quinta-feira, novembro 27, 2008

Mais uma trapalhada: Modelo burocrático de avaliação não se aplica aos 10 mil docentes nos EFAs e nos CNOs

Inaplicável. Professores dos cursos do recorrente foram incluídos na avaliação de desempenho do ensino regular, mas perguntam como podem ser avaliados por parâmetros que não se aplicam ao tipo de formação dada a alunos adultos. Questão sem resposta por parte do Ministério da Educação. Isabel (que prefere resguardar-se de possíveis pressões atrás de um nome fictício) dá aulas a adultos do ensino recorrente na Escola Secundária Padre Alberto Neto, em Queluz. A leccionar apenas nos agora chamados Cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA), a professora questionou a escola sobre os critérios que vão reger a sua avaliação de desempenho. A resposta recebida aplica-se a cerca de dez mil docentes de Centros de Novas Oportunidades (CNO) e EFA: os conselhos executivos não sabem que instrumentos utilizar na avaliação destes professores, por não reunirem muitos dos parâmetros avaliados no ensino regular. 

Escolas e professores têm as mesmas dúvidas: "Como aplicar o critério das notas dos estudantes contarem para a avaliação dos professores, quando os alunos dos EFA não têm notas, mas apenas o reconhecimento de competências", interroga-se Isabel. Mas a professora da Secundária Padre Alberto Neto questiona também de que forma se vai "avaliar se os alunos cumprem o programa, quando não existem programas no ensino recorrente". Ou então, qual será, no futuro, o peso do abandono dos alunos na avaliação dos docentes do recorrente, "quando sabemos que são alunos em horário pós-laboral, que estudam em condições difíceis". Dúvidas que o DN tentou esclarecer junto do Ministério da Educação, de quem não recebeu resposta até ao fecho desta edição.

Ao que o DN apurou junto dos sindicatos do sector, além destas colocam-se outras questões em relação aos professores que dão aulas nos CNO. "Não é fácil adequar o sistema de avaliação regular a docentes que não têm turmas constituídas e que não podem estabelecer objectivos sobre quantos alunos vão passar, por não saberem durante quanto tempo lhes vão dar aulas", argumenta António Anes, sindicalista da Fenprof que acompanha a área.
Fonte: DN de 26/11/08 

Comentário
O modelo burocrático está todo esburacado. Os remendos não permitem a sua reabilitação. Está em estado comatoso. Já só é defendido pelos acólitos da ministra da educação e meia dúzia de teóricos que há décadas não colocam os pés numa sala de aula e que, em grande parte, são os responsáveis pela confusão curricular existente nas escolas portuguesas.  Os professores há muito que viraram as costas a teorias e propostas curriculares insensatas que só têm provocado o crescimento da burocracia nas escolas. A reabilitação da escola pública só pode fazer-se com o regresso à sensatez e ao realismo, centrando, de novo, o acto educativo na sala de aula e nos conteúdos, afastando de uma vez para sempre a retórica tonta das competências. O princípio que deve nortear o regresso ao bom senso na educação foi enunciado há 3 décadas por Mortimer Adler: "a melhor educação para os melhores é a melhor educação para todos!" (Mortimer Adler, Paideia Proposal, Nova Iorque, Mcmillan). Não podemos exigir menos do que isso. 
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