Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
domingo, dezembro 28, 2008
Uma luz assim, aqui, e vão para Paris? Fazer o quê?
Ao ler esta notícia, na Paris Match, pensei que Lisboa ficava ainda melhor no próximo filme de Woody Allen. E utilizo o argumento da senhora ministra da Cultura francesa – se a madame mo permite – que diz que as cidades são personagens autênticas nos filmes de Allen. É bem verdade. Pensemos em Nova Iorque, por exemplo.
Mas em Lisboa, claro, o poder político está a pensar noutras coisas. Nas próximas eleições, no jogo político… Na campanha… Na dívida… Na privatização do lixo.
Vou por isso fazer o meu trabalho. Vou enviar um e-mail ao editor do site de Woody Allen, para que ele pense em Lisboa como cenário do seu próximo filme. Paris é banal… E Sócrates, estou certo, também é capaz de fazer uns descontos em matéria fiscal.
Enfim, que não seja este filme, pode ser o próximo.
http://lobi.blogs.sapo.pt/
O El Solitario também usava Armas de Plástico?
E se entrar num Banco e com esse objecto exigir notas, em vez das outras notas?
http://sinistraministra.blogspot.com/
As Mentiras de Sócrates
Tudo começou quando quis que o tratassem por "engenheiro" antes de o ser.
Depois, desenvolveu a sua capacidade, dizendo que fazia projectos gratuitos, porque tinha assinado um contrato de exclusividade e não queria declarar as remunerações ao fisco.
Na campanha eleitoral, referiu que não aumentava os impostos nem a idade da reforma e que não lançava portagens nas SCUT.
Como Primeiro-Ministro, disse que os professores nunca tinham sido avaliados, esquecendo-se que tinha sido ele a acabar com a avaliação dos professores para os impedir de progredir.
Depois de ter criado uma Lei que impedia as pessoas de fumarem em espaços fechados, foi apanhado a fumar num avião. Lá veio mais uma mentira: disse que desconhecia a Lei.
Como mentir se tornou um vício, lembrou-se de começar a dizer que o Computador "Magalhães" era inteiramente fabricado em Portugal, quando toda a gente sabe que os seus componentes são importados. Também podia referir que os automóveis Toyota e BMW são fabricados em Portugal na fábrica Salvador Caetano de Ovar e começar a oferecê-los a todos os Portugueses.
De seguida, começou a aparecer na televisão a oferecer computadores a crianças que depois tinham de ser devolvidos para ir fazer propaganda para outro sítio. Ainda bem que não é possível mudar estradas nem hospitais de sítio, caso contrário o Primeiro-Ministro andaria a inaugurar a mesma auto-estrada e o mesmo hospital por todo o país!
Para coroar a árvore de Natal das mentiras, lembrou-se de dizer que tinha sido o responsável por baixar o preço do petróleo e as taxas de juro da habitação indexadas à Euribor. Logo os seus ajudantes Silva Pereira e Teixeira dos Santos vieram confirmar a mentira. Grandes economistas! Por alguma razão o nosso Ministro das Finanças foi considerado o pior ministro da União Europeia. Estas conquistas não se conseguem sem algum (de)mérito. Sarkozy, Brown e Merkel devem roer-se de inveja do poder do nosso Engenheiro!
Na próxima campanha eleitoral, como pensa que os Portugueses são estúpidos, vai anunciar que foi o inventor do computador, do automóvel e mesmo da roda. Também vai dizer que terminou a Segunda Guerra Mundial e, quem sabe, se não foi ele quem criou o Universo.
Há quem acredite que, antes do fim do mundo e do regresso de Cristo à Terra, o Diabo tomaria conta das nações. Não sei se é verdade, só tenho a certeza de que já tomou conta de Portugal.
A falta de carácter e de vergonha tem limites… Vamos acordar do canto da sereia e correr com este senhor!
(recebido por mail)
A personalidade do ano é você, o contribuinte
Você, caro leitor, caro eleitor, caro devedor, é muito importante para o País, que não o trata como um mero algarismo: trata-o como nove algarismos. A resposta é o seu número de contribuinte. Você, caro pagador de impostos, é a personalidade do ano 2008.
Ninguém lhe perguntou nada, mas você deu tudo. Você está a salvar a economia, os bancos, as empresas, grandes, pequenas, micros e médias, tradicionais, multinacionais, electrónica, minas, automóvel. O que lhe dizem aqueles que lhe governam o dinheiro é que você se está a salvar a si mesmo. Não pode haver melhores intenções.
Você, caro contribuinte, comprou um banco falido, o Banco Português de Negócios. Você, caro contribuinte, salvou da bancarrota o Banco Privado Português. Você disse a todos os bancos privados que, se também precisarem, comprará partes do seu capital, participando nas injecções de dinheiro de que necessitem para vencer a crise financeira. Mas você fez ainda mais pelo sistema financeiro: mesmo depois de temer pelo dinheiro que tinha depositado, você disse que está disponível para servir de fiador, dando garantias para que os bancos se possam endividar, todos os bancos, incluindo o seu, a Caixa Geral de Depósitos, que aliás já utilizou a garantia: se o seu banco não conseguir pagar a dívida de 1,2 mil milhões contraída, paga-a você.
Mas você é generoso: nos últimos doze meses já aumentou o capital do seu banco por três vezes. E nem lhe disseram para o que era nem você achou estranho colocar mais dinheiro num banco que, apesar disso, vai baixar lucros e reduzir dividendos, devolvendo-lhe, portanto, menos do seu investimento. Aliás, você, diligente, já nem olha para o dinheiro que injecta no seu banco como um investimento, mas como filantropia: está a acudir a aflitos. Através do seu banco, você já emprestou dinheiro a multinacionais que estão perto da insolvência, já assinou contratos de financiamento para que construtoras possam asfaltar as estradas de que o País necessita para estancar a recessão e o desemprego.
Mas você, caro contribuinte, não se fica pela banca. Você já disse que as empresas industriais podem contar consigo em fusões e aquisições, pois está disponível para entrar no capital de empresas que se fundam. Você vai pagar parte dos juros de linhas de financiamento a PME, para que elas tenham crédito bonificado para, pura e simplesmente, pagarem contas e solverem a tesouraria. Você já prometeu pagar o que deve às empresas que lhe forneceram bens e serviços, embora não faça ainda ideia de como vai arranjar o dinheiro para pagar o calote.
Você vai ainda emprestar dinheiro aos funcionários públicos, sem lhes perguntar porquê ou para quê. E vai aumentar-lhes os salários bem acima da inflação. E tudo isto mesmo sabendo que todo o dinheiro que ganhou de 1 de Janeiro a 19 de Maio deste ano foi exclusivamente para pagar impostos. Mais: você é tão prestimoso que já está a empenhar os impostos dos seus próprios filhos, que terão de pagar no futuro o aumento do défice orçamental. E fá-lo sem sombra de rancor, depois de o Fisco ter ilegalmente congelado a sua conta bancária ou penhorado o seu imóvel, ter retido indevidamente reembolsos ou benefícios fiscais, tê-lo pressionado a pagar dívidas que estavam garantidas ou coagido a denunciar fornecedores.
Mas você não está sozinho, você é um cidadão europeu, onde centenas de milhões de contribuintes espanhóis, franceses, ingleses, alemães estão a fazer exactamente o mesmo. Sim, a Europa existe, ei-la unida através dos seus contribuintes, vítimas de uma crise que não é sua, mas que lhes permitiu recriar, mas não criar, um estilo de vida endividado e insustentável.
Você é a personalidade do ano porque o Estado em 2008 entrou pela economia adentro para a salvar. O Estado somos nós, eu e você, a sua mãe, o seu filho. Todos estamos a pagar para ver mas nem por isso estamos tranquilos.
Definitivamente, o dinheiro não traz felicidade.
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=346798
Terceira queda de neve num mês
Esta é a terceira vez, em um mês, que neva abundantemente no território do distrito de Vila Real. O itinerário principal entre Vila Real e Amarante, na zona da serra do Marão, e a auto-estrada, na zona de Vila Pouca de Aguiar, foram cortados ao trânsito a meio da tarde de hoje.
As máquinas de limpeza da neve encontram-se em grande actividade a proceder a acções de limpeza nestas vias. Muitos automobilistas ficaram bloqueados nestas estradas por causa da queda de neve.
http://mitos-climaticos.blogspot.com/
estatuto do aluno
O estatuto do aluno teve, em tempo recente, uma vulgar e cíclica visibilidade. Envolveu, em discussão, as mais diversas autoridades. Repetiram-se os mais variados e conhecidos argumentos.
Quem lida com o estatuto do aluno, todos os dias e durante anos, não consegue olhar para o espectáculo mediático sem sorrir: é que a formulação do problema é muito simples: Portugal, e muito bem, massificou - não democratizou, ai isso não, mas não cabe agora essa discussão - a escolaridade básica, conferindo-lhe um necessário estatuto de inclusão - cabem todos - mas exigindo-lhe, em simultâneo, objectivos de exclusão - promoção do mérito e da excelência -.
Sabe-se que esta combinação é exigente e quase paradoxal e que a sua solução requer tempo, determinação, convicção e crença na ideia de serviço público: e não permite que se vacile.
http://correntes.blogs.sapo.pt/
sábado, dezembro 27, 2008
Santana Lopes promete alcatifar Avenida da Liberdade
http://www.inepcia.com/
Atenção às caixas multibanco com estes símbolos - NETPAY - BPN


NetPay! Tenham CUIDADO!!!
Mais uma roubalheira!!!!
Atenção - caixas Multibanco NetPay
Uma forma dissimulada de sacar os nossos €€
No mês passado efectuei um levantamento numa máquina ATM que me parecia perfeitamente normal.
Este mês ao receber o extracto da minha conta verifiquei que me tinham sido cobrados 3,30 € de comissões associadas a um levantamento de 50,00 €.
Contactei o meu banco e fui informado que tinha utilizado uma máquina ATM de uma nova rede chamada NetPay.
Ao que fui informado todos os levantamentos são efectuados a crédito sendo cobrada uma taxa fixa de 1,5 € mais os juros respectivos.
Ao que parece estas máquinas estão identificadas como pertencendo à rede NetPay pelo que antes de efectuarem levantamentos não se esqueçam de verificar a rede em que o vão fazer.
transcrição da noticia publicada no D.Noticias de 03-10-2008
Fonte: Diario Noticias 03-10-2008
BPN já cobra comissões na sua rede de ATM
São apenas 77 caixas automáticas, de um universo de 13 mil ATM, mas pode ser um precedente importante. Quem levantar dinheiro na rede NetPay paga como se estivesse no estrangeiro
Levantar dinheiro numa caixa automática pode dar direito ao pagamento de uma comissão. Isto se o consumidor o fizer numa das 77 ATM da rede NetPay.
A revelação da cobrança desta comissão é feita pelo próprio dono da rede NetPay - o Banco Português de Negócios (BPN). Em resposta a um e-mail que circula na Internet, o banco emitiu um esclarecimento explicando que são aplicadas taxas se o levantamento for feito com "cartões com a marca Multibanco e que são normalmente emitidos sob uma insígnia internacional - Visa ou Mastercard - que funcionam a crédito e a débito (vulgarmente designados por duais ou mistos) e permitem que em ATM Sibs (Multibanco) o cliente possa efectuar levantamentos a débito (default) ou a crédito".
Ora, estes cartões correspondem a mais de 90% dos que circulam em Portugal, ou seja, cerca de 18 milhões. Trata-se daqueles que ostentam a marca Multibanco e são também Visa/Electron ou Mastercard/Maestro. Permitem levantar dinheiro a débito em Portugal e no estrangeiro e funcionam como cash-advance (levantamento a crédito), operação sujeita a comissão.
No caso dos levantamentos feitos com estes 18 milhões de cartões nas 77 ATM da rede NetPay, estes "são considerados pelas entidades emissoras dos cartões como cash-advance e são comissionados como tal pelas entidades emissoras dos referidos cartões". A NetPay não usa o processador nacional, a Sibs, e processa as suas operações no exterior.
O BPN, que não adianta o valor da comissão, diz que estas são cobradas pela Visa ou Mastercard. Mas não alerta os utilizadores da sua rede de ATM para o facto de estarem a pagar uma taxa sobre a operação.
N O T A
ATMS - Geridas pelo BPN.
Efectivamente assim parece ser.. Se levantar dinheiro numa ATM do BPN, que funcionam na base da rede rede NETPAY, utilizando o seu cartão electron Visa ou Mastercard é-lhe cobrada uma comissão porque o BPN trata a operação como um cash-advance ( como se tratasse de um levantamento a crédito)
Julgamos que estamos a fazer uma transacção em Portugal mas não. O sistema do BPN funciona como a transacção ocorresse no estrangeiro, daí a cobrança da tal comissão aos incautos.
NOS TERMINAIS "POS" do BPN
Mais grave - Peguem no mesmo cartão electron de débito da rede SIBS e façam compras num estabelecimento com Multibanco ( terminais POS ou TPAs) filiado na rede do BPN e constatarão, estupefactos, que não necessitam de validar a operação com o PIN porque funciona como se tivesse realizado com cartão de crédito. Questionado o balconista retorquiu que não era preciso indicar PIN pois naquele tipo de terminal do BPN funcionava como se tivesse realizado o pagamento com um cartão de crédito.
É evidente que nestes casos está ferida de morte a segurança do cartão de debito que só deveria operar com a exigência da digitação do respectivo PIN.
Perante os casos que vão surgindo, é de esperar que o BPN e todos os agentes dentro do sistema se apercebam da gravidade e das proporções que aquela prática menos segura (de abolir o PIN nos POS filiados na rede do BPN) pode atingir se não tiverem o bom senso de corrigir os procedimentos. Caso contrario é licito pensar que poderão estar a colocar em desassossego os milhões de utilizadores dos cartões de débito cujas condições de adesão passaram a estar feridas por um dos agentes
Acresce referir que, no meu entender, foi graças à obrigatoriedade da validação por PIN, nas ATMs e POS nos comerciantes, que residiu o grande êxito para a aceitação/adesão dos cartões de débito, o que nos diferenciava da Europa, para melhor, podendo agora essa credibilidade ficar irremediavelmente perdida e levar ao descrédito total um dos melhores produtos do nosso sistema de pagamentos.
Simultaneamente pode, em parte, beliscar a melhoria introduzida na segurança dos cartões com a inclusão de um chip porque a abolição de Pin, naqueles postos POS, a menospreza.
A eventual analogia deste caso com o cartão de crédito não tem razão de ser, uma vez que, este, tem outras condições gerais de adesão e quem as aceitou sabe e sujeita-se aos riscos que lhe estão subjacentes
(recebido por mail)
Mário Nogueira tenta ser notícia nos jornais desportivos para alcançar o pleno da comunicação social
http://www.inepcia.com/
O colapso do edifício intelectual do Sr. Greenspan
A extrema falta de visão ao construir modelos sobre "um período de euforia" e ignorando "período históricos de stress" significou que a realidade histórica da acumulação de capital foi simplesmente riscada da análise. Como Marx explicou, a sobreprodução de capital inevitavelmente leva a períodos de desvalorização massiva, através dos quais o sistema prepara o terreno para expansão futura. "O negócio está sempre são, e a campanha ao máximo, até à súbita intervenção do colapso" ( Capital, vol.3, capítulo 30).
"É pena", nota Floyd Norris, colunista económico do New York Times, "que o Sr. Greenspan nunca tenha apreciado o trabalho de Hyman Minsky, que entendeu que a estabilidade é desestabilizante, e haverão tempos em que a grande calma nos mercados e aparente ausência de risco fará com que os investidores comecem a correr mais e mais riscos". De facto, Minsky, construindo sobre o trabalho de Marx, Keynes e Kalecki (ver a Review of the Month neste número) desenvolveu uma análise da instabilidade financeira como uma "falha inerente" da economia capitalista, levando ao perigo de uma profunda depressão e estagnação prolongada. Foi esta hipótese de instabilidade financeira – junto com a interacção entre estagnação e financeirização, muitos anos enfatizada nestas páginas – que esteve mais conspicuamente ausente dos modelos arcanos construídos por Greenspan e outros economistas ortodoxos. Como resultado "todo o edifício intelectual" da economia neoliberal entrou na bancarrota e agora "colapsou" visivelmente (Floyd Norris, "Greenspan's Lament," norris.blogs.nytimes.com, 23 de Outubro de 2008). Aqueles que queiram um tratamento mais completo e mais sistemático destes assuntos, interessar-se-ão por The Great Financial Crisis: Causes and Consequences de John Bellamy Foster e Fred Magdoff, a ser lançado pela Monthly Review Press em Janeiro de 2009. Pode ser encomendado online em www.monthlyreview.org .
Como István Mészáros poderosamente demonstra no seu novo trabalho The Challenge and Burden of Historical Time (Monthly Review Press, 2008), os profundamente enraizados problemas da acumulação de capital com que agora nos deparamos são devidos a " imperativos estruturais " do capitalismo. Isto significa que "é impossível alterá-los significativamente sem visualizar um " quadro de referência estrutural qualitativamente diferente " (384). O objectivo de Mészáros no seu livro, destaca o presidente venezuelano Hugo Chávez, é fornecer os meios intelectuais com os quais "tomar a ofensiva – por todo o mundo – no movimento rumo ao socialismo". Aconselhamos fortemente os leitores da MR a obter um exemplar de The Challenge and Burden of Historical Time e a estudá-lo, transmitindo a outros as ideias que contém de "um quadro de referência estrutural qualitativamente diferente" para sociedade. (Para encomendar, vide parágrafo anterior)
Monthly Review
Este editorial encontra-se em http://resistir.info/
A economia nos tempos de crise do valor
Os fatos sucedem-se. Dessa vez acerta no coração da Wall Street. Seu algoz, o mais respeitado de todos: Bernard Madoff. Cinqüenta bilhões de dólares evaporam-se num passe de mágica e mesmo assim não deixa tão rico seu fraudador. Envolvidos nessas perdas não estão investidores desinformados, mas grandes financistas, investidores institucionais, profundos conhecedores do mercado de papéis e entusiastas de obscuras aplicações. São eles que captam dinheiro de desavisados ou não, ávidos por ganhos fáceis, e repassam aos Madoff para multiplicação. Os rituais milagrosos nos terreiros dos Maldoff, das Eron e tantos outros que haverão de se sucederem, é a história do capitalismo dos anos 80 para cá, do capital fictício simulando a acumulação.
Foi à forma que o capitalismo e seus agentes encontraram para acobertar a crise da chamada “economia real”, que com a crise do valor há muito já não é mais rentável. A expansão da atividade econômica e o lucro presumível das empresas só foram possíveis nos últimos 25 anos com o jogo financeiro. Nesse período, no decorrer dos anos, torna-se cada vez mais difícil a produção vantajosa de mercadorias descolada dos investimentos no mercado de papéis. Hoje, em todo mundo, é raro encontrar-se uma empresa não associada a um banco ou financeira, que lhe garantam o crédito fácil e o rateio do “lucro” das aplicações.
A fusão da atividade produtiva com a financeira, que no jargão dos tempos virou indústria, passa a ser total. A atividade empresarial transforma-se em apêndice da “indústria financeira” e passa a depender desesperadamente dos movimentos especulativos dessa para ser “rentável”. Os chamados ativos reais, geralmente associados a bens materiais ou imateriais, são lastros virtuais do capital fictício, e só existem enquanto valor na ficção contábil como mostra o estouro da bolha imobiliária. O tempo de trabalho socialmente necessário torna-se obsoleto como medida do valor, apesar de nas mercadorias ainda encontrar-se vestígios do trabalho abstrato.
Como crêem sair da crise?
O que se delineia não resolve o problema da não coincidência entre produção e consumo. As medidas articuladas para se contrapor a depressão podem alimentar novas bolhas. Nessa empreitada os governos assumiram a dianteira: baixam juros e jogam dinheiro à rodo no mercado, impressos nas casas da moeda, para compensar o capital que queima e as cinzas se espalham sem deixar rastros, não obstante os tão em voga discursos demagógicos contra os especuladores. Era esse capital evaporado, antes cobiçado e agora criticado, que sustentava o crédito fácil, alimentava o consumo desmedido e financiava governos. Sem ele, a atividade econômica é deprimida, o consumo e os investimentos param, e a deflação bate à porta assustando a todos.
O dinheiro fartamente distribuído pelos tesouros e bancos centrais, não passa de papel impresso sem nenhuma substância de valor, é capital fictício que se num primeiro momento estancar a deflação, pode mais na frente fazer explodir a inflação, mesmo considerando-se os mecanismos de contenção da expansão monetária que dispõe os bancos centrais. Portanto, as intervenções estatais estão longe de mudar a trajetória da crise. Podem até aliviar os sintomas, mas não cura o paciente moribundo.
Por outro lado, a esquerda tradicional, solapada pelas iniciativas da direita, se conforma em pintar com corres menos vivas os pacotes de interesse do capital. Aplaudem as medidas como o fim do neoliberalismo e clamam por um retorno ao bom capitalismo produtivo, livre da especulação financeira e regulado pelo Estado. Não é capaz de enxergar que é na produção de mercadorias que está o problema, que todo esse imbróglio financeiro surgiu como forma de empurrar para frente o trem capitalista emperrado pela baixa rentabilidade como resultado da desvalorização do valor. Avivada pela crise, a concorrência global busca novos mercados e uma maior produtividade, aprofundando a revolução tecnológica em todos os níveis da sociedade. Aumentam-se os investimentos e a concentração e dos meios de produção, intensificam-se as dispensas da força de trabalho, que motiva a queda da taxa de lucro realimentando a crise.
26.12.2008
http://rumoresdacrise.blogspot.com/
Gaza
http://infoalternativa.org/spip.php?article375
Torce palavras
A teologia safa-se pelo domínio da ambiguidade, e Anselmo Borges deu uma bela lição disto no DN de dia 20. A Associação Humanista Britânica está a organizar uma campanha publicitária a favor do ateísmo, com o slogan «Deus provavelmente não existe. Agora deixe de se preocupar e goze a vida» (1). Anselmo Borges diz que é uma ideia interessante porque obriga «as pessoas a pensar nas questões essenciais, e Deus é uma dessas questões decisivas.» (2)Questões são perguntas. Como é que surgiu o universo? O que nos causou? Como podemos saber? O Anselmo torce o sentido de “questão” e mete uma resposta pela porta do cavalo. Porque Deus não é uma questão. O deus do Anselmo é apenas uma de muitas tentativas de responder estas perguntas. E levanta uma questão importante. Porque é que há de ser o deus dele e não um dos outros? Para responder a isto, a teologia torce as palavras conforme dá jeito.«Afinal, também há razões para não crer, mas, quando se pensa na contingência do mundo, no dinamismo da esperança em conexão com a moral e na exigência de sentido último, não se pode negar que é razoável acreditar no Deus pessoal, criador e salvador, que dá sentido final a todas as coisas. Numa e noutra posição - crente e não crente -, entra sempre também algo de opcional.»Crer ou não crer é uma escolha. Mas a palavra “razões” é usada aqui de duas formas subtilmente diferentes. Quando somos razoáveis baseamo-nos em razões partilhadas. Quando usamos razões só nossas não somos razoáveis aos olhos dos outros. É razoável largar o pote se está demasiado quente mas não por me dar na gana ou por medo que dê azar. As razões para não crer em Deus vêm do que observamos à nossa volta. Cada criança que fica sem pernas por pisar uma mina dá uma razão forte para rejeitar o tal ser benevolente que lhe podia ter segredado “cuidado, aí há minas”*. A imensa indiferença do universo perante o nosso sofrimento torna razoável a descrença. Mas a crença em Deus, como o próprio Anselmo admite, vem apenas de desejos pessoais como a esperança e a exigência de um sentido último, e não é por desejos que se forma uma opinião razoável acerca do que existe ou não existe.Depois, o amor. «Agora que está aí o Natal, é ocasião para meditar no Deus que manifesta a sua benevolência e magnanimidade criadoras no rosto de uma criança. Jesus não veio senão revelar que Deus é amor, favorável a todos os homens e mulheres» (mas não às crianças que pisam minas).Usamos a palavra “amor” para referir o que sentimos por alguém ou para referir esse alguém. Esta ambiguidade é ideal para a teologia. No primeiro sentido “Deus é amor” dá uma evidência directa que Deus existe. Todos sentimos amor e os crentes amam Deus. O sentimento existe. E torcendo a palavra para o outro lado concluem que o objecto desse amor também existe. É um disparate atraente. É disparate porque o objecto do nosso amor pode nem se parecer com aquilo que julgávamos amar. Mas é atraente porque preferimos esquecer essas experiências dolorosas e fingir que não é assim. O amor não só cega como enfraquece as ideias.E quando torcem o amor com a ciência têm uma combinação perfeita. «A existência de Deus não é objecto de saber de ciência, à maneira das matemáticas ou das ciências verificáveis experimentalmente.» Ou seja, a existência de Deus não é ciência por não ser de cariz experimental. E Deus é amor, que sabemos não ser científico. Mas isto só encaixa torcendo as palavras. Porque o amor é experimental; é experimentando-o que o conhecemos e é pela experiência quotidiana que sabemos quem amamos e quem nos ama. E o amor só não é científico porque nos falta uma teoria detalhada. Falta-nos as palavras para modelar o amor. Falta-nos o logos do amor.Mas isso é o que a teologia finge ser. O logos de Deus que, segundo dizem, é amor. A teologia é a teoria do amor inventada por celibatários que baralham as palavras e negam a experiência. Não admira que mesmo ao fim de tantas voltas não tenham chegado a lado nenhum.*A desculpa para isto é a vontade livre. É um argumento válido, e aceito-o. Mas apenas nos casos em que a própria criança pôs lá a mina.
1- CNN, 23-10-08, Atheists Run Ads Saying God ‘Probably’ Doesn’t Exist
2- Anselmo Borges, DN, 20-12-08, ”Provavelmente Deus não existe”
http://ktreta.blogspot.com/



























