sexta-feira, abril 06, 2012

O TERROR DA CRISE

Como se pretende fazer da Grécia um exemplo


No século XXI as forças do capital já não estão viradas para conquistas territoriais como tem sido dito. Que fariam elas com zonas económicas de terra queimada e populações supérfluas? Isso não significa que o imperialismo tenha acabado. No entanto, já não se trata de impérios e zonas de influência nacionais, mas sim da possibilidade de controlar a globalização enquanto crise. Os limites da valorização do capital devem ser redefinidos como limites de viabilidade para as massas de perdedores; o colapso das economias nacionais, como justaposição controlada de cidades em expansão financiada a crédito e regiões miseráveis abandonadas.

A produção de segurança para os negócios que restam nestas condições exige legitimação ideológica. Aqui calha bem admitir que os filhos abandonados e deserdados do capital não são pessoas melhores, mas caem sobre os seus concidadãos em vez de se virarem contra as suas condições de vida impossíveis. O paradigma do conflito no mundo decadente dos Estados não é a guerra externa, mas sim a guerra interna, com base em divisões étnicas e religiosas. As intervenções policiais globais das forças da ordem do centro capitalista contra os bárbaros da periferia precisam de um fundamento de idealismo democrático.