser mais um testemunho que fala simplesmente a verdade, é que deve ser divulgado.
O país deveria ser inundado com estes testemunhos para que a ministra da Educação e o primeiro-ministro pudessem sentir vergonha de serem os responsáveis pela saída compelida de milhares de professores para a reforma antecipada. Todos estes professores saem antecipadamente para a reforma porque sentem repugnância pelo estado a que chegou a Educação em Portugal e porque sentem que foram objecto de inimagináveis injustiças alegremente promovidas pelos responsáveis políticos do actual governo.
Eu, que tenho 48 anos de idade, 27 anos de serviço e que amo a minha profissão, se pudesse, também seria um deles, seria, agora, um reformado compelido pelas barbaridades da política educativa deste governo. Como não sou, combaterei, por todas as formas que a legalidade permita e a minha consciência ordene, a incompetência, a iniquidade e a arrogância políticas da ministra Maria de Lurdes Rodrigues e do primeiro-ministro José Sócrates.
Segue a Carta Aberta do professor Joaquim Moedas Duarte, reformado há oito meses.

CARTA ABERTA AOS MEUS COLEGAS PROFESSORES
Pela primeira vez em muitos anos não retomo a actividade docente no início do ano lectivo. Mas não o lamento e é isso que me dói. Sempre disse que queria ficar na escola mais alguns anos para além do tempo da reforma, desde que tivesse condições de saúde para tal. Contudo, vi-me “obrigado” a sair mais cedo, inclusive aceitando uma penalização de 4,5% sobre o vencimento.
Não sou protagonista de nada: o meu caso é apenas mais um no meio de milhares de professores a quem este Governo afrontou. Só quem não conhece as escolas e tem uma ideia errada da função docente é que não entende isto.
É doloroso ouvir pessoas que sempre deram o máximo pela sua profissão, que amam o ensino e têm uma ligação profunda com os alunos, a dizerem que estão exaustas e que lamentam não serem mais velhas para poderem reformar-se já. Vejo com enorme tristeza estes colegas a entrarem no ano lectivo como quem vai para um exílio. Compreendo-os bem…
 Este estado de coisas tem responsáveis: são a equipa do Ministério da Educação e o Primeiro-ministro. 
A eles se deve a criação de um enorme factor de desestabilização e conflito nas escolas que é a divisão artificial da carreira docente entre “professores titulares” e os outros que o não são. Todos fazem o mesmo, a todos são pedidas as mesmas responsabilidades, mas estão em patamares diferentes, definidos segundo critérios arbitrários.
 A eles se deve um sistema de avaliação de desempenho que não é mais do que a extensão administrativa daquele erro colossal.
 A eles se deve a legislação que não reforça a autoridade dos professores na escola, antes os transforma em burocratas ao serviço de encarregados de educação a quem não se pedem responsabilidades e de alunos a quem não se exige que estudem e tenham sucesso por mérito próprio.
No ano passado 100 000 mil professores na rua mostraram que não se conformavam com este estado de coisas. O Governo tremeu. Mas os Sindicatos de professores não souberam gerir esta revolta legítima. Ocupados por gente que não dá aulas, funcionalizados e alienados pelo sistema, apressaram-se a assinar um acordo que nada resolveu, antes adiou um problema que vai inquinar o ano lectivo que hoje começa.
Todos os que podem estão a vir-se embora das escolas, é a debandada geral. Gente com a experiência e a formação profissional de muitos anos, que ainda podiam dar tanto ao ensino, retiram-se desgostosos, desiludidos, magoados. Deixaram de acreditar que a sua presença era importante e bateram com a porta. O Governo não se importa, nada faz para os segurar: eram gente que tinha espírito crítico e resistia. «Que se vão embora, não fazem cá falta nenhuma!»
Não, não tenho pena de não voltar à escola. Pelo contrário: entro em Setembro com um enorme alívio. Mas não me sinto bem. Estou profundamente solidário com os meus colegas de profissão e tenho a estranha sensação de que os abandonei, embora saiba quanto isso é pretensioso da minha parte. Vejo com apreensão e desgosto que, trinta e sete anos depois de começar a ser professor, a escola não está melhor.
 Sim, regressarei hoje à escola. Mas só para dar um imenso abraço àqueles que, corajosamente, como professores no activo, enfrentam um novo ano lectivo.
Torres Vedras, 1 de Setembro de 2008

Joaquim Moedas Duarte
http://www.oestadodaeducacao.blogspot.com/

terça-feira, setembro 02, 2008

Gustav e Katrina: as maneiras de ver o problema


Ministra da Educação: «Estabilidade» não permite mais colocações

Lurdes Rodrigues acredita que os professores desempregados «terão a sua oportunidade», mas fora do sistema de ensino
A responsável pela tutela da Educação recordou que «agora há uma grande estabilidade no sistema, preparado no ano lectivo anterior, e as colocações respondem apenas a necessidades muito pontuais». «Estes profissionais altamente qualificados terão a sua oportunidade, mas o sistema de ensino não cresce», afirmou.
A hipocrisia e o cinismo desta “senhora” não tem limites!
Eu sei bem quais eram os limites que ela precisava...

Vem aí a escola


Chegámos a Setembro e com ele as preocupações com a escola. Uns porque vem aí o novo ano, outros com o preço dos livros escolares (para dois miúdos do 5º e do 7º ano quase 350 Euros), e outros porque vão sofrer mais um ano de medidas da Sinistra Ministra (os mais felizes porque para muitos é a não colocação e a precariedade, miseravelmente paga, das Actividades Extra Curriculares).
A Sinistra Ministra vai chegar ao topo, vai implementar todas as suas medidas e ficar toda inchada de ouvir os louvores dos seus capangas por ter sido capaz de transformar escolas públicas em fábricas de mão-de-obra precária e barata. Só espero que inche tanto que rebente.
http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

Debate sobre segurança

CDS quer comprar anfíbios, PS diz que isto nunca esteve tão seguro

O Parlamento debateu ontem, numa reunião extraordinária, a recente onda de violência. Os partidos não se entenderam, mas saíram algumas propostas da discussão.
O Bloco de Esquerda entende que a onda de criminalidade se deve aos péssimos acabamentos dos bairros que acolhem os criminosos. “Muitos deles” – acusam os bloquistas – “vivem sem aquecimento central e nós sabemos como pode ser frio o nosso Inverno”.
Assim, o Bloco propõe obras de melhoramento em alguns bairros e a instalação, sem custos adicionais, de televisão por cabo.
Mas o CDS discorda. A estratégia do CDS passa por um combate sem tréguas “como se isto fosse uma guerra”. E assim, tal como defendeu a compra de submarinos para combater o tráfico de droga em barcos de borracha, defende agora a compra de dois porta-aviões e três anfíbios.
Opinião diferente tem o Partido Comunista, que aplaude os assaltos aos bancos e às bombas de gasolina, menos no Alentejo, onde costumam ser de militantes comunistas.
Do lado do Governo, a bancada do Partido Socialista diz desconhecer qualquer onda de violência. Os deputados afirmaram que nunca se sentiram tão seguros. O líder da bancada até pediu para publicar o ‘pin’ dos seus cartões em Diário da República.
Por último, o PSD afirmou que tem propostas muito boas, mas que depois a líder conta. No tempo de debate que lhe era destinado, passou a Minute Waltz, de Chopin.
http://lobi.blogs.sapo.pt/

Vertigem


O norte-americano Jesse Hall precipita-se do topo de uma torre com 300 metros de altura em Kuala Lumpur. Um pára-quedas é tudo o que o separa de um óbito prematuro.

"Consigo calcular o movimento dos corpos celestiais, mas não a loucura das pessoas", disse um dia Isaac Newton.
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grandes decisões em Setembro

Gagos querem speed dating de 3 horas

A Associação Portuguesa de Gagos denunciou esta semana as dificuldades que os gagos enfrentam nos encontros de speed dating, formato em que duas pessoas desconhecidas conversam durante o tempo máximo de 3 minutos. Segundo Cesário Neves, presidente da APG, a existência de um tempo máximo tão curto discrimina os gagos. “Três minutos são insuficientes para um gago dizer o primeiro nome quanto mais para um gago dar-se a conhecer. Os gagos precisam de um speed dating que lhes permita ter tempo para dizerem o seu nome, apelido, profissão, idade, o que gosta de fazer nos tempos livres e qual a sua fantasia favorita”, afirmou o presidente da associação.
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biceps

Jogos Olímpicos

Portugueses vieram cheios de medalhas

O resultado da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Pequim acabou por não ser tão má quanto se julgava. Para Portugal vieram as medalhas de Vanessa Fernandes, conquistada no Triatlo, de Nelson Évora, conquistada no Triplo Salto, e várias para o Comandante Vicente Moura, conquistadas durante uma patuscada na Aldeia Olímpica.
Silva Pereira, que representou o Governo português nesta expedição, também conquistou uma medalha de molho de tomate, nas primeiras finais de Bolonhesa, mas foi desclassificado por falsa partida. O júri entendeu que o ministro começou a comer antes das outras pessoas. «Marco Fortes ainda nem se tinha servido», comentou Gustavo Lima.
http://lobi.blogs.sapo.pt/

sem comentários...

O Sporting foi aos touros e apanhou cinco "Cornadas"...


O Sporting deslocou-se a Espanha para uma "faena" com o Real Madrid...
Pouco habituado às "Lides Tauromáquicas", saiu sem pena nem glória com 5 cornadas no "buxo"...
Simpàticamente o Real lá fez o favor de deixar entrar três...
No final, alguns adeptos leoninos davam largas à indignação e afirmavam
" algo tem que mudar"...
.
Aqui fica o meu singelo contributo para a mudança, a começar e já pelo emblema do tão prestigioso clube...

http://alvarohfernandes.blogspot.com/

Bater uma soneca

Este é o pensamento político que temos

Este é o pensamento político que temos , está em todas:


• Estádios de futebol, hoje às moscas,


• TGV,


• novo aeroporto,


• nova ponte,


• auto-estradas onde, na maioria dos casos, bastaria criar estradas com bom piso,


prevendo "variantes" que as desvissem das localidades,


• etc. etc.


A quem na verdade serve tudo isto?






PORTUGUESES, LEIAM AS LINHAS SEGUINTES E PENSEM


A QUEM VAI SERVIR O TGV ...


1. AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO (e aos seus agentes internos,


sob a forma de "luvas")


2. ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS E ...CLARO,


3. AOS BANCOS QUE VÃO FINANCIAR A OBRA ...


OS PORTUGUESES FICARÃO - UMA VEZ MAIS


- ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS

POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA ! ! !


Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.

Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos
nossos 'Alfa' por não ser tão luxuoso e ter menos serviços de apoio
aos passageiros.

A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de
vista, demorou cerca de cinco horas.

Não fora conhecer a realidade económica e social desses países,


Daria comigo a pensar que os nórdicos,


emblemáticos pelos superavites orçamentais,


seriam mesmo uns tontos.



Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes
recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.

A resposta está na excelência das suas escolas,


• na qualidade do seu Ensino Superior,


• nos seus museus e escolas de arte,


• nas creches e jardins-de-infância em cada esquina,


• nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.




Percebe-se bem porque não


• construíram estádios de futebol desnecessários,


• constroem aeroportos em cima de pântanos,


• nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.





O TGV é um transporte adequado a países de dimensão continental,


extensos,
onde o comboio rápido é,
numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro,
competitivo com o transporte aéreo.

É por isso que, para além da já referida pressão de certos grupos que
fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França, Alemanha e Espanha e,embrionário, segundo o eixo longitudinal da Itália (com pequenas extensões a países vizinhos).

É por razões de sensatez que não o encontramos


• na Noruega,


• na Suécia,


• na Holanda


• e em muitos outros países bem mais ricos do que este "quintal" mal gerido.



Tirar 20 ou 30 minutos ao 'Alfa' Lisboa-Porto
à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros
não trará qualquer benefício à economia do País.

Para além de que,
dado ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia,
ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que,
com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.

Com 7,5 mil milhões de euros podem construir-se:





- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo


que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes


(a 2,5 milhões de euros cada uma);





- mais 1.000 (mil) creches


(a 1 milhão de euros cada uma);





- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos


(a 1milhão de euros cada um).

E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros


para aplicar em muitas outras carências


como, por exemplo,


na urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária.

(recebido por mail)

Põe lá isso bem...

A figura mais realista é aquela do fim de negro, estão a ver?

10 medidas urgentes para reabilitar a escola

1º Os órgãos de gestão não necessitam de mais competências qualitativas do que as que lhe estavam atribuídas no anterior quadro legal (DL 115/A).
2º A assembleia de escola é um órgão acessório e dispensável.
3º O conselho administrativo deve gerir apenas um orçamento de escola que inclui as actividades lectivas e não lectivas.
4º Seria necessário reforçar as competências do conselho pedagógico, com duas secções que poderão funcionar separadamente (necessidade de agilizar o órgão) e que dirão respeito às dimensões lectivas e não lectivas da escola. O presidente do conselho executivo participaria nas reuniões sem direito a voto.
5º Autarcas, representantes dos encarregados de educação, representantes dos interesses da comunidade, representantes do professores e dos funcionários, e os órgãos de gestão (um elemento por escola) devem ter assento no conselho municipal de educação, órgão cujas competências estão definidas na lei.
6º É fundamental que o crédito semanal de horas, a ser atribuído pelo órgão de gestão e a ser considerado no horário dos professores, seja mais flexível para que as actividades não lectivas tenham a mesma dignidade que as actividades lectivas. Esta distribuição deve ter em conta um crédito global de horas mais generoso e, se houver justificação, deve ser superiormente autorizado o alargamento.
7º A base curricular deve ser nacional sendo definido um núcleo de disciplinas e matérias fixo. Além de ser estimulada a oferta de disciplinas alternativas cujos programas poderiam ser construídos localmente com a participação, se a escola assim o entender e a seu pedido, de instituições de ensino superior. Depois de ser cumprido o núcleo de matéria fixo do programa (não muito longo), os professores seriam estimulados a fazer comunicar as actividades lectivas com as não lectivas (MF Patrício designaria estas actividades de interactivas ou de dimensão dialéctica currículo/extracurrículo).
8º Carreira única para os docentes e os representantes dos professores no conselho pedagógico devem ser eleitos em assembleia de grupo disciplinar.
9º Concurso nacional para presidente do conselho executivo/directivo. O presidente do conselho executivo deve ser obrigatoriamente professor com especialização em administração escolar. Limitação de mandatos (de 6 a 8 anos) para todos os elementos do órgão de gestão sendo negada a possibilidade de integrar outra equipa directiva na mesma escola enquanto não terminar o período de nojo (de 6 a 8 anos).
10º A avaliação do desempenho docente deve ser, exclusivamente, formativa.
http://olhardomiguel.wordpress.com/

Qual é o nome do filme?


http://www.rebelion.org/

Cinismo

A respeito das dezenas de milhares de professores formados que ficam sem colocação anualmente são tecidos pelos governantes e reproduzidos por muitas pessoas, algo como isto: " as escolas ou o Estado não são feitas para dar empregos".
Os sindicatos muitas vezes reagem, e bem, apontando como muitos dos milhares que ficam no desemprego são fruto de escolhas e decisões políticas. Em Portugal, por exemplo, tem havido decisões que remetem para o desemprego e precariedade absoluta dezenas de milhares de professores, num quadro social em que existem necessidades de Educação e qualificação escolar e profissional enorme se comparados com outros países. Um contrassenso portanto. Dizem também os sindicatos, e bem, que foram decisões políticas que deixaram formar-se para professores, com o seu total beneplácito e sem informar sequer os jovens que as saídas futuras poderiam estar vedadas...
Eu acho, no entanto, que num plano mais geral - que tantas vezes não conseguimos ter pois estamos remetidos a visões de curto prazo, - há que afirmar uma coisa fundamental: uma Sociedade Civilizada e de Direito não pode fazer dos seus cidadãos seres remetidos para meros instrumentos de uma economia ao serviço do interesse de alguns. A Economia como prática social deve estar feita e organizada para satisfazer as necessidades dos seus Cidadãos.
Dizer simplesmente às pessoas que se formaram ainda por cima no Ensino Superior que simplesmente se desenrasquem é cúmulo de cinismo. Compreendo os pobres de compreensão que caem na esparrela de reproduzir tais irraciocínios. Aos outros, esses, é preciso combatê-los também aqui, no campo das ideias comuns.
http://edutica.blogspot.com/

segunda-feira, setembro 01, 2008

Ilusão


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Há cinquenta anos era assim. Agora caminha-se de novo para lá...

Pensamento para hoje

Axioma de Ameringer:

a política é a arte de obter votos dos pobres e fundos de campanha dos ricos prometendo a ambos protegê-los uns dos outros.

Vou sair para dar uma volta...

Cristiano Ronaldo dá a cara por causa solidária

Craque português vai ser o protagonista da campanha «Escola Modelo»
Cristiano Ronaldo vai voltar a abraçar uma causa solidária. O craque português vai dar a cara pela campanha «Escola Modelo», dos hipermercados Modelo. Quem adquirir os produtos com a cara do internacional português estará a contribuir para equipar escolas com material informático de última geração e com equipamentos desportivos.
«É muito gratificante poder ajudar a equipar as escolas juntamente com o Modelo. As crianças têm que olhar primeiro para os estudos pois serão a base do seu futuro profissional, independentemente daquilo que forem quando crescerem», afirmou Cristiano Ronaldo. «Sinto que podemos proporcionar às crianças de hoje melhores condições de aprendizagem, para que amanhã se possam tornar em verdadeiros campeões. Sei que sou um exemplo para as crianças e quero deixar a minha marca dentro e fora de campo», garantiu o craque.

O quê? Exemplo para as crianças que estudam?!! "As crianças têm que olhar primeiro para os estudos pois serão a base do seu futuro profissional". Este rapaz é a prova viva em Portugal de que o que interessa é justamente o contrário!
"quero deixar a minha marca dentro e fora de campo". Poederás deixar a tua marca dentro de campo. Não questiono. Fora dele és um zé ninguém...

CERTO??!!!

Fisco português penhora fato Armani de morto durante funeral

O Fisco com a operação "Resgate Fiscal" acaba de levar ao extremo a prioridade dada à recuperação de dívidas de empresas que não entregaram IRS e IVA e que se apropriaram de receitas fiscais retidas aos trabalhadores ou aos clientes. Os bens penhorados do falecido já estarão à venda no encartado das Finanças no jornal Correio da Manhã da próxima segunda-feira. O caderno de execuções fiscais vai ter mais anúncios de venda de outros bens do falecido. O destaque principal vai para o caixão do falecido, urna em madeira de Mogno moldada, com polimento extra-brilhante e acabamento acetinado (base de licitação de 1000 euros), dois vales de desconto de 35% para cremações e uma urna com ossadas do pai do empresário com madeira de grande qualidade e a um preço bastante apelativo.
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onde está o ET

Criminosos portugueses receiam não estar à altura de "onda de crime" promovida pela comunicação social

Não são apenas os cidadãos ordeiros os afectados pela "onda de criminalidade violenta" que o país atravessa (de acordo com a comunicação social) e os próprios meliantes começam a acusar a responsabilidade do permanente escrutínio mediático. Para Mané Balázio, presidente do Sindicato do Crime do Sul e Ilhas: "Até aqui, com as ondas de insegurança, ainda nos íamos aguentando, mas com a promoção a ondas de crime e com até os roubos mais insignificantes a terem cobertura televisiva, começamos a sentir que o país quase nos exige que pratiquemos a nossa arte e nem todos os colegas serão capazes de lidar com esta pressão." A opinião é partilhada por outros líderes sindicais do submundo. O presidente da UACAS (União de Assaltantes, Contrabandistas, Assassinos e Similares), Carvalho da Silva (sem parentesco com o líder da CGTP) refere ainda a mudança de expectativas do público. "Assaltos simples, roubos por esticão ou furtos domiciliares já não impressionam ninguém", refere. "Os portugueses têm visto assaltos com reféns e snipers e utilização de mísseis em carrinhas de valores e começam a habituar-se mal. Além disso, há ainda o problema dos comentários especializados. Tira a piada ao crime saber que cada roubo de caixa Multibanco tem um valor sociológico profundo." Ignorando as queixas da classe criminosa, o governo esforça-se para mostrar serviço na luta contra a "onda de criminalidade violenta", quer esta seja real ou não. Em breve, será anunciada a entrada ao serviço do primeiro super-herói português, um espécime concebido em laboratório a partir da fusão de qualidades dos nossos dirigentes, nomeadamente: a clareza de ideias de Pinto Monteiro, a simpatia de Rui Pereira, a diplomacia de Mário Lino, o ligeiro atraso mental de Alberto Costa (para mostrar que somos uma sociedade que não discrimina) e a capacidade de José Sócrates para ignorar tudo o que não se enquadre na sua visão idealizada de um país a caminho da perfeição.
http://www.inepcia.com/

Egomania?

lento, mesmo lento

Ciência Imparcial?


Poderá a investigação científica ser realmente imparcial? A resposta óbvia é que não pode ser inequivocamente imparcial porque a ciência é feita por seres humanos e instituições humanas, que estão sujeitos à habitual cegueira facciosa.

Mas há uma grande, uma imensa diferença entre ver que a ciência, como tudo o resto, não pode ser inequivocamente imparcial, e celebrar esse facto alegremente. Isto é o primeiro passo para o totalitarismo; se tudo é inequivocamente faccioso, até a ciência, então eu tenho o direito de defender com unhas e dentes os meus interesses, que têm uma vantagem final que nenhuns outros interesses têm: são meus. Por outro lado, qualquer análise superficial das instituições científicas mostra que estas estão em parte feitas de maneira a contrariar a parcialidade e a procurar a máxima objectividade (leia-se em português, a este respeito, o prólogo de Jorge Buescu do seu livro O Mistério do Bilhete de Identidade). Fingir que não há diferença entre as instituições científicas e as religiosas, por exemplo, só pode ser fruto de confusão mental ou do tipo de facciosismo cego que está na moda imputar à ciência.

Precisamos de estar vigilantes, de procurar a verdade das coisas, de denunciar a mentira, a prostituição da ciência para fins políticos e ideológicos. E nesta tarefa nada nos ajuda a declaração sofística, baseada em imaginadas autoridades filosóficas, de que tudo é inequivocamente faccioso e que a objectividade é um mito. Argumentar que X não existe porque não existe um X puro é o tipo de falácia contra a qual temos de estar precavidos, pois é dela que nasce a ideia pós-moderna de que devemos celebrar a ideologização da ciência, da filosofia, da história e talvez até das quecas. Do facto de ninguém ser puramente bom, não se segue 1) que não há pessoas boas, e umas mais que outras, nem 2) que devemos celebrar a maldade, a inveja, a perversidade e a pura manipulação desavergonhada, nem 3) que não devemos procurar ser boas pessoas, dentro das nossas muito humanas limitações.
http://dererummundi.blogspot.com/

Série de acidentes nucleares atingiram vários países europeus ( Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Áustria, Eslovénia, Ucrânia) neste Verão


Não é só a Espanha e a França que têm tido problemas com as suas centrais nucleares. Acidentes nas centrais nucleares também se verificaram neste Verão na Alemanha, Eslovénia, Áustria, Ucrânia e Bélgica.

Na Bélgica, por exemplo, um acidente de nível 3 ocorrido no passado 24 de Agosto no Institut dês Radioélements (IRE) em Fleures desencadeou um alerta e as suas consequências, apesar de serem minimizadas pela Agência federal belga de Controle Nuclear ( AFCN), levou à interdição do consumo de legumes e do leite nas redondezas do local onde se encontram as instalações daquele Instituto.

Em Espanha, no mesmo dia, ocorreu um importante incêndio na central nuclear de VandellosII ( situada na Catalunha), o que levou à sua paragem forçada. Note-se mesmo que desde o princípio deste ano já se produziram umas 30 ocorrências acidentais nas centrais espanholas.

Na Alemanha, em Asse, a população local tomou conhecimento no final do passado mês de Junho que uma contaminação de grande amplitude atingia as minas de sal desde há anos, a partir dos detritos nucleares armazenados.

Por sua vez, na Áustria, verificou-se um incidente na noite de 2 para 3 de Agosto nos laboratórios da Agência Internacional de energia atómica (AIEA) a 35km de Viena e que só por muita sorte não teve consequências de maior…

Também na Ucrânia uma fuga de água radioactiva obrigou à paragem de um reactor da central nuclear de Rivné no passado mês de Junho.

Nesta série de ocorrências devemos incluir ainda o caso verificado na Eslovénia a 4 de Junho deste ano na central nuclear de Krsko e que desencadeou inclusivamente um alerta europeu, não se sabendo ainda o que é que então se passou.

Por fim, na França deram-se vários e preocupantes incidentes como a grave figa de urânio ( a 7 de Julho) , a descoberta de contaminações por causa do rompimento de uma canalização (18 de Julho), a contaminação de 100 funcionários na Central nuclear EDF de Tricason ( 23 de Julho), a contaminação de 15 trabalhadores na central de Isère ( 20 de Julho), despejos ilegais de carbono 14 radioactivo ( a 6 de Agosto, na central Socatri-Areva), rompimento de uma canalização ( a 21 de Agosto, na central de Comurhex-Areva, situado em Pierrelatte, no Drôme)

Antes que uma catástrofe nuclear aconteça com consequências imprevisíveis, nunca é demais alertar a opinião pública para a gravidade das contaminações e dos perigos inerentes à indústria nuclear.

Fonte:
http://www.sortirdunucleaire.org/

http://pimentanegra.blogspot.com/

foto de férias...a última?

sem comentários

nova viagem


http://antero.wordpress.com/

As alterações do Código do Trabalho pretendidas pelo governo Sócrates desequilibram ainda mais as relações laborais em favor do patronato

O actual governo apresentou na Assembleia da República uma proposta de lei que visa introduzir alterações no actual Código do Trabalho. A justificação, tal como sucedeu com Bagão Félix, é que elas visam aumentar a competitividade. As principais alterações, que desequilibram ainda mais a situação actual, são as seguintes.

Alguns dos contratos colectivos que estão ainda em vigor e que abrangem muitos trabalhadores contêm uma clausula que estabelece que eles só deixarão de vigorar quando forem substituídos por novos contratos colectivos. As associações patronais estão contra esta cláusula e têm exigido do governo a sua eliminação. E o governo de Sócrates na proposta de lei satisfaz essa exigência patronal. Assim, o nº2 do artº 9º da proposta da chamada Lei preambular dispõe, relativamente aos CCTs que contenham aquela cláusula, o seguinte: A convenção colectiva caduca na data de entrada em vigor da presente lei se a associação patronal a tiver denunciado há mais de cinco anos, ou seja, quando entrou em vigor o Código de Bagão Félix. Portanto, não é a cláusula que é eliminada mas todo a Convenção Colectiva, o que poderá suceder na indústria de material eléctrico e química cuja negociações estão paralisadas há já bastante tempo devido ao boicote patronal.

Um dos princípios básicos das leis do trabalho é o principio do tratamento mais favorável, que dispõe que os CCTs e os CITs não podem estabelecer condições mais desfavoráveis do que as estabelecidos por lei. Embora o PS, enquanto esteve na oposição, defendesse este princípio, logo que chegou ao governo esqueceu-se dele. Assim, o artº 3 da proposta de lei do governo dispõe que só não poderão ser estabelecidas condições mais desfavoráveis para os trabalhadores em 14 matérias. Em todas as restantes matérias poderão ser estabelecidas por CCT ou por CIT condições menos favoráveis para os trabalhadores das que constam da lei.

De acordo com o actual Código do Trabalho a "adaptabilidade" consiste na possibilidade que tem a entidade patronal de obrigar o trabalhador, nos dias em que a empresa tenha mais serviço, a trabalhar mais 2 a 4 horas por dia, para além das 8 horas, sem ter de pagar horas extraordinárias, sendo o trabalhador compensado por horas que faça a menos nos dias em que a empresa tenha menos serviço. Mas esta adaptabilidade só pode ser introduzida ou por CCT ou com o acordo do trabalhador. O governo de Sócrates pretende alterar esta disposição. De acordo com a proposta, os trabalhadores que não queiram entrar no regime da adaptabilidade poderão ser forçados a aceitá-la. O nº1 do artº 205 dispõe que desde que 60% dos trabalhadores de uma equipa, secção ou unidade económica sejam abrangidos por um contrato colectivo de trabalho que contenha a adaptabilidade, a empresa poderá aplicar aos restantes 40% a adaptabilidade mesmo que estes não estejam de acordo. Esta adaptabilidade forçada poderá ser também introduzida de outra forma, que é a seguinte (nº2 do artº 205º): desde que 75% dos trabalhadores da equipa, secção ou unidade económica tenham aceite a adaptabilidade por contrato individual de trabalho, a empresa poderá impor aos restantes trabalhadores mesmo que estes não queiram. É a chamada "adaptabilidade grupal" ou forçada criada pelo governo de Sócrates.

A proposta de lei pretende criar um novo tipo de contrato que não existe no Código de Bagão Félix: o chamado contrato de trabalho intermitente. De acordo com o artº 159, as entidades patronais poderão impor contratos com a "duração da prestação de trabalho de modo consecutivo ou intercalado", sendo apenas obrigadas a garantir "seis meses de trabalho consecutivos a tempo completo por ano". O trabalhador só tem direito ao salário completo nos meses em que prestar trabalho em tempo completo. Nos restantes meses terá direito apenas a 20% do salário sem direito a subsídio de desemprego. E o artº 160º dispõe que o subsídios de férias e o de Natal têm um valor inferior ao do salário a tempo completo pois é " a média dos valores de retribuições e compensações auferidas nos últimos 12 meses, ou no período de duração do contrato se esta for inferior". É uma dádiva mesmo para grande empresas como a Autoeuropa que poderão assim substituir os "dias não trabalháveis" por períodos de intermitência pagando aos trabalhadores apenas 20% do salário.

O nº1 do artº 207 da proposta dispõe que, por meio de contrato colectivo de trabalho, pode ser instituído um regime de "banco de horas". E o nº2 dispõe que este banco de horas é alimentado através do "aumento do período diário de trabalho até 4 horas diárias e pode atingir 60 horas semanais, tendo o acréscimo o limite de 200 horas por ano". Estas horas feitas a mais não são pagas como trabalho extraordinário, mas sim compensadas por horas feitas a menos que poderão ser fixadas pela empresa que escolhe o período que mais lhe interessar. Uma medida que, se for aprovada, beneficiará até grandes empresas como a Autoeuropa.

O nº1 do artº 208 da proposta de lei estabelece que "por instrumento de regulamentação colectiva de trabalho ou acordo entre empregador e o trabalhador , o período normal de trabalho diário poderá ser aumentado até 12 horas, para concentrar o trabalho semanal em três ou quatro dias consecutivos, devendo a duração do período normal de trabalho semanal ser respeitado em média de um período de referência até 45 dias". Para o governo mesmo a saúde e a vida familiar do trabalhador pouco contam.

O artº 494 do actual Código do Trabalho determina que a entidade patronal é obrigada a descontar a quota sindical e a enviá-la ao sindicato desde que isso conste de IRCT ou o trabalhador faça um pedido expresso. Nesse sentido. Mesmo isto a proposta do governo altera. Segundo o artº 456 da proposta só com base em IRCT ou então desde que o patrão dê o seu acordo é que a quota poderá ser descontada e enviada ao sindicato. O objectivo é permitir à entidade patronal condicionar a filiação sindical. Se o sindicato não é de agrado do patrão é de prever que não dê acordo.

É evidente que estas alterações vão aumentar ainda mais a capacidade de chantagem do patronato para impor as suas condições porque, com a caducidade dos CCT imposta por lei, aquele vai procurar impor aos sindicatos o seguinte dilema: ou aceitam as condições do patronato ou não há convenção colectiva . São também uma ajuda à UGT que assim ficaria mais livre para aceitar as condições patronais. O pilar fundamental em qualquer sociedade, é o trabalho pois é ele que cria valor e riqueza. Mas para este governo o pilar fundamental é o capital, e é ele que merece todo o seu apoio. A centralidade do trabalho é assim substituída pela centralidade do capital.
Eugénio Rosa
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

evolução


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O Financial Times e o "auto-confesso mentor do 11/Set"

Nos últimos dias há uma evidência crescente do avanço do totalitarismo entre os políticos e os media "de referência". Todo o mundo ocidental, conduzido pelos Estados Unidos, abraçou um regime georgiano que invadiu a Ossétia do Sul demolindo totalmente a sua capital com 50 mil habitantes, assassinou 1500 homens, mulheres e crianças e dúzias de russos das forças de manutenção da paz. Os EUA mobilizaram uma armada naval e aérea junto à costa iraniana, preparados para aniquilar um país de 70 milhões de pessoas. O New York Times publicou um ensaio de um eminente historiador israelense que advoga a incineração nuclear do Irão. Todos os mass media principais montaram uma campanha de propaganda sistemática contra a China, apoiando todos os grupos terroristas e separatistas e estimulando a opinião pública para o lançamento de uma Nova Guerra Fria. Há pouca dúvida de que esta nova onda de agressão imperial e retórica belicosa é destinada a desviar o descontentamento interno e distrair a opinião pública do aprofundamento da crise económica.

O Financial Times (FT), outrora a voz liberal e esclarecida da elite financeira (em contraste com o Wall Street Journal, agressivamente neo-conservador) rendeu-se à tentação totalitária-militarista. O artigo do suplemento de fim de semana, de 16-17/Agosto/2008 — "A cara do 11/Set" ( "The Face of 9/11" ) — adopta a confissão forçada de um suspeito do 11 de Setembro extorquida através de cinco ano de tortura odiosa nas masmorras de prisões secretas. Para fazer a sua argumentação, o FT publicou uma foto ampliada de meia página divulgada antes pelo antigo director da CIA George Tenet, a qual apresenta um prisioneiro desgrenhado, confuso, peludo como um macaco. O texto do escritor, um tal Demetri Sevastopulo, confessa isto: O FT admite ser um veículo de propaganda para um programa da CIA destinado a desacreditar o suspeito enquanto este aguarda julgamento com base em confissões obtidas através da tortura.

Desde o começo até o fim, o artigo declara categoricamente que o acusado, Khaled Sheikh Mohammed, é o "auto-confesso mentor (mastermind) dos ataques do 11 de Setembro nos EUA". A primeira metade do artigo é cheia de trivialidades, destinadas a proporcionar um sentimento de interesse humano para com o tribunal e o procedimentos judiciais — uma mistura bizarra que discute desde o nariz de Khaled até a dimensão da sala do tribunal.

O ponto central de partida para a convicção do FT quanto ao suspeito é a confissão de Khaled, seu "desejo de martírio", sua compreensão da sua própria defesa e sua recitação do Corão. A peça crucial do processo do governo é a confissão de Khaled. Todas as outras "evidências" eram circunstanciais, por rumores e com base em inferências decorrentes do comparecimento de Khaled a reuniões no estrangeiro.

A principal fonte informação do FT, um informante anónimo "familiar com o programa de interrogatórios da CIA", declara categoricamente dois factos cruciais: (1) Quão pouco a CIA sabia acerca dele antes da sua prisão (ênfase minha) e (2) que Khaled resistiu mais do que os outros.

Por outras palavras, a única evidência real da CIA foi extraída pela tortura (a CIA admitiu ter efectuado o "water boarding" — uma técnica de tortura infame que leva quase à morte for afogamento). O facto de que Khaled negou reiteradamente as acusações e de que ele só confessou após cinco anos de tortura em prisões secreta torna todo o processo um caso de estudo em jurisprudência totalitária. Tendo sido sujeitos a torturas indizíveis por investigadores judiciais estado-unidenses, enfrentando acusações baseadas numa confissão extraída através da tortura, não é de admirar que Khaled tenha recusado um advogado militar nomeado pelo tribunal — um advogado que faz parte de um sistema de prisões secretas, torturas e julgamentos espectáculo. Ao invés de retratar Khaled como um fanático à procura de martírio por rejeitar um advogado, devemos reconhecer que ele está no seu perfeito juízo para pelo menos preservar o limitado espaço e tempo que lhe é concedido a fim de declarar as suas crenças e mencionar a sua disposição para morrer por aquelas crenças. Confissões extraídas através de tortura não têm validade em qualquer tribunal, especialmente após cinco ano de confinamento solitário. Aquilo que o FT denomina "o super-terrorista" com base no seu declarado "desejo de martírio" é a admissão de um indivíduo que sofreu para além da resistência humana e vê a morte como um fim para a sua horrível existência sub-humana.

A adopção pelo FT da prova coagida da CIA e dos militares, e portanto da sua utilização da tortura, coloca-o directamente no campo do estado totalitário. A viragem à direita do FT espelha a viragem europeia rumo à confrontação militar dos EUA com a Rússia, e o fortalecimento (buid-up) militar na Polónia, República Checa, Kosovo, Iraque e Geórgia. Ao legitimar a tortura, o FT abriu a porta para tornar práticas judiciais totalitárias, detenções arbitrárias, prisões secretas, confinamento solitário prolongado, julgamentos espectáculo e estórias de encobrimento uma parte normal da vida política ocidental. O refinado fascismo britânico não é menos feio do que a sua enfurecida versão estado-unidense.
James Petras
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