Condições de instauração do mutualismo federativo
1.º - Necessidade da concorrência
Uma mesma sociedade nunca poderia abranger, nem todos os operários duma mesma indústria, nem todas as corporacões industriais, nem, por mais forte razão, uma nação de 36 milhões de homens. (Id. Gén. de la Rév., 3.º estudo.)
A companhia operária... submete-se à lei da concorrência, mantém os seus livros e arquivos à disposição da sociedade que conserva como sanção do seu direito de controlo a faculdade de a dissolver. (Id. Gén. de la Rév., 6.º estudo.)
A oficina implica necessariamente um interesse de corpo e interesses privados, uma pessoa colectiva e indivíduos. Vêm em seguida as ligações de oficina a oficina... Noutros termos, a concorrência e a associação apoiam-se uma na outra; não existem uma sem a outra...
Quem diz concorrência, supõe já um objectivo comum...
Mas a concorrência, abandonada a si própria e privada da direcção de um principio superior, não é mais do que uma oscilação, sem finalidade, da força industrial, eternamente balançada entre estes dois extremos, igualmente funestos: dum lado as corporacões... do outro o monopólio... Segundo M. Blanc, o remédio contra a concorrência, ou mehor, o meio de a abolir consiste na intervenção da autoridade, na substituição da liberdade individual pelo Estado...
Ao protestar, com razão, contra a concorrência anárquica, o socialismo não propôs nada de satisfatório, e os utopistas... viram... as reformas entregues, ora à corporacão hierárquica, ora ao monopólio do Estado ou ao despotismo da comunidade.
A concorrência, considerada na sua origem, é o resultado necessário da intervenção das máquinas, da constituição da oficina, e da teoria da redução dos encargos gerais; considerada no seu significado próprio e na sua tendência, ela é o modo segundo o qual se manifesta e se exerce a actividade colectiva, a expressão da espontaneidade social, o emblema da democracia, o instrumento da constituição do valor, o suporte da associação, a garantia da liberdade.
Não se trata, pois, aqui. de destruir a concorrência; trata-se de encontrar o seu equilíbrio, diria de boa vontade, a polícia, pois toda a força, toda a espontaneidade, seja individual seja colectiva, deve receber a sua determinação...
Se a concorrência só se exerce em proveito de intresses privados e se os seus efeitos sociais não forem determinados nem pela ciência, nem dissimulados pelo Estado, haverá, na concorrência como na democracia, tendência contínua desde a guerra civil à oligarquia e da oligarquia ao despotismo... eis porque a concorrência... tal como o valor tem necessidade dum principio superior que a socialize e a defina. (Contr. Econ., cap. V.)
2.º - Necessidade de uma transformação revolucionária
Agradar-me-ia menos que a ninguém criticar as massas operárias no momento em que elas tentam juntar os seus esforços... para assegurar a sua emancipação comum.
Contudo... não posso deixar de notar a timidez de alguns; que tratam de seguir, de maneira sábia, passo a passo, a prática burguesa e fariam, de boa vontade, consistir o seu mutualismo no facto de a classe operária ter os seus banqueiros enquanto os empresários e os negociantes teriam os seus... Os seus bancos não estão prontos para fazer uma guerra séria ao Capitalismo... Não é através de cisões, de concorrências insignificantes, muito menos ainda de subvenções filantróficas ou subscrições de dedicação que se dará, na Europa... toda a força de uma vontade colectiva. (Cap. Pol., liv. II, cap. XII.)
Propõem organizar uma comuna de ensaio num meio inassociado, e não vêem que, com estas tentativas parciais, se perdem cada vez mais no labirinto. (Sol. du Probl. soc.)
Uma liquidação geral é o preâmbulo forçado de toda a revolução... Uma segunda noite de 4 de Agosto é indispensável... Somos ainda senhores de proceder, com toda a prudência, toda a moderação que for considerada útil. Mais tarde, o nosso, destino poderia já não depender do nosso livre arbítrio. Entre o reembolso por anuidade e a confiscação, bem podem existir meios termos...
Que a contra-revolução prossiga o curso das suas proezas... então já não será o direito ao trabalho, depgis o direito à mais-valia, que invocariam os camponeses e os operários: será ao direito à guerra e às represálias, que teremos de responder? (Id. Gén. de la Rév., 5.º estudo.)
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