No século XXI as forças do capital já não estão viradas para conquistas territoriais como tem sido dito. Que fariam elas com zonas económicas de terra queimada e populações supérfluas? Isso não significa que o imperialismo tenha acabado. No entanto, já não se trata de impérios e zonas de influência nacionais, mas sim da possibilidade de controlar a globalização enquanto crise. Os limites da valorização do capital devem ser redefinidos como limites de viabilidade para as massas de perdedores; o colapso das economias nacionais, como justaposição controlada de cidades em expansão financiada a crédito e regiões miseráveis abandonadas.
A produção de segurança para os negócios que restam nestas condições exige legitimação ideológica. Aqui calha bem admitir que os filhos abandonados e deserdados do capital não são pessoas melhores, mas caem sobre os seus concidadãos em vez de se virarem contra as suas condições de vida impossíveis. O paradigma do conflito no mundo decadente dos Estados não é a guerra externa, mas sim a guerra interna, com base em divisões étnicas e religiosas. As intervenções policiais globais das forças da ordem do centro capitalista contra os bárbaros da periferia precisam de um fundamento de idealismo democrático.