sábado, maio 30, 2009

Rap da Rússia


Música para crianças é giro…

Consegues dizer a diferença entre um sapo e um cavalo?

Mulheres !!! Está perfeito!



Filósofo José Gil diz que o Ministério da Educação “virou todos contra todos”

PÚBLICO - No seu último livro apresenta o “homem avaliado” como sendo a “figura social do século XXI”. Trata-se de facto de uma alteração radical? Ser-se avaliado não é propriamente uma novidade destes tempos.
José Gil - Estamos a falar de uma situação generalizada na sociedade dita da modernização. Não é só em Portugal, é em toda a Europa. Não há duvida que não pode haver aprendizagem sem haver avaliação e que toda a aprendizagem, a mais arcaica que se conheça, a aprendizagem do discípulo que tinha um mestre na Renascença, na pintura, ou na Índia com um yogui que ensinava um discípulo. Em todas essas práticas há avaliação. Quer dizer a avaliação é inerente, necessária, à própria aprendizagem.

O que é que, se é que, se transformou nesta tal sociedade da modernização? O que é que se fez, modificou na ordem de relação entre aprendizagem e avaliação para que se possa falar agora de um homem avaliado para o século XXI? Tenho a impressão que há vários factores. Primeiro há um factor que acho fundamental. É que a avaliação arcaica era uma avaliação não quantitativa. Era uma avaliação mais qualitativa ou intensiva. Depois a avaliação tende a tornar-se funcional e se possível, quando possível, quantificada, desenvolvendo parâmetros.

E incluindo nesses parâmetros o próprio terreno de aprendizagem que não é quantificado. Há sempre na aprendizagem aquilo que se chamava antigamente na filosofia, e hoje também, a intuição. A intuição é fundamental porque se aprende à sua maneira. Não é um dado formal, universal, que se possa definir da mesma maneira para todos.

P - Não se pode comparar, quantificar?

JG - Não. O que se põe agora nos parâmetros e critérios de avaliação, que se multiplicaram, é uma espécie de factores analisados, decompostos, daquilo que era o terreno da intuição. Por exemplo, mede-se a criatividade. Ora a criatividade o que é? O que é a produção do novo? Como é que se inventa? Quais são os processos de invenção?

Como sabemos, na ciência, a invenção está muitas vezes fora da escolaridade, do ensino, das regras. São as pessoas um bocado desviantes que fazem as maiores descobertas e depois tornam-se Nóbeis, etc. Isto tudo é abolido pelo controlo da avaliação. Quer dizer vai-se abolir a singularidade, a capacidade de inovação, porque se integra este terreno da intuição numa aferição da performance, do desempenho, que é quantificável.

Ameaça à criatividade

P - O que é que propicia essa mudança? É a globalização? O modo de produção?

JG - Acho que é absolutamente o modo de produção. O economicismo não é só português, é por toda a Europa. O que significa que os critérios de avaliação que vão transformar essa intuição, essas capacidades, esse acaso que há em nós, e que pode provocar cruzamentos que, de repente, fazem nascer qualquer coisa, vão ser formatados, vão ser avaliados. E como não se pode avaliar isso, as pessoas que vão ser submetidas a essa avaliação vão ser homogeneizadas, o que conduz à morte da singularidade. E isto é muito importante.

O que aconteceu foi, portanto, uma inversão a ordem de subordinação aprendizagem/conteúdos, por um lado, e, por outro lado, a avaliação .Quer dizer que a avaliação multiplicou os seus parâmetros e absorveu o terreno da aprendizagem, de tal maneira que passou a ser o critério que vai definir a aquisição de conhecimentos, os resultados da aprendizagem, etc. Antigamente era o contrário. A avaliação, por um lado, já estava integrada e subordinada à formação do indivíduo e à aquisição de conhecimentos e integrada num, terreno em que se mexia também toda uma série de factores de que nós não podemos ter, felizmente, o controlo. Que são os factores da criação.

P - As utopias políticas do século passado anunciaram um “homem novo”. A avaliação, como a descreve, aponta para um homem com uma postura de subordinação. Qual é o objectivo que está subjacente?

JG - A formação de uma subjectividade adequada às exigências da economia da globalização, da economia que vem aí, cujo eixo principal é o capitalismo, de que nós talvez ainda nem conhecemos as formas. Mas isso parece-me evidente. E o que é mais paradoxal é que nunca se falou tanto em criatividade, em inovação como agora, quando se estão a impor os meios de um controlo para que a inovação, criatividade, desapareçam.

P - Institui-se a avaliação como meio de controlo, como relação de poder?

JG - É uma questão de controlo e uma questão de poder. Isto não vai fazer desaparecer a inovação, não vai fazer desaparecer as grandes descobertas científicas. O que vai fazer é criar um hiato, uma separação cada vez maior. Vai haver uma elite hipercientífica, filosófica não sabe, hiperespecializada, e essa sim poderá inovar.

Para os outros estamos a multiplicar os parâmetros de avaliação, absorvendo essa margem de indeterminação num espaço de controlo cada vez maior. E com isso estamos a acabar precisamente com a experimentação interior, o erro possível, a liberdade interior que é possível e necessária à criação.

Há uma multiplicação extraordinária da extensão da avaliação. Hoje todos somos avaliados. Em tudo. Avalia-se as performances sexuais, as performances desportivas, psíquicas

P- Parentais

JG - Parentais, cognitivas. E tudo para um fim que é predeterminado, a produtividade. Estamos a querer cobrir toda a margem da actividade pelo conhecimento É por isso que se diz que é uma sociedade de conhecimento. Quer dizer não estamos, estamos a fazer como se devesse reduzir ao máximo, e imediatamente e rapidamente, o campo da ignorância. Ora o conhecimento vem da ignorância. É preciso que haja não conhecimento, que haja ignorância, que haja qualquer coisa que não está imediatamente lá. E isto porquê? Porque o conhecimento é relativo. Ora a julgar que estamos a esgotar todo o campo da actividade de criação, quando não é isso, é qualquer coisa que nós não sabemos o que é, e que talvez seja necessários que não saibamos para que haja criação.

Relação afectiva foi destruída

P- Pode-se dizer que o modelo de avaliação aprovado para os professores do ensino básico e secundário constitui uma exponencialização do fenómeno que descreveu?

JG – Absolutamente, porque, para empregar a sua palavra, houve uma exponencialização dos parâmetros. É incrível o número de parâmetros, das grelhas de avaliação, das propostas. Sem se saber como é possível. Em Portugal passou-se uma coisa muito má. Tudo aquilo, a avaliação que o Ministério propõe, com que não estou de acordo, pressupõe uma relação entre professor e aluno que foi destruída.

Quando se vai aferir numa grelha de avaliação a relação afectiva entre professor e aluno, porque somos muito espertos e sabe-se que a afectividade

tem uma importância enorme na cognição, na aprendizagem cognitiva. Mas a relação afectiva foi destruída.

P - Não estava já a sê-lo antes?

JG - Tem vindo a ser destruída, mas actualmente a sua destruição foi precipitada pró esta reforma. E pelo tratamento a que os professores foram submetidos. É preciso que o professor tenha uma autoridade espontânea. E idealmente não tenha que a exercer. A relação antiga do mestre e discípulo na Renascença, por exemplo, é essa. Não é uma relação de poder.

P - É uma relação de reconhecimento?

JG - Em que o discípulo vai aprendendo para chegar ao ponto em que ele vai estar no máximo das suas possibilidades. Não é uma comparação entre mestre e discípulo. Ele já não precisa do mestre e é o mestre a dizer-lhe: ‘Vai-te embora’. Isso já não existe agora, mas é um modelo de que nós precisamos, de certa maneira.

Nas crianças, na escola primária, a relação afectiva com a professora é fundamental para as aprendizagens Se se corta esse laço aquilo dá imediatamente impossibilidades. É um obstáculo.

Posso dizer, toda a gente pode dizer, que um dos efeitos da politica do Ministério da Educação foi virar todos contra todos. Virou-se os alunos contra os professores. Como é que é possível dar uma aula nas condições que me contam os meus alunos, que são hoje professores?

P- É uma característica que também já vem de trás, que não é apenas responsabilidade deste Ministério. É também da comunidade, das famílias?

JG – Sim, mas o que se fez foi precipitar uma tendência que deveria ter sido estancada. Denegriu-se ainda mais, com aspectos que nós conhecemos, que são denunciados, e que são verdadeiramente insuportáveis. Não é só a arrogância de que se fala, é o desprezo. Depois ser desprezado pelos alunos. O desprezo leva ao desprezo que os alunos podem ter e podem exprimir. Quem és tu? diz o aluno para o professor. Como é que quer que haja grelhas de aferição da aprendizagem ou que haja aprendizagem que funcione neste esquema?

P- Parece ser a vertente esquecida, quando é fundamental da escola, a aprendizagem

JG- A aferição, a avaliação, tem de dedorrer dos conteúdos e não o contrário. E isto foi feito com multiplicação amadorística, nada profissional, era quase para cobrir uma falta de pensamento sobre o que ensino, sobre o que é ensinar, sobre o que a formação. Não estou falar em velhas ideias humanista de formação. Sei que é preciso outras coisas novas. Mas disso tem que se falar. O que é que se ensina, como se ensina? Como desenvolver uma curiosidade que preexiste na criança? Hoje ninguém mostra curiosidade. Não há curiosidade. Porquê? Depois aparecem as arrogâncias da ignorância, que é o pior que há.

Você não existe

P– No seu entender, qual é o objectivo deste modelo de avaliação?

JG - Em Portugal havia uma espada de Damocles sobre o Ministério, todos os Ministérios, que é o dinheiro. Por outro lado, há um problema real de que os sindicatos não falam.

A nossa escola não estava boa. Muitos professores, ou pelo menos uma parte deles, não têm qualificações. Com a avaliação, alegadamente, matavam-se dois coelhos: reduziam-se as despesas, reduzindo o pessoal, e punha-se fora os que não eram bons.

Mas o que é que aconteceu?. Muitos dos que eram bons é que saíram. sairam. Porquê? Não aguentam. E o que é que eles não aguentam? Não aguentam não poder ensinar, não aguentam não poder ter uma relação em que precisamente se construa um grupo em que o professor age, em aprende ensinando, em que os alunos querem.

Tem que haver avaliação. Não pode é haver a inversão da subordinação da avaliação porque agora se estuda para se ser avaliado. Veja as Novas Oportunidades, para que é que serve?

P- Para fornecer um diploma?

JG- É o chico-espertismo que entrou na escola. Vamos não trabalhar para obter um diploma.

P- No seu livro alega que há como que um objectivo maior. Conjugando as políticas e omodo como o Ministério reagiu à contestação dos professores, está-se perante uma estratégia de domesticação?

JG- Isso parece-me evidente. É um projecto maior, que talvez não seja muito consciente na cabeça dos nossos dirigentes e, em particular, na do primeiro-ministro José Sócrates.

A ideia intuitiva, ele ainda tem intuições, é a de que o autoritarismo é um método económico. Resolvem-se mil coisas. Há essa ideia: funciona ser autoritário. Uma vez vendo que funciona, vamos estender. Os portugueses querem um certo autoritarismo, nós tomos, que estamos desnorteados, perdidos. O autoritarismo é um meio de governo. Não é traço qualquer. E como não há quase resposta a este autoritarismo, ele rebate-se, plasma-se, na realidade.

P- Mas existe contestação. Por exemplo, precisamente por parte dos professores ao longo de todo este ano.

JG - E qual foi a resposta do Governo? Foi uma resposta autoritária extraordinária que foi dizer: você não existe. Faz-se como se 120 mil manifestantes não existissem e isso vai paralisar, vai desmoralizar. A primeira fase é a perplexidade, depois vem o desânimo, depois vem a depressão. Certamente que muitos que pediram a reforma antecipada estavam na manifestação.

P - Ficámos com uma escola pior?

JG- Arriscamo-nos a isso. A escola já não era boa. A escola precisa de reformas, é necessário pensar uma avaliação, mas para pensar uma avaliação temos primeiro que pensar em conteúdos. A primeira das coisas a fazer é revalorizar os professores, agora. A relação geral dos alunos relativamente ao saber é de rejeição. A ideia do professor como alguém que abre as portas para o mundo acabou ou está em vias de acabar. Isto tem de ser restaurado.

Depois tem que se parar com a avaliação multiplicada a todo o instante. Estamos sempre a comparar-nos. O mal desta avaliação é que ela compara e a competitividade, a rivalidade, que existem numa escola, que são necessárias para a aprendizagem, torna-se inveja.

O chico-espertismo

P - A avaliação entre pares, defendida neste modelo, pode acentuar ainda mais esse risco?

JG- Por mais voltas que dê, não vejo como isso possa ser feito no clima actual. É muito mais propícia que toda uma série de rivalidades não saudáveis comecem a aparecer, para que novamente a esperteza arranje canais para que a avaliação seja deturpada, mascarada. Para mim. é envenenar ainda mais. A avaliação tem de ser feito por um terceiro. Alguém de fora, mas da mesma disciplina. Não pode haver professores de Educação Física a avaliar um professor de Português.

P- O chico-espertismo de que fala é uma característica dos portugueses, que encontrou agora um campo mais propício?

JG - Foi o Marcelo Rebelo de Sousa que disse que Sócrates era um meio chico-esperto. Quando há uma característica pessoal de um chefe e este tem a possibilidade de a tornar real, transformando mecanismos psíquicos em comportamentos, isso provoca patologias colectivas. Mas patologias não só das pessoas, como patologias do funcionamento dos serviços. E o que parece estar a constituir-se é um chico-espertismo, uma palavra horrível.

P – O que é espera do próximo ano lectivo?

JG – Nada. Eu estou desolado. Estou desolado com o que está a acontecer, porque esperava muito da educação.

P- Nesta legislatura?

JG- Sim, no princípio. Mas foi muito rápido ver que a coisa não ia bem. É uma oportunidade perdida. Quando ouço os economistas dizerem que Portugal pode ficar entalado, há qualquer coisa no meu ser português que vibra mesmo. Porque podíamos ser outros. Temos terrenos de afectividade em escolas que já não existem noutros lados. Considero muito grave a quebra do laço entre alunos e professores. É tudo mal feito. Há que inflectir, revalorizar os professores.

O que é que os professores hão-de dizer dos alunos?


“Em Forma De Despedida – Síntese Sobre A Vida E Obra De Edgar Rodrigues”



Antônio Francisco Correia, que utilizava o pseudônimo de Edgar Rodrigues, nasceu em Angeiras, ao norte da cidade de Matosinhos, distrito do Porto (Portugal), em 12 de março de 1921, filho de Manuel Francisco Correia e Albina da Silva Santos.
Seu pai era militante anarco-sindicalista e participava do “Sindicato das Quatro Artes”, filiado à Confederação Geral do Trabalho (C.G.T.) e à Associação Internacional dos Trabalhadores (A.I.T.), envolvendo vários ofícios da construção civil de Matosinhos. Seus primos, Armindo da Silva Sarilho e Manuel Sarilho, também pertenciam ao Sindicato.
No final de 1933, esse sindicato foi obrigado a fechar sua sede oficial por causa da repressão da ditadura militar comandada por Antônio Oliveira Salazar. Parte do seu acervo cultural foi guardado na casa da família de Manuel Francisco Correia, onde também passou a realizar-se reuniões noturnas de sua diretoria clandestinamente.
O garoto Antônio Francisco Correia, atrás da porta, escutava com muita curiosidade tudo o que era conversado naquelas reuniões.
Em 1936, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (P.V.D.E., depois P.I.D.E.), invadiu de madrugada a moradia de Manuel Francisco Correia e o prendeu.
Antônio Francisco Correia foi várias vezes visitar o seu pai no presídio da polícia política, durante as dez semanas em que ele esteve preso, sem nenhum processo ou julgamento. Quando Manuel Francisco Correia foi solto, foi punido mais uma vez ao ser despedido do seu emprego, o que fez a família passar por uma situação econômica muito difícil.
Dois anos depois, Correia (como era chamado pelos mais próximos) escreveu seu primeiro artigo para o diário “Primeiro de Janeiro” (Porto), mas não foi publicado por causa da censura. Nessa mesma época, já havia começado a escrever os rascunhos que formariam seu primeiro livro.
No dia 1º de maio de 1939, Antônio Francisco Correia e alguns amigos faltam ao serviço como forma de protesto (nessa época era proibido manifestar-se no 1º de maio) e reúnem-se para reafirmar as origens anarquistas dessa data, que é um marco universal.
No dia 1º de março de 1940, filia-se ao Grupo Dramático Flor da Mocidade (teatro amador), de Santa Cruz Bispo, município de Matosinhos, onde conhece Ondina dos Anjos da Costa Santos, que foi sua companheira por toda a vida. Também fez parte da diretoria do Grupo Dramático Alegres de Perafita, onde conheceu o histórico militante anarquista José Marques da Costa.
Em setembro de 1946, o anarquista Luis Joaquim Portela e mais cinco presos políticos fogem da Fortaleza de Peniche. Dois anos depois, Antônio Francisco Correia conhece pessoalmente Luis Portela na clandestinidade e ajuda o companheiro a obter documentação falsa, porém, devido uma delação Luis Joaquim Portela é preso novamente .
No dia 19 de julho de 1951, Antônio Francisco Correia conhece pessoalmente o notório escritor anticlerical Tomás da Fonseca e, no dia seguinte, para fugir da perseguição política da ditadura portuguesa, embarca para o Brasil.
Assim que chegou ao Rio de Janeiro, conheceu os companheiros: Roberto das Neves, Manuel Perez, Giacomo Bottino, Ida Bottino, Germinal Bottino, Pascoal Gravina, José Romero, Ondina Romero, Angelina Soares, Diamantino Augusto, José Oiticica, João Peres Bouças, Carolina Peres, Ideal Peres, Afonso Vieira e outros...
A pedido dos dois últimos, entregou um texto de sua autoria, sobre a ditadura em Portugal, que foi publicado no jornal anarquista Ação Direta e logo estava participando do grupo editor do mesmo. Em seguida, com a ajuda de companheiros como Enio Cardoso, Domingos Rojas e Benjamim Cano Ruiz (entre outros), passou a publicar também textos na imprensa libertária internacional e adotou o pseudônimo de Edgar Rodrigues .
Entre os dias 9 e 11 de fevereiro de 1953, participou de um encontro anarquista brasileiro, na residência de José Oiticica, onde conheceu outros militantes ácratas que atuavam em São Paulo: Edgard Leuenroth, Adelino Tavares de Pinho, Lucca Gabriel, Osvaldo Salgueiro e outros... Nesse período, também conheceu pessoalmente o escritor e jornalista espanhol Victor Garcia (Tomás-Germinal Gracia Ibars), o poeta e escritor romeno Eugen Relgis e o companheiro paraguaio Ceríaco Duarte.
Publicou seu primeiro livro “Na Inquisição do Salazar” em maio de 1957, pela Editora Germinal, de Roberto das Neves. Tornou-se membro da Sociedade Naturista Amigos de Nossa Chácara (S.N.A.N.C.) .
Em 7 de março de 1958, por iniciativa do Grupo Libertário Fábio Luz , foi fundado o Centro de Estudos Professor José Oiticica (C.E.P.J.O.), em homenagem ao recém-falecido José Oiticica (22-07-1882 – 30-06-1957), com o propósito de continuar a prolífera obra do valoroso companheiro. O grupo que assinou a ata de fundação do C.E.P.J.O. era composto por: Edgar Rodrigues, Afonso Alves Vieira, Ideal Peres, Esther de Oliveira Redes, Seraphim Porto, Manuel dos Santos Ramos, Francisco de Magalhães Viotti, Germinal Bottino, Fernando Gonçalves da Silva, Pedro Gonçalves dos Santos, Roberto Barreto Pedroso das Neves, Enio Cardoso e Raul Vital (Atayde da Silva Dias).
Entre as atividades do C.E.P.J.O., constavam conferências, cursos e leituras comentadas sobre arte, política, história, vegetarianismo, psicologia, teatro, cinema, literatura, geografia, sociologia e anarquismo. Os convites para as atividades eram feitos na imprensa diária. O Centro também promoveu, em conjunto com outros grupos, comícios do movimento estudantil e uma campanha pela libertação e asilo político do espanhol anarquista José Comin Pardillos.
Outra iniciativa do C.E.P.J.O. foi a criação da Editora Mundo Livre que publicou os seguintes livros anarquistas: “O Retrato da Ditadura Portuguesa” de Edgar Rodrigues (1962), “A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos” de José Oiticica (2ª Edição - 1963), “Anarquismo – Roteiro de Libertação Social” de Edgard Leuenroth (1963), “O Humanismo Libertário e a Ciência Moderna” de Pedro Kropotkine (1964) e “Erros e Contradições do Marxismo” de Varlan Tcherkesoff (1964).
O Centro de Estudos Professor José Oiticica teve uma atuação anarquista durante doze anos (cinco deles sob a repressão da ditadura militar brasileira, 1964-1985), até ser invadido, assaltado e fechado pelas forças armadas . As prisões começaram no dia 8, e continuaram nos dias 9, 10, 15 e 21 de outubro de 1969.
Entre os presos, acusados e denunciados estavam: Edgar Rodrigues, Pietro Michele Stefano Ferrua, Ideal Peres, Antonio Costa, Fernando Gonçalves da Silva, Manoel dos Santos Ramos, Paulo Fernandes da Silva, Roberto Barreto Pedroso das Neves, Eli Briareu de Oliveira, Mário Rogério Nogueira Pinto, Antonio Rui Nogueira Pinto, Maria Arminda Sol e Silva, Antonio da Silva Costa, Elisa da Silva Costa, Roberto da Silva Costa e Carlos Alberto da Silva. Foram impronunciados: Michelangelo Privitera e Esther de Oliveira Redes .
Militantes anarquistas anônimos (pela conjuntura política da época) de São Paulo e de outras partes do Brasil contribuíram financeiramente com os gastos judiciais, numa grande demonstração de solidariedade libertária. O processo durou até 30 de novembro de 1971.
No mesmo período em que foi vítima desse processo militar, Edgar Rodrigues iniciou, numa atitude pioneira, a publicação de livros resgatando a história do movimento anarquista no Brasil , e posteriormente, a história do movimento libertário português .
Edgar Rodrigues escreveu 62 livros (entre 1957-2007), publicados sobretudo no Brasil e em Portugal, mas também na Itália, Venezuela e Inglaterra (alguns na terceira edição).
Por volta de 1976, participou junto com a companheira Elvira Boni, do documentário “O Sonho Não Acabou” de Cláudio Khans, exibido algumas vezes na televisão e em eventos libertários.
Colaborou com o jornal anarquista O Inimigo do Rei enquanto ele existiu (1977-1988) e também escreveu mais de 1760 artigos na imprensa de 15 países, entre eles: Voluntad (Uruguai), Solidaridad Obrera (França), A Batalha (Portugal), El Libertario (Cuba), Tierra y Libertad (México/Espanha), El Sol (Costa Rica), C.N.T. (França), La Protesta (Argentina), Solidaridad Gastronómica (Cuba), L’Adunata Dei Refrattari (Estados Unidos), Ruta (Venezuela), Reconstruir (Argentina), Voz Anarquista (Portugal), El Libertario (Venezuela) e muitos outros.
Entre abril-maio de 1986, participou do congresso pela reorganização da Confederação Operária Brasileira (C.O.B.), na sede do Centro de Cultura Social de São Paulo, na rua Rubino de Oliveira, número 85, Brás.
Em 21 de agosto de 1986, foi um dos sócios-fundadores do arquivo Círculo Alfa de Estudos Históricos (C.A.E.H.) juntamente com: Nito Lemos Reis, Antonio Martinez, José Carlos Orsi Morel, Jaime Cubero, Francisco Cuberos, Felix Gil Herrera, Liberto Lemos Reis, Fernando Gonçalves da Silva e Ideal Peres .
Nesse arquivo deixou boa parte dos materiais de estudo (livros, jornais, fotos, cartas, atas, memórias manuscritas e demais documentos, muitos deles cópias únicas) que reuniu durante toda uma vida dedicada ao resgate da trajetória das atividades anarquistas no Brasil e no Mundo. Conseguiu todo esse acervo visitando velhos companheiros anarquistas, convencendo-os a escreverem suas memórias, entrevistando-os, tendo correspondência com eles, comprando e conseguindo doações desses materiais com militantes históricos do movimento (novamente numa iniciativa pioneira para seus contemporâneos), tais como: Joaquim Fernandes, Manuel Lopes, Luís Saturnino, Manuel Perez, Ideal Peres, José Marques da Costa, José Francisco dos Passos, João Perdigão Gutierrez, Manuel Marques Bastos, Pedro Catallo, João Navarro, Adriano Botelho, Elias Iltchenco, entre outros...
Não obstante, o sofrido esforço de Edgar Rodrigues para adquirir esses materiais e todos os riscos que enfrentou durante a ditadura militar para preservar esse documentos, os membros remanescentes do Círculo Alfa de Estudos Históricos, na pessoa de José Carlos Orsi Morel, trocou as fechaduras do imóvel do arquivo, localizado na rua Gonçalves Dias, número 220, no bairro do Brás (São Paulo), impedindo que Edgar Rodrigues tivesse acesso ao arquivo, para logo em seguida, numa manobra obscura, expulsá-lo da entidade sem direito à defesa, demonstrando uma atitude completamente antagônica com os princípios anarquistas e os conceitos básicos de justiça.
Em abril de 2002, Rute Coelho Zendron fez “Um Estudo Sobre Edgar Rodrigues” pela P.U.C., que virou um interessante vídeo documentário sobre a vida e obra de Edgar Rodrigues .
Edgar Rodrigues faleceu na noite de 15 de maio de 2009 (quinta-feira), na sua residência, no bairro do Méier (Rio de Janeiro), devido uma parada respiratória. Deixa esposa, filhos, netos, uma vasta obra anarquista para ser estudada e um grande exemplo a ser seguido.

Por Marcolino Jeremias

Legendas das Fotografias:

1- Edgar Rodrigues

2- Congresso Anarquista Em Nossa Chácara. Da Esquerda Para A Direita - Manuel Dos Santos Ramos, Germinal Bottino, Edgar Rodrigues e Ideal Peres.

NOTAS:

1. Ambos tinham trocado correspondência entre 1932-1937, enquanto Luis Joaquim Portela estava preso.
2. Em 10 de setembro de 1952.
3. “Fala Um Operário Português” foi o primeiro artigo publicado por Antônio Francisco Correia, o texto saiu no jornal Ação Direta (Rio de Janeiro), número 80, em maio/junho de 1952.
4. Antônio Francisco Correia também chegou a escrever usando pseudônimos como Varlin, Zola e outros...
5. A Sociedade Naturista Amigos de Nossa Chácara foi registrada em 9 de novembro de 1939, e o grupo que iniciou o trabalho de construção dela era composto por: Germinal Leuenroth, Nicola D’Albenzio, Virgilio Dall’Oca, Justino Salgueiro, Salvador Arrebola, Antônio Castro, João Rojo, Benedito Romano, José Oliva Castillo, Roque Branco, Antônio Valverde, Cecílio Dias Lopes e Lucca Gabriel. A Nossa Chácara/Nosso Sítio foi uma iniciativa essencial para a reorganização do movimento anarquista no Brasil, após o final da ditadura de Getúlio Vargas, e foi palco de importantes congressos e encontros libertários entre 1948 até o final dos anos sessenta.
6. O Grupo Libertário Fábio Luz (depois Grupo de Ação Libertária), formado por militantes como: Edgar Rodrigues, Seraphim Porto, Roberto Das Neves, Enio Cardoso e Afonso Vieira, existiu entre a morte de José Oiticica e a fundação do Centro de Estudos Professor José Oiticica. Com o passar do tempo após a fundação do Centro, o Grupo Libertário foi absorvido pelo C.E.P.J.O.
7. Os militares também invadiram moradias, escritórios profissionais, a Editora Germinal e roubaram centenas de pertences desses locais.
8. Edgar Rodrigues ajudou a esconder Esther de Oliveira Redes num sítio em Jacarepaguá, e através de troca de serviços “comprou” o impronunciamento dela e retirou vários documentos do processo que poderiam comprometer outros companheiros.
9. Entre os livros clássicos de Edgar Rodrigues que resgatam a história do movimento anarquista no Brasil, estão: Socialismo e Sindicalismo no Brasil (1675-1913) de 1969, Nacionalismo e Cultura Social (1913-1922) de 1972, Trabalho e Conflito (1900-1935) de 1977 e Novos Rumos – Pesquisa Social (1922-1946) de 1978.
10. Os principais livros de Edgar Rodrigues que refazem a trajetória dos anarquistas em Portugal são: O Despertar Operário Em Portugal (1834-1911) de 1980, Os Anarquistas e os Sindicatos Em Portugal (1911-1922) de 1981, A Resistência Anarco-Sindicalista à Ditadura (1922-1939) de 1981 e A Oposição Libertária em Portugal (1939-1974) de 1982.
11. Esther de Oliveira Redes não assinou a ata de fundação, mas esteve presente nas reuniões e contribuía para a manutenção do arquivo até comunicar seu desligamento do mesmo.

sexta-feira, maio 29, 2009

dormindo num nenúfar

baby baby

bébé fantasma no espelho...

make love not war

aaaaaaahhhh pois...

Joel, o homem dos patos

puzzle

convertível

Eh pá, tens que aprender a cortar uma árvore!!!

Posso por aí o meu triciclo???!!!

gaydices no futebol

O difícil trabalho dos jornalistas e repórteres de imagem

Pensamento para a campanha eleitoral

Antes do mais, quero pedir desculpas a todas as boas mulheres que estão empregadas na mais velha profissão do mundo. Recentemente descrevi Shimon Peres como um prostituto político. Um dos meus leitores do sexo feminino protestou vigorosamente. As prostitutas, assinalou, ganham o seu dinheiro honestamente. Elas entregam o que prometem.

O nosso presidente, por outro lado, só diz a verdade por acidente. É um impostor político e uma impostura política. A ele, também, aplicam-se as palavras de Winston Churchill sobre um antigo primeiro-ministro: «O honesto e honrado cavalheiro por vezes tropeça na verdade, mas sempre se apressa como se nada se tivesse passado». Ou as palavras do antigo ministro Amnon Rubinstein sobre Ariel Sharon: «Ele cora quando diz a verdade».
Uri Avnery

Todo o texto aqui

Flexi Insegurança

Política: uma via com dois sentidos

O discurso ANTES DA POSSE


O nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar os nossos ideais
Mostraremos que é uma grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo da nossa acção.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
as nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos os nossos propósitos mesmo que
os recursos económicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.


O discurso DEPOIS DA POSSE

Basta ler o mesmo texto acima, de baixo para cima. Genial, não é?
É nisto que devem pensar quando forem votar...se forem!...

Outdoors cá do Jardim - Laurinda Alves


Quem anda pela rua não consegue ir a lado nenhum sem lhe surgirem pela frente outdoors por todo o lado. Os partidos mais ricos não deixam escapar qualquer nesga de paisagem ou estrada para colocar mais um. Mesmo nesta floresta, outros há que também conseguem plantar os seus Outdoors. É o caso do MEP, um partido novo e que tem como cabeça de cartaz a Laurinda Alves (Aquela senhora que andou por aí a dizer horrores quando do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez). Para mim é uma personagem de que não gosto, sempre com aquele ar de santinha, mas que não esconde uma arrogância e um puritanismo obsessivo. Claro que há sempre aquela ideia de que se fosse eleita ia para o Parlamento Europeu e nós ficávamos livre dela por cá, mas por outro lado é a imagem de Portugal que ela transportaria para Bruxelas. Aqui fica a minha versão do seu outdoor.
http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

mais um novo sinal

Reforma por invalidez mais difícil

Em 2008, dos 4519 funcionários avaliados pela Junta Médica da Caixa Geral de Aposentações, apenas 2422 conseguiram reforma por invalidez. Foram recusados casos por cancro, osteoporose e doenças cardíacas. Chegou mesmo a ser recusado o caso de um funcionário a quem tinha sido declarado um grau de incapacidade de 85%. Com tais critérios de avaliação, muitos funcionários públicos, bem como outros trabalhadores, são levados a desistir de apresentar pedidos de reforma. Esta é uma das razões que têm obrigado numerosos funcionários públicos a recorrer às reformas antecipadas, sofrendo com isso penalizações de 4,5% ao ano.
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1583

A “justiça” aqui ao lado

Por recurso do governo espanhol, uma juíza decidiu que devem ser retirados os nomes de Otaegi e Txiki de uma praça do país basco. Txiki e Otaegi foram dois combatentes antifascistas fuzilados pela ditadura terrorista de Franco. A senhora juíza justifica a sua “mui douta” decisão, afirmando que “ eram dois terroristas culpados de pertencer a um grupo terrorista”. O nome de Franco, responsável por uma guerra civil e por quase 40 anos de ditadura, esse continua por ruas e praças de Espana sem que o governo se sinta incomodado. É mais uma sentença do aparelho judicial espanhol que ajuda bem a caracterizar e perceber a justiça praticada por um estado com papel de relevo na União Europeia.
http://www.jornalmudardevida.net/?p=1576

EUA: nacionalizar os bancos?

Os Estados Unidos parecem encaminhar-se para a nacionalização de boa parte do sistema bancário. Mas Obama prefere não ouvir falar do assunto, e parece que a sua equipa proibiu que se pronunciem as sílabas malditas: na-cio-na-li-za-ção.

Contudo, em matéria de bancos, é possível que esse seja o único caminho, porque até ao momento nada parece estar a funcionar. Ontem os mercados caíram devido ao temor de que nada do que Obama planeia fazer dará resultado: é provável que o seu pacote de estímulo fiscal (de 787 mil milhões de dólares) não seja suficiente para dar à economia estadunidense os electrochoques de que precisa.

O certo é que o crédito continua sem fluir: é claro que o primeiro pacote de resgate bancário não teve o resultado esperado. Era de prever pois a ajuda não trazia condições: os banqueiros podiam fazer o que quisessem com esses recursos. E como em plena crise as operações de crédito são arriscadas, não é surpreendente que os ditos banqueiros se tenham dedicado a tudo menos a emprestar.

Mas a explicação mais importante é que os estados financeiros dos bancos estão contaminados até à medula por activos tóxicos. O significado é portentoso: hoje os principais bancos estadunidenses estão na insolvência. Estimativas confiáveis indicam que as perdas do sector bancário alcançam 1,8 mil milhões de dólares. Se esses números forem correctos, a espinha dorsal do sistema bancário estadunidense está fracturada. Para restaurar este quadro clínico são requeridas quantidades astronómicas de capital devido à forte alavancagem financeira destas actividades.

No dia 9 de Fevereiro, o secretário do Tesouro apresentou o seu plano para resgatar os bancos e pôr novamente a economia em marcha. O ponto importante é que Geithner prossegue o mesmo caminho do seu predecessor Paulson ao propor um plano muito amigável para o sector bancário, com um pesado ónus para o fisco.

Geithner propôs a criação de entidades público-privadas encarregadas de promover a compra dos activos tóxicos (carteira vencida e seus derivados) em poder dos bancos para os tirar das folhas de balanço. Mas há vários problemas com este plano. À partida, não se sabe quem vai comprar esses activos, porque o plano também promete reduzir os pagamentos das hipotecas. Isto é, o valor de activos respaldados pela hipotecas de segunda categoria baixaria ainda mais.

Evidentemente, a raiz do problema é que o preço real desses activos tóxicos está pelas ruas da amargura. Vender a esse custo implicaria que muitos dos grandes bancos teriam capital social negativo e desapareceriam. Os bancos, evidentemente, não estão de acordo em vender estes activos a um preço de mercado tão corrigido. Mas comprá-los a preços nominais seria um presente desmedido aos bancos e um escândalo político. Geithner preferiu ficar onde Bush deixou as coisas. O mercado bolsista não se deixou impressionar e no dia seguinte caiu.

Mas o plano Geithner deixa de facto perceber que a nacionalização não é a prioridade de Obama. Esse poderia ser o seu erro histórico, pois actualmente parece que só uma nacionalização poderia desatar o nó górdio dos activos tóxicos, limpar a contabilidade desses estabelecimentos e retomar a actividade bancária convencional (tanto na captação como na concessão de empréstimos).

Obama poderia inclusive propor uma nacionalização temporária. Dentro de uns anos, quando já se tivesse um novo sistema regulador, os bancos seriam reprivatizados. E poder-se-ia recorrer a esquemas redistributivos muito interessantes para recolocar os bancos no sector privado. Um deles consistiria em distribuir o valor das acções destes bancos entre os contribuintes: afinal de contas, foi com o seu dinheiro que se pôde recapitalizar e sanear esses estabelecimentos.

Mas Obama opõe-se dizendo que o custo de uma nacionalização seria muito elevado. Isso é discutível. De facto, se vamos para custos, há que notar que de Setembro a Janeiro a Reserva Federal aumentou a sua folha de balanço em 1,2 mil milhões de dólares e agora nega-se a revelar os nomes das instituições beneficiárias. É claro que o custo do resgate já supera o autorizado pelo Congresso e a transparência é nula. Vários circuitos da economia estadunidense receberam uma forte injecção de liquidez nestes meses. Em algum momento, tudo isto vai reverter-se, com pressões inflacionárias difíceis de controlar. Obama poderá vir a lamentar não ter nacionalizado os bancos quando podia.

Por que tem um gosto tão amarga a pílula da nacionalização dos bancos nos Estados Unidos? Marx diria que nos Estados Unidos apenas imperou o modo de produção capitalista. Nem esclavagismo (a economia sulista não cai nesta categoria) nem feudalismo: só o mundo do capital. Isso leva a uma visão a-histórica do mundo. Só existe o capital, eterno e natural. Nacionalizar? Ui, não, que horror!
http://infoalternativa.org/spip.php?article913

Apresentação do livro “Minha Pátria é o Mundo Inteiro”, biografia sobre Neno Vasco


A obra de pesquisa histórica, «Minha Pátria é o Mundo Inteiro» de Alexandre Samis (Letra Livre, 2009) sobre o militante anarquista Neno Vasco (1878-1920), intelectual que actuou nos meios operários em Portugal e no Brasil com particular importância na imprensa sindicalista da época, será apresentada hoje, dia 29 de Maio, pelas 22h., na livraria Gato Vadio ( Rua do Rosário nº 281, Porto)


Da "geração coimbrã" à militância e implantação social do anarquismo,do anarco-sindicalismo e do sindicalismo revolucionário em Portugal e no Brasil, da República de 1910 ao reaccionarismo da mesma contra o movimento operário e contra os libertários, este livro é também o relato de todo um conjunto de lutas sociais de uma época em que as ideias anarquistas tinham calado fundo nos meios populares e operários.


Neno Vasco ou Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós e Vasconcelos (1878 – 1923) foi um poeta, advogado, jornalista e escritor, ardoroso militante anarco-sindicalista nascido em Portugal. Emigrou para o Brasil onde estabeleceu uma série de projectos com os anarquistas daquele país. É de sua autoria a tradução mais conhecida para língua portuguesa do hino A Internacional.

“Minha Pátria é o Mundo Inteiro. Neno Vasco, o Anarquismo e o Sindicalismo Revolucionário em Dois Mundos”, Alexandre Samis, Letra Livre, Lisboa, 2009 455pp

http://pimentanegra.blogspot.com/

PROFESSORES QUE FIZERAM A DIFERENÇA

"Tive muitos e bons professores, mas o meu melhor professor não foi, para grande pena minha, meu professor. Por isso limitei-me a conhecê-lo através dos livros. Falo de Rómulo de Carvalho, o professor de Física e Química que foi também o poeta António Gedeão. Estou certo de que os meus professores, a quem tanto devo, perdoarão que os homenageie a todos na pessoa de um professor singular."
http://dererummundi.blogspot.com

PARA SE CHEGAR A ALGUM LADO

Movimentos independentes de professores preferiam lutas "mais radicais"

Os movimentos independentes de professores que vão participar na manifestação do próximo sábado consideram que os sindicatos deveriam ter apresentado um plano de lutas "mais radical" para o segundo e terceiro períodos, com greves por tempo indeterminado.

"Durante o segundo período, os sindicatos foram-se entretendo com as reuniões com o Ministério da Educação e deixaram arrefecer a luta. Tinha sido fundamental que logo em Janeiro tivesse havido uma greve por tempo indeterminado.

Certamente teria os efeitos pretendidos", afirmou Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores, em declarações à agência Lusa.

A opinião é partilhada por Mário Machaqueiro, da Associação de Professores em Defesa do Ensino (APEDE), que sublinha a importância de um plano de luta "mais consistente", a apontar para formas de protesto "mais radicais".

"Os professores sentem nas escolas as consequências da política educativa e pedem que as suas exigências sejam satisfeitas o mais rapidamente possível. Isso não se coaduna com os timings das negociações sindicais", afirma Mário Machaqueiro, classificando de "ridícula" a greve de dois tempos lectivos realizada terça-feira de manhã.

Para o coordenador do movimento PROMOVA, é evidente que a contestação "deveria ter seguido outro caminho", uma vez que já era expectável que as negociações de revisão do Estatuto da Carreira Docente "não iam dar em nada.

"Os sindicatos deviam ter entrado em negociações mas sempre com a pressão iminente da luta dos professores. Era previsível que o Ministério da Educação estava de má-fé, a empatar o tempo para manter os ânimos calmos até ao final da legislatura", afirmou Octávio Gonçalves.

A manifestação de sábado, defendeu, deveria realizar-se na sexta-feira, simultaneamente com uma greve nacional, a culminar outros quatro dias de paralisações regionais.

As duas últimas grandes manifestações de professores, a 8 de Março e 8 de Novembro de 2008, reuniram em Lisboa cerca de 100 mil e 120 mil docentes, respectivamente, segundo os sindicatos.

Questionado sobre uma possível menor adesão de docentes à manifestação de sábado, em Lisboa, Octávio Gonçalves sublinha que, além do "cansaço e do desgaste", muitos professores podem já ter expectativas em relação às próximas eleições legislativas.

"Muitos professores consideram que é a partir daí que o rumo das políticas educativas pode mudar. Se o PS perder a maioria absoluta, isso pode dar alguma esperança aos professores", afirmou.

No entanto, segundo Mário Machaqueiro, os sinais que chegam das escolas e da blogosfera indicam que "a adesão poderá ser maior do que aquilo que as pessoas imaginam". Para o responsável da APEDE, é ainda "negativo" que os dirigentes sindicais já tenham dado a entender que poderão não realizar-se mais protestos até ao final do ano lectivo.

"Acho que há sempre tempo para mais lutas, mais protestos, mais acções, mas é natural que se intensifique a partir do próximo ano lectivo e antes das eleições", afirma, por seu turno, Ilídio Trindade, considerando difícil que no sábado se atinjam os números de outras manifestações, até porque não há a "efervescência" de outros momentos.

Para Octávio Gonçalves, o protesto de sábado será a última oportunidade para os professores fazerem um balanço do que foi uma "lesgislatura falhada" em termos de Educação e reflectirem sobre a "afronta" do PS à classe nos últimos quatro anos.

O protesto de sábado, convocado por todos os sindicatos do sector, é de exigência de revisão "efectiva" do Estatuto da Carreira Docente, de suspensão e substituição do actual modelo de avaliação de desempenho e de manifestação, junto dos partidos políticos, da necessidade de assumirem compromissos "claros" no sentido de ser "profundamente alterado" o rumo da política educativa na próxima legislatura.
In Lusa e Educare.pt

O coiote com bip bip

Com que então vão-nos meter um chip nas matrículas dos carros. Vem no PÚBLICO de ontem. O PSD chamou-lhe um Big Brother rodoviário. Os autores do decreto-lei que não; que é só para cobrarem as portagens; controlarem o trânsito; lutarem contra o terrorismo e não sei que mais de bem-cheiroso e inocente.
Juram que jamais servirá para vigiar os cidadãos. Isso não. Só vai ter uma aplicação local, dizem. É estranho, porque há portagens em todo o país. E os chips, como sabemos das séries policiais, vão para toda a parte e fazem mipe-mipe-mipe no radar dos perseguidores.
Um cidadão vê logo - e com razão - a vida negra. Nunca mais poderá exceder os limites de velocidade. Nunca mais poderá ter uma amante local. E mesmo que consiga arranjar uma amante nacional, nunca mais poderá estar à vontade. Nunca mais poderá passear no carro de serviço. Ou cobrar quilómetros a mais. E quanto a ir despejar cadáveres às três da manhã, isso é que era doce.
É como as escutas telefónicas ou o cartão de cidadão. Ao princípio, ninguém chateia. Depois, há um crime horrível e abrem uma excepção. Vem uma crise económica - e começam a cobrar multas. A seguir, surge uma empresa perita em chips e divórcios, que descobre a tal amante em Ovar que custará milhões. Nunca mais acaba.
Já lá vão os tempos do ninho atrás da orelha: agora só descansam quando nos meterem um chip dentro da orelha, como fazem aos cães de raças perigosas. E ninguém morde? Acho que é tempo de começarmos a morder.
http://fliscorno.blogspot.com

Convém sempre avisar...

mais um cartaz...

A sério? Mas de certeza?

O meu banco!

A origem de @


Os Copistas medievais e o século XXI. Cultura e curiosidades…


Na idade média os livros eram escritos à mão pelos copistas.

Precursores da taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios, por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido. O motivo era de ordem económica: a tinta e o papel eram valiosíssimos.

Foi assim que surgiu o til (~), para substituir uma letra (um 'm'ou um 'n') que nasalizava a vogal anterior. Um til é um enezinho sobre a Letra. O nome espanhol Francisco, que também era grafado 'Phrancisco', ficou com a abreviatura 'Phco' e 'Pco'. Daí que foi fácil o nome Francisco ganhar em espanhol o diminutivo Paco.

Os santos, ao serem citados pelos copistas, eram identificados por um feito significativo em suas vidas. Assim, o nome de São José aparecia seguido de 'Jesus Christi Pater Putativus', ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde os copistas passaram a adoptar a abreviatura 'JHS PP' e depois 'PP'. A pronúncia dessas letras em sequência explica porque José em espanhol tem o diminutivo de Pepe.

Já para substituir a palavra latina 'et' ('e'), os copistas criaram um símbolo que é o resultado do entrelaçamento dessas duas letras: &. Esse sinal é popularmente conhecido como ' e' comercial e, em inglês, tem o nome de ampersand, que vem do 'and' ('e' em inglês) + 'per se'(do latim 'por si') + 'and'.

Com o mesmo recurso do entrelaçamento de letras, os copistas criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina 'ad', que tinha, entre outros, o sentido de 'casa de'.

Veio a imprensa, foram-se os copistas, Mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço; por exemplo, o registo contabilístico mailto:'10@£3' significava '10 unidades ao preço de 3 libras cada uma'.

Nessa época o símbolo @ já ficou conhecido como, em inglês, 'at' ('a' ou 'em').

No século XIX, nos portos da Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar práticas comerciais e contabilísticas dos ingleses.

Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam ao símbolo @, supuseram, por engano, que o símbolo seria uma unidade de peso.

Para este entendimento contribuíram duas coincidências:

1- A unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo 'a' inicial lembra a forma do símbolo.

2- Os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Dessa forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registo de '10@£3' como 'dez arrobas a 3 libras cada uma'. Então, o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para significar arroba.

Arroba veio do árabe ar-ruba, que significa 'a quarta parte': arroba (15 kg em números redondos) correspondia a 1/4 de outra medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,75 kg).

As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a ser comercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais dactilografados). O teclado tinha o símbolo '@', que sobreviveu nos teclados dos computadores.

Em 1972, ao desenvolver o primeiro programa de correio electrónico (e-mail), Roy Tomlinson aproveitou o sentido '@' ('at' em inglês), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Assim Fulano@ProvedorX passou a significar 'Fulano no provedor (ou na casa) X'.

Em diversos idiomas, o símbolo '@' ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma. Em italiano chiocciola (caracol), em sueco snabel (tromba de elefante), em holandês, apestaart (rabo de macaco).

Noutros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel em Israel, strudel na Áustria, pretzel em vários países europeus.
http://becredompaiotavira.blogspot.com/