As ruas continuam sendo ocupadas agora por jovens e adultos. Num sentimento difuso de
insatisfação nunca visto nesse País, os jovens pressionam os pais para que
sigam o mesmo caminho. Muitos terminam aderindo por convicção ou medo de
deixa-los sozinhos na multidão. E o que ouvimos das pessoas próximas, mesmo
aquelas mais pacatas e, como diríamos, poucas chegadas a qualquer outra
discussão que não seja relacionada a seu mundo familiar, é que é preciso fazer
alguma coisa para mudar o rumo da história. O que ouvimos empiricamente é
confirmado nas pesquisas de opinião que mostram um poio de até 72% as
manifestações. Apesar dos vários motivos que tem levado o apoio e a
adesão tão maciça as ruas, há um eixo comum que é o repudio as formas políticas
e a sensação da incapacidade do institucionalizado resolver os problemas
deixados no rastro da crise global.
O movimento
pelo passe livre e a repressão policial nas primeiras manifestações, foi só a
fagulha que incendiou este País dos grandes centros urbanos a mais pacífica
vila do interior. Há muito que esse combustível foi consumido. A maioria
esmagadora que hoje sai às ruas nem se quer sabe da existência desses ou
daqueles grupos. Sai às ruas por que querem manifestar sua indignação, por não
mais aceitarem a mediação dos políticos, dos grupos, dos que se acham donos dos
movimentos e da opinião alheia e tentam canalizar a explosão de energia para
acumular poder. Por outro lado, vê-se que a imprensa e o Governo forçam o
estabelecimento de “porta-vozes” como forma de domar o movimento. O que
diferencia esse movimento dos outros e garante uma energia crescente que a
todos contamina é a espontaneidade e a horizontalidade.