quinta-feira, junho 04, 2009

CADA UM TEM O SEU "INGLÊS"

O Vítor entrou na biblioteca para entregar o CD que tinha levado para fazer o trabalho de História com o grupo dele. O Professor Velho, o que está na biblioteca e fala com os livros, enquanto arrumava o CD, perguntou como é que estavam a correr as coisas lá na turma do Vítor.
Olha Velho, tudo bem, o trabalho ficou fixe, a setôra gostou e o resto da turma também, até deu uma grande discussão. Vê lá que até o Luís, sabes, aquele assim diferente, queria dizer qualquer coisa.
O Luís é aquele teu colega que tem um problema chamado Paralisia Cerebral?
Sim Velho, é esse, mas ele fala muito atrapalhado e devagar, a gente percebe pouco e, por isso, a gente não fala muito com ele.
Vítor, já falas bem inglês?
Velho, as notas não são assim muito altas mas falo alguma coisa, já estou no 7º.
Mas aposto que quando alguém fala para ti em inglês, percebes mais coisas do que consegues dizer quando és tu a falar e até aprendes alguma coisa quando ouves.
Claro Velho, até percebo coisas que oiço nos filmes.
Talvez o Luís perceba mais o vosso “inglês” do que é capaz de vos dizer no “inglês” dele. Sabes que cada um tem o seu “inglês”.
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G.M.


Candidatura ao banco alimentar

Eu [Cavaco Silva] e a minha mulher, antes de eu estar nesta posição, quando éramos apenas professores, não tínhamos as nossas poupanças debaixo do colchão, nem tão pouco no estrangeiro. E agora também não. Entregámos as nossas poupanças a quatro bancos, incluindo o BPN, para eles gerirem as nossas poupanças. Esperávamos que eles gerissem as poupanças bem, que conseguissem um bom rendimento. Infelizmente estamos a perder muito, muito dinheiro. Boa parte das nossas poupanças estão desaparecidas. (…) Recentemente foi noticiado que eu tinha tentado esconder que da minha carteira de títulos e da minha mulher faziam parte - há muitos anos, muitos anos antes de ser Presidente da República - acções da SLN. Não é verdade. E se eu digo que não é verdade é porque estou perfeitamente seguro que o posso dizer.".
Se não fosse tão tarde e não estivesse já tão cansado, iniciaria agora mesmo um peditório a favor deste Presidente a atravessar misteriosos desaparecimentos nos seus quatro mealheiros. Amanhã pensarei nisso. Agora vou sonhar com as "compritas" que a Maria não conseguiu fazer na Capadócia e com as centenas de milhar de euros que a família realizou com as acções da SLN. Hoje foi um dia importante na nossa História. Nunca antes tinhamos tido nenhum PR que tivesse sentido a necessidade de, em entrevista a uma TVI, justificar onde desaparecem as suas poupanças. Vou dormir mais tranquilo por ter ficado informado de que não é na Capadócia.

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Ele merece

Uma pessoa liga a televisão nestes dias e prepara-se para o pior. O pior é obviamente encontrar Vital Moreira acompanhado de Ana Gomes numa rua qualquer do país. Os eleitores do PS são seres humanos e, portanto, também devem sentir algo assim. Porque o que Vital Moreira diz – esqueçamos Ana Gomes – só a custo se distingue do mais rasteiro populismo. O PSD está por detrás da “roubalheira” do BPN, etc. E os silêncios não são menos relevantes: a recusa em comentar a abjecta insinuação sobre as acções compradas e vendidas pelo Presidente da República, por exemplo (uma esquiva que o sempre muito sorridente António Costa igualmente praticou, revelando a estratégia da seita). Diz-se que é por “falta de jeito” que saem estas coisas a Vital Moreira. Não é. Vital Moreira tinha “jeito” quando falava do alto do seu saber marxista-leninista sobre o “sentido da história”. Quando esse saber se evaporou, restou-lhe a prática ocasional de invectivas, na tradição leninista. Se se lerem alguns artigos do Público descobrem-se coisas dessas. Não chega a acusar ninguém de ser uma “víbora lúbrica”, mas sente-se a escola. Não é apenas para “mostrar um cartão” a Sócrates que não se deve votar em Vital Moreira. É também por causa de Vital Moreira. Ele merece que não se vote no PS.
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Pena em "Águas de Bacalhau" é a novidade do novo Código de Execução de Penas


Caso se consiga terminar, depois de mil recursos, o julgamento de um arguido influente (dentro da esperança média de vida de cada um de nós) o novo Código prevê a "Pena em Águas de Bacalhau": é uma pena única, tipicamente portuguesa, cujo texto está aqui.

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Vital Moreira, absentista


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«É preciso ser pobre»

«É preciso ser pobre
Esqueçam Bruxelas. Esqueçam as legislativas. Esqueçam tudo.Esqueçam Bruxelas. Esqueçam as legislativas. Esqueçam tudo. Esta campanha eleitoral não é sobre nada do que se tem vindo a dizer. Nem sobre a Europa nem sobre o país. Esta campanha é sobre ser-se pobre. Provavelmente é o que conta para se ser gente quando o país entra em estado de crise. As minhas suspeitas, ainda frescas, começaram ontem à tarde, quando lia a reportagem do PÚBLICO sobre os meios de campanha dos cinco partidos parlamentares. A coisa dá cinco a zero, cabazada mesmo e a favor do partido no poder. Ele é o autocarro catita, com as caras dos eurodeputados, o palco especial exclusivo para o chefe, a redacção ambulante para os jornalistas. O resto? Uns carritos, nada de autocarros para militantes, e até na carne assada se poupa. Ricos e pobres, estão a ver? A coisa funciona assim. Aparece o candidato socialista, todo fresquinho e bem-disposto e ao lado passam os candidatos da oposição, suados por não terem ar condicionado, com a barriga a dar horas e nem um aventalzito que se veja para oferecer aos eleitores e eleitoras. Moral da história? O cidadão em crise compra o partido pobrezinho e foge do partido remediado. E desde o primeiro debate com os cinco cabeças de lista dos principais partidos no Prós e Contras que essa ideia era clara. Vital Moreira, o candidato socialista, aparecia satisfeito perante eleitores descontentes, puxando a glória à obra certeira do Governo sem entender que os receios na cabeça dos eleitores dispensam o auto-elogio de quem desiludiu - ou não tem no mínimo resposta para oferecer a uma crise planetária e não o reconhece. Candidato pobrezito, portanto, é candidato garantido, campanha poupadinha, a tostão, é campanha para ganhar. E como ainda por cima o que está a dar é a caça aos ricaços do BPN - e Vital, fustigando o PSD com a "roubalheira" do PSD, tentava no fundo afastar de si esse anátema, mais contagioso que a gripe mexicana, que passou a ser A (H1N1) para não ser uma gripe dos pobrezinhos, que é o anátema de não ser pobre.

No entanto, foi só quando o Presidente da República emergiu nos telejornais da noite para relatar como as suas poupanças andam desaparecidas e levaram sumiço num qualquer buraco negro, que percebi tudo. Podemos abraçá-lo, consolar o senhor Presidente da República? Dizer-lhe "obrigado" por ser pobre, tão pobre como nós, que queremos ser pobres e votar em pobres? Por revelar que não tinha o dinheiro nem no colchão, nem no estrangeiro.
Desculpem-me, mas eu cá há coisas em que sou um bocadinho conservador. Não estou sozinho. Revelou o Expresso, no sábado, que Cavaco Silva tinha dinheiros, uns 140 mil euros, na Sociedade Lusa de Negócios. Não consta que o Presidente tenha acumulado fortuna dentro ou fora da política ou que seja crime ter dinheiro nessa sociedade. Nenhum partido político entendeu dar valor à coisa. A questão do BPN não é a de ser o banco do PSD, como deselegantemente sugeriu o PS. A questão é o BPN ser o símbolo do tipo de sociedade que saiu do cavaquismo, do equívoco que foi o modelo de desenvolvimento cavaquista e ter despertado a memória desse período histórico que o tempo tinha tornado incompleta. É uma questão política. E não se pode dizer que o PS seja alheio a esse modelo em que a sociedade portuguesa cristalizou, em que a promiscuidade entre o poder político e o poder económico passou a ser mais do que tolerada e o combate à corrupção relegado para o terreiro das coisas incómodas.
Posto isto, o Presidente não precisava de falar. Não está sob suspeita. E hoje, como quando toda esta história começou há meses, criou uma ligação involuntária a esta história, quando tentava desligar-se dela.»
Miguel Gaspar no Público, edição impressa, 04-06-2009

Parecia a rodagem de um filme de Hollywood...

Parecia a rodagem de um filme de Hollywood...
Na sequência de injúrias e desobediência à autoridade
funcionário da autarquia detido e algemado


A cena fazia lembrar um filme de Hollywood ou, pelo menos, uma série de televisão americana.

A história, passada na última terça feira, envolveu um imigrante ucraniano que, sob o efeito do álcool, passou a tarde a insultar as pessoas que se encontravam num bar e restaurante perto da praça da república.
Um funcionário da autarquia chamou a GNR e entretanto impediu que o desordeiro entrasse no restaurante, protegendo assim pessoas e porventura bens, já que o ucraniano não tinha contenção em gestos nem em palavras.
Como a GNR tardasse a aparecer, um segundo telefonema terá sido feito, segundo testemunhas, de uma forma menos própria e mais enérgica, apelando para a rápida comparência dos meios e agentes da autoridade.
Na sequência desse segundo telefonema, ao que tudo indica, a autoridade apareceu e deteve... o funcionário da autarquia.
O ucraniano provocador de todos os distúrbios, entretanto, assistia pacatamente à cena a uma distância de 10 metros. Só não fugiu porque manifestamente mal conseguia equilibrar-se.

Algemado com as mãos atrás das costas, e protestando com toda a veemência, foi o funcionário autárquico conduzido ao posto da GNR e posteriormente ao Hospital e ao Instituto de Medicina Legal, à Guarda.

A cena hollywoodesca que se desenrolou ao longo de vários minutos, atraíu a atenção de várias dezenas de pessoas que se encontravam nas imediações.

Regista-se que a GNR demorou cerca de 1 hora a comparecer no local desde a primeira chamada e, por isso, se não fosse a actuação do funcionário da autarquia que lhe barrou a entrada ao restaurante, o ucraniano teria tido tempo para fazer o que bem entendesse dentro do estabelecimento.
Uma vez mais poupo os leitores a pormenores mais sórdidos, como o facto de, segundo testemunhas no local, os agentes trazerem consigo algemas mas não a respectiva chave. Quando foi necessário aliviar a pressão das algemas teve que se chamar uma 2ª viatura.

Enfim... cenas destas felizmente não são frequentes, mas foi público e notório que algo terá que ser feito no sentido de agilizar e aumentar a eficiência das forças da ordem em Seia.
http://joaotilly.weblog.com.pt/

Epicentro comercial

Bem sei que nos dias que correm tudo é comércio, tudo é retalho. Mas, mesmo assim, não percebo as “lojas jurídicas” nos centros comerciais.

Consigo perceber, por exemplo, aqueles cabeleireiros modernos que gozam de belas montras e os clientes de bela exposição enquanto lavam o toucado. Mas não consigo, definitivamente, perceber as “lojas jurídicas”.

Será que entre uma ida ao cinema e outra à lavandaria, há quem peça o divórcio ou quem vá procurando defesa, temendo que o trágico desaparecimento do vizinho melómano lhe traga inconvenientes?

E será que no futuro tudo vai acontecer nos centros comerciais? Será que as mães vão ter os filhos numa loja? Será que a caminho da Fnac vamos passar por uma boutique com cavalheiros a arrancar os sisos na montra?

Não sei, mas é bom que se tenha mão nesta praga de centros comerciais. Temo que a próxima geração já venha a nascer no Colombo e a fazer Erasmus no Dolce Vita.
http://www.lobidocha.com/

Facebook do Sócrates

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A redução da velocidade de queda

A memória da economia de mercado e dos media corresponde aproximadamente à memória de uma criança de três anos. No entanto, talvez deva ser recordado o “serviço” de previsões das instituições oficiais, relativamente à evolução da economia global. No Verão de 2008 ainda se celebrava, em previsões que iam até 2020, a retoma da conjuntura, nunca reconhecida como conjuntura de deficit. À medida que a crise financeira se começava a manifestar, havia "fins de alerta" periódicos. O pior já passou, ouvia-se ainda em Setembro. Após as "Segundas-Feiras Negras" nas bolsas de valores, insistiu-se na afirmação de que a economia real era saudável em si mesma e apenas seria um pouco afectada pelo desastre da economia financeira. Para 2009 esperava-se um crescimento apenas ligeiramente mais fraco. Quando a economia mundial entrou em queda, os institutos económicos, acometidos de dúvidas sobre si mesmos, já não se dispunham a emitir mais qualquer prognóstico. Mas o aprendido não esquece. Recentemente, o título da "Wirtschaftswoche" era: "Hurra, ainda estamos vivos". O optimismo profissional apropriou-se da fórmula segundo a qual, de acordo com o Instituto IFO, a velocidade da queda teria começado a abrandar.

Mesmo fisicamente, trata-se de uma imagem bastante enviesada, porque em queda não se consegue abrandar; a questão, quando muito, é a natureza da aterragem. O novo optimismo faz lembrar a velha anedota do homem que caiu do avião sem pára-quedas e, a meia altura, diz: "Até aqui tudo bem". Que um colapso histórico se possa resolver a contento de todos apenas em alguns meses é, naturalmente, uma esperança vã. A crise económica mundial não se desenvolve linearmente, mas aos solavancos. Se neste momento se tem esperança no alcance dos programas económicos globais, no valor de aproximadamente dois biliões de dólares, está-se a esquecer o que é decisivo. Em primeiro lugar, os esqueletos no armário dos balanços dos bancos e dos conglomerados empresariais estão ainda longe de ter sido removidos; os “bad banks” simplesmente adiaram o problema e ainda está para vir a próxima onda de write-off necessários (como por exemplo nos sistemas de cartões de crédito). Em segundo lugar, com a transferência do crédito para o Estado, o potencial inflacionário está à espreita; a curto prazo uma conjuntura inflacionária poderia passar por cima das barreiras levantadas contra a crise. E, em terceiro lugar, não há quaisquer novos potenciais de valorização real à vista, que pudessem gerar uma retoma auto-sustentada, de acordo com o "motor de arranque" keynesiano baseado na dívida.

A parte de leão dos programas conjunturais coube até agora à China. Lá já se pagam subsídios do Estado para a compra de frigoríficos e máquinas de lavar. Mas com isso nem sequer se pode compensar no curto prazo a ruptura da exportação de sentido único. Mesmo com um subsídio, o poder de compra do mercado interno chinês é demasiado pequeno para poder compensar a queda do consumo dos EUA. Além disso, os subsídios do Estado aplicam-se apenas aos bens produzidos na China e não ajudam nada os exportadores do resto do mundo. O programa de simulação está a ser pago a partir do gigantesco excedente de divisas, em moeda dos EUA, divisas ameaçadas de desvalorização pelos igualmente gigantescos pacotes de salvamento, financiados pelo banco central nos EUA. É de esperar um surto de inflação nos EUA e na China, a irradiar para todo o mundo, estando simultaneamente iminente a segunda onda da queda do consumo dos EUA e, consequentemente, da exportação global. A próxima vergonha do "pensamento positivo" é inevitável. Ilimitada parece ser apenas a perda de realidade das elites capitalistas, que já não sabem que fazer.

http://obeco.planetaclix.pt/

MEP - Outras campanhas, outros mundos


Embora o fundamentalismo “pró vida” de Laurinda Alves, candidata europeia do MEP (Movimento Esperança Portugal), seja um dos tipos de reaccionarice que mais me irrita, sobretudo pela arrogância que implica a imposição de normas e conceitos religiosos ou morais a quem não está minimamente interessado (nem necessitado) deles, acharei sempre que quem, como ela, suportou durante algum tempo aquela abantesma do Miguel Sousa Tavares, merece uma condecoração e que tê-lo, a seguir, posto com dono, merece outra.


Fora isso, a sua campanha lá segue, não se sabe bem para quê, com o apoio do catolicismo militante de direita de Roberto Carneiro, do catolicismo militante que pelo menos antes era “tipo” de esquerda, de Catalina Pestana... e resmas de rapazes e raparigas, contentes por terem chegado à idade de votar, contentes por poderem votar “na Laurinda” e contentíssimos por nada nem ninguém lhes poder tirar aquele ar de escuteiros e escuteiras betas.


Será que votar na Laurinda conta como “boa acção do dia”? Será que também são obrigados a ajudar a Laurinda a atravessar as ruas... e já agora o Roberto Carneiro e a Catalina Pestana, o que faria muito mais sentido?


O MEP de Laurinda Alves tem uma frase de campanha que diz “Melhor é possível!”


Não podia estar mais certa! É exactamente por isso que praticamente ninguém irá votar no MEP.
http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/

A notícia

Como muita outra gente, recebi a notícia pela televisão: por sentença judicial ficara confirmada a prática de tortura sobre detidos, praticada por uma das polícias existentes, no caso a Polícia Judiciária. Pareceu-me ser, sem sombra de dúvida, uma notícia da maior importância.

Não terá sido esta a avaliação feita pela maioria das estações portuguesas de TV: tanto quanto eu tenha dado por isso (e garanto que fiz tudo para estar atento aos diversos canais, quer por visionamento directo, quer mediante gravação), só a RTP2, o tal canal de audiência menor e supostamente dedicado sobretudo a segmentos “intelectuais” do auditório, dedicou à notícia uns minutos do tempo inicial do seu noticiário da noite, embora os restantes se lhe tenham referido mais ou menos longamente lá mais para diante. Pelos vistos, os jornalistas que fixaram os alinhamentos dos serviços noticiosos não se impressionaram muito com a confirmação formal de que em Portugal se torturam presos. Julgo compreendê-los: nunca foram torturados, porventura nem sequer qualquer deles alguma vez foi preso, quer tenha merecido sê-lo quer não. Para mais, num ou noutro desses canais foi informado que os inspectores da PJ acusados da infâmia haviam sido «ilibados».

Era mentira: o tribunal considerou provada a prática da tortura e só não foi capaz de determinar qual ou quais dos réus a tinha usado e quais os que porventura dela tinham sido encobridores. De onde a absolvição por falta de provas, o que não é sinonímia de inocência.

Convém registar que tudo havia sido preparado para que os inspectores da PJ fossem absolvidos: recorreu-se mesmo a um tribunal de júri, prática rara entre nós, porque a detida que sofrera a tortura havia sido condenada por um crime que suscitara uma repugnância geral na opinião pública e seria provável que os quatro não-juristas que integrariam o júri de sete elementos reflectissem essa generalizada aversão.

Na verdade, tanto quanto se sabe, quase só a Ordem dos Advogados, cumprindo honradamente o seu dever, se bateu para que a sentença do tribunal reconhecesse o crime e revelasse o que devia ser recebido como um indignante escândalo e afinal parece não o ter sido, pelo menos para quem comanda os telenoticiários principais. E, contudo, bem se justifica o apelo do bastonário da Ordem dos Advogados no sentido da intervenção do primeiro-ministro e do presidente da República. Porque, é claro, só quem crê em contos de fadas é que acredita ter sido este o único caso de espancamentos e outros “tratamentos cruéis” em cadeias portuguesas, pelo que, além de outras eventuais interrogações, fica a gente a perguntar se algum ou alguns dos inspectores supostamente «ilibados» continuará a fazer interrogatórios a suspeitos. Ou se, no mínimo, não será melhor enviá-los para os Estados Unidos da América, que é boa e acolhedora terra, onde pelos vistos Guantámano e lugares mais ou menos equivalentes vão continuar.

Para além das três absolvições, houve condenações com pena suspensa por encobrimento dos factos e por depoimentos mentirosos.

Um dos condenados foi Gonçalo Amaral, inspector agora “ex”, tristemente célebre por ser o obstinado acusador do casal McCann como responsável pela morte e desaparecimento da sua filha. Agora, esta condenação por mentira lança um inevitável lampejo de luz sobre a credibilidade que o homem merece, mas o que é curioso é que em ambos os casos, o de Maddie McCann e o de Joana, a filha da detida agora comprovadamente torturada pelos subordinados de Amaral, tratou-se de crianças desaparecidas e porventura assassinadas cujos corpos nunca apareceram.

É decerto apenas uma coincidência, mas é uma coincidência tristíssima. Quanto ao resto não sei nada, ou melhor, só sei o que a televisão me vai ensinando, que é pouco.

E, como neste caso mais uma vez se viu, além de pouco é pelo menos trapalhão e indutor em erro.
http://infoalternativa.org/spip.php?article924

O mesmo "Le Monde" sobre o partido socialista

Au Portugal, les morts ne votent pas, ils s'abstiennent. Sans doute très nombreux sur des listes électorales mal mises à jour, les inscrits fantômes vont nourrir, au soir des élections européennes, ce que les observateurs politiques portugais appellent "l'abstention technique". Au moins 10 % de plus que l'abstention réelle, déjà forte pour ce type de scrutin. Un million de nouveaux électeurs se sont inscrits depuis 2005, portant le corps électoral à 9,5 millions de personnes alors que la population totale, y compris les 500 000 immigrés sans droit de vote, ne dépasse guère 11 millions d'habitants.


Obrigado Ludgero. Sempre em cima dos mais relevantes acontecimentos!!!

Reportagem do jornal "Le Monde"

Comme Myriam, près de 1 million de Portugais sont considérés comme des prestataires de service. Mêmes s'ils pointent chaque jour à l'usine ou au bureau, avec des horaires fixes et des collègues de travail qu'ils fréquentent depuis des mois, voire des années, leur patron reste un simple client à qui ils facturent une prestation et qui peut interrompre la collaboration du jour au lendemain. "Comme on présume que tu es indépendant, tu n'as aucun des droits d'un salarié", s'irrite-t-elle. Pas de congés payés, pas d'indemnités de chômage ou journalières pour maladie.

Fala quem sabe

A mais interessante declaração de Oliveira e Costa, ex-presidente do Banco Português de Negócios, na comissão parlamentar de inquérito às fraudes no banco, não foi sobre as mentiras do seu parceiro e conselheiro de Estado Dias Loureiro, coisa que toda a gente já sabia. Foi a afirmação de que, se todos os bancos portugueses fossem investigados como o BPN, a banca entraria em colapso.
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1593

A liquidez anula o significado de "inflação"


Os termos convencionais de inflação e deflação já não são adequados para descrever o efeito monetário geral do excesso de liquidez recentemente libertado pelo US Federal Reserve, o banco central do país, para sanar o esmagamento do crédito que já perdura há um ano.

Isto acontece porque a abordagem adoptada pelo Tesouro e pelo Fed para tratar de uma crise financeira de dívida insustentável criada pelo excesso de liquidez é injectar mais liquidez na forma tanto de nova dívida pública como de dinheiro recém-criado na economia e canalizá-lo para instituições carregadas de dívida a fim de reflacionar uma bolha de preços de activos conduzida pela dívida já estourada.

O Tesouro não tem qualquer poder para criar dinheiro novo. Ele tem de tomar emprestado no mercado de crédito, transformando portanto dívida privada em dívida pública. O Fed tem a autoridade para criar dinheiro novo. Infelizmente, o dinheiro novo do Fed não tem ido para os consumidores na forma de pleno emprego com elevação de salários a fim de restaurar a procura em queda, mas ao contrário tem ido apenas para instituições aflitas infestadas de dívida a fim de que possam desalavancar da dívida tóxica. Portanto a deflação no mercado de acções (com preços em queda) tem sido amortecida pelo dinheiro recém emitido, ao passo que o rendimento salarial agregado continua a cair e, mais uma vez, a reduzir a procura agregada.

A procura em queda deflaciona os preços das mercadorias, mas não o suficiente para restaurar a procura porque os salários agregados estão a cair mais rapidamente. Quando instituições financeiras desalavancam com o dinheiro gratuito do banco central, os credores recebem o dinheiro ao passo que o Fed assume o passivo tóxico através da expansão do seu balanço. O desalavancamento reduz custos financeiros ao mesmo tempo que aumenta o fluxo de caixa para permitir a instituições financeiras zumbis retornarem à lucratividade nominal com rendimento não ganho, enquanto despedem trabalhadores para cortar no custo operacional. Portanto temos inflação do lucro financeiro com deflação de preços numa economia em retracção.

O que teremos pela frente não é uma hiper-inflação de preços do tipo República de Weimar, mas sim uma inflação do lucro na qual instituições financeiras zumbis se tornam nominalmente lucrativas numa economia em colapso. O perigo é que este lucro financeiro nominal e não ganho seja interpretado erradamente como um sinal de recuperação económica, induzindo o público a investir o que resta da riqueza que ainda possui, só para perder mais no colapso seguinte do mercado, o qual acontecerá quando estourar a bolha do lucro.

A hiper-inflação é fatal porque a cobertura (hedging) contra ela provoca fracassos do mercado que destroem riqueza. Normalmente, quando os mercados estão a funcionar, a inflação não coberta (unhedged) favorece os devedores ao reduzir o valor dos passivos que eles devem aos credores. Ao invés de destruir riqueza, a inflação não coberta simplesmente transfere riqueza dos credores para os devedores. Mas com a intervenção do governo no mercado financeiro, tanto os devedores como os credores são os contribuintes. Em tais circunstâncias, mesmo inflação moderada destrói riqueza porque não há partes vencedoras.

Dívida denominada em moeda fiduciária é riqueza tomada emprestada para ser reembolsada posteriormente com riqueza armazenada em dinheiro protegido pela política monetária. A desalavancagem da banca com o novo dinheiro do Fed cancela dívida privada ao valor facial pleno com dinheiro que não foi ganho por ninguém, isto é, sem riqueza armazenada. Esta espécie de dinheiro é tóxica pois quanto mais valioso for (com poder de compra acrescido para comprar mais quando os preços deflacionam), mais degrada ele a riqueza porque nenhuma riqueza foi posta no dinheiro a ser armazenado, negando portanto o pré-requisito do dinheiro como armazenador de valor.

Isto não é destruição da procura porque o declínio na procura é temporariamente atrasado pelo novo dinheiro. É, ao contrário, a destruição do dinheiro como um restaurador de valor ao mesmo tempo que produz um efeito enganoso e desconcertante sobre a procura agregada.

Pensar acerca do valor de qualquer activo real (ouro, petróleo e assim por diante) em termos de dinheiro (dólar) é enganoso. O caminho correcto é pensar acerca do valor do dinheiro (dólares) em termos de activos (ouro, petróleo), porque activos (ouro, petróleo, etc) são riqueza. O Fed pode criar dinheiro, mas não pode criar riqueza.

Os banqueiros centrais são suficientemente astutos para saberem que apesar de poderem criar dinheiro, não podem criar riqueza. Para atar dinheiro a riqueza, os banqueiros centrais devem combater a inflação como se ela fosse uma praga financeira. Mas a primeira lei do crescimento económico declara que para criar riqueza através do crescimento, alguma inflação tem de ser tolerada.

A solução então é fazer com que os trabalhadores pobres paguem pelo sofrimento infligido pela inflação dando aos ricos a maior fatia da riqueza monetizada criada através da inflação, de modo a que a perda do poder de compra devida à inflação seja suportada principalmente pelos trabalhadores pobres de baixos salários e não pelos possuidores de capital, cujo valor monetário é protegido da inflação através de salários baixos. Portanto os trabalhadores pobres perdem tanto nos tempos de expansão como nos tempos de declínio.

O monetarismo considera a inflação como benigna na medida em que os salários ascendam a um ritmo mais lento do que os preços dos activos. A lei de ferro monetarista dos salários funcionou na era industrial, com o excesso de capacidade resultante absorvido pelo consumo conspícuo das classes endinheiradas, embora isto finalmente anunciasse uma era de revoluções. Mas a lei de ferro dos salários já não funciona mais na era pós-industrial na qual o crescimento só pode vir da administração da procura em massa porque a super-capacidade cresceu para além da possibilidade de o consumo conspícuo de uns poucos a absorverem numa democracia económica.

Este tem sido o problema básico da economia global durante as últimas três décadas. Salários baixos mesmo em tempos de expansão levaram o mundo ao seu actual estado lamentável de super-capacidade mascarada pela procura insustentável criada por uma bolha da dívida que finalmente implodiu em Julho de 2007. Todo o mundo está agora a produzir bens e serviços feitos por trabalhadores de baixos salários que não podem permitir-se comprar aquilo que fazem excepto assumindo dívidas que acabarão por incumprir pois os seus baixos rendimentos não permitem servi-la.

Todos os gastos de estímulo de todos os governos perpetuam esta disfuncionalidade. Não haverá recuperação deste sistema financeiro disfuncional. Só a reforma rumo ao pleno emprego com salários em ascensão salvará esta economia severamente defeituosa.

Como é que isso pode ser feito? É simples. Basta tornar o custo de aumentos salariais dedutíveis do imposto sobre o rendimento corporativo e tornar as poupanças decorrentes de lay-offs tributáveis como rendimento corporativo.

por Henry C K Liu

Presidente de um grupo de investimento privado com sede em Nova York. O seu sítio web é http://www.henryckliu.com .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

A lei do silêncio

O último número do semanário "Sol" numa reportagem muito esclarecedora sobre o que é Portugal hoje descreve o ambiente em Cinfães de Douro. Por lá podemos verificar não só o considerável atraso do país, relativamente à Europa, mas também ficar a saber que algumas escolas estão pior do que estavam. No Norte de Portugal, o ambiente nalguns sítios parece ser o de um filme de terror: reina o medo dos processos disciplinares. O regime democrático, parece, ainda lá não chegou.


"(...) No jardim-de-infância e na escola primária as crianças vão aprendendo as lições. A conversa do SOL com uma funcionária é interrompida aos gritos pela "responsável", uma mulher gorda e antipática, de voz bruta.

- "Ó Maria Irene, o que é que se passa?"

- "São uns senhores. Estão a fazer-me uma entrevista:"

- "Não se pode fazer entrevistas dentro da escola: Isto está pior do que antes do 25 de Abril. Ainda levamos com um processo disciplinar".

Dito isto virou as costas, esbaforida, como se visse o demónio. E Maria Irene nada mais disse. Antes do raspanete tinha ainda confessado que pensava que as eleições do próximo mês eram para a junta de freguesia. Depois de ouvir falar no Parlamento Europeu, também não ficou muito mais esclarecida. "Então devem servir para escolher outro Governo". "
http://dererummundi.blogspot.com/

Declaração solene sobre o novo Prémio Camões


"Até que enfim que um raio acertou no sítio certo, porra!"

José Luiz Tavares - poeta cabo-verdiano,
sobre a atribuição do Prémio Camões 2009


(caricatura da autoria de José Leopardo)

Quem escondeu o dinheiro do Presidente?


Cavaco Silva revela que "boa parte" parte das suas poupanças "estão desaparecidas"
“Eu e a minha mulher, antes de eu estar nesta posição, quando éramos apenas professores, não tínhamos as nossas poupanças debaixo do colchão, nem tão pouco no estrangeiro. E agora também não. Entregámos as nossas poupanças a quatro bancos, incluindo o BPN, para eles gerirem as nossas poupanças. Esperávamos que eles gerissem as poupanças bem, que conseguissem um bom rendimento. Infelizmente estamos a perder muito, muito dinheiro. Boa parte das nossas poupanças estão desaparecidas”, afirmou o chefe de Estado citado pela TVI. (no Público)
Repararam, estão a perder "muito, muito dinheiro" de quando eram apenas professores? Taditos!
http://blogue-do-ogre.blogspot.com

quarta-feira, junho 03, 2009

Quem é ela??? É a lurdes rodrigues? Heim? Heim?


Não, é a candidata do Obama ao supremo tribunal dos States

Há sempre a alternativa de não ir...

Domingo, o povo vai andar armado?

Obama evita Berlim...

Sócrates dá-nos muita música...mas não gosta dos Xutos e Pontapés...

Um nariz delicado

«Paulo Rangel foi visitar um bairro social em Vila Nova de Gaia. Mostrando que está sintonizado com o espírito enfadado da sua líder, o candidato fez a visita sentado numa sala, através de um PowerPoint.» – “Não só evitamos os comícios, como dispensamos a realidade”. E os maus cheiros, diria eu.

http://opaisdoburro.blogspot.com

Dos Gestos Fúteis


Quando se fala nos genocídios mais horríveis das últimas décadas, aparece sempre esta tendência de agredir o leitor com a necessidade de cada um se indignar: indignar com os carrascos, indignar com a sorte das vítimas, mas sobretudo indignar com o esquecimento a que se vai votando aquela desastrosa experiência, com a indiferença com que hoje vemos esse crime desproporcionado.
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No Público de hoje, Teresa de Sousa retoma o estilo. Censura-nos por não termos assistido à apresentação do livro de Denise Affonço, sobrevivente dos campos da morte de Pol Pot, que, no entanto, não pouparam a filha, nem o marido. Não me parece, contudo, que se trate de admoestação à fragilidade da nossa compaixão. Não há ninguém que não sofra com a história de Denise Affonço, ou de milhares e milhares de pessoas que sofreram o mesmo destino no Cambodja. Teresa de Sousa reservou outras admoestações para a condição da nossa consciência colectiva. Não nos perdoa por cedermos aos nossos “interesses” com a China. Pergunta, ainda com a sua lança em punho, “quem é que hoje quer incomodar a China?”. Ela, presumivelmente, quer. Nós, presumivelmente, não. Por outro lado, também a nossa amnésia conveniente dos acontecimentos no Cambodja é alvo de uma indignada reprimenda. Queremos esquecer, enquanto as vítimas têm o “direito à verdade”.
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De acordo, as vítimas têm o direito à verdade. Mas o que é insuportável neste tipo de prosa é a disponibilidade absolutamente gratuita para saldar antigos passivos e ainda aparecer como reserva moral da civilização ocidental. Ora, parece-me muito mais saudável insistir na educação moral e intelectual que nos pode imunizar contra este tipo de tentações totalitárias – que Teresa de Sousa confunde com “utopias ideológicas”. Parece-me muito mais proveitoso, se bem que com menos brilharetes emocionais e menos sortidos retóricos, recordar que essas tentações ideológicas procuram sempre encontrar terreno fértil na degeneração moral e na falência intelectual que algumas correntes se entretiveram – e se entretêm ainda hoje – a patrocinar. Porque se ninguém discorda que as vítimas têm o direito à verdade, antes desse direito tinham um outro: o direito de não serem vítimas destes carniceiros políticos. É no momento politicamente decisivo que é necessário mostrar a indignação, uma indignação que não seja estéril. Se é do Cambodja que falamos, então era na década de 70 que era preciso dizer “não”. Se Baptista Bastos se celebrizou por perguntar aos seus convidados “onde é que estavas no 25 de Abril?”, então uma ligeira adaptação da pergunta indica-nos o cerne do problema: “onde é que estava Teresa de Sousa quando os Khmer Rouges entraram em Phnom Penh?”. Porque entre os vários grupos de pessoas com quem os sobreviventes gostariam, nos seus piores momentos, de ajustar contas, contam-se, sem dúvida, os coetâneos que no momento politicamente eficaz preferiram denunciar o imperialismo americano e louvar os caminhos para o socialismo.
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Hoje em dia, muitos do que denunciam a indiferença da “sociedade”, convivem bem com a presença, dimensão e importância de partidos políticos que não renegam, bem pelo contrário, o seu legado totalitário. Isso não os perturba. Muitos dos que se indignam, não se incomodam com a farsa montada em plenas Nações Unidas, em cujas comissões de defesa dos direitos humanos são países como Cuba, Líbia e Síria que têm lugar de honra. Isso não provoca comoção "democrática" junto das nossas almas mais generosas. Daqui por 30 anos devem ser os mesmos que virão assumir poses dramáticas e pronunciar duras palavras com a vozinha angélica da nossa atraiçoada consciência.
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Lembram-se de quem apresentou este livro?


Não se lembram? Então eu ajudo. Não, não foi Vital Moreira. Quem apresentou o livro "Sócrates - o menino de ouro do PS" foi mesmo Manuel Dias Loureiro. Na altura da sessão de apresentação, o agora proscrito Loureiro revelou que a afectividade do actual primeiro-ministro foi a característica que mais o «emocionou» na leitura do livro. Dias Loureiro referiu-se também à «enorme generosidade», «sensatez», «prudência», «coragem» e «capacidade de liderança» de José Sócrates, que classificou como um «homem trabalhador» e um «homem de detalhes»: «Só quem está atento aos detalhes pode fazer grandes coisas. Essa é uma característica dos grandes homens». Que bonito. Estou emocionado. Perante isto, gostava de saber se o candidato Vital Moreira também vai pedir a José Sócrates para se demarcar de Dias Loureiro. É que esta coisa dos detalhes tem que se lhe diga.
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Delegados comerciais

Emirados Árabes Unidos «muito interessados no Magalhães»03.06.2009
Fonte: Lusa
O ministro da Economia, Manuel Pinho, disse, à partida para uma visita oficial aos Emirados Árabes Unidos, que o Governo de Abu Dhabi está «muito interessado» no computador Magalhães e no quadro electrónico.

Então mas não foi dito e redito que não existe relação entre o governo e a JP Sá Couto? Porque diabos continua o governo a agir como delegados comerciais?
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Um príncipe em Estrasburgo


Em Itália, o príncipe Emanuele Filiberto de Sabóia é candidato ao Parlamento europeu pelo partido centrista democrata-cristão. Depois de ganhar um concurso televisivo de dança, este príncipe moderno quer entrar à força na política. Nas últimas legislativas, enquanto candidato do pequeno partido que fundou para o efeito, recolheu 0,4% dos votos.

Por isso, o príncipe de Piemonte e de Veneza concorre agora às europeias pelas listas da UDC e defende os seus maiores trunfos: «Estive exilado 31 anos e conheço bem a Europa. Falo cinco línguas. Conheço metade dos Chefes de Estado e a outra metade está ligada à minha família».

Enfim, quando a monarquia não está em cena, a realeza não se consegue adaptar ao teatro político. “Conheço metade dos Chefes de Estado e a outra metade está ligada à minha família” é muito disparatado. Tanto ou mais que outra certeza de Filiberto nesta campanha: «As pessoas vão pensar: se ele aprendeu a dançar em poucas semanas, também pode aprender a trabalhar no Parlamento». Ou seja, o talento não é natural. Ninguém diria.
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As verdadeiras 7 maravilhas de origem portuguesa no mundo

“Mais maravilhas? Mas isso não está já a cheirar mal?”, pergunta o cidadão comum, esclarecido e de gosto refinado, enquanto limpa a cavidade nasal com o indicador e emborca mais uma imperial. Com efeito, assim é. Desde que mentes brilhantes internacionais decidiram promover a eleição das novas 7 maravilhas do mundo por voto telefónico (se tivéssemos mais uns milhões de habitantes, até lá conseguíamos enfiar o Centro Comercial Colombo), houve mentes igualmente brilhantes, mas de formação nacional, a decidir capitalizar a euforia que não chegou a existir, promovendo a eleição simultânea de outras tantas maravilhas de Portugal. O mesmo brilhantismo precisou de dois anos para engendrar nova iniciativa: as 7 maravilhas de origem portuguesa no mundo. Rebuscado? Por comparação com as 7 maravilhas de origem mundial em Portugal (que virão a seguir) é até bastante simples e evidente. Mas há algo que não está bem. Olhando a lista de 27 “maravilhas” em votação, verficamos que, das 27, 11 são igrejas, conventos, santuários, mosteiros, basílicas e catedrais, dez são fortes e fortalezas e 5 são centros históricos de cidades coloniais, acrescentando-se ainda a Ilha de Moçambique. Espera-se que isto impressione? A Ilha de Moçambique impressiona realmente e muitos desconhecerão que o poderio dos portugueses das Descobertas lhes permitia erguer ilhas sobre o oceano, mas o resto não. O que diz esta lista da presença histórica portuguesa no mundo? Diz que os nossos antepassados, que nos habituámos a ver como heróicos, faziam duas coisas: rezavam e batiam nas pessoas. Possivelmente, em simultâneo ou com uma relação de causa-efeito. Nos intervalos das rezas e da violência, refugiavam-se em recantos urbanos construídos para recordar a terrinha e com a preocupação de serem “centros”. Para periferia já bastava a pátria distante. Existem realmente maravilhas de origem portuguesa no mundo, mas não são estas. Estas são apenas postais bonitos ou amontoados de pedras mal amanhados que algum historiador decidiu forçar a organização a incluir na lista para conferir rigor à coisa. Não revelam nada do que é ser português e são apenas paredes. As maravilhas portuguesas no mundo que verdadeiramente interessam e que verdadeiramente revelam a nossa essência mais profunda são estas:

1 - A escravatura moderna




É verdade. Foram os portugueses a ressuscitar para a modernidade europeia um hábito desagradável há muito caído em desuso. Não contentes em negociar com nativos das novas terras africanas o marfim, o ouro e a especiaria, os nossos decidiram que seria ainda mais proveitoso se pudessem vender também os próprios parceiros de negócio. Também é verdade que fomos um dos primeiros países a abolir o tráfego humano, mas apenas depois de muitos séculos de lucro e de multidões transportadas contra sua vontade no porão de navios. É um pouco como ouvir um assassino em série com dezenas de vítimas no cadastro proclamar a santidade da vida humana. O argumento não perde validade por isso, mas fica sempre aquele travo amargo na boca e fica por exteriorizar um “mas que grande lata”.

2 - O emigrante


Portugal não é a única nação de emigrantes, mas os nossos emigrantes são especiais. Não se limitam a deixar o país em busca de melhores condições de vida, criando toda uma filosofia à sua volta. O emigrante português não deseja regressar a casa em permanêcia. Pode voltar, eventualmente, mas apenas por motivos de força maior. A sua maior ambição é fazer visitas passageiras, sobretudo no Verão ou durante quadras festivas, para, em primeiro lugar, partilhar com os conterrâneos que ficaram que o seu país de acolhimento é mil vezes superior a Portugal em qualquer aspecto e, depois, para matar saudades de entes queridos, de preferência ao volante de um Mercedes alugado em segredo e com palavras de afecto entrecortadas pelos termos estrangeiros que vão conseguindo pronunciar com maior ou menor improviso. Concluído o ritual, o emigrante regressa ao país onde reside e, aí, o seu patriotismo torna-se absoluto e alimenta um amor cego a Portugal que não tolera a mínima crítica. Contraditório? Não, senhor. Genuíno!

3 - O político penetra


Num país desprovido há séculos de qualquer relevância geopolítica ou económica, não admira que os políticos sintam um especial prazer pelo convívio com os seus congéneres de estados menos dependentes de êxitos futebolísticos, queda de pontes ou desaparecimento de crianças estrangeiras para serem referidos na CNN. E é vê-los a entregarem-se de alma e corpo a manifestações efusivas de júbilo por serem dignos de segundos de atenção ou de um abraço de Sarkozy, Merkel ou Zapatero, mesmo que estes, muitas vezes, não os reconheçam, sabendo apenas tratar-se de alguém de um daqueles países confusos do Sul da Europa. Vê-se o orgulho inflado de serem recebidos por um Berlusconi ou de receberem um postal natalício de um Obama. Nota-se até que nem nas muitas vezes em que os seus apertos de mão ficam suspensos no ar sem correspondência, ou quando um governante demasiado ocupado lhes volta a cara para se dirigir a quem realmente interessa, isso os magoa. Porque sabem que estão ali, no centro de tudo. Mesmo que seja só para fazer número.

4 - O novo conceito de pontualidade


Quem em Portugal nunca calculou mentalmente qual a hora mais adequada para comparecer a um encontro marcado para as “quatro e picos” ou “por volta das onze”? E quem em Portugal nunca concluiu que a hora mais adequada seria às 17:10 (para o encontro das “quatro e picos”) e às 11:47 (para o encontro “por volta das onze”). Depois, tenta-se explicar a um europeu à séria como funciona, habitualmente como justificação para um atraso de três quartos de hora, e não há quem entenda. Porque nós temos um dom especial e único. É essa a razão.

5 - O subsidiado profissional


Quem acreditar que os subsídios ou ajudas económicas se destinam a dar impulsos iniciais ou ajudas passageiras, não passou tempo suficiente embrenhado na realidade portuguesa. O afamado espírito de iniciativa português, alicerçado por uma longa cultura de esmolas, cunhas e caridadezinhas consegue pegar numa situação de último recurso que, para muitos, seria motivo de algum embaraço, transformando-a numa forma de vida plena realização pessoal.

6 - O desenrascanço
Recentemente louvada internacionalmente como uma das palavras que mais falta fazem à língua inglesa, a instituição portuguesa do desenrascanço não tem apenas as conotações positivas que lhe foram reconhecidas. O seu lado negro, assombrado por obras concluídas vinte segundos antes da sua abertura ao público e por pedidos a um grande amigo/familiar querido para facilitar um qualquer processo burocrático, é bem conhecido e serve de contrapeso perfeito aos aspectos positivos da improvisação e da capacidade para superar dificuldades à MacGyver.

7 - Os fenómenos de popularidade instantânea



No resto do mundo, para que algo seja popular, há todo um processo a seguir. Primeiro vem o lançamento, seguindo-se a divulgação, depois a aceitação e, por último, a consagração. Em Portugal, apesar do que se disse acima acerca da pontualidade, há pelo menos uma coisa em que não gostamos de perder tempo. E, por isso, passamos directamente do lançamento à consagração. Mas não de forma linear. Muitas vezes, a consagração dá-se antes do lançamento, sendo inúmeros os casos de discos que já são de platina à saida da editora, de livros que já são best-seller antes de os primeiros exemplares chegarem às livrarias ou de iniciativas mediáticas arbitrárias que já têm longos pergaminhos na sua primeira edição. Para muitos, isto poderá não fazer qualquer sentido, mas os portugueses facilmente abdicam do juízo próprio se houver alguma alma caridosa a disponibilizar-se para nos explicar aquilo que apreciamos e aquilo que queremos. Facilita-nos a vida e nós somos gente que não aprecia complicações.
http://inepcia.com/

ICAR - medo dos esqueletos

A troca de correspondências entre o papa João Paulo 2º e a amiga psiquiatra polonesa Wanda Poltawska, durante mais de 50 anos de amizade, pode atrasar o processo de beatificação do papa, de acordo com informações divulgadas pelo jornal italiano La Stampa neste final de semana.

http://www.ateismo.net

DECLARAÇÃO COMUNISTA ANARQUISTA POR OCASIÃO DAS ELEIÇÕES PARA O PARLAMENTO EUROPEU


Eleições europeias: Apenas o combate vale a pena!

De 4 a 7 de Junho os votantes europeus são chamados às urnas para escolher quem os irá «representar» no Parlamento europeu. Enquanto comunistas anarquistas, não pensamos que as eleições possam trazer qualquer mudança real, sendo que preferimos a democracia directa à democracia representativa. Por outras palavras, preferimos que as decisões que afectam os trabalhadores sejam tomadas pelos próprios, colectivamente. O funcionamneto e objectivos da União Europeia são opostos a este modelo de auto-decisão e portanto aos interesses dos trabalhadores e do povo. Os seus líderes desprezam tanto o povo que - embora perguntem a nossa opinião - a única resposta permitida é a que aceita a linha política da UE, definida previamente noutra instância. A atitude da UE face à rejeição por referendo do Tratado estabelecendo a Constituição para a Europa exemplifica este facto. Além disso, os reais líderes da UE (a Comissão Europeia, o presidente do Banco Central Europeu, etc) não estão sujeitos a qualquer controlo democrático e portanto estão ainda mais livres para defender esses interesses contra os interesses da classe trabalhadora. Isto pode ver-se com as políticas de descarada liberalização e privatização que têm sido aplicadas, na austeridade orçamental e monetária (política iniciada em Maastricht). No actual período de crise, tais políticas somente causam sofrimento às pessoas da classe trabalhadora. Não tem sido visível qualquer efeito prático no relaxamento do Pacto de Estabilidade, que impõe défices públicos muito baixos. Embora o Banco Central Europeu tenha aceite atenuar a política de austeridade monetária, fê-lo de uma maneira muito limitada, que apenas irá contribuir para o aprofundar da crise na Europa. A União Europeia é uma máquina de guerra contra os direitos sociais e os trabalhadores, em especial contra os migrantes: o «dumping» social, o corte nos «custos do trabalho», a caça aos imigrantes, os fechos de fronteiras, a cooperação entre polícias, etc. Portanto, a União Europeia não é uma instituição neutral cujas políticas precisam de ser «redesenhadas» - é a satisfação do poder capitalista, dedicado a servir os patrões e os banqueiros. A eleição de novos deputados não mudará, de modo nenhum, esta situação. Apenas as lutas sociais conjuntas de todos os trabalhadores por toda a Europa, num vasto movimento social, poderão parar estas políticas e encorajar o crescimento de uma força revolucionária contra o capitalismo e suas instituições, em direcção a outra sociedade. Uma sociedade baseada nos verdadeiros ideais internacionalistas da liberdade, igualdade e solidariedade.

Federazione dei Comunisti Anarchici (Itália)
Alternative Libertaire (França)
Workers Solidarity Movement (Irlanda)
Liberty and Solidarity (Reino Unido)

tradução para português por Luta Social
http://www.luta-social.org/

A falsa redução dos "recibos verdes" na Administração Pública: A ocultação como arma de propaganda e de manipulação

O secretário de Estado da Administração Pública tem-se multiplicado nos últimos dias em declarações aos media (Lusa 01/06/2009; Diário Económico 02/06/2009) afirmando que "na Administração Pública Central houve uma diminuição de 30% do número de trabalhadores a recibo verde". No entanto, ele "esqueceu-se" de explicar que essa redução dos trabalhadores de "recibo verde" foi conseguida através da imposição a muitos deles da obrigação de se transformarem em empresários (constituir uma sociedade unipessoal) para poderem manter a prestação de serviços (o posto de trabalho para muitos deles) , como resulta do nº2 e do nº4 do artº 35 da Lei 12-A/2008, aprovada por este governo. A situação desses trabalhadores até piorou, pois tiveram de arranjar 5000 euros que é o capital mínimo para constituir uma sociedade unipessoal e, para além disso, terão de suportar mais um despesa mensal com um técnico de contas, que é obrigatório. E a situação de precariedade em que se encontravam estes trabalhadores não diminuiu; até aumentou. Eis a forma artificiosa como este governo reduziu os trabalhadores com "recibos verdes" na Administração Pública, que o Secretário de Estado "esqueceu-se" de explicar, mas com a redução assim conseguida este governo desencadeou mais uma acção de propaganda e de manipulação da opinião publica.

Uma parte significativa do aumento do desemprego oficial verificado em Portugal entre o 1º Trimestre de 2005, data em que este governo tomou posse, e o 1º Trimestre de 2009 tem como causa a destruição de um elevado numero de postos de trabalho na Administração Pública levada a cabo por este governo. De acordo com a Direcção-Geral da Administração e do Emprego Público do Ministério das Finanças, só no período 2005-2008 foram destruídos 58.373 empregos na Administração Pública pois, entre 2005 e 2008, o numero de trabalhadores da Administração Pública diminuiu de 746.811 para 688.438. O número de postos de trabalho destruídos por este governo na Administração Pública entre 2005 e 2008 (58,37 mil), corresponde a 70% do aumento do desemprego oficial registado entre o 1º Trimestre de 2005 e o 1º Trimestre de 2009 (+83,2 mil) . A destruição do emprego público é uma das razões do aumento do desemprego.

As alterações feitas por este governo no Estatuto da Aposentação vão determinar uma redução significativa nas pensões dos trabalhadores da Administração Pública que se aposentarem nos próximos anos. Para que se possa ficar com uma ideia clara da dimensão dessa redução considere-se o caso de um trabalhador com uma remuneração mensal relevante para o cálculo da pensão de 900 euros (90% do vencimento à data da aposentação), que no ano em que se aposenta tem a idade legal para o poder fazer sem sofrer penalizações (62 anos em 2009; 63 anos em 2011, e 64 anos em 2013), portanto não é penalizado por aposentação antecipada. Mas quando se aposentar, apesar de ter a idade legal para o fazer, tem 36 anos de serviço. Em 2009, o trabalhador considerado receberia cerca de 841,94 euros de pensão, ou seja, menos 58,06 euros (-6,5%) do que receberia se o Estatuto da Aposentação não tivesse sido alterado por este governo; em 2011, ele receberia 807,98 euros, portanto menos 92,02 euros (-10,2%) do que receberia se o Estatuto de Aposentação não tivesse sido alterado; e, em 2013, receberia apenas 774,68 euros, portanto menos 125,32 euros (-13,9%) do que receberia se este governo não tivesse alterado o Estatuto da Aposentação. Não resta duvida que são reduções significativas com grande impacto nas condições de vida dos aposentados. Para concluir isso, basta ter presente que, em média, têm-se aposentado na Administração Pública cerca de 20 mil trabalhadores por ano. Tendo como base este número de aposentados anual, e admitindo que o vencimento médio mensal dos trabalhadores à data da aposentação é de 1000€ (em 2008 era superior a 1500€), aquela redução significa que os trabalhadores que se aposentarem em 2009 perderão, por ano, mais de 16,2 milhões de euros de pensões; os que se aposentarem em 2011 perderão, por ano, mais de 25,7 milhões de euros de pensões; e os que se aposentarem em 2013 perderão, por ano, mais de 35 milhões de euros de pensões.
http://resistir.info/

PRIMEIRO VER PARA CRER...


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Memórias do processo eleitoral


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Bonecos de palavra


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O mais caro de sempre...


Nuno Melo acusou Vítor Constâncio de estar na origem da funesta decisão de nacionalizar o BPN (cujo custo já anda perto dos 2.500 milhões de euros).
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Julgo que Melo inverteu o nexo de causalidade: o Governo não agiu em virtude do que Constâncio disse – ao contrário, Constâncio disse o que disse por causa da intenção governamental.
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O perpétuo governador do Banco de Portugal converteu-se num comentador económico pró-governo, numa espécie de Perez Metelo em cargo mais abonado mas igualmente justificador de tudo o que o Governo quer ou sente (ainda vão trocar de ofício!).
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Não sei que mais asneiras Constâncio terá de exibir para ser forçado a desocupar a função. Deve ter sido o titular público cuja omissão em agir mais dinheiro custou a esta III República.
Carlos de Abreu Amorim
in CM

Esta democracia é uma miséria...


Não gosto desta democracia. Uma democracia que sobrevive através de subterfúgios, que se não preveniu contra as desigualdades sociais, antes as estimula, autoriza-nos a combatê-la sem tréguas, como imperativo de consciência e necessidade histórica. Desejava-a equânime, fortemente representativa, sem a moral indecisa e sem a implícita conspiração de uma classe que me repugna e se julga acima do mal e do bem. A democracia não é isto que a violência simbólica tem promovido, e a ausência de debate tem consolidado.
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O discurso político é inassimilável, embora seja definível pelos traços essenciais das semelhanças de uns com os outros. Esse discurso apropriou-se, sobretudo, do lugar-comum, fruto de antigas e cediças tradições. Nada do que dizem Ilda Figueiredo, Miguel Portas, Paulo Rangel, Vital Moreira ou Nuno Melo suscita a mais escassa emoção ou o mais módico entusiasmo. O pessoal a quem se dirigem não os conhece, ou mediocremente dá por eles. A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos "políticos" algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição.
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Esta democracia é uma desgraça. E os protagonistas são pessoas inadequadas à construção da sua desejável e inequívoca grandeza. O que dizem reactiva, permanentemente, a colonização das mentes, porque o que dizem é baseado em velhos conceitos de exclusão do "outro". Esta democracia reflecte a debilidade de convicções morais de quem dela se diz paladino. O que por aí se vê de corrupção, de mentira, de fraqueza dos mecanismos institucionais, de hipocrisia, de inquietação social, resulta das enormes variações de carácter e de ideologia daqueles que abandonaram a defesa das específicas identidades partidárias.
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O desfile de nulidades e de apparatchiks de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento, incrementa o rancor e não conseguiu, em 35 anos, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia.
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Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar.
Baptista-Bastos
in DN

Também tu, Cavaco Silva?

Como se já não bastasse um primeiro-ministro acossado, procuradores da República sob suspeita, um provedor da Justiça incapaz de ser eleito e um ex-conselheiro de Estado amnésico, só nos faltava agora um Presidente da República a fazer negócios altamente vantajosos com a empresa responsável por um dos maiores buracos financeiros na história de Portugal. Não admira que o Parlamento se entusiasme tanto com a santificação de um português do século XIV. É que hoje olhamos à nossa volta, procuramos uma referência moral onde encontrar algum conforto, e a sala está assustadoramente vazia.
Cavaco Silva meteu-se numa triste embrulhada. O triângulo composto por Dias Loureiro, o comunicado de Novembro negando qualquer ligação ao BPN e a manchete do último Expresso, que garantia que o Presidente da República ganhou 150 mil euros no espaço de dois anos através da venda de acções da Sociedade Lusa de Negócios (detentora do BPN), é péssimo para a sua imagem. Ponto por ponto:

1) Cavaco deu protecção política a Dias Loureiro muito para lá do que era admissível. Independentemente de tudo o que ele possa ter feito no BPN, desde que o caso surgiu o ex-ministro foi apanhado em contradições inexplicáveis e mostrou um total desrespeito pela Comissão Parlamentar na primeira vez que foi ouvido. O papel de Dias Loureiro agravou-se de dia para dia com Cavaco a ver, e até na hora da saída do Conselho de Estado o Presidente deixou palavras em sua defesa. Porquê?

2) O comunicado de Novembro onde Cavaco sublinhava nunca ter tido nada a ver com o BPN é agora uma batata quente nas suas mãos. É certo que, tecnicamente, a SLN não é o BPN, mas isso é um preciosismo que só aumenta as suspeições. Cavaco omitiu o que não devia ter omitido, refugiando-se num detalhe que é verdadeiro na letra mas falso se olharmos para o espírito do que estava em causa. O que fica é a sensação de o Presidente ter feito tudo para esconder a existência das acções da SLN. Porquê?

3) Os contornos do negócio revelado pelo Expresso tornam-se assim muitíssimo embaraçosos: obter um lucro de 140% num curto espaço de tempo, através da venda de acções de uma empresa que nem sequer está cotada em bolsa, é daquelas jogadas que fazem a alegria dos especuladores mas que ficam mal a um Presidente da República. Recusar dar explicações sobre este negócio com o argumento de que na altura não desempenhava cargos públicos - como terá dito ao Expresso - é, no mínimo, coxo. E em nada contribui para aquela seriedade no modo de fazer política que Cavaco Silva tanto gosta de apregoar. Portugal já está bem servido de escândalos. Dava jeito que o Presidente não se enfiasse em mais um.

João Miguel Tavares in DN

Comentário: Mas alguém tem dúvidas quanto à ombridade de todos estes senhores, de toda esta pandilha???!!!...