No século XVIII, Lineu criou um sistema hierárquico para classificar os seres vivos. Teve tanto sucesso que ainda hoje é usado. Agrupa espécies mais parecidas em géneros, os géneros mais semelhantes em famílias, as famílias em ordens, ordens em classes, e assim por diante. O sucesso deste sistema é revelador porque, em geral, não é possível classificar coisas desta forma.
Por exemplo, não conseguimos criar um sistema destes para os objectos que encontramos em casa. Podemos agrupar objectos semelhantes, o equivalente à espécie de Lineu. Facas, colheres de pau, cadeiras, e assim. Mas os outros níveis da taxonomia são um problema. Cada característica que se escolha dá um agrupamento diferente. Se é por material ficam as colheres de pau com as cadeiras. Se é por peso fica a torradeira com os pratos. Se é por usar electricidade fica o candeeiro com o frigorífico. Conseguimos agrupar estes objectos só num nível, mas a forma como as características se distribuem por todos os objectos não permite uma classificação hierárquica. E isto é verdade para todos os objectos que sabemos ser fruto de criação independente, deliberada e inteligente. Carros, ferramentas, edifícios, etc.
Noutros casos é o oposto. Numa família parentes mais próximos partilham mais características que parentes afastados. A língua Portuguesa pode ser agrupada com o Galego, com outras línguas da península Ibérica, línguas derivadas do Latim, e assim por diante. Tudo o que provém da diferenciação gradual de um antepassado comum pode ser agrupado num sistema hierárquico que é evidente pela distribuição de características pelos vários elementos. Qualquer punhado de palavras ou elementos gramaticais vai mostrar que o Português é mais próximo do Francês que do Tibetano. Nestes casos os grupos estão claramente aninhados dentro de grupos do nível superior.
Passa-se o mesmo com os seres vivos, e o que Lineu descobriu é ainda mais evidente com os genes. Por si só isto já refuta o criacionismo. O criacionismo propõe uma criação inteligente e independente para os seres vivos, como os talheres e a torradeira. Mas é inconcebível que milhões de espécies criadas desta forma se agrupem exactamente como se descendessem de um ancestral comum. É de rejeitar que as línguas Europeias tenham sido criadas cada uma de acordo com o seu tipo, sem um passado comum. Dezenas de línguas nunca teriam estas relações entre si por mero acaso. Imaginem o mesmo problema com milhões de espécies em vez de dezenas de línguas e têm uma ideia de como a hipótese criacionista é ridícula.
Para mais informação, ver:
Douglas Theobald, 2004, 29+ Evidences for Macroevolution, Part 1: The Unique Universal Phylogenetic Tree.
Por Ludwig Krippahl
http://ktreta.blogspot.com/
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