A organização regional e socio-económica do sufrágio universal
Como último meio de equilíbrio e de refrear a autoridade central, de proteger contra usurpações as liberdades públicas, organizou-se o sufrágio universal... (Contr. Pol., cap. VIII.)
Aos nossos olhos, o sufrágio universal... é a própria constituição da democracia. Não podemos permitir nada que lhe cause prejuízos: a inviolabilidade do sufrágio universal é a salvaguarda da liberdade... Nós pensamos que, de todas as formas de governo, uma única é verdadeira e que esta forma é precisamente a que resulta da constituição ou organização do sufrágio universal...
Posto isto, recusamo-nos formalmente a todo o procedimento arbitrário, e se qualquer coisa nos horroriza, é essa indiferença das formas governamentais, essas alianças de opiniões incompatíveis, essas associações de sufrágio...
Chamem-nos agora sectários, revolucionários... estes nomes não nos espantam, desde que os definam. (Lettre à M. Rouy, 29 de Maio de 1863.)
l.º Dificuldades e necessidades do sufrágio universal
Depois de ter instituído o sufrágio universal, nomeamos um imperador! (Pornocratie, notas e pensamentos.)
Qual a relação entre o produto elástico dum escrutínio e o pensamento popular, sintético e individual? Como conseguirá o sufrágio universal manifestar o pensamento, o verdadeiro pensamento do povo, quando o povo está dividido, pela desigualdade de fortunas, em classes, subordinadas umas às outras, que votam por servilismo ou por ódio; quando esse mesmo povo, seguro pela trela pelo poder, não pode, apesar da sua soberania, fazer ouvir o seu pensamento sobre coisa alguma; quando o exercício dos seus direitos se limita a escolher, todos os três ou quatro anos, os seus chefes e os seus charlatões; quando a sua razão, moldada com base no antagonismo das ideias e dos interesses, só sabe ir duma contradição a outra contradição; quando a sua boa fé está à mercê dum despacho telegráfico, dum acontecimento imprevisto, duma questão capciosa; quando, em vez de interrogar a sua consciência, se evocam as suas recordações; quando, devido à divisão dos partidos, não pode evitar um perigo senão precipitando-se num outro, e que sob pena de não alcançar a sua segurança, é forçado a mentir à sua consciência?... (Conf. dun Révol., cap. XIV.)
Quem quer que seja que pregue o sufrágio universal como princípio único de ordem e de firmeza, é mentiroso, charlatão: engana o povo. A soberania sem a ciência é cega.
Quem quer que seja que, admitindo a realidade duma ciência social, rejeite como inútil a reforma política, é mentiroso e charlatão. A ciência sem a sanção do povo é impotente.
A ciência de alguns, imposta à vontade do maior número, isso é humilhante: ela compromete a igualdade. A soberania popular, mantida no desconhecimento da ciência, é injuriada: há nisso um ataque à liberdade. (Créat. de l’O., cap. VI.)
O sufrágio universal é o modo pelo qual a maioria e a minoria se manifestam; é através dele que a maioria garante o seu direito, ao mesmo tempo que lhe é reconhecida a existência; assim, se o sufrágio universal fosse suprimido, uma minoria poderia, sem ser contestada, dizer-se maioria e, consequentemente, apelar para a insurreição.
Em duas palavras, e não obstante qualquer voto contrário do povo ou dos seus representantes, o assentimento, tácito ou manifesto, do povo contra o sufrágio universal, não: se pressupõe... (Conf. d'un Révol., cap. XVII.)
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