Processo de Bolonha Sindicatos satisfeitos com mestrado obrigatório para novos professores Os sindicatos do sector da educação mostraram-se hoje satisfeitos com a proposta do Governo que obriga os candidatos a professores a terem um mestrado de acordo com as novas regras do Processo de Bolonha. "Para melhorar a qualidade do ensino há a necessidade efectiva de tornar os cursos em mestrados à luz de Bolonha", disse à Lusa Carlos Chagas, da Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei). Em declarações à Rádio Renascença, o secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse que o Ministério vai alterar as regras para a habilitação à docência, obrigando os novos professores a ter de tirar o mestrado segundo as regras de Bolonha, como adianta a edição de hoje do PÚBLICO. Até à introdução de Bolonha, um mestrado durava dois anos e seguia-se a uma licenciatura de quatro ou cinco anos. Com Bolonha, o total das duas formações passa a ser de cinco anos. Para a Fenei, uma correcta e melhor estruturação científica e pedagógica dos cursos "não era possível sem os cinco anos de formação". "O Governo agiu bem e em função do que se passa noutros países, como Itália, que uniformizou a formação dos professores", afirmou Carlos Chagas. No entanto, o sindicalista apelou à realização de "um debate profundo" sobre os currículos que serão feitos para estes cursos. Também a Fenprof (Federação Nacional de Professores) concorda com a proposta, adiantando mesmo que esta era uma exigência que já tinha sido feita pelos sindicalistas. Paulo Sucena, secretário-geral da Fenprof, alertou para a necessidade de "ver esse mestrado com olhos de Bolonha". "O mestrado à luz do processo de Bolonha não tem o mesmo significado do que os mestrados como se realizam em Portugal nas últimas dezenas de anos, entendidos como uma formação pós-licenciatura", comentou. "A licenciatura passa para três anos que considerámos insuficientes e tínhamos por objectivo não diminuir a qualidade pedagógica e científica dos professores, pelo que consideramos necessário que essa licenciatura seja complementada por um mestrado", disse à Lusa. FNE quer saber mais sobre financiamento dos mestrados Por seu lado, a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) considera importante perceber como vai ser o financiamento da parte dos mestrados. "Tenho algumas reservas em relação a quem vai pagar o segundo ciclo dos cursos, se será pago pelo Estado ou pelos candidatos", questionou. De acordo com um anúncio feito pelo ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, em Janeiro, as propinas dos mestrados serão iguais às das licenciaturas nos cursos que provem que aquela formação é necessária para a empregabilidade. A FNE criticou ainda o facto de o Ministério da Educação continuar a querer introduzir uma prova de acesso dos professores à profissão. "É uma contradição de base. Como se compreende que se elevem os níveis dos cursos e a qualidade da formação e se continue a querer introduzir uma prova de acesso à profissão para verificar os níveis de competência", interrogou-se o sindicalista João Dias da Silva. A FNE lamentou ainda ter sabido desta medida pela comunicação social, adiantando que o Ministério da Educação não encetou qualquer processo negocial sobre o assunto nem questionou a Federação. Apesar das críticas, a FNE concorda ser necessária exigência e qualidade na formação dos professores. Segundo o secretário de Estado da Educação, "a qualificação de professores vai passar a fazer-se através da formação ao nível do segundo ciclo da formação de Bolonha, ou seja, através do grau de mestre", disse Valter Lemos. "O primeiro ciclo de formação tem um mínimo de 180 créditos", corresponde à licenciatura e decorre ao longo de três anos. O segundo ciclo de formação é o mestrado e pode ir até aos 120 créditos, isto é, ano e meio a dois anos de duração. O novo regime será aprovado em Conselho de Ministros e pode vigorar já a partir do próximo ano.
Retirado: 27.10.2006 Lusa
Retirado: 27.10.2006 Lusa
Comentário:
De novo, os sindicatos se atrevem a trair os interesses dos professores. Os professores actuais serão prejudicados, fatalmente, em concurso, perante a manutenção de seu diplima como «licenciatura», quando se quiserem candidatar a outro posto em concorrência com os candidatos com «mestrado segundo processo de Bolonha». Os professores actuais com mestrado como tem sido conferido até agora irão também sofrer a concorrência, pois não é verosímil que tenhamos «mestrados categoria A» e «mestrados categoria B». A maneira apabalhoada como o «processo de Bolonha» está a ser implementado, tem a ver com a pressa do Governo despachar o assunto, por um lado, mas tem também a ver com uma atitude de consentimento das cúpulas sindicais, que estão absolutamente deliciadas com a situação... mas porquê? carlos chagas, da FENeI, por exemplo, tem atrás de si um grupo de professores universitários das universidades privadas, os quais estavam em sério risco de desemprego, visto que houve uma multiplicação descontrolada de licenciaturas, sem que houvesse de acto necessidade de tais cursos, ou de tantos «locais» conferindo os mesmos diplomas. O conjunto dos «sindicalistas profissionais» da FNE e da FENPROF não têm que se preocupar com as suas póprias colocações porque «assinaram para a vida inteira» ou seja são sistematicamente candidatos e eleitos desde há decénios, alguns, e contam sê-lo até à reforma. Além disso, esperam assim ter o «prémio» de mais uns tostões, pelo facto de terem cedido vergonhosamente neste campo... Esta enorme confusão está a fazer-se à custa das gerações futuras, principalmente ...mas não só, pois como já vimos, os professores que já são, ficaram discriminados perante os portadores de «mestrado Bolonha», se não conseguirem uma real equiparação (não apenas administrativa, mas com TÍTULO ACADÉMICO) da sua licenciatura a «mestre» (tenho quase a certeza de que estes não vão ficar TITULARES). Do ponto de vista da qualidade da formação inicial é uma fraude. No governo Santana Lopes foi tornado difícil (porque não remunerado) o estágio para aceder à profissionalização e o governo Sócrates reforçou e praticamente acabou com esse fomato de profissionalização, com actividade profissional nas escolas. A formação inicial «tradicional» ou seja, com um ano de estágio obrigatório para se ter a licenciatura pedagógica, habilitando ao ensino do básico e/ou secundário, tinha o mérito de se desenrolar quase toda num esabelecimento de ensino em que o estagiário tinha obrgicações semelhantes aos outros colegas, porém apoiado por um orientador de estágio, pertencente ao quadro da escola. Agora, os «mestres de Bolonha» vão sair com uma fomação essencialmente TEÓRICA de 5 anos, e irão dar aulas sem qualquer preparação ou prática acompanhada, por professor experiente que esteja especificament encarregue de acompanhá-lo. Como se pode ver, além de criar situações difíceis por coloca injustamente em competição sectores dos docentes uns contra os outros (visto poderem ter formações semelhantes, com designação de grau académico diferente) está também a baixar o nível de qualificação inicial. Essa descida do nível é disfaçada com uma «cosmética», chamar «mestres» às novas fornadas de candidatos à carreira de professor.
De novo, os sindicatos se atrevem a trair os interesses dos professores. Os professores actuais serão prejudicados, fatalmente, em concurso, perante a manutenção de seu diplima como «licenciatura», quando se quiserem candidatar a outro posto em concorrência com os candidatos com «mestrado segundo processo de Bolonha». Os professores actuais com mestrado como tem sido conferido até agora irão também sofrer a concorrência, pois não é verosímil que tenhamos «mestrados categoria A» e «mestrados categoria B». A maneira apabalhoada como o «processo de Bolonha» está a ser implementado, tem a ver com a pressa do Governo despachar o assunto, por um lado, mas tem também a ver com uma atitude de consentimento das cúpulas sindicais, que estão absolutamente deliciadas com a situação... mas porquê? carlos chagas, da FENeI, por exemplo, tem atrás de si um grupo de professores universitários das universidades privadas, os quais estavam em sério risco de desemprego, visto que houve uma multiplicação descontrolada de licenciaturas, sem que houvesse de acto necessidade de tais cursos, ou de tantos «locais» conferindo os mesmos diplomas. O conjunto dos «sindicalistas profissionais» da FNE e da FENPROF não têm que se preocupar com as suas póprias colocações porque «assinaram para a vida inteira» ou seja são sistematicamente candidatos e eleitos desde há decénios, alguns, e contam sê-lo até à reforma. Além disso, esperam assim ter o «prémio» de mais uns tostões, pelo facto de terem cedido vergonhosamente neste campo... Esta enorme confusão está a fazer-se à custa das gerações futuras, principalmente ...mas não só, pois como já vimos, os professores que já são, ficaram discriminados perante os portadores de «mestrado Bolonha», se não conseguirem uma real equiparação (não apenas administrativa, mas com TÍTULO ACADÉMICO) da sua licenciatura a «mestre» (tenho quase a certeza de que estes não vão ficar TITULARES). Do ponto de vista da qualidade da formação inicial é uma fraude. No governo Santana Lopes foi tornado difícil (porque não remunerado) o estágio para aceder à profissionalização e o governo Sócrates reforçou e praticamente acabou com esse fomato de profissionalização, com actividade profissional nas escolas. A formação inicial «tradicional» ou seja, com um ano de estágio obrigatório para se ter a licenciatura pedagógica, habilitando ao ensino do básico e/ou secundário, tinha o mérito de se desenrolar quase toda num esabelecimento de ensino em que o estagiário tinha obrgicações semelhantes aos outros colegas, porém apoiado por um orientador de estágio, pertencente ao quadro da escola. Agora, os «mestres de Bolonha» vão sair com uma fomação essencialmente TEÓRICA de 5 anos, e irão dar aulas sem qualquer preparação ou prática acompanhada, por professor experiente que esteja especificament encarregue de acompanhá-lo. Como se pode ver, além de criar situações difíceis por coloca injustamente em competição sectores dos docentes uns contra os outros (visto poderem ter formações semelhantes, com designação de grau académico diferente) está também a baixar o nível de qualificação inicial. Essa descida do nível é disfaçada com uma «cosmética», chamar «mestres» às novas fornadas de candidatos à carreira de professor.
Manuel Baptista
http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=110853&cidade=1
http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=110853&cidade=1
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