Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
segunda-feira, março 03, 2014
SOBRINHO SIMÕES NA REVISTA DO EXPRESSO ARRASA A ACTUAL POLÍTICA DE CIÊNCIA
A área privilegiada no programa de ciência do governo era a das ciências da vida e da saúde. Lê-se lá que se pretendia "reforçar o investimento em áreas críticas para o desenvolvimento social e económico de Portugal, nomeadamente nas ciências da vida e da saúde, com enormes repercussões financeiras na saúde pública, na agricultura, no ambiente e na biodiversidade." Manuel Sobrinho Simões é um dos maiores nomes da ciência nacional, precisamente na área das ciências da vida e da saúde, a tal privilegiada. Vejamos o balanço que ele faz em entrevista que saiu hoje na revista do Expresso:
"P - As questões que se colocavam há 25 anos, na formação do IPATIMUP, são muito diferentes das de hoje?
R - São, porque começámos numa altura em que Portugal praticamente não tinha ciência. O país é outro. O que é assustador é que nos últimos dois anos isto está outra vez tudo diferente.
P - Há agora um terreno adverso?
R - Sim, e é algo de muito recente (...)
P - Sentem agora a fuga de cérebros?
R - Sentimos (...)
P- Qual a dimensão dos cortes orçamentais no IPATIMUP?
R - Foram de 45% (...)
P - Há uma subversão dos objectivos iniciais?
R - A verdade é que isto no limite subverte (...)"
Se as ciências da vida e da saúde eram a área privilegiada... imagine-se o que aconteceu às outras. Houve mesmo áreas sumariamente extintas.
DAQUI
"P - As questões que se colocavam há 25 anos, na formação do IPATIMUP, são muito diferentes das de hoje?
R - São, porque começámos numa altura em que Portugal praticamente não tinha ciência. O país é outro. O que é assustador é que nos últimos dois anos isto está outra vez tudo diferente.
P - Há agora um terreno adverso?
R - Sim, e é algo de muito recente (...)
P - Sentem agora a fuga de cérebros?
R - Sentimos (...)
P- Qual a dimensão dos cortes orçamentais no IPATIMUP?
R - Foram de 45% (...)
P - Há uma subversão dos objectivos iniciais?
R - A verdade é que isto no limite subverte (...)"
Se as ciências da vida e da saúde eram a área privilegiada... imagine-se o que aconteceu às outras. Houve mesmo áreas sumariamente extintas.
DAQUI
O PSD e o regresso de Miguel Relvas
O regresso de Miguel Relvas à ribalta política surpreendeu muita gente. A sua escolha para cabeça de lista do Conselho Nacional do PSD, avalizada no recente Congresso do partido, para além de acentuar publicamente a absoluta falta de vergonha de Passos Coelho e dos seus apoiantes, terá provocado algum mal-estar junto de vários congressistas presentes. Mas a cobardia e os interesses (de classe burguesa) instalados prevaleceram sobre qualquer pretenso mal-estar. As críticas anónimas ou as tíbias demarcações de militantes do partido em relação a esta imposição de Passos Coelho falam por si. É assim a natureza e a moralidade desta gente.
De salientar que Relvas é um elemento essencial à quadrilha governante, dada a sua estreita e já longa cumplicidade com Passos Coelho na eliminação de concorrentes internos do actual líder do PSD, assim como em relação a vários “negócios” bem conhecidos (vide Tecnoforma). E, sobretudo, por que Relvas traz consigo importantes ligações a empresas (e a dinheiros utilizáveis nas campanhas eleitorais), assim como à espionagem política e económica (de lembrar as suas ligações a Jorge Silva Carvalho e não só). Relvas é um manipulador, cheio de truques, que certamente serão úteis no interior da coligação governamental e, particularmente, nas próximas campanhas eleitorais do PSD, onde a mentira, a demagogia e a chantagem irão campear.
CPLP(p): Cleptocracias de língua portuguesa (ou parecidas)
Quem haveria de dizer que exactamente no mesmo país onde se bradava aos sete ventos que não havia dinheiro para salários e pensões de reforma, que por essa razão estavam a ser apropriados pelo Estado à sombra de um regime de excepção engendrado especialmente para o efeito pelo colaboracionismo dos membros do seu Tribunal Constitucional, haveriam de desencantar-se 1100 milhões de euros em dinheiros públicos, valor semelhante ao somatório desse roubo, para recapitalizar um banco falido? Aconteceu na passagem de ano de 2012 para 2013, sem anúncio prévio e para surpresa de todos. O banco em causa foi o BANIF, por cuja administração se passearam as figuras do regime elencadas no vídeo que ilustra este post e cujo Presidente do Conselho de Administração é Luís Amado, mais um ex-membro de um Governo que levou consigo o acervo de segredos de Estado ainda fresquinhos que acumulou enquanto ministro dos Governos de Sócrates directamente para a administração de uma empresa privada que mantém relações comerciais com o mesmo Estado aos 1100 milhões de cada vez.
Passado pouco mais de um ano da data da injecção surpresa, nada havia mudado relativamente à situação descrita no relatório de gestão do BANIF do primeiro semestre de 2013: dos 450 milhões de recapitalização privada exigidos pelo acordo Estado/Banif, 150 dos quais a devolver ao Estado imediatamente após a administração de Luís Amado conseguir reunir os 450 milhões, ainda faltam 109,3 milhões. E não admira que assim seja. Quem, para além de um Estado nas mãos de criminosos, seria suficientemente louco para arriscar tantos milhões num banco que apresentou prejuízos de 584 milhões de euros em 2012 e de 470 milhões em 2013? É que 584 mais 470 é igual a 1054 milhões, isto é, faltam torrar apenas 46 dos 1100 milhões em salários e pensões que o Governo injectou no BANIF. Quem e com que finalidade para comprar acções de um banco falido?
Resposta: outro Estado em mãos criminosas. Após aturadas negociações com o Governo local, o BANIF conseguiu vender 11% do seu capital a uma empresa da Guiné Equatorial, que não é um Estado qualquer. Trata-se, nem mais, nem menos, da ditadura mais antiga e uma das mais cruéis do mundo, onde todos os dias há prisões arbitrárias, julgamentos sumários, perseguições e execuções, uma cleptocracia do petróleo considerada uma das 10 mais corruptas do mundo, que acumula no seu vasto património de horrores a proeza de conciliar o maior rendimento anual por habitante em África e um dos maiores do mundo (28 mil dólares) com a pobreza extrema que impõe a 70% da sua população, que vive abaixo do limiar da pobreza (com menos de 1 dólar por dia). Apenas 44% da população tem acesso a água potável, 39% das crianças até aos cinco anos sofrem de desnutrição e 55% morrem de sarampo, diarreia e pneumonia, enquanto o filho e apontado sucessor do Presidente, playboy investigado nos Estados Unidos, França e Espanha, que aufere um salário de 5000 ao mês como funcionário ministerial no seu país, se passeia pelo mundo no seu jacto de 28 lugares e faz compras de mansões de vários milhões de dólares e dezenas de milhar de metros quadrados na vizinhança de estrelas de cinema, com tanques de carpas imperiais que custam só em manutenção 7400 dólares por mês. . O presídio de Praia Negra, na Guiné Equatorial, onde são depositados os oposicionistas do regime de Teodoro Obiang que não são assassinados imediatamente, é descrito pela Amnistia Internacional e pela Human Rights Watch como um paraíso "onde a tortura é tão endémica como as parasitoses".
Então e a contrapartida? Ninguém dá assim 133 milhões por 11% de um banco que não vale nem três caracóis. A Guiné Equatorial, país cujas línguas oficiais são o espanhol e o francês, acaba de ser recomendado como membro de pleno direito da Comunidade de Língua Oficial Portuguesa, organização que tem nos seus estatutos como requisito obrigatório para todos os seus membros a observância das garantias do Estado de direito, o respeito pelos direitos humanos e a abolição da pena de morte. A Guiné Equatorial não preenche nem sequer o requisito da língua.
Rui BPN Machete deu hoje uma entrevista ao Público onde aborda o negócio que, ao conceder um visto gold aos negócios do regime de Obiang válido para toda a CPLP, acabou por resolver o sufoco imediato do banco do colega bancário e antecessor na pasta dos Negócios Estrangeiros Luís Banif Amado. Diz o senhor ministro que "não temos razões para duvidar da palavra da Guiné Equatorial". Os portugueses têm todas as razões do mundo para assistirem quietos e calados a mais esta vergonha nacional que acontece a apenas dois meses de eleições que deveriam servir para pôr em sentido o arco responsável por estes e tantos outros negócios tão turvos como este, que se repetem na maior impunidade. Caso contrário, fica mesmo assim. "Não temos razões para duvidar da Guiné Equatorial". Os bancos e os bandidos que brinquem à sombra da nossa indiferença. Com o nosso dinheiro.
Rui BPN Machete deu hoje uma entrevista ao Público onde aborda o negócio que, ao conceder um visto gold aos negócios do regime de Obiang válido para toda a CPLP, acabou por resolver o sufoco imediato do banco do colega bancário e antecessor na pasta dos Negócios Estrangeiros Luís Banif Amado. Diz o senhor ministro que "não temos razões para duvidar da palavra da Guiné Equatorial". Os portugueses têm todas as razões do mundo para assistirem quietos e calados a mais esta vergonha nacional que acontece a apenas dois meses de eleições que deveriam servir para pôr em sentido o arco responsável por estes e tantos outros negócios tão turvos como este, que se repetem na maior impunidade. Caso contrário, fica mesmo assim. "Não temos razões para duvidar da Guiné Equatorial". Os bancos e os bandidos que brinquem à sombra da nossa indiferença. Com o nosso dinheiro.
domingo, março 02, 2014
A democracia "irrevogável" do PCP
O Parlamento português votou hoje uma deliberação que condena os
crimes contra a Humanidade perpetrados pela Coreia do Norte e associa a
Assembleia da República à ONU nessa condenação. Como seria de esperar, todos os
partidos aprovaram a deliberação. Todos, menos o Partido Comunista
Português.
Os comunistas portugueses votaram contra esta deliberação. Vou
repetir: votaram contra. E porquê? É que ninguém, no seu perfeito juízo
democrata, consegue imaginar uma razão forte para se votar contra isto. Mas é
capaz de existir, por isso vamos saber o que eles dizem.
Dizem, por exemplo, que "o relatório da ONU ainda não foi
apresentado às Nações Unidas mas já teve a sua credibilidade internacionalmente
posta em causa quanto à metodologia e conclusões".
Sim, a credibilidade foi internacionalmente posta em causa
quanto à metodologia e conclusões, nomeadamente por comunistas, que, tal como
se previa, não existem só em Portugal.
Mas é capaz de ser verdade. De facto, não é fácil perceber
quantos milhares de presos políticos são torturados nas montanhas. Dizem que
são entre 80 000 e 120 000, mas o PCP talvez quisesse números concretos, porque
uma diferença de 40 mil pessoas ainda é muita gente. Manda o rigor que não se
aprove um relatório que não sabe se são 80 mil ou 120 mil presos políticos. E a
tortura? A verdade é que também ninguém viu. Só há relatos de pessoas que
escaparam, mas isso pode ser imaginação a mais.
Por outro lado, o PCP diz que o relatório da ONU - o tal sem
credibilidade - foi elaborado através de audições realizadas em Seoul, Tóquio,
Londres e Washington. Bom, a ONU bem queria ir fazer audições à Coreia da
Norte, mas parece que não é fácil. Parece que a Coreia do Norte não gosta de
visitas.
E entretanto, PCP, qual é o problema das audições serem realizadas
em Seoul, Tóquio, Londres e Washington? Já sei. Não digam. São democracias, não
é!? Que diabo, tinham logo de ir escolher democracias para fazer as audições. E
depois ainda dizem que são imparciais.
Adiante - ou melhor, avante - o PCP conclui, pelo menos na
notícia que li, dizendo que defende um projecto de "liberdade, democracia,
justiça e progresso social" e que é isso que o distancia "de opções e
orientações da República Popular da Coreia do Norte".
Que opções e orientações serão essas, da República Popular da
Coreia do Norte, que fazem tanta comichão ao PCP? É que eu ia jurar que a ONU
tinha parido uma bosta de um relatório, cozinhado em Washington, e que não se
passava nada de errado com a Coreia do Norte. Afinal, parece que há lá opções e
orientações que não cheiram bem. Talvez milhares de presos políticos? Talvez
torturas? Assassinatos? Ou será que é só um TGV? Se calhar a Coreia do Norte
quer fazer um TGV e o PCP é contra, por isso é que se distancia. Deve ser
isto.
Não, não é. E obrigado ironia, mas já te podes ir embora. A
comunidade internacional não tem dúvidas sobre as atrocidades que foram e são
cometidas na Coreia do Norte. Tais atrocidades constituem crimes contra a
Humanidade. Se o relatório não é mais detalhado, é porque a Coreia do Norte não
colabora com as Nações Unidas e responde a todas as tentativas de diálogo com
um clima de terror à sua volta. Ora, é justamente por isso que
este relatório é um passo enorme. Mas também muito arriscado, porque vai
enfurecer a China. E como enfurece a China, também enfurece o PCP. Talvez seja
esta a verdadeira razão para o voto contra dos comunistas portugueses.
Acontece que, na minha opinião, este gesto de subserviência do
PCP encerra uma atitude antidemocrática e, por essa via, inconstitucional. O
voto do PCP é uma ameaça clara e manifesta à liberdade e à democracia em
Portugal, porque acaba de proteger, ao abrigo da Constituição da República
Portuguesa, um regime totalitário. Pese embora a maior ou menor credibilidade
dos relatórios que se conseguem fazer do que lá se passa, a violação dos
direitos humanos na Coreia do Norte é uma evidência, que nem o PCP pode
ignorar.
É claro, porém, que em Portugal, por razões históricas, a única
ameaça à democracia e à liberdade que se conhece é o fascismo, logo o PCP está
amplamente protegido, porque pelo menos essa forma de ditadura eles não
protegem. Que fique então o povo sabendo que o Partido Comunista Português,
aquele que ainda há pouco tempo fez um brilharete eleitoral, protege um regime
que persegue o seu povo e que tem as montanhas lotadas com presos políticos. O
PCP protege, no Parlamento nacional, a tirania e o despotismo no mundo. Mas não
se preocupem, porque para Portugal parece que tem um projecto de
"liberdade, democracia, justiça e progresso social".
Como é que se faz nas escolas chinesas!...
A barra de metal existente nas carteiras é para impedir que o aluno aproxime demasiado a vista dos livros para evitar o aparecimento da miopia mais tarde.
E aqui está uma outra técnica chinesa ma escola para prevenir más posturas nos miúdos
Da longa série "como não deve ser um Presidente da República"
Em 2013, Cavaco Silva
enviou a CES, tal como estava então "desenhada", para fiscalização
sucessiva. No pedido enviado ao Tribunal Constitucional (TC), o Presidente da
República alertava que corte de 3,5% a 10% representava um “agravamento fiscal
profundamente desigual e até exorbitante” do esforço exigido aos pensionistas
com rendimentos superiores a 1350 euros. E foi ainda mais longe. O facto de
incidir sobre fundos de pensões privados, criticava ainda Cavaco Silva,
conferia-lhe ainda a natureza de um imposto “confiscatório e expropriativo”. O
TC não foi sensível aos argumentos apresentados e deu luz verde ao corte, no
pressuposto de que seria temporário.
Um ano depois, em 2014, com este “temporário” a transformar-se em definitivo, , com uma CES com cortes ainda maiores e mais abrangentes, Cavaco abdica de pedir a fiscalização preventiva da norma respectiva pelo Tribunal Constitucional. A imprensa avança como explicação de mais esta incoerência de Cavaco a sua vontade, que este jornalismo independente há-de ter descoberto saberão lá os seus profissionais onde, de não perturbar a saída da troika que permanecerá em Portugal mesmo depois do fim do chamado “programa de assistência”. Nada a ver, portanto, com o prazo que o Tribunal Constitucional teria para se pronunciar apontar para nova constatação de que este Governo e esta maioria exercem o poder à revelia da Constituição pouco tempo antes das eleições para o Parlamento Europeu, que terão lugarem Maio. Os cortes nas pensões também começarão a ser aplicados apenas em Junho, seguramente também para não perturbar os festejos da saída que de limpinho tem apenas que a troika vai continuar por cá por muitos e maus anos. E que pode contar com o serviçal guardião da CRP para o que seja preciso.
Um ano depois, em 2014, com este “temporário” a transformar-se em definitivo, , com uma CES com cortes ainda maiores e mais abrangentes, Cavaco abdica de pedir a fiscalização preventiva da norma respectiva pelo Tribunal Constitucional. A imprensa avança como explicação de mais esta incoerência de Cavaco a sua vontade, que este jornalismo independente há-de ter descoberto saberão lá os seus profissionais onde, de não perturbar a saída da troika que permanecerá em Portugal mesmo depois do fim do chamado “programa de assistência”. Nada a ver, portanto, com o prazo que o Tribunal Constitucional teria para se pronunciar apontar para nova constatação de que este Governo e esta maioria exercem o poder à revelia da Constituição pouco tempo antes das eleições para o Parlamento Europeu, que terão lugarem Maio. Os cortes nas pensões também começarão a ser aplicados apenas em Junho, seguramente também para não perturbar os festejos da saída que de limpinho tem apenas que a troika vai continuar por cá por muitos e maus anos. E que pode contar com o serviçal guardião da CRP para o que seja preciso.
sábado, março 01, 2014
Acerca da desmotivação dos alunos
De uma
vez por todas se caia na realidade e se deixe de pedir aos professores aquilo
que não lhes compete. Estratégias para isto, estratégias para aquilo; lidar com
a indisciplina, lidar com a desmotivação. Aos professores não se deve pedir que arranjem estratégias para resolver esses problemas, pois isso é admitir que eles são
situações normais, correntes e com tendência a perpetuar-se.
Simplesmente não se pode admitir que eles existam como norma.
A escola pública oferece um ensino gratuito (gratuito!, à exceção da aquisição do material escolar), onde os alunos podem usufruir de refeições a um preço pouco mais do que simbólico, em regra com bons e ótimos equipamentos e professores. Os alunos mais carenciados têm comparticipação parcial ou total na aquisição dos seus materiais, nas refeições e nos transportes. De um modo geral os programas são adequados às faixas etárias e ao tipo de sociedade que é o nosso.
Estas condições por si só não são mais do que satisfatórias para que os alunos e as suas famílias se sintam naturalmente motivados?
A escola pública oferece um ensino gratuito (gratuito!, à exceção da aquisição do material escolar), onde os alunos podem usufruir de refeições a um preço pouco mais do que simbólico, em regra com bons e ótimos equipamentos e professores. Os alunos mais carenciados têm comparticipação parcial ou total na aquisição dos seus materiais, nas refeições e nos transportes. De um modo geral os programas são adequados às faixas etárias e ao tipo de sociedade que é o nosso.
Estas condições por si só não são mais do que satisfatórias para que os alunos e as suas famílias se sintam naturalmente motivados?
De que raio de motivação extra precisam os
alunos?
Em África, na Ásia e na América Latina há centenas de milhões de crianças e jovens que frequentam escolas (os que têm essa sorte) em condições miseráveis. E aí muitos deles estão bem mais motivados do que os nossos. Serão os seus professores melhores do que nós?
Possuirão eles as tais estratégias mágicas que nós, tecnologicamente apetrechados, não conseguimos vislumbrar?
É mais do que evidente que a motivação é uma treta quando colocada nas mãos dos professores, mas uma realidade quando olhamos para os sítios onde reside a sua génese: na sociedade em geral, nas famílias, em quem nos governa e na legislação obtusa que se produz. Por isso, os professores não têm que motivar quando não há motivos de origem pedagógica para o tipo de desmotivação com que deparam.
A mesma reflexão deve ser feita em relação à indisciplina, que também não é um problema que o professor tenha que resolver. A indisciplina é uma questão que, simplesmente e em circunstâncias normais, não deveria existir! Em circunstâncias normais, para resolver problemas pontuais de indisciplina o professor deveria precisar apenas de uma palavra:
"Rua!"
Se houver comportamentos desadequados nas salas de espera e nos gabinetes médicos dos hospitais serão os médicos a resolvê-las? Se a mesma coisa acontecer numa repartição de finanças são os funcionários que vão resolver? Num restaurante, num meio de transporte, numa sala de espetáculos...?
Ora, o professor não tem que motivar nem disciplinar, tem apenas que ensinar, que é aquilo que se lhe pede cada vez menos. Nessas matérias peçam-se, pois, responsabilidades a quem realmente as tem, senão daqui a 50 anos quem cá estiver estará ainda a falar do mesmo.
António Galrinho
Em África, na Ásia e na América Latina há centenas de milhões de crianças e jovens que frequentam escolas (os que têm essa sorte) em condições miseráveis. E aí muitos deles estão bem mais motivados do que os nossos. Serão os seus professores melhores do que nós?
Possuirão eles as tais estratégias mágicas que nós, tecnologicamente apetrechados, não conseguimos vislumbrar?
É mais do que evidente que a motivação é uma treta quando colocada nas mãos dos professores, mas uma realidade quando olhamos para os sítios onde reside a sua génese: na sociedade em geral, nas famílias, em quem nos governa e na legislação obtusa que se produz. Por isso, os professores não têm que motivar quando não há motivos de origem pedagógica para o tipo de desmotivação com que deparam.
A mesma reflexão deve ser feita em relação à indisciplina, que também não é um problema que o professor tenha que resolver. A indisciplina é uma questão que, simplesmente e em circunstâncias normais, não deveria existir! Em circunstâncias normais, para resolver problemas pontuais de indisciplina o professor deveria precisar apenas de uma palavra:
"Rua!"
Se houver comportamentos desadequados nas salas de espera e nos gabinetes médicos dos hospitais serão os médicos a resolvê-las? Se a mesma coisa acontecer numa repartição de finanças são os funcionários que vão resolver? Num restaurante, num meio de transporte, numa sala de espetáculos...?
Ora, o professor não tem que motivar nem disciplinar, tem apenas que ensinar, que é aquilo que se lhe pede cada vez menos. Nessas matérias peçam-se, pois, responsabilidades a quem realmente as tem, senão daqui a 50 anos quem cá estiver estará ainda a falar do mesmo.
António Galrinho
Enviado pelo leitor A. C.
De capataz a mosqueteiro
O ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que recentemente se manifestou indignado com o título de quarto mosqueteiro da troika, foi nomeado pela administração do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o cargo de director do departamento de assuntos orçamentais da instituição e inicia funções já em Junho. Finalmente, chegou a hora da recompensa. O Gaspar até nem era mau capataz, o FMI pegou na espada e... ZÁS! Este rapaz vai longe. Obrigado, portugueses.
DAQUI
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O automóvel como centro do mundo
O automóvel é todo um mundo. Não só cria uma cultura e uma economia, como novos códigos de ação e mais aprofundadas esferas ocultas. Passo a explicar.
Cria uma cultura porque surge no centro das cidades. Alarga o espaço urbano para nele melhor caber, como parecia prever o Marquês de Pombal. É ícone do progresso industrial e da liberdade individual, basta ver a América. Mostra diferenças sociais e conquistas pessoais - "o meu carro é melhor do que o teu". Concentra nos seus diferentes tipos e acrescentos um elogio à tecnologia como poder, performance e estilo, como é exemplo a subcultura tuning.
Permite uma economia porque representa um novo modo de crescimento industrial. Ajuda a impulsionar a cadeia de produção, bem como o método científico de gestão, como se vê em Henry Ford. Faz parte de um setor que dinamiza a economia como poucos. Podemos detetar o poder económico de um país em função da sua indústria automóvel (Portugal não tem uma marca digna desse nome). Faz e deixa cair cidades, como Detroit.
Forja códigos de ação porque passamos a usar uma nova linguagem para nos entendermos ao volante. Quem não conhece o código da estrada não acede a este mundo com a mesma eficácia. Além disso, há linguagens informais que também se inventam a par, como o piscar de luzes ou os quatro piscas - ninguém disse que os quatro piscas com o carro parado são vinculativos sob o ponto de vista do código da estrada, mas toda a gente os usa e entende-se assim.
Por fim, desenvolve novas esferas ocultas porque implica complexidade técnica e de conhecimentos. Há uma especialidade: a de mecânico. Comprar ou mandar concertar um carro é um ato de fé para qualquer pessoa que não seja especialista. Um automóvel é verdadeiramente aquilo que a economia chama aos objetos tecnológicos: "caixa negra". Funciona, não sabemos é como. E então estamos sempre a ser enganados, não há nada a fazer. As trocas concorrenciais de peças só fazem os preços baixar caso os envolvidos conheçam bem os objetos em causa. Se os desconhecerem, é um tiro no escuro. É assim com quase todos os automobilistas. Ninguém sabe nada. Temos fé no mecânico, o padre-especialista.
Portugal abraça todas estas dimensões. No mês de janeiro as vendas aumentaram em relação ao ano anterior, mesmo em crise. Faz parte dos nossos hábitos trocar de carro com frequência. Nesse aspeto, ainda somos novos ricos. Construímos auto-estradas numa lógica de favorecimento do género de vida proporcionada por este veículo. E apesar da sua centralidade, grande parte das vezes nem reparamos nisto. Vivemos como se fosse natureza. Como se estivesse por aí desde sempre. Como se não fosse uma escolha. A fenomenologia chama a isto "pano de fundo". A tecnologia coloca-se muitas vezes como algo de que estamos distraídos porque não nos coloca problemas ou não surge de modo patente. Por isso, de repente notamos esse mundo quando o automóvel não pega ou quando nos deparamos com acidentes. Aliás, se compararmos o número de mortes na estrada e aquelas que ocorrem em combate entre militares, percebemos como a capacidade de nos espantarmos ou revoltarmos depende da perspetiva. Morrer na estrada não é só uma tragédia individual, é uma cultura.
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