Se virmos bem, em qualquer lugar e a qualquer hora, há sempre um padre, bispo ou cardeal de dedo espetado no ar, apontando a alguém terríveis pecados, ou por actos, ou por pensamentos, ou por um filme, ou por uma escultura, música, livro ou até, como neste caso, umas fotografias.
Infelizmente, estamos já tão habituados à arrogância de "certa" Igreja Católica, que vive convencida de que por direito divino pode exigir que o mundo se molde à sua vontade e aos seus gostos e crenças, que já nem reagimos.
Ainda se os sacerdotes e as suas eternas beatas se limitassem a lavrar os seus protesto, um direito que obviamente lhes assiste... mas não. Avançam sempre com exigências, chamas do inferno, pedidos de condenação em tribunal e desgraçadamente há sempre um juiz pronto para se pôr de gatas e lhes fazer a vontade, condenando, proibindo, apreendendo isto e aquilo, ao sabor dos fantasmas teológico-sexuais dos queixosos.
Este último caso é um bom exemplo. Uma jovem actriz brasileira, de nome Carol Castro, de que nunca ouvira falar, achou por bem espanejar os seus talentos até aí mais escondidos, numa sessão fotográfica para a revista “Playboy”, que eu nem sabia que publicava fotografias, tantas são as pessoas que lhe gabam os textos. A pretexto de vestir (???) umas personagens de “mulheres de Jorge Amado”, lembrou-se de numa ou duas das fotografias segurar entre os dedos... um terço. Danou-se!
“Ai a ofensa ao terço, ai a ofensa à Igreja Católica, ai a ofensa aos fiéis, ai...” Resumindo, ai a ofensa!
Resultado, a tal da “Playboy” do Brasil já está proibida por um juiz, o padre ficou famoso e o bem, mais uma vez, venceu o mal.
Poucas coisas devem interessar-me menos do que esta estória perfeitamente idiota com fotografias de gosto discutível e notória falta de guarda roupa.
O que eu gostava mesmo de saber, pegando numa velha ideia de Eça de Queiroz, é o que podemos nós embargar, apreender ou “cortar” à Igreja Católica, de todas as vezes que a sua hierarquia ofende (tantas vezes tão gravemente) os milhões de praticantes de outras religiões, os simplesmente não católicos, ateus, agnósticos e não poucas vezes, os seus próprios fieis.
Essa sim, seria uma grande informação!
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/
Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
sexta-feira, setembro 05, 2008
Arrogância autocrática em relação ao desemprego docente
Discurso do Primeiro Ministro mostra a sua falta de vergonha e a sua arrogância, devendo pensar que o povo é «estúpido»!
Um primeiro ministro que diz que os professores não colocados são desnecessários, além de desonesto é arrogante, pois o estado impulsionou durante duas décadas, nomeadamente quando Sócrates era ministro do ambiente do governo Guterres, a abertura de cursos com exclusiva ou predominante saída profissional para o ensino. Quer nas ESE (Escolas Superiores de Educação) quer nas escolas superiores privadas e cooperativas, houve uma enorme multiplicação de oferta de cursos vocacionados para a área do ensino, nestes últimos vinte anos.
O desemprego neste domínio é largamente fabricado pelo governo, pois
a) tem vindo a desenvolver um programa de encerramento de escolas do interior, sob pretexto destas terem um número pequeno de alunos (aumentando e acelerando assim a desertificação e despovoamento do interior do país e a acumulação da enorme maioria numa estreita faixa de território a menos de 100 das costas oeste e sul)
b) é responsável pela total desregulação na abertura de novos cursos na área da formação de docentes
c) tem ignorado todos os pedidos (não apenas de sindicatos, como de associações de pais) para baixar o rácio/professor aluno, nomeadamente tem recusado diminuir em muitos casos (e ao arrepio das próprias determinações legais em vigor) o número máximo de alunos nas turmas onde existam casos de alunos com dificuldades e necessidades educativas especiais (vai agora sobrecarregar as escolas com deficientes profundos, sob pretexto hipócrita de integração, quando nada fez para as preparar humana, técnica e fisicamente para receber tais casos!!!)
d) promove uma desresponsabilização do «estado central» em relação às mal-nomeadas áreas de enriquecimento curricular, pois essas deveriam estar integradas no currículo e não serem «servidas» como extra, caso da música, educação física e inglês, como se fosse aceitável numa escola moderna que alunos do primeiro ciclo não tenham quaisquer destas áreas, como se fossem menos essenciais que as outras.
e) Querem estreitar o leque de disciplinas e docentes no 2º ciclo, pretendem que uma parte importante do curriculo seja indiferentemente leccionado por docentes com as mais díspares formações, o que - além da previsível descida de qualidade - vai no sentido de diminuir o número de professores recrutáveis em cada escola.
Se a política educacional fosse sinceramente destinada a melhorar o fraco desempenho do nosso país e aumentar a qualidade das aprendizagens dos nossoas alunos, os 40 mil docentes agora no desemprego, teriam com certeza lugar no sistema e m lugar de grande importãncia, tanto mais que são pessoas jovens com muita energia e cheios da motivação e de idealismo. Desperdiçar e desprezar esta geração de jovens docentes é criminoso, é bárbaro, é a prova mais acabada de reaccionarismo, sob cores demagógicas de «modernidade» e de «preocupações sociais».
Vamos à luta!
O ensino e a educação não é primariamente um problema de «docentes», tal como a questão da saúde não é primariamente uma «questão dos médicos»!
Manuel Baptista
http://www.luta-social.org/
Um primeiro ministro que diz que os professores não colocados são desnecessários, além de desonesto é arrogante, pois o estado impulsionou durante duas décadas, nomeadamente quando Sócrates era ministro do ambiente do governo Guterres, a abertura de cursos com exclusiva ou predominante saída profissional para o ensino. Quer nas ESE (Escolas Superiores de Educação) quer nas escolas superiores privadas e cooperativas, houve uma enorme multiplicação de oferta de cursos vocacionados para a área do ensino, nestes últimos vinte anos.
O desemprego neste domínio é largamente fabricado pelo governo, pois
a) tem vindo a desenvolver um programa de encerramento de escolas do interior, sob pretexto destas terem um número pequeno de alunos (aumentando e acelerando assim a desertificação e despovoamento do interior do país e a acumulação da enorme maioria numa estreita faixa de território a menos de 100 das costas oeste e sul)
b) é responsável pela total desregulação na abertura de novos cursos na área da formação de docentes
c) tem ignorado todos os pedidos (não apenas de sindicatos, como de associações de pais) para baixar o rácio/professor aluno, nomeadamente tem recusado diminuir em muitos casos (e ao arrepio das próprias determinações legais em vigor) o número máximo de alunos nas turmas onde existam casos de alunos com dificuldades e necessidades educativas especiais (vai agora sobrecarregar as escolas com deficientes profundos, sob pretexto hipócrita de integração, quando nada fez para as preparar humana, técnica e fisicamente para receber tais casos!!!)
d) promove uma desresponsabilização do «estado central» em relação às mal-nomeadas áreas de enriquecimento curricular, pois essas deveriam estar integradas no currículo e não serem «servidas» como extra, caso da música, educação física e inglês, como se fosse aceitável numa escola moderna que alunos do primeiro ciclo não tenham quaisquer destas áreas, como se fossem menos essenciais que as outras.
e) Querem estreitar o leque de disciplinas e docentes no 2º ciclo, pretendem que uma parte importante do curriculo seja indiferentemente leccionado por docentes com as mais díspares formações, o que - além da previsível descida de qualidade - vai no sentido de diminuir o número de professores recrutáveis em cada escola.
Se a política educacional fosse sinceramente destinada a melhorar o fraco desempenho do nosso país e aumentar a qualidade das aprendizagens dos nossoas alunos, os 40 mil docentes agora no desemprego, teriam com certeza lugar no sistema e m lugar de grande importãncia, tanto mais que são pessoas jovens com muita energia e cheios da motivação e de idealismo. Desperdiçar e desprezar esta geração de jovens docentes é criminoso, é bárbaro, é a prova mais acabada de reaccionarismo, sob cores demagógicas de «modernidade» e de «preocupações sociais».
Vamos à luta!
O ensino e a educação não é primariamente um problema de «docentes», tal como a questão da saúde não é primariamente uma «questão dos médicos»!
Manuel Baptista
http://www.luta-social.org/
quinta-feira, setembro 04, 2008
Olá colegas
Desejo a todos um bom regresso ao trabalho e à luta!...
A propósito da situação dramática vivida por milhares de docentes contratados (à volta de 40 mil – os quais, juntamente com as suas famílias, mereciam maior respeito por parte de quem não consegue disfarçar a sua insensibilidade e arrogância*) o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou esta terça-feira que “o tempo da facilidade acabou” (CM, 02-09-2008) e suspeita-se que o Sr. Engenheiro, embora estando a referir-se à não obtenção de colocação por parte dos nossos colegas contratados, estava a pensar em outra realidade…
Como o compreendemos… de facto já não é possível aproveitar as facilidades de outros tempos!... Fechou a Universidade Independente… E o tempo da facilidade esfumou-se!...
Octávio V Gonçalves
* Que mal fica tanta soberba, a quem fora da política não se lhe reconhece nenhum contributo de monta para a economia, a educação, o urbanismo ou o país, e a quem, sendo primeiro-ministro e só para citar os casos mais recentes, desconhecia a lei do tabaco, ignorava o montante da isenção fiscal aplicada aos carros eléctricos, esqueceu-se de dizer que o Magalhães é apenas a montagem portuguesa do “Classmate PC” da Intel e que, com esse anúncio, sem concurso, põe em causa as regras do mercado entre empresas concorrentes, e anuncia 1200 empregos que não é líquido que venham a existir, aliando-se a uma empresa de trabalho precário, baixos salários e sob investigação (Tudo isto para o Expresso e para o Sr. Ricardo Costa da SIC não são as “trapalhadas” que eram tão lestos a apontar a outros, deve ser uma qualquer inteligência estratégica!...). Respeito e humildade precisam-se!...
(recebido por mail)
A propósito da situação dramática vivida por milhares de docentes contratados (à volta de 40 mil – os quais, juntamente com as suas famílias, mereciam maior respeito por parte de quem não consegue disfarçar a sua insensibilidade e arrogância*) o primeiro-ministro, José Sócrates, afirmou esta terça-feira que “o tempo da facilidade acabou” (CM, 02-09-2008) e suspeita-se que o Sr. Engenheiro, embora estando a referir-se à não obtenção de colocação por parte dos nossos colegas contratados, estava a pensar em outra realidade…
Como o compreendemos… de facto já não é possível aproveitar as facilidades de outros tempos!... Fechou a Universidade Independente… E o tempo da facilidade esfumou-se!...
Octávio V Gonçalves
* Que mal fica tanta soberba, a quem fora da política não se lhe reconhece nenhum contributo de monta para a economia, a educação, o urbanismo ou o país, e a quem, sendo primeiro-ministro e só para citar os casos mais recentes, desconhecia a lei do tabaco, ignorava o montante da isenção fiscal aplicada aos carros eléctricos, esqueceu-se de dizer que o Magalhães é apenas a montagem portuguesa do “Classmate PC” da Intel e que, com esse anúncio, sem concurso, põe em causa as regras do mercado entre empresas concorrentes, e anuncia 1200 empregos que não é líquido que venham a existir, aliando-se a uma empresa de trabalho precário, baixos salários e sob investigação (Tudo isto para o Expresso e para o Sr. Ricardo Costa da SIC não são as “trapalhadas” que eram tão lestos a apontar a outros, deve ser uma qualquer inteligência estratégica!...). Respeito e humildade precisam-se!...
(recebido por mail)
Próxima estação Bombaim
Da última vez que se viu o primeiro-ministro, foi para os lados de Santo Tirso anunciar 1200 novos postos de trabalho num call center da PT. Trabalho qualificado, garantiu, elogiando a criação de emprego precário por uma empresa que, desde 2005, despediu 3400 funcionários. O Esquerda.net foi ouvir a experiência de cinco jovens, na sua maioria licenciados, que tiveram que passar pelo qualificado mundo dos "centros de atendimento personalizado". Na primeira pessoa a coisa percebe-se melhor.
http://zerodeconduta.blogs.sapo.pt/
O erro de Orwell
É um facto que as pessoas cada vez mais não se importam de ser permanentemente vigiadas. Orwell estava errado quando achava que o Big Brother seria uma imposição. Com efeito, se hoje surgisse uma promoção em que um iPhone fosse oferecido em troca de dados pessoais e da aceitação de se ser monitorizado como forma de receber publicidade dirigida, acredito que haveria uma adesão massiva.
A tecnologia do SIEV - os chips nas matrículas - é mais um passo no sentido da perda da privacidade. Mas haverá sempre quem fique deslumbrado com a tecnologia e não se importe com as consequências.
http://fliscorno.blogspot.com/
A tecnologia do SIEV - os chips nas matrículas - é mais um passo no sentido da perda da privacidade. Mas haverá sempre quem fique deslumbrado com a tecnologia e não se importe com as consequências.
http://fliscorno.blogspot.com/
Agência do Insucesso
40 mil professores no desemprego, metade dos quais não tem direito a subsídio de desemprego, porque não trabalhou de forma contínua nos últimos anos ou esteve a recibos verdes. A denúncia foi feita esta segunda-feira pela Fenprof.
Diz o governo que não é uma agência de emprego nem tem que ser. E tem razão. O Ministério da Educação deve ser uma agência de sucesso, de verdadeiro sucesso para lá da cosmética estatística.
Só que este governo, na ânsia de não ser uma agência de emprego, torna-se numa verdadeira agência do insucesso e nada apaga esta verdade: 38% dos jovens abandonam precocemente a escola, o valor mais alto da Europa, só ultrapassado por Malta (40%).
E combater o insucesso escolar, ou seja, fazer do Ministério da Educação uma agência de verdadeiro sucesso não implica a contratação e entrada no quadro das escolas de mais professores?
Sim. De acordo com a Federação Nacional de Educação, as turmas com um número excessivo de alunos (24 a 28) eram 38% no 9º ano, 22% no 7º ano 57% no 10º ano. Outro estudo recente diz-nos que cada professor tem por ano mais de 100 alunos. Por outro lado, faltam professores de apoio aos milhares (quantos são os que recorrem a explicações pagas porque o ensino público não as faculta?), e falta investimento ao nível do ensino especial.
Não há dúvida que um grande salto na escola pública inclusiva com sucesso escolar a quase 100% implica a vinda de mais professores. Haja coragem!
http://www.movimentoescolapublica.blogspot.com/
Diz o governo que não é uma agência de emprego nem tem que ser. E tem razão. O Ministério da Educação deve ser uma agência de sucesso, de verdadeiro sucesso para lá da cosmética estatística.
Só que este governo, na ânsia de não ser uma agência de emprego, torna-se numa verdadeira agência do insucesso e nada apaga esta verdade: 38% dos jovens abandonam precocemente a escola, o valor mais alto da Europa, só ultrapassado por Malta (40%).
E combater o insucesso escolar, ou seja, fazer do Ministério da Educação uma agência de verdadeiro sucesso não implica a contratação e entrada no quadro das escolas de mais professores?
Sim. De acordo com a Federação Nacional de Educação, as turmas com um número excessivo de alunos (24 a 28) eram 38% no 9º ano, 22% no 7º ano 57% no 10º ano. Outro estudo recente diz-nos que cada professor tem por ano mais de 100 alunos. Por outro lado, faltam professores de apoio aos milhares (quantos são os que recorrem a explicações pagas porque o ensino público não as faculta?), e falta investimento ao nível do ensino especial.
Não há dúvida que um grande salto na escola pública inclusiva com sucesso escolar a quase 100% implica a vinda de mais professores. Haja coragem!
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Idoso andou em contra-mão em escorrega do Slide and Splash
Um idoso causou ontem o pânico no parque aquático Slide and Splash, situado no Algarve, perto de Lagoa. O alerta foi dado às 13.25 por um funcionário do Slide and Splash que avistou um idoso de 87 anos a fazer inversão do sentido de marcha no metro 85 do escorrega Saca-Rolhas. O idoso foi interceptado pelos funcionários oito metros depois, evitando o choque frontal contra uma criança de 8 anos. O octogenário arrisca-se agora a pagar uma coima entre os 25 e os 125 euros e à inibição de entrar em parques aquáticos da União Europeia durante um período compreendido entre os dois meses e os dois anos. Recorde-se que o incidente ocorrido no parque aquático foi o segundo caso de contramão de idosos em escorregas em menos de uma semana. Na passada terça-feira, um aparatoso acidente, ocorrido no escorrega Kamikaze do parque aquático Aqualand, antigo Big One, provocou a destruição de 4 bóias, 2 colchões, uma dentadura e um boné com rádio incorporado do Benfica.
http://biscoitointerrompido.blogspot.com/
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PROCURA-SE POSIÇÃO PROFISSIONAL COMPATÍVEL
Currículo académico
. Licenciatura em Opiniões Gerais
. Mestrado em Lobbying , especialidade Comunicação Social
. Doutoramento em Produção e Manipulação de Informação Política
Formação Profissional
. Curso de Técnicas Avançadas de Produção Intensiva de Opiniões Gerais
. Workshop de Produção de Opinião Especializada sobre Qualquer Temática
. Curso de Técnica Avançada de Elaboração de Discursos
Currículo Profissional
. Experiência de Deputado representando dois partidos e dois ciclos eleitorais diferentes
. Assessor de Administração de Empresas Públicas de áreas diversas e sob administrações políticas diferentes
. Comentador residente em dois canais televisivos
. Analista político e cronista em três jornais
. Vasta experiência como autarca em representação de diferentes formações políticas, em concelhos de regiões diversas
Procuro emprego/empregos compatível. Ofereço qualidade, rigor, experiência e fidelidade. Aproximando-se um ano de eleições julgo constituir uma mais-valia importante para uma instituição ambiciosa e bem implantada no mercado. Condições remuneratórias a discutir, considerando-se a hipótese de aceitar parte em espécie.
http://atentainquietude.blogspot.com/
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Espanha - A memória do fascismo
A cumplicidade de velhos e poderosos franquistas com a Igreja católica permitiu que, até hoje, as valas comuns onde jazem os cadáveres dos adversários jamais fossem investigadas.
A perversidade da infame ditadura franquista tem vindo a ser branqueada à medida que o tempo passa. Tal como o nazismo, também o fascismo espanhol já tem quem assevere que não foi tão cruel como se diz.
Por isso, é de saudar a ordem do juiz Baltazar Garzón para que lhe seja fornecido o número dos enterrados, durante o franquismo, no Vale dos Caídos. O conhecido juiz da Audiência Nacional, que ordenou a prisão de Pinochet, quer determinar se se considera competente para investigar tais crimes.
Segundo a Agência EFE, o referido juiz pediu ontem ao abade de Vale dos Caídos, ao Arquivo Geral da Administração, à Conferência Episcopal e ao Centro de Documentação da Memória Histórica que o informem sobre o número de desaparecidos durante a Guerra Civil e o franquismo com a finalidade de determinar se é competente para investigar esses factos.
Por seu lado, O Governo respeita a decisão do juiz Garzón e o direito das famílias a recorrer perante o juiz.
O juiz informou a Conferência Episcopal, presidida pelo inveterado franquista Rocco Varela, de que deverá permitir que a Polícia Judicial aceda a todas as paróquias de Espanha (22.827) para que lhes facilitem os livros dos defuntos de que dispõem com o fim de identificar as possíveis vítimas desaparecidas a partir daquela época.
A petição do juiz também se dirige aos autarcas de Granada, Córdova, Sevilha e Madrid, que devem informá-lo do número de pessoas enterradas em fossas comuns das suas localidades – com identificação, lugar de nascimento, residência e filiação – a partir de 17 de Julho de 1936 «como consequência directa do denominado ‘levantamento nacional’ e da situação de Guerra Civil que provocou o pós-guerra sob as ordens do novo regime em Espanha».
Concretamente, Garzón refere-se aos cemitérios de S. José (Granada), Nossa Senhora da Saúde e S. Rafael (Córdova) e S. Fernando (Sevilha) e determina que o informem sobre as circunstâncias e factos que ocorreram para estes «enterramentos maciços», assim como quando se produziram.
Nota: Este post foi elaborado a partir de um artigo, de hoje, do jornal LAVANGUARDIA.ES
http://planetaateu.portalateu.com/
A perversidade da infame ditadura franquista tem vindo a ser branqueada à medida que o tempo passa. Tal como o nazismo, também o fascismo espanhol já tem quem assevere que não foi tão cruel como se diz.
Por isso, é de saudar a ordem do juiz Baltazar Garzón para que lhe seja fornecido o número dos enterrados, durante o franquismo, no Vale dos Caídos. O conhecido juiz da Audiência Nacional, que ordenou a prisão de Pinochet, quer determinar se se considera competente para investigar tais crimes.
Segundo a Agência EFE, o referido juiz pediu ontem ao abade de Vale dos Caídos, ao Arquivo Geral da Administração, à Conferência Episcopal e ao Centro de Documentação da Memória Histórica que o informem sobre o número de desaparecidos durante a Guerra Civil e o franquismo com a finalidade de determinar se é competente para investigar esses factos.
Por seu lado, O Governo respeita a decisão do juiz Garzón e o direito das famílias a recorrer perante o juiz.
O juiz informou a Conferência Episcopal, presidida pelo inveterado franquista Rocco Varela, de que deverá permitir que a Polícia Judicial aceda a todas as paróquias de Espanha (22.827) para que lhes facilitem os livros dos defuntos de que dispõem com o fim de identificar as possíveis vítimas desaparecidas a partir daquela época.
A petição do juiz também se dirige aos autarcas de Granada, Córdova, Sevilha e Madrid, que devem informá-lo do número de pessoas enterradas em fossas comuns das suas localidades – com identificação, lugar de nascimento, residência e filiação – a partir de 17 de Julho de 1936 «como consequência directa do denominado ‘levantamento nacional’ e da situação de Guerra Civil que provocou o pós-guerra sob as ordens do novo regime em Espanha».
Concretamente, Garzón refere-se aos cemitérios de S. José (Granada), Nossa Senhora da Saúde e S. Rafael (Córdova) e S. Fernando (Sevilha) e determina que o informem sobre as circunstâncias e factos que ocorreram para estes «enterramentos maciços», assim como quando se produziram.
Nota: Este post foi elaborado a partir de um artigo, de hoje, do jornal LAVANGUARDIA.ES
http://planetaateu.portalateu.com/
lógica fabril
Recebi, via email, um texto muito interessante com duas pertinentes questões no final. Ora leia.
A Lógica Fabril "(...) A única forma de dar a volta aos resultados escolares num período mais curto do que o necessário para experienciar o processo acima descrito é falseá-los. Acabar com a arte na docência e transformá-la numa profissão excessivamente regulada. Treinar os alunos e prepará-los para a realização dos testes. Ensinar apenas aquilo que sairá no exame. Abandonar tudo o que não é testado. Introduzir a prova de maneira negligente, de modo que os resultados do primeiro ano sejam deprimidos artificialmente e que as melhorias pareçam ser maiores em anos subsequentes. Concentrar todos os esforços no treino dos alunos que se situam imediatamente abaixo do nível exigido para a passagem. Sussurrar-lhes as respostas ou dar-lhes pistas sobre elas. Fazer com que as crianças sejam capazes de entoar em voz alta as respostas correctas, muito antes de verem sequer as perguntas. Fazer com que os piores alunos faltem. Transferir para outras escolas aqueles que possam vir a prejudicar as médias. Alterar os números, manipular os registos, exagerar, fazer batota, mentir. E, se não se conseguir os resultados pretendidos, ir trabalhar para outro local antes que os resultados sejam divulgados. Estas são apenas algumas das condutas que os educadores aprendem a utilizar para cumprir as metas estabelecidas por outros em sistemas caracterizados por baixos níveis de confiança e dominados pelo sentimento do medo." Andy Hargreaves e Dean Fink, Obra citada, pp. 71-72
Em que ponto deste caminho nos encontramos?
E é para este horizonte que queremos caminhar?
http://correntes.blogs.sapo.pt/
A Lógica Fabril "(...) A única forma de dar a volta aos resultados escolares num período mais curto do que o necessário para experienciar o processo acima descrito é falseá-los. Acabar com a arte na docência e transformá-la numa profissão excessivamente regulada. Treinar os alunos e prepará-los para a realização dos testes. Ensinar apenas aquilo que sairá no exame. Abandonar tudo o que não é testado. Introduzir a prova de maneira negligente, de modo que os resultados do primeiro ano sejam deprimidos artificialmente e que as melhorias pareçam ser maiores em anos subsequentes. Concentrar todos os esforços no treino dos alunos que se situam imediatamente abaixo do nível exigido para a passagem. Sussurrar-lhes as respostas ou dar-lhes pistas sobre elas. Fazer com que as crianças sejam capazes de entoar em voz alta as respostas correctas, muito antes de verem sequer as perguntas. Fazer com que os piores alunos faltem. Transferir para outras escolas aqueles que possam vir a prejudicar as médias. Alterar os números, manipular os registos, exagerar, fazer batota, mentir. E, se não se conseguir os resultados pretendidos, ir trabalhar para outro local antes que os resultados sejam divulgados. Estas são apenas algumas das condutas que os educadores aprendem a utilizar para cumprir as metas estabelecidas por outros em sistemas caracterizados por baixos níveis de confiança e dominados pelo sentimento do medo." Andy Hargreaves e Dean Fink, Obra citada, pp. 71-72
Em que ponto deste caminho nos encontramos?
E é para este horizonte que queremos caminhar?
http://correntes.blogs.sapo.pt/
Negócios escuros em torno do vending
Os agora administradores da MultiVending foram no passado sócios e representantes de empresas ligadas ao mesmo sector. Iniciaram-se no vending com uma empresa chamada Vendingportugal (quiçá até antes). Depois da dissolução dessa sociedade, apareceram à frente da Autocafé, Lda. Se pesquisarem no Google a palavra “autocafé”, uma das primeiras opções da lista reencaminhar-vos-á aos Contribuintes Colectivos Devedores entre 100 mil e 500 mil euros, pelo que não creio estar longe da verdade.
Após o insucesso desta última firma, surge a Multivending que, no decorrer do seu curto tempo de vida conseguiu ainda adquirir a XisVending.
Esta empresa detinha uma boa carteira de clientes e sólida reputação no mercado, fruto de uma gestão bastante profissional. É de louvar a forma prodigiosa como a administração da Multivending conseguiu comprar esta sociedade, não retirando qualquer proveito, quer economicamente quer pela assimilação dos excelentes processos pela qual se pautava a XisVending.
Na minha opinião – e creio ter deixado dados suficientes para uma investigação mais completa – trata-se de um esquema fraudulento de criação e falência de empresas, com naturais beneficios económicos para os sócios.
Os prejudicados contam-se os mesmos de sempre: fornecedores, credores, trabalhadores e empresas concorrentes do sector do vending.
O pacote laboral podia e devia ter ido mais longe – porque não criar-se de igual modo um pacote empresarial, de modo a responsabilizar e condenar impiedosamente os empresários que se pautam por este tipo de condutas?
Até lá, e sem tardar, ainda cá estaremos para ver os sócios fundadores da Multivending de volta ao sector do vending…
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1152
Após o insucesso desta última firma, surge a Multivending que, no decorrer do seu curto tempo de vida conseguiu ainda adquirir a XisVending.
Esta empresa detinha uma boa carteira de clientes e sólida reputação no mercado, fruto de uma gestão bastante profissional. É de louvar a forma prodigiosa como a administração da Multivending conseguiu comprar esta sociedade, não retirando qualquer proveito, quer economicamente quer pela assimilação dos excelentes processos pela qual se pautava a XisVending.
Na minha opinião – e creio ter deixado dados suficientes para uma investigação mais completa – trata-se de um esquema fraudulento de criação e falência de empresas, com naturais beneficios económicos para os sócios.
Os prejudicados contam-se os mesmos de sempre: fornecedores, credores, trabalhadores e empresas concorrentes do sector do vending.
O pacote laboral podia e devia ter ido mais longe – porque não criar-se de igual modo um pacote empresarial, de modo a responsabilizar e condenar impiedosamente os empresários que se pautam por este tipo de condutas?
Até lá, e sem tardar, ainda cá estaremos para ver os sócios fundadores da Multivending de volta ao sector do vending…
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1152
Como identificar, isolar e combater os adesivos?
A resposta a esta questão terá uma importância estratégica decisiva a partir de amanhã. Eles vão regressar com a força que tiveram antes da Grande Marcha de 8 de Março. Se recuarmos ao dia 9 de Março, percebemos que os adesivos perderam grande parte da sua força e influência nas escolas a partir desse dia. No dia 1 de Setembro, o Decreto Regulamentar 2/2008 e os artigos 34º, 35º e 45º do Decreto-Lei 15/2007 regressam em toda a sua plenitude e com eles os adesivos irão voltar à luz do dia. Sairão da clandestinidade. Muitos adesivos encobertos mostrarão a sua verdadeira face. Desejosos de agradarem ao poder e ansiosos por merecerem deste uma partilha nos despojos, os adesivos escondidos começarão a mostrar a sua face. Usarão vários argumentos:
1. Eu também não concordo com o processo de avaliação de desempenho, mas sou funcionário público e tenho de acatar a lei (argumento do adesivo light e hipócrita).
2. Isto só vai custar ao princípio. Depois de nos habituarmos aos processo e assimilarmos as suas fases e procedimentos, será tão natural como bebermos um copo de água (argumento do adesivo descarado e mentiroso).
3. O processo de avaliação de desempenho vai separar o trio do joio, premiar os que trabalham mais e penalizar os que não querem fazer nada (argumento do adesivo modernaço e boçal).
Quando ouvir este tipo de argumentação, fica a saber que está perante um adesivo. O que fazer para o isolar e combater?
i. Identifique-o. Confronte-o em público com as afirmações por ele/ela proferidas. Não queira confrontá-lo em privado porque, em privado, o processo de identificação e isolamento perde eficácia.
ii. Centre a sua argumentação nas contradições do discurso do adesivo. Dê exemplos. Pergunte-lhe por que razão os países que têm sistemas educativos de maior qualidade não têm um modelo de avaliação de desempenho semelhante.
iii. Utilize a ironia para desmontar a argumentação do adesivo. Coloque o dedo na ferida. Pergunte-lhe se acha bem querer para os outros aquilo a quel ele conseguiu escapar (no caso de ele já ter atingido o 10º escalão). Pergunte-lhe se concorda que a maioria dos jovens professores tenham de se contentar com um vencimento, no final de 45 anos de carreira, de apenas 1400 euros mensais.
Ao longo do dia de hoje e de amanhã, continuarei este exercício de identificação dos argumentos dos adesivos. Dessa forma, será mais fácil isolá-los e combatê-los. Se quiser dar uma ajuda, faça-o na forma de comentário.
http://www.profblog.org/
1. Eu também não concordo com o processo de avaliação de desempenho, mas sou funcionário público e tenho de acatar a lei (argumento do adesivo light e hipócrita).
2. Isto só vai custar ao princípio. Depois de nos habituarmos aos processo e assimilarmos as suas fases e procedimentos, será tão natural como bebermos um copo de água (argumento do adesivo descarado e mentiroso).
3. O processo de avaliação de desempenho vai separar o trio do joio, premiar os que trabalham mais e penalizar os que não querem fazer nada (argumento do adesivo modernaço e boçal).
Quando ouvir este tipo de argumentação, fica a saber que está perante um adesivo. O que fazer para o isolar e combater?
i. Identifique-o. Confronte-o em público com as afirmações por ele/ela proferidas. Não queira confrontá-lo em privado porque, em privado, o processo de identificação e isolamento perde eficácia.
ii. Centre a sua argumentação nas contradições do discurso do adesivo. Dê exemplos. Pergunte-lhe por que razão os países que têm sistemas educativos de maior qualidade não têm um modelo de avaliação de desempenho semelhante.
iii. Utilize a ironia para desmontar a argumentação do adesivo. Coloque o dedo na ferida. Pergunte-lhe se acha bem querer para os outros aquilo a quel ele conseguiu escapar (no caso de ele já ter atingido o 10º escalão). Pergunte-lhe se concorda que a maioria dos jovens professores tenham de se contentar com um vencimento, no final de 45 anos de carreira, de apenas 1400 euros mensais.
Ao longo do dia de hoje e de amanhã, continuarei este exercício de identificação dos argumentos dos adesivos. Dessa forma, será mais fácil isolá-los e combatê-los. Se quiser dar uma ajuda, faça-o na forma de comentário.
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Sobre a natureza dos adesivos: mais um contributo
Para se poder combater a adesivagem é preciso conhecer os adesivos. O trabalho de caracterização do adesivo é uma tarefa intelectual e ideológica necessária. O que leva um professor a tornar-se adesivo? Por que razão, um profissional resolve trair os seus colegas? Quais são as vantagens que o adesivo procura alcançar? Qual é a matriz intelectual e cultural do adesivo? Como distinguir o adesivo hard do adesivo light? E como identificar os adesivos que não se assumem?
Outra questão fundamental - que procurarei aqui tratar - é: como combater os adesivos? Quais as estratégias mais adequadas para isolar os adesivos? Como é que se pode desmascarar um adesivo? Como identificar as contradições de um adesivo? Uma das armas a usar é o humor. O adesivo, sempre que se expõe, cai no ridículo. Saibamos usar a ironia e o escárnio contra os adesivos. Voltarei a este assunto mais tarde.
Por agora, deixo os colegas com o texto da Ana. Um contributo interessante.
Muitos adesivos, com quem me cruzei e cruzo profissionalmente, têm frases lapidares do tipo "Eu nunca falto! Nunca dei uma falta!". Estão, invariavelmente, muito ocupados em dar a imagem exterior de que são muito cumpridores na profissão e, desse modo, expressam e reforçam perante si e os outros o reconhecimento social e também a auto-motivação, uma vez que não a obtêm pela via dos Professores. A motivação dos Professores resulta dos progressos dos seus alunos. A motivação dos adesivos resulta de aspectos enquadradores do desempenho da profissão (assiduidade, pontualidade, ultra centrados no cumprimento de todo o tipo de tarefas administrativas,etc).
O adesivo tem uma preparação científica e pedagógica fraca, tem uma cultura geral de base abaixo da média dos seus colegas, nunca leu um documento de natureza pedagógica e está sempre a par de legislação burocrática de enquadramento profissional. Os executivos que são adesivos estimam particularmente adesivos (Ana).
http://www.profblog.org/
Outra questão fundamental - que procurarei aqui tratar - é: como combater os adesivos? Quais as estratégias mais adequadas para isolar os adesivos? Como é que se pode desmascarar um adesivo? Como identificar as contradições de um adesivo? Uma das armas a usar é o humor. O adesivo, sempre que se expõe, cai no ridículo. Saibamos usar a ironia e o escárnio contra os adesivos. Voltarei a este assunto mais tarde.
Por agora, deixo os colegas com o texto da Ana. Um contributo interessante.
Muitos adesivos, com quem me cruzei e cruzo profissionalmente, têm frases lapidares do tipo "Eu nunca falto! Nunca dei uma falta!". Estão, invariavelmente, muito ocupados em dar a imagem exterior de que são muito cumpridores na profissão e, desse modo, expressam e reforçam perante si e os outros o reconhecimento social e também a auto-motivação, uma vez que não a obtêm pela via dos Professores. A motivação dos Professores resulta dos progressos dos seus alunos. A motivação dos adesivos resulta de aspectos enquadradores do desempenho da profissão (assiduidade, pontualidade, ultra centrados no cumprimento de todo o tipo de tarefas administrativas,etc).
O adesivo tem uma preparação científica e pedagógica fraca, tem uma cultura geral de base abaixo da média dos seus colegas, nunca leu um documento de natureza pedagógica e está sempre a par de legislação burocrática de enquadramento profissional. Os executivos que são adesivos estimam particularmente adesivos (Ana).
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As 15 características do adesivo. Sobre a natureza da adesivagem.
O que leva um professor a trair os seus colegas e a tonar-se adesivo? Para responder a esta pergunta, é preciso conhecer a natureza da adesivagem.
1. Regra geral, o adesivo não gosta de dar aulas. Tem pavor pelo métier e desdém pelos colegas que continuam amarrados à sala de aula.
2. O adesivo veio parar à profissão docente por acaso. Regra geral, isso aconteceu porque o adesivo não teve outro remédio do que começar a dar aulas para poder ganhar a vidinha.
3. O adesivo é preguiçoso e esconde a sua falta de vontade de trabalhar empurrando para cima dos outros novos conteúdos funcionais e novas obrigações. É por isso que o adesivo concorda com os artigos 35º e 45º do Decreto-Lei 15/2007.
4. O adesivo é um lambe botas. Agrada-lhe estar de bem visto com o poder. Gosta de farejar os corredores do poder. Está sempre de acordo com a autoridade e raramente tem a coragem de divergir.
5. O adesivo não emite opiniões próprias em público. Raramente tem opinião própria. Quando tem, guarda-a para si.
6. O adesivo detesta conteúdos. Amarrado na sua ignorância, o adesivo refugia-se na "importância" do conhecimento pragmático e utilitário. Para o adesivo, o único conhecimento válido é o procedimental. Por isso, o adesivo ama a burocracia e está sempre pronto a justificar a criação de mais papelada, relatórios e grelhas.
7. O adesivo adora grelhas. Gosta de segmentar, criar compartimentos, dividir em pequenas parcelas, atomizar e esquartejar. Dessa forma, o adesivo ganha a sensação de que pode controlar o trabalho dos outros.
8. O adesivo quer subir na vida a qualquer preço e de qualquer maneira.
9. O adesivo é, regra geral, um coitado, um zé-ninguém, que se refugia no contacto íntimo com os poderosos com o objectivo de ter a ilusão de que tem uma vida.
10. O adesivo não tem princípios e despreza quem os tem.
11. O adesivo ignora a existência das virtudes clássicas da coragem, perseverança, resiliência e justiça. Como ignora os clássicos e lhe falta cultura geral, não só desconhece o significado verdadeiro desses conceitos como considera que são velharias do passado, incompatíveis com a cosmovisão modernaça da vida e do mundo.
12. O adesivo está sempre pronto a mudar de opinião. Sem princípios, sente-se livre para saltitar de opinião, ao sabor das conveniências e sempre em consonância com as ideias dominantes e úteis.
13. O adesivo não tem um sistema de valores alicerçado em princípios éticos; daí que o único valor que lhe interessa é que traz vantagens. O bom e o bem são para o adesivo sinónimos de utilidade.
14. O adesivo, à semelhança dos chefes que procura imitar, jamais assume responsabilidades pelo que corre mal. Ao invés, o adesivo está sempre pronto a atribuir aos outros as culpas pelo que corre mal e a chamar a si os louros do que resulta.
15. Deixo para os leitores a indicação da 15ª característica do adesivo. Colabore com comentários e ajude a caracterizar a natureza da adesivagem.
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1. Regra geral, o adesivo não gosta de dar aulas. Tem pavor pelo métier e desdém pelos colegas que continuam amarrados à sala de aula.
2. O adesivo veio parar à profissão docente por acaso. Regra geral, isso aconteceu porque o adesivo não teve outro remédio do que começar a dar aulas para poder ganhar a vidinha.
3. O adesivo é preguiçoso e esconde a sua falta de vontade de trabalhar empurrando para cima dos outros novos conteúdos funcionais e novas obrigações. É por isso que o adesivo concorda com os artigos 35º e 45º do Decreto-Lei 15/2007.
4. O adesivo é um lambe botas. Agrada-lhe estar de bem visto com o poder. Gosta de farejar os corredores do poder. Está sempre de acordo com a autoridade e raramente tem a coragem de divergir.
5. O adesivo não emite opiniões próprias em público. Raramente tem opinião própria. Quando tem, guarda-a para si.
6. O adesivo detesta conteúdos. Amarrado na sua ignorância, o adesivo refugia-se na "importância" do conhecimento pragmático e utilitário. Para o adesivo, o único conhecimento válido é o procedimental. Por isso, o adesivo ama a burocracia e está sempre pronto a justificar a criação de mais papelada, relatórios e grelhas.
7. O adesivo adora grelhas. Gosta de segmentar, criar compartimentos, dividir em pequenas parcelas, atomizar e esquartejar. Dessa forma, o adesivo ganha a sensação de que pode controlar o trabalho dos outros.
8. O adesivo quer subir na vida a qualquer preço e de qualquer maneira.
9. O adesivo é, regra geral, um coitado, um zé-ninguém, que se refugia no contacto íntimo com os poderosos com o objectivo de ter a ilusão de que tem uma vida.
10. O adesivo não tem princípios e despreza quem os tem.
11. O adesivo ignora a existência das virtudes clássicas da coragem, perseverança, resiliência e justiça. Como ignora os clássicos e lhe falta cultura geral, não só desconhece o significado verdadeiro desses conceitos como considera que são velharias do passado, incompatíveis com a cosmovisão modernaça da vida e do mundo.
12. O adesivo está sempre pronto a mudar de opinião. Sem princípios, sente-se livre para saltitar de opinião, ao sabor das conveniências e sempre em consonância com as ideias dominantes e úteis.
13. O adesivo não tem um sistema de valores alicerçado em princípios éticos; daí que o único valor que lhe interessa é que traz vantagens. O bom e o bem são para o adesivo sinónimos de utilidade.
14. O adesivo, à semelhança dos chefes que procura imitar, jamais assume responsabilidades pelo que corre mal. Ao invés, o adesivo está sempre pronto a atribuir aos outros as culpas pelo que corre mal e a chamar a si os louros do que resulta.
15. Deixo para os leitores a indicação da 15ª característica do adesivo. Colabore com comentários e ajude a caracterizar a natureza da adesivagem.
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quarta-feira, setembro 03, 2008
O nome mais louco de uma vila
Crimes com recurso a violência

Aqueles que no nosso país se auto-intitulam de “jet-set”, são, na maior parte dos casos, bandos de verdadeiros inúteis e parasitas que não servem para nada mesmo depois de prontos. Digo depois de prontos, porque como todos sabemos, aquilo é gente que está constantemente “em obras”, para remodelar o nariz, incrementar as mamas, aumentar a musculatura peitoral, cultivar cabelos, etc, etc, mesmo tendo à vista os exemplos dramáticos das caras do Michael Jackson ou da Manuela Moura Guedes, que são retratos vivos do perigo que correm diariamente nas mesas de operações estéticas...
Esta fauna, vive de festa em festa, habita mais nas revistas “cor de rosa” do que em casa, come de borla, veste emprestado. Em troca, tem que manter o seu público devidamente informado da cor e modelo de roupa interior que usa, que lençóis tem na cama aos Domingos, qual a amplitude sonora e frequência dos orgasmos da, ou do parceiro actual, por comparação (se possível com muitos pormenores) com a, ou o “ex”, combinar com os “paparazzi”, cirurgicamente, quais os lugares em que vai estar, para ser “apanhado inadvertidamente” com alguém e, muitíssimo importante, “ser pela paz no mundo”.
Se o cidadão normal vê esta fauna prescindir de qualquer noção de privacidade, pudor e liberdade pessoal e aparentemente dar-se tão bem na vida com isso, acaba por ficar pronto a aceitar como normal andar com “chips” no carro, ter cartões de identidade onde vem “tudo escarrapachado”, ter os movimentos vigiados por cada vez mais câmaras de vídeo-vigilância, etc, etc, etc, se isso o fizer sentir “mais seguro”.
Aqui é que a porca torce o rabo...
Para o cidadão engolir os remédios da “segurança”, é necessário que comece a sentir que existe uma grande “insegurança”. É exactamente para isso que servem as grandes campanhas, como a que está em curso, para “vender” a grande insegurança e criminalidade violenta. Ainda há pouco, o CDS defendeu que para além dos bancos, tribunais, centros comerciais, etc, as câmaras de vigilância devem estender-se igualmente aos chamados “bairros problemáticos”, esquecendo-se de dizer que a maioria das pessoas que habitam nesses bairros não causam quaisquer problemas e que para rentabilizar o “investimento” nas tais câmaras de vigilância, todos os cidadãos considerados problemáticos, terão que continuar a ser empurrados à força para viver nesses bairros “adequados” à sua condição de suspeitos do costume.
Como já vai sendo tempo neste texto, de eu tecer as minhas costumeiras considerações, diria que:
1. Esta tremenda campanha em toda a comunicação social sobre insegurança, crimes com violência, assaltos e conflitos de toda a ordem, apresentados como uma “onda imparável” e na maior parte dos casos, sem consequências, acaba por atrair toda a sorte de mentecaptos, que sozinhos ou em grupo, querem também ter os seus minutos de fama, cometendo toda a espécie de tropelias mais ou menos graves, algumas, infelizmente, muito graves, ou até, assaltando “com violência”... máquinas de tabaco ou venda de bebidas e chocolates, acabando por multiplicar a contagem dos fenómenos de criminalidade. Será exactamente isto o que se pretende?
2. Vender esta nossa “realidade” criminal como grande insegurança e violência, serve afinal para branquear e calar a verdadeira grande insegurança e violência que são o desemprego, a miséria, a iliteracia e a falta de perspectivas de futuro para tanta gente em Portugal, assim como a esmagadora insegurança e violência que diariamente vivem e sofrem povos como os do Iraque, da Palestina, milhões de africanos e outros verdadeiros mares de vítimas por esse mundo fora.
3. Nenhuma das anteriores considerações significa que eu não concorde estarmos perante um real problema de aumento da delinquência, que as forças policiais e o sistema judicial, mais por falta de meios e coordenação que de efectivos, não conseguem controlar e que é necessário avançar com soluções para esta situação, que não será (seguramente) resolvida, recorrendo apenas à repressão.
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/
O PAÍS DAS MARAVILHAS... “

“Ministra da Educação diz que contratou os professores pedidos pelas escolas”
Podia era também ter dito que deu ordens às escolas para não pedirem professores… Na escola onde estou, há uma enormidade de lugares por preencher, já que, com a excepção dos professores do quadro, mais nenhum lugar foi preenchido e esses lugares representam qualquer coisa como 30 ou 40% das necessidades de mão-de-obra da escola… Logo, talvez tenha razão no que disse, não disse foi o resto…
Depois, mão-de-obra é, no meu entender, uma expressão extremamente infeliz no que respeita ao trabalho docente, já que nem os alunos são coisas nem os professores ensinam propriamente com as mãos… Mas, uma vez mais, talvez ela tenha razão e as escolas não passem hoje de meras fábricas de forjar certificados, mas também os resultados não são produto nem dos alunos, nem dos professores, tão só da aplicação de leis e fórmulas cada vez mais permissivas, em que, praticamente, só reprovam os alunos que são presos ou falecem durante o ano…
Boa forma de começar outro ano no país das maravilhas…
Vão lá inaugurar os computadores novos das escolas chiques, na minha continuam os mesmos do ano passado e o decoro impede-me de falar sobre eles… e a vergonha quase me impedia de dizer que, onde presto a minha mão-de-obra, não há sabão para as lavar, nem papel para limpar seja o que for... Custava menos sofrer estas coisas se estes governantes estivessem quietos e calados...
http://porquemedizem.blogspot.com/
O "annus horribilis" dos professores
O “annus horribilis” está prestes a iniciar-se. Se o anterior ano lectivo já foi tenebroso para os professores, este promete ser ainda pior: aumento do trabalho burocrático com a consequente desvalorização do acto de ensinar; novo processo de avaliação de desempenho que irá criar um clima de terror em muitas escolas, onde existirão muitos avaliadores sem preparação para avaliar, onde a prepotência muitas vezes se irá sobrepor ao bom senso, onde a bajulação não terá limites, onde os “yes man” farão escola. A acrescer a tudo isto e como “motivação extra” para o seu trabalho, dois terços dos professores estarão impossibilitados de aceder ao topo da carreira, ficando fortemente penalizados em termos salariais. Saber que no final da carreira auferirão um salário de 280 contos, ordenado que nenhum licenciado de outra profissão algum dia sonhará receber, é algo de “profundamente motivador” para se exercer tão exigente profissão. Se conhecerem alguma profissão tão desconsiderada e desprezada como esta avisem que eu de facto não consigo descortinar nenhuma.
http://ocantinhodaeducacao.blogspot.com/
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falibilismo
Quando discutimos o falibilismo temos de nos lembrar que nem todas as formulações do falibilismo são necessariamente boas formulações do falibilismo. A formulação do falibilismo que parece confundir as pessoas ao extremo é a seguinte:
F= "todas as nossas crenças verdadeiras podem ser falsas"
Esta formulação do falibilismo é muito má porque confunde o conhecimento com as nossas crenças acerca daquilo que é conhecimento. Como sabemos que as nossas crenças são verdadeiras? Quando temos razões para pensar que são e nenhum indício de que não são. Mas como somos falíveis, podemos enganar-nos ao pensar que justificámos solidamente a nossa crença acerca daquilo que conhecemos. Isto não significa que uma crença verdadeira pode ser falsa. Consideremos a experiência mental:
Percorremos a pé, munidos de um mapa, uma enorme distância até chegar a uma cidade XYZ. Quando finalmente chegamos a uma cidade, acreditamos ter chegado a XYZ porque todos os indícios sugerem isso e nada nos faz pensar que não chegámos. Isto é tudo o que está contido na ideia de que "pensamos saber" que chegámos a XYZ. Agora imagine-se que, sem ter percebido, lemos mal o mapa, que chegámos a outra cidade ZYX, mas que lemos o letreiro com o nome da cidade, sem dar por isso, reflectido num espelho, ou que estamos alcoolizados e que não conseguimos ler bem, ou que a língua em que ZYX e XYZ estão escritos nos é estranha e os caracteres parecem todos iguais. Estaremos convencidos então de que sabemos ter chegado a XYZ quando na verdade chegámos a ZYX.
Imaginemos agora que chegámos de facto a XYZ mas que não o sabemos ainda. Ainda não inspeccionámos todos os indícios que nos podem sugerir onde estamos. É verdade que chegámos a XYZ, mas não sabemos. Podemos acreditar que chegámos a XYZ mas falta-nos justificar essa crença. Por isso procuramos os indícios (coerência com o mapa, letreiros, dísticos, palavras dos habitantes, etc). Ao inspeccionarmos os indícios descobrimos que estamos de facto em XYZ e que a nossa crença de que chegámos a XYZ é verdadeira.
Deixámos de ser falíveis? Aniquilámos a possibilidade de alguma vez na vida nos enganarmos ao pensar que chegámos a uma cidade e não a outra? Será que aniquilámos a possibilidade de nos perdermos por cometer erros a interpretar indícios, mapas e conselhos de residentes locais? Não parece razoável pensar que só porque chegámos a XYZ e verificámos os indícios, nos tornámos subitamente infalíveis.
Agora imagine-se o seguinte: imagine-se que os residentes locais mentiram ou que não os compreendemos bem. Que os letreiros estão obsoletos e que antigamente aquela cidade se chamava XYZ mas que mudou de nome para YZX embora o letreiro antigo ficasse no mesmo sítio. Parece rebuscado, mas lembra-nos da nossa falibilidade: podemos sempre cometer erros ao justificar as nossas crenças.
Voltemos ao caso em que chegámos a XYZ mas que não sabemos. Estamos a andar às voltas ainda à procura de indícios. Se nesse momento um de nós pensar para consigo: «Cheguei a XYZ, seguramente...» É possível que esteja errado? Não! Porque chegou de facto a XYZ, embora não o saiba. Depois de inspeccionar os indícios vai finalmente saber que chegou a XYZ e não pode estar enganado SE é de facto verdade que chegou a XYZ. Mas aqui é que a porca torce o rabo, vejamos:
O falibilismo não é a tese de que podemos estar errados quando estamos certos nem a tese de que não podemos reconhecer que estamos certos quando o estamos. O falibilismo é apenas a tese de que podemos enganar-nos ao justificar as crenças que consideramos verdadeiras. Isto não significa que não possamos ter excelentes indícios de que algumas das nossas crenças são verdadeiras. Trata-se apenas de compreender que não temos garantias absolutas de que as justificações que apresentamos para as nossas crenças, sejam elas verdadeiras ou falsas, não contêm erros. É a minha pretensão a ter conhecimento de que cheguei a XYZ que é falível e não as crenças verdadeiras. Não temos de saber que uma crença é verdadeira para que ela seja verdadeira. Pode ser verdadeira sem que o saibamos. Podemos ter essa crença verdadeira pelos motivos errados. Podemos estar convencidos de que chegámos a XYZ, essa crença ser verdadeira, e no entanto apenas ficámos disso convencidos porque lemos os indícios errados, indícios que em si não significam que estejamos em XYZ mas que nos levaram, incidentalemente, a acreditar em algo verdadeiro.
Contudo, para saber que temos crenças verdadeiras é preciso em primeiro lugar ter crenças verdadeiras e depois ter justificações muito boas para essas crenças. Quando ficamos convencidos de ter chegado a XYZ tendo lido os indícios errados, e acertado incidentalmente numa verdade (porque chegámos lá de facto) temos uma certeza. Não podemos estar errados porque estamos de facto em XYZ e no entanto não sabemos que chegámos a XYZ porque nossa justificação está completamente errada. Apenas pensamos que sabemos. É isto o que significa o falibilismo coerentemente articulado.
Espero que isto deixe claro que o falibilismo não implica que não possamos ter certezas, ler indícios, justificar crenças, nem saber quando chegámos a Madrid ou a Lisboa. De igual modo, não é por sabermos que chegámos a Madrid ou a XYZ que passámos a ser infalíveis.
Tão-pouco se pode confundir o falibilismo com a tese de que não há verdade: o relativismo. Se não há verdade, não me posso enganar. É o oposto do falibilismo, obviamente. Poder enganar-me quando acredito conhecer algo não implica que estou enganado acerca desse mesmo algo. Ser falível não é ser irrecuperavelmente otário.
http://vguerreiro.blogs.sapo.pt/
F= "todas as nossas crenças verdadeiras podem ser falsas"
Esta formulação do falibilismo é muito má porque confunde o conhecimento com as nossas crenças acerca daquilo que é conhecimento. Como sabemos que as nossas crenças são verdadeiras? Quando temos razões para pensar que são e nenhum indício de que não são. Mas como somos falíveis, podemos enganar-nos ao pensar que justificámos solidamente a nossa crença acerca daquilo que conhecemos. Isto não significa que uma crença verdadeira pode ser falsa. Consideremos a experiência mental:
Percorremos a pé, munidos de um mapa, uma enorme distância até chegar a uma cidade XYZ. Quando finalmente chegamos a uma cidade, acreditamos ter chegado a XYZ porque todos os indícios sugerem isso e nada nos faz pensar que não chegámos. Isto é tudo o que está contido na ideia de que "pensamos saber" que chegámos a XYZ. Agora imagine-se que, sem ter percebido, lemos mal o mapa, que chegámos a outra cidade ZYX, mas que lemos o letreiro com o nome da cidade, sem dar por isso, reflectido num espelho, ou que estamos alcoolizados e que não conseguimos ler bem, ou que a língua em que ZYX e XYZ estão escritos nos é estranha e os caracteres parecem todos iguais. Estaremos convencidos então de que sabemos ter chegado a XYZ quando na verdade chegámos a ZYX.
Imaginemos agora que chegámos de facto a XYZ mas que não o sabemos ainda. Ainda não inspeccionámos todos os indícios que nos podem sugerir onde estamos. É verdade que chegámos a XYZ, mas não sabemos. Podemos acreditar que chegámos a XYZ mas falta-nos justificar essa crença. Por isso procuramos os indícios (coerência com o mapa, letreiros, dísticos, palavras dos habitantes, etc). Ao inspeccionarmos os indícios descobrimos que estamos de facto em XYZ e que a nossa crença de que chegámos a XYZ é verdadeira.
Deixámos de ser falíveis? Aniquilámos a possibilidade de alguma vez na vida nos enganarmos ao pensar que chegámos a uma cidade e não a outra? Será que aniquilámos a possibilidade de nos perdermos por cometer erros a interpretar indícios, mapas e conselhos de residentes locais? Não parece razoável pensar que só porque chegámos a XYZ e verificámos os indícios, nos tornámos subitamente infalíveis.
Agora imagine-se o seguinte: imagine-se que os residentes locais mentiram ou que não os compreendemos bem. Que os letreiros estão obsoletos e que antigamente aquela cidade se chamava XYZ mas que mudou de nome para YZX embora o letreiro antigo ficasse no mesmo sítio. Parece rebuscado, mas lembra-nos da nossa falibilidade: podemos sempre cometer erros ao justificar as nossas crenças.
Voltemos ao caso em que chegámos a XYZ mas que não sabemos. Estamos a andar às voltas ainda à procura de indícios. Se nesse momento um de nós pensar para consigo: «Cheguei a XYZ, seguramente...» É possível que esteja errado? Não! Porque chegou de facto a XYZ, embora não o saiba. Depois de inspeccionar os indícios vai finalmente saber que chegou a XYZ e não pode estar enganado SE é de facto verdade que chegou a XYZ. Mas aqui é que a porca torce o rabo, vejamos:
O falibilismo não é a tese de que podemos estar errados quando estamos certos nem a tese de que não podemos reconhecer que estamos certos quando o estamos. O falibilismo é apenas a tese de que podemos enganar-nos ao justificar as crenças que consideramos verdadeiras. Isto não significa que não possamos ter excelentes indícios de que algumas das nossas crenças são verdadeiras. Trata-se apenas de compreender que não temos garantias absolutas de que as justificações que apresentamos para as nossas crenças, sejam elas verdadeiras ou falsas, não contêm erros. É a minha pretensão a ter conhecimento de que cheguei a XYZ que é falível e não as crenças verdadeiras. Não temos de saber que uma crença é verdadeira para que ela seja verdadeira. Pode ser verdadeira sem que o saibamos. Podemos ter essa crença verdadeira pelos motivos errados. Podemos estar convencidos de que chegámos a XYZ, essa crença ser verdadeira, e no entanto apenas ficámos disso convencidos porque lemos os indícios errados, indícios que em si não significam que estejamos em XYZ mas que nos levaram, incidentalemente, a acreditar em algo verdadeiro.
Contudo, para saber que temos crenças verdadeiras é preciso em primeiro lugar ter crenças verdadeiras e depois ter justificações muito boas para essas crenças. Quando ficamos convencidos de ter chegado a XYZ tendo lido os indícios errados, e acertado incidentalmente numa verdade (porque chegámos lá de facto) temos uma certeza. Não podemos estar errados porque estamos de facto em XYZ e no entanto não sabemos que chegámos a XYZ porque nossa justificação está completamente errada. Apenas pensamos que sabemos. É isto o que significa o falibilismo coerentemente articulado.
Espero que isto deixe claro que o falibilismo não implica que não possamos ter certezas, ler indícios, justificar crenças, nem saber quando chegámos a Madrid ou a Lisboa. De igual modo, não é por sabermos que chegámos a Madrid ou a XYZ que passámos a ser infalíveis.
Tão-pouco se pode confundir o falibilismo com a tese de que não há verdade: o relativismo. Se não há verdade, não me posso enganar. É o oposto do falibilismo, obviamente. Poder enganar-me quando acredito conhecer algo não implica que estou enganado acerca desse mesmo algo. Ser falível não é ser irrecuperavelmente otário.
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