Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
O capitalismo financeiro choca-se contra um muro
O plano de fuga dos oligarcas – à custa do Tesouro americano
O jogo financeiro de "criação de riqueza" acabou. As economias saíram da II Guerra Mundial relativamente isentas de dívidas, mas os seus 60 anos de acumulação global chegaram ao fim da linha. O capitalismo financeiro está em estado de colapso e paliativos marginais não o ressuscitarão. A economia dos EUA não consegue "inflacionar o caminho para fora das dívidas", porque isso faria o dólar entrar em colapso e acabaria com os sonhos do império global forçando os outros países a seguirem o seu próprio caminho. Há manufacturas a menos para que a economia se torne mais "competitiva", dados os altos custos das casas, transportes, dívidas e impostos. Um quarto a um terço da propriedade imobiliária dos EUA caiu em Situação Líquida Negativa, a que nenhum banco emprestará. A economia esbarrou num muro de dívidas e está a cair em Situação Líquida Negativa, onde poderá ficar até que haja cancelamento de dívidas.
O plano de "recuperação" do sr. Obama, baseado em gastos com infra-estruturas, produzirá fortunas em propriedade imobiliária para propriedades bem situadas ao longo das novas rotas de transportes públicos, mas não há sinal de as cidades virem a arrecadar impostos sobre os ganhos inesperados das propriedades a fim de salvarem as suas finanças. Os presidentes das municipalidades prefeririam ter cidades falidas a tributar propriedades imobiliárias ou as finanças. O objectivo é re-inflacionar os mercados imobiliários para permitir que os proprietários continuem a pagar aos bancos e não para ajudar o sector público a reequilibrar-se. Assim, os planos de reforma estaduais e locais continuarão com falta de fundos, levando mais planos de reforma à falência.
Seria de pensar que os políticos estariam dispostos a fazer as contas e a aperceber-se que dívidas que não podem ser pagas, não o serão. Mas as dívidas estão a ser mantidas nos livros, continuam a acumular juros para pagar aos credores que fizeram maus empréstimos. A resultante deflação da dívida ameaça manter a economia em depressão até que ocorra uma mudança radical de políticas – uma mudança para salvar a economia "real", não apenas o sector financeiro e os 10% de famílias mais ricas da América.
Não há qualquer sinal de que os conselheiros económicos do sr. Obama, funcionários do Tesouro e chefes dos comités do Congresso relevantes para esta questão reconheçam a necessidade do cancelamento de dívidas. Aliás, eles foram colocados nas suas posições precisamente porque não percebem que o alavancamento de dívidas é uma manobra económica e não "criação de riqueza" real. Mas a sua visão afunilada é que faz com que sejam "fidedignos" para a Wall Street, que não gosta de surpresas. E todo o carácter da actual crise financeira continua a ser etiquetado como "surpreendente" e "inesperado" pela imprensa, cada vez que chega uma nova e surpreendente estatística. É seguro ser-se surpreendido, mas é-se suspeito quando se esperam más notícias, um "profeta da desgraça prematuro". Temos de ter fé no sistema acima de tudo. E o sistema era a Bolha Greenspan. Por isso aliás é que o Alan "Ayn Rand" [1] foi colocado na chefia.
Então o governo tenta recuperar os felizes anos da Economia da Bolha ao fazer as dívidas crescerem novamente, na esperança de re-inflacionar a propriedade imobiliária e os preços do mercado de acções. Essa foi, aliás, a Idade de Ouro do mundo do capital financeiro, usando a dívida como alavanca para inflacionar os preços de bens financeiros fictícios. Toda a gente amou este sistema enquanto ele durou. Os eleitores achavam que tinham probabilidade de se tornarem milionários, e aprovavam-no, felizes. E pelo menos fez com que Wall Street se tornasse mais rica que alguma vez tinha sido antes – quase duplicando a fatia de riqueza dos 1% mais ricos da América. Para os legisladores de Washington, isto é sinónimo de "a Economia" – pelo menos a economia para a qual as políticas económicas são formuladas nos dias de hoje.
O plano Obama-Geithner para reiniciar o crescimento de dívidas da Economia da Bolha, de modo a inflacionar os preços de bens o suficiente para pagar o excesso de dívida a partir de "ganhos de capital" não tem possibilidade de funcionar. Mas este é o único truque que estes potros conhecem. Entrámos numa era de deflação de preços dos bens, e não de inflação. As tabelas de dados económicos por todo o mundo esbarraram contra um muro e todas as tendências têm caído verticalmente a pique desde o último Outono. Os preços aos consumidores estado-unidenses tiveram a sua maior queda desde a Grande Depressão dos anos 30, assim como a "confiança" dos consumidores, o transporte marítimo internacional, a propriedade imobiliária, os preços dos mercados de acções, o petróleo e a taxa de câmbio com a libra esterlina. A economia global está a cair na depressão, e não poderá ser recuperada enquanto as dívidas não forem canceladas.
Ao invés de fazer isso, o governo faz exactamente o oposto. Propõe-se a pegar nas más dívidas e a pô-las nas folhas de balanço do sector público, imprimindo títulos do Tesouro para dar aos bancos – títulos cujas cobranças de juros terão de ser pagas cobrando impostos ao trabalho e à indústria.
O plano da oligarquia para um salvamento (pelo menos da sua própria posição financeira)
Em período de colapso iminente, as elites ricas protegem os seus fundos como ratos que abandonam um navio que se afunda. Em tempos anteriores compraram ouro com divisas que começavam a enfraquecer (o patriotismo nunca foi uma característica do capital financeiro cosmopolita). Desde os anos 50 que o Fundo Monetário Internacional tem feito empréstimos para apoiar as taxas de câmbio do Terceiro Mundo o tempo suficiente para subsidiar a fuga de capitais. Nos EUA, no último semestre, banqueiros e investidores de Wall Street infiltraram-se no Tesouro e na Reserva Federal para apoiar os preços dos seus maus empréstimos e apostas financeiras, libertando-se de ou assegurando US$12 milhões de milhões de dívidas tóxicas. A protecção da elite financeira dos EUA toma assim a forma de dívida pública interna e não de divisas estrangeiras.
É tudo em vão, no que diz respeito à economia real. Quando o Tesouro dá aos bancos títulos do governo acabados de imprimir em trocas "cash for trash" (dinheiro por lixo), isto deixa na mesma a elevada dívida impagável do sector privado. Tudo que acontece é que esta dívida agora deve-se ao (ou é garantida pelo) governo, que terá de cobrar impostos para pagar os juros.
Esta nova viragem é uma variante dos planos de "estabilização" do FMI, que emprestava dinheiro aos bancos centrais para apoiar as suas divisas – o tempo suficiente para que os oligarcas locais e investidores estrangeiros movessem as suas poupanças e investimentos para o exterior a boas taxas de câmbio. Permite-se depois que a divisa entre em colapso, permitindo que os especuladores de câmbio acumulem os ganhos necessários para esvaziar as reservas do banco central. Os especuladores vêm estas holdings dos bancos centrais como alvos a ser saqueados – quando maiores, melhor. O FMI empresta a um banco central, digamos, US$10 mil milhões para "apoiar a divisa". Os proprietários domésticos enviarão para fora o dinheiro a elevada taxa de câmbio. Então, quando os procedimentos do empréstimo estão esgotados, a divisa cai. Os salários são esmagados no programa de austeridade habitual do FMI e a economia é obrigada a obter divisas externas suficientes para pagar de volta ao FMI.
Como condição para obter este "apoio" do FMI, é exigido aos governos que obtenham um superávite no orçamento, cortando em gastos sociais, baixando salários e aumentando impostos de modo a conseguir espremer exportações suficientes para devolver os empréstimos do FMI. Mas, além de este tipo de "plano de estabilização" incapacitar a economia interna, obriga à venda de infra-estruturas públicas a preço de saldo – a compradores estrangeiros que pedem também dinheiro emprestado. O efeito é tornar esses países ainda mais dependentes de economias menos "neoliberalizadas".
A Letónia é a imagem de marca deste tipo de desastre. O seu acordo recente com a Europa é um caso simples. Para apoiar a retirada pelos bancos suecos dos seus fundos deste barco afundado, o apoio europeu é condicionado à aceitação pelo governo letão do corte de salários no sector privado e ao não aumento de impostos sobre a propriedade (que são actualmente quase zero).
O problema é que a Letónia, como outras economias pós-soviéticas, tem uma produção para exportação interna escassa. A indústria da antiga União Soviética foi deitada abaixo e destruída nos anos 90 (bem-vindos ao vitorioso capitalismo financeiro à moda ocidental). O que eles tinham era propriedade imobiliária e infra-estruturas públicas livres de dívida – e, como tal, disponíveis para serem usadas como colateral contra empréstimos destinados a financiar as importações. Desde a sua independência da Rússia em 1991, a Letónia tem pago pelos seus bens de consumo importados e outras aquisições contraindo empréstimos de crédito hipotecário de bancos escandinavos e outros. O efeito foi uma das maiores bolhas de propriedade do mundo – numa economia sem meios de se equilibrar, sem ser cumulando a sua propriedade imobiliária com mais e mais dívida. Na prática os empréstimos assumiram a forma de hipotecas de bancos estrangeiros para financiar a bolha imobiliária – e a sua dependência de fornecedores estrangeiros.
Assim, em vez de ajudá-la, e às outras nações pós-soviéticas, a desenvolver economias auto-suficientes, o Ocidente viu-as como ostras económicas a quebrar, endividando-as de modo a obter lucros de juros e ganhos de capital, deixando apenas conchas vazias. Esta política atingiu um pico quando a 26 de Janeiro de 2009, Joaquin Almunia da Comissão Europeia escreveu uma carta ao primeiro-ministro da Letónia descrevendo os termos sob os quais a Europa ajudaria os bancos suecos e outros bancos estrangeiros que operavam no país – à custa da Letónia:
"A assistência suplementar deve ser usada para evitar uma crise de balanço de pagamentos, que requer… restaurar a confiança no sector bancário [agora totalmente estrangeiro], e apoiar as reservas estrangeiras do Banco da Letónia. Isto implica financiar … grandes pagamentos de dívidas do governo (internas e externas). E se o sector bancário experimentasse eventos adversos, parte da assistência seria usada para infusões de capital localizadas ou apoio apropriado à liquidez de curto prazo. No entanto, a assistência financeira não se destina a ser usada para originar novos empréstimos a empresas ou famílias. …
… é importante não levantar expectativas infundadas entre o público em geral e parceiros sociais e, igualmente contrariar mal-entendidos que possam surgir a este respeito. Preocupadamente, temos assistido recentemente no debate público da Letónia apelos para que parte da assistência financeira seja utilizada entre outras coisas para promover indústrias exportadoras ou para estimular a economia através do aumento de despesas totais. É importante desencorajar activamente estas más interpretações".
Rebentaram tumultos na semana passada e os protestatários invadiram o Tesouro letão. Pouca surpresa aí! Não há nenhuma tentativa de ajudar a Letónia a desenvolver a sua capacidade exportadora para cobrir as suas importações. Após os cleptocratas internos, os bancos estrangeiros e investidores retiraram os seus fundos da economia e o "lat" letão será deixado depreciar. Os compradores estrangeiros poderão então entrar e comprar os bens locais mais barato, novamente.
A prática comum dos bancos europeus de surfar a onda das bolhas imobiliárias pós-soviéticas está a fazer ricochete, abalando as economias europeias que entraram nestes empréstimos predatórios a economias vizinhas também. Como resumiu um jornalista:
"Na Polónia, 60 por cento das hipotecas são em francos suíços. O zloty acabou de cair para metade em relação ao franco. A Hungria, os países balcânicos, os bálticos e a Ucrânia são todos variantes de sofrimento desta mesma história. Como um acto de loucura colectiva – de tomadores e prestamistas de crédito – é equiparável à catástrofe do subprime americano. Há uma diferença crucial, no entanto. Os bancos europeus estão entalados nos dois. Os bancos americanos não. Quase todas as dívidas do bloco de Leste são devidas à Europa ocidental, especialmente bancos austríacos, suecos, gregos, italianos e belgas." [1]
Esta foi a alternativa do Ocidente ao estalinismo. Não ajudou estes países a emularem o modo como a Grã-Bretanha e os EUA ficaram ricos através de políticas proteccionistas, industrialização publicamente apoiada e gastos em infra-estruturas. Ao invés disso, a violação financeira e desmantelamento industrial das antigas economias soviéticas foi o mais recente exercício de colonialismo ocidental. Pelo menos os investidores norte-americanos foram espertos o suficiente e mantiveram-se afastados usando simplesmente o aumento repentino do mercado de acções antes de saltar fora.
Mas agora, o plano do governo para "salvar" a economia é "salvar os bancos", com contornos similares aos que o Ocidente usou para tentar salvar os seus bancos da sua aventura nas economias pós-soviéticas. Este é, afinal, o plano económico neoliberal básico. A economia dos EUA está prestes a ser "pós-sovietizada".
As ofertas dos EUA aos bancos, mascaradas de "ajudas para proprietários de casa em dificuldades"
O salvamento de Obama aos bancos está organizado praticamente da mesma maneira que os empréstimos do FMI se organizam, para apoiar as taxas de câmbio das divisas externas, mas com o Tesouro a apoiar os preços dos bens financeiros para os bancos americanos e outras instituições financeiras. Em vez dos bancos e dos oligarcas abandonarem o dólar, o objectivo é permitir-lhes despejar as suas más hipotecas e CDOs (obrigações de dívidas colateralizadas), obtendo em troca títulos do Tesouro internos. A dívida do sector privado mover-se-á para o balanço do governo, onde os pagadores de impostos sustentarão as perdas – principalmente os trabalhadores e não a Wall Street, uma vez que o sector financeiro foi libertado do imposto sobre o rendimento graças às "letras pequenas" do último salvamento Paulson-Bush no Outono passado. Mas pelo menos o governo dos EUA está a tratar a situação só com dólares internos.
Como nos programas de austeridade do Terceiro Mundo, o efeito de manter as dívidas no seu lugar à custa da economia "real" será o encolhimento do mercado interno dos EUA – ao mesmo tempo que fornece oportunidades aos hedge funds para comprarem bens depreciados enquanto o governo federal, os estados e as cidades vendem-nos. A isto chama-se deixar os bancos "ganharem o caminho para fora da dívida". E estrangula a economia "real", porque nem um dólar da resposta do governo é dedicado a reduzir o grosso do volume de dívida.
Vejamos o muito elogiado programa de 50 mil milhões destinado a renegociar as hipotecas para os "proprietários em dificuldades". Após exame detalhado, parece que afinal os verdadeiros beneficiários são gigantes bancários como o Citibank e o Bank of América, que fizeram maus empréstimos. O Tesouro assumirá as más dívidas que os bancos têm em mãos e permitirá aos devedores renegociarem os seus pagamentos mensais até 38% do seu rendimento pessoal. Mas ao invés de os bancos ficarem a perder devido aos seus empréstimos excessivos, é o próprio Tesouro que pagará a diferença – pagá-la-á aos bancos para que estes recebam aquilo que apenas tinham esperança de receber. A família desesperada sobre a qual pesa a hipoteca, presa na sua casa devido à situação líquida negativa, é assim transformada meramente num veículo passivo para o Tesouro passar o dinheiro de alívio das dívidas para os bancos comerciais.
Poucas novas notícias deixaram isto claro, mas o Financial Times mostrou pormenores enterrados nas letras pequenas. [2] Acrescentou que o Tesouro ainda não decidira se reduziria a dívida principal para as estimadas 15 milhões de famílias com situação líquida negativa (talvez 30 milhões daqui a um ano, uma vez que os preços das propriedades continuam em queda). Sem dúvida um acordo semelhante será feito: por cada $100.000 de cancelamento de dívidas dos proprietários, o banco receberá $100.000 do Tesouro. A dívida do governo subirá $100.000 e o processo continuará até que o Tesouro tenha transferido $50.000.000 para os bancos que fizeram empréstimos temerários.
Há o suficiente para apenas 500 destas renegociações de $100.000 cada. É insuficiente para fazer mossa, mas o princípio foi estabelecido para muitos mais salvamentos. Serão necessários infinitos, enquanto o Tesouro tentar apoiar a ficção de que "o milagre dos juros compostos" pode ser mantido muito tempo. O perigo é que a economia possa estar morta quando uma compreensão económica sã consiga finalmente penetrar na consciência pública. No entanto, as dívidas mal-paradas do sector privado serão transferidas para o balanço do governo. Os juros e amortizações actualmente devidos aos bancos serão substituídos por obrigações do Tesouro americano. Os impostos serão aumentados para compensar as más dívidas com que o governo ficará encalhado. A economia "real" pagará a Wall Street – e continuará a pagar durante décadas!
Chamar a uma dádiva de $12 mil milhões a banqueiros uma "crise do subprime" faz parecer que os liberais de bom coração puseram a Fannie Mae e o Freddie Mac em sarilhos ao insistirem para que estas instituições publico-privadas fizessem empréstimos irresponsáveis aos pobres. A linha do partido é: "Culpem a vítima". Mas nós sabemos que isto é falso. O núcleo dos maus empréstimos está nos grandes bancos. Foi a colectividade e outros banksters que lideraram os empréstimos irresponsáveis e impuseram grande pressão sobre a Fannie Mae. A maior parte dos bancos mais pequenos e locais não fez tais empréstimos. As grandes lojas de hipotecas não quiseram saber da qualidade dos empréstimos, porque eram geridas por vendedores. O Tesouro está agora a pagar aos apostadores e milionários apoiando o valor dos empréstimos bancários, dos investimentos e das apostas derivativas, deixando o Tesouro em dívida.
Convergência EUA/pós-soviética
Se calhar está na altura de olhar novamente para o que Larry Summers e o seu gang de Rubinomics [2] fez na Rússia a meio da década de 90 e a países do Terceiro Mundo durante a sua permanência como economista do Banco Mundial para vermos que espécie de futuro está a ser planeado para a economia dos EUA nos próximos anos. Por toda a União Soviética o modelo neoliberal estabeleceu "equilíbrio" de uma maneira que envolveu um colapso demográfico: redução da esperança média de vida, menores taxas de natalidade, alcoolismo e abuso de drogas, depressões psicológicas, suicídios, má saúde, desemprego e idosos sem-abrigo (a chamada reforma neoliberal da Segurança Social).
Nos anos 70, as pessoas especulavam sobre se as economias soviética e dos EUA estariam a convergir. Durante todo o século XX toda a gente esperava que houvesse um aumento da regulação governamental, do investimento em infra-estruturas e do planeamento. Parecia que a difusão de governos democraticamente eleitos andaria de mão dada com as pessoas a votarem de acordo com os seus interesses económicos para aumentar os padrões de vida, fechando a fenda das desigualdades.
Este não é o tipo de convergência que tem ocorrido desde 1991. O poder governamental está a ser desmantelado, os padrões de vida estagnaram e a riqueza está a concentrar-se no topo da pirâmide económica. O planeamento económico e a alocação dos recursos passou para as mãos da Wall Street, cuja alternativa ao "caminho para a servidão" de Hayek é a escravidão pela dívida para toda a economia. É necessário haver um estado seguro, é certo, mas apenas para manter os especuladores das finanças e da propriedade imobiliária no seu lugar de poder. Mas a alternativa do Ocidente à velha burocracia soviética é o planeamento financeiro. Em vez de termos uma liderança política, temos uma liderança financeira e de propriedade imobiliária.
A Rússia estalinista e a China maoista atingiram alta tecnologia sem arrendamento de terras, monopólios de rendas e juros acima das possibilidades. O expurgo dos ganhos especulativos foi a tarefa histórica da economia política clássica, e tornou-se depois a do socialismo. O objectivo era limpar a ficha financeiramente, ajustando os preços com os custos de produção tecnologicamente necessários. O objectivo era fornecer a todos os frutos do seu trabalho em vez de deixar os bancos e senhorios sugarem o excedente económico.
As ideias da eficiência económica e da "criação de riqueza" de hoje são totalmente diferentes do liberalismo e dos "mercados livres". Os bancos comerciais emprestam dinheiro não para aumentar a produção mas para inflacionar os preços dos bens. Perto de 70% dos empréstimos bancários são hipotecas para a propriedade imobiliária, sendo a maioria do resto para tomadas agressivas do controle de empresas (takeovers) e ataques (raids) de grandes corporações e para financiar recompras das próprias acções (buybacks) de stocks ou simplesmente para pagar dividendos. A inflação dos preços de bens obriga as pessoas a endividarem-se cada vez mais para obterem acesso a casas, educação e cuidados médicos. A economia está a ser "financeirizada", não industrializada. Este tem sido o plano, tanto para os estados pós-soviéticos como para a América do Norte, a Europa Ocidental ou o Terceiro Mundo.
Mas estamos longe de ter chegado ao fim da linha. As celebrações de que a nossa actualmente financeirizada economia representa o "fim da História" são risivelmente prematuras. As políticas de hoje parecem mais um beco sem saída. Mas isso não significa que, como ocorreu no Império Romano, eles não nos levem para mais uma Idade das Trevas. É isso que tende a ocorrer quando as oligarquias fazem o planeamento.
Os EUA são uma economia fracassada?
Já é tempo de perguntar se a economia neoliberal pró-especulativa transformou a América e o Ocidente em economias fracassadas. Não haverá mesmo qualquer alternativa? Terão os neoliberais tornado irreversível a mudança do planeamento dos governos para a oligarquia financeira?
Primeiro, livremo-nos do "mito da fundação", ideia que ainda guia os Estados Unidos e a Europa. Os economistas dos mercados livres fingem que os preços podem ser mantidos na linha mais eficientemente com os tecnologicamente necessários custos de produção sob o capitalismo e em particular sobre o capitalismo financeiro. Os bancos e os mercados de acções supostamente fazem a alocação dos recursos mais eficientemente. Este é pelo menos o sonho dos mercados auto-regulados. Mas hoje parece apenas um mito, conversa de relações públicas para fazer com que uma geração de eleitores cada vez mais endividada não aja segundo o seu interesse próprio.
O capitalismo industrial sempre foi um híbrido, uma simbiose, com o seu legado feudal dos proprietários ausentes, finança oligárquica e dívidas públicas a agirem como credores líquidos em vez dos governos. A essência do feudalismo era extractiva, não produtiva. Eis porque erigiu o capitalismo industrial como política de Estado – ainda que não fosse só para aumentar a sua capacidade de fazer guerra. Mas agora deve ser levantada a questão sobre se apenas o socialismo poderá completar a tarefa histórica que a economia política clássica se impôs – o ideal em que os futuristas dos séculos XIX e XX acreditavam, que um capitalismo impuro poderia ainda ser capaz de se aguentar sem se livrar do seu legado de endividamento da propriedade aos bancos comerciais e montar de infra-estruturas fora do domínio público.
Hoje é mais fácil ver que as economias ocidentais não podem avançar desta maneira. Atingiram um ponto em que as dívidas excederam a capacidade de pagar. Em vez de reconhecerem este facto e empurrarem as dívidas de volta para um nível em que fosse possível cumpri-las, o plano Obama-Geithner é pagar aos grande bancos e hedge funds, mantendo o volume de dívida no seu nível actual e a crescer novamente através da "magia dos juros compostos". O resultado apenas pode ser uma economia crescentemente extractiva, até que as famílias, as propriedades imobiliárias, empresas industriais, estados, cidades e o próprio governo nacional sejam levados à escravidão pela dívida.
A alternativa tem um século e meio de idade e saiu dos ideais das doutrinas económicas clássicas de Adam Smith, David Ricardo, John Stuart Mill e o último grande economista clássico, Marx. O seu denominador comum foi ver que a renda e o juro são extractivos e não produtivos. A economia política clássica e o seu sucessor, o socialismo da Era Progressiva procuraram nacionalizar a terra (ou pelo menos tributar as suas rendas como base fiscal). Os governos deveriam criar o seu próprio crédito, não deixando essa função para as elites ricas através da criação de monopólios de empréstimos pelos bancos. Por isso, hoje, o neoliberalismo pinta uma falsa imagem de como os economistas clássicos imaginavam os mercados livres. Eram mercados livres de rendas e de juros económicos (e de impostos para suportar uma aristocracia ou oligarquia). O socialismo era livrar as economias destas cobranças acima das possibilidades. O plano de salvamento Obama-Geithner é exactamente o inverso.
Notas
1- Ambrose Evans-Pritchard, "If Eastern Europe falls, world is next", The Telegraph, 14 de Fevereiro, 2009.
2- Krishna Guha, "US closes in on subsidy plan to stop foreclosures", Financial Times, 13 de Fevereiro, 2009.
N.T.
[1] Ayn Rand: conselheira "espiritual" de Alan Greenspan, ex governador do banco central dos EUA.
[2] Rubinomics (Rubin + economics): Palavra utilizada originalmente para descrever a política económica de Robert T. Rubin, ex-secretário do Tesouro no governo Clinton.
Michael Hudson
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
O jogo financeiro de "criação de riqueza" acabou. As economias saíram da II Guerra Mundial relativamente isentas de dívidas, mas os seus 60 anos de acumulação global chegaram ao fim da linha. O capitalismo financeiro está em estado de colapso e paliativos marginais não o ressuscitarão. A economia dos EUA não consegue "inflacionar o caminho para fora das dívidas", porque isso faria o dólar entrar em colapso e acabaria com os sonhos do império global forçando os outros países a seguirem o seu próprio caminho. Há manufacturas a menos para que a economia se torne mais "competitiva", dados os altos custos das casas, transportes, dívidas e impostos. Um quarto a um terço da propriedade imobiliária dos EUA caiu em Situação Líquida Negativa, a que nenhum banco emprestará. A economia esbarrou num muro de dívidas e está a cair em Situação Líquida Negativa, onde poderá ficar até que haja cancelamento de dívidas.
O plano de "recuperação" do sr. Obama, baseado em gastos com infra-estruturas, produzirá fortunas em propriedade imobiliária para propriedades bem situadas ao longo das novas rotas de transportes públicos, mas não há sinal de as cidades virem a arrecadar impostos sobre os ganhos inesperados das propriedades a fim de salvarem as suas finanças. Os presidentes das municipalidades prefeririam ter cidades falidas a tributar propriedades imobiliárias ou as finanças. O objectivo é re-inflacionar os mercados imobiliários para permitir que os proprietários continuem a pagar aos bancos e não para ajudar o sector público a reequilibrar-se. Assim, os planos de reforma estaduais e locais continuarão com falta de fundos, levando mais planos de reforma à falência.
Seria de pensar que os políticos estariam dispostos a fazer as contas e a aperceber-se que dívidas que não podem ser pagas, não o serão. Mas as dívidas estão a ser mantidas nos livros, continuam a acumular juros para pagar aos credores que fizeram maus empréstimos. A resultante deflação da dívida ameaça manter a economia em depressão até que ocorra uma mudança radical de políticas – uma mudança para salvar a economia "real", não apenas o sector financeiro e os 10% de famílias mais ricas da América.
Não há qualquer sinal de que os conselheiros económicos do sr. Obama, funcionários do Tesouro e chefes dos comités do Congresso relevantes para esta questão reconheçam a necessidade do cancelamento de dívidas. Aliás, eles foram colocados nas suas posições precisamente porque não percebem que o alavancamento de dívidas é uma manobra económica e não "criação de riqueza" real. Mas a sua visão afunilada é que faz com que sejam "fidedignos" para a Wall Street, que não gosta de surpresas. E todo o carácter da actual crise financeira continua a ser etiquetado como "surpreendente" e "inesperado" pela imprensa, cada vez que chega uma nova e surpreendente estatística. É seguro ser-se surpreendido, mas é-se suspeito quando se esperam más notícias, um "profeta da desgraça prematuro". Temos de ter fé no sistema acima de tudo. E o sistema era a Bolha Greenspan. Por isso aliás é que o Alan "Ayn Rand" [1] foi colocado na chefia.
Então o governo tenta recuperar os felizes anos da Economia da Bolha ao fazer as dívidas crescerem novamente, na esperança de re-inflacionar a propriedade imobiliária e os preços do mercado de acções. Essa foi, aliás, a Idade de Ouro do mundo do capital financeiro, usando a dívida como alavanca para inflacionar os preços de bens financeiros fictícios. Toda a gente amou este sistema enquanto ele durou. Os eleitores achavam que tinham probabilidade de se tornarem milionários, e aprovavam-no, felizes. E pelo menos fez com que Wall Street se tornasse mais rica que alguma vez tinha sido antes – quase duplicando a fatia de riqueza dos 1% mais ricos da América. Para os legisladores de Washington, isto é sinónimo de "a Economia" – pelo menos a economia para a qual as políticas económicas são formuladas nos dias de hoje.
O plano Obama-Geithner para reiniciar o crescimento de dívidas da Economia da Bolha, de modo a inflacionar os preços de bens o suficiente para pagar o excesso de dívida a partir de "ganhos de capital" não tem possibilidade de funcionar. Mas este é o único truque que estes potros conhecem. Entrámos numa era de deflação de preços dos bens, e não de inflação. As tabelas de dados económicos por todo o mundo esbarraram contra um muro e todas as tendências têm caído verticalmente a pique desde o último Outono. Os preços aos consumidores estado-unidenses tiveram a sua maior queda desde a Grande Depressão dos anos 30, assim como a "confiança" dos consumidores, o transporte marítimo internacional, a propriedade imobiliária, os preços dos mercados de acções, o petróleo e a taxa de câmbio com a libra esterlina. A economia global está a cair na depressão, e não poderá ser recuperada enquanto as dívidas não forem canceladas.
Ao invés de fazer isso, o governo faz exactamente o oposto. Propõe-se a pegar nas más dívidas e a pô-las nas folhas de balanço do sector público, imprimindo títulos do Tesouro para dar aos bancos – títulos cujas cobranças de juros terão de ser pagas cobrando impostos ao trabalho e à indústria.
O plano da oligarquia para um salvamento (pelo menos da sua própria posição financeira)
Em período de colapso iminente, as elites ricas protegem os seus fundos como ratos que abandonam um navio que se afunda. Em tempos anteriores compraram ouro com divisas que começavam a enfraquecer (o patriotismo nunca foi uma característica do capital financeiro cosmopolita). Desde os anos 50 que o Fundo Monetário Internacional tem feito empréstimos para apoiar as taxas de câmbio do Terceiro Mundo o tempo suficiente para subsidiar a fuga de capitais. Nos EUA, no último semestre, banqueiros e investidores de Wall Street infiltraram-se no Tesouro e na Reserva Federal para apoiar os preços dos seus maus empréstimos e apostas financeiras, libertando-se de ou assegurando US$12 milhões de milhões de dívidas tóxicas. A protecção da elite financeira dos EUA toma assim a forma de dívida pública interna e não de divisas estrangeiras.
É tudo em vão, no que diz respeito à economia real. Quando o Tesouro dá aos bancos títulos do governo acabados de imprimir em trocas "cash for trash" (dinheiro por lixo), isto deixa na mesma a elevada dívida impagável do sector privado. Tudo que acontece é que esta dívida agora deve-se ao (ou é garantida pelo) governo, que terá de cobrar impostos para pagar os juros.
Esta nova viragem é uma variante dos planos de "estabilização" do FMI, que emprestava dinheiro aos bancos centrais para apoiar as suas divisas – o tempo suficiente para que os oligarcas locais e investidores estrangeiros movessem as suas poupanças e investimentos para o exterior a boas taxas de câmbio. Permite-se depois que a divisa entre em colapso, permitindo que os especuladores de câmbio acumulem os ganhos necessários para esvaziar as reservas do banco central. Os especuladores vêm estas holdings dos bancos centrais como alvos a ser saqueados – quando maiores, melhor. O FMI empresta a um banco central, digamos, US$10 mil milhões para "apoiar a divisa". Os proprietários domésticos enviarão para fora o dinheiro a elevada taxa de câmbio. Então, quando os procedimentos do empréstimo estão esgotados, a divisa cai. Os salários são esmagados no programa de austeridade habitual do FMI e a economia é obrigada a obter divisas externas suficientes para pagar de volta ao FMI.
Como condição para obter este "apoio" do FMI, é exigido aos governos que obtenham um superávite no orçamento, cortando em gastos sociais, baixando salários e aumentando impostos de modo a conseguir espremer exportações suficientes para devolver os empréstimos do FMI. Mas, além de este tipo de "plano de estabilização" incapacitar a economia interna, obriga à venda de infra-estruturas públicas a preço de saldo – a compradores estrangeiros que pedem também dinheiro emprestado. O efeito é tornar esses países ainda mais dependentes de economias menos "neoliberalizadas".
A Letónia é a imagem de marca deste tipo de desastre. O seu acordo recente com a Europa é um caso simples. Para apoiar a retirada pelos bancos suecos dos seus fundos deste barco afundado, o apoio europeu é condicionado à aceitação pelo governo letão do corte de salários no sector privado e ao não aumento de impostos sobre a propriedade (que são actualmente quase zero).
O problema é que a Letónia, como outras economias pós-soviéticas, tem uma produção para exportação interna escassa. A indústria da antiga União Soviética foi deitada abaixo e destruída nos anos 90 (bem-vindos ao vitorioso capitalismo financeiro à moda ocidental). O que eles tinham era propriedade imobiliária e infra-estruturas públicas livres de dívida – e, como tal, disponíveis para serem usadas como colateral contra empréstimos destinados a financiar as importações. Desde a sua independência da Rússia em 1991, a Letónia tem pago pelos seus bens de consumo importados e outras aquisições contraindo empréstimos de crédito hipotecário de bancos escandinavos e outros. O efeito foi uma das maiores bolhas de propriedade do mundo – numa economia sem meios de se equilibrar, sem ser cumulando a sua propriedade imobiliária com mais e mais dívida. Na prática os empréstimos assumiram a forma de hipotecas de bancos estrangeiros para financiar a bolha imobiliária – e a sua dependência de fornecedores estrangeiros.
Assim, em vez de ajudá-la, e às outras nações pós-soviéticas, a desenvolver economias auto-suficientes, o Ocidente viu-as como ostras económicas a quebrar, endividando-as de modo a obter lucros de juros e ganhos de capital, deixando apenas conchas vazias. Esta política atingiu um pico quando a 26 de Janeiro de 2009, Joaquin Almunia da Comissão Europeia escreveu uma carta ao primeiro-ministro da Letónia descrevendo os termos sob os quais a Europa ajudaria os bancos suecos e outros bancos estrangeiros que operavam no país – à custa da Letónia:
"A assistência suplementar deve ser usada para evitar uma crise de balanço de pagamentos, que requer… restaurar a confiança no sector bancário [agora totalmente estrangeiro], e apoiar as reservas estrangeiras do Banco da Letónia. Isto implica financiar … grandes pagamentos de dívidas do governo (internas e externas). E se o sector bancário experimentasse eventos adversos, parte da assistência seria usada para infusões de capital localizadas ou apoio apropriado à liquidez de curto prazo. No entanto, a assistência financeira não se destina a ser usada para originar novos empréstimos a empresas ou famílias. …
… é importante não levantar expectativas infundadas entre o público em geral e parceiros sociais e, igualmente contrariar mal-entendidos que possam surgir a este respeito. Preocupadamente, temos assistido recentemente no debate público da Letónia apelos para que parte da assistência financeira seja utilizada entre outras coisas para promover indústrias exportadoras ou para estimular a economia através do aumento de despesas totais. É importante desencorajar activamente estas más interpretações".
Rebentaram tumultos na semana passada e os protestatários invadiram o Tesouro letão. Pouca surpresa aí! Não há nenhuma tentativa de ajudar a Letónia a desenvolver a sua capacidade exportadora para cobrir as suas importações. Após os cleptocratas internos, os bancos estrangeiros e investidores retiraram os seus fundos da economia e o "lat" letão será deixado depreciar. Os compradores estrangeiros poderão então entrar e comprar os bens locais mais barato, novamente.
A prática comum dos bancos europeus de surfar a onda das bolhas imobiliárias pós-soviéticas está a fazer ricochete, abalando as economias europeias que entraram nestes empréstimos predatórios a economias vizinhas também. Como resumiu um jornalista:
"Na Polónia, 60 por cento das hipotecas são em francos suíços. O zloty acabou de cair para metade em relação ao franco. A Hungria, os países balcânicos, os bálticos e a Ucrânia são todos variantes de sofrimento desta mesma história. Como um acto de loucura colectiva – de tomadores e prestamistas de crédito – é equiparável à catástrofe do subprime americano. Há uma diferença crucial, no entanto. Os bancos europeus estão entalados nos dois. Os bancos americanos não. Quase todas as dívidas do bloco de Leste são devidas à Europa ocidental, especialmente bancos austríacos, suecos, gregos, italianos e belgas." [1]
Esta foi a alternativa do Ocidente ao estalinismo. Não ajudou estes países a emularem o modo como a Grã-Bretanha e os EUA ficaram ricos através de políticas proteccionistas, industrialização publicamente apoiada e gastos em infra-estruturas. Ao invés disso, a violação financeira e desmantelamento industrial das antigas economias soviéticas foi o mais recente exercício de colonialismo ocidental. Pelo menos os investidores norte-americanos foram espertos o suficiente e mantiveram-se afastados usando simplesmente o aumento repentino do mercado de acções antes de saltar fora.
Mas agora, o plano do governo para "salvar" a economia é "salvar os bancos", com contornos similares aos que o Ocidente usou para tentar salvar os seus bancos da sua aventura nas economias pós-soviéticas. Este é, afinal, o plano económico neoliberal básico. A economia dos EUA está prestes a ser "pós-sovietizada".
As ofertas dos EUA aos bancos, mascaradas de "ajudas para proprietários de casa em dificuldades"
O salvamento de Obama aos bancos está organizado praticamente da mesma maneira que os empréstimos do FMI se organizam, para apoiar as taxas de câmbio das divisas externas, mas com o Tesouro a apoiar os preços dos bens financeiros para os bancos americanos e outras instituições financeiras. Em vez dos bancos e dos oligarcas abandonarem o dólar, o objectivo é permitir-lhes despejar as suas más hipotecas e CDOs (obrigações de dívidas colateralizadas), obtendo em troca títulos do Tesouro internos. A dívida do sector privado mover-se-á para o balanço do governo, onde os pagadores de impostos sustentarão as perdas – principalmente os trabalhadores e não a Wall Street, uma vez que o sector financeiro foi libertado do imposto sobre o rendimento graças às "letras pequenas" do último salvamento Paulson-Bush no Outono passado. Mas pelo menos o governo dos EUA está a tratar a situação só com dólares internos.
Como nos programas de austeridade do Terceiro Mundo, o efeito de manter as dívidas no seu lugar à custa da economia "real" será o encolhimento do mercado interno dos EUA – ao mesmo tempo que fornece oportunidades aos hedge funds para comprarem bens depreciados enquanto o governo federal, os estados e as cidades vendem-nos. A isto chama-se deixar os bancos "ganharem o caminho para fora da dívida". E estrangula a economia "real", porque nem um dólar da resposta do governo é dedicado a reduzir o grosso do volume de dívida.
Vejamos o muito elogiado programa de 50 mil milhões destinado a renegociar as hipotecas para os "proprietários em dificuldades". Após exame detalhado, parece que afinal os verdadeiros beneficiários são gigantes bancários como o Citibank e o Bank of América, que fizeram maus empréstimos. O Tesouro assumirá as más dívidas que os bancos têm em mãos e permitirá aos devedores renegociarem os seus pagamentos mensais até 38% do seu rendimento pessoal. Mas ao invés de os bancos ficarem a perder devido aos seus empréstimos excessivos, é o próprio Tesouro que pagará a diferença – pagá-la-á aos bancos para que estes recebam aquilo que apenas tinham esperança de receber. A família desesperada sobre a qual pesa a hipoteca, presa na sua casa devido à situação líquida negativa, é assim transformada meramente num veículo passivo para o Tesouro passar o dinheiro de alívio das dívidas para os bancos comerciais.
Poucas novas notícias deixaram isto claro, mas o Financial Times mostrou pormenores enterrados nas letras pequenas. [2] Acrescentou que o Tesouro ainda não decidira se reduziria a dívida principal para as estimadas 15 milhões de famílias com situação líquida negativa (talvez 30 milhões daqui a um ano, uma vez que os preços das propriedades continuam em queda). Sem dúvida um acordo semelhante será feito: por cada $100.000 de cancelamento de dívidas dos proprietários, o banco receberá $100.000 do Tesouro. A dívida do governo subirá $100.000 e o processo continuará até que o Tesouro tenha transferido $50.000.000 para os bancos que fizeram empréstimos temerários.
Há o suficiente para apenas 500 destas renegociações de $100.000 cada. É insuficiente para fazer mossa, mas o princípio foi estabelecido para muitos mais salvamentos. Serão necessários infinitos, enquanto o Tesouro tentar apoiar a ficção de que "o milagre dos juros compostos" pode ser mantido muito tempo. O perigo é que a economia possa estar morta quando uma compreensão económica sã consiga finalmente penetrar na consciência pública. No entanto, as dívidas mal-paradas do sector privado serão transferidas para o balanço do governo. Os juros e amortizações actualmente devidos aos bancos serão substituídos por obrigações do Tesouro americano. Os impostos serão aumentados para compensar as más dívidas com que o governo ficará encalhado. A economia "real" pagará a Wall Street – e continuará a pagar durante décadas!
Chamar a uma dádiva de $12 mil milhões a banqueiros uma "crise do subprime" faz parecer que os liberais de bom coração puseram a Fannie Mae e o Freddie Mac em sarilhos ao insistirem para que estas instituições publico-privadas fizessem empréstimos irresponsáveis aos pobres. A linha do partido é: "Culpem a vítima". Mas nós sabemos que isto é falso. O núcleo dos maus empréstimos está nos grandes bancos. Foi a colectividade e outros banksters que lideraram os empréstimos irresponsáveis e impuseram grande pressão sobre a Fannie Mae. A maior parte dos bancos mais pequenos e locais não fez tais empréstimos. As grandes lojas de hipotecas não quiseram saber da qualidade dos empréstimos, porque eram geridas por vendedores. O Tesouro está agora a pagar aos apostadores e milionários apoiando o valor dos empréstimos bancários, dos investimentos e das apostas derivativas, deixando o Tesouro em dívida.
Convergência EUA/pós-soviética
Se calhar está na altura de olhar novamente para o que Larry Summers e o seu gang de Rubinomics [2] fez na Rússia a meio da década de 90 e a países do Terceiro Mundo durante a sua permanência como economista do Banco Mundial para vermos que espécie de futuro está a ser planeado para a economia dos EUA nos próximos anos. Por toda a União Soviética o modelo neoliberal estabeleceu "equilíbrio" de uma maneira que envolveu um colapso demográfico: redução da esperança média de vida, menores taxas de natalidade, alcoolismo e abuso de drogas, depressões psicológicas, suicídios, má saúde, desemprego e idosos sem-abrigo (a chamada reforma neoliberal da Segurança Social).
Nos anos 70, as pessoas especulavam sobre se as economias soviética e dos EUA estariam a convergir. Durante todo o século XX toda a gente esperava que houvesse um aumento da regulação governamental, do investimento em infra-estruturas e do planeamento. Parecia que a difusão de governos democraticamente eleitos andaria de mão dada com as pessoas a votarem de acordo com os seus interesses económicos para aumentar os padrões de vida, fechando a fenda das desigualdades.
Este não é o tipo de convergência que tem ocorrido desde 1991. O poder governamental está a ser desmantelado, os padrões de vida estagnaram e a riqueza está a concentrar-se no topo da pirâmide económica. O planeamento económico e a alocação dos recursos passou para as mãos da Wall Street, cuja alternativa ao "caminho para a servidão" de Hayek é a escravidão pela dívida para toda a economia. É necessário haver um estado seguro, é certo, mas apenas para manter os especuladores das finanças e da propriedade imobiliária no seu lugar de poder. Mas a alternativa do Ocidente à velha burocracia soviética é o planeamento financeiro. Em vez de termos uma liderança política, temos uma liderança financeira e de propriedade imobiliária.
A Rússia estalinista e a China maoista atingiram alta tecnologia sem arrendamento de terras, monopólios de rendas e juros acima das possibilidades. O expurgo dos ganhos especulativos foi a tarefa histórica da economia política clássica, e tornou-se depois a do socialismo. O objectivo era limpar a ficha financeiramente, ajustando os preços com os custos de produção tecnologicamente necessários. O objectivo era fornecer a todos os frutos do seu trabalho em vez de deixar os bancos e senhorios sugarem o excedente económico.
As ideias da eficiência económica e da "criação de riqueza" de hoje são totalmente diferentes do liberalismo e dos "mercados livres". Os bancos comerciais emprestam dinheiro não para aumentar a produção mas para inflacionar os preços dos bens. Perto de 70% dos empréstimos bancários são hipotecas para a propriedade imobiliária, sendo a maioria do resto para tomadas agressivas do controle de empresas (takeovers) e ataques (raids) de grandes corporações e para financiar recompras das próprias acções (buybacks) de stocks ou simplesmente para pagar dividendos. A inflação dos preços de bens obriga as pessoas a endividarem-se cada vez mais para obterem acesso a casas, educação e cuidados médicos. A economia está a ser "financeirizada", não industrializada. Este tem sido o plano, tanto para os estados pós-soviéticos como para a América do Norte, a Europa Ocidental ou o Terceiro Mundo.
Mas estamos longe de ter chegado ao fim da linha. As celebrações de que a nossa actualmente financeirizada economia representa o "fim da História" são risivelmente prematuras. As políticas de hoje parecem mais um beco sem saída. Mas isso não significa que, como ocorreu no Império Romano, eles não nos levem para mais uma Idade das Trevas. É isso que tende a ocorrer quando as oligarquias fazem o planeamento.
Os EUA são uma economia fracassada?
Já é tempo de perguntar se a economia neoliberal pró-especulativa transformou a América e o Ocidente em economias fracassadas. Não haverá mesmo qualquer alternativa? Terão os neoliberais tornado irreversível a mudança do planeamento dos governos para a oligarquia financeira?
Primeiro, livremo-nos do "mito da fundação", ideia que ainda guia os Estados Unidos e a Europa. Os economistas dos mercados livres fingem que os preços podem ser mantidos na linha mais eficientemente com os tecnologicamente necessários custos de produção sob o capitalismo e em particular sobre o capitalismo financeiro. Os bancos e os mercados de acções supostamente fazem a alocação dos recursos mais eficientemente. Este é pelo menos o sonho dos mercados auto-regulados. Mas hoje parece apenas um mito, conversa de relações públicas para fazer com que uma geração de eleitores cada vez mais endividada não aja segundo o seu interesse próprio.
O capitalismo industrial sempre foi um híbrido, uma simbiose, com o seu legado feudal dos proprietários ausentes, finança oligárquica e dívidas públicas a agirem como credores líquidos em vez dos governos. A essência do feudalismo era extractiva, não produtiva. Eis porque erigiu o capitalismo industrial como política de Estado – ainda que não fosse só para aumentar a sua capacidade de fazer guerra. Mas agora deve ser levantada a questão sobre se apenas o socialismo poderá completar a tarefa histórica que a economia política clássica se impôs – o ideal em que os futuristas dos séculos XIX e XX acreditavam, que um capitalismo impuro poderia ainda ser capaz de se aguentar sem se livrar do seu legado de endividamento da propriedade aos bancos comerciais e montar de infra-estruturas fora do domínio público.
Hoje é mais fácil ver que as economias ocidentais não podem avançar desta maneira. Atingiram um ponto em que as dívidas excederam a capacidade de pagar. Em vez de reconhecerem este facto e empurrarem as dívidas de volta para um nível em que fosse possível cumpri-las, o plano Obama-Geithner é pagar aos grande bancos e hedge funds, mantendo o volume de dívida no seu nível actual e a crescer novamente através da "magia dos juros compostos". O resultado apenas pode ser uma economia crescentemente extractiva, até que as famílias, as propriedades imobiliárias, empresas industriais, estados, cidades e o próprio governo nacional sejam levados à escravidão pela dívida.
A alternativa tem um século e meio de idade e saiu dos ideais das doutrinas económicas clássicas de Adam Smith, David Ricardo, John Stuart Mill e o último grande economista clássico, Marx. O seu denominador comum foi ver que a renda e o juro são extractivos e não produtivos. A economia política clássica e o seu sucessor, o socialismo da Era Progressiva procuraram nacionalizar a terra (ou pelo menos tributar as suas rendas como base fiscal). Os governos deveriam criar o seu próprio crédito, não deixando essa função para as elites ricas através da criação de monopólios de empréstimos pelos bancos. Por isso, hoje, o neoliberalismo pinta uma falsa imagem de como os economistas clássicos imaginavam os mercados livres. Eram mercados livres de rendas e de juros económicos (e de impostos para suportar uma aristocracia ou oligarquia). O socialismo era livrar as economias destas cobranças acima das possibilidades. O plano de salvamento Obama-Geithner é exactamente o inverso.
Notas
1- Ambrose Evans-Pritchard, "If Eastern Europe falls, world is next", The Telegraph, 14 de Fevereiro, 2009.
2- Krishna Guha, "US closes in on subsidy plan to stop foreclosures", Financial Times, 13 de Fevereiro, 2009.
N.T.
[1] Ayn Rand: conselheira "espiritual" de Alan Greenspan, ex governador do banco central dos EUA.
[2] Rubinomics (Rubin + economics): Palavra utilizada originalmente para descrever a política económica de Robert T. Rubin, ex-secretário do Tesouro no governo Clinton.
Michael Hudson
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Obama em Portugal...
Indivíduo adquiriu nota 12 de aluno de direito que não pagou prestações ao banco e já não vai à oral
O número de casos de jovens estudantes universitários que não conseguem pagar ao banco as prestações do curso superior está a aumentar de forma galopante. Durante os últimos meses têm florescido empresas que organizam leilões de notas penhoradas pelas financeiras e casas de penhores exclusivamente dedicados na penhora de avaliações. “O meu negócio está em forte expansão. Tenho alunos tão desesperados que chegam a ceder todas as disciplinas do 1º e 2º ano do curso superior a troco de uma prestação mensal. Alguns que eram finalistas de Medicina estão agora a fazer o 9º ano por causa dos juros de mora”, afirmou um agiota da Universidade de Coimbra.
http://biscoitointerrompido.blogspot.com/
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Contribuinte endividado tentou transformar-se em Fundação para evitar insolvência pessoal
Um contribuinte com três filhos menores, mulher desempregada, várias prestações em atraso, inibido de passar cheques e já a ser ajudado pelo Gabinete de Apoio ao Sobreendividamento, tentou transformar-se numa Fundação pública com regime de direito privado para poder usufruir das enormes vantagens fiscais deste estatuto jurídico. “Tendo uma Fundação posso beneficiar de um regime especial de IVA, candidatar-me a fundos europeus e ficar isento de IRC”, afirmou o contribuinte endividado.
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Revolta do pipi
O país está um bocado histérico com as “pornografias”. Agora é a história dos livros de Braga. Três ou quatro agentes da PSP confiscaram os exemplares de um livro com um pipi na capa.
Não há "caso", todavia, porque a PSP reconheceu imediatamente o erro. A menos que se pretenda enviar os agentes para Caxias, tentando sacar talvez uma confissão de que agiam contra o Estado, basta de sururu.
Até porque o pipi já regressou às bancas! Vamos lá então celebrar esta obra que marca o Maio de 68 na PSP de Braga!
http://lobi.blogs.sapo.pt/
Não há "caso", todavia, porque a PSP reconheceu imediatamente o erro. A menos que se pretenda enviar os agentes para Caxias, tentando sacar talvez uma confissão de que agiam contra o Estado, basta de sururu.
Até porque o pipi já regressou às bancas! Vamos lá então celebrar esta obra que marca o Maio de 68 na PSP de Braga!
http://lobi.blogs.sapo.pt/
Que conclusões tirar?
Os governos desde 2002 a 2009 mentiram descaradamente! É claro que aos responsáveis nada vai acontecer…
Documentos entregues pela PGR contribuíram para libertar Binyam Mohamed
Documentos entregues pelo Procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro, aos advogados da organização não governamental Reprieve terão contribuído para a libertação do etíope Binyam Mohamed, de 30 anos, o primeiro detido na base naval norte-americana de Guantánamo a ser libertado após a chegada de Barack Obama à presidência dos EUA.
Binyam Mohamed estava em Guantánamo desde Setembro de 2004 e passou por Portugal entre 15 e 17 de Setembro de 2002, numa escala feita no aeroporto Sá Carneiro, no Porto, depois de ter sido detido em 2002 no Paquistão. A documentação entregue pela Procuradoria-Geral da República aos advogados da Reprieve, que se têm dedicado à defesa dos detidos em Guantánamo, foi útil “para identificar agentes da CIA envolvidos na transferência” de Binyam Mohamed de Marrocos para o Afeganistão, escreve hoje o "Diário de Notícias".
Procuradoria remete esclarecimentos sobre voos da CIA para quando for proferido despacho
A Procuradoria-Geral da República remeteu um esclarecimento integral sobre o inquérito aos voos da CIA em Portugal para quando for proferido o despacho final do processo em curso, em reacção às notícias de que informações fornecidas por Lisboa ajudaram na libertação do Binyam Mohamed, detido durante quatro anos em Guantánamo.
Numa nota enviada à Lusa, a Procuradoria escreve que, “logo que for proferido o despacho final no processo em curso, será dado conhecimento integral do mesmo, para completo esclarecimento dos cidadãos”. No início do mês, a PGR adiantou que o inquérito sobre os alegados voos da CIA em Portugal “está praticamente findo, faltando proferir despacho final”.
Documentos entregues pela PGR contribuíram para libertar Binyam Mohamed
Documentos entregues pelo Procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro, aos advogados da organização não governamental Reprieve terão contribuído para a libertação do etíope Binyam Mohamed, de 30 anos, o primeiro detido na base naval norte-americana de Guantánamo a ser libertado após a chegada de Barack Obama à presidência dos EUA.
Binyam Mohamed estava em Guantánamo desde Setembro de 2004 e passou por Portugal entre 15 e 17 de Setembro de 2002, numa escala feita no aeroporto Sá Carneiro, no Porto, depois de ter sido detido em 2002 no Paquistão. A documentação entregue pela Procuradoria-Geral da República aos advogados da Reprieve, que se têm dedicado à defesa dos detidos em Guantánamo, foi útil “para identificar agentes da CIA envolvidos na transferência” de Binyam Mohamed de Marrocos para o Afeganistão, escreve hoje o "Diário de Notícias".
Procuradoria remete esclarecimentos sobre voos da CIA para quando for proferido despacho
A Procuradoria-Geral da República remeteu um esclarecimento integral sobre o inquérito aos voos da CIA em Portugal para quando for proferido o despacho final do processo em curso, em reacção às notícias de que informações fornecidas por Lisboa ajudaram na libertação do Binyam Mohamed, detido durante quatro anos em Guantánamo.
Numa nota enviada à Lusa, a Procuradoria escreve que, “logo que for proferido o despacho final no processo em curso, será dado conhecimento integral do mesmo, para completo esclarecimento dos cidadãos”. No início do mês, a PGR adiantou que o inquérito sobre os alegados voos da CIA em Portugal “está praticamente findo, faltando proferir despacho final”.
Comunicado da Associação Ateísta Portuguesa
À Comunicação Social
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com a canonização de Nuno Álvares cuja antiguidade começa a contar a partir de 26 de Abril.
A AAP entende que o prestígio do condestável não se altera com o milagre que lhe foi adjudicado mas Deus podia mais facilmente ter evitado os salpicos de óleo que atingiram o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, enquanto fritava o peixe, e a consequente «úlcera da córnea, uma coisa gravíssima» – segundo o cardeal Saraiva Martins –, do que ter de a curar para o beato virar santo.
Um vulto histórico, da dimensão de Nuno Álvares, não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular quando há tantos amputados a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e era mais relevante para o seu prestígio.
A AAP duvida da capacidade do guerreiro para actuar como colírio e fica surpreendida por se ter lembrado dele a D. Guilhermina que, em vez do desabafo habitual, quando um pingo de óleo fervente atinge um olho, recorreu à intercessão de um taumaturgo, sem antecedentes no ramo, para lhe salvar a visão.
Há nesta maratona pia uma sucessão de coincidências suspeitas. Começou pelo facto de a D. Guilhermina ter optado por fritar peixe em vez de assá-lo; perante a dor que se adivinha, em vez de recorrer a uma expressão que não cura, mas alivia, ter pedido a intercessão de quem precisava do milagre para ser promovido a santo; ter dado conhecimento à Igreja católica e estar na presidência da Prefeitura da Causa dos Santos o experimentado pesquisador de milagres e criador de santos, o cardeal Saraiva Martins; finalmente, haver no Vaticano médicos para certificarem a cura do olho e, em Lisboa, devotos à espera do novo santo.
Só quem sabe distinguir a água benta da outra pode rubricar um milagre que, não sendo excepcional, foi o que se arranjou. O patriarca Policarpo preferia que D. Nuno fosse dispensado das provas públicas do milagre mas resignou-se com a exigência papal; o presidente da República já anunciou a sua satisfação, certamente a título pessoal, e a Pátria, angustiada com a crise, ficou estupefacta.
Os espanhóis que, durante muitos anos, não toleraram a santidade do carrasco que os humilhou nos Atoleiros, em Aljubarrota e em Valverde, têm agora tantos santos que não ligam à elevação de D. Nuno aos altares.
Durante os dois últimos pontificados emergiu um tsunami de santidade que exumou os cemitérios da catolicidade em busca de taumaturgos. O folclore dos milagres é certamente uma forma de propaganda religiosa mas a AAP, temendo estar perante uma burla com a conivência das mais altas instâncias do poder, quer saber:
1 - Quem foram os médicos que comprovaram o milagre;
2 - Qual o critério para o atribuir a D. Nuno;
3 - Que exames mostram o olho esquerdo da D. Guilhermina antes e depois do milagre;
4 - O que pensa a Ordem dos Médicos portuguesa sobre o acto clínico de D. Nuno.
A Associação Ateísta Portuguesa não será cúmplice, com o seu silêncio, da manobra obscurantista em curso e, por isso, a denuncia.
Apela ao espírito crítico dos portugueses para não crerem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade.
Recorre ainda à comunicação social para prevenir os simples da manipulação, acautelar os frágeis contra a crença de que as dificuldades se resolvem com milagres e advertir os compatriotas de que as soluções se procuram com quem está vivo e não com quem é defunto há séculos.
Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 24 de Fevereiro de 2009
A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) ficou perplexa com a canonização de Nuno Álvares cuja antiguidade começa a contar a partir de 26 de Abril.
A AAP entende que o prestígio do condestável não se altera com o milagre que lhe foi adjudicado mas Deus podia mais facilmente ter evitado os salpicos de óleo que atingiram o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, enquanto fritava o peixe, e a consequente «úlcera da córnea, uma coisa gravíssima» – segundo o cardeal Saraiva Martins –, do que ter de a curar para o beato virar santo.
Um vulto histórico, da dimensão de Nuno Álvares, não se engrandece com a cura de uma queimadela ocular quando há tantos amputados a quem o crescimento de uma perna facilitaria a vida e era mais relevante para o seu prestígio.
A AAP duvida da capacidade do guerreiro para actuar como colírio e fica surpreendida por se ter lembrado dele a D. Guilhermina que, em vez do desabafo habitual, quando um pingo de óleo fervente atinge um olho, recorreu à intercessão de um taumaturgo, sem antecedentes no ramo, para lhe salvar a visão.
Há nesta maratona pia uma sucessão de coincidências suspeitas. Começou pelo facto de a D. Guilhermina ter optado por fritar peixe em vez de assá-lo; perante a dor que se adivinha, em vez de recorrer a uma expressão que não cura, mas alivia, ter pedido a intercessão de quem precisava do milagre para ser promovido a santo; ter dado conhecimento à Igreja católica e estar na presidência da Prefeitura da Causa dos Santos o experimentado pesquisador de milagres e criador de santos, o cardeal Saraiva Martins; finalmente, haver no Vaticano médicos para certificarem a cura do olho e, em Lisboa, devotos à espera do novo santo.
Só quem sabe distinguir a água benta da outra pode rubricar um milagre que, não sendo excepcional, foi o que se arranjou. O patriarca Policarpo preferia que D. Nuno fosse dispensado das provas públicas do milagre mas resignou-se com a exigência papal; o presidente da República já anunciou a sua satisfação, certamente a título pessoal, e a Pátria, angustiada com a crise, ficou estupefacta.
Os espanhóis que, durante muitos anos, não toleraram a santidade do carrasco que os humilhou nos Atoleiros, em Aljubarrota e em Valverde, têm agora tantos santos que não ligam à elevação de D. Nuno aos altares.
Durante os dois últimos pontificados emergiu um tsunami de santidade que exumou os cemitérios da catolicidade em busca de taumaturgos. O folclore dos milagres é certamente uma forma de propaganda religiosa mas a AAP, temendo estar perante uma burla com a conivência das mais altas instâncias do poder, quer saber:
1 - Quem foram os médicos que comprovaram o milagre;
2 - Qual o critério para o atribuir a D. Nuno;
3 - Que exames mostram o olho esquerdo da D. Guilhermina antes e depois do milagre;
4 - O que pensa a Ordem dos Médicos portuguesa sobre o acto clínico de D. Nuno.
A Associação Ateísta Portuguesa não será cúmplice, com o seu silêncio, da manobra obscurantista em curso e, por isso, a denuncia.
Apela ao espírito crítico dos portugueses para não crerem em afirmações sem provas e não confundirem a superstição com a realidade.
Recorre ainda à comunicação social para prevenir os simples da manipulação, acautelar os frágeis contra a crença de que as dificuldades se resolvem com milagres e advertir os compatriotas de que as soluções se procuram com quem está vivo e não com quem é defunto há séculos.
Associação Ateísta Portuguesa – Odivelas, 24 de Fevereiro de 2009
Coitados dos ricos
O que está a acontecer aos ricos em geral e aos portugueses ricos em particular é verdadeiramente confrangedor. Num abrir e fechar de olhos, que é como quem diz de um trimestre ou quadrimestre para o outro, os coitados perderam milhões com a famigerada crise do nosso descontentamento.
A coisa é tanto mais brutal quanto se sabe que em períodos do passado recente – para já não falar do longínquo, que isto de ser rico tem perna comprida – os números com muitos zeros foram crescendo nas respectivas contas bancárias espalhadas pelo vasto mundo, paraísos fiscais incluídos, o que obviamente cria legítima habituação ao bem bom. Se ninguém gosta de passar de cavalo para burro, imagine-se o que será cair de puro sangue para pileca… O que felizmente não é o caso – longe vá o agouro! –, mas por isso mesmo é que é preciso tomar medidas, não vá o diabo tecê-las.
É o se passa, por exemplo, com Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal, que no início deste mês já tinha perdido 1,9 milhões de euros, segundo notícias vindas a público, «por causa da exposição aos mercados accionistas».
Evidentemente, nem eu nem os leitores nem a esmagadora maioria do povo português conseguimos fazer a mais pálida ideia do que uma tal perda representa na vida do senhor Amorim, pela simples razão de que nunca perdemos, nem se afigura viável virmos a perder, uma tal quantia. O que conseguimos perceber, isso sim, é que um rombo desse quilate implica medidas drásticas. Assim, no início de Fevereiro, a Corticeira Amorim – líder mundial no sector da cortiça – anunciou ver-se compelida a despedir 193 trabalhadores. «Custa-nos fazê-lo», garantiu um responsável da empresa, sem dúvida com o coração em sangue, mas o que tem de ser tem muita força. Afinal, os lucros caíram 74 por cento no último trimestre de 2008, o que comparado com lucros de 8,5 milhões no período homólogo de 2007 representa um prejuízo de 4,3 milhões. O resultado final, líquido, foram uns escassos 6,15 milhões de euros de lucro. Não há quem aguente. É por isso que é preciso fazer sacrifícios. E não há sacrifício maior, podem crer, do que sacrificar os trabalhadores.
http://infoalternativa.org/spip.php?article595
A coisa é tanto mais brutal quanto se sabe que em períodos do passado recente – para já não falar do longínquo, que isto de ser rico tem perna comprida – os números com muitos zeros foram crescendo nas respectivas contas bancárias espalhadas pelo vasto mundo, paraísos fiscais incluídos, o que obviamente cria legítima habituação ao bem bom. Se ninguém gosta de passar de cavalo para burro, imagine-se o que será cair de puro sangue para pileca… O que felizmente não é o caso – longe vá o agouro! –, mas por isso mesmo é que é preciso tomar medidas, não vá o diabo tecê-las.
É o se passa, por exemplo, com Américo Amorim, o homem mais rico de Portugal, que no início deste mês já tinha perdido 1,9 milhões de euros, segundo notícias vindas a público, «por causa da exposição aos mercados accionistas».
Evidentemente, nem eu nem os leitores nem a esmagadora maioria do povo português conseguimos fazer a mais pálida ideia do que uma tal perda representa na vida do senhor Amorim, pela simples razão de que nunca perdemos, nem se afigura viável virmos a perder, uma tal quantia. O que conseguimos perceber, isso sim, é que um rombo desse quilate implica medidas drásticas. Assim, no início de Fevereiro, a Corticeira Amorim – líder mundial no sector da cortiça – anunciou ver-se compelida a despedir 193 trabalhadores. «Custa-nos fazê-lo», garantiu um responsável da empresa, sem dúvida com o coração em sangue, mas o que tem de ser tem muita força. Afinal, os lucros caíram 74 por cento no último trimestre de 2008, o que comparado com lucros de 8,5 milhões no período homólogo de 2007 representa um prejuízo de 4,3 milhões. O resultado final, líquido, foram uns escassos 6,15 milhões de euros de lucro. Não há quem aguente. É por isso que é preciso fazer sacrifícios. E não há sacrifício maior, podem crer, do que sacrificar os trabalhadores.
http://infoalternativa.org/spip.php?article595
"AFTER COURBET, L' ORIGIN DU MONDE"
Sindicatos divididos quanto à revisão do ECD?
A Plataforma morreu. As dúvidas terminaram, embora João Dias da Silva, o presidente da FNE, declare que a Plataforma se voltará a reunir sempre que as condições o exijam. A verdade é que a rondas negociais para revisão do ECD foram realizadas em separado. Jorge Pedreira reuniu por diversas vezes, em separado, com a Fne e com a Fenprof. O cordão humano a ligar a 5 de Outubro a S. Bento, convocado para 7 de Março, pela Fenprof, não foi secundado pela Fne. A página web da Fne há muito que deixou de fazer referências a formas de luta. Na verdade, há vários dias que não é actualizada. A Fne não aderiu à luta jurídica. Pelo menos, por enquanto. Quanto à questão dos objectivos individuais, a Fne não faz apelo à não entrega dos OIs e há casos confirmados de delegados sindicais da Fne que aconselharam os professores a entregarem os OIs. Pior: houve delegados sindicais que disseram aos professores que a não entrega dos OIs poderia gerar processo disciplinar. Na semana passada, três movimentos de professores, a APEDE, o MEP e o PROmova, emitiram um comunicado com fortes críticas à Fne. João Dias da Silva responde: não há acordo com o ME enquanto este não aceitar o fim da divisão da carreira.
http://www.profblog.org/
http://www.profblog.org/
Está a dividir os professores ou está a dividir os sindicatos?
Suspensão do modelo de avaliação está a dividir professores
O secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, João Dias da Silva, rejeitou ontem, ao PÚBLICO, as críticas de três movimentos independentes de professores, que acusam a FNE de estar a promover a entrega, pelos docentes, dos objectivos individuais, apresentada pelo Ministério da Educação (ME) como a primeira etapa da avaliação de desempenho.Em comunicado, a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), o Movimento Escola Pública (MEP) e o Promova dão conta de que, nos últimos dias, "diversos professores que contactaram os serviços da FNE, colocando questões sobre a não entrega dos objectivos individuais, obtiveram como resposta um discurso intimidatório e desmobilizador". Aqueles movimentos lembram que a FNE subscreveu, em conjunto com todos os sindicatos que integram a Plataforma Sindical de Professores, "um apelo para que os professores se recusassem a entregar os objectivos individuais como forma de lutar pela suspensão integral do modelo de avaliação de desempenho".Dias da Silva garante que continua a ser esta a posição da FNE e que as acusações feitas dão conta de informações que "não correspondem às orientações estabelecidas". "Todos os mecanismos de protesto legítimos contra esta avaliação injusta têm o nosso apoio", insistiu.A pedido dos sindicatos, a estrutura da carreira docente e o modelo de avaliação estão a ser objecto de novas negociações com o ME. No final de Janeiro, o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, começou a referir a "abertura" demonstrada pela FNE por contraponto à "intransigência" da outra grande associação do sector, a Federação Nacional de Professores (Fenprof).As declarações de Pedreira tiveram origem na disponibilidade da FNE em aceitar uma "avaliação extraordinária" na passagem do 6.º para o 7.º escalão e valeram à FNE um coro de acusações, sobretudos nos blogues de professores. Ontem, Dias da Silva reafirmou que a federação não desiste de "exigir o fim da divisão da carreira docente em duas categorias e a existência de vagas de acesso aos escalões mais elevados". Já sobre a presença na Plataforma Sindical indicou: "Havendo circunstâncias que façam com que as organizações tenham que se juntar, não pomos em causa". A próxima acção de rua, um cordão humano a realizar em Lisboa no próximo dia 7, foi só convocado pela Fenprof, que hoje entregará em tribunal a primeira de três providências cautelares contra a avaliação.
O secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, João Dias da Silva, rejeitou ontem, ao PÚBLICO, as críticas de três movimentos independentes de professores, que acusam a FNE de estar a promover a entrega, pelos docentes, dos objectivos individuais, apresentada pelo Ministério da Educação (ME) como a primeira etapa da avaliação de desempenho.Em comunicado, a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), o Movimento Escola Pública (MEP) e o Promova dão conta de que, nos últimos dias, "diversos professores que contactaram os serviços da FNE, colocando questões sobre a não entrega dos objectivos individuais, obtiveram como resposta um discurso intimidatório e desmobilizador". Aqueles movimentos lembram que a FNE subscreveu, em conjunto com todos os sindicatos que integram a Plataforma Sindical de Professores, "um apelo para que os professores se recusassem a entregar os objectivos individuais como forma de lutar pela suspensão integral do modelo de avaliação de desempenho".Dias da Silva garante que continua a ser esta a posição da FNE e que as acusações feitas dão conta de informações que "não correspondem às orientações estabelecidas". "Todos os mecanismos de protesto legítimos contra esta avaliação injusta têm o nosso apoio", insistiu.A pedido dos sindicatos, a estrutura da carreira docente e o modelo de avaliação estão a ser objecto de novas negociações com o ME. No final de Janeiro, o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, começou a referir a "abertura" demonstrada pela FNE por contraponto à "intransigência" da outra grande associação do sector, a Federação Nacional de Professores (Fenprof).As declarações de Pedreira tiveram origem na disponibilidade da FNE em aceitar uma "avaliação extraordinária" na passagem do 6.º para o 7.º escalão e valeram à FNE um coro de acusações, sobretudos nos blogues de professores. Ontem, Dias da Silva reafirmou que a federação não desiste de "exigir o fim da divisão da carreira docente em duas categorias e a existência de vagas de acesso aos escalões mais elevados". Já sobre a presença na Plataforma Sindical indicou: "Havendo circunstâncias que façam com que as organizações tenham que se juntar, não pomos em causa". A próxima acção de rua, um cordão humano a realizar em Lisboa no próximo dia 7, foi só convocado pela Fenprof, que hoje entregará em tribunal a primeira de três providências cautelares contra a avaliação.
A dominação das classes dominantes sobre as classes dominadas
A estupidez e a ignorância matam?
ESCLARECIMENTO PÚBLICO
A PSP, na sequência das inúmeras queixas feitas para a PSP de Braga, que denunciavam a existência de uma alegada obra pornográfica, procedeu à apreensão cautelar de vários exemplares do livro na Feira do Livro em Saldo e Últimas Edições, em Braga (dirigida a todas as faixas etárias, desde crianças até adultos). O auto desta ocorrência foi remetido ao Ministério Público.
Tendo-se verificado que o livro reproduz uma obra de arte de "Gustav Courbet" e não havendo fundamento para a respectiva apreensão, foi determinado o envio de uma comunicação, ao Ministério Público, para considerar sem efeito o respectivo auto, a fim de se poder proceder à devolução dos exemplares apreendidos.
Lisboa, 24 de Fevereiro de 2009
A PSP, na sequência das inúmeras queixas feitas para a PSP de Braga, que denunciavam a existência de uma alegada obra pornográfica, procedeu à apreensão cautelar de vários exemplares do livro na Feira do Livro em Saldo e Últimas Edições, em Braga (dirigida a todas as faixas etárias, desde crianças até adultos). O auto desta ocorrência foi remetido ao Ministério Público.
Tendo-se verificado que o livro reproduz uma obra de arte de "Gustav Courbet" e não havendo fundamento para a respectiva apreensão, foi determinado o envio de uma comunicação, ao Ministério Público, para considerar sem efeito o respectivo auto, a fim de se poder proceder à devolução dos exemplares apreendidos.
Lisboa, 24 de Fevereiro de 2009
PSP de Braga apreende livros com reprodução de um célebre quadro de Courbet, pintor anarquista do século XIX, ou como o ridículo mata a autoridade!
Quadro de pintor anarquista do século XIX ainda choca os polícias da PSP do século XXI …!!!!
Ou, melhor dito,
Como polícias da PSP do «século XIX» ficam chocados com quadros do pintor anarquista do século XXI…
A «democrática» PSP e alguns dos seus agentes fizeram mais uma das suas!
Os factos merecem ficar nos anais da história para constituírem uma viva ilustração de como a polícia também atenta contra as liberdades fundamentais dos cidadãos.
Esquecendo, ou ignorando, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, agentes da PSP de Braga apreenderam alguns exemplares de um livro cuja capa reproduzia o célebre quadro «A Origem do Mundo» do pintor anarquista do século XIX Gustave Courbet, e que retrata o sexo feminino. O quadro, pintado em 1866, está exposto no Museu d’Orsay, mas foi considerado por aqueles agentes da PSP como contendo imagem pornográfica, pelo que decidiram elaborar um auto de apreensão dos exemplares expostos daqueles livros.
Recorde-se que Courbet, era um pintor anarquista, socialista convicto, eleito pelos revoltosos da Comuna de Paris, pertencente à escola realista, que com o quadro intitulado «A Origem do Mundo» que representava frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher abalou profundamente o meio artístico, tendo a sua exposição pública sido proibida na época.
Há poucos dias atrás também uma magistrada do Ministério Público de Torres Vedras mostrara os seus tiques censórios ao proibir imagens de mulheres nuas numa consola do famoso computador Magalhães que os organizadores do Carnaval daquela localidade pretendiam exibir durante o corso carnavalesco. E a sua vontade seria aplicada se não fora o imediato recurso apresentado pelo presidente da autarquia local a denunciar o acto censório e ilegal praticado por aquela magistrada.
Estes actos revelam uma perigosa mentalidade de carácter censório, quer por parte de agentes da PSP quer da magistrada do Ministério Público, mais preocupados em julgar a moralidade dos cidadãos, do que em defender os direitos e as liberdade fundamentais
http://www.gustave-courbet.fr/index.php
http://www.musee-courbet.com/
"Tenho 50 anos e sempre vivi em liberdade; deixem-me terminar a minha vida livre; quando morrer, deixem que se diga de mim: 'Ele não pertencia a qualquer escola, a qualquer igreja, a qualquer instituição, a qualquer academia e muito menos a qualquer regime que não fosse o regime da liberdade.'"
Gustave Courbet

Imagem retirada do excelente blogue Protesto Gráfico:
http://protestografico.wordpress.com/
http://pimentanegra.blogspot.com/
Ou, melhor dito,
Como polícias da PSP do «século XIX» ficam chocados com quadros do pintor anarquista do século XXI…
A «democrática» PSP e alguns dos seus agentes fizeram mais uma das suas!
Os factos merecem ficar nos anais da história para constituírem uma viva ilustração de como a polícia também atenta contra as liberdades fundamentais dos cidadãos.
Esquecendo, ou ignorando, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, agentes da PSP de Braga apreenderam alguns exemplares de um livro cuja capa reproduzia o célebre quadro «A Origem do Mundo» do pintor anarquista do século XIX Gustave Courbet, e que retrata o sexo feminino. O quadro, pintado em 1866, está exposto no Museu d’Orsay, mas foi considerado por aqueles agentes da PSP como contendo imagem pornográfica, pelo que decidiram elaborar um auto de apreensão dos exemplares expostos daqueles livros.
Recorde-se que Courbet, era um pintor anarquista, socialista convicto, eleito pelos revoltosos da Comuna de Paris, pertencente à escola realista, que com o quadro intitulado «A Origem do Mundo» que representava frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher abalou profundamente o meio artístico, tendo a sua exposição pública sido proibida na época.
Há poucos dias atrás também uma magistrada do Ministério Público de Torres Vedras mostrara os seus tiques censórios ao proibir imagens de mulheres nuas numa consola do famoso computador Magalhães que os organizadores do Carnaval daquela localidade pretendiam exibir durante o corso carnavalesco. E a sua vontade seria aplicada se não fora o imediato recurso apresentado pelo presidente da autarquia local a denunciar o acto censório e ilegal praticado por aquela magistrada.
Estes actos revelam uma perigosa mentalidade de carácter censório, quer por parte de agentes da PSP quer da magistrada do Ministério Público, mais preocupados em julgar a moralidade dos cidadãos, do que em defender os direitos e as liberdade fundamentais
http://www.gustave-courbet.fr/index.php
http://www.musee-courbet.com/
"Tenho 50 anos e sempre vivi em liberdade; deixem-me terminar a minha vida livre; quando morrer, deixem que se diga de mim: 'Ele não pertencia a qualquer escola, a qualquer igreja, a qualquer instituição, a qualquer academia e muito menos a qualquer regime que não fosse o regime da liberdade.'"
Gustave Courbet

Imagem retirada do excelente blogue Protesto Gráfico:
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terça-feira, fevereiro 24, 2009
ATÉ PARA SER ANIMAL É PRECISO TER SORTE
A minha Gaja trata os meus Gatos abaixo de Cão.
http://souburro.blogspot.com/
http://souburro.blogspot.com/
caro francisco,
vou relatar-lhe um episódio caricato desta avaliação....
Sete dos meus colegas de departamento solicitaram aulas assistidas.
Como o coordenador é o único titular, e só pode avaliar quatro destes sete, será necessário nomear um professor da mesma área disciplinar para avaliar os restantes três. A responsabilidade desta nomeação é do coordenador de departamento
Acontece que, o professor mais graduado e com maior probabilidade de desempenhar estas funções , encontra-se incompatibilizado com o tal coordenador porque , desde sempre se manifestou frontalmente contra este processo de avaliação e que , devido a esse facto foi , por parte do coordenador, difamado na tentativa de o condicionar na sua acção de contestação.
Esse tal professor mais graduado, em coerência com as suas posições, não requereu a avaliação nas componentes científico-pedagógicas ( aulas assistidas) , sendo a sua classificação máxima possvel de Bom.
Ora, referido coordenador de departamento, irá previsivelmente nomear o tal professor com as funções de avaliador, como forma retaliatória. (veja bem!!!)
Os colegas avaliados irão requerer ( como é lógico) uma classificação superior a Bom.
Como é possível um avaliador que no máximo, terá a classificação de Bom avaliar colegas que vão querer Muito Bom ou excelente ??
Como é que é possível um avaliador aplicar um sistema de avaliação , com o qual discorda frontalmente ?
Como é possível nomear-se um avaliador que sempre e publicamente manifestou a sua oposição sobre o processo de avaliação.
Como é possível um coordenador nomear como seu colaborador no processo de avaliação, alguém que com ele tem uma visível e pública inimizade pessoal e falta de confiança profissional?
Pois é , colega Francisco.....
A avaliação tem disto!!!
um abraço
(recebido por mail)
Sete dos meus colegas de departamento solicitaram aulas assistidas.
Como o coordenador é o único titular, e só pode avaliar quatro destes sete, será necessário nomear um professor da mesma área disciplinar para avaliar os restantes três. A responsabilidade desta nomeação é do coordenador de departamento
Acontece que, o professor mais graduado e com maior probabilidade de desempenhar estas funções , encontra-se incompatibilizado com o tal coordenador porque , desde sempre se manifestou frontalmente contra este processo de avaliação e que , devido a esse facto foi , por parte do coordenador, difamado na tentativa de o condicionar na sua acção de contestação.
Esse tal professor mais graduado, em coerência com as suas posições, não requereu a avaliação nas componentes científico-pedagógicas ( aulas assistidas) , sendo a sua classificação máxima possvel de Bom.
Ora, referido coordenador de departamento, irá previsivelmente nomear o tal professor com as funções de avaliador, como forma retaliatória. (veja bem!!!)
Os colegas avaliados irão requerer ( como é lógico) uma classificação superior a Bom.
Como é possível um avaliador que no máximo, terá a classificação de Bom avaliar colegas que vão querer Muito Bom ou excelente ??
Como é que é possível um avaliador aplicar um sistema de avaliação , com o qual discorda frontalmente ?
Como é possível nomear-se um avaliador que sempre e publicamente manifestou a sua oposição sobre o processo de avaliação.
Como é possível um coordenador nomear como seu colaborador no processo de avaliação, alguém que com ele tem uma visível e pública inimizade pessoal e falta de confiança profissional?
Pois é , colega Francisco.....
A avaliação tem disto!!!
um abraço
(recebido por mail)
EUA Fraude
A denúncia veio no The New York Times no final da semana passada: uma fraude sem precedentes na história dos EUA (e do mundo, já agora) fez desaparecer a astronómica verba de 125 mil milhões de dólares previstos para a reconstrução do Iraque, dos quais ninguém sabe hoje prestar contas e de que restam, no terreno, dois esquálidos resultados: uma embaixada dos EUA em Bagdad (a maior do mundo, instalada num complexo equivalente a 80 campos de futebol) e um conjunto de palmeiras e flores plantadas junto às estradas do Iraque e nos separadores das principais avenidas da capital.
A denúncia assenta num relatório do inspector-geral especial dos EUA para a Reconstrução do Iraque e, significativamente, só de raspão passou pela generalidade dos órgãos de informação portugueses, aqui nada apoquentados com fraude tão desmedida.
Acontece que a “Reconstrução do Iraque” foi totalmente entregue ao Pentágono e inteiramente dirigida pelos militares no terreno, pelo que esta gigantesca rede de corrupção envolve directamente as Forças Armadas norte-americanas, implica-as desde as mais altas patentes e hierarquia e alastra por uma miríade de empresários e empresas da famosa “livre iniciativa” norte-americana, todos a locupletar-se, já não com os famosos contratos milionários da “reconstrução” – aqui e ali denunciados ao longo dos anos, sobretudo por rivais preteridos e despeitados –, mas pura e simplesmente com o saque quadrilheiro de um monumental bolo de 125 mil milhões de dólares.
Perante isto, a colossal fraude dos 50 mil milhões do especulador Madoff ainda se arrisca a tornar-se “modesta” na ecléctica Justiça norte-americana, evoluindo para “atenuante” em benefício do seu responsável…
É claro que já estão uns coronéis indiciados ou inquiridos pela Justiça, mas nada mais que isso e, sobretudo, ninguém acima disso: até agora (e como de costume) não há um único general envolvido no inquérito, embora seja impossível que uma operação desta envergadura pudesse ocorrer no interior de um exército de ocupação, e em guerra, com desconhecimento dos mais altos níveis da cadeia de comando.
Para que o carácter sinistramente criminoso de tudo isto ficasse sinalizado, referiu-se entretanto que, já em 2004, o empreiteiro e negociante de armas norte-americano Dale C. Stofel foi morto a tiro numa estrada de Bagdad após ter contado a investigadores, sob promessa de imunidade, como responsáveis dos EUA geriam os seus esquemas de corrupção na capital iraquiana.
E não se fala de uns responsáveis quaisquer: várias fontes referem a empresa de construção Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, de ser uma das envolvidas no esquema de corrupção e fraude, enquanto em 2008 se ouvia a secretária de Estado Condoleezza Rice garantir, com inaudito descaramento, que «nenhum dinheiro americano se perdeu no Iraque em esquemas de corrupção».
Claro que não se perdeu. Aliás, foi todo “ganho”, numa admirável “vaquinha” entre a administração Bush, a elite militar que comandou a ocupação do Iraque e a vasta nata empresarial ianque especializada a cobrar sem produzir.
No cinema, a estas coisas chamam-lhe Máfia. Nos jornais, e na manipulação que por aí temos, constituem “originalidades da grande democracia americana”.
http://infoalternativa.org/spip.php?article594
A denúncia assenta num relatório do inspector-geral especial dos EUA para a Reconstrução do Iraque e, significativamente, só de raspão passou pela generalidade dos órgãos de informação portugueses, aqui nada apoquentados com fraude tão desmedida.
Acontece que a “Reconstrução do Iraque” foi totalmente entregue ao Pentágono e inteiramente dirigida pelos militares no terreno, pelo que esta gigantesca rede de corrupção envolve directamente as Forças Armadas norte-americanas, implica-as desde as mais altas patentes e hierarquia e alastra por uma miríade de empresários e empresas da famosa “livre iniciativa” norte-americana, todos a locupletar-se, já não com os famosos contratos milionários da “reconstrução” – aqui e ali denunciados ao longo dos anos, sobretudo por rivais preteridos e despeitados –, mas pura e simplesmente com o saque quadrilheiro de um monumental bolo de 125 mil milhões de dólares.
Perante isto, a colossal fraude dos 50 mil milhões do especulador Madoff ainda se arrisca a tornar-se “modesta” na ecléctica Justiça norte-americana, evoluindo para “atenuante” em benefício do seu responsável…
É claro que já estão uns coronéis indiciados ou inquiridos pela Justiça, mas nada mais que isso e, sobretudo, ninguém acima disso: até agora (e como de costume) não há um único general envolvido no inquérito, embora seja impossível que uma operação desta envergadura pudesse ocorrer no interior de um exército de ocupação, e em guerra, com desconhecimento dos mais altos níveis da cadeia de comando.
Para que o carácter sinistramente criminoso de tudo isto ficasse sinalizado, referiu-se entretanto que, já em 2004, o empreiteiro e negociante de armas norte-americano Dale C. Stofel foi morto a tiro numa estrada de Bagdad após ter contado a investigadores, sob promessa de imunidade, como responsáveis dos EUA geriam os seus esquemas de corrupção na capital iraquiana.
E não se fala de uns responsáveis quaisquer: várias fontes referem a empresa de construção Halliburton, ligada ao então vice-presidente Dick Cheney, de ser uma das envolvidas no esquema de corrupção e fraude, enquanto em 2008 se ouvia a secretária de Estado Condoleezza Rice garantir, com inaudito descaramento, que «nenhum dinheiro americano se perdeu no Iraque em esquemas de corrupção».
Claro que não se perdeu. Aliás, foi todo “ganho”, numa admirável “vaquinha” entre a administração Bush, a elite militar que comandou a ocupação do Iraque e a vasta nata empresarial ianque especializada a cobrar sem produzir.
No cinema, a estas coisas chamam-lhe Máfia. Nos jornais, e na manipulação que por aí temos, constituem “originalidades da grande democracia americana”.
http://infoalternativa.org/spip.php?article594
QUE POLÍTICA PARA O PROBLEMA Nº1 DA EDUCAÇÃO NO PAÍS?
Os nossos filhos não são nada burros; são inteligentes e aprendem uns com os outros a manipular quem os ouve, quase sempre de forma inconsciente, através de falácias, aliás estudadas em Filosofia do 11º ano, para se desculpabilizarem perante os pais ou por causa do fracasso, ou do insucesso, ou da punição, a fim de não perderem a protecção que estes lhes oferecem. Assim:
«Se ou quando um aluno perturba a aula e é repreendido e não aceita a repreensão, então pode recorrer a alguns dos seguintes argumentos falaciosos» (argumentos falaciosos são argumentos falsos mas enganadores: visam convencer erradamente os ouvintes – pai, mãe e colegas ou amigos – de que não tem culpa nem responsabilidade pelo sucedido):
A: “Se me porto mal, então o(a) professor(a) repreende-me; se me repreende, então pega comigo; se pega comigo, então não gosta de mim. Logo, se me porto mal, não tenho culpa: o professor é que pega comigo e não gosta de mim.”
Falácia da derrapagem: Não há relação entre repreender e pegar ou não gostar de… Se assim fosse, nenhuma mãe gostaria do seu filho!
B: “O(a) professor(a) repreende-me, mas não tenho culpa. O(a) professor(a) é que é injusto(a), exagerado(a), intolerante(a), demasiado severo(a), humilhante e cínico(a): até se ri na minha cara!”
Falácia ad hominem ou argumento contra a pessoa: em vez de discutir o assunto, ataca-se a pessoa…
C: “O(a) professor(a) repreende-me, mas é injusto(a) porque não sou só eu que penso isso: todos os outros pensam o mesmo! Ninguém gosta do(a) professor(a)!”
Falácia demagógica – é do tipo: “fujo aos impostos porque todos fazem o mesmo” ou “falo nas aulas porque todos falam”, etc. O sujeito nunca é o responsável: são os outros!
D: “O(a) professor(a) repreende-me, mas é muito injusto(a). Vou participar de si ao Conselho Executivo e à Ministra! E, se não resultar, os meus pais arranjarão maneira de lhe dar uma coça!” Falácia ad baculum ou argumento à força.
E: “O(a) professor(a) só me vê a mim; eu não estava a fazer nada; o professor persegue-me: coitado de mim que não fiz mal nenhum! – Falácia ad misericordiam ou falácia da misericórdia: procura-se explorar o sentimento de pena a quem ouve.Erros educativos, que poderão ter consequências muito graves, quando se dá crédito a estas falácias, protegendo, sem razão, o aluno:
1º Desautorização do(s) professor(es). O(a) professor(a) perde a sua autoridade…
2º Continuidade do comportamento perturbador: por mais repreensões que se façam, não surtem qualquer efeito (a experiência confirma-me isso!) porque o(a) aluno(a) sabe que não lhe acontece nada, pois julga que terá sempre a protecção dos Pais.
3º O(a) aluno(a) nunca assumirá a responsabilidade dos seus próprios actos: julga que poderá fazer tudo o que lhe apetecer pois nunca será responsabilizado por nada.
4º Os pais que assim procedem, protegendo sem razão o filho ou a filha, estão a criar um irresponsável até que…
5º Mais dia, menos dia, o filho ou filha fará algo de muito grave (em família, no trabalho, no casamento, na sociedade, na estrada) que irá surpreender os pais e fazê-los sofrer imenso porque terão que suportar uma enorme e dolorosa decepção e já nada poderão fazer: o mal está feito e pode ser demasiado tarde.A título de exemplo, refiro que na noite de Natal dois jovens (entre 24 e 30 anos) em despique com os seus carros a alta velocidade se mataram na estrada nº 106, Penafiel – Entre-os-rios, em Oldrões, junto à escola de condução Pais Neto (pode-se ainda ver o buraco na parede feito pelos carros), onde o limite de velocidade é 50 Kms/h!
As famílias (vizinhas) de um e outro tomaram-se de razões porque cada uma atribuía a culpa ao outro jovem…. Mesmo morto, ninguém assumiu a responsabilidade; esta é sempre do outro! Continuou a lógica super-proteccionista!Infelizmente, a indisciplina é já um problema comum que todos conhecem mas que ninguém vê ou quer ver. Muitas vezes, ela resulta de uma “educação” super-proteccionista. Se considerarmos ainda que 1/3 dos alunos já são filhos únicos e que, nestes casos, – nem sempre: tudo depende da formação dos pais – as situações de super-proteccionismo tendem a agravar-se, então poderíamos considerar que a indisciplina torna-se o problema central da educação em Portugal, a par de outros, como as instalações obsoletas e falta de equipamentos modernos nas escolas que contribuem também para a desmotivação e, portanto, para a indisciplina.
A indisciplina é um fenómeno que se agrava ano após ano, porque tem havido erros educativos que consistem em facultar aos filhos sempre situações de prazer, nunca submetendo-os a uma negação ou privação ou a situações que exijam esforço e algum sacrifício. Os pais pensam erroneamente que têm que se sacrificar ao máximo de modo a que aos filhos não lhes falte nada sem que eles partilhem do sofrimento e das dificuldades da família. E eles tornam-se cada vez mais exigentes, mais ditadores, e os pais cada vez mais se escravizam para os servir!
O problema é que a vida traz-nos situações, muitos espinhos, que nos pregam frustrações e, se o jovem nunca experimentou, na sua formação, a frustração e negações, ele não estará preparado para reagir adequadamente: entrará em desespero, poderá tornar-se violento e agressivo ou terá tendências suicidas, ou entrará em depressão com todas as consequências que daí advêm. Veremos isso brevemente com a crise que começará a afectar o conforto consumista em que muitos dos nossos jovens já mergulharam: como irão eles reagir quando os pais lhes recusarem o telemóvel de última geração ou dinheiro para o DVD porque já não têm, simplesmente, dinheiro para sobreviver?!
Perante o fenómeno dos filhos únicos que crescem em número, ano após ano, e que dificilmente aceitam um “não” na escola; perante a “educação” super-proteccionista sem privações de consumismo e sem negações; perante a indisciplina gritante que daí tem resultado, o que nos tem dito o Ministério da Educação dos governos do PSD ou do PS? Nada. Mais eduquês: “a responsabilidade é dos professores”; são eles que têm que resolver todos os erros sociais e educacionais resultantes do sucessivo acumular de erros políticos na condução da educação e da política no nosso país!
Agora, todos já podem perceber por que razão a reforma educativa, centrada apenas no professor, levada a cabo por este governo, só pode estar votada ao fracasso.
Zeferino Lopes, Professor de Filosofia na Escola Secundária de Penafiel, em 10 de Fevereiro de 2009.
«Se ou quando um aluno perturba a aula e é repreendido e não aceita a repreensão, então pode recorrer a alguns dos seguintes argumentos falaciosos» (argumentos falaciosos são argumentos falsos mas enganadores: visam convencer erradamente os ouvintes – pai, mãe e colegas ou amigos – de que não tem culpa nem responsabilidade pelo sucedido):
A: “Se me porto mal, então o(a) professor(a) repreende-me; se me repreende, então pega comigo; se pega comigo, então não gosta de mim. Logo, se me porto mal, não tenho culpa: o professor é que pega comigo e não gosta de mim.”
Falácia da derrapagem: Não há relação entre repreender e pegar ou não gostar de… Se assim fosse, nenhuma mãe gostaria do seu filho!
B: “O(a) professor(a) repreende-me, mas não tenho culpa. O(a) professor(a) é que é injusto(a), exagerado(a), intolerante(a), demasiado severo(a), humilhante e cínico(a): até se ri na minha cara!”
Falácia ad hominem ou argumento contra a pessoa: em vez de discutir o assunto, ataca-se a pessoa…
C: “O(a) professor(a) repreende-me, mas é injusto(a) porque não sou só eu que penso isso: todos os outros pensam o mesmo! Ninguém gosta do(a) professor(a)!”
Falácia demagógica – é do tipo: “fujo aos impostos porque todos fazem o mesmo” ou “falo nas aulas porque todos falam”, etc. O sujeito nunca é o responsável: são os outros!
D: “O(a) professor(a) repreende-me, mas é muito injusto(a). Vou participar de si ao Conselho Executivo e à Ministra! E, se não resultar, os meus pais arranjarão maneira de lhe dar uma coça!” Falácia ad baculum ou argumento à força.
E: “O(a) professor(a) só me vê a mim; eu não estava a fazer nada; o professor persegue-me: coitado de mim que não fiz mal nenhum! – Falácia ad misericordiam ou falácia da misericórdia: procura-se explorar o sentimento de pena a quem ouve.Erros educativos, que poderão ter consequências muito graves, quando se dá crédito a estas falácias, protegendo, sem razão, o aluno:
1º Desautorização do(s) professor(es). O(a) professor(a) perde a sua autoridade…
2º Continuidade do comportamento perturbador: por mais repreensões que se façam, não surtem qualquer efeito (a experiência confirma-me isso!) porque o(a) aluno(a) sabe que não lhe acontece nada, pois julga que terá sempre a protecção dos Pais.
3º O(a) aluno(a) nunca assumirá a responsabilidade dos seus próprios actos: julga que poderá fazer tudo o que lhe apetecer pois nunca será responsabilizado por nada.
4º Os pais que assim procedem, protegendo sem razão o filho ou a filha, estão a criar um irresponsável até que…
5º Mais dia, menos dia, o filho ou filha fará algo de muito grave (em família, no trabalho, no casamento, na sociedade, na estrada) que irá surpreender os pais e fazê-los sofrer imenso porque terão que suportar uma enorme e dolorosa decepção e já nada poderão fazer: o mal está feito e pode ser demasiado tarde.A título de exemplo, refiro que na noite de Natal dois jovens (entre 24 e 30 anos) em despique com os seus carros a alta velocidade se mataram na estrada nº 106, Penafiel – Entre-os-rios, em Oldrões, junto à escola de condução Pais Neto (pode-se ainda ver o buraco na parede feito pelos carros), onde o limite de velocidade é 50 Kms/h!
As famílias (vizinhas) de um e outro tomaram-se de razões porque cada uma atribuía a culpa ao outro jovem…. Mesmo morto, ninguém assumiu a responsabilidade; esta é sempre do outro! Continuou a lógica super-proteccionista!Infelizmente, a indisciplina é já um problema comum que todos conhecem mas que ninguém vê ou quer ver. Muitas vezes, ela resulta de uma “educação” super-proteccionista. Se considerarmos ainda que 1/3 dos alunos já são filhos únicos e que, nestes casos, – nem sempre: tudo depende da formação dos pais – as situações de super-proteccionismo tendem a agravar-se, então poderíamos considerar que a indisciplina torna-se o problema central da educação em Portugal, a par de outros, como as instalações obsoletas e falta de equipamentos modernos nas escolas que contribuem também para a desmotivação e, portanto, para a indisciplina.
A indisciplina é um fenómeno que se agrava ano após ano, porque tem havido erros educativos que consistem em facultar aos filhos sempre situações de prazer, nunca submetendo-os a uma negação ou privação ou a situações que exijam esforço e algum sacrifício. Os pais pensam erroneamente que têm que se sacrificar ao máximo de modo a que aos filhos não lhes falte nada sem que eles partilhem do sofrimento e das dificuldades da família. E eles tornam-se cada vez mais exigentes, mais ditadores, e os pais cada vez mais se escravizam para os servir!
O problema é que a vida traz-nos situações, muitos espinhos, que nos pregam frustrações e, se o jovem nunca experimentou, na sua formação, a frustração e negações, ele não estará preparado para reagir adequadamente: entrará em desespero, poderá tornar-se violento e agressivo ou terá tendências suicidas, ou entrará em depressão com todas as consequências que daí advêm. Veremos isso brevemente com a crise que começará a afectar o conforto consumista em que muitos dos nossos jovens já mergulharam: como irão eles reagir quando os pais lhes recusarem o telemóvel de última geração ou dinheiro para o DVD porque já não têm, simplesmente, dinheiro para sobreviver?!
Perante o fenómeno dos filhos únicos que crescem em número, ano após ano, e que dificilmente aceitam um “não” na escola; perante a “educação” super-proteccionista sem privações de consumismo e sem negações; perante a indisciplina gritante que daí tem resultado, o que nos tem dito o Ministério da Educação dos governos do PSD ou do PS? Nada. Mais eduquês: “a responsabilidade é dos professores”; são eles que têm que resolver todos os erros sociais e educacionais resultantes do sucessivo acumular de erros políticos na condução da educação e da política no nosso país!
Agora, todos já podem perceber por que razão a reforma educativa, centrada apenas no professor, levada a cabo por este governo, só pode estar votada ao fracasso.
Zeferino Lopes, Professor de Filosofia na Escola Secundária de Penafiel, em 10 de Fevereiro de 2009.
E depois ainda se chateia que o chamem de Pinóquio
José Sócrates em mais uma acção de propaganda - é raro o dia em que não há uma - veio dizer que Portugal era um dos poucos países da OCDE em que não havia aulas de substituição e que, por isso, este governo está de parabéns ao ter conseguido implementá-las. Pena foi que se tenha esquecido de dizer que ao contrário desses países, onde estas aulas são pagas, em Portugal os professores as leccionam de borla. Uma pequena nuance que por sinal faz toda a diferença.
http://ocantinhodaeducacao.blogspot.com/
http://ocantinhodaeducacao.blogspot.com/
Margarida e o princípio da contradição
Provavelmente, tenho andado há 30 anos enganada sobre o que é uma CONTRADIÇÃO.
Provavelmente, os meus mestres da Faculdade também me ensinaram mal o que era uma Contradição.
Provavelmente, também tenho andado a ensinar mal aos alunos de Filosofia o que é uma Contradição.
Enganados, todos!
Os meus Professores de Dialéctica, de Ética, de Filosofia do Conhecimento, de Lógica e de Cultura Clássica...
...todos uns ignorantes!
A Margarida Moreira deu-nos a todos, em menos de um farelo e de uma só penada, uma boa lição de coerência discursiva, usando, em poucas linhas, de uma argumentação que arrasa as páginas mais brilhantes do "Organon" e dos demais tratados de Lógica, Gramática, Retórica e Dialéctica!
A sua lógica é irrepreensível e a sua corência arrasadora!
Qual princípio da não-contradição, qual carapuça...o que é isso?
Aristóteles devia ser um atrasado mental e os Sofistas deviam ir ter aulas sobre falácias com esta ilustre mente, que brilha na constelação que é o nosso Sistema Educativo!
H. F.
«A directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, garantiu ontem à Lusa que nenhum professor de Paredes de Coura foi obrigado a participar no desfile de Carnaval. Sublinhou, no entanto, "que o cortejo teria forçosamente que sair à rua"."A DREN [Direcção Regional de Educação do Norte] nunca mandou alterar uma decisão do Conselho Pedagógico do agrupamento. Apenas determinou que o cortejo teria que ser feito, fosse com os professores, fosse com os pais, fosse com a comunidade, fosse com a própria DREN", frisou Margarida Moreira.»
Provavelmente, os meus mestres da Faculdade também me ensinaram mal o que era uma Contradição.
Provavelmente, também tenho andado a ensinar mal aos alunos de Filosofia o que é uma Contradição.
Enganados, todos!
Os meus Professores de Dialéctica, de Ética, de Filosofia do Conhecimento, de Lógica e de Cultura Clássica...
...todos uns ignorantes!
A Margarida Moreira deu-nos a todos, em menos de um farelo e de uma só penada, uma boa lição de coerência discursiva, usando, em poucas linhas, de uma argumentação que arrasa as páginas mais brilhantes do "Organon" e dos demais tratados de Lógica, Gramática, Retórica e Dialéctica!
A sua lógica é irrepreensível e a sua corência arrasadora!
Qual princípio da não-contradição, qual carapuça...o que é isso?
Aristóteles devia ser um atrasado mental e os Sofistas deviam ir ter aulas sobre falácias com esta ilustre mente, que brilha na constelação que é o nosso Sistema Educativo!
H. F.
«A directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, garantiu ontem à Lusa que nenhum professor de Paredes de Coura foi obrigado a participar no desfile de Carnaval. Sublinhou, no entanto, "que o cortejo teria forçosamente que sair à rua"."A DREN [Direcção Regional de Educação do Norte] nunca mandou alterar uma decisão do Conselho Pedagógico do agrupamento. Apenas determinou que o cortejo teria que ser feito, fosse com os professores, fosse com os pais, fosse com a comunidade, fosse com a própria DREN", frisou Margarida Moreira.»
Ainda o caso da censura à obra de Courbet
PSP explica que apreensão de livros foi feita como «medida cautelar»
O comando distrital da da PSP de Braga explicou que a apreensão de livros com a capa de uma mulher nua foi feita por uma «medida cautelar». Por seu lado, o ex-director da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Miguel Arruda, diz que não se pode considerar que haja pornografia neste caso.
O comando distrital da PSP de Braga esclareceu, esta terça-feira, que a apreensão de cinco exemplares de um livro cuja capa reproduzia um quadro de um pintor francês de 1866 com uma mulher nua exposto no Museu d'Orsay, em Paris, foi feito por uma «medida cautelar».
Ouvido pela TSF, o subintendente Henriques Almeida explicou que esta imagem foi considerada por alguns como «não apropriada para ser exposta» numa feira de livros que «estava a ser frequentada por crianças».
«Houve muitas reclamações e como medida cautelar, o livro foi de certa forma retirado do local onde se encontrava e agora será avaliado pelas instâncias subsequentes se constitui de facto a prática de algum acto ilícito», explicou.
Este subintendente frisou que foi tida em conta uma situação de «alguma agitação por parte das pessoas que se encontravam naquele espaço». «Na tentativa de diminuir e acabar com essa agitação foram retirados estes cinco exemplares», concluiu.
Também contactado pela TSF, o antigo director da Faculdade de Belas Artes de Lisboa considerou que não se justifica fazer esta apreensão e que está pode mesmo ser considerada como um «acto de censura».
«É uma menor capacidade de entendimento da problemática artística que advém de um problema de educação. É de facto pela educação que conseguimos ultrapassar situações como esta», adiantou Miguel Arruda.
Este professor, que frisou que este caso nada tem a ver com pornografia, considerou ainda que «superiormente isso será entendido e será objecto de uma correcção que pedagogicamente terá efeitos positivos».
Miguel Arruda lembrou que um pintor ao representar o corpo humano «fá-lo numa atitude sempre interpretativa» e que estão em causa valores sobre os quais «ele raciocina e que depois valoriza segundo um determinado critério», o que exclui a existência de pornografia.
Comentário: Estávamos em 1866 e Courbet era já um pintor conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade e moral burguesas, que não perdia ocasião de afrontar. Courbet era um socialista convicto, ligado ao pensamento de Proudhon do qual era amigo e conhecedor da obra. No entanto talvez isso não baste para justificar a obra que realizou nesse ano e que havia de o celebrizar mais do que todas as outras. Ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, A Origem do Mundo abalou profundamente não só o meio artístico da época assim como o meio político e o das mentalidades...Em portugal foi preciso esperar 143 anos para que um episódio semelhante acontecesse...
O comando distrital da da PSP de Braga explicou que a apreensão de livros com a capa de uma mulher nua foi feita por uma «medida cautelar». Por seu lado, o ex-director da Faculdade de Belas Artes de Lisboa, Miguel Arruda, diz que não se pode considerar que haja pornografia neste caso.
O comando distrital da PSP de Braga esclareceu, esta terça-feira, que a apreensão de cinco exemplares de um livro cuja capa reproduzia um quadro de um pintor francês de 1866 com uma mulher nua exposto no Museu d'Orsay, em Paris, foi feito por uma «medida cautelar».
Ouvido pela TSF, o subintendente Henriques Almeida explicou que esta imagem foi considerada por alguns como «não apropriada para ser exposta» numa feira de livros que «estava a ser frequentada por crianças».
«Houve muitas reclamações e como medida cautelar, o livro foi de certa forma retirado do local onde se encontrava e agora será avaliado pelas instâncias subsequentes se constitui de facto a prática de algum acto ilícito», explicou.
Este subintendente frisou que foi tida em conta uma situação de «alguma agitação por parte das pessoas que se encontravam naquele espaço». «Na tentativa de diminuir e acabar com essa agitação foram retirados estes cinco exemplares», concluiu.
Também contactado pela TSF, o antigo director da Faculdade de Belas Artes de Lisboa considerou que não se justifica fazer esta apreensão e que está pode mesmo ser considerada como um «acto de censura».
«É uma menor capacidade de entendimento da problemática artística que advém de um problema de educação. É de facto pela educação que conseguimos ultrapassar situações como esta», adiantou Miguel Arruda.
Este professor, que frisou que este caso nada tem a ver com pornografia, considerou ainda que «superiormente isso será entendido e será objecto de uma correcção que pedagogicamente terá efeitos positivos».
Miguel Arruda lembrou que um pintor ao representar o corpo humano «fá-lo numa atitude sempre interpretativa» e que estão em causa valores sobre os quais «ele raciocina e que depois valoriza segundo um determinado critério», o que exclui a existência de pornografia.
Comentário: Estávamos em 1866 e Courbet era já um pintor conhecido em França pela sua destreza técnica mas sobretudo pela sua atitude crítica e corrosiva em relação à sociedade e moral burguesas, que não perdia ocasião de afrontar. Courbet era um socialista convicto, ligado ao pensamento de Proudhon do qual era amigo e conhecedor da obra. No entanto talvez isso não baste para justificar a obra que realizou nesse ano e que havia de o celebrizar mais do que todas as outras. Ao representar frontalmente as coxas e o sexo de uma mulher, A Origem do Mundo abalou profundamente não só o meio artístico da época assim como o meio político e o das mentalidades...Em portugal foi preciso esperar 143 anos para que um episódio semelhante acontecesse...
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