terça-feira, junho 25, 2013

Rastro de fogo que não se apaga

As ruas continuam sendo ocupadas agora por jovens e adultos. Num sentimento difuso de insatisfação nunca visto nesse País, os jovens pressionam os pais para que sigam o mesmo caminho. Muitos terminam aderindo por convicção ou medo de deixa-los sozinhos na multidão. E o que ouvimos das pessoas próximas, mesmo aquelas mais pacatas e, como diríamos, poucas chegadas a qualquer outra discussão que não seja relacionada a seu mundo familiar, é que é preciso fazer alguma coisa para mudar o rumo da história. O que ouvimos empiricamente é confirmado nas pesquisas de opinião que mostram um poio de até 72% as manifestações.  Apesar dos vários motivos que tem levado o apoio e a adesão tão maciça as ruas, há um eixo comum que é o repudio as formas políticas e a sensação da incapacidade do institucionalizado resolver os problemas deixados no rastro da crise global.  

O movimento pelo passe livre e a repressão policial nas primeiras manifestações, foi só a fagulha que incendiou este País dos grandes centros urbanos a mais pacífica vila do interior. Há muito que esse combustível foi consumido. A maioria esmagadora que hoje sai às ruas nem se quer sabe da existência desses ou daqueles grupos. Sai às ruas por que querem manifestar sua indignação, por não mais aceitarem a mediação dos políticos, dos grupos, dos que se acham donos dos movimentos e da opinião alheia e tentam canalizar a explosão de energia para acumular poder. Por outro lado, vê-se que a imprensa e o Governo forçam o estabelecimento de “porta-vozes” como forma de domar o movimento. O que diferencia esse movimento dos outros e garante uma energia crescente que a todos contamina é a espontaneidade e a horizontalidade.