segunda-feira, janeiro 05, 2009

O processo de criação dos comissários políticos está em marcha. Em Maio, estará concluído

O diploma que fixa o suplemento remuneratório pelo exercício de cargos de direcção em escolas ou agrupamentos no âmbito do novo modelo de gestão dos estabelecimentos de ensino foi hoje publicado em Diário da República. Este suplemento mensal soma-se ao ordenado base do director, subdirector e adjuntos de agrupamento de escolas ou escola não agrupada e é calculado com base no cargo e em função da população escolar que dirige. De acordo com a tabela anexa ao diploma, um director de uma escola ou agrupamento de escolas com mais de 1200 alunos recebe um suplemento remuneratório de 750 euros; se a escola tiver entre 801 e 1200 alunos recebe 650 euros e se dirigir uma escola com até 800 alunos aufere mais 600 euros. Um subdirector ou adjunto de uma escola com mais de 1200 alunos recebe um complemento ao ordenado de 400 euros, de uma escola com 801 até 1200 alunos recebe 355 euros e de uma escola com até 800 alunos aufere mais 310 euros. O mesmo diploma estabelece ainda a possibilidade de atribuição de um prémio de desempenho pelo exercício de cargos ou funções de director, subdirector e adjunto de agrupamento de escolas ou escola não agrupada. Pela coordenação dos estabelecimentos de educação e das escolas compostos por quatro ou mais turmas é atribuído um suplemento remuneratório de 105 euros, que será de 130 euros nos casos em que esta coordenação envolva seis ou mais turmas.

Fonte: Público Online de 5/1/09
Comentário
O processo de designação dos directores deverá estar completo em Maio de 2009, a tempo de o ME os utilizar como comissários submissos capazes de aplicarem zelosamente as orientações emitidas pelas DREs. De Maio a Julho, os novos comissários políticos terão uma função principal: avaliar os avaliadores, escolhidos por eles, e obrigar os avaliadores a avaliar os avaliados.  O ME criou uma cadeia de comando, completamente verticalizada, que vai do director aos coordenadores de escola, passando pelos coordenadores de departamento e membros do conselho pedagógico. A partir de Maio, estará criada uma casta, completamente separada dos professores, capazes de silenciar as vozes incómodas dentro das escolas. Se necessário pelo terror. A casta tem privilégios: prémios e suplementos de remuneração que podem atingir quase dois ordenados mínimos. Os novos directores já não poderão ser vistos como professores, mas sim como ex-professores. O próximo passo será a criação de uma carreira separada para directores, tal como foi feito para os inspectores. Esperem...Essa também está para breve.
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Para o futuro...

Lugares de Interesse Nacional...


É com pequenos gestos como estes que vamos aferindo a solidariedade do povo português com a luta dos professores contra um Governo déspota, que quer retirar os direitos adquiridos a quase todas as classes à excepção da dos políticos e dos banqueiros...
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Recepção de passagem de ano na Casa Branca...

QUANTO CUSTA O MUNDO?

Os Estados jogam ao monopólio de crise.

Tudo tem de acabar um dia em colapso - o Império Romano, o socialismo real, o Lehman Brothers e o discurso da hegemonia neoliberal. Só o capitalismo é que não. Ele vai sobreviver até mesmo ao universo. É o que garante, além da teoria de esquerda pós-marxista, em termos práticos, o Estado, que acaba de ressuscitar das ruínas.
Fá-lo, em todo o caso, embora ele próprio ainda recentemente estivesse sem cheta, enquanto os dólares e euros só pareciam estar jorrando da cornucópia do Investment-Banking. Não interessaria nada que tenha sido uma bolha de crédito historicamente sem precedentes; já foi há tanto tempo e tudo correu bem. Mas a crise hipotecária nos E.U.A., em ebulição moderada desde 2007, foi apenas o catalisador da fusão nuclear há muito esperada do sistema global de crédito, que abre caminho desde as "segundas-feiras negras" do Outono deste ano. De repente, é o Estado que é invocado como gestor da crise e salvador, começando por sua vez a agitar a cornucópia.
Os Estados Unidos só por si montaram pacotes de salvamento na ordem dos 8 biliões de dólares, incluindo 3 biliões de cobertura de risco para perdas de créditos (garantias), 3 biliões sob a forma de injecções de capital (nacionalização parcial dos bancos através da compra de acções) e de quase 2 biliões por empréstimos estatais para o sector financeiro. No âmbito da UE estruturaram-se de forma semelhante os pacotes de salvamento da Alemanha, França e Grã-Bretanha, ascendendo a cerca de 2,2 biliões de dólares.
Até agora, apenas uma fracção destas importâncias foi gasta. Nos orçamentos dos Estados elas não surgirão inicialmente como nova dívida do consumo público, mas sob a forma de títulos de crédito e valores mobiliários portadores de juros. A esperança é que com estas medidas se reconstitua a "confiança" no sector financeiro, que as garantias nunca sejam executadas, que os bancos possam utilizar os empréstimos obtidos do Estado e que a cotação das acções bancárias adquiridas possa voltar a subir, de modo que, possivelmente, no fim se obtenha mesmo um lucro para as finanças públicas.
Esta esperança, no entanto, é bastante ingénua. Inspira-se na experiência das operações estatais de salvamento no colapso do sistema das caixas de poupança nos E.U.A. em fins dos anos 80 e na crise bancária escandinava nos anos 90. Porém, estas acções de apoio só foram tão bem-sucedidas porque ficaram limitadas a um sector e ocorreram no quadro duma tendência ascendente continuada da economia global da bolha do crédito. Mas agora é o rebentamento da bolha que está à vista, até nos mais remotos recantos do mercado mundial. Se inicialmente ainda se acreditava que a crise poderia ficar limitada aos Estados Unidos e a algumas franjas da Europa Ocidental, ela atingiu entretanto também a Rússia, a Europa Oriental e partes da Ásia e da América Latina. A União Europeia já tem não apenas de reabilitar o sistema bancário dos seus Estados centrais, mas tem também de salvar da bancarrota estatal os novos países aderentes - do Báltico à Hungria. E a reacção em cadeia ainda continua.
A metáfora da "criação de confiança" é ela própria uma bolha retórica. Na realidade, já não se trata do estado de espírito no sector financeiro, mas de pesados factos objectivos. Não foi o sistema global de crédito que se desacoplou duma economia real saudável, pelo contrário, foi ele que fomentou uma insustentável conjuntura económica baseada no deficit. As condições reais de valorização do capital mundial, se é que ainda se pode falar de algo assim, já na década de 80 tinham atingido os seus limites. O célebre "jobless growth [crescimento sem emprego]" dos anos 90 baseava-se apenas num financiamento a crédito sem substância, já sem base em salários e lucros reais. Os rendimentos fictícios da bolha do imobiliário nos E.U.A., Inglaterra ou Espanha e o "milagre do consumo" que lhes estava associado perante a queda constante dos rendimentos reais foram apenas a ponta do iceberg. Por isso é que, juntamente com o crash do crédito, a economia mundial, que já não é real, faz uma travagem a fundo.
Enquanto os buracos abertos no sistema financeiro ainda não foram tapados, tornam-se necessários, ao mesmo tempo, programas estatais de conjuntura. Os E.U.A. gostariam de também aqui dar o máximo; Obama anunciou uma injecção na economia de quase 900 mil milhões de dólares. Na União Europeia, pelo contrário, a esperança é a última a morrer; o governo de Merkel acredita poder tratar o assunto com uns míseros 11 mil milhões de euros e o ministro das finanças Steinbrueck fantasia sobre um reendividamento moderado de apenas 8 mil milhões de euros em 2009. A discussão sobre as drásticas reduções de impostos e até mesmo cupões de consumo de 500 euros por cada cidadão adulto mostram que a situação não é essa. Mas se o fim da conjuntura da economia mundial baseada no deficit derrete as receitas fiscais, se o crédito do Estado tem de apoiar a venda de mercadorias em quebra e, simultaneamente, atacar realmente os astronómicos custos do saneamento do sistema financeiro, então o colapso das finanças públicas está programado. A ilusão do Estado é apenas a continuação da ilusão da bolha do crédito.
O monopólio de crise jogado pelos Estados também é levado a sério num discurso "geopolítico" que prevê a deslocalização do poder mundial em direcção à China e à Índia. Mas estes supostos milagres de crescimento não são autónomos, pelo contrário, estão completamente amarrados ao circuito do deficit da economia mundial. Se o colapso das finanças públicas dos E.U.A. desvalorizar o dólar, os fundos públicos dos países emergentes talvez ainda possam pagar uma rodada de cerveja com os seus activos em dólares, aparentemente inesgotáveis. Os postos de trabalho na indústria de exportação de sentido único, que de todo o modo assentam principalmente no investimento de conglomerados transnacionais e suas cadeias de criação de valor fictício, têm pés de barro. O efeito dominó da crise económica mundial em breve vai dominar também a China, a Índia e o Japão. O crash do sistema de crédito que aí já se nota, o final do boom de exportação e as convulsões sociais, incluindo a queda da nova classe média, podem em breve reduzir a nada todos os programas de potência mundial, programas espaciais e programas de armamento.
Por todo o mundo a esquerda política reconciliada com a economia de mercado está de boca aberta. Toda a pragmática realpolitik no melhor dos mundos se revela como mentira vital. A ruptura de época de 2008 não desmente a de 1989, mas constitui a sua continuação. Pois o fim do capitalismo de Estado do Leste, tal como a crise asiática e latino-americana da década de 90 e o crash das Dot-com de 2001 foram os precursores da crise geral do mercado e do sistema mundial.
O capitalismo está a fracassar segundo os seus próprios critérios. O business as usual político já era. Isto vai tornar-se conhecido, o mais tardar, quando a crise irromper no quotidiano dos homens e mulheres pós-modernos da Eu, S. A. (Sociedade Unipessoal).

 Robert Kurz
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De Israel com misericórdia...

«O inferno não acaba quando se fecham as portas do campo de concentração»

O Ministério da Cultura espanhol promoveu o Primeiro Encontro Internacional de Memória Histórica na Universidade de Salamanca, a mesma onde Miguel de Unamuno enfrentou o dirigente franquista Millán de Astray quando este entrou nos claustros de pistola em punho gritando «Viva a morte, abaixo a inteligência». Nessa reunião, da qual participaram delegações do Chile, Argentina, República Dominicana, Portugal e Alemanha, o poeta e colunista de Página/12 foi o encarregado de realizar a conferência inaugural sobre «o imperativo moral da memória colectiva».
Sou pai de um filho de 20 anos sequestrado, torturado, assassinado em 1976 pela mais recente ditadura militar argentina, que também fez desaparecer os seus restos. Foram encontrados, graças ao infatigável trabalho da Equipa Argentina de Antropologia Forense, 13 anos depois. Sou sogro da sua esposa, sequestrada quando tinha 19 anos, transladada de Buenos Aires para Montevideu grávida de oito meses e meio e assassinada pela ditadura militar uruguaia dois meses após dar à luz. Continua desaparecida e a sua filha foi entregue a um polícia de casamento estéril. Sou avô de uma neta da qual me roubaram os seus primeiros 23 anos de vida e que a minha mulher, Mara La Madrid, que não é a mãe dos meus filhos, e eu procurámos e encontrámos ao fim de uma longa investigação. Nada disto teria sido possível sem o depoimento oral de sobreviventes uruguaios e argentinos, sem expedientes judiciais e também militares, sem esse arquivo tão particular que é o banco de dados sanguíneos de familiares de desaparecidos do Hospital Durand de Buenos Aires, sem uma campanha internacional de denúncia que teve a solidariedade de dezenas de milhares de poetas, escritores, artistas e gente comum de 122 países, sem livros, sem documentos, sem Internet, sem vídeos e, sobretudo, sem a vontade imperiosa de encontrar a verdade.
Falo a partir da experiência argentina. Por onde começar? Pela mãe de um desaparecido que ano após ano e dia após dia arranjava o quarto do seu filho e à noite lhe preparava a sopa que ele costumava tomar no regresso do trabalho? A sopa esfriava-se na mesa sem remédio. Pelo sonho da filha de uma desaparecida? Este sonho: «A Mamã vive no departamento da rua 47. Vou visitá-la. Tenho medo que me abrace e que, ao fazê-lo, se transforme em fantasma». Passou muito tempo desde o desaparecimento desse filho e dessa mãe, mas não há ainda final do dolo. Não o haverá enquanto não se encontrarem os seus restos e descansarem num lugar de lembrança e homenagem. Não o haverá enquanto essa mãe e essa filha não souberem toda a verdade sobre o seu sofrimento. Não o haverá enquanto essa verdade não conduzir à Justiça.
O inferno não acaba quando se fecham as portas do campo de concentração e se apagam os fornos: o inferno militar na Argentina terminou há um quarto de século e centenas de milhares de pessoas – filhos, pais, irmãos, familiares, amigos dos desaparecidos – vivem essa segunda parte do inferno que crepita na memória e que não há modo de apagar. «Desde então, a uma hora incerta/essa agonia volta/e até que o meu conto horrível seja contado/o meu coração continua queimando-se em mim», diz o velho marinheiro de um poema de Coleridge que Primo Levi recordou. Para muitos argentinos, uruguaios, chilenos, centro-americanos e nacionais de tantas outras latitudes do mundo essa estrofe poética é vida real e queima a cada dia.
«No nosso país o esquecimento corre mais ligeiro que a História», disse o escritor Adolfo Bioy Casares. Pois não só na Argentina. Desaparecem da cena os ditadores e aparecem imediatamente os organizadores do esquecimento. «Para quê renovar as penas? – diz Ismene a Édipo – A dor sofre-se ao receber as penas e volta-se a sofrer ao recordá-las». No Dia dos Mortos, o povo mexicano vai aos cemitérios, senta-se em redor dos seus defuntos, toca a guitarra e canta-lhes, pede-lhes que continuem morrendo em paz e que deixem em paz os vivos para que os recordem sem terrores. Mas os familiares dos desaparecidos não têm onde falar-lhes e eles são fantasmas incertos que voltam para doer na memória.
«Os pais ficaram sem filhos e não terminam as suas queixas. Conhecem por fim qual é a dor total sem remédio», diz Ésquilo. Cada lembrança traz uma dor que se acumula, camada sobre camada, e se transforma numa geologia da dor? É possível dialogar com a dor, fingir que tem rosto e que não é uma potência que vem e vai e protesta contra a morte do ser querido e lhe dá corpo e a afirma negando-a? A loucura seria a última porta da dor, uma maneira de converter-se em dor para não a padecer e desaparecer na dor? Não será essa uma forma de se fundir com a vítima e assim morrer com ela? Os familiares dos desaparecidos estão noutro lugar. «Um louco, somente um louco que perdeu a mente pode esquecer a morte do seu pai», diz Electra. Ou a morte de um filho. Não é essa a loucura dos familiares: a sua única “loucura” consiste em exigir verdade para as vítimas e justiça para os carrascos. É um caminho cheio de obstáculos com os quais se tropeça dia-a-dia. Os comissários do esquecimento têm recursos e conhecem o seu trabalho.
Um pacto de silêncio sela a boca dos militares argentinos, com poucas excepções. Quando os seus camaradas sabem que algum está disposto a falar, calam-no com uma boa dose de cianeto: aconteceu isso ao prefeito naval Héctor Febres, a ponto de ser condenado pelos crimes que cometeu durante a ditadura militar. Ou fazem desaparecer testemunhas importantes dos julgamentos por delitos de lesa-humanidade, como fizeram desaparecer Julio López, para agitar o medo nas vítimas testemunhantes. A polícia facilita a fugida do repressor apanhado ou queima arquivos das suas operações. A hierarquia da Igreja Católica argentina que, ao contrário da chilena, santificou a matança – um bispo do Vicariato chegou a dizer «quando há derramamento de sangue, há redenção» –, a hierarquia da Igreja Católica argentina, que ordenou tranquilizar militares desassossegados porque acabavam de atirar prisioneiros vivos para o oceano, nega-se a abrir os seus muito prolixos arquivos da época, que permitiriam recuperar pelo menos os restos de numerosos desaparecidos.
Certos juízes, certos procuradores e certas instâncias judiciais, como o Tribunal de Cassação argentino, arquivam processos contra os repressores, que podem ficar em liberdade por falta de sentença. E o pior, verdadeiramente o pior, é a perversão que mancha sectores políticos e sociais que, de um modo ou de outro, por acção ou por omissão, foram cúmplices da matança e calam o que sabem e negam ao Outro o que sabem. E depois – por que omiti-lo? – a atitude passiva de certos familiares que, antes de mais por falta de meios, e depois por desânimo, cansaço, resignação, desesperança ou temor, ainda temor, depositam o seu não fazer nos organismos de direitos humanos. E também – por que omiti-lo? – certos organismos argentinos de direitos humanos que burocratizam a dor ou militam contra a busca dos restos dos desaparecidos «para que continuem com os seus companheiros». Assim fazem tábua rasa da história pessoal das vítimas e do lugar que ocuparam na história. É a continuidade civil, sob outras formas, do pensamento militar.
A vontade de corrigir a memória, como é notório, vem de muito longe. No século V antes de Cristo, a sangrenta oligarquia dos Trinta proibiu em Atenas por decreto recordar a derrota militar que Esparta lhe tinha infligido. Cada cidadão foi obrigado a pronunciar o juramento “Não recordarei as desgraças”. Passaram os séculos e os vencedores continuam a reorganizar o passado à vontade. No ano de graça de 1040, o monge Arnold von Saint Emmeram explicava assim o método que tinha escolhido para escrever a história do ducado da Baviera: «Não só é pertinente que as novas coisas modifiquem as velhas; também é correcto, se as velhas são desordenadas, excluí-las por completo, e inclusive, ainda que estejam bem ordenadas mas sejam pouco úteis, enterrá-las com reverência». A voz dos vencidos é «desordenada e pouco útil» nos manuais de história em uso, cujo marco de referência essencial é o Estado. Numerosas vítimas de crimes contra a humanidade foram e são carne de esquecimento, «esse acordo com aquilo que se oculta», no dizer de Blanchot. Os que assim falsificam a história, falsificam a vida e estão presentes e activas as antigas heranças da nossa tão moderna, ou pós-moderna, civilização ocidental, na qual os extraordinários avanços tecnológicos convivem ou malvivem lado a lado com genocídios nunca vistos.
Proliferam as teorias sobre a história como relato e outras sobre todo o contrário. Da primeira há provas mais que suficientes, algumas francamente ridículas. A história do Partido Comunista soviético sofreu contínuos liftings com o correr do tempo e converteu-se num acto de predição do passado. É famosa a fotografia do estado maior bolchevique tomada dias após o triunfo da Revolução Russa, com Lenin no centro, à sua direita uma escada e depois Stalin. O lugar da escada ocupava-o Trotski, excomungado pelo Termidor stalinista. O acto tem pretensões mágicas e a vontade de abolir a história. Daí a importância fundamental dos arquivos da memória. Daí a importância fundamental desta reunião. A pretensão de mutilar a memória cívica de todos os dias corrompe a sua saúde e abre caminho a novos autoritarismos.
O imperativo moral da memória colectiva tem hoje mais urgência que nunca e não faltaram na Argentina e em outros países aqueles que entenderam isto muito cedo e criaram e ordenaram pessoalmente, sem apoio oficial algum e movidos pela sua moral cidadã, informações utilíssimas que se podem ver por Internet. Estes arquivos contribuem para desfazer as artimanhas dos assassinos da memória, como essas que pretendem que não houve câmaras de gás e que o primeiro povo ocupado pelo nazismo foi o povo alemão. Se quisermos que a barbárie não se repita e passe ao reino do nunca mais, não deveriam, creio, ser arquivos mudos para a sociedade civil e vice-versa: haveria que aproximar os seus conteúdos a sectores sociais e políticos nos quais há não pouco a desanuviar ainda.
E poder-se-á alguma vez desanuviar mentes no estamento militar para que obedeçam ao ético e oponham a desobediência devida a ordens criminosas? O capitão de navio Juan Carlos Rolón, membro de um grupo de tarefas da Escola de Mecânica da Armada de Buenos Aires onde a marinha fez desaparecer 5000 pessoas, declarou impávido: «Ensinaram-nos que a tortura era uma forma moral de combater ao inimigo». Recorda-se o diálogo que Hannah Arendt sustentou com um oficial nazi que admitiu ter gaseado e enterrado prisioneiros com vida no campo de concentração de Maidanek. A pergunta da filósofa: «Dá-se conta de que os russos o vão enforcar!». A resposta do nazi: «Por quê? Que fiz eu?».
As ditaduras suprimem o depoimento das vítimas, mas trazem os seus próprios arquivos. Em Auschwitz há grossos volumes que registam a morte dos prisioneiros gaseados. Na primeira coluna da cada página figuram o nome, a idade e a nacionalidade da vítima; nas duas restantes, hora e causa da morte. A hora é a mesma ao longo de páginas inteiras, às 8.15, ou às 8.30 ou às 9.00 da manhã. Também se repete a causa da morte, “gripe” quase sempre. Este não é só um acto burocrático; substitui a vida por uma mentira de papel e mostra abismos da condição humana. Impõe-se abrir esse tipo de arquivos. Mas esta é uma decisão de Estado e, lamentavelmente, ainda há governos democráticos que não se atrevem a dispor que se dê esse passo indispensável. Os familiares dos desaparecidos só conhecem a dolorosa metade do crime. A outra jaz oculta, guardada por sentinelas militares, policiais, eclesiásticos. Jacques Derrida falou do «mal de arquivo», mas esses são os arquivos do mal.
Que se me perdoe a insistência em sublinhar a importância dos depoimentos orais, veículos de uma memória que em ocasiões se transmite de geração em geração. Frente ao Panamá – narra o jornalista José María Pasquini Durán – há uma ilha chamada San Blas na qual vive uma etnia indígena. Uma vez por ano todos se reúnem e os idosos contam aos jovens a história da etnia, que arranca do casamento do Sol com a Lua, para que a sua memória perdure. Os jovens começaram a emigrar e a ficar no Panamá, mas mandam gravadores à ilha para registar o relato dos idosos. Agora a maravilhosa história que começa com o Sol e a Lua está em cassete e os jovens têm-na em sua casa entre os discos mais recentes de pop norte-americano. Menciono isto porque em muitas sociedades do mundo não há cassete ainda.
No ano de 1987 continuava eu exilado em França e o diário então recém-nascido para o qual trabalho, Página/12, pediu-me que cobrisse o processo a Klaus Barbie, o ex-chefe da Gestapo em Lyon, baptizado “O carnicero”. A uma vítima que lhe detalhava os seus crimes, Barbie disse: «Eu não me lembro de nada. Se vocês se lembram, o problema é vosso». Efectivamente: recordar e denunciar os crimes contra a humanidade e exigir o seu castigo é um problema nosso.
http://infoalternativa.org/spip.php?article383

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domingo, janeiro 04, 2009

Bancos portugueses cortam despesas com festas de Natal strippers este ano não tiram a cuequinha

As festas de Natal dos bancos portugueses sofreram enormes cortes orçamentais relativamente a anos anteriores devido à recente crise bancária. A organização da Festa de Natal do Banco Santander Totta, afectado em 16 milhões de euros pela fraude dos fundos Madoff, solicitou à empresa de eventos uma significativa redução no orçamento destinado às actuações eróticas. A duração do show lésbico foi reduzida para metade, as gladiadoras estavam com muito pouco óleo no corpo, já não beijaram de língua e mostraram um envolvimento físico muito mais falso. A Mãe Natal não domou iguanas e cobras enquanto se despiu, não entrou no palco em cima de uma Harley Davidson, só contracenou com um dos três reis magos, chicoteou apenas um terço dos membros do conselho de administração e só lhe foi facultada água da torneira para beber para ajudá-la a conseguir fazer a chuva dourada.
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talvez pentear...

Aliciar os directores e humilhar os professores que leccionam

1. O decreto regulamentar 1-B/2009 , que fixa o suplemento remuneratório e os prémios de desempenho dos directores, subdirectores, adjuntos e directores dos CFAEs, constitui uma forma de aliciamento e mais uma humilhação para os professores que leccionam.
2. Um director de uma escola/agrupamento com mais de 1200 alunos e um director de um CFAE passam a ter direito a um suplemento remuneratório de 750 euros mensais. O subdirector e o adjunto, um pouco menos. Se a escola tiver de 801 a 1200 alunos, o suplemento é de 650 euros. Até 800 alunos, é de 600 euros. No primeiro caso, o suplemento equivale a quase dois salários mínimos e aproxima-se do vencimento líquido de um professor contratado. 
3. O suplemento remuneratório do presidente do conselho directivo do Instituto Superior Técnico (com cerca de 10 mil alunos, mil funcionários e com um orçamento anual superior a 50 escolas secundárias juntas) é de cerca de 450 euros mensais. O mesmo para os presidentes dos conselhos directivos da Faculdade de Ciências de Lisboa ou da Faculdade de Engenharia do Porto.
4. A que se deve esta súbita generosidade do ME? O que visa ela? O aliciamento dos directores e a humilhação dos professores que leccionam. Qualquer professor que lecciona sente que é um insulto ver um director de um CFAE, que não lecciona e que não tem praticamente que gerir nem fazer nada, ganhar um suplemento remuneratório mensal de 750 euros. É um insulto e uma vergonha nacional. Não consigo entender como é que o PR promulgou uma coisa destas. Este é mais um exemplo do país modernaço e injusto que o PS está a criar: os que produzem são ofendidos, humilhados e apoucados. Os comissários políticos e os controladores são enaltecidos e premiados com elevados vencimentos e prémios.
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tortura?

Pensamentos

Os trabalhadores mais incapazes são sistematicamente promovidos para o lugar onde possam causar menos danos: a chefia.


Qual a diferença entre uma dissolução e uma solução?
Uma dissolução seria meter um político num tanque de ácido para que se dissolva.
Uma solução seria metê-los a todos.


As hierarquias são como as prateleiras, quanto mais altas mais inúteis.

(recebido por mail)

lurdes rodrigues?

O significado das palavras

Recentemente, fui alertado para uma prática da Zon que, na melhor tradição linguística de George W. Bush, redefiniu o significado de alguns termos da Lingua Portuguesa.

Numa pesquisa rápida em qualquer motor de busca, utilizando os termos "Zon" e "ilimitado", é possível verificar o número de utilizadores que se queixam de uma prática muito pouco ética - para não dizer ilegal - de redefinição dos termos de prestação de serviço de acesso à Internet, designadamente o que diz respeito ao acesso ilimitado.

Concretizando, apesar de um cliente subscrever um serviço, a Zon reserva-se o direito de alterar unilateralmente as condições de prestação do mesmo, com efeitos especificamente sobre o tráfego. Significa isto que mesmo subscrevendo um serviço de acesso "ilimitado", a Zon impõe uma utilização "razoável" dessa ausência de limite. Repito: ilimitado; utilização razoável.

Portanto, na próxima vez que (por exemplo) contratar um determinado fluxo de electricidade, pagar por esse fluxo, e a meio a empresa disser "o cliente pagou mas está a utilizar de forma pouco razoável o que pagou, portanto vamos cortar-lhe a luz durante algumas horas de forma a disfarçar o facto de não termos estrutura para dar a todos os clientes exactamente aquilo que pagaram", lembre-se da Zon: já faltou mais para que todas as empresas prestadoras de serviços se apercebam de que não faz mal fazer publicidade enganosa e roubar descaradamente os clientes em vez de, responsavelmente, garantir que têm a estrutura necessária para prestar o serviço que comercializam... Ilimitado, afinal, significa "de forma razoável"... Será que a Zon é ilimitadamente desonesta, ou apenas pouco razoável?...
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os piores piratas não são estes...


O que eu penso...

O que eu penso é que os professores – o paradigma do cidadão útil e consciente de uma sociedade – são gente que não protesta sem ter razões muito fortes para o fazer. Uma crise nesta área tem sempre qualquer coisa de suicidário. Não são agentes puramente patológicos de uma sociedade. São sintomas de que há uma crise do tipo de educação que temos. É verdade que tem sempre que existir um mínimo de crise, porque, senão, significa que a educação não se está a pensar a si própria. Desde o Maio de 1968 que o lugar do ministro da Educação é o lugar mais terrível que existe. Mas, entretanto, houve uma alteração da imagem do professor, da sua figura, que também tem a ver com o trabalho que faz. Num destes dias, vi que 70% dos professores gostaria de abandonar o ensino, o que é uma tragédia. Não li nada mais triste do que isto. No meu tempo, ser professor era como ser actor de cinema, era qualquer coisa que justificava uma vida.

Eduardo Lourenço, in Visão (24 de Dezembro de 2008)

Hipótese…

Novo código do trabalho precário

Ga(y)to *

Um indivíduo, chamado José Correia e conhecido como Zé Pistoleiro, mandou um tiro a uma vizinha. Uma história perfeitamente normal não fosse o Zé Pistoleiro estar a tentar acertar no seu vizinho homossexual, por achar que este teria tido contactos sexuais com o gato, tornando-o homossexual. É uma história preocupante, para não dizer alarmante e que nos faz questionar toda a nossa existência. Primeiro, como é que dão a alcunha de “Zé Pistoleiro” a um tipo destes? É como chamar Zé Macho ao José Castelo Branco, a Gostosona à Manuela Ferreira Leite ou Animal Vertebrado ao Valentim Loureiro. É de esperar que um tipo chamado Zé Pistoleiro acerte no homossexual que sodomizou o seu gato e não na vizinha, que não tem nada a ver com o assunto…

Segundo, revolta-me que esta história esteja a ser encarada pelos meios de comunicação social como ridícula e insólita. Acho que devíamos fazer justiça ao Zé Pistoleiro que, apesar de estar longe de ser um Lucky Luke, é um exemplo para todos nós. Este homem foi preso por defender a honra do seu gato, logo a sua honra: “Antes ser preso do que permitir que um homossexual toque no meu gato”. Fez, pelo gato, algo que muitos não fariam por um filho e isso é de elogiar. Isto para não falar no incómodo que seria, para um homem, peço desculpa, um Homem, do calibre do Zé Pistoleiro ter que levar com olhares lascivos e provocantes de um gato homossexual, que se bamboleia pela casa, cheio de plumas e lantejoulas e o observa no banho, enquanto solta uns estridentes: “Ai fiiiiilha, fico loooouca com esses peitoraiiiis!” (não que eu saiba que os homossexuais costumem dizer isto, foi o que um amigo de um amigo meu que já viu um homossexual me disse). Seria, como devem compreender, insuportável. Eu não aguentava, vocês aguentavam? Ainda para mais, quando é perfeitamente possível que, como Homem que é, o Zé Pistoleiro goste de beber uns copos… E como é que um Homem como Zé Pistoleiro consegue apanhar as suas bebedeiras à vontade quando sabe que tem, em casa, um homossexual à espreita para o tentar apanhar num momento de vulnerabilidade. Os homossexuais, tal como os gatos são matreiros (também foi o tal amigo de um amigo meu que me disse) e, este para além de homossexual é um gato, o que faz com que duplique o seu nível de matreiricidade.

É normal que Zé Pistoleiro defenda a honra do seu gato. Todos os homens querem ter um gato macho, com quem possam ir tomar uns copos e falar sobre gajas. Ninguém quer ter um gato que passe a vida a decorar-nos a casa, que seja especialista em cuisine française e que esteja sempre às compras com a mulher… Não há carteira que aguente… Zé Pistoleiro, estou contigo, mas inscreve-te em aulas de tiro!

* Repararam que ao colocar y entre parêntesis no meio da palavra Gato dei um duplo sentido à mesma? É um Gato, que é gay, logo "Ga(y)to"... Acho que podia ganhar a vida a fazer títulos para o 24 horas...
http://ocortaunhasmelancolico.blogspot.com/

Ensaio sobre a crise

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Israel

Não é do melhor augúrio que o futuro presidente dos Estados Unidos venha repetindo uma e outra vez, sem lhe tremer a voz, que manterá com Israel a “relação especial” que liga os dois países, em particular o apoio incondicional que a Casa Branca tem dispensado à política repressiva (repressiva é dizer pouco) com que os governantes (e porque não também os governados?) israelitas não têm feito outra coisa senão martirizar por todos os modos e meios o povo palestino. Se a Barack Obama não lhe repugna tomar o seu chá com verdugos e criminosos de guerra, bom proveito lhe faça, mas não conte com a aprovação da gente honesta. Outros presidentes colegas seus o fizeram antes sem precisarem de outra justificação que a tal “relação especial” com a qual se deu cobertura a quantas ignomínias foram tramadas pelos dois países contra os direitos nacionais dos palestinos.
Ao longo da campanha eleitoral Barack Obama, fosse por vivência pessoal ou por estratégia política, soube dar de si mesmo a imagem de um pai estremoso. Isso me leva a sugerir-lhe que conte esta noite uma história às suas filhas antes de adormecerem, a história de um barco que transportava quatro toneladas de medicamentos para acudir à terrível situação sanitária da população de Gaza e que esse barco, Dignidade era o seu nome, foi destruído por um ataque de forças navais israelitas sob o pretexto de que não tinha autorização para atracar nas suas costas (julgava eu, afinal ignorante, que as costas de Gaza eram palestinas…) E não se surpreenda se uma das suas filhas, ou as duas em coro, lhe disserem: “Não te canses, papá, já sabemos o que é uma relação especial, chama-se cumplicidade no crime”.
http://infoalternativa.org/spip.php?article389

o controlador

Tenham medo, tenham muito medo!…


http://antero.wordpress.com/

As Pensões e o Complemento Solidário para Idosos

O governo do PS é um governo que não respeita os direitos de quem trabalha nem os direitos de quem vive das suas pensões, respondendo habitualmente às justas reivindicações de trabalhadores e pensionistas com arrogância e prepotência. Mas, a par disto, a propaganda, a encenação e as preocupações eleitoralistas, que estão sempre presentes na actuação governamental, acabam por se traduzir, muitas vezes, em actos demagógicos, caso da atribuição do Complemento Solidário para Idosos.

Como 92,5% dos pensionistas (cerca de 2,6 milhões de pessoas) recebem, no máximo, cerca de 629 euros, uma fraca pensão para fazer face ao elevado custo de vida, e destes ainda são muitos os que apenas recebem cerca 250 euros mensais (para que dá esta miséria?), o governo, em vez de subir as pensões, concede então um Complemento Solidário para Idosos.

Em vez de respeitar direitos fundamentais do homem, como o direito à alimentação, o governo pratica a caridadezinha. Mesmo assim, para aceder a esta esmola, estão estabelecidas condições tais, que poucos a conseguem receber e alguns a rejeitam. A lei impõe que, para a receber, o pensionista tenha recursos inferiores a 4800 euros anuais, sendo que na contabilidade destes recursos entram não só os recursos do referido pensionista e os do respectivo cônjuge, mas também, pasme-se, os rendimentos dos próprios filhos.

Até quando estes governos do capital, como o de José Sócrates, continuarão a abusar da nossa paciência, a ditar as suas leis, sem que os trabalhadores e o povo se revoltem a sério e os ponham na rua?
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1368

Prevenção Rodoviária

Gaza raid!

sábado, janeiro 03, 2009

Benfica propõe redução do comprimento da baliza se não conseguir contratar um bom guarda-redes na reabertura do mercado

O guarda-redes Quim deixou de ser convocado para os jogos do Benfica depois de ter sofrido 13 golos em 13 dias. Se o Benfica não conseguir contratar Codina, guarda-redes do Real Madrid, o clube da Luz vai apresentar algumas propostas ao International Board, órgão responsável pela elaboração das Leis de Jogo. " As medidas ideais são as balizas de Futsal. Uma baliza com 7,32 metros de comprimento e 2,44 de altura é uma crueldade para um guarda-redes. Queremos abolir os cruzamentos com trajectórias traiçoeiras, os remates com muita força, os remates com efeito, os remates rente ao poste e os pontapés de bicicleta durante os descontos. Quanto aos penaltis, queremos que sejam marcados muito mais perto da baliza e não queremos que o guarda-redes adversário esteja na baliza para tentar defender o remate”, afirmou Rui Costa logo após o Leixões ter vencido o Benfica por 5-4 nas grandes penalidades por culpa do falhanço de Reyes.
http://biscoitointerrompido.blogspot.com/

diga?

Paz


http://antero.wordpress.com/

Um novo blogue a ter em conta!



protestografico

Um blogue dum colega e dum sócio e colaborador activo da APEDE. A ter em conta e a visitar com regularidade.O grafismo das iniciativas que a APEDE promoveu são da sua responsabilidade.
Vejam aqui o último cartaz que já está no blogue:



protestografico

assim também eu!

Intervalo catita

Passear depois do Natal é muito engraçado. Há muitas coisas novas. Está tudo com roupa nova. Belos casacos. Cachecóis. Pacheminas, os mais finos.
Um relógio novo também se topa a léguas. É quando há um pulso permanentemente em riste ou quando alguém arregaça a manga como se tivesse urticária.
Já cuecas e meias não são tão evidentes, embora se reconheça uma pessoa que está que nem uma luva na sua roupa interior. O sorriso é mais rasgado e o andar mais seguro.
Mas nem sempre é fácil descobrir todas estas novidades. Há pessoas que reprimem os presentes numa primeira fase.
Se perguntarmos ao cavalheiro que aparece com um elegante sobretudo de caxemira – pelo qual muitos homens dariam a virgindade da filha – se o agasalho foi presente de Natal, dirá prontamente que não. Ou era do avô ou estava para limpar há muito tempo. Presente de Natal é que não foi, mesmo que ainda tenha os bolsos cosidos.
O Natal é assim mesmo. Muda as pessoas por fora, mas não muda por dentro. E ainda bem. As pessoas sem tiques não têm piada.
http://lobi.blogs.sapo.pt/

para ti, pedreira a minha língua de sarcasmo!

Ministério da Educação ameaça retaliar contra professores devido a greves

O Ministério da Educação admite recuar nas propostas que fez aos professores caso os sindicatos do sector insistam em prosseguir com as greves agendadas.


Em declarações ao "Diário de Notícias", o secretário de Estado da Educação Jorge Pedreira avançou com a possibilidade de voltar atrás com duas das principais propostas apresentadas durante as negociações com a Plataforma Sindical.

Em causa estão a criação de 2.300 vagas para titulares que pretendam mudar de escola e a possibilidade de a avaliação não contar para o recrutamento nesse processo.

O secretário de Estado declarou ao "Diário de Notícias" que se tratava de "uma proposta de boa-vontade" que poderá agora voltar a ser equacionada no caso de os sindicatos continuarem a manter os pré-avisos de greve para 19 de Janeiro.

O Ministério da Educação e os professores devem voltar a reunir-se na próxima segunda-feira para prosseguir as negociações em torno do calendário relativo à revisão do Estatuto da Carreira Docente.

Propostas do ministério condicionadas a suspensão das greves

Na semana de Natal, o Ministério da Educação avançou com aquelas duas propostas, exigindo desde logo como contrapartida a suspensão da greve.

O Governo mostrou-se então disposto a deixar cair a contabilização das bonificações Muito Bom e Excelente como critério para ordenar os professores participantes nos concursos de colocação, continuando dessa forma a fazer-se a graduação com base no tempo de serviço e nota de licenciatura.

A segunda proposta do ministério diz respeito à mobilidade dos professores titulares, que podem concorrer para estabelecimentos de ensino onde encontrem vagas da sua categoria. O ministério propôs que as 2.200 vagas fossem incluídas já no concurso de Fevereiro.

As propostas foram desde logo condicionadas à disponibilidade de os sindicatos suspenderem as greves agendadas pelos professores.

"É um gesto de boa-vontade que o Ministério da Educação dá e espera idêntico gesto por parte dos sindicatos", afirmava o secretário de Estado Jorge Pedreira.

Numa primeira reacção, os representantes da Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE) e da Federação Nacional dos Professores (FENPROF) fizeram saber que apesar de concordarem com as propostas estas não eram suficientes para deixar de lutar pela suspensão dos modelos de avaliação.

o pai natal de abalada

TODAS AS LINHAS DE MONTAGEM ESTÃO PARADAS

Porque se coloca a indústria automóvel no centro da crise
 
Enquanto o negócio da quadra de Natal ainda decorre mais uma vez, como uma espécie de última refeição do condenado, e em muitas empresas são processadas as últimas carteiras de encomendas, o colapso da economia mundial já atingiu em cheio a indústria automóvel. Por todo o mundo, os grandes conglomerados do automóvel estão a enviar os empregados de férias prolongadas forçadas até depois dos feriados. A paz dos cemitérios invadiu Sindelfingen, Munique, Eisenach e não só. Juntamente com as linhas de montagem, pára toda a logística just-in-time. Nos E.U.A., na Europa e na Ásia a quebra das vendas das várias marcas nos últimos dois meses é de 10 a 50 por cento. Operações de salvamento, como no sector bancário, que continuam a ser objecto de acesas discussões, já não podem absorver o desaire das vendas; na melhor das hipóteses poderão adiar o colapso dos balanços para o médio prazo.
Antes festejavam-se as horas extraordinárias do boom passado; mas já para o primeiro trimestre de 2009 se anunciam reduções de horários. Ao concordar com a prorrogação das prestações de desemprego, o governo federal sinalizou a sua disponibilidade para subsidiar a indústria automóvel. Poderia ser o primeiro passo para uma nacionalização parcial, como no sector financeiro; o presidente Sarkozy já assumiu publicamente essa possibilidade em França.
Isto significaria, em termos optimistas, que se deve diferenciar, pois os problemas na indústria automóvel seriam em parte também caseiros. Aqui estão em primeiro lugar os “big tree [três grandes]” (General Motors, Ford e Chrysler) na área metropolitana de Detroit, que se atrasaram na passagem para modelos economizadores de combustível e agora caíram num buraco negro. As filiais europeias da GM, Opel, Saab e Volvo, correm o risco de serem também atingidas. Espera-se uma mudança estrutural perfeitamente normal, no sentido de carros com menores emissões com efeito de estufa, mudança da qual seriam talvez vítimas algumas capacidades excedentárias do velho tipo devorador de combustível. Deste ponto de vista, a ajuda estatal selectiva aos grandes conglomerados automóveis dos E.U.A., que ainda não se adaptaram, surge como uma “distorção da concorrência”.
Na Europa, trata-se das marcas alemãs de prestígio, Porsche, BMW e Daimler, a quem se censura uma insistência em potentes viaturas de prestígio, que de repente deixaram de ser encomendadas pelos novos-ricos de todo o mundo, eles próprios entrados em apertos. Daí que haja na União Europeia uma desavença entre nações quanto aos objectivos climáticos e às ajudas nacionais, entre a aristocracia alemã dos automóveis potentes e os produtores de veículos mais pequenos na Europa Ocidental e do Sul. Mas a referência a uma mudança estrutural na indústria automóvel não é sequer metade da verdade. Pois até a Fiat e a Renault decretaram férias obrigatórias, e os fabricantes japoneses estão trabalhando a meio tempo.
A quebra das vendas afecta todas as marcas e modelos, embora em graus diferentes. O carro é um bem de consumo particularmente importante, cuja aquisição implica uma decisão de investimento privado. Não se compram carros como quem compra sanduíches, calças ou leitores de MP3. Portanto, perante a crise económica global emergente, a quebra da procura faz-se notar em primeiro lugar neste sector. Se os rendimentos se desfazem, não só os pequenos mas também os médios e grandes, então em primeiro lugar os carros antigos vão continuar a andar, ou recorre-se ao mercado de automóveis em segunda mão, que há muito sofre de excesso de oferta.
Ao mesmo tempo, porém, a indústria automóvel constitui um ponto nevrálgico central do sistema global da economia real em rede. Dele dependem não apenas numerosos fornecedores, mas também partes significativas das indústrias básicas, como o aço e produtos químicos; sem esquecer os fornecedores secundários de todos os tipos nos respectivos locais de produção. A procura de automóveis no mercado europeu tem vindo a diminuir desde há anos e não tem vivido senão do boom da exportação para os E.U.A. e para os países emergentes. Na medida em que a procura agora pára por todo o mundo, estabelece-se inevitavelmente uma reacção em cadeia em toda a gama da produção de componentes.
Verifica-se que a indústria automóvel continua a ocupar uma posição-chave e agora se torna o catalisador da crise que atinge todos os sectores. O discurso sobre um capitalismo “pós-industrial” tinha-se alimentado principalmente do boom de crédito e bolhas financeiras das últimas décadas, a que já não correspondia qualquer criação de valor real. Assim se criou uma procura artificial, de que a indústria automóvel pôde beneficiar particularmente. As vendas foram promovidas com crédito aos clientes e contratos de leasing cada vez mais facilitados. A partir dos “Financial Services” das empresas do sector automóvel surgiram verdadeiros bancos do sector automóvel, alguns com balanços de banco universal para o negócio creditício geral, e junto dos quais possivelmente também haverá alguns esqueletos da especulação no armário. Em todo o caso, o refinanciamento dos bancos do sector automóvel encareceu tanto por causa da crise financeira que a promoção das vendas, mesmo nos segmentos médio e baixo, tornou-se um modelo descontinuado. Muitos são já os vendedores de automóveis à beira da ruína.
A mesma é a imagem do lado oposto, no financiamento dos custos de investimentos e de desenvolvimento. No espaço de um ano, o prémio de risco para a transferência de créditos dos bancos comerciais sobre os conglomerados automóveis subiu dez vezes. O aumento na produtividade de até dez por cento ao ano por via da racionalização de investimentos dispendiosos faz agora bumerangue. As vendas teriam de subir na mesma ordem de grandeza para poder manter a capacidade e o emprego. Com o desaparecimento da procura não está apenas programado o encerramento de instalações. Também paralisa a continuada inovação de modelos. A retirada da Honda de Fórmula 1 e o estrangulamento financeiro da divisão de corridas indicam os limites da capacidade de desenvolvimento, que se repercutem também no projecto de construção de automóveis eléctricos.
A Volkswagen já requereu as garantias estatais do fundo de salvamento para o seu banco do sector automóvel. Seguir-se-ão não apenas os outros construtores automóveis, mas também os bancos dos outros conglomerados industriais e das grandes cadeias comerciais, logo que se desencadeie o efeito dominó da crise. Tanto mais se coloca a questão de saber onde irá o Estado buscar o dinheiro para isso, se as vendas não ficam salvas com a mera ajuda no saneamento dos balanços. A indústria automóvel está no centro de uma crise sistémica, que já não segue nenhum clássico ciclo económico e também já não pode ser descrita como  mudança estrutural “normal”.
Robert Kurz
http://obeco.planetaclix.pt/

Existe sempre alternativa...

Ódio como prenda de Natal

A igreja faz escolhas. O papa faz escolhas. Todos escolhemos de que forma queremos olhar o mundo. Todos escolhemos estratégias e discursos para o transformar. O papa, este Natal, escolheu o ódio: ódio estratégico, ódio discursivo.
O recente discurso de Ratzinger, no qual se referia aos homossexuais e à emancipação da mulher, não deixa dúvidas sobre o teor da sua mensagem: "[A Igreja] deverá proteger o homem de se destruir a ele mesmo. É preciso uma espécie de ecologia do Homem". Para o papa o "homem" e a "mulher" e todos os papéis que desempenham na sociedade segundo o seu género são pré-definidos "naturalmente". Até aqui nada de novo, é uma velha discussão sobre essencialismo e construtivismo, que nas últimas décadas tem ganho novos patamares ao passo que a antropologia vai descobrindo novas culturas e novas sociedades em que esta "naturalidade" se encontra alterada e, em alguns casos, invertida. Conhecemos hoje tribos matriarcais e estamos cientes das diferenças que o género feminino representa no ocidente e no oriente, no norte e no sul e mesmo dentro do ocidente, entre o mundo rural e o mundo urbano. Para além disso também sabemos hoje, que os papéis de "homem" ou "mulher", para além desta variação no espaço, também se modificaram ao longo dos tempos - a "mulher" ocidental de hoje não representa o mesmo papel da "mulher" ocidental há 2 séculos atrás.
Também no mundo animal esta divisão de género é tão diversa quanto possível. Na maioria das aves são os "machos" que usam a beleza natural nos contactos sexuais - penas extravagantemente coloridas, longas asas e bicos "enfeitados" - cuidando de uma forma obsessiva da sua aparência exterior, ao passo que as fêmeas são mais "descuidadas". Veja-se o caso do pavão com a sua vaidade. Os cavalos-marinhos "machos" engravidam, isto é, são "eles" que transportam o feto. E em muitas outras espécies são os "machos" que cuidam dos recém-nascidos, ao passo que "elas" vão à caça. Toda a assumpção dogmática sobre o "feminino" e o "masculino" esbarram no conhecimento e nesta diversidade intra e inter-espécies. A sociedade da informação e a massificação do conhecimento colocaram-nos novos desafios e trouxeram todas estas realidades para debates seculares.
O papa pode achar que a mulher é naturalmente "isto" ou "aquilo", mas ao fazê-lo demonstra a sua ignorância porque rejeita este conhecimento sobre a diversidade. Mas o que torna as declarações do papa realmente graves é a conclusão que tira do seu dogmático e fraco raciocínio: a necessidade de proteger a heterossexualidade, combatendo os desvios. O apelo que o papa faz, abertamente, é o apelo ao ódio, à diversidade e à diferença. Ao impor a necessidade de "combater" algo, não está a limitar-se a veicular dogmas e preconceitos usurpados mas a incentivar atitudes de discriminação. Já há alguns meses, quando a França tentou aprovar nas Nações Unidas uma resolução que incentivasse alguns países a abolirem sanções criminais a homossexuais, o Vaticano opôs-se. Não discutimos aqui direitos legais como o casamento ou a adopção, o que está em causa (o que o papa e o vaticano põem em causa) é a simples existência da homossexualidade e o direito à não discriminação e à não violência. "Combater a homossexualidade" é afirmar perante o mundo que os homossexuais não devem existir - e isso é espalhar o ódio.
O ódio à diferença sempre fez parte da nossa história e a justificação para a sua existência, na grande maioria dos casos, esteve ligada à religião. Em Abril de 1933, Adolf Hitler afirmava: "Durante 1500 anos, a igreja católica considerou os judeus pestilentos, colocou-os em guetos, etc. porque reconhecia os judeus como eles realmente são… Eu vejo os representantes de tal raça como pestilentos para o Estado e para a igreja e, talvez, eu esteja por isso a praticar um grande serviço ao cristianismo ao tirá-los das escolas e dos serviços públicos" - Haverá muita diferença entre aquilo em que Hitler acreditava e aquilo que o papa hoje defende?
Defender a floresta tropical é defender a diversidade ecológica. Defender a heterossexualidade, enquanto expressão única de sexualidade é destruir a diversidade humana. O mundo nunca esteve tão super-povoado como hoje, o crescimento da população mundial foi exponencial desde a revolução industrial e já passamos a barreira dos 6 biliões, com uma maioria destes seres humanos a viverem em condições de pobreza extrema - face a esta realidade não é possível acreditar que a humanidade está em perigo por causa dos homossexuais ou por causa das mulheres emancipadas - é ser demagógico até ao tutano
Para acabar, gostaria de ajudar o papa a clarificar o seu discurso! Quando diz que "As florestas tropicais merecem a nossa protecção. Mas o homem, enquanto criatura, também a merece", na verdade o que quer dizer é "As florestas tropicais merecem a nossa protecção. Mas o homem do género masculino heterossexual branco católico, enquanto criatura dominante, deve continuar a merecê-la". O papa tem o direito de defender uma "ecologia para o homem" nos termos que a defende. Mas então terá que ser consequente com as suas palavras e defender a destruição de todas as culturas tribais não-patriarcais e de todas as aves, pavões e cavalos-marinho deste mundo, quais "invertidos pestilentos" que subvertem o papel da fêmea submissa, tal como deus a criou!
Já não há pachorra para tanta imbecilidade e tanto ódio à mistura.
http://infoalternativa.org/spip.php?article388