sábado, abril 14, 2007

A Auto-Apologia de Sócrates

A entrevista foi o que se viu, muitos papéis já conhecidos, com todas as incongruências já faladas e outras que ficaram por falar. Percebeu-se que Sócrates ia com um guião para despejar, independentemente das perguntas que lhe fizesse. O som da voz do entrevistador era o tiro de partida para mais uma dose de “esclarecimentos” que até já previam esta notícia do Público Online colocada em linha às 19.36.
Fiquemos por algumas notas curtas, quase todas em forma de interrogação.
• Com que então não falou antes para não fazer coincidir o seu depoimento com o processo sobre a UnI? Então o que achou de Mariano Gago na conferência de impresna sobre o encerramento da UnI ter levado a maior parte do tempo a falar do currículo do primeiro-Ministro?
• Os professores do ISEL demoraram um ano a lançar as notas? Feche-se já o ISEL! Na minha experiência de Ensino Superior (8 anos até conclusão do Mestrado, decorridos entre 1983-87 e 1990-95, mais 5 agora em regime de trabalho essencialmente “autónomo”), não me lembro de pautas só serem lançadas no ano seguinte. Mesmo no mestrado que conclui, onde houve nebulosidades em algumas classificações, as pautas surgiram a tempo e horas para serem feitos certificados de habilitações (coisas diferentes de diplomas). Lamento, não é admissível que um mero certificado de conclusão das cadeiras de um ano demore um ano a ser feito, contra todos os prazos legais.
• O regresso à Escola em idade adulta, para reforço de qualificações revela “nobreza de carácter” e deve ser valorizado? Explique lá isso à equipa do ME que decidiu penalizar fortemente quem ousar (ou ousou) fazer formação por sua alta recriação.
• Afinal Sócrates sempre concluiu ou não concluiu o tal MBA? Fez o projecto ou dissertação final ou não? Uma coisa é frequentar, mesmo se com aproveitamento, um mestrado ou algo equivalente e daí mandar extrair certificado, outra é fazer tudo até ao fim e poder exibir o título correspondente.
• E a tal graduação, pós-graduação, retro-graduação em Engenharia Sanitária, ninguém já fala dela, mesmo estando no Portal do Governo?
• Como já antes tinha sublinhado, os registos biográficos no Parlamento são feitos por mão do próprio deputado. Sócrates fez dois no mesmo dia? Ou emendou o que tinha feito anteriormente? Exactamente em que condições? Será possível ver o original?
• Faz-se um requerimento ao reitor de uma Universidade, para pedir equivalências, sem colocar data? E tem-se o original manuscrito do requerimento, sem qualquer sinal de entrada nos serviços?
• Nem uma palavra sobre os colegas de turma na UnI que afirmam nunca o ter visto nas aulas.
José Sócrates tem razão numa coisa: um aluno não é responsável pelas ineficiências dos serviços administrativos de uma Universidade, mas existem limites para a não verificação ou o não pedido da documentação comprovativa daquilo que se fez em tempo devido.
Por tudo aquilo que hoje disse e não disse, o nosso Primeiro-Ministro andou realmente num mundo académico bem diverso daquele que fui conhecendo a partir de 1983. É verdade que os trajectos são profundamente diferentes, as áreas de interesse e instituições nem se tocam, mas a forma como o PM apresenta o desempenho administrativo das instituições universitárias que percoreeu nos anos 90 (ISEL, UnI) é de molde a realmente ter muitas dúvidas sobre a sua qualidade.
Mesmo para terminar, não se percebem muito bem os remoques sobre o que é dito e escrito na blogosfera, em muitos casos por gente não anónima. Provavelmente estaria a pensar em coisas como as prosas de quem se assina simplesmente f. no blogue Glória Fácil. Na altura da campanha do referendo pela IVG a rapariga era um mimo de boas maneiras e requinte à mesa.
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