Aqui há uma meia dúzia de anos, andava eu em prospecção com o objectivo de mudar de casa, recebi uma chamada telefónica de um dos mediadores imobiliários que contactei para o efeito. O homem estava visivelmente ansioso: "doutor," – a presunção de grau académico é incontornável quando nos querem vender alguma coisa – "tenho uma oportunidade imperdível para si." Ora, oportunidades imperdíveis é o que toda a gente procura. FuiVER
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Era um duplex com excelentes áreas numa zona nobre aqui de Coimbra mas a precisar de muitas obras, talvez uns 70 mil euros, e com um desconto relativamente ao valor de mercado do dobro desses 70 mil. Como a zona não era exactamente a que pretendia e como 70 mil euros em obras trazem atrás de si um valor dificílimo de calcular em chatices, recusei sem dar grandes explicações. O meu intrépido empreendedor nem pestanejou. O valor pedido sofreu imediatamente um abatimento de mais 50 mil. Voltei a recusar. O homem não desistiu. Em vez de novo abatimento, propunha-me agora que oferecesse o valor que quisesse, qualquer valor, que podia fazer ali o negócio da minha vida. Recusei-me a fazê-lo também, agora sobre os resquícios dessa experiência traumática de há uns 40 anos, quando descobri que o Pai Natal não existe. Mas perguntei-lhe em que raio de coisa é que ele estava aTENTAR
Nada mais simples. O ainda proprietário tinha falido e, na lógica “mais vale fazer um péssimo negócio que pouco renda do que não fazer negócio nenhum e não ganhar nada”, estava a tentar safar o que pudesse antes da execução judicial respectiva. Uma luta contra o tempo de um vendedor e de um comissionista, portanto. E um negócio desonesto: se lhe comprasse o apartamento, estaria a ajudar um Chico-esperto a deixar calotes porPAGAR
Mas começaram a aparecer e a uma escala incomparavelmente maior. Primeiro GALP, e PT, depois REN, EDP, CTT, Estaleiros de Viana, o que mais havia e o que mais houver. A TAP e o Metro do Porto são os cambalachos que se seguem. Abaixo republico um excerto da descrição de um deles feito pela Mariana Mortágua. Notem que está lá tudo. O contra-relógio de vendedores e comissionistas que têm até Outubro para ganharem algum, o “mais vale um péssimo negócio que renda alguma coisita do que um não negócio que não dê nada a ganhar”, o Chico-espertismo que chegou ao poder, a cidadania não praticante que tudo vai permitindo, incluindo a eternização no poder do arco dos chicos que vão fazendo negócio com as nossas vidas, os negócios das nossas vidas. Imperdíveis.
– “Imagine uma pessoa que quer comprar uma casa própria. Como tantas outras, não tendo dinheiro a pronto para a adquirir, tem que recorrer a um empréstimo bancário. Precavida e à procura da melhor proposta possível, vai a quatro bancos informar-se sobre as condições oferecidas por cada um.ESCOLHE
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