sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Austeridade: destruidora, mas a mais "credível"

Os cortes que vieram para ficar. No relatório sobre a décima avaliação do auto-denominado “programa de assistência”, o Fundo Monetário Internacional (FMI) diz que “para atingir a meta do défice de 2,5% do produto interno bruto (PIB) e a saída do procedimento dos défices excessivos em 2015, as autoridades vão precisar de identificar medidas permanentes adicionais que correspondam a 1,2% do PIB (ainda mais 2070 milhões de euros). Além disso, será necessário fazer, nos anos seguintes, um esforço adicional de cerca de 0,5% do PIB (860 milhões) face às projecções de base para responder às exigências do tratado orçamental europeu”, a “regra de ouro” da ultra-austeridade que PSD, PS e CDS aprovaram no Parlamento para vigorar para todo o sempre. Como o FMI insiste em dizer que Portugal continua a ter um nível relativamente alto de despesa primária e como não há quem riposte com os mais de 8 mil milhões de euros que anualmente pagamos em juros, o FMI sente-se à vontade para impor mais cortes de salários e de pensões de reforma.


O povo é quem mais ordena. De acordo com um estudo realizado para a Faculdade de Direito de Lisboa pela eurosondagem, a percepção de 61,7% dos portugueses é a de que a austeridade está a "afundar o país económica e socialmente", 63,6% antecipam que essa austeridade "vai continuar por uns anos" e 49,3% são da opinião que não existem "propostas políticas credíveis" que possam indicar um caminho alternativo. Afundar, empobrecer, ver o país a auto-destruir-se será, portanto, a opção mais credível aos olhos da grande maioria. O discurso oficial da inevitabilidade está a vencer a batalha das percepções, a esquerda de palavra e de compromissos não está a conseguir articular um discurso alternativo convincente.