COMUNICAÇÃO
Quando Coroebus de Elis ganhou a primeira corrida olímpica de velocidade no ano 776 antes de Cristo, o resultado foi anunciado nas praças, ruas, e mercados nos dias e semanas seguintes, facto muito diferente do que ocorrerá nos Jogos Olímpicos de Pequim, em pleno auge das novas tecnologias.
Os resultados dos Jogos Olímpicos de 2008 serão conhecidos imediatamente em todo o mundo, e não só pela televisão, mas através das conexões da Internet, telefones móveis e outros sistemas criados pelas novas tecnologias.
Para aqueles que não podem acompanhar as competições on-line ou pela televisão, as imagens de todas as provas estarão disponíveis nos sites ou portais de vídeos, como o YouTube.
"A tecnologia moderna permite ver resultados ou dados que se queira ver, enquanto que antes só se via o que o programador decidia que seria visto", explicou Danyll Wills, um consultor de tecnologia residente em Hong Kong. "O YouTube estará inundado (de vídeos) desde o dia seguinte", vaticinou.
A empresa i-Cable, também de Hong Kong, integra um grupo de companhias, que inclui o gigante americano NBC, o japonês NHK e o chinês CCTV, para seguir na rede o acontecimento desportivo, fomentando a interactividade e as decisões do espectador.
"Pode-se acompanhá-lo pela televisão, mas o que estamos a proporcionar é que se possam ver os Jogos Olímpicos a qualquer momento, de qualquer lugar", disse uma porta-voz da i-Cable, Ivy Ng.
Os especialistas acreditam que os novos costumes e as novas tecnologias da comunicação têm modificado velhos hábitos, pelos quais a televisão era a forma mais rápida e directa de acompanhar uma competição ou um outro acontecimento.
O professor Gary Chan, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, calculou que a popularidade da Internet e a sua forte presença nos lares e locais de trabalho farão com que seja a via mais utilizada nas retransmissões no futuro. "No futuro, a nossa televisão será o nosso computador", salientou.
Chan também se mostrou convencido de que vai haver crescimento e uma importância crescente no acompanhamento pela Internet dos futuros grandes acontecimentos desportivos, como o Campeonato do Mundo de Futebol na África do Sul-2010 ou os próximos Jogos Olímpicos, Londres-2012.
As inovações desenvolvem-se ainda mais com o aparecimento dos produtos que integram as diferentes tecnologias e que permitem acesso à Internet, como os telefones 3G (terceira geração).
No Japão, os responsáveis pelas empresas electrónicas esperam um 'boom' de vendas dos telefones que permitem o acesso à televisão com qualidade digital.
"É menos popular, especialmente para acontecimentos importantes como os Jogos Olímpicos, porque os telefones celulares têm um ecrã muito pequeno, mas quando se deseja algo directo, o telemóvel é, por agora, a única forma", considerou o professor Chan.
Apesar das previsões de um futuro diferente e adaptado a estas tecnologias, também há analistas que se mostram mais cautelosos e que resistem em acreditar que se tenha uma mudança de fundo na maneira de retransmissão.
"Deduzo que em Londres-2012 será um lugar melhor (para ver se há mudanças). Mas o que será interessante observar em Agosto é se há pessoas no metro vendo as provas nos seus iPhones", sublinhou Danyll Wills.
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=5753
Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
sexta-feira, agosto 08, 2008
PODER MUNDIAL E CRISE FINANCEIRA
O poder político-militar pode tornar-se potência económica. Mas, apesar disso, esse poder não está em posição de afastar duradouramente as leis de funcionamento do capitalismo, mesmo que influencie as formas de desenvolvimento da história do mercado mundial. Capital mundial precisa de dinheiro mundial como padrão de medida das relações monetárias. Disso dependem o comércio mundial e o sistema financeiro global. Como a ligação do dólar ao ouro foi cortada em 1973, passou para o lugar do ouro a máquina militar sem concorrência dos EUA, com a sua “economia de guerra permanente”. A função de poder de garantia global e a ideologia do “porto seguro” tornaram-se poder económico; o dólar-armamento passou para o lugar do dólar-ouro. É neste constructo que se baseiam a globalização, a economia das bolhas financeiras e a conjuntura de deficit dos últimos vinte anos. O preço foi um endividamento externo dos EUA em dimensões astronómicas.
No debate sobre a crise financeira crescente, cujo epicentro é constituído pelo sistema bancário dos EUA, é suspeito que pouco se fale da função de dinheiro mundial do dólar. Todos sabem que nem o Euro nem qualquer outra moeda pode assumir este papel. Um regresso à ligação ao ouro é impossível na base das estruturas de endividamento global e tão-pouco se vislumbra um poder militar alternativo; ele seria igualmente impossível de financiar. Porém, a crise financeira, cujo fim não está à vista, coloca fundamentalmente em questão o constructo da economia do dólar. Presentemente, a Reserva Federal dos EUA esgota as munições apenas para salvar os balanços dos bancos e evitar a fusão nuclear do sistema financeiro. Já não resta qualquer opção para injecções adicionais na conjuntura, tanto mais que o sector público dos EUA está altamente endividado a todos os níveis e a quota de poupança é ínfima.
Com isto há o perigo de cair a pique não só a conjuntura de deficit, mas também a capacidade de financiamento da “economia de guerra permanente”. Os EUA precisam de um afluxo diário de vários milhares de milhões de dólares de capital monetário global. Enquanto funcionou este afluxo, a guerra do ordenamento mundial pôde aparentemente ser financiada pela caixa para despesas postais, sem grandes efeitos sobre a economia mundial. Porém, a queda do dólar face ao euro, tal como a fuga para o ouro, assinala que essa fonte começa a secar. Faz-se notar também uma enorme pressão de valorização sobre as moedas asiáticas. Segundo as contas do ex-presidente do Banco Mundial, Josef Stieglitz, só a guerra do Iraque, com todos os seus efeitos colaterais, custou mais de um bilião de dólares. Não faltarão consequências dramáticas da crise financeira para os custos do armamento e da guerra nos próximos anos.
Os anúncios feitos sem condições por ambos os candidatos presidenciais de gigantescos programas conjunturais não passam de fumaça; quanto ao financiamento da máquina militar e das suas intervenções nem uma palavra. Na realidade, o próximo presidente dos Estados Unidos terá de pagar as favas do desastre financeiro. Se a guerra do ordenamento mundial fracassar, extingue-se também a função da potência de garantia global e chega ao fim o dólar-armamento. Então não haverá objectivamente qualquer possibilidade de revalorizar outra vez o dólar, através de meras declarações diplomáticas, por exemplo dos ministros das finanças e dos presidentes dos bancos centrais do G-8. As consequências estão à vista. O comércio mundial no quadro da globalização poderá ser estrangulado, não só pelo fim do milagre do consumo dos EUA, mas também por uma crise monetária global, na sequência da crise do dólar.
Robert Kurz
http://obeco.planetaclix.pt/
No debate sobre a crise financeira crescente, cujo epicentro é constituído pelo sistema bancário dos EUA, é suspeito que pouco se fale da função de dinheiro mundial do dólar. Todos sabem que nem o Euro nem qualquer outra moeda pode assumir este papel. Um regresso à ligação ao ouro é impossível na base das estruturas de endividamento global e tão-pouco se vislumbra um poder militar alternativo; ele seria igualmente impossível de financiar. Porém, a crise financeira, cujo fim não está à vista, coloca fundamentalmente em questão o constructo da economia do dólar. Presentemente, a Reserva Federal dos EUA esgota as munições apenas para salvar os balanços dos bancos e evitar a fusão nuclear do sistema financeiro. Já não resta qualquer opção para injecções adicionais na conjuntura, tanto mais que o sector público dos EUA está altamente endividado a todos os níveis e a quota de poupança é ínfima.
Com isto há o perigo de cair a pique não só a conjuntura de deficit, mas também a capacidade de financiamento da “economia de guerra permanente”. Os EUA precisam de um afluxo diário de vários milhares de milhões de dólares de capital monetário global. Enquanto funcionou este afluxo, a guerra do ordenamento mundial pôde aparentemente ser financiada pela caixa para despesas postais, sem grandes efeitos sobre a economia mundial. Porém, a queda do dólar face ao euro, tal como a fuga para o ouro, assinala que essa fonte começa a secar. Faz-se notar também uma enorme pressão de valorização sobre as moedas asiáticas. Segundo as contas do ex-presidente do Banco Mundial, Josef Stieglitz, só a guerra do Iraque, com todos os seus efeitos colaterais, custou mais de um bilião de dólares. Não faltarão consequências dramáticas da crise financeira para os custos do armamento e da guerra nos próximos anos.
Os anúncios feitos sem condições por ambos os candidatos presidenciais de gigantescos programas conjunturais não passam de fumaça; quanto ao financiamento da máquina militar e das suas intervenções nem uma palavra. Na realidade, o próximo presidente dos Estados Unidos terá de pagar as favas do desastre financeiro. Se a guerra do ordenamento mundial fracassar, extingue-se também a função da potência de garantia global e chega ao fim o dólar-armamento. Então não haverá objectivamente qualquer possibilidade de revalorizar outra vez o dólar, através de meras declarações diplomáticas, por exemplo dos ministros das finanças e dos presidentes dos bancos centrais do G-8. As consequências estão à vista. O comércio mundial no quadro da globalização poderá ser estrangulado, não só pelo fim do milagre do consumo dos EUA, mas também por uma crise monetária global, na sequência da crise do dólar.
Robert Kurz
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quinta-feira, agosto 07, 2008
Pensamentos…
“Mário Soares meteu o socialismo na gaveta, Sócrates fez desaparecer definitivamente a gaveta.”
José Gil, “Visão”, 7 de Agosto de 2008
http://topodacarreira.wordpress.com/
José Gil, “Visão”, 7 de Agosto de 2008
http://topodacarreira.wordpress.com/
Amazónia está à Venda!!!

O Brasil prevê leiloar em hasta pública quatro milhões de hectares de florestas amazónicas em 2009, para que sejam administradas de modo “sustentável” por empresas privadas, como parte de um plano que pretende preservar da destruição áreas públicas.
O chamado Plano de Concessões de 2009 prevê, além disso, gerar 700 milhões de reais para a chamada economia florestal sustentável e arrecadar 120 milhões de reais para organismos públicos de protecção, revelou o Ministério do Meio Ambiente.
Estas metas integram o Plano para 2009 do Serviço Florestal, cujos detalhes definitivos foram divulgados hoje, depois das suas linhas gerais terem sido submetidas a consultas públicas nas últimas semanas, em sete cidades amazónicas e em que participaram 320 pessoas.
O Plano inclui a exploração de áreas de preservação florestal nos Estados de Roraima, Amazonas, Pará, Acre e Rondónia.
A área foi definida a partir do registo nacional de florestas públicas, que soma 210 milhões de hectares, dos quais 198 milhões de hectares se encontram em áreas federais.
Desse total, foram excluídas as terras dos indígenas, as áreas de protecção integral e as de uso comunitário, o que levou a um total de 42,8 milhões de hectares legalmente aptos para concessões.
Desse total, chegou-se a 12 milhões de hectares depois de analisar quais teriam “potencial de exploração florestal sustentável”, onde haveria condições para obter licenças ambientais e, principalmente, que estivessem em áreas prioritárias para projectos de conservação e desenvolvimento social, segundo o governo.
A cifra final representa seis por cento do total de florestas públicas federais e a meta do serviço Florestal é a de que, em finais de 2009, já estejam quatro milhões de hectares em processo de concessão.
«A ideia é diminuir a ilegalidade do sector madeireiro e oferecer ao mercado alternativas para a produção sustentável», afirmou o director do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo. -
In Portugal Diário

A recente compra de uma vasta região na Amazónia por um empresário sueco levantou questões recorrentes na pauta dos brasileiros: estamos preparados para proteger a nossa floresta? O que impede que outros empresários estrangeiros “tomem posse” de cada vez mais áreas verdes de nosso país? Embora o alarde do “colonialismo verde”, ou seja, a aquisição de territórios da Amazónia para protecção da região, tenha sido lançado na grande imprensa como tendência para os próximos anos, especialistas afirmam que isto está longe de ser uma realidade.
LEIA MAIS AQUI
A Amazónia é uma das mais belas regiões do Mundo e é também conhecida como o “pulmão verde da Terra”. A Amazónia abriga 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna sendo considerada o maior reservatório global de biodiversidade. A área total vítima de desflorestação corresponde a 350 mil quilómetros quadrados. Ano após ano vai perdendo áreas brutais, numa competição com a pecuária, a agricultura e a extracção ilegal.
Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, desapareceram da Amazónia. Sobretudo a partir de 1988, desencadeou-se uma discussão internacional a respeito do papel da Amazónia no equilíbrio da biosfera e das consequências da devastação que, segundo os especialistas, pode inclusivamente alterar o clima da Terra.
A destruição da floresta amazónica no Brasil, que vinha desacelerando nos últimos três anos, está de novo a aumentar. Cerca de 7000 quilómetros quadrados -quase uma vez e meia a área do Algarve-terão sido arrasados entre Agosto e Dezembro de 2007.
http://raivaescondida.wordpress.com/
Os J O começam amanhã...
Os pobres aumentam e estão cada vez mais pobres
Governo mente ao dizer que portugueses vivem melhor
No passado dia 17 de Junho, numa entrevista na SIC Notícias, a uma pergunta da entrevistadora, o ministro Silva Pereira considerou que, no presente, meados de 2008, o nível de vida da população é melhor do que o existente à data da tomada de posse pelo actual executivo.
A jornalista ao fazer a pergunta, embora sem o expressar, deu a entender que tinha presente o estudo do Eurostat onde Portugal, no conjunto dos países da UE, aparecia em último lugar, a par de um país báltico, no que concerne à distribuição da riqueza, tendo como parâmetros os rendimentos dos 20% da população mais rica e o rendimento dos 20% mais pobres, isto para além de outras notícias reiterando que, em Portugal, há cerca de 2 milhões de pobres.
O ministro respondeu à pergunta sem se rir. Vejamos, a este propósito, se a resposta foi sincera ou, mefistofélica, ou seja, refinadamente desdenhosa, manhosa e sarcástica.
Para se perceber a resposta do ministro retenhamos, entre outros, os seguintes elementos de estudo: os dados do Eurostat, a estatística da Direcção Geral de Contribuições e Impostos, o documento do ISCTE sobre a pobreza, as conclusões do último Congresso sobre o Alentejo.
Comecemos pelo Eurostat. De acordo com o Departamento Estatístico da União Europeia, em 2004, no que concerne à distribuição da riqueza, o coeficiente entre os 20% mais ricos da população e os 20% mais pobres da população era de 6,8. O que é que isto quer dizer? Quer dizer o seguinte: O Departamento Estatístico da EU, na quantificação do rendimento global da população, desagrega-o por escalões, cuja desagregação mais divulgada é aquela que atrás foi referida. Apurado um e outro resultado, o Eurostat divide, de seguida, o rendimento dos mais ricos pelo rendimento dos mais pobres e acha um valor. Esse valor é o coeficiente que serve para medir as assimetrias, pelo que, quanto mais elevado for, maiores serão as diferenças na distribuição da riqueza e, quanto mais baixo for, menores serão, em termos de rendimentos, as diferenças sociais. É neste contexto que, para Portugal, foi encontrado o coeficiente 6,8 – o mais alto (juntamente com uma República do Báltico), enquanto a média da UE foi de 4,7. Para uma melhor compreensão destes coeficientes retenhamos, em teoria, de uma forma simplificada, os exemplos que a seguir se apresentam.
Partamos do princípio de que os mais ricos têm um rendimento global de 68 unidades e que os mais pobres têm um rendimento global de 10 unidades. Isto significa que estes últimos teriam de ter um aumento de rendimentos equivalente a 580% para ficarem no mesmo plano dos mais ricos.
Façamos as mesmas contas relativamente à média da UE. Neste caso os mais ricos teriam um rendimento global de 47 unidades e os mais pobres teriam um rendimento global de 10 unidades. Isto significa que estes últimos teriam de ter um aumento de rendimentos equivalente a 370% para ficarem no mesmo plano dos mais ricos, o que significa que, em Portugal, do ponto de vista relativo, os mais ricos são mais ricos do que os mais ricos da UE.
Mas estas percentagens, já de si perfeitamente escandalosas, reflectem o que se passa em Portugal? E mais: elas significam uma evolução positiva, a ter em conta a resposta do ministro na entrevista atrás referida? Não reflectem o que se passa, nem significam, de forma alguma, qualquer evolução positiva, como mais adiante iremos demonstrar.
Entretanto, o mesmo Eurostat divulgava que, em 2004, em Portugal, havia 957.000 habitantes com um rendimento diário inferior a 10 euros, dos quais 230.800 geriam o seu dia-a-dia com menos de 5 euros.
Também, aqui, tornamos a perguntar: a dimensão real das diferenças sociais serão as divulgadas pelo Eurostat, ou haverá uma outra realidade bem mais gravosa? Em nossa opinião a realidade é bem mais amarga, o que nos leva a questionar: como é que o Eurostat elabora os seus cálculos e quem é que lhes fornece a matéria-prima?
A DIMENSÃO DAS ASSIMETRIAS NA BASE DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS
Desconhecemos, pois, o critério do Eurostat, mas o que não desconhecemos são os efeitos de uma política que tem agravado e acentuado as diferenças sociais. E com que base é que fazemos tal afirmação? Com base nos rendimentos brutos declarados em sede de IRS.
Com efeito, o PCP solicitou ao Ministério das Finanças uma relação destes rendimentos desagregados por 26 escalões, indo do escalão referenciando os agregados familiares com rendimentos brutos anuais inferiores a 3.000 euros até aos agregados familiares com rendimentos brutos superiores a 1.000.000 de euros.
Reportada a 2006, a resposta dada contempla 4.370.111 agregados familiares, cujos rendimentos brutos declarados em sede de IRS totalizaram cerca de 76 mil milhões de euros, mais concretamente, 76.131.233.350 euros, dos quais 95,6% diziam respeito ao Continente e os restantes 4,4% aos Açores e à Madeira.
Retenhamos os dados relativos ao Continente. A que conclusões chegámos na base do critério estabelecido pelo Eurostat às assimetrias sociais?
As conclusões [1] são as seguintes:
– 20% do rendimento bruto mais elevado, em sede de IRS, está concentrado nos 3,1% dos agregados familiares mais ricos;
– 20% do rendimento bruto mais baixo, em sede de IRS, corresponde ao rendimento dos 53% dos agregados familiares mais pobres.
Traduzindo estas percentagens em valores, os resultados são os seguintes:
– os 3,1% mais ricos tiveram, em 2006, um rendimento médio anual de 112.493 euros;
– os 53% mais pobres tiveram, em 2006, um rendimento médio anual de 6580 euros.
Traduzindo aquelas percentagens em agregados familiares, os resultados são os seguintes:
– os 3,1% mais ricos correspondem a 129.424 agregados familiares;
– os 53% mais pobres correspondem a 2.212.731 agregados familiares.
Daqui decorre que o coeficiente, na base dos rendimentos monetários brutos declarados em sede de IRS, é de 17,1 enquanto o coeficiente calculado pelo Eurostat é de 6,8, presumimos que na base dos rendimentos totais líquidos.
Estamos, pois, perante uma enorme diferença no coeficiente que mede as assimetrias na distribuição da riqueza. Embora haja uma diferença de critérios, estes não explicam porque é que nos rendimentos monetários brutos declarados em sede de IRS o coeficiente é de 17,1, valor muitíssimo superior aos 6,8 calculados pelo Eurostat. Há, certamente, quem esteja interessado em “triturar a estatística” por forma a enfatizar os esforços feitos pelos sucessivos governos para fazer crer que em Portugal há uma progressiva aproximação, na distribuição da riqueza, aos valores médios da UE.
É verdade que o nosso estudo tem por base o rendimento bruto, sobre o qual incidem os impostos, facto que esbate, obviamente, as diferenças atrás referidas, embora abaixo do que seria desejável. Com efeito, o IRS liquidado em 2006 significou uma taxa efectiva média na ordem dos 10,2%, percentagem praticamente igual às verificadas em 2004 e 2005. Isto significa que a progressividade deste imposto não penaliza os grandes rendimentos, cujos interesses dos seus detentores se sobrepõem ao esforço da maioria dos contribuintes, os trabalhadores por conta de outrém, ou seja, os mesmos pagantes de sempre.
É verdade que há rendimentos provenientes de prestações sociais que não são incluídos na declaração de IRS, mas cujos valores são meramente residuais.
Mas em oposição a tais verdades, é igualmente verdade que não incluímos nem a designada economia paralela, nem o negócio das facturas falsas, nem as manigâncias dos off-shores, nem o efeito da fuga aos impostos. Sobre tudo isto é melhor a direita e as respectivas “vozes do dono” estarem caladinhas, porque uma coisa são as grandes negociatas, de que a “Operação Furacão”, o “SIRESP”, o caso “Portucale”, o negócio com o “Casino de Lisboa” entre muitas outras são meros exemplos, e outra coisa são as tarefas feitas pelos pedreiros, pintores, canalizadores pagos ao dia, e pelas empregadas domésticas pagas à hora, pagamentos feitos a uns e a outras à revelia da Segurança Social e da declaração de rendimentos em sede de IRS.
É verdade, a ter em conta aquilo que foi publicado na nossa comunicação social que, a título de mero exemplo, um autarca do concelho de Oeiras teria recebido, como contrapartida das suas actividades, 351.139 euros entre 1993 e 2002, embora no mesmo período tivesse, em seu nome e no de terceiros, depositado, em numerário, qualquer coisa como 1.321.000 euros, o que indicia a existência de muita gente bem colocada a declarar menos daquilo que são os seus rendimentos efectivos, situações a quilómetros luz dos rendimentos provenientes dos “biscates”, cujos proventos, na maior parte dos casos, são chapa-ganha, chapa-gasta.
É verdade que não incluímos os chamados rendimentos não monetários. Mas sobre isto há que desfazer o mito de que quem tem uma pequena courela ou possua uns pequenos apetrechos de pesca consegue, por essa via, melhorar significativamente a sua situação social. Puro engano.
Com efeito, de acordo com um estudo do ISCTE, “Formulação de Propostas de Concepção Estratégica das Intervenções Operacionais no Domínio da Inclusão Social” (página 109), é possível constatar que a influência dos rendimentos não monetários retiram, apenas, cerca de 135.000 pessoas do limiar da pobreza.
Também é verdade que não incluímos a sopa dos pobres, nem as iniciativas inseridas nas acções assistencialistas de quem, usando a filantropia, mais não faz do que enganar a fome a um número escasso de pessoas, num escasso número de dias, deixando-as depois entregues à voracidade de um sistema que, simultaneamente, de uma forma simétrica, tanto cria o rico como cria o pobre, tanto cria a burguesia como cria o proletariado, ou seja, como dizia Karl Marx, na obra Miséria da Filosofia, as relações que produzem a riqueza produzem, também, a miséria.
O NÚMERO DE POBRES AUMENTA
A este propósito, falando de miséria, voltemos aos dados oficiais fornecidos pela Direcção Geral de Contribuições e Impostos.
Através deles é possível contabilizar que, em 2006, na base da população estimada para o continente (10.110.271 residentes), correlacionada com os 4.174.965 agregados familiares e com a respectiva dimensão média, havia 153 agregados familiares com rendimentos anuais superiores a 1 milhão de euros, enquanto, no lado oposto, havia:
– cerca de 754.000 habitantes com um rendimento médio diário de 2,11 euros;
– cerca de 545.000 habitantes com um rendimento médio diário de 4,24 euros;
– cerca de 951.000 habitantes com um rendimento médio diário de 6,00 euros;
– cerca de 962.000 habitantes com um rendimento médio diário de 7,61 euros;
– cerca de 821.000 habitantes com um rendimento médio diário de 9,33 euros.
Que universo é este?
É o universo que, grosso modo, abrange 1.665.932 agregados familiares com rendimentos anuais inferiores a 9.000 euros.
Tendo em consideração que, em média, cada agregado familiar – não confundir este conceito com família clássica – para efeito de declaração de rendimentos, é constituído por 2,42 pessoas, eis como, em Portugal, na parte continental, cerca de 40% da população sobrevive com tão baixos rendimentos monetários, tendo em conta, convém salientar, os valores declarados oficialmente em sede de IRS.
Sobre isto três pequenas observações:
– A comunicação social de 16/6 referia, no contexto do XIV Congresso do Alentejo, que cerca de 30% da população alentejana vivia com um rendimento inferior a 10 euros por dia;
– O jornal Público, em 17/6, numa excelente reportagem sobre os mais pobres, referia, em termos de famílias concretas, casos de pessoas a viver com menos de 8 euros por dia;
– O Eurostat, na página 24 do estudo sobre a situação social da União Europeia, informava que 9,1% da população vivia com menos de 10 euros por dia, havendo 2,2% da população com rendimentos inferiores a 5 euros por dia.
Os dados relativos ao Alentejo distanciam-se, como é evidente, da estatística do Eurostat e aproximam se dos nossos cálculos.
Aliás, convém dizer, tomando como referência o já referido estudo do ISCTE, que o nível de pobreza no Alentejo, embora elevado, não é dos mais elevados do País, pelo que a percentagem de 30% dos alentejanos a sobreviver com menos de 10 euros por dia deve ser, a nível nacional, majorada.
A maior pobreza, de acordo com o ISCTE, em termos percentuais, tendo em consideração a população residente, está localizada nos Açores, Madeira e Algarve, com percentagens respectivamente de 35%, 33% e 23,5%. No Alentejo, a percentagem é de 22%, fortemente influenciada, a nosso ver, pela existência de uma elevadíssima população envelhecida a receber pensões de miséria, pensões que tenderão a baixar o nível de vida face ao retrocesso social imposto pelas alterações havidas no Sistema Público de Segurança Social e no Regime da Função Pública, da responsabilidade do Governo de José Sócrates.
Os dados fornecidos pelo Eurostat, esses, insistimos, parecem estar muito aquém dos nossos, embora refiram a existência de 957.000 pessoas a sobreviver com um rendimento diário inferior a 10 euros. Pelos nossos cálculos haverá muito mais. Quem tem razão?
A par dessa avaliação e dessa divulgação devemos, igualmente, reflectir sobre o poder político, correlacionando o quer com o poder político das 154 famílias (153 do continente e 1 da Madeira) com os mais elevados rendimentos, quer com o poder político dos milhões de portugueses com os rendimentos anuais mais baixos, tendo em consideração que, no capitalismo, vigora um sistema de vasos comunicantes que faz ascender, no plano do poder, aqueles que detêm o capital, a cuja ascensão corresponde a regressão do poder dos explorados.
A par dessa avaliação e dessa divulgação, devemos igualmente reflectir sobre o conceito de liberdade, questionando: que liberdade é esta que possibilita, formalmente, a todos nós, podermos, na rua, gritar “Viva a Liberdade” e, em casa, muitos dos nossos concidadãos serem confrontados com a falta de comida para alimentar os seus filhos? Que liberdade é esta?
É a liberdade formatada a uma sociedade de classes antagónicas onde a pobreza não é, apenas e só, a falta de recursos. A pobreza é muito mais que isso.
É, também, a falta de poder.
É, também, a falta de liberdade.
_____
[1] Cálculos feitos por Elsa Maria Alves Dias.
Anselmo Dias
http://www.infoalternativa.org/portugal/port207.htm
No passado dia 17 de Junho, numa entrevista na SIC Notícias, a uma pergunta da entrevistadora, o ministro Silva Pereira considerou que, no presente, meados de 2008, o nível de vida da população é melhor do que o existente à data da tomada de posse pelo actual executivo.
A jornalista ao fazer a pergunta, embora sem o expressar, deu a entender que tinha presente o estudo do Eurostat onde Portugal, no conjunto dos países da UE, aparecia em último lugar, a par de um país báltico, no que concerne à distribuição da riqueza, tendo como parâmetros os rendimentos dos 20% da população mais rica e o rendimento dos 20% mais pobres, isto para além de outras notícias reiterando que, em Portugal, há cerca de 2 milhões de pobres.
O ministro respondeu à pergunta sem se rir. Vejamos, a este propósito, se a resposta foi sincera ou, mefistofélica, ou seja, refinadamente desdenhosa, manhosa e sarcástica.
Para se perceber a resposta do ministro retenhamos, entre outros, os seguintes elementos de estudo: os dados do Eurostat, a estatística da Direcção Geral de Contribuições e Impostos, o documento do ISCTE sobre a pobreza, as conclusões do último Congresso sobre o Alentejo.
Comecemos pelo Eurostat. De acordo com o Departamento Estatístico da União Europeia, em 2004, no que concerne à distribuição da riqueza, o coeficiente entre os 20% mais ricos da população e os 20% mais pobres da população era de 6,8. O que é que isto quer dizer? Quer dizer o seguinte: O Departamento Estatístico da EU, na quantificação do rendimento global da população, desagrega-o por escalões, cuja desagregação mais divulgada é aquela que atrás foi referida. Apurado um e outro resultado, o Eurostat divide, de seguida, o rendimento dos mais ricos pelo rendimento dos mais pobres e acha um valor. Esse valor é o coeficiente que serve para medir as assimetrias, pelo que, quanto mais elevado for, maiores serão as diferenças na distribuição da riqueza e, quanto mais baixo for, menores serão, em termos de rendimentos, as diferenças sociais. É neste contexto que, para Portugal, foi encontrado o coeficiente 6,8 – o mais alto (juntamente com uma República do Báltico), enquanto a média da UE foi de 4,7. Para uma melhor compreensão destes coeficientes retenhamos, em teoria, de uma forma simplificada, os exemplos que a seguir se apresentam.
Partamos do princípio de que os mais ricos têm um rendimento global de 68 unidades e que os mais pobres têm um rendimento global de 10 unidades. Isto significa que estes últimos teriam de ter um aumento de rendimentos equivalente a 580% para ficarem no mesmo plano dos mais ricos.
Façamos as mesmas contas relativamente à média da UE. Neste caso os mais ricos teriam um rendimento global de 47 unidades e os mais pobres teriam um rendimento global de 10 unidades. Isto significa que estes últimos teriam de ter um aumento de rendimentos equivalente a 370% para ficarem no mesmo plano dos mais ricos, o que significa que, em Portugal, do ponto de vista relativo, os mais ricos são mais ricos do que os mais ricos da UE.
Mas estas percentagens, já de si perfeitamente escandalosas, reflectem o que se passa em Portugal? E mais: elas significam uma evolução positiva, a ter em conta a resposta do ministro na entrevista atrás referida? Não reflectem o que se passa, nem significam, de forma alguma, qualquer evolução positiva, como mais adiante iremos demonstrar.
Entretanto, o mesmo Eurostat divulgava que, em 2004, em Portugal, havia 957.000 habitantes com um rendimento diário inferior a 10 euros, dos quais 230.800 geriam o seu dia-a-dia com menos de 5 euros.
Também, aqui, tornamos a perguntar: a dimensão real das diferenças sociais serão as divulgadas pelo Eurostat, ou haverá uma outra realidade bem mais gravosa? Em nossa opinião a realidade é bem mais amarga, o que nos leva a questionar: como é que o Eurostat elabora os seus cálculos e quem é que lhes fornece a matéria-prima?
A DIMENSÃO DAS ASSIMETRIAS NA BASE DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS
Desconhecemos, pois, o critério do Eurostat, mas o que não desconhecemos são os efeitos de uma política que tem agravado e acentuado as diferenças sociais. E com que base é que fazemos tal afirmação? Com base nos rendimentos brutos declarados em sede de IRS.
Com efeito, o PCP solicitou ao Ministério das Finanças uma relação destes rendimentos desagregados por 26 escalões, indo do escalão referenciando os agregados familiares com rendimentos brutos anuais inferiores a 3.000 euros até aos agregados familiares com rendimentos brutos superiores a 1.000.000 de euros.
Reportada a 2006, a resposta dada contempla 4.370.111 agregados familiares, cujos rendimentos brutos declarados em sede de IRS totalizaram cerca de 76 mil milhões de euros, mais concretamente, 76.131.233.350 euros, dos quais 95,6% diziam respeito ao Continente e os restantes 4,4% aos Açores e à Madeira.
Retenhamos os dados relativos ao Continente. A que conclusões chegámos na base do critério estabelecido pelo Eurostat às assimetrias sociais?
As conclusões [1] são as seguintes:
– 20% do rendimento bruto mais elevado, em sede de IRS, está concentrado nos 3,1% dos agregados familiares mais ricos;
– 20% do rendimento bruto mais baixo, em sede de IRS, corresponde ao rendimento dos 53% dos agregados familiares mais pobres.
Traduzindo estas percentagens em valores, os resultados são os seguintes:
– os 3,1% mais ricos tiveram, em 2006, um rendimento médio anual de 112.493 euros;
– os 53% mais pobres tiveram, em 2006, um rendimento médio anual de 6580 euros.
Traduzindo aquelas percentagens em agregados familiares, os resultados são os seguintes:
– os 3,1% mais ricos correspondem a 129.424 agregados familiares;
– os 53% mais pobres correspondem a 2.212.731 agregados familiares.
Daqui decorre que o coeficiente, na base dos rendimentos monetários brutos declarados em sede de IRS, é de 17,1 enquanto o coeficiente calculado pelo Eurostat é de 6,8, presumimos que na base dos rendimentos totais líquidos.
Estamos, pois, perante uma enorme diferença no coeficiente que mede as assimetrias na distribuição da riqueza. Embora haja uma diferença de critérios, estes não explicam porque é que nos rendimentos monetários brutos declarados em sede de IRS o coeficiente é de 17,1, valor muitíssimo superior aos 6,8 calculados pelo Eurostat. Há, certamente, quem esteja interessado em “triturar a estatística” por forma a enfatizar os esforços feitos pelos sucessivos governos para fazer crer que em Portugal há uma progressiva aproximação, na distribuição da riqueza, aos valores médios da UE.
É verdade que o nosso estudo tem por base o rendimento bruto, sobre o qual incidem os impostos, facto que esbate, obviamente, as diferenças atrás referidas, embora abaixo do que seria desejável. Com efeito, o IRS liquidado em 2006 significou uma taxa efectiva média na ordem dos 10,2%, percentagem praticamente igual às verificadas em 2004 e 2005. Isto significa que a progressividade deste imposto não penaliza os grandes rendimentos, cujos interesses dos seus detentores se sobrepõem ao esforço da maioria dos contribuintes, os trabalhadores por conta de outrém, ou seja, os mesmos pagantes de sempre.
É verdade que há rendimentos provenientes de prestações sociais que não são incluídos na declaração de IRS, mas cujos valores são meramente residuais.
Mas em oposição a tais verdades, é igualmente verdade que não incluímos nem a designada economia paralela, nem o negócio das facturas falsas, nem as manigâncias dos off-shores, nem o efeito da fuga aos impostos. Sobre tudo isto é melhor a direita e as respectivas “vozes do dono” estarem caladinhas, porque uma coisa são as grandes negociatas, de que a “Operação Furacão”, o “SIRESP”, o caso “Portucale”, o negócio com o “Casino de Lisboa” entre muitas outras são meros exemplos, e outra coisa são as tarefas feitas pelos pedreiros, pintores, canalizadores pagos ao dia, e pelas empregadas domésticas pagas à hora, pagamentos feitos a uns e a outras à revelia da Segurança Social e da declaração de rendimentos em sede de IRS.
É verdade, a ter em conta aquilo que foi publicado na nossa comunicação social que, a título de mero exemplo, um autarca do concelho de Oeiras teria recebido, como contrapartida das suas actividades, 351.139 euros entre 1993 e 2002, embora no mesmo período tivesse, em seu nome e no de terceiros, depositado, em numerário, qualquer coisa como 1.321.000 euros, o que indicia a existência de muita gente bem colocada a declarar menos daquilo que são os seus rendimentos efectivos, situações a quilómetros luz dos rendimentos provenientes dos “biscates”, cujos proventos, na maior parte dos casos, são chapa-ganha, chapa-gasta.
É verdade que não incluímos os chamados rendimentos não monetários. Mas sobre isto há que desfazer o mito de que quem tem uma pequena courela ou possua uns pequenos apetrechos de pesca consegue, por essa via, melhorar significativamente a sua situação social. Puro engano.
Com efeito, de acordo com um estudo do ISCTE, “Formulação de Propostas de Concepção Estratégica das Intervenções Operacionais no Domínio da Inclusão Social” (página 109), é possível constatar que a influência dos rendimentos não monetários retiram, apenas, cerca de 135.000 pessoas do limiar da pobreza.
Também é verdade que não incluímos a sopa dos pobres, nem as iniciativas inseridas nas acções assistencialistas de quem, usando a filantropia, mais não faz do que enganar a fome a um número escasso de pessoas, num escasso número de dias, deixando-as depois entregues à voracidade de um sistema que, simultaneamente, de uma forma simétrica, tanto cria o rico como cria o pobre, tanto cria a burguesia como cria o proletariado, ou seja, como dizia Karl Marx, na obra Miséria da Filosofia, as relações que produzem a riqueza produzem, também, a miséria.
O NÚMERO DE POBRES AUMENTA
A este propósito, falando de miséria, voltemos aos dados oficiais fornecidos pela Direcção Geral de Contribuições e Impostos.
Através deles é possível contabilizar que, em 2006, na base da população estimada para o continente (10.110.271 residentes), correlacionada com os 4.174.965 agregados familiares e com a respectiva dimensão média, havia 153 agregados familiares com rendimentos anuais superiores a 1 milhão de euros, enquanto, no lado oposto, havia:
– cerca de 754.000 habitantes com um rendimento médio diário de 2,11 euros;
– cerca de 545.000 habitantes com um rendimento médio diário de 4,24 euros;
– cerca de 951.000 habitantes com um rendimento médio diário de 6,00 euros;
– cerca de 962.000 habitantes com um rendimento médio diário de 7,61 euros;
– cerca de 821.000 habitantes com um rendimento médio diário de 9,33 euros.
Que universo é este?
É o universo que, grosso modo, abrange 1.665.932 agregados familiares com rendimentos anuais inferiores a 9.000 euros.
Tendo em consideração que, em média, cada agregado familiar – não confundir este conceito com família clássica – para efeito de declaração de rendimentos, é constituído por 2,42 pessoas, eis como, em Portugal, na parte continental, cerca de 40% da população sobrevive com tão baixos rendimentos monetários, tendo em conta, convém salientar, os valores declarados oficialmente em sede de IRS.
Sobre isto três pequenas observações:
– A comunicação social de 16/6 referia, no contexto do XIV Congresso do Alentejo, que cerca de 30% da população alentejana vivia com um rendimento inferior a 10 euros por dia;
– O jornal Público, em 17/6, numa excelente reportagem sobre os mais pobres, referia, em termos de famílias concretas, casos de pessoas a viver com menos de 8 euros por dia;
– O Eurostat, na página 24 do estudo sobre a situação social da União Europeia, informava que 9,1% da população vivia com menos de 10 euros por dia, havendo 2,2% da população com rendimentos inferiores a 5 euros por dia.
Os dados relativos ao Alentejo distanciam-se, como é evidente, da estatística do Eurostat e aproximam se dos nossos cálculos.
Aliás, convém dizer, tomando como referência o já referido estudo do ISCTE, que o nível de pobreza no Alentejo, embora elevado, não é dos mais elevados do País, pelo que a percentagem de 30% dos alentejanos a sobreviver com menos de 10 euros por dia deve ser, a nível nacional, majorada.
A maior pobreza, de acordo com o ISCTE, em termos percentuais, tendo em consideração a população residente, está localizada nos Açores, Madeira e Algarve, com percentagens respectivamente de 35%, 33% e 23,5%. No Alentejo, a percentagem é de 22%, fortemente influenciada, a nosso ver, pela existência de uma elevadíssima população envelhecida a receber pensões de miséria, pensões que tenderão a baixar o nível de vida face ao retrocesso social imposto pelas alterações havidas no Sistema Público de Segurança Social e no Regime da Função Pública, da responsabilidade do Governo de José Sócrates.
Os dados fornecidos pelo Eurostat, esses, insistimos, parecem estar muito aquém dos nossos, embora refiram a existência de 957.000 pessoas a sobreviver com um rendimento diário inferior a 10 euros. Pelos nossos cálculos haverá muito mais. Quem tem razão?
A par dessa avaliação e dessa divulgação devemos, igualmente, reflectir sobre o poder político, correlacionando o quer com o poder político das 154 famílias (153 do continente e 1 da Madeira) com os mais elevados rendimentos, quer com o poder político dos milhões de portugueses com os rendimentos anuais mais baixos, tendo em consideração que, no capitalismo, vigora um sistema de vasos comunicantes que faz ascender, no plano do poder, aqueles que detêm o capital, a cuja ascensão corresponde a regressão do poder dos explorados.
A par dessa avaliação e dessa divulgação, devemos igualmente reflectir sobre o conceito de liberdade, questionando: que liberdade é esta que possibilita, formalmente, a todos nós, podermos, na rua, gritar “Viva a Liberdade” e, em casa, muitos dos nossos concidadãos serem confrontados com a falta de comida para alimentar os seus filhos? Que liberdade é esta?
É a liberdade formatada a uma sociedade de classes antagónicas onde a pobreza não é, apenas e só, a falta de recursos. A pobreza é muito mais que isso.
É, também, a falta de poder.
É, também, a falta de liberdade.
_____
[1] Cálculos feitos por Elsa Maria Alves Dias.
Anselmo Dias
http://www.infoalternativa.org/portugal/port207.htm
Vaticano - o último Estado totalitário da Europa
Eutanásia:
Justiça italiana aprovou suspensão de tratamento.
Políticos e Vaticano em desacordo.
Nota: O gozo do clero com o sofrimento alheio só é comparável ao que sentia com as fogueiras do Santo Ofício.
http://www.ateismo.net/
Justiça italiana aprovou suspensão de tratamento.
Políticos e Vaticano em desacordo.
Nota: O gozo do clero com o sofrimento alheio só é comparável ao que sentia com as fogueiras do Santo Ofício.
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Lucros da EDP atingem 962,4 milhões de euros só no 1º semestre de 2008 com preços de electricidade que chegam a ser superiores em 22% à UE15
A EDP acabou de divulgar as contas referentes ao 1º semestre de 2008. E elas revelam que os lucros do grupo da EDP, só no 1º semestre de 2008, atingiram 962,4 milhões de euros, ou seja, mais 44% do que em igual período de 2007, que tinham sido de 668,2 milhões de euros. É esclarecedor que, embora os lucros antes de impostos tenham aumentado em 44%, os impostos a pagar pela empresa sobre aqueles lucros subiram apenas 4%, pois passaram de 176,7 milhões de euros para 184,1 milhões de euros, de acordo com as próprias contas da EDP. Como consequência, os lucros líquidos da EDP depois de deduzir os impostos aumentaram 56,6% no 1º semestre de 2008 relativamente ao 1º semestre de 2007, pois passaram de 491,5 milhões de euros para 703 milhões de euros, mas os lucros a distribuir aos accionista cresceram 66,6%. É um verdadeiro festim à custa dos consumidores.
Estes lucros impressionantes foram conseguidos também à custa de preços elevados pagos por mais de 4 milhões de consumidores domésticos, ou seja, por milhões de famílias portuguesas que vivem com dificuldades crescentes. Assim, de acordo com dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço pago por um kWh por um consumidor doméstico é 191% superior ao preço pago por um consumidor de “muita alta tensão”; 174,2% superior ao preço pago por um consumidor de “alta tensão”; 116,8% superior ao preço pago por um de média tensão “diagrama rectangular”; 69,8% superior ao preço pago por um consumidor de média tensão “médio industrial”; e 43,1% superior ao preço pago por um consumidor de baixa tensão “pequeno industrial”.
Também segundo a Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, ou seja, com consumos médios mensais até 50 kWh, que são aqueles que pagam por mês apenas 7,75 euros incluindo o IVA, o que é uma percentagem muito reduzida de consumidores domésticos, mas tomando como base de comparação o preço da electricidade sem impostos, porque é aquele que reverte para as empresas e que constitui a fonte dos seus lucros, conclui-se que, no 2º semestre de 2007, o preço da electricidade em Portugal era superior ao preço médio da União Europeia dos 15 países, para os consumidores tipo “DB” (consumo médio mensal 100 kWh) em +19,3%, para os consumidores do tipo “DC” (consumo médio de 292 kWh) em +22,1%; para os consumidores do tipo “DD” (consumo médio mensal de 625 kWh) em mais +16,4%; e para os consumidores do tipo “DE” +18,1%. Apenas para os consumidores do tipo “DA”, ou seja, para aqueles que pagam em média por mês apenas 7,75 euros com IVA, que são poucos, é que o preço do kWh era, sem impostos, inferior em –10,8%.
Em resumo, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, cujo número é reduzido, o preço da electricidade em Portugal, sem impostos, ou seja, aquele que reverte integralmente paras as empresas, era superior ao preço médio da UE15 entre 16,4% (consumidores tipo “DD”) e 22,1% (consumidores tipo “DC”). Estes últimos (consumidores do tipo “DC”) representam 36% dos consumidores domésticos, e o seu consumo corresponde a 48% do consumo de todos os consumidores domésticos e pagam mais 22%. Só o facto dos impostos sobre a electricidade em Portugal serem inferiores entre 77,2% e 82,6% à média da União Europeia dos 15 é que impede a situação de ser ainda mais incomportável para os consumidores domésticos portugueses. O OE está assim também a financiar os lucros da EDP. E a EDP pretende ainda impor em 2009 um grande aumento dos preços da electricidade com a justificação da existência de um elevado défice tarifário.
É evidente que com preços desta natureza a EDP tem de ter lucros elevadíssimos. Não é preciso ser um grande gestor para conseguir isso, face à passividade do governo e da entidade reguladora (ERSE), que até teve o descaramento de propor que as dívidas incobráveis da EDP fossem pagas pelos clientes que pagam pontualmente. Por aqui se vê o tipo de fiscalização que existe actualmente em Portugal em relação aos grandes grupos económicos.
Eugénio Rosa
http://www.infoalternativa.org/autores/eugrosa/eugrosa183.htm
Estes lucros impressionantes foram conseguidos também à custa de preços elevados pagos por mais de 4 milhões de consumidores domésticos, ou seja, por milhões de famílias portuguesas que vivem com dificuldades crescentes. Assim, de acordo com dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço pago por um kWh por um consumidor doméstico é 191% superior ao preço pago por um consumidor de “muita alta tensão”; 174,2% superior ao preço pago por um consumidor de “alta tensão”; 116,8% superior ao preço pago por um de média tensão “diagrama rectangular”; 69,8% superior ao preço pago por um consumidor de média tensão “médio industrial”; e 43,1% superior ao preço pago por um consumidor de baixa tensão “pequeno industrial”.
Também segundo a Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, ou seja, com consumos médios mensais até 50 kWh, que são aqueles que pagam por mês apenas 7,75 euros incluindo o IVA, o que é uma percentagem muito reduzida de consumidores domésticos, mas tomando como base de comparação o preço da electricidade sem impostos, porque é aquele que reverte para as empresas e que constitui a fonte dos seus lucros, conclui-se que, no 2º semestre de 2007, o preço da electricidade em Portugal era superior ao preço médio da União Europeia dos 15 países, para os consumidores tipo “DB” (consumo médio mensal 100 kWh) em +19,3%, para os consumidores do tipo “DC” (consumo médio de 292 kWh) em +22,1%; para os consumidores do tipo “DD” (consumo médio mensal de 625 kWh) em mais +16,4%; e para os consumidores do tipo “DE” +18,1%. Apenas para os consumidores do tipo “DA”, ou seja, para aqueles que pagam em média por mês apenas 7,75 euros com IVA, que são poucos, é que o preço do kWh era, sem impostos, inferior em –10,8%.
Em resumo, exceptuando os consumidores do tipo “DA”, cujo número é reduzido, o preço da electricidade em Portugal, sem impostos, ou seja, aquele que reverte integralmente paras as empresas, era superior ao preço médio da UE15 entre 16,4% (consumidores tipo “DD”) e 22,1% (consumidores tipo “DC”). Estes últimos (consumidores do tipo “DC”) representam 36% dos consumidores domésticos, e o seu consumo corresponde a 48% do consumo de todos os consumidores domésticos e pagam mais 22%. Só o facto dos impostos sobre a electricidade em Portugal serem inferiores entre 77,2% e 82,6% à média da União Europeia dos 15 é que impede a situação de ser ainda mais incomportável para os consumidores domésticos portugueses. O OE está assim também a financiar os lucros da EDP. E a EDP pretende ainda impor em 2009 um grande aumento dos preços da electricidade com a justificação da existência de um elevado défice tarifário.
É evidente que com preços desta natureza a EDP tem de ter lucros elevadíssimos. Não é preciso ser um grande gestor para conseguir isso, face à passividade do governo e da entidade reguladora (ERSE), que até teve o descaramento de propor que as dívidas incobráveis da EDP fossem pagas pelos clientes que pagam pontualmente. Por aqui se vê o tipo de fiscalização que existe actualmente em Portugal em relação aos grandes grupos económicos.
Eugénio Rosa
http://www.infoalternativa.org/autores/eugrosa/eugrosa183.htm
Por que razão MLR abriu a caça aos professores? Uma tentativa de explicação com base em experiências de vida
Em relação a MLR, houve óbvios e graves problemas familiares que a levaram a frequentar, em sistema de internato, um (ou o) colégio feminino da Casa Pia de Lisboa, e que não estão minimamente resolvidos. Os indícios comportamentais que levam a esta constatação atravessam todo o discurso e postura na função que desempenha.
A saber:
1. Escola a tempo inteiro - o "Estado" foi a família dela e assim deve ser para todas as crianças e jovens portugueses; se, do ponto de vista político, lhe fosse permitido,"estatizava os alunos" e retirava-os das famílias.
2. Actividades extra-curriculares - subentende-se que no colégio interno de freiras que frequentou (anos antes de Abril de 74), as actividades de lazer que ela preferia não eram respeitadas minimamente. As alunas tinham de estar sempre ocupadas em actividades que as direccionavam para serem "boas esposas e mães"; Não agrada a MLR que as crianças e jovens portugueses tenham momentos de lazer ou de alegria espontânea. Se lhe fosse permitido, ficavam a dormir na escola e estavam com os tempos todos ocupados e pré-definidos de actividades. MLR não teve direito ao gostoso "Um furo, que bom!!! A Stora faltaaaaaaaaaaaa!" e essa ausência explica o fervor com que defende as aulas de substituição.
3. Necessidade de normalizar/padronizar tudo e controlar (o contrário da Vida que é diversidade) - legislar doentiamente para padronizar tudo; uma necessidade de controlo própria das pessoas com uma enorme falta de segurança pessoal e fracas.
Ana
http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/
A saber:
1. Escola a tempo inteiro - o "Estado" foi a família dela e assim deve ser para todas as crianças e jovens portugueses; se, do ponto de vista político, lhe fosse permitido,"estatizava os alunos" e retirava-os das famílias.
2. Actividades extra-curriculares - subentende-se que no colégio interno de freiras que frequentou (anos antes de Abril de 74), as actividades de lazer que ela preferia não eram respeitadas minimamente. As alunas tinham de estar sempre ocupadas em actividades que as direccionavam para serem "boas esposas e mães"; Não agrada a MLR que as crianças e jovens portugueses tenham momentos de lazer ou de alegria espontânea. Se lhe fosse permitido, ficavam a dormir na escola e estavam com os tempos todos ocupados e pré-definidos de actividades. MLR não teve direito ao gostoso "Um furo, que bom!!! A Stora faltaaaaaaaaaaaa!" e essa ausência explica o fervor com que defende as aulas de substituição.
3. Necessidade de normalizar/padronizar tudo e controlar (o contrário da Vida que é diversidade) - legislar doentiamente para padronizar tudo; uma necessidade de controlo própria das pessoas com uma enorme falta de segurança pessoal e fracas.
Ana
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quarta-feira, agosto 06, 2008
É bom para o Comité aprender
A Internet, durante os Jogos Olímpicos, permanecerá censurada. E assim, a China conquista a primeira Medalha de Ouro numa modalidade que conhece bem.
http://lobi.blogs.sapo.pt/
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Clínica Persona e Mercedes lançam modelo de automóvel movido a banha do condutor
A Clínica Persona e o fabricante alemão iniciaram uma parceria que pretende resolver dois problemas ao mesmo tempo: acabar com a obesidade e criar uma alternativa energética face à actual crise dos combustíveis. O Mercedes Classe A Lipo possui um sistema de abastecimento constituído por tubos e um dispositivo de sucção que estebelece a ligação entre o motor da viatura e o condutor. Esta viatura tem um baixo consumo, sobretudo em condução citadina - cerca de 416 calorias/100 km, o equivalente a um Bollycao. O Mercedes Classe A Lipo já está a ser comercializado em Portugal, tendo a polícia detectado nas últimas semanas corridas de street racing na Ponte Vasco da Gama com este modelo: em cada Mercedes Lipo concorrente são colocados quatro obesos mórbidos ligados ao mesmo tempo a quatro tubos de lipoaspiração à venda em lojas tuning. Para o carro chegar aos 300 km/h basta que cada passageiro ingira 24 bolachas Oreo por minuto.
http://biscoitointerrompido.blogspot.com/
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Deve ser cansativo
Vamos excepcionalmente à actualidade, num instante, para falarmos sobre Sá Fernandes e sobre o Bloco de Esquerda. Pela minha parte, não estou interessado em saber se é Sá Fernandes mais bloquista que o Bloco ou o Bloco mais sáfernandista que Sá Fernandes; o que me espanta é a disponibilidade de algumas pessoas para serem permanentemente os bobos da corte.
http://lobi.blogs.sapo.pt/
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Computador Magalhães coloca-se ao serviço dos espanhóis
A notícia caiu como um autêntico balde de água fria sobre as ambições tecnológicas do governo socialista. O Magalhães, computador simplificado destinadado ao público infantil apresentado esta semana por um José Sócrates eufórico, traz um erro de software que, depois do terceiro arranque do equipamento, adopta o castelhano como primeira língua, coloca uma fotografia da selecção campeã europeia de futebol como fundo do ambiente de trabalho e substitui todos os tons sonoros por trechos de flamenco. Não deixa de ser irónico que o equipamento se tenha "vendido" desta forma aos espanhóis, precisamente como fez o navegador português cujo nome recebeu. O primeiro-ministro, no entanto, não apreciou a ironia e continua a insistir nas qualidades de algo que foi apresentado como sendo "o primeiro computador de fabrico português", apesar de se tratar de um produto destinado ao terceiro-mundo que a empresa americana Intel já comercializa há algum tempo. "O Magalhães representa o melhor de que os portugueses são capazes na apropriação de méritos alheios como nossos", referiu, voltando a apontar a utilidade do equipamento como primeiro contacto dos jovens com a informática. E com razão. Afinal, quando temos crianças que mal sabem falar já a utilizar computadores normais, nada será mais útil do que atrofiar-lhes essa habilidade natural com um computador "para totós", que exigirá posterior e penosa transição para o equipamento "adulto". O rumor de que a alegria de Sócrates na apresentação do projecto se deve ao facto de o Magalhães ser o único computador que consegue utilizar permanece sem confirmação.
http://www.inepcia.com/
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O Homem não é o culpado
De uma vez por todas, torna-se necessário fazer uma declaração peremptória: o efeito de estufa – seja ele de origem natural ou antropogénica – não determina o estado do tempo e, portanto, não controla a precipitação ou a seca. Nem o calor nem o frio. Em consequência, as emissões antropogénicas não comandam as alterações climáticas actualmente tão em moda.
A noção de alterações climáticas é extremamente dúbia como convém nesta grande trapalhada. Segundo “The Climate Change 2007. The Physical Science Basis”, edição do Working Group III do IPCC, lê-se na pág. 943:
“Climate change refers to a change in the state of the climate that can be identified (e.g. by using statistical tests) by changes in the mean and/or the variability of its properties, and that persists for an extended period, typically decades or longer. Climate change may be due to natural internal processes or external forcings, or to persistent anthropogenic changes in the composition of the atmosphere or in land use.”
Mas o WGIII acrescenta logo a seguir:
“Note that the Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), in its article 1, defines climate change as: ‘a change of climate which is attributed directly or indirectly to human activity that alters the composition of the global atmosphere and which is in addition to natural climate variability observed over comparable time periods’. The UNFCCC thus makes a distinction between climate change attributable to human activities altering the atmosphere composition, and climate variability attributable to natural causes.”
Não existem alterações climáticas, tanto pela definição da UNFCCC (UN significa United Nations) como pela do IPCC tout court. Tal como, em rigor, também não se deve falar em aquecimento global, uma vez que certas regiões do planeta aquecem e outras arrefecem.
Quando um político afirma que vai lutar contra as alterações climáticas possivelmente não se apercebe de que isso é equivalente a dizer que vai representar o papel de Dom Quixote na luta contra os moinhos de vento de La Mancha.
Na verdade, o efeito de estufa antropogénico é tão diminuto que não tem qualquer acção na dinâmica do tempo e do clima. Ou seja as emissões antropogénicas não dão satisfação às definições quer do UNFCCC quer do IPCC.
Alguns exemplos analisados recentemente no MC, desde que se iniciou o diagnóstico da onda de calor de Agosto de 2003, mostram claramente que os mecanismos que comandam o estado do tempo não estão incluídos nos conceitos clássicos.
As várias escolas clássicas de pensamento meteorológico não conseguem explicar os mecanismos das perturbações em qualquer latitude. Os modelos informáticos do clima não incorporam os mecanismos reais que comandam o estado do tempo.
A escola actualmente dominante, que é a dos modelos informáticos do clima, não está em posição de reivindicar uma capacidade de prever o futuro uma vez que não está em condições de entender o presente.
A utilização sistemática dos modelos climáticos não tem favorecido a compreensão da evolução do estado do tempo, assim como não compreende os mecanismos da pluviogenesis, da seca ou das cheias. Os modelos empregam equações matemáticas de conteúdo extremamente simplista.
Os modelos não podem de maneira alguma dizer-nos como vai ser o futuro, nem o próximo nem o longínquo. As projecções para 2100 não passam de um logro. Tanto no caso global (IPCC) como no de Portugal (SIAM).
O IPCC se fosse sério não diria apenas que não consegue traduzir para os modelos fenómenos tais como as tempestades, os tornados, os relâmpagos e os ciclones tropicais (como escreveu em 2001).
O dramatismo das previsões, predições ou projecções, chame-se o que se entender melhor, do IPCC, para o planeta, ou do SIAM, para Portugal, é o produto de falsa ciência.
Em Portugal a pseudo-ciência do SIAM atinge o nível da falsidade quando se aplicam modelos ao caso da micro região da Madeira com pouco mais de 780 quilómetros quadrados (740,7 km2 para a Ilha da Madeira e 42,5 km2 para a Ilha de Porto Santo). Já no continente a metodologia SIAM de considerar apenas três pontos como representativos da extensão meteorológica e climática do país é uma aberração.
O alarmismo do IPCC e do SIAM servem para enganar os decisores políticos, levando-os a adoptar políticas erradas no domínio da energia que prejudicam a economia dos países e causam esforços inúteis com grandes prejuízos para todos os cidadãos do Mundo.
http://mitos-climaticos.blogspot.com/
A noção de alterações climáticas é extremamente dúbia como convém nesta grande trapalhada. Segundo “The Climate Change 2007. The Physical Science Basis”, edição do Working Group III do IPCC, lê-se na pág. 943:
“Climate change refers to a change in the state of the climate that can be identified (e.g. by using statistical tests) by changes in the mean and/or the variability of its properties, and that persists for an extended period, typically decades or longer. Climate change may be due to natural internal processes or external forcings, or to persistent anthropogenic changes in the composition of the atmosphere or in land use.”
Mas o WGIII acrescenta logo a seguir:
“Note that the Framework Convention on Climate Change (UNFCCC), in its article 1, defines climate change as: ‘a change of climate which is attributed directly or indirectly to human activity that alters the composition of the global atmosphere and which is in addition to natural climate variability observed over comparable time periods’. The UNFCCC thus makes a distinction between climate change attributable to human activities altering the atmosphere composition, and climate variability attributable to natural causes.”
Não existem alterações climáticas, tanto pela definição da UNFCCC (UN significa United Nations) como pela do IPCC tout court. Tal como, em rigor, também não se deve falar em aquecimento global, uma vez que certas regiões do planeta aquecem e outras arrefecem.
Quando um político afirma que vai lutar contra as alterações climáticas possivelmente não se apercebe de que isso é equivalente a dizer que vai representar o papel de Dom Quixote na luta contra os moinhos de vento de La Mancha.
Na verdade, o efeito de estufa antropogénico é tão diminuto que não tem qualquer acção na dinâmica do tempo e do clima. Ou seja as emissões antropogénicas não dão satisfação às definições quer do UNFCCC quer do IPCC.
Alguns exemplos analisados recentemente no MC, desde que se iniciou o diagnóstico da onda de calor de Agosto de 2003, mostram claramente que os mecanismos que comandam o estado do tempo não estão incluídos nos conceitos clássicos.
As várias escolas clássicas de pensamento meteorológico não conseguem explicar os mecanismos das perturbações em qualquer latitude. Os modelos informáticos do clima não incorporam os mecanismos reais que comandam o estado do tempo.
A escola actualmente dominante, que é a dos modelos informáticos do clima, não está em posição de reivindicar uma capacidade de prever o futuro uma vez que não está em condições de entender o presente.
A utilização sistemática dos modelos climáticos não tem favorecido a compreensão da evolução do estado do tempo, assim como não compreende os mecanismos da pluviogenesis, da seca ou das cheias. Os modelos empregam equações matemáticas de conteúdo extremamente simplista.
Os modelos não podem de maneira alguma dizer-nos como vai ser o futuro, nem o próximo nem o longínquo. As projecções para 2100 não passam de um logro. Tanto no caso global (IPCC) como no de Portugal (SIAM).
O IPCC se fosse sério não diria apenas que não consegue traduzir para os modelos fenómenos tais como as tempestades, os tornados, os relâmpagos e os ciclones tropicais (como escreveu em 2001).
O dramatismo das previsões, predições ou projecções, chame-se o que se entender melhor, do IPCC, para o planeta, ou do SIAM, para Portugal, é o produto de falsa ciência.
Em Portugal a pseudo-ciência do SIAM atinge o nível da falsidade quando se aplicam modelos ao caso da micro região da Madeira com pouco mais de 780 quilómetros quadrados (740,7 km2 para a Ilha da Madeira e 42,5 km2 para a Ilha de Porto Santo). Já no continente a metodologia SIAM de considerar apenas três pontos como representativos da extensão meteorológica e climática do país é uma aberração.
O alarmismo do IPCC e do SIAM servem para enganar os decisores políticos, levando-os a adoptar políticas erradas no domínio da energia que prejudicam a economia dos países e causam esforços inúteis com grandes prejuízos para todos os cidadãos do Mundo.
http://mitos-climaticos.blogspot.com/
Começaremos a resolver a crise da profissão e da educação quando decidirmos reinventar um novo sistema educativo
Os reformadores de direita e os progressistas de esquerda, são pessoas que pactuam com o sistema estabelecido.
Já os críticos põem radicalmente em causa o essencial dos sistemas vigentes e querem, abertamente, romper com eles.
A partir dos anos setenta do século XX os sistemas educativos mostraram-se desadequados à nova procura social. Experimentaram-se as reformas globais e puseram-se em marcha outras que atacavam este ou aquele aspecto estruturante do sistema. Umas e outras destas reformas, tiveram como resultado mais visível, uma degradação da qualidade do ensino, um alargamento desmedido do mandato atribuído às escolas, um aumento da crítica e do descontentamento social face à educação e ao ensino, o desprestigio social do estatuto profissional dos professores e um progressivo aumento do mal estar docente.
A falência destas reformas é hoje inquestionável. O poder dominante usou, e continua a usar, os professores como «bode expiatório» para justificar o insucesso continuado das suas políticas de reforma. Neste processo reformista os alunos e docentes foram os mais penalizados.
Mais do que reformar defendemos a necessidade de reinventar os sistemas educativos abrindo novos caminhos à educação pública e à profissão docente. Este desiderato passa por dar autonomia às escolas e ao exercício da profissão. Pela ousadia e pela capacidade de colocar radicalmente em questão os actuais sistemas educativos, por sermos capazes de encontrar um novo valor de uso para a educação, por escolher e abrir, colectivamente, novos caminhos à profissão docente.
É este o grande desafio que se coloca à actual geração de professores. É necessário encontrar outras lógicas de enfrentamento dos actuais problemas educativos e da actual crise da profissão docente. Essa reflexão-acção é inevitavelmente política. Tem conteúdo ideológico. Obriga a tomar partido. Não se pode esconder por detrás de uma fingida neutralidade da ciência. É essa acção-reflexão comprometida que continuamos a propor. O que quer e o que faz a direita? No campo educativo a direita quer o que está a fazer com o apoio dos pesquisadores, cientistas e docentes politicamente insonsos. A direita[1], em nome da descentralização e da autonomia, centraliza fortemente as decisões que estruturam e dominam o andamento global do sistema, controlando os conteúdos a ensinar, o modo de submeter os alunos a uma formação que responda aos interesses da classe dominante e, em nome do mérito, garanta que o sistema reproduz uma sociedade cada vez mais hierarquizada e polarizada. O que pensa, organiza e faz a direita está à mostra. Que a apoie quem quiser.
A árvore da esquerda — não só da coisa educativa, mas em geral — mostra-nos ter hoje dois ramos, cada um com os seus galhos (uns vivos, outros secos). Um desses ramos é o da Esquerda Progressista, o outro o da Esquerda Crítica.
O ramo progressista aceita o sistema capitalista. Parafraseando Greg Palast, a Esquerda Progressista deseja "a melhor democracia que o dinheiro pode comprar". O reflexo deste posicionamento na educação traduz-se num esforço para procurar políticas que promovam a melhor distribuição social dos benefícios do ensino e da educação, sem tocar na estrutura-base do sistema. Os pedagogos progressistas são os partidários das «coisas giras». Preocupam-se com o carinho a dar aos «meninos» e esgotam o seu esquerdismo em temas como «a igualdade de género», o acompanhamento social e psicológico dos «meninos-problema» e outros temas afins «muito giros». Nada que ponha radicalmente em causa os fundamentos do sistema, a desigualdade e a exploração capitalista.
Por seu lado, o ramo crítico toma como sustentação do seu pensamento e acção o fim da exploração capitalista. Como modo de intervenção usa «o poder suave»[2], isto é, a aposta no debate, na cooperação e na renúncia a toda a acção violenta. O pensamento crítico não sendo compaginável com o capitalismo, não pode ser confundido com as «políticas de protesto» — populares num certo sindicalismo —, estas são, quando muito, um seu galho (seco), ainda que eu as veja como um epifenómeno da sociedade capitalista.
O pensamento crítico, usando o poder suave, tem em conta o movimento dialéctico da sociedade e as suas rupturas. Reconhece que a maturidade política se revela em cada ser humano quando este assume livremente a sua sorte abandonando as suas pretensões infantis a mandar sozinho no Mundo e a impor-lhe as suas convicções, emoções, crenças, caprichos ou preconceitos. É o reconhecimento dos direitos políticos dos outros que nos permite assumir o nosso poder de facto, como prémio da nossa renúncia em querer para nós o poder e a verdade absoluta. Também em política «quem tudo quer tudo perde».
A maioridade política é um processo em que nos inserimos e nos permite ver a democracia como a cidade onde os humanos conversam, se confrontam na Praça da República, argumentam e decidem cooperativamente sobre os caminhos mais aceitáveis. Caminhos de todos, despidos de violência e que nunca são perfeitos, ideais, acabados. São apenas caminhos públicos, aceitáveis, justos, transitórios e com rumo.
O pensamento crítico, e o poder suave, trabalham para construir o colectivo (e o individual decorrente deste), numa dada geografia, num dado tempo e num projecto partilhado com os demais sujeitos do processo histórico.
Na vivência deste processo histórico o crítico recusa radicalmente a exploração de classes e gera novos conhecimentos e novas práticas sobre como viver cooperativamente numa sociedade impulsionada por nós próprios.
A esquerda crítica serve-se de uma pedagogia crítica humanista. Para ela os direitos económicos são parte de uma luta mais ampla pelos Direitos Humanos, pela justiça social e por uma sociedade democrática plural, cooperativa e protagonista. Esta esquerda é patriótica, de um patriotismo sem nacionalismo, porque a sua pátria é o Mundo.
A esquerda crítica, e o poder suave, não circunscrevem o conhecimento à produção de prestigio e bem estar social. O prestigio e o bem estar social não são indicadores da boa sociedade humana. A aproximação ou o distanciamento da prática dos Direitos Humanos, esses sim, são indicadores da boa sociedade.
A esquerda crítica — com o seu poder suave — nunca é dona da verdade. Não ordena, não exige, procura, constrói. Não é sectária. Não é arrogante e não tem medo. "Se limitarmos a nossa actividade [social e política] devido ao medo, então essa é a atitude menos patriótica [no sentido universal] que podemos ter"[3].
É, pois, sem arrogância, sem violência e sem medo, com serenidade e inteligência que recusando o que está e a reforma do que está, a esquerda crítica deve ser chamada a descobrir e a construir os novos caminhos da educação (e da vida) mais aceitáveis, mais justos e viáveis. É para essa reinvenção colectiva que o colectivo deste jornal trabalha e vos convida. E boas férias!
[1] Mesmo a que se apelida de esquerda
[2] Sobre o «Poder Suave» publiquei, entre outros, um texto na Página de Janeiro de 2008
[3] Nathalia Jeramillo
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=5754
Já os críticos põem radicalmente em causa o essencial dos sistemas vigentes e querem, abertamente, romper com eles.
A partir dos anos setenta do século XX os sistemas educativos mostraram-se desadequados à nova procura social. Experimentaram-se as reformas globais e puseram-se em marcha outras que atacavam este ou aquele aspecto estruturante do sistema. Umas e outras destas reformas, tiveram como resultado mais visível, uma degradação da qualidade do ensino, um alargamento desmedido do mandato atribuído às escolas, um aumento da crítica e do descontentamento social face à educação e ao ensino, o desprestigio social do estatuto profissional dos professores e um progressivo aumento do mal estar docente.
A falência destas reformas é hoje inquestionável. O poder dominante usou, e continua a usar, os professores como «bode expiatório» para justificar o insucesso continuado das suas políticas de reforma. Neste processo reformista os alunos e docentes foram os mais penalizados.
Mais do que reformar defendemos a necessidade de reinventar os sistemas educativos abrindo novos caminhos à educação pública e à profissão docente. Este desiderato passa por dar autonomia às escolas e ao exercício da profissão. Pela ousadia e pela capacidade de colocar radicalmente em questão os actuais sistemas educativos, por sermos capazes de encontrar um novo valor de uso para a educação, por escolher e abrir, colectivamente, novos caminhos à profissão docente.
É este o grande desafio que se coloca à actual geração de professores. É necessário encontrar outras lógicas de enfrentamento dos actuais problemas educativos e da actual crise da profissão docente. Essa reflexão-acção é inevitavelmente política. Tem conteúdo ideológico. Obriga a tomar partido. Não se pode esconder por detrás de uma fingida neutralidade da ciência. É essa acção-reflexão comprometida que continuamos a propor. O que quer e o que faz a direita? No campo educativo a direita quer o que está a fazer com o apoio dos pesquisadores, cientistas e docentes politicamente insonsos. A direita[1], em nome da descentralização e da autonomia, centraliza fortemente as decisões que estruturam e dominam o andamento global do sistema, controlando os conteúdos a ensinar, o modo de submeter os alunos a uma formação que responda aos interesses da classe dominante e, em nome do mérito, garanta que o sistema reproduz uma sociedade cada vez mais hierarquizada e polarizada. O que pensa, organiza e faz a direita está à mostra. Que a apoie quem quiser.
A árvore da esquerda — não só da coisa educativa, mas em geral — mostra-nos ter hoje dois ramos, cada um com os seus galhos (uns vivos, outros secos). Um desses ramos é o da Esquerda Progressista, o outro o da Esquerda Crítica.
O ramo progressista aceita o sistema capitalista. Parafraseando Greg Palast, a Esquerda Progressista deseja "a melhor democracia que o dinheiro pode comprar". O reflexo deste posicionamento na educação traduz-se num esforço para procurar políticas que promovam a melhor distribuição social dos benefícios do ensino e da educação, sem tocar na estrutura-base do sistema. Os pedagogos progressistas são os partidários das «coisas giras». Preocupam-se com o carinho a dar aos «meninos» e esgotam o seu esquerdismo em temas como «a igualdade de género», o acompanhamento social e psicológico dos «meninos-problema» e outros temas afins «muito giros». Nada que ponha radicalmente em causa os fundamentos do sistema, a desigualdade e a exploração capitalista.
Por seu lado, o ramo crítico toma como sustentação do seu pensamento e acção o fim da exploração capitalista. Como modo de intervenção usa «o poder suave»[2], isto é, a aposta no debate, na cooperação e na renúncia a toda a acção violenta. O pensamento crítico não sendo compaginável com o capitalismo, não pode ser confundido com as «políticas de protesto» — populares num certo sindicalismo —, estas são, quando muito, um seu galho (seco), ainda que eu as veja como um epifenómeno da sociedade capitalista.
O pensamento crítico, usando o poder suave, tem em conta o movimento dialéctico da sociedade e as suas rupturas. Reconhece que a maturidade política se revela em cada ser humano quando este assume livremente a sua sorte abandonando as suas pretensões infantis a mandar sozinho no Mundo e a impor-lhe as suas convicções, emoções, crenças, caprichos ou preconceitos. É o reconhecimento dos direitos políticos dos outros que nos permite assumir o nosso poder de facto, como prémio da nossa renúncia em querer para nós o poder e a verdade absoluta. Também em política «quem tudo quer tudo perde».
A maioridade política é um processo em que nos inserimos e nos permite ver a democracia como a cidade onde os humanos conversam, se confrontam na Praça da República, argumentam e decidem cooperativamente sobre os caminhos mais aceitáveis. Caminhos de todos, despidos de violência e que nunca são perfeitos, ideais, acabados. São apenas caminhos públicos, aceitáveis, justos, transitórios e com rumo.
O pensamento crítico, e o poder suave, trabalham para construir o colectivo (e o individual decorrente deste), numa dada geografia, num dado tempo e num projecto partilhado com os demais sujeitos do processo histórico.
Na vivência deste processo histórico o crítico recusa radicalmente a exploração de classes e gera novos conhecimentos e novas práticas sobre como viver cooperativamente numa sociedade impulsionada por nós próprios.
A esquerda crítica serve-se de uma pedagogia crítica humanista. Para ela os direitos económicos são parte de uma luta mais ampla pelos Direitos Humanos, pela justiça social e por uma sociedade democrática plural, cooperativa e protagonista. Esta esquerda é patriótica, de um patriotismo sem nacionalismo, porque a sua pátria é o Mundo.
A esquerda crítica, e o poder suave, não circunscrevem o conhecimento à produção de prestigio e bem estar social. O prestigio e o bem estar social não são indicadores da boa sociedade humana. A aproximação ou o distanciamento da prática dos Direitos Humanos, esses sim, são indicadores da boa sociedade.
A esquerda crítica — com o seu poder suave — nunca é dona da verdade. Não ordena, não exige, procura, constrói. Não é sectária. Não é arrogante e não tem medo. "Se limitarmos a nossa actividade [social e política] devido ao medo, então essa é a atitude menos patriótica [no sentido universal] que podemos ter"[3].
É, pois, sem arrogância, sem violência e sem medo, com serenidade e inteligência que recusando o que está e a reforma do que está, a esquerda crítica deve ser chamada a descobrir e a construir os novos caminhos da educação (e da vida) mais aceitáveis, mais justos e viáveis. É para essa reinvenção colectiva que o colectivo deste jornal trabalha e vos convida. E boas férias!
[1] Mesmo a que se apelida de esquerda
[2] Sobre o «Poder Suave» publiquei, entre outros, um texto na Página de Janeiro de 2008
[3] Nathalia Jeramillo
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=5754
The New York Times torna respeitável o extermínio nuclear
Em 18 de Julho de 2008 The New York Times publicou um artigo do historiador e professor israelense Benny Morris , o qual advogava um ataque nuclear genocida ao Irão que provavelmente mataria 70 milhões de iranianos — 12 vezes o número de judeus vítimas do holocausto nazi:
"Os líderes do Irão fariam bem em repensar seu jogo e suspender seu programa nuclear. Excepto isto, o melhor que eles poderiam esperar é que o assalto aéreo convencional de Israel destruiria as suas instalações nucleares. Isto certamente significaria milhares de baixas iranianas e humilhação internacional. Mas a alternativa é um Irão transformado num deserto nuclear".
Morris é um consultor e conferencista frequente do establishment político e militar israelense e tem acesso único aos planeadores militares estratégicos de Israel. A advocacia de Morris e o seu apoio à maciça e brutal expulsão de todos os palestinos é do domínio público. Mas as suas visões genocidas não o impediram de receber numerosos prémios académicos. Seus escritos e pontos de vista estão publicados nos principais jornais de Israel. As considerações de Morris não são a palração desconexa de um psicopata marginal, como se verifica com a recente publicação do seu artigo na página dos editoriais do New York Times.
O que é que a publicação pelo New York Times de um artigo que apela à incineração nuclear de 70 milhões de iranianos e a contaminação da melhor parte de mil milhões de pessoas no Médio Oriente, Ásia e Europa, nos conta acerca da política e cultura estado-unidense? Pois é o NYT, que informa as 'classes educadas' nos EUA, com seus suplementos dominicais, páginas literárias e editoriais, que serve como 'consciência moral' de importantes sectores da elite cultural, económica e política.
Ao publicar tal artigo o New York Times proporciona uma certa respeitabilidade ao assassínio em massa, que doutra forma os pontos de vista de Morris não possuiriam se fossem, digamos, publicados nos semanários neo-conservadores. O facto de o NYT considerar a perspectiva de um extermínio em massa de milhões de iranianos por Israel como parte do debate político no Médio Oriente revela o grau em que o siono-fascismo infectou os mais altos círculos culturais e jornalísticos dos Estados Unidos. Falando francamente, isto é o resultado lógico do endosso público do Times ao bloqueio económico de Israel destinado a esfaimar 1,4 milhão de palestinos em Gaza; do encobrimento do Times da influência israelense-sionista-AIPAC no lançamento da invasão estado-unidense do Iraque que levou ao assassínio de mais de um milhão de cidadãos iraquianos.
The Times estabelece o tom para toda a cena cultural de Nova York, a qual privilegia os interesses israelenses ao ponto de assimilar dentro do discurso político estado-unidense não só a sua rotina de violações do direito internacional como as suas ameaças, na verdade promessas, de incinerar vastas áreas da Terra na busca da sua supremacia regional. A concordância do NYT em publicar um advogado israelense do genocídio-etnocídio conta-nos acerca da força dos laços entre uma publicação pró Israel aparentemente "liberal" e a direita totalitária israelense. É como se se dissesse que para o establishment liberal pró Israel, os não judeus nazis estão fora dos limites, mas as visões e políticas dos judeus fascistas merecem consideração cuidadosa e possível aplicação.
O artigo de Morris no New York Times sobre o 'extermínio nuclear' não provocou qualquer oposição dos 52 presidentes das Major American Jewish Organizations (PMAJO) porque no seu boletim de informação diária, Daily Alert, esta organização publicou artigos de sionistas israelenses e estado-unidenses a advogar um ataque nuclear ao Irão por Israel e/ou os EUA. Por outras palavras, as visões totalitárias de Morris são parte da matriz cultural profundamente embebida nas redes organizacionais sionistas e sua extensão 'alcança' círculos políticos e culturais nos EUA. O que o Times fez ao publicar a loucura de Morris foi levar o discurso genocida para fora da limitada circulação de influência sionista e para dentro da cultura predominante de milhões de leitores americanos.
Além de um punhado de escritores (gentios e judeus) publicados em sítios web marginais, não houve condenação política ou moral em todo o mundo literário, político e jornalístico a esta afronta à humanidade. Não foi feita nenhuma tentativa de ligar as políticas totalitárias e genocidas de Morris às ameaças públicas oficiais de Israel e aos preparativos para a guerra nuclear. Não há campanha anti-nuclear da parte dos nossos intelectuais públicos mais influentes para repudiar o Estado (Israel) e seus intelectuais públicos que preparam uma guerra nuclear com o potencial de exterminar mais de dez vezes o número de judeus massacrados pelos nazis.
Uma incineração nuclear da nação iraniana é a mais evidente contrapartida israelense das câmaras de gás e dos fornos de Hitler. O extermínio é a última etapa do sionismo: Informado pela doutrina de dominar o Médio Oriente ou arruinar o ar e a terra do mundo. Esta é a mensagem explícita de Benny Morris (e dos seus patrocinadores oficiais israelenses) que, como Hitler, emitem ultimatos aos iranianos, 'render-se ou ser destruído" e que ameaça os EUA, juntem-se a nós no bombardeamento do Irão ou enfrentem uma catástrofe ecológica e económica mundial.
Que Morris é absolutamente, gravemente e clinicamente insano está para além de qualquer dúvida. Que o New York Times, ao publicar seus delírios genocidas, proporciona novas sinais de como o poder e a riqueza contribuíram para a degeneração de intelectuais judeus e da vida cultural nos EUA. Para compreender as dimensões desta decadência precisamos apenas comparar o brilhante escritor trágico-romântico judeu-alemão Walter Benjamin, desesperadamente a fugir do avanço do terror totalitário nazi, com a criminosa advocacia do escritor judeu-israelense Benny Morris do terror nuclear sionista publicada no New York Times.
O poder sionistas na América não é meramente a questão de um 'lobby' a influenciar decisões do Congresso e da Casa Branca quanto à ajuda externa a Israel. O que está em causa hoje são as questões relacionadas da defesa de uma guerra nuclear na qual 70 milhões de iranianos enfrentam o extermínio e a cumplicidade dos mass media dos EUA no fornecimento de uma plataforma, e mais ainda uma certa respeitabilidade política para o assassínio em massa e a contaminação global. Ao contrário do passado nazi, não podemos afirmar, como o fizeram os bons alemães, que "nós não sabíamos" ou que "nós não fomos informados", porque foi escrito por um eminente académico israelense e foi publicado no New York Times.
James Petras
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
"Os líderes do Irão fariam bem em repensar seu jogo e suspender seu programa nuclear. Excepto isto, o melhor que eles poderiam esperar é que o assalto aéreo convencional de Israel destruiria as suas instalações nucleares. Isto certamente significaria milhares de baixas iranianas e humilhação internacional. Mas a alternativa é um Irão transformado num deserto nuclear".
Morris é um consultor e conferencista frequente do establishment político e militar israelense e tem acesso único aos planeadores militares estratégicos de Israel. A advocacia de Morris e o seu apoio à maciça e brutal expulsão de todos os palestinos é do domínio público. Mas as suas visões genocidas não o impediram de receber numerosos prémios académicos. Seus escritos e pontos de vista estão publicados nos principais jornais de Israel. As considerações de Morris não são a palração desconexa de um psicopata marginal, como se verifica com a recente publicação do seu artigo na página dos editoriais do New York Times.
O que é que a publicação pelo New York Times de um artigo que apela à incineração nuclear de 70 milhões de iranianos e a contaminação da melhor parte de mil milhões de pessoas no Médio Oriente, Ásia e Europa, nos conta acerca da política e cultura estado-unidense? Pois é o NYT, que informa as 'classes educadas' nos EUA, com seus suplementos dominicais, páginas literárias e editoriais, que serve como 'consciência moral' de importantes sectores da elite cultural, económica e política.
Ao publicar tal artigo o New York Times proporciona uma certa respeitabilidade ao assassínio em massa, que doutra forma os pontos de vista de Morris não possuiriam se fossem, digamos, publicados nos semanários neo-conservadores. O facto de o NYT considerar a perspectiva de um extermínio em massa de milhões de iranianos por Israel como parte do debate político no Médio Oriente revela o grau em que o siono-fascismo infectou os mais altos círculos culturais e jornalísticos dos Estados Unidos. Falando francamente, isto é o resultado lógico do endosso público do Times ao bloqueio económico de Israel destinado a esfaimar 1,4 milhão de palestinos em Gaza; do encobrimento do Times da influência israelense-sionista-AIPAC no lançamento da invasão estado-unidense do Iraque que levou ao assassínio de mais de um milhão de cidadãos iraquianos.
The Times estabelece o tom para toda a cena cultural de Nova York, a qual privilegia os interesses israelenses ao ponto de assimilar dentro do discurso político estado-unidense não só a sua rotina de violações do direito internacional como as suas ameaças, na verdade promessas, de incinerar vastas áreas da Terra na busca da sua supremacia regional. A concordância do NYT em publicar um advogado israelense do genocídio-etnocídio conta-nos acerca da força dos laços entre uma publicação pró Israel aparentemente "liberal" e a direita totalitária israelense. É como se se dissesse que para o establishment liberal pró Israel, os não judeus nazis estão fora dos limites, mas as visões e políticas dos judeus fascistas merecem consideração cuidadosa e possível aplicação.
O artigo de Morris no New York Times sobre o 'extermínio nuclear' não provocou qualquer oposição dos 52 presidentes das Major American Jewish Organizations (PMAJO) porque no seu boletim de informação diária, Daily Alert, esta organização publicou artigos de sionistas israelenses e estado-unidenses a advogar um ataque nuclear ao Irão por Israel e/ou os EUA. Por outras palavras, as visões totalitárias de Morris são parte da matriz cultural profundamente embebida nas redes organizacionais sionistas e sua extensão 'alcança' círculos políticos e culturais nos EUA. O que o Times fez ao publicar a loucura de Morris foi levar o discurso genocida para fora da limitada circulação de influência sionista e para dentro da cultura predominante de milhões de leitores americanos.
Além de um punhado de escritores (gentios e judeus) publicados em sítios web marginais, não houve condenação política ou moral em todo o mundo literário, político e jornalístico a esta afronta à humanidade. Não foi feita nenhuma tentativa de ligar as políticas totalitárias e genocidas de Morris às ameaças públicas oficiais de Israel e aos preparativos para a guerra nuclear. Não há campanha anti-nuclear da parte dos nossos intelectuais públicos mais influentes para repudiar o Estado (Israel) e seus intelectuais públicos que preparam uma guerra nuclear com o potencial de exterminar mais de dez vezes o número de judeus massacrados pelos nazis.
Uma incineração nuclear da nação iraniana é a mais evidente contrapartida israelense das câmaras de gás e dos fornos de Hitler. O extermínio é a última etapa do sionismo: Informado pela doutrina de dominar o Médio Oriente ou arruinar o ar e a terra do mundo. Esta é a mensagem explícita de Benny Morris (e dos seus patrocinadores oficiais israelenses) que, como Hitler, emitem ultimatos aos iranianos, 'render-se ou ser destruído" e que ameaça os EUA, juntem-se a nós no bombardeamento do Irão ou enfrentem uma catástrofe ecológica e económica mundial.
Que Morris é absolutamente, gravemente e clinicamente insano está para além de qualquer dúvida. Que o New York Times, ao publicar seus delírios genocidas, proporciona novas sinais de como o poder e a riqueza contribuíram para a degeneração de intelectuais judeus e da vida cultural nos EUA. Para compreender as dimensões desta decadência precisamos apenas comparar o brilhante escritor trágico-romântico judeu-alemão Walter Benjamin, desesperadamente a fugir do avanço do terror totalitário nazi, com a criminosa advocacia do escritor judeu-israelense Benny Morris do terror nuclear sionista publicada no New York Times.
O poder sionistas na América não é meramente a questão de um 'lobby' a influenciar decisões do Congresso e da Casa Branca quanto à ajuda externa a Israel. O que está em causa hoje são as questões relacionadas da defesa de uma guerra nuclear na qual 70 milhões de iranianos enfrentam o extermínio e a cumplicidade dos mass media dos EUA no fornecimento de uma plataforma, e mais ainda uma certa respeitabilidade política para o assassínio em massa e a contaminação global. Ao contrário do passado nazi, não podemos afirmar, como o fizeram os bons alemães, que "nós não sabíamos" ou que "nós não fomos informados", porque foi escrito por um eminente académico israelense e foi publicado no New York Times.
James Petras
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Obama, o príncipe do engodo
Em 12 de Julho, The Times dedicou duas páginas ao Afeganistão. Foi sobretudo acerca do calor. O repórter, Magnus Linklater, descreveu em pormenor o seu desconforto e como teve necessidade de ser borrifado com água fria. Ele também descreveu o "grande drama" e a "rotina meticulosamente praticada" de evacuar um outro jornalista demasiado calorento. Para as equipes de resgate da US Marine, escreveu Linklater, "salvar uma vida tem prioridade sobre a segurança [deles]". Junto a esta peça havia uma reportagem cujo parágrafo final mencionava que "47 civis, a maior parte deles mulheres e crianças, foram mortos quando um avião da US Air Force bombardeou domingo uma festa de casamento no leste do Afeganistão".
Carnificinas nesta escala são comuns, e na maioria das vezes permanecem desconhecidas para o público britânico. Entrevistei uma mulher que havia perdido oito membros da sua família, incluindo seis filhos. Foi lançada uma bomba de 500 libras [227 kg] US Mk82 sobre a sua casa construída com barro, pedras e palha. Não havia "inimigo" nas proximidades. Entrevistei um director de escola cuja casa desapareceu numa bola de fogo provocada por outra bomba de "precisão". Lá dentro estava nove pessoas – sua esposa, seus quatro filhos, seu irmão e sua esposa, e sua irmã e seu marido. Nenhum destes assassínios em massa foi notícia. Tal como Harold Pinter escreveu a respeito de tais crimes: "Nada chegou a acontecer. Mesmo quando estava a acontecer isto não estava acontecer. Não importava. Não tinha interesse".
Um total de 64 civis foram bombardeados até à morte enquanto o homem de The Times estava inconfortável. A maior parte eram convidados na festa de casamento. As festas de casamento são uma especialidade da "coligação". Pelo menos quatro delas foram arrasadas — nas províncias de Mazar, Khost, Uruzgan e Nagarhar. Muitos dos pormenores, incluindo os nomes das vítimas, foram compilados por um professor de New Hampshire, Marc Harold, cujo Projecto Memorial de Vítimas Afegãs é um trabalho meticuloso de jornalismo que envergonha aqueles que são pagos para manterem o registo em dia e relataram quase tudo acerca da Guerra Afegã através dos serviços de relações públicas dos militares britânicos e americanos.
Os EUA e seus aliados estão a lançar números recorde de bombas sobre o Afeganistão. Isto não é noticiado. No primeiro semestre deste ano, foram lançadas 1853 bombas: mais do que todas as bombas de 2006 e a na maior parte de 2007. "As bombas utilizadas mais frequentemente", relata o Air Force Times, "são as de 500 libras e 2000 libras [907 kg] conduzidas por satélite...". Sem esta carnificina unilateral, o ressurgimento dos Taliban poderia não ter acontecido. Mesmo Hamid Karzai, fantoche americano e britânico, disse isso. A presença e a agressão de estrangeiros quase uniu a resistência que agora inclui antigos senhores da guerra outrora na folha de pagamento da CIA.
Este escândalo seria a manchete dos noticiários, se não fosse aquilo que o antigo porta-voz de George W. Bush, Scott McClellan, denominou de "activadores da cumplicidade" ("complicit enablers") — jornalistas que funcionam como pouco mais de alto-falantes oficiais. Tendo declarado que o Afeganistão era uma "boa guerra", tais activadores da cumplicidade estão agora a incensar Barack Obama quando ele se passeia pelas festas sanguinárias no Afeganistão e no Iraque. O que eles nunca dizem é que Obama é um terrorista (bomber).
No New York Times de 14 de Julho, num artigo destinado a aparentar como que o fim da guerra no Iraque, Obama exigiu mais guerra no Afeganistão e, com efeito, uma invasão do Paquistão. Ele quer mais tropas de combate, mais helicópteros, mais bombas. Bush pode estar de saída, mas os republicanos construíram uma máquina ideológica que transcende a perda do pode eleitoral — porque seus colaboradores são, como disse sucintamente o escritor americano Mike Whitney, democratas do "engodo falso" ("bait-and-switch"), dos quais Obama é o príncipe.
Aqueles que escrevem de Obama que "no que se refere a assuntos internacionais, ele constituirá uma enorme melhoria sobre Bush" demonstram a mesma ingenuidade deliberada que apoiou o "engodo falso" de Bill Clinton – de Tony Blair. Com Blair, escreveu Hugo Young no fim de 1997, "a ideologia rendeu-se inteiramente a 'valores'... não há vacas sagradas [e] nenhuns limites fossilizados para o campo sobre o qual a mente possa estender-se na busca de uma Grã-Bretanha melhor...".
Onze anos e cinco guerras depois, pelo menos um milhão de pessoas está morta. Barack Obama é o Blair americano. É irrelevante que ele seja um operador calmo e um homem negro. Ele faz parte de uma sistema duradouro e desenfreado cujos chefes de banda e grupos de apoio nunca vêem, ou querem ver, as consequências de bombas de 500 libras despejadas erradamente sobre casas de barro, pedras e palha.
John Pilger
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
Carnificinas nesta escala são comuns, e na maioria das vezes permanecem desconhecidas para o público britânico. Entrevistei uma mulher que havia perdido oito membros da sua família, incluindo seis filhos. Foi lançada uma bomba de 500 libras [227 kg] US Mk82 sobre a sua casa construída com barro, pedras e palha. Não havia "inimigo" nas proximidades. Entrevistei um director de escola cuja casa desapareceu numa bola de fogo provocada por outra bomba de "precisão". Lá dentro estava nove pessoas – sua esposa, seus quatro filhos, seu irmão e sua esposa, e sua irmã e seu marido. Nenhum destes assassínios em massa foi notícia. Tal como Harold Pinter escreveu a respeito de tais crimes: "Nada chegou a acontecer. Mesmo quando estava a acontecer isto não estava acontecer. Não importava. Não tinha interesse".
Um total de 64 civis foram bombardeados até à morte enquanto o homem de The Times estava inconfortável. A maior parte eram convidados na festa de casamento. As festas de casamento são uma especialidade da "coligação". Pelo menos quatro delas foram arrasadas — nas províncias de Mazar, Khost, Uruzgan e Nagarhar. Muitos dos pormenores, incluindo os nomes das vítimas, foram compilados por um professor de New Hampshire, Marc Harold, cujo Projecto Memorial de Vítimas Afegãs é um trabalho meticuloso de jornalismo que envergonha aqueles que são pagos para manterem o registo em dia e relataram quase tudo acerca da Guerra Afegã através dos serviços de relações públicas dos militares britânicos e americanos.
Os EUA e seus aliados estão a lançar números recorde de bombas sobre o Afeganistão. Isto não é noticiado. No primeiro semestre deste ano, foram lançadas 1853 bombas: mais do que todas as bombas de 2006 e a na maior parte de 2007. "As bombas utilizadas mais frequentemente", relata o Air Force Times, "são as de 500 libras e 2000 libras [907 kg] conduzidas por satélite...". Sem esta carnificina unilateral, o ressurgimento dos Taliban poderia não ter acontecido. Mesmo Hamid Karzai, fantoche americano e britânico, disse isso. A presença e a agressão de estrangeiros quase uniu a resistência que agora inclui antigos senhores da guerra outrora na folha de pagamento da CIA.
Este escândalo seria a manchete dos noticiários, se não fosse aquilo que o antigo porta-voz de George W. Bush, Scott McClellan, denominou de "activadores da cumplicidade" ("complicit enablers") — jornalistas que funcionam como pouco mais de alto-falantes oficiais. Tendo declarado que o Afeganistão era uma "boa guerra", tais activadores da cumplicidade estão agora a incensar Barack Obama quando ele se passeia pelas festas sanguinárias no Afeganistão e no Iraque. O que eles nunca dizem é que Obama é um terrorista (bomber).
No New York Times de 14 de Julho, num artigo destinado a aparentar como que o fim da guerra no Iraque, Obama exigiu mais guerra no Afeganistão e, com efeito, uma invasão do Paquistão. Ele quer mais tropas de combate, mais helicópteros, mais bombas. Bush pode estar de saída, mas os republicanos construíram uma máquina ideológica que transcende a perda do pode eleitoral — porque seus colaboradores são, como disse sucintamente o escritor americano Mike Whitney, democratas do "engodo falso" ("bait-and-switch"), dos quais Obama é o príncipe.
Aqueles que escrevem de Obama que "no que se refere a assuntos internacionais, ele constituirá uma enorme melhoria sobre Bush" demonstram a mesma ingenuidade deliberada que apoiou o "engodo falso" de Bill Clinton – de Tony Blair. Com Blair, escreveu Hugo Young no fim de 1997, "a ideologia rendeu-se inteiramente a 'valores'... não há vacas sagradas [e] nenhuns limites fossilizados para o campo sobre o qual a mente possa estender-se na busca de uma Grã-Bretanha melhor...".
Onze anos e cinco guerras depois, pelo menos um milhão de pessoas está morta. Barack Obama é o Blair americano. É irrelevante que ele seja um operador calmo e um homem negro. Ele faz parte de uma sistema duradouro e desenfreado cujos chefes de banda e grupos de apoio nunca vêem, ou querem ver, as consequências de bombas de 500 libras despejadas erradamente sobre casas de barro, pedras e palha.
John Pilger
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
A irresponsabilidade do nuclear
Perante a alta do preço dos combustíveis fósseis e o custo das emissões de carbono, começa a ressurgir a discussão da energia nuclear em Portugal, agora pela voz de Victor Constâncio.
Mas parece que estas vozes se esquecem que esta opção não permite resolver os problemas energéticos estruturais do país e coloca outros problemas sem resolução à vista. Apresento, sucintamente, pelo menos 10 razões para rejeitar o nuclear.
Em primeiro lugar, também as centrais nucleares dependem de matérias-primas cada vez mais escassas, caras de obter e cobiçadas: ou seja, o que hoje se passa com os combustíveis fósseis também se passa com o urânio e tende a agravar-se. Também neste sector aumentam os preços e a especulação.
Em segundo lugar, mantém-se a elevada dependência a recursos energéticos externos já que o urânio existente em Portugal é insuficiente.
Em terceiro lugar, o custo de uma central nuclear é enorme. Geralmente as contas que nos são apresentadas não entram em linha de conta com os custos de armazenamento dos resíduos, desmantelamento da central e limpeza de locais contaminados, reforço da linha eléctrica, serviços de fiscalização e segurança, entre outros. A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reactores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos.
Em quarto lugar, o problema da dependência petrolífera e das emissões em Portugal é, na sua grande maioria, em relação às formas não-eléctricas de energia, como no sector dos transportes, a que o nuclear não responde. A electricidade corresponde apenas a 25% do consumo final de energia.
Em quinto lugar, além do problema do armazenamento dos resíduos, as centrais apresentam o risco de elevada contaminação radioactiva, devido a acidente ou ataque terrorista, bem como no transporte do combustível e dos resíduos. Para além disso, não se consegue nunca eliminar o erro humano, o responsável pelo acidente de Chernobyl.
Em sexto lugar, a exportação e a proliferação contínua de tecnologia nuclear aumenta significativamente o risco de proliferação de armas nucleares, existindo o risco de novos Estados se tornarem novas potências nucleares.
Em sétimo lugar, o nuclear não gera directamente quaisquer emissões de GEE, mas a construção das centrais é uma importante fonte de emissões, tal como a prospecção, a extracção e o transporte de urânio (o ciclo do urânio é um grande consumidor de energia e um forte emissor de CO2), o transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem e o futuro desmantelamento – O estudo americano Nuclear Power: The Energy Balance (2005), que compara as emissões de CO2 analisando o ciclo de vida de uma central nuclear e de uma central a gás natural (com uma potência equivalente) chega à conclusão de que, no longo termo, com o decréscimo da qualidade das reservas de urânio, o nuclear tem muito mais emissões que o gás natural.
Em oitavo lugar, além das elevadas emissões de carbono, o ciclo do urânio até à utilização no reactor é um enorme gerador de resíduos tóxicos e de agressões ambientais. E uma central nuclear consome elevados volumes de água: teria de ser instalada no litoral português, o qual é densamente povoado, por falta de caudais suficientes nos rios.
Em nono lugar, a radioactividade dos resíduos do urânio processado nas centrais é muito elevada, com graves riscos para a saúde pública durante dezenas a centenas de milhares de anos. Ainda não foi encontrada uma solução satisfatória para o tratamento dos resíduos, hoje armazenados em locais temporários. Este é um pesado legado para as gerações futuras.
Em décimo lugar, a nova geração de reactores nucleares em construção na Finlândia (Olkiluoto 3) e na França (Flamanville 3), apresentados como a vanguarda do renascimento do nuclear, têm registado uma série de atrasos, derrapagens orçamentais e problemas técnicos de segurança. Na Finlândia, o prazo de conclusão da central foi adiado por dois anos e os custos de construção quase que duplicaram para um valor de 5 mil milhões de euros, com várias falhas na construção a implicar potenciais riscos de segurança. Na França, os problemas são semelhantes, tendo já sido mandada parar a construção pela Agência de Segurança Nuclear francesa por vários problemas técnicos de segurança registados.
Rita Calvário
http://www.infoalternativa.org/ecologia/ecologia086.htm
Mas parece que estas vozes se esquecem que esta opção não permite resolver os problemas energéticos estruturais do país e coloca outros problemas sem resolução à vista. Apresento, sucintamente, pelo menos 10 razões para rejeitar o nuclear.
Em primeiro lugar, também as centrais nucleares dependem de matérias-primas cada vez mais escassas, caras de obter e cobiçadas: ou seja, o que hoje se passa com os combustíveis fósseis também se passa com o urânio e tende a agravar-se. Também neste sector aumentam os preços e a especulação.
Em segundo lugar, mantém-se a elevada dependência a recursos energéticos externos já que o urânio existente em Portugal é insuficiente.
Em terceiro lugar, o custo de uma central nuclear é enorme. Geralmente as contas que nos são apresentadas não entram em linha de conta com os custos de armazenamento dos resíduos, desmantelamento da central e limpeza de locais contaminados, reforço da linha eléctrica, serviços de fiscalização e segurança, entre outros. A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reactores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos.
Em quarto lugar, o problema da dependência petrolífera e das emissões em Portugal é, na sua grande maioria, em relação às formas não-eléctricas de energia, como no sector dos transportes, a que o nuclear não responde. A electricidade corresponde apenas a 25% do consumo final de energia.
Em quinto lugar, além do problema do armazenamento dos resíduos, as centrais apresentam o risco de elevada contaminação radioactiva, devido a acidente ou ataque terrorista, bem como no transporte do combustível e dos resíduos. Para além disso, não se consegue nunca eliminar o erro humano, o responsável pelo acidente de Chernobyl.
Em sexto lugar, a exportação e a proliferação contínua de tecnologia nuclear aumenta significativamente o risco de proliferação de armas nucleares, existindo o risco de novos Estados se tornarem novas potências nucleares.
Em sétimo lugar, o nuclear não gera directamente quaisquer emissões de GEE, mas a construção das centrais é uma importante fonte de emissões, tal como a prospecção, a extracção e o transporte de urânio (o ciclo do urânio é um grande consumidor de energia e um forte emissor de CO2), o transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem e o futuro desmantelamento – O estudo americano Nuclear Power: The Energy Balance (2005), que compara as emissões de CO2 analisando o ciclo de vida de uma central nuclear e de uma central a gás natural (com uma potência equivalente) chega à conclusão de que, no longo termo, com o decréscimo da qualidade das reservas de urânio, o nuclear tem muito mais emissões que o gás natural.
Em oitavo lugar, além das elevadas emissões de carbono, o ciclo do urânio até à utilização no reactor é um enorme gerador de resíduos tóxicos e de agressões ambientais. E uma central nuclear consome elevados volumes de água: teria de ser instalada no litoral português, o qual é densamente povoado, por falta de caudais suficientes nos rios.
Em nono lugar, a radioactividade dos resíduos do urânio processado nas centrais é muito elevada, com graves riscos para a saúde pública durante dezenas a centenas de milhares de anos. Ainda não foi encontrada uma solução satisfatória para o tratamento dos resíduos, hoje armazenados em locais temporários. Este é um pesado legado para as gerações futuras.
Em décimo lugar, a nova geração de reactores nucleares em construção na Finlândia (Olkiluoto 3) e na França (Flamanville 3), apresentados como a vanguarda do renascimento do nuclear, têm registado uma série de atrasos, derrapagens orçamentais e problemas técnicos de segurança. Na Finlândia, o prazo de conclusão da central foi adiado por dois anos e os custos de construção quase que duplicaram para um valor de 5 mil milhões de euros, com várias falhas na construção a implicar potenciais riscos de segurança. Na França, os problemas são semelhantes, tendo já sido mandada parar a construção pela Agência de Segurança Nuclear francesa por vários problemas técnicos de segurança registados.
Rita Calvário
http://www.infoalternativa.org/ecologia/ecologia086.htm
terça-feira, agosto 05, 2008
ACÇÃO DE FORMAÇÃO
FORMADORES
• MILÚ RODRIGUICES, doutorada em Ciências do Insucesso, pela Universidade Clandestina do Monte da Virgem.
• VALTER GEMES, doutorado em Banalidades e Idiotices, pela Universidade do Queijo da Serra.
• JORGE CALHAU, doutorado em Incompetências, pela Universidade Piscatória de Braga.
OBJECTIVOS DA ACÇÃO DE FORMAÇÃO
1. Permitir que os professores desenvolvam as suas capacidades de técnicos de animação escolar;
2. Incentivar os professores a resistirem até próximo de metade da idade da reforma;
3. Dinamizar o espírito burocrático na carreira docente;
4. Desenvolver as capacidades físicas, gestuais, linguísticas e criativas dos docentes.
MÓDULO I - PRÉ-FORMAÇÃO
1. Entender que ensinar é uma violação dos direitos de quem não quer aprender (350 horas)
2. 'Quanto mais entreter mais futuro vai ter (250 horas)
MÓDULO II - RELAÇÃO COM A UNIVERSIDADE
1. Superar o Síndrome da Paciência (150 horas)
2. Como se desviar de um OVI (objecto voador identificado) - Visualização de casos práticos no Youtube (200 horas)
3. Como sobreviver a um ano escolar sem dar uma falta (500 horas)
4. Adquirir capacidade de ignorar quando o aluno lhe rebenta os dentes (200 horas)
5. Como esvaziar uma caixa de antidepressivos e ansiolíticos em dois intervalos (150 horas)
6. Como tentar confiscar um telemóvel sem se magoar - Visualização de casos práticos em vídeo (800 horas)
7. Como utilizar as novas tecnologias num contexto de jogos e mensagens (125 horas)
MÓDULO III - ACTIVIDADE PRÁTICA
1. Arrotar, dizer palavrões e cuspir, em intervalos consecutivos de 2 segundos (200 horas)
2. Aguentar duas chapadas, três pontapés e uma cabeçada, sempre com sorriso rasgado (350 horas)
3. Correr 100 metros, com o livro de ponto debaixo do braço, no máximo de 25 segundos
(100 horas)
4. Abanar 500 vezes a cabeça, afirmativamente, durante 5 minutos. (185 horas)
5. Utilizar 5 resmas de papel, para grelhas de auto-avaliação de 20 alunos, no período de 5 dias ( 240 horas)
MÓDULO IV - RELAÇÃO COM O (A) AVALIADOR(A)
1. Nível 1 (principiante): Pagar o almoço do(a) avaliador(a) na cantina e oferecer-lhe um bilhete para o espectáculo do Tony Carreira (150 horas).
2. Nível 2 (avançado): Reunir durante 3 horas, não tratar de nada e fazer uma acta de 17 folhas (225 horas).
PATROCINADORES:
Academia de defesa pessoal 'PIRA-TE E FOGE, L.DA'
Edições Rebeldia
Associação de Pais 'COSPE FOGO'
INSCREVE-TE JÁ
• Se enviares a tua inscrição no espaço de 3 dias terás direito a faltar a 1/2 aula de substituição.
• Se juntares à tua inscrição a de um colega distraído, receberás uma dentadura postiça e umas canadianas em 2.ª mão.
Sindicato dos Técnicos de Animação Escolar
(recebido por mail)
• MILÚ RODRIGUICES, doutorada em Ciências do Insucesso, pela Universidade Clandestina do Monte da Virgem.
• VALTER GEMES, doutorado em Banalidades e Idiotices, pela Universidade do Queijo da Serra.
• JORGE CALHAU, doutorado em Incompetências, pela Universidade Piscatória de Braga.
OBJECTIVOS DA ACÇÃO DE FORMAÇÃO
1. Permitir que os professores desenvolvam as suas capacidades de técnicos de animação escolar;
2. Incentivar os professores a resistirem até próximo de metade da idade da reforma;
3. Dinamizar o espírito burocrático na carreira docente;
4. Desenvolver as capacidades físicas, gestuais, linguísticas e criativas dos docentes.
MÓDULO I - PRÉ-FORMAÇÃO
1. Entender que ensinar é uma violação dos direitos de quem não quer aprender (350 horas)
2. 'Quanto mais entreter mais futuro vai ter (250 horas)
MÓDULO II - RELAÇÃO COM A UNIVERSIDADE
1. Superar o Síndrome da Paciência (150 horas)
2. Como se desviar de um OVI (objecto voador identificado) - Visualização de casos práticos no Youtube (200 horas)
3. Como sobreviver a um ano escolar sem dar uma falta (500 horas)
4. Adquirir capacidade de ignorar quando o aluno lhe rebenta os dentes (200 horas)
5. Como esvaziar uma caixa de antidepressivos e ansiolíticos em dois intervalos (150 horas)
6. Como tentar confiscar um telemóvel sem se magoar - Visualização de casos práticos em vídeo (800 horas)
7. Como utilizar as novas tecnologias num contexto de jogos e mensagens (125 horas)
MÓDULO III - ACTIVIDADE PRÁTICA
1. Arrotar, dizer palavrões e cuspir, em intervalos consecutivos de 2 segundos (200 horas)
2. Aguentar duas chapadas, três pontapés e uma cabeçada, sempre com sorriso rasgado (350 horas)
3. Correr 100 metros, com o livro de ponto debaixo do braço, no máximo de 25 segundos
(100 horas)
4. Abanar 500 vezes a cabeça, afirmativamente, durante 5 minutos. (185 horas)
5. Utilizar 5 resmas de papel, para grelhas de auto-avaliação de 20 alunos, no período de 5 dias ( 240 horas)
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1. Nível 1 (principiante): Pagar o almoço do(a) avaliador(a) na cantina e oferecer-lhe um bilhete para o espectáculo do Tony Carreira (150 horas).
2. Nível 2 (avançado): Reunir durante 3 horas, não tratar de nada e fazer uma acta de 17 folhas (225 horas).
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