Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
quinta-feira, janeiro 08, 2015
NO HUMOR NADA É SAGRADO!
Terroristas portugueses do Estado Islâmico entraram na redacção do Inimigo Público e avisaram que jornal pode fazer piadas e cartoons sobre Maomé e Alá mas não sobre Jorge Jesus
Terroristas do Charlie Hebdo serão julgados por júri de 12 cartoonistas
Cartoonistas do Charlie Hebdo acharam imensa piada ao atentado terrorista
Cartoons sobre Maomé, alguém?
Tenho para mim que o humor e a sua ramificação crítica, que dá pelo nome de sátira, são as mais poderosas armas de comunicação. Uma piada, tal como uma imagem – porque uma piada é uma imagem – vale muito mais do que mil palavras.
Mas sendo poderosas armas de comunicação, não são, porém, mais poderosas do que as armas de guerra, sobretudo daquelas automáticas como as que dois terroristas levaram esta manhã até à sede do Charlie Hebdo para executar doze pessoas, numa vingança contra a sátira que o jornal faz regularmente ao fundamentalismo islâmico.
É importante notar que a parelha de terroristas não foi executar políticos, nem comentadores, nem jornalistas, nem sequer membros de outras religiões, artistas de rock, freiras, empregados de mesa, juízes ou mesmo militares… Não, os terroristas foram matar humoristas e cartoonistas.
“Eram alvos mais fáceis” – dirá o Leitor que não viu bem a artilharia daquela gente. Aquelas armas chegavam muito bem para o presidente francês ou até mesmo para eliminar com um único disparo um partido do tamanho do CDS. Mas foi ali que eles quiserem ir. Planearam tudo e entraram a matar no Charlie Hebdo, que só faz bonecos e piadas. O Charlie Hebdo não tem partido, não tem religião, não tem exército nem sequer tem armas. Só a maior de todas, mas isto é uma figura de estilo, portanto não serve de defesa.
Numa época em que os políticos, na sua maioria, já só andam a reboque da opinião pública, mata-se agora, pelos vistos, quem a faz. Essa parece ser uma das muitas conclusões, num golpe com objectivos claros e que alguns me parecem ter sido, para ser franco, alcançados.
É claro que durante algumas horas e até dias, todo o mundo ocidental vai estar com o Charlie Hebdo e com a liberdade de expressão. Mas julgo que o mundo ganhou esta manhã muito respeitinho pelo profeta. E a sátira ficou ainda mais mal vista, pois embora os terroristas islâmicos tenham demonstrado que é uma das suas maiores ameaças, muitos terroristas ocidentais ainda interpretam a sátira como uma mera deselegância.
Pessoalmente – e publico opinião/sátira/humor há 12 anos – entendo que há limites. Contra a maioria das pessoas que escrevem nesta área, não acho que se pode dizer tudo e acho até que não se deve dizer tudo. Mas esses limites são meus e respeitam ao gosto pessoal e à avaliação que faço dos seus efeitos, jamais respeitam a ordens. Em 2006, aquando da bronca dos cartoons do Charlie Hebdo, escrevi que não concordava com a decisão do jornal, porque era um enorme risco para eles e para muitos inocentes, pois esperava-se uma retaliação em forma de autocarro ou comboio pelos ares.
Naquela altura o clima já era de guerra e eu para uma boa guerra não gosto de ir com piadas. A nossa liberdade já estava a ser claramente ameaçada e devia ter existido outra resposta, sem ser com desenhos. Mas nada foi feito e por isso talvez hoje dê razão ao director do Charlie Hebdo, pois pelos vistos aqueles cartoons foram a nossa única defesa quando a nossa liberdade foi posta em perigo. Charb, o director, foi hoje assassinado. Não teria sido se tivesse tomado a decisão de não publicar os cartoons, os primeiros e os seguintes. Deu, por isso, a sua vida pela liberdade de expressão de todos. Ele, com os limites que pisava, aliava a pressão para baixo. Ao esticar a corda, permitia que muitos se agarrassem.
Mas vejam bem como isto está. Antigamente, os heróis eram conhecidos por ter enfrentado grandes batalhas ou grandes mares. Hoje, já se é herói por ter feito uma piada e morrido por ela. Estranha liberdade.
Je suis Charlie
Gostava que Deus existisse. Sendo infinitamente bom, omnipotente, omnisciente e omnipresente como o pintam, caso assim fosse, jamais permitiria horrores como o desta manhã em Paris. Três selvagens entraram na sede de um semanário satírico e mataram doze pessoas a sangue frio, alegadamente para puni-las por terem ousado desafiar a inteligência dos seus leitores caricaturando a inexistência da devoção dos três assassinos. Deus não há-de ser tão bestial ao ponto de ser contra a liberdade de expressão. Deus não há-de querer-nos tão bestiais para se pôr ao lado de quem dispara contra quem nos põe a pensar, que não me lembro de ver na lista dos “pecados mortais”, seja lá o que isso for.
Fosse eu, e não sou, um fervoroso ateu praticante, profundamente consternado como estou, a estas horas estaria a culpar o tal Deus distraído pela negligência divina que permitiu a ocorrência sem reparar que o que não existe está acima, eventualmente até abaixo, pouco importa, de qualquer responsabilização.
Fosse eu, e vou fazendo por não ser, um selvagem do mesmo quilate dos três assassinos, desses que para aí há que alegam que a inexistência da sua devoção é melhor do que a do vizinho para a seguir o culparem por um crime que não praticou, desorientado como fiquei quando li a notícia, a estas horas estaria para aqui a declarar guerra santa aos muçulmanos e a defender a sua expulsão imediata da Europa, como o fazem as extremas-direitas europeias, e a francesa está neste momento a aproveitar-se de mais esta tragédia para demonstrar toda a razão que nunca se tem quando se culpa um grupo por todos os males do mundo com base na sua nacionalidade, raça ou religião, esquecendo que também nós, portugueses, estamos entre os “escurinhos do Sul” que este pragmatismo cretino atribui a responsabilidade do naufrágio da sua Europa que nos chama preguiçosos, apesar de trabalharmos anualmente umas largas centenas de horas a mais do que eles, e que nos diz termos vivido acima das nossas possibilidades, apesar dos salários de miséria que a maioria de nós recebe e embora o nosso Estado social nunca tenha passado de uma caricatura mal amanhada dos Estados sociais daqueles que não hesitam em apontar-nos o dedo.
Não conhecendo eu, como conheço, a forma como este tipo de incidentes são aproveitados para instalar o clima de terror que transforma aqueles que nos vão tornando escravos do lucro em nossos salvadores, deixar-me-ia possuir pelo medo que põe o instinto de sobrevivência a esmagar todos os valores que nos fazem diferentes dos animaizinhos e agradecer-lhes-ia qualquer protecção contra este inimigo externo que me pudessem dispensar, esquecendo-me de como este medo tem sido a arma perfeita para fazer povos inteiros comportarem-se como cordeirinhos à mercê de lobos que têm engordado em função da falta de reacção do rebanho.
E tenho medo deste medo. O que eu gostava mesmo é que esta Europa não estivesse a tornar-se num caldeirão de porcaria prestes a rebentar a qualquer momento. Que tivéssemos consciência disso. E de que só comportando-nos como gente poderemos voltar a viver como gente. Je suis Charlie. Mataram-nos. Eram dos nossos.
Atentado em Paris contra o Charlie Hebdo: o horror
Saídos das trevas medievais, terroristas abateram friamente homens desarmados. Estupor e indignação. Doze mortos, feridos graves... Partilhamos a dor e o horror ressentidos pelos próximos das vítimas e pelos cidadãos de todas as convicções amantes da laicidade e da liberdade de expressão, por todos aqueles que recusam que fanáticos restaurem sobre o nosso solo o pretenso "delito de blasfémia" abolido pelas leis laicas e façam reinar o terror clerical. Um pensamento especialmente particular para o nosso querido Wolinski que foi, durante décadas, um dos raros desenhistas a combater o anticomunismo, o anti-sovietismo e a defender com coragem Cuba socialista . O PRCF condena este horror absoluto e seus autores que não merecem nenhuma espécie de desculpa.
PARA ALÉM DO HORROR, DEVEMOS ENFRENTAR TAIS ACTOS COM SANGUE FRIO E ANALISAR O QUE ESTE CRIME REVELA
Ninguém conhece claramente os instigadores deste atentado neste momento. Ora, Marine Le Pen acaba de denunciar um atentado dos "fundamentalistas islâmicos". Esta hipótese é evidentemente plausível mas não é senão uma hipótese e há uma vontade provocação na proposta da FN que espera certamente aproveitar os acontecimentos para dinamizar seu empreendimento xenófobo. Não esqueçamos as 77 pessoas assassinadas pelo nazi Anders Breivik na Noruega ou os quarenta sindicalistas queimados vivos em Odessapelos nazis apoiados por Kiev. Os integristas religiosos não têm o monopólio do terror, longe disso!
QUANTO AO FUNDAMENTALISMO ISLÂMICO, QUEM O ARMA? QUEM O INSPIRA? QUEM O FINANCIA? QUEM O FAZ PROSPERAR?
O governo dos Estados Unidos e seus vassalos, a Arábia Saudita, o Qatar, certos governos de países muçulmanos na bota da NATO. São estes que têmn recrutado e utilizado os integristas contra os comunistas árabes, contra o movimento operário e democrático destes países: os Estados Unidos sustentaram Ben Laden e seus torcionários contra o governo popular afegão e contra o Exército Vermelho que o governo de Cabul havia chamado para ajuda em virtude de um tratado de assistência conforme ao direito internacional. Recorde-se de Sadate que utilizou os Irmãos Muçulmanos contra os progressistas egípcios. Ainda hoje quem arma e financia Daesh senão os regimes amigos dos imperialistas do Qatar ou do Koweit cujo inimigo principal é a Síria independente e soberana?
Que se recorde também de quem fez assassinar o chefe de Estado da Líbia pouco se importando por entregar este país próximo das nossas fronteiras aos integristas fanáticos: trata-se dos srs. Sarkozy, Cameron e Obama que respondiam então às pregações do grande cruzado ocidental BHL (Bernard-Henry Lévy). Na realidade, o fundamentalismo islâmico é uma das criaturas do imperialismo, criatura que por momentos, segundo um esquema clássico, volta-se contra o seu criador: Sadate abatido pelos Irmãos Muçulmanos, 11 de Setembro em Manhattan, os Talibans voltam-se contra os ocidentais depois de terem linchado aos milhares os estudantes, os comunistas e os professores laicos que alfabetizavam o país...
A QUEM APROVEITA O CRIME?
Esta deve ser a pergunta. Quais são as forças políticas que prosperam sobre o racismo anti-árabe? Quais forças políticas querem substituir a realidade da luta das classes pela fantasmagórico luta das raças, das etnias, das religiões? São as forças da fascização galopante , onde elementos da direita clássica juntam-se cada vez mais aos semeadores de ódio da FN com o apoio de pseudo-intelectuais como Zemmour. Mais do que nunca, esta estigmatização permanente das populações muçulmanas ou classificadas como tais alimentam, sem os legitimar, os piores ressentimentos. E por sua vez, estes permitem aparentemente "justificar" o ódio do trabalhador muçulmano numa espiral que é preciso romper antes que resulte na fascização do nosso país e de toda a UE, a qual não pede senão isso (conferir Ucrânia, países bálticos, Hungria, direita dura flamenga, etc).
E qual força social vendo pela frente o risco de uma revolução social tenta fazê-la desviar, apodrecer, matá-la transformando-a em luta interna nas classes populares de origem ou/e de religiões diferentes que poria em abrigo seus interesses de classe? O grande capital!
EM QUAL CLIMA IDEOLÓGICO ESTE CRIME ESPANTOSO TEVE LUGAR?
É o da fascização da sociedade, da campanha mediático-ideológica em torno dos Zemmour, Soral, Dieudonné, em torno do bobo islamófobo Houellebecq, de um racismo anti-trabalhador árabe cada vez mais aberto, pela recusa de um presidente de municipalidade a enterrar um bebé cigano (rom), pelas declarações de um primeiro-ministro julgando os ciganos "não integráveis", em suma, num clima apodrecido que recorda as horas mais sombrias do nosso país.
O GOVERNO HOLLANDE NÃO ESTÁ INOCENTE NA CRIAÇÃO DESTE CLIMA MORTÍFERO!
Por espírito neocolonial e por submissão à UE-NATO, ele impeliu ainda mais longe que Sarkozy as ingerências no conflito sírio, as práticas neocoloniais intervencionistas da Françáfrica (Costa do Marfimn, R. Centroafricana, Mali), as escaladas contra o Irão, o apoio apenas disfarçado ao massacrador Netanyahou, sempre continuando a compactuar diariamente com os piores regimes feudais do Golfo. Como sempre dissemos, o combate contra o terrorismo fanático na própria França é inseparável da luta contra "nosso" imperialismo, que criar dia-a-dia o terreno propicio para as violências mais selvagens. DAQUI
Woody Allen Joins PEN America’s Condemnation Of Charlie Hebdo Murders
By now you would have heard about the events in Paris, at the offices of the paper Charlie Hebdo. The outrage, and the support, has been widespread – and better covered in actual new sites. We only want to say that the organisation known as PEN America has added to the worldwide condemnation. One of the signees is Woody Allen.
PEN is an international association of writers that promote writing, and free expression. They have published an open letter on their website, strongly condemning the shootings in Paris. The letter is signed by hundreds of writers, including Woody Allen.
As writers, editors, and artists we stand together today in solidarity and outrage at the murder of our colleagues at Charlie Hebdo in Paris. This attack on cartoonists, writers, and editors is an attack on free expression worldwide. It is an attempt to terrorize and intimidate all of us in order to inhibit the free flow of ideas.Peaceful coexistence within diverse communities requires a climate of tolerance and an open exchange of views that includes criticism, humor, and hyperbole. The right to satirize, to question, to expose, to mock, even when offensive to some, is a bulwark of a free society. Today’s bloody retribution for the drawing and publishing of cartoons represents a terrifying challenge to these values of tolerance.We call upon all governments, religious leaders, and civil society institutions to join us in condemnation of this vicious attack. We ask them to insist that however offensive speech may be to some, it is never a justification for violence.We call upon responsible authorities and institutions to redouble their efforts to protect those working on the front lines of free expression worldwide who put themselves at personal risk to voice controversial viewpoints. Today’s effort to silence criticism by murdering the artists and writers who voice it must be met with a far wider movement to defend the right to dissent, which forms the spine of free expression
Other writers include Michael Chabon, Neil Gaiman, Daniel Handler, Margaret Atwood,Salman Rushdie, Art Spiegelman and many, many more.
We tend to avoid politics here. But Allen has signed his name, and surely part of that intent is to use his fame and influence to support PEN. It would be remiss for us, an Allen fansite, to not note it.
Allen has a long, long history with France, from Midnight In Paris to the famous line that endsHollywood Ending – “Thank God the French exist.” We are using a screenshot from ‘Midnight In Paris‘ in lieu of….anything that makes sense. Our thoughts are with the victims families and all our friends in France.
quarta-feira, janeiro 07, 2015
Joseph Stiglitz, The price of Inequality
Se os mercados correspondessem às promessas de melhoria dos padrões de vida da maioria dos cidadãos, todas as transgressões das grandes empresas, todas as evidentes injustiças sociais, as injúrias ao ambiente, a exploração dos pobres, poderiam ter sido reduzidas.
Tão ou mais nojentos que a troika
Ir para além da troika foi uma das palavras de ordem do governo de Passos Coelho. No que respeita à Função Pública, a diminuição dos funcionários ultrapassará, nesta legislatura, o dobro da redução imposta por aquele trio imperialista. Entre os fins de 2011 e os fins de 2014, os funcionários do Estado, das autarquias, das regiões e das empresas públicas foram reduzidos em cerca de 80 mil trabalhadores. Para além das aposentadorias normais, surgiram as chamadas rescisões por mútuo acordo, onde predominou o terror infundido pelo actual executivo do capital. A passagem forçada à mobilidade é um dos elementos determinantes deste terror infundido que vai levando ao enorme “emagrecimento” da Função Pública.
DAQUI
DAQUI
2015, A nuvem ao fundo do túnel
Cortar, aguentar, voltar a cortar e continuar a aguentar, ou então os mercados ficam nervosos e é ainda pior, dizia a fábula da letra da banda sonora destes tempos de regressão consentida. Não há nada pior do que a morte. E o ano começou com notícias de mortes no caos dos corredores dos hospitais que a nossa indiferença deixou abandalhar. Não há nada mais horrível do que a insensibilidade perante uma morte que poderia ser a nossa ou a de alguém que nos é muito querido. E o número de mortos por falta de assistência num local criado para a obter já vai em duas em apenas seis dias, há pessoas que esperam quase 24 horas para serem atendidas, o pico da gripe ainda não foi atingido, o pandemónio tende a aumentar, qualquer um de nós é candidato a ser a próxima vítima, e garantidamente haverá mais vítimas, mas não se ouve um protesto, nada. O eterno nada, à prova de morte, à prova de tudo, certamente também à prova do terceiro terramoto financeiro mundial em seis anos, desta vez com deflação mas novamente para reforçar a mesma austeridade selectiva e a mesma ortodoxia mercantil que a originou e, para não variar muito, com o nosso arco da subserviência a responder-lhe com a tradicional obediência aos ditames de uma Europa que põe e dispõe das nossas vidas com doses reforçadas de responsabilidade, sentido de Estado e, porque não, uma leitura "mais inteligente/fofinha" do Tratado Orçamental e quejandos. Em 2015 haverá eleições, será um ano de escolhas importantes. E vem aí borrasca da grossa. Vale a pena ler com atenção.
DAQUI
POST SEM TEMA
Há cerca de 23 horas, estava a ver notícias na televisão quando me ocorreu uma grande ideia para um post. Num segundo, ocorreu-me a ideia e o desenvolvimento dela. Tudo. No momento depois, ocorreu-me o que também me ocorre sempre: é melhor tomar nota, senão passa-me. Não apontei. Passou-me.
Mas acho que não se deve perder um bom post só porque se olvidou o tema. E por isso gostava de dizer que era para estar aqui um grande post. Mas passou-me completamente. Como passa sempre que não tomo nota. Aliás, as notas do meu telefone são senhas de wi-fi e frases ininteligíveis a não ser pelo próprio e às vezes nem isso.
Por exemplo, olhando assim de repente, tenho uma nota que diz “Marocas carta aberta” – que é obviamente a ideia de uma carta aberta ao ex-presidente da República – outra nota que diz “20e9be3f85” – que é obviamente a password do meu wi-fi mas não se preocupem comigo pois alterei vários números e várias letras – e ainda outra nota que é o telefone do Nelson que eu assim de repente não sei quem é, mas já sei que basta apagar isto para perceber pouco depois para que é que precisava daquilo.
Enfim. A verdade é que neste caso não tomei nota e passou-me o tema. Mas fica o post. Porque não é a falta de tema que vai estragar um post.
Negócios da China, negócios de merda
A China não pára.
Nos tempos da guerra fria, dizia-se que, se um dia, a China e a URSS entrassem em guerra, bastaria que os chineses enviassem todo o seu exército para a fronteira com a União Soviética, ordenando-lhe que urinassem.
A URSS ficaria inundada!
Os chineses, no entanto, com a prosaica paciência de chinês, foram invadindo o Ocidente, abrindo lojas por todo o lado, inundando o mercado, não propriamente com urina, mas com tudo “made in China”.
Ontem, saiu a notícia que o grupo chinês Folsun vai comprar o Club Med!
Por cá, já compraram a REN, a EDP, o Espírito Santo Saúde e a Tranquilidade.
Hoje, li, finalmente, a explicação para a inexistência de penicilina nas farmácias.
Parece que a farmacêutica que fornecia o princípio activo ao nosso laboratório Atral, para fabricar a Lentocilina, isto é, a única penicilina existente no nosso mercado, deixou de fabricar o produto (notícia aqui).
Portanto, o Infarmed terá que dar autorização a outro fabricante.
E quem se perfila no horizonte?
Acertaram: um laboratório chinês!
Portanto, muito em breve, além de estarmos a usar roupa chinesa, a gastar electricidade chinesa, a comer comida chinesa (mesmo a que se diz japonesa…), estaremos a tratar as amigdalites e a sífilis, com penicilina chinesa!
São os chamados negócios da China?
Não: o verdadeiro negócio da China é o novo investimento de Bill Gates.
Segundo esta notícia, o homem mais rico do mundo está a investir dinheiro numa máquina que transforma fezes em água e energia!
Cagar e andar!
Suponho que, quando o Bill conseguir que a máquina funcione em pleno, vai vendê-la… aos chineses!
O Bill Gates só não é chinês porque nasceu nos States…
BARROSO ACONSELHA GREGOS
A instabilidade e o plano inclinado do euro coincidiram com a presidência da comissão europeia de Durão Barroso. É inquestionável. Até o argumento de que a sua presidência favorecia Portugal não evitou mais uma bancarrota; bem pelo contrário. Mas Durão Barroso acha que estamos no fim da história e entrou na campanha eleitoral grega: o Syriza é o caos, mas os vários governos com extrema-direita em países do euro são-lhe familiares.
DAQUI
DAQUI
terça-feira, janeiro 06, 2015
Crime de traição à pátria
Em Portugal, ainda que dele não se fale, está previsto na legislação o crime de traição à pátria para titulares de cargos públicos (art. 7.o da Lei n.o 34/87 – Crimes de Responsabilidade de Titulares de Cargos Políticos). Na redacção em vigor qualifica-se como crime de traição à pátria os actos de submissão a soberania estrangeira de partes do território colocando em perigo a independência do país “ainda que por meio não violento nem de ameaça de violência”.
Ao contrário de tantos outros casos, o articulado da lei não é dúbio, infinitamente remissivo ou dado a múltiplas interpretações.
Podemos ser contra ou a favor do Tratado de Lisboa ou do Memorando da Troika, não é isso que se pretende discutir neste escrito, mas creio ser difícil não concordar que significam a transferência de poderes nacionais para instituições estrangeiras muito além dos mandatos para que os respectivos titulares de cargos públicos que os negociaram e subscreveram, foram eleitos ou nomeados. Tendo em conta que estas decisões não foram alvo de sufrágio ou referendo que pudesse legitimar colectivamente esses actos de transferência de soberania – da qual resultaria que todos os cidadãos fariam parte da decisão – não me parece exagerado considerar que há matéria de análise no âmbito da Lei, ou seja, que titulares de cargos públicos “com flagrante desvio ou abuso das suas funções ou com grave violação dos inerentes deveres” poderão ter incorrido neste crime. Mais, a Presidência da República que “garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas” tem responsabilidades acrescidas nesta matéria que importa não menorizar.
Iniciar este debate, estendendo-o a pessoas de várias áreas profissionais e quadrantes políticos, parece-me uma boa forma de começar o ano.
SE FOSSE SÓ O TGV A SER INVIÁVEL
O Tribunal de Contas chegou à conclusão de que o projecto ferroviário português de alta velocidade seria inviável. Eu acrescento que o Tribunal de Contas também é inviável, sobretudo se for para chegar a conclusões destas. Claro que o projecto ferroviário português de alta velocidade é inviável. Por cá, aliás, é tudo inviável. De génio tinha sido o Tribunal de Contas dizer o que é que não é inviável neste país, porque isso é que ainda ninguém descobriu.
Passa-se o seguinte, senhoras e senhores do Tribunal de Contas: Nem o intercidades é viável. Está bom de ver que nem sequer me vou referir ao Alfa Pendular, que é para não ser indelicado. Talvez a única coisa que circula sobre carris e é eventualmente viável é o 28 para a Graça. Mas até esse pode ser substituído por um tuk tuk, que dá muito menos problemas e os turistas também acham piada.
O Tribunal de Contas esteve, portanto, dois anos a estudar a viabilidade de uma coisa na terra das inviabilidades. Se é para isso, mais vale irem trabalhar, até porque é preciso ajuda para descarregar os navios no porto, não podemos ter pessoas a brincar aos estudos de viabilidade.
Sobre as competências do Tribunal de Contas para estudar a viabilidade de uma linha ferroviária de alta velocidade nem é preciso falar. Suspeito que tenham ligado para os familiares: «Escuta lá, tu eras gajo para ir até Madrid de TGV? Pois, claro que não. Eu também não. Adeusinho e vemo-nos no domingo, dá um beijo à Tété». O único que disse que talvez fosse no TGV foi o primo Alberto, mas esse é sempre do contra, só para chatear.
Entretanto, é bom lembrar que o engenheiro Belmiro já tinha feito um estudo de viabilidade, embora tenha sido de cabeça, num programa de televisão. E o que disse o engenheiro? Que havia aviões. E é bem verdade. Se há aviões, para que servem os comboios? Felizmente, a seu tempo, o engenheiro Belmiro não travou a aviação, porque antes também havia as fragatas. Podemos imaginar o regresso dos portugueses que foram passar o ano ao Brasil, todos enfiados na fragata D. Fernando II e Glória. «Além, estou a ver terra!», gritava então um deles lá para o Verão e mesmo assim ainda era a Madeira.
É claro que as fragatas só fazem concorrência aos aviões nas viagens marítimas e o TGV é uma ligação terrestre, mas para a quantidade de passageiros que se esperava na ligação Lisboa – Madrid, eu vou mais longe e diria que bastava uma catapulta. Estar a deslocar um avião com 300 cadeiras para levar apenas um casal não faz sentido. É melhor metê-los numa catapulta e pedir ao espanhóis o favor de encherem o insuflável, duas horas depois, perto de Barajas.
Ou então, não. Talvez seja suficiente catapultá-los até Badajoz porque os malucos dos espanhóis disseram que mesmo assim iam fazer o TGV até lá. Logo, não é preciso apertar tanto o elástico e manda-se o casal só até Badajoz, porque depois vão de TGV, que é mais confortável. Agora que penso nisso, se calhar o Tribunal de Contas fez as contas para a ligação de TGV entre Lisboa e Elvas, porque a partir daí já é jurisdição do Tribunal de Cuentas, e por isso é que apareceu tudo a vermelho.
Não, mas mesmo assim não é viável. Não pode ser. Temos a catapulta e mesmo assim não a usamos muito. Não faz sentido um TGV. Seria uma loucura. Nesta terra só vingam os tuk tuk e mesmo esses não sei, porque à velocidade a que estão a crescer, não tarda aparece um Tribunal na Baixa e leva as lambretas todas, ainda com os turistas lá em cima e tudo.
Mas enfim, o que importa agora é que o TGV foi cancelado e dois anos depois o Tribunal de Contas veio confirmar que era mesmo inviável, aproveitando o ensejo para relatar que o país gastou 120 milhões de euros só em estudos. Até ficou em conta. Para comprar submarinos, por exemplo, tivemos de gastar 30 milhões em Espíritos Santos, entre outros. E ainda por cima ficámos com os submarinos.
Novamente os gregos
No próximo dia 25 de Janeiro, sabemos que há a possibilidade de ocorrer uma significativa alteração no poder político da Grécia. O Syrisa é o partido que se encontra à frente nas sondagens e é o partido que defende uma ruptura com a via da austeridade e do empobrecimento que tem dominado a Europa.
Perante esta possibilidade de democraticamente o povo grego eleger um governo que se propõe combater ostatu quo, surgiram de imediato reacções ameaçadoras e desrespeitosas dirigidas aos gregos, provenientes de quase toda a gente e de quase todo o lado: de primeiros-ministros, passando por ministros e comissários europeus até aos mais insignificantes comentadores, todos se consideram no direito de, com acinte, prometerem retaliações à Grécia.
É nestas situações que a hipocrisia política cai com uma rapidez que impressiona. São justamente aqueles que a todo o tempo mais falam em democracia representativa e em liberdade de escolha que mais rapidamente atiram às malvas as regras dessa democracia representativa e o direito à liberdade de escolha, sempre que do seu exercício possam resultar escolhas que ponham em questão os interesses dominantes. É mesmo disto que se trata. Na verdade, o que está em jogo na Grécia é algo relativamente simples: ou os eleitores optam por dar o poder aos partidos que garantem a manutenção do sistema económico e financeiro vigente — o sistema que levou a Grécia e a Europa à situação actual — ou optam por delegar esse poder em partidos que se propõem combater e alterar substancialmente esse sistema.
No fundo, trata-se de optar entre manter os pilares de uma sociedade que assegura leis e regras protectoras da concentração de uma incomensurável riqueza nas elites financeira e económica, em detrimento do bem-estar do resto da população, ou alterar esses pilares, mudando leis e regras de modo a que a riqueza seja mais bem distribuída.
É verdade que a vida é complexa e que normalmente existem múltiplos factores que intervêm numa realidade, mas essa complexidade não apaga nem pode servir para se pretender apagar as coisas simples que persistem, como é o facto de existirem objectivamente, nas sociedades que valorizam mais o capital do que o trabalho, interesses opostos, e que os interesses dos que estão do lado do trabalho são aqueles que sistematicamente ficam desprotegidos. Mais do que desprotegidos, esses interesses são cruelmente pisados.
Ora, o que na Grécia surge agora como uma possibilidade — um governo politicamente não alinhado com os interesses dominantes — está a deixar assustadas as elites europeias. Até porque se a possibilidade grega se tornar realidade, é muito provável que outras possibilidades surjam e outras se reforcem, como é o caso do partido Podemos, em Espanha. A hipótese de que um movimento destes possa desenvolver-se em diferentes regiões é uma perspectiva terrível para os «donos disto tudo» nos diferentes países europeus, tal é a dimensão do que possuem e que de nenhum modo querem perder.
Lamentavelmente, os portugueses parecem pouco interessados nestas novas possibilidades que despontam.
DAQUI
Perante esta possibilidade de democraticamente o povo grego eleger um governo que se propõe combater ostatu quo, surgiram de imediato reacções ameaçadoras e desrespeitosas dirigidas aos gregos, provenientes de quase toda a gente e de quase todo o lado: de primeiros-ministros, passando por ministros e comissários europeus até aos mais insignificantes comentadores, todos se consideram no direito de, com acinte, prometerem retaliações à Grécia.
É nestas situações que a hipocrisia política cai com uma rapidez que impressiona. São justamente aqueles que a todo o tempo mais falam em democracia representativa e em liberdade de escolha que mais rapidamente atiram às malvas as regras dessa democracia representativa e o direito à liberdade de escolha, sempre que do seu exercício possam resultar escolhas que ponham em questão os interesses dominantes. É mesmo disto que se trata. Na verdade, o que está em jogo na Grécia é algo relativamente simples: ou os eleitores optam por dar o poder aos partidos que garantem a manutenção do sistema económico e financeiro vigente — o sistema que levou a Grécia e a Europa à situação actual — ou optam por delegar esse poder em partidos que se propõem combater e alterar substancialmente esse sistema.
No fundo, trata-se de optar entre manter os pilares de uma sociedade que assegura leis e regras protectoras da concentração de uma incomensurável riqueza nas elites financeira e económica, em detrimento do bem-estar do resto da população, ou alterar esses pilares, mudando leis e regras de modo a que a riqueza seja mais bem distribuída.
É verdade que a vida é complexa e que normalmente existem múltiplos factores que intervêm numa realidade, mas essa complexidade não apaga nem pode servir para se pretender apagar as coisas simples que persistem, como é o facto de existirem objectivamente, nas sociedades que valorizam mais o capital do que o trabalho, interesses opostos, e que os interesses dos que estão do lado do trabalho são aqueles que sistematicamente ficam desprotegidos. Mais do que desprotegidos, esses interesses são cruelmente pisados.
Ora, o que na Grécia surge agora como uma possibilidade — um governo politicamente não alinhado com os interesses dominantes — está a deixar assustadas as elites europeias. Até porque se a possibilidade grega se tornar realidade, é muito provável que outras possibilidades surjam e outras se reforcem, como é o caso do partido Podemos, em Espanha. A hipótese de que um movimento destes possa desenvolver-se em diferentes regiões é uma perspectiva terrível para os «donos disto tudo» nos diferentes países europeus, tal é a dimensão do que possuem e que de nenhum modo querem perder.
Lamentavelmente, os portugueses parecem pouco interessados nestas novas possibilidades que despontam.
DAQUI
segunda-feira, janeiro 05, 2015
OBSTETRÍCIA
Sr. Doutor, quando eu era solteira tive que abortar 6 vezes. Agora que casei, não consigo engravidar. Qual será o motivo?
- O seu problema é muito comum. O problema é que a senhora não reproduz em cativeiro.
- O seu problema é muito comum. O problema é que a senhora não reproduz em cativeiro.
É caso para dizer: "Porcaria numa cidade chinesa!"
Estavam os cidadãos duma cidade chinesa a desfrutar dum dia bonito de sol quando um camião tanque explodiu expelindo a porcaria dos esgotos que estavam no camião!...
Levar o Latim às escolas
Diversos países começam a reconhecer um problema que percebem ser muito grave: as dificuldades de escrita dos alunos.
Este é um sinal bem evidente de que a escolaridade elementar ou básica não está a cumprir uma das suas funções mais importantes e estruturantes - a alfabetização -, com inevitáveis consequências na escolaridade secundária e superior.
Muitos têm considerado que a principal causa desta situação é o abandono do estudo do Latim, a matemática da língua. De facto, a partir de finais da década de sessenta do século XX, as disciplinas de Latim e de Grego foram associadas a uma educação elitista, tradicional, antiga, a uma educação contemplativa que apenas servia para maçar os aprendizes. Era preciso renovar o currículo com disciplinas que preparassem para a vida, que permitissem compreender o mundo circundante e que correspondessem às necessidades e interesses das comunidades.
Essa mudança feita com muito entusiasmo e pouco conhecimento pedagógico - o que, tendo em conta, a época se percebe perfeitamente - desencadeou diversos erros e um deles é certamente o abandono das línguas ditas mortas.
Para remediar a situação, alguns sistemas educativos estão a reintroduzi-las no currículo escolar e diversas entidades autónomas arregaçam as mangas e fazem o que podem.
Um exemplo: Professores e estudantes de pós-graduação da Universidade de Glasgow criaram um programa de ensino do Latim que levam a cada vez mais escolas de zonas carenciadas, primeiro primárias e agora também secundárias. Esse programa contempla mitologia e literatura da Antiguidade, história e consciência da língua, gramática e vocabulário... E, sim, parece que os miúdos a quem o programa se destina gostam e aprendem.
DAQUI
Este é um sinal bem evidente de que a escolaridade elementar ou básica não está a cumprir uma das suas funções mais importantes e estruturantes - a alfabetização -, com inevitáveis consequências na escolaridade secundária e superior.
Muitos têm considerado que a principal causa desta situação é o abandono do estudo do Latim, a matemática da língua. De facto, a partir de finais da década de sessenta do século XX, as disciplinas de Latim e de Grego foram associadas a uma educação elitista, tradicional, antiga, a uma educação contemplativa que apenas servia para maçar os aprendizes. Era preciso renovar o currículo com disciplinas que preparassem para a vida, que permitissem compreender o mundo circundante e que correspondessem às necessidades e interesses das comunidades.
Essa mudança feita com muito entusiasmo e pouco conhecimento pedagógico - o que, tendo em conta, a época se percebe perfeitamente - desencadeou diversos erros e um deles é certamente o abandono das línguas ditas mortas.
Para remediar a situação, alguns sistemas educativos estão a reintroduzi-las no currículo escolar e diversas entidades autónomas arregaçam as mangas e fazem o que podem.
Um exemplo: Professores e estudantes de pós-graduação da Universidade de Glasgow criaram um programa de ensino do Latim que levam a cada vez mais escolas de zonas carenciadas, primeiro primárias e agora também secundárias. Esse programa contempla mitologia e literatura da Antiguidade, história e consciência da língua, gramática e vocabulário... E, sim, parece que os miúdos a quem o programa se destina gostam e aprendem.
DAQUI
Os custos da desigualdade
A INEFICIÊNCIA DOS MERCADOS
A crescente desigualdade nos países submetidos ao neoliberalismo, não pode mais ser escondida, apesar de ignorada nos discursos do governo PSD – CDS. Stiglitz, denuncia como causas diretas da desigualdade a desregulação dos mercados e a austeridade, politicas preconcebidas a favor dos ricos, uma "guerra de classes" contra a maioria dos cidadãos. Defende sindicatos fortes e ações coletivas dos trabalhadores e dos cidadãos.
Stiglitz foi economista chefe do Banco Mundial, as suas críticas ao FMI levaram em 1998 o economista chefe do FMI a acusar Stiglitz de "fumar outras substâncias para além das legais". Em 1999 Stiglitz demitiu-se do BM. Este episódio é típico da forma como os mentores do atual sistema económico lidam com as críticas por mais sustentadas e consistentes que sejam.
A UE tornou-se um espaço de fundamentalismo neoliberal, ao sabor dos interesses hegemónicos da Alemanha que insiste em ter uma Europa ao seu serviço, não reconhecendo outros interesses que não os dos seus oligarcas.
Os partidos da social-democracia/socialismo reformista, baixaram a cerviz, comprometendo os seus povos na austeridade e na desigualdade. Perante as críticas à sua esquerda o PS regurgitava o que é ditado nos areópagos do neoliberalismo, como o clube de Bilderberg, entoando loas à economia de mercado e à UE com a sua "regra de ouro" (o famigerado Tratado Orçamental) e o euro, que seria o nec plus ultra da estabilidade financeira e do progresso económico. Os resultados estão à vista.
Os mercados seriam supostamente eficientes e estáveis, mas não são uma coisa nem outra, a crise financeira mostrou o contrário, com consequências devastadoras. Porém, não se tratou de acidente: as regras estabelecidas constituíram os incentivos para a finança agir como agiu e age. O mercado obviamente não é eficiente, se o fosse não veríamos o que ocorre crescentemente nos países sujeitos ao neoliberalismo e à austeridade: imensas necessidades não satisfeitas e o aumento da pobreza. (p. 2)
A ineficiência desta "economia de mercado" é por demais evidente no desemprego, nas empresas encerradas ou não produzindo o seu potencial. A incapacidade do mercado para gerar empregos é a maior fonte de ineficiência e das principais causas da desigualdade. (p. 3)
Na UE os Estados estão impedidos de subsidiar as empresas públicas, mas são incentivados a fazê-lo para as grandes empresas privadas por via dos resgates financeiros e pelas várias formas de despesa fiscal (subsídios, reduções de impostos, etc), privatizações, PPPs.
Os governadores do Banco de Portugal, sejam Vítor Constâncio ou Carlos Costa, postos perante os casos de fraude, corrupção, gestão danosa, argumentam com as regras a que estariam obrigados. Fazem a leitura minimalista, neoliberal dessas mesmas regras, para esconder as suas falhas. Mas são as regras do modelo económico que defendem.
A desregulamentação desempenhou um papel central na instabilidade em que os países vivem. As empresas e especialmente o sector financeiro, têm rédea livre no interesse dos ricos. Usaram seu peso político e o seu poder de moldar ideias para forçar a desregulamentação. A fórmula sagrada da economia atual destaca o papel do sector privado como motor do crescimento económico, porém o sucesso dessas empresas e, na verdade, a viabilidade de toda a economia, dependem muito do bom desempenho do sector público. (p. 81)
As forças do mercado são reais, mas moldadas por processos políticos: por leis, regulamentos e instituições. (p. 54) Os mercados não existem em abstrato, a forma como governos atuam faz a diferença, tanto para a eficiência como para a redistribuição da riqueza criada. (p.135)
A eficiência dos mercados tornou-se uma questão de crença religiosa, um artigo de fé. (p. 141). Na realidade, é a justificação para as iniquidades da austeridade e para o seu corolário, o aumento das desigualdades. Tal é evidente nos argumentos do governo PSD-CDS que se refugia na dogmática ilusória, na mentira ou nos acintes à oposição. Se isto der votos é porque a democracia está profundamente doente.
Todo o texto aqui
A crescente desigualdade nos países submetidos ao neoliberalismo, não pode mais ser escondida, apesar de ignorada nos discursos do governo PSD – CDS. Stiglitz, denuncia como causas diretas da desigualdade a desregulação dos mercados e a austeridade, politicas preconcebidas a favor dos ricos, uma "guerra de classes" contra a maioria dos cidadãos. Defende sindicatos fortes e ações coletivas dos trabalhadores e dos cidadãos.
Stiglitz foi economista chefe do Banco Mundial, as suas críticas ao FMI levaram em 1998 o economista chefe do FMI a acusar Stiglitz de "fumar outras substâncias para além das legais". Em 1999 Stiglitz demitiu-se do BM. Este episódio é típico da forma como os mentores do atual sistema económico lidam com as críticas por mais sustentadas e consistentes que sejam.
A UE tornou-se um espaço de fundamentalismo neoliberal, ao sabor dos interesses hegemónicos da Alemanha que insiste em ter uma Europa ao seu serviço, não reconhecendo outros interesses que não os dos seus oligarcas.
Os partidos da social-democracia/socialismo reformista, baixaram a cerviz, comprometendo os seus povos na austeridade e na desigualdade. Perante as críticas à sua esquerda o PS regurgitava o que é ditado nos areópagos do neoliberalismo, como o clube de Bilderberg, entoando loas à economia de mercado e à UE com a sua "regra de ouro" (o famigerado Tratado Orçamental) e o euro, que seria o nec plus ultra da estabilidade financeira e do progresso económico. Os resultados estão à vista.
Os mercados seriam supostamente eficientes e estáveis, mas não são uma coisa nem outra, a crise financeira mostrou o contrário, com consequências devastadoras. Porém, não se tratou de acidente: as regras estabelecidas constituíram os incentivos para a finança agir como agiu e age. O mercado obviamente não é eficiente, se o fosse não veríamos o que ocorre crescentemente nos países sujeitos ao neoliberalismo e à austeridade: imensas necessidades não satisfeitas e o aumento da pobreza. (p. 2)
A ineficiência desta "economia de mercado" é por demais evidente no desemprego, nas empresas encerradas ou não produzindo o seu potencial. A incapacidade do mercado para gerar empregos é a maior fonte de ineficiência e das principais causas da desigualdade. (p. 3)
Na UE os Estados estão impedidos de subsidiar as empresas públicas, mas são incentivados a fazê-lo para as grandes empresas privadas por via dos resgates financeiros e pelas várias formas de despesa fiscal (subsídios, reduções de impostos, etc), privatizações, PPPs.
Os governadores do Banco de Portugal, sejam Vítor Constâncio ou Carlos Costa, postos perante os casos de fraude, corrupção, gestão danosa, argumentam com as regras a que estariam obrigados. Fazem a leitura minimalista, neoliberal dessas mesmas regras, para esconder as suas falhas. Mas são as regras do modelo económico que defendem.
A desregulamentação desempenhou um papel central na instabilidade em que os países vivem. As empresas e especialmente o sector financeiro, têm rédea livre no interesse dos ricos. Usaram seu peso político e o seu poder de moldar ideias para forçar a desregulamentação. A fórmula sagrada da economia atual destaca o papel do sector privado como motor do crescimento económico, porém o sucesso dessas empresas e, na verdade, a viabilidade de toda a economia, dependem muito do bom desempenho do sector público. (p. 81)
As forças do mercado são reais, mas moldadas por processos políticos: por leis, regulamentos e instituições. (p. 54) Os mercados não existem em abstrato, a forma como governos atuam faz a diferença, tanto para a eficiência como para a redistribuição da riqueza criada. (p.135)
A eficiência dos mercados tornou-se uma questão de crença religiosa, um artigo de fé. (p. 141). Na realidade, é a justificação para as iniquidades da austeridade e para o seu corolário, o aumento das desigualdades. Tal é evidente nos argumentos do governo PSD-CDS que se refugia na dogmática ilusória, na mentira ou nos acintes à oposição. Se isto der votos é porque a democracia está profundamente doente.
Todo o texto aqui
A EDUCAÇÃO FÍSICA E A FRACTURA CURRICULAR
A estrutura curricular nos países menos desenvolvidos tem uma fractura comum: predominam as disciplinas denominadas nucleares e atribui-se um papel residual aos saberes do domínio das humanidades e das artes onde se pode incluir a educação física. Objectivamente, a ruptura verifica-se na carga horária. Disciplinas como a língua materna ou a matemática atingem, desde cedo, o dobro ou o triplo das horas semanais das restantes. Estas decisões carecem de fundamentação empírica e há quem advogue que o inútil "mais do mesmo" ainda acentua a desigualdade de oportunidades.
As últimas décadas em Portugal pareciam contrariar essa tendência empobrecedora e os testes internacionais confirmavam os progressos. Com a chegada de Sócrates e Rodrigues, agudizada com a tragédia de Passos e Crato, a ideia de escola completa, que estrutura as sociedades para uma forte e maioritária classe média, ficou comprometida.
É também isso que os professores de educação física denunciam.
domingo, janeiro 04, 2015
Última hora: Por todo o país ASAE fecha Igrejas!
As hóstias não estavam embaladas com o respectivo rótulo de composição e data de validade, e ainda eram manuseadas sem luvas nem pinças.
O vinho não estava engarrafado.
O cálice não é lavado e esterilizado há 30 anos.
Para cúmulo, foram encontradas beatas em todos os cantos.
O vinho não estava engarrafado.
O cálice não é lavado e esterilizado há 30 anos.
Para cúmulo, foram encontradas beatas em todos os cantos.
Alentejano numa tasca
Um sujeito Alentejano entra numa tasca, e vê por cima do balcão o seguinte cartaz:
Bagaço_____________________ 0,40 EUR
Pão com queijo______________ 0,80 EUR
Sanduíche de galinha_________ 1,80 EUR
Acariciar o órgão sexual______ 10,00 EUR
Bagaço_____________________ 0,40 EUR
Pão com queijo______________ 0,80 EUR
Sanduíche de galinha_________ 1,80 EUR
Acariciar o órgão sexual______ 10,00 EUR
Verificou a carteira, para não passar por vergonhas, foi até ao balcão e chamou uma das três lindas empregadas que estavam a servir bebidas nas mesas:
- Por favor...
- Sim? Responde ela, com um belo sorriso. Em que posso ajudar?
- É você quem acaricia o órgão aos clientes?
- Sou... Responde ela, com uma voz extra-sensual.
- Então lave bem as mãos, que eu quero um pão com queijo!
Subscrever:
Mensagens (Atom)

































