terça-feira, julho 06, 2010

O PRÉMIO CONFISCADO

Muito gosta o estado português de tirar com uma mão o que dá com a outra. Por vezes não se coíbe de tirar com a mesma mão que deu. Exemplo recente é o Prémio que o Ministério da Cultura, com a Associação Internacional de Críticos de Arte, decidiu atribuir ao fotógrafo português Paulo Nozolino. Teria de desembolsar logo de imediato dez por cento do Prémio para efeitos de IRS e assinar uma nota de honorários (honorários?!). Com a manipulação dos escalões recentemente efectuada, poderia até o artista subir de escalão com o dinheiro do prémio, e ter de pagar mais ao Estado do que pagaria se não fosse a recompensa, isto é, o Prémio ser, de facto, um prejuízo. Afirmou o artista em comunicado que encontrei no blogue Arte Photographica:


“Recuso na sua totalidade o Prémio AICA/MC 2009 em repúdio pelo comportamento obsceno e de má fé que caracteriza a actuação do Estado português na efectiva atribuição do valor monetário do mesmo. O Estado, representado na figura do Ministério da Cultura (DGARTES), em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o! Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10% em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas. A saber: Quem concorre para ganhar um prémio está isento de impostos pelo Código de IRS. Quem, sem pedir, é premiado tem que dividir o seu valor com o Estado!"
Não é só a injustiça de pagar imposto por conta do prémio (não seria mais simples o Estado dar um prémio menor, mas dá-lo livre de impostos?). É também a completa arbitrariedade fiscal que consiste em taxar uns prémios e outros não. Há premiados e premiados. Como eu compreendo Nozolino... Muitos parabéns por ter recusado o prémio!

Sanções contra o Irão e a próxima guerra

Na sua História sobre as guerras do Peloponeso, Tucídides relata como Péricles, no século V antes da nossa era, impôs sanções económicas contra a cidade de Megara, que se havia alinhado com Esparta. Atenas proibiu o comércio com esta cidade Estado e enviou uma mensagem: se Megara não desistisse da sua aliança com Esparta, seria castigada. Megara inflamou-se e exigiu a Esparta que desatasse a guerra. As hostilidades duraram 30 anos.

A história das sanções económicas e políticas para obrigar um país a mudar a sua conduta é longa, mas ensina que frequentemente conduzem ao fracasso. Não só não mudam a conduta dos estados sancionados, como invariavelmente levam à guerra.

O Conselho de Segurança votou na semana passada um pacote de sanções contra Teerão. Trata-se de mais um passo para a confrontação no âmbito da míope política externa dos Estados Unidos face a Teerão.

Milho transgénico: farsa e violência

Em finais de 2009, o governo mexicano autorizou o cultivo experimental de milho transgénico em 12,7 hectares, rompendo uma moratória de mais de 10 anos, a favor das transnacionais Monsanto, DuPont (proprietária da Pioneer Hi-Bred) e Dow. Em 2010, sem ter os resultados da sua suposta experimentação, aceitou outra vintena de solicitações das mesmas transnacionais, às quais se juntou a Syngenta. As novas solicitações para cultivos experimentais de milho transgénico estão em consulta pública, outro eufemismo governamental, já que as opiniões críticas são ignoradas.

Se lhe parece que 12,7 hectares das solicitações aprovadas em 2009 não é muito, imagine um metro quadrado e pense que são mais de 120 mil metros quadrados, em apertadas filas de milhares de plantas manipuladas geneticamente, cada uma das quais emite pólen suficiente para contaminar muitas mais. As novas solicitações pretendem ocupar mais de mil hectares, ou seja, mais de 10 milhões de metros quadrados.

segunda-feira, julho 05, 2010

O NEGRO E O VERMELHO

A sua natureza consiste em comandar, não em transigir nem obe-decer. Os príncipes que, em 1813, apoiados pela insurreição das massas, combatiam pelas liberdades da Europa contra Napoleão, que mais tarde formaram a Santa Aliança, não eram confederados; o absolutismo do seu poder proibia¬os de tomar esse título. Eram, como em 92, aliados; a história não lhes dará outro nome. Não se passa o mesmo com a Confede¬ração germânica, presentemente em trabalhos de reforma, e cujo carácter de liberdade e de nacionalismo ameaça fazer desaparecer um dia as dinastias que lhe põem obstáculos.

22) O direito público federativo levanta algumas questões difíceis. Por exemplo, um Estado com escravos pode fazer parte de uma confederação? Parece que não, não mais que um Estado absolutista: a escravatura de uma parte da nação seria mesmo a nega¬ção do princípio federativo. Sob este aspecto, os Estados Unidos do Sul seriam tanto melhor autorizados a pedir a separação quanto não existe a intenção dos do norte de conceder, pelo menos de imediato, aos Negros emancipados, o gozo dos direitos políticos. No entanto nós vemos que Washington, Madison e os outros fundadores da União não foram desta opinião; eles admitiram no pacto federal os Estados com escravos. É também verdade que nós vemos neste momento esse pacto contra natura rasgar-se, e os Estados do Sul, para conservar a sua exploração, tenderem a uma constituição unitária, enquanto que os do Norte, para manter a união, decretam a de¬por¬tação dos escravos.*
A constituição federal Suíça, reformada em 1848, decidiu a questão no sentido da igualdade; o seu artigo 4 diz: « Todos os Suíços são iguais perante a lei. Não há na Suíça nem súbditos, nem privilégios de lugar, de nascença, de pessoas ou de famílias.» Da promulgação deste artigo, que purgou a Suíça de todos os elementos aristocráticos, data a verdadeira constituição federal helvética.
No caso de oposição entre os interesses, a maioria confederada poderá opor à mino¬ria separatista a indissolubilidade do pacto? A negativa foi defendida em 1846 pelo Sunderbund** contra a maioria helvética; ela é-o hoje em dia pelos confederados do Sul da União americana contra os federados do Norte. Por mim, creio que a sepa¬ra¬ção é de pleno direito, se se trata de uma questão de soberania cantonal deixada fora do pacto federal. Assim não me foi demonstrado que a maioria suíça tenha usado o seu direito contra o Sunderbund no pacto: a prova é que em 1848 a consti¬tuição fe¬deral foi reformada, precisamente em virtude do litígio que tinha levado à formação do Sunderbund**. Mas pode acontecer, devido a considerações de prati¬cável e impraticável, que as pretenções da minoria sejam incompatíveis com as necessidades da maioria, que além disso a cisão comprometa a liberdade dos Estados: nesse caso a questão resolve-se pelo direito da guerra, o que quer dizer que a parte mais considerável, aquela cuja ruína traria um maior prejuízo, deve pervalecer sobre a mais fraca. Foi o que aconteceu na Suiça e que poderia igualmente praticar-se nos Estados Unidos, se, nos Estados Unidos como na Suiça, não se tratasse senão de uma inter¬pretação ou de uma melhor aplicação dos princípios do pacto, como o elevar pro¬gressivamente a condição dos Negros ao nível da dos Brancos. Infeliz¬mente a men¬sagem de M. Lincoln não deixa qualquer dúvida a esse respeito. O Norte, não mais que o Sul, não tenciona falar de uma emancipação verdadeira, o que torna a dificul¬dade insolúvel, mesmo pela guerra, e ameaça destruir a confederação.
Na monarquia, toda a justiça emana do rei: numa confederação, ela emana, para cada Estado, exclusivamente dos seus cidadãos. A instituição de um alto conselho federal, seria portanto, em princípio, uma anulação do pacto. Seria o mesmo para um Tribunal de recurso, pois que, cada Estado sendo soberano e legislador, as legilações não são uniformes. De todas as formas, como existem interesses federais e assuntos federais; como podem ser cometidos delitos e crimes contra a confederação, há, para esses casos específicos, tribunais federais e uma justiça federal.
* Convém ter presente que Proudhon escrevia este livro quando ainda durava a guerra civil americana. (N.T.)
** Em alemão, no original. Palavra intraduzível que designa os conflitos religiosos entre os cantões ca¬tó¬licos e protestantes, que chegaram a pôr em perigo a integri¬dade da confederação helvética, supe¬rados pela adopção de uma nova constituição em 1848 e de outra em 1874. (N.T.)

Cada vez mais é o que apetece dizer!...


o que é preciso é chamar a atenção!


não incomodar!


Saltar por cima dos problemas é a solução?


Que tal a minha irmã?


já tenho os pés molhados!


O quê? Quanto tempo mais é que vamos aturar o sócrates??!!!


AUSTERIDADE!!! CONTENÇÃO!!!


"Uma das coisas penosas acerca do nosso tempo é que aqueles que sentem certezas são estúpidos, e aqueles com alguma imaginação e entendimento estão cheios de dúvidas e indecisão".

Bertrand Russell

"A ignorância mais frequentemente provoca a confiança do que o faz o conhecimento".

Charles Darwin

Golfo do México: A opção nuclear no furo da BP

A CBS News , o Christian Science Monitor , a CNN e a Reuters perguntaram, todos eles, se a BP deveria disparar uma ogiva nuclear no seu furo de petróleo em fuga.

Na verdade, alguns cientistas nucleares russos, bem como peritos da indústria petrolífera, sugeriram que tal abordagem pararia o jorro de petróleo no Golfo. Aqui está um filme de arquivo dos russos a "matarem" uma fuga de gás com um dispositivo nuclear.

E o secretário da Energia de Obama e vencedor o Prémio Nobel da Física, Steven Chu, inclui o homem que ajudou a desenvolver a primeira bomba de hidrogénio na década de 1950 no grupo de cinco homens encarregados de travar o petróleo.

E o perito da indústria de petróleo Matt Simmons propõe a utilização de um dispositivo nuclear táctico todas as vezes em que é entrevistado na televisão nacional.

BLACKOUT INFORMATIVO QUANTO À CATÁSTROFE DO GOLFO

BLACKOUT INFORMATIVO QUANTO À CATÁSTROFE DO GOLFO
-BP, GOVERNO E OS MEDIA CORPORATIVOS SILENCIAM
-APOIO ÀS VÍTIMAS É SÓ PARA "POLÍTICO VER E REPÓRTER FILMAR"
Depoimento de uma cidadã da Lousiana:

Neoliberalismo obrigatório

«Inclina a cerviz, altivo sicambro; adora o que queimaste e queima o que adoraste», ordenou o bispo Remígio ao bárbaro Clóvis quando este teve de se converter ao cristianismo para ser rei de França. E isso mesmo parecem ter exigido ao social-democrata José Luis Rodríguez Zapatero os chefes de Governo do Eurogrupo, em Bruxelas, a 7 de Maio passado, quando se juntaram ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e aos mercados financeiros para o obrigar a renegar toda a veleidade social, e a converter-se imediatamente ao credo neoliberal.

O determinismo demográfico: ciência ou ideologia?

Este artigo questiona o determinismo demográfico que assume que a transição demográfica torna o sistema de pensões inviável em Espanha. A ignorância sistemática por parte dos autores promotores do determinismo demográfico das críticas que se fizeram das suas teses, demonstra o carácter ideológico, em lugar de científico, de tais teses.

O NEGRO E O VERMELHO

De acordo com estes princípios, tendo o contrato de federação por objecto, em termos gerais, garantir aos Estados confederados a sua soberania, o seu território, a liberdade dos seus cidadãos; regular os seus diferendos; prover, através de medidas gerais, a tudo o que interesse à segurança e à prosperidade comum; este contrato, dizia eu, apesar da grandeza dos interesses em jogo, é essencialmente restrito. A Autoridade encarregada da sua execução não pode nunca retirᬠla aos seus consti¬tuintes; quero dizer que as atribuições federais nunca podem exceder em número e em reali¬dade as das autoridades comunais ou provinciais, do mesmo modo que estas não podem exceder os direitos e prerrogativas do homem e do cida¬dão. Se fosse de outro modo, a comuna seria uma co¬munidade; a federa¬ção tornar- se¬ ia uma centralização monárquica; a autoridade federal, de simples mandatária e função subordinada que deve ser, seria olhada como preponderante; em lugar de ser limitada a um ser¬viço especial, ela tenderia a abarcar toda a actividade e toda a iniciativa; os Estados confederados seriam convertidos em prefeituras, intendências, sucursais ou directorias. O corpo político, assim transformado, poderia chamar¬ se república, democracia ou tudo o que vos apetecer: não seria mais um Estado consti¬tuído na plenitude das suas autonomias, não seria mais uma confederação. A mesma coisa se passaria, com mais razão ainda, se, por um falso motivo de economia, por deferência ou qualquer outra causa, as comunas, cantões ou Estados confederados encarregassem um deles da administração ou governo dos outros. A república, de federa¬tiva, tornar¬ se¬ ia unitária; estaria no caminho do despotismo .
Em resumo, o sistema federativo é o oposto da hierarquia ou centrali¬zação administrativa e governamental a qual distingue, ex aequou), as democracias imperiais, as monarquias constitucionais e as repúblicas uni¬tárias. A sua lei fundamental, característica, é esta: Na federação, os atibu¬tos da autoridade central especializam¬se e restringem¬se, diminuem de número, de intermediários, e se ouso assim dizer, de intensidade, na me¬dida em que a Confederação se desenvolve pela acessão de novos Estados. Nos governos centralizados, ao contrário, os atributos do poder supremo aumentam, estendem¬se e imediatizam¬se, colocando na competência do príncipe os assuntos das províncias, comunas, corpora¬ções e particulares, na relação directa da superfície territorial e do número da população. Daí essa sobrecarga sob a qual desaparece toda a liberdade, não só comunal e provincial, mas mesmo individual e nacional.
Uma consequência deste facto, pela qual terminarei este capítulo, é que, sendo o sistema unitário o inverso do sistema federativo, uma confederação entre grandes monarquias, e com mais razão entre democracias imperiais, é algo impossível. Estados como a França, a Áustria, a Inglaterra, a Rússia, a Prússia, podem fazer entre eles tratados de aliança ou de comércio; é inconcebível que se federalizem, em primeiro lugar, porque o seu princípio a isso é contrário, e os poria em oposição com o pacto federal; que consequentemente lhes seria necessário abandonar algo da sua soberania, e reconhecer sobre eles, pelo menos para certos casos, um árbitro.

21) A Confederação helvética compõe-se de vinte e cinco Estados soberanos (dezanove cantões e seis meio-cantões) para uma população de dois milhões e quatrocentos mil habitantes. Ela é assim regida por vinte e cinco constituições, análogas às nossas car¬tas ou constituições de 1791, 1793, 1795, 1799, 1814, 1830, 1848, 1852, mais uma constituição federal, da qual naturalmente nós não possuímos, em França, o equivalente equiva¬lente. O espírito dessa constituição, conforme aos princípios acima citados, resulta dos artigos seguintes:
«Art. 2.- A confederação tem por fim assegurar a independência da pátria contra o estrangeiro, manter a tranquilidade e a ordem no interior, proteger a liberdade e os direitos dos confederados, e aumentar a sua prosperidade comum.
«Art. 3.- Os cantões são soberanos na medida em que a sua soberania não seja limi¬tada pela soberania federal, e, como tal, eles exercem todos os direitos que não são delegados ao poder federal.
«Art. 5.- A confederação garante aos cantões o seu território, a sua soberania nos limites fixados pelo art. 3, as suas constituições, a liberdade e os direitos do povo, os direitos constitucionais dos cidadãos, assim como os direitos e as atribuições que o povo conferiu às autoridades.»
Assim uma confederação não é precisamente um Estado: é um grupo de Estados so¬be-ranos e independentes, unidos por um pacto de garantia mútua. Uma consti¬tuição federal também não é o que se entende em França por carta ou constituição, e que é o resumo do direito público do país: é o pacto que contém as condições da liga, quer dizer os direitos e obrigações recíprocas dos Estados. O que se chama Autori¬dade federal, finalmente, não é mais um governo, é uma agência criada pelos Estados para a execução em comum de certos serviços de que cada Estado se desapossa, e que se tornam assim atribuições federais.
Na Suíça, a Autoridade federal é composta por uma Assembleia deliberativa, eleita pelo povo dos vinte e dois cantões, e de um Conselho executivo composto por sete membros nomeados pela Assembleia. Os membros da Assembleia e do Conselho fe¬de¬ral são nomeados por três anos: a constituição federal podendo ser revista a qual¬quer momento, as suas atribuições são, como as suas pessoas, revogáveis. De modo que o Poder federal é, em toda a acepção da palavra, um mandatário colocado sob a mão dos seus comandatários, e cujo poder varia conforme a sua vontade.
u)Em latim, no original. Em igualdade de circunstâncias. (N.T.)

domingo, julho 04, 2010

os meus dedos no teu dedo


momentos antes de acontecer...


Tenho pés grandes, não tenho?


vai um donuts?


três irmãos


as minhas bolachas favoritas


Sobre o erro

"Quem confessa os seus erros é mais sábio hoje que ontem."
Alexander Pope

“Os homens erram, os grandes homens confessam que erraram.”
Voltaire

"Confessar um erro é demonstrar, com modéstia, que se fez progresso na arte de raciocinar."
Jonathan Swift

"Ninguém é maior do que aquele que está disposto a que lhe assinalem os seus erros."
Dave Barry

"A ciência compõe-se de erros que, por sua vez, são os passos até a verdade."
Júlio Verne

"Se fechares a porta a todos os erros, a verdade ficará na rua."
Rabindranath Tagore

"Eu não me envergonho de corrigir meus erros e mudar as opiniões, porque não me envergonho de raciocinar e aprender."
Alexandre Herculano

"Se não receio o erro, é só porque estou sempre pronto a corrigi-lo."
Bento Jesus Caraça

“Quem nunca errou nunca experimentou nada novo.”
“O único homem que está isento de erros é aquele que não arrisca acertar.”
Albert Einstein

“Críticos são sujeitos que passam anos procurando um erro dos escritores - e acabam por encontrar.”
Peter Ustinov

“Contrariamente ao que crêem os chorões, todo o erro é uma propriedade que acresce o nosso haver. Em vez de chorar sobre ele, convém apressar-se em aproveitá-lo.”
José Ortega y Gasset

“O erro não se torna verdade por se multiplicar na crença de muitos, nem a verdade se torna erro por ninguém a ver...”
Mahatma Gandhi

Tu viras à esquerda e eu viro à direita e encontramo-nos ao centro...É isso?


Tira boné põe boné!...


Vaticano, S. A. – O offshore da impunidade

Os escândalos do banco do Vaticano. a Igreja não vive só de avé-marias

Instituto para Obras Religiosas fez negócios pouco santos, garante o autor de “Vaticano SA”.

O Vaticano é há muito um centro de corrupção e intriga política onde o dinheiro e a fé se movem de mãos dadas. A opacidade da única teocracia europeia esconde a teia de interesses que liga prelados, políticos sem escrúpulos e mafiosos.

No bairro de 44 hectares, que deve a Benito Mussolini o estatuto de que goza, urdem-se tramas, tecem-se redes de poder e lava-se dinheiro de origem criminosa. A cupidez e a falta de escrúpulos vai até ao Papa, corrompe tiaras, oxida báculos e corrói mitras e barretes cardinalícios.

Deus é um mero álibi para os crimes que andam à solta naquele bairro mal frequentado. A imunidade papal trava o braço da única justiça que existe – os tribunais dos homens.

Os papas mais pérfidos acabam por fazer, depois de mortos, os milagres que os hão-de conduzir aos altares, esquecidos ou ignorados os crimes praticados em vida. A história do Vaticano é uma sucessão de horrores que a fé dos crédulos e o esplendor da liturgia conseguem mascarar.

A origem do ouro de que se fazem os anelões dos prelados é um segredo bem guardado mas o destino do dinheiro lavado num dos mais obscenos offshores do mundo é ainda mais enigmático e obscuro.

Quantas conspirações, intrigas e traições, por todo o mundo, não foram pagas com o óbolo dos crentes e as esmolas para as alminhas do Purgatório? O Vaticano é um bairro sem lei, onde o negócio das indulgências, sacramentos e bênçãos é a fachada sob a qual se esconde um dos mais perigosos centros de poder sem qualquer controlo democrático.

Os Estados de direito não podem permitir que os delitos fiquem impunes no espaço europeu onde um futuro santo, com a alcunha de Sumo Pontífice, num Estado fantoche que usa o pseudónimo de Santa Sé, dirige um bando à margem da lei e ignora as normas éticas que devem reger a sociedade.

Recomendações da avó Sopinhas

Nem que seja uma tragédia, há sempre que descobrir o lado positivo das coisas, diz aquele clichet da moda introduzido para domesticar as massas não alimentícias. A pobreza também tem os seus. O de poder fazer bem à saúde acaba de ser descoberto. E quem o descobriu? A sagacidade da ministra da Saúde. Por alguma razão é Ministra. Ana Jorge apelou às famílias portuguesas para fazerem “sopa em casa” em vez de gastarem em “fast food”, aproveitando a necessidade de contenção económica e como forma de combater a obesidade. E quais serão as sopas mais indicadas? Caldo à BPN, sopa à off-shore, caldo de parceria público-privada, creme à SUCH, gaspacho à EPE? São um perigo. Engordam muito. Falha imperdoável, fui ao site do Ministério da Saúde e (ainda) não estão lá as receitas da avózinha. Já agora, quer para comungar da onda positiva, quer porque são fundamentais para fazer qualquer caldinho, deixo uma sugestão a incluir no cardápio: repensem os critérios de atribuição dos tachos que continuam a ser distribuídos pelo Governo. Farão falta se este novo desenvolvimento sopeiro da política pegar tão bem como o “temos que ser positivos”. Aliás, pelo que se sabe, apesar da falta de talento de muitos dos agraciados, quem os ocupa ganha direito a uma vida felicíssima. Os ditos, sejam eles tachos, panelinhas ou panelões, estão carregados com cargas positivas com uma potência tal que nenhum Governo que queira chamar-se "responsável" pode dar-se ao luxo de não as valorizar.

Passam hoje 73 anos do atentado contra o ditador

Passam hoje 73 anos do atentado contra o ditador Salazar. A data vai ser recordada na associação Terra Viva às 19h.


4 DE JULHO - 73º Aniversário do Atentado ao Salazar...

Domingo,4 de Julho- 19.00 horas na sede da TERRA VIVA
R.Caldeireiros,213 -Porto (à Cordoaria)

COM LEITURA E DISCUSSÃO DE EXCERTOS DO LIVRO "HISTÓRIA DE UM ATENTADO" , de E.Santana

seguido de "performance" na rua-

A 4 de Julho de 1937 um punhado de homens, entre eles o jovem anarco-sindicalista (da CGT/AIT) Emídio Santana, levavam a efeito contra Oliveira Salazar, o único atentado contra o ditador ,de toda a história da resistência ao fascismo luso. Falhado o seu resultado,havia de se manter o regime fascista durante mais 38 anos -com o apoio de Franco, Hitler e Mussolini, primeiro, depois com o das "democracias ocidentais" - até ao 25 de Abril de 1974.

Mas o que tinha estado na origem da decisão desse atentado? Seriam "loucos","esquerdistas", seriam "inconscientes" ou "psicopatas" aqueles que se envolveram no plano do atentado?... É de Emídio Santana, um dos intervenientes, a explicação dos motivos para a decisão do atentado:

"O atentado resulta dum clima de desespero colectivo, num momento histórico grave, exactamente quando não se antevia qualquer saída ou hipótese e a sociedade portuguesa se apresentava vencida e dominada. A Espanha vizinha iniciara uma guerra civil que decidiria o seu destino, e esse destino consumaria o nosso, que estava à vista.Era a nova Contra Reforma, a noite reaccionária para a Ibéria . (...) Era preciso desencadear um esperança, uma oportunidade de luta e de reacção; mostrar as debilidades dos Golias; para tanto só havia David. Pois seria David que atacaria Golias. (...)

(excerto do livro de E.Santana "História de um atentado"- publicações Forum-1976)

PARA QUE NÃO SE APAGUEM AS MEMÓRIAS LIBERTÁRIAS!
QUEM NÃO PESQUISA O PASSADO, NÃO SABERÁ ENFRENTAR O PRESENTE!


Emídio Santana (Lisboa, 4 de Julho de 1906 — Lisboa, 16 de Outubro de 1988) foi um dos mais importantes militantes portugueses do anarco-sindicalismo. Foi autor de diversos artigos e ensaios sobre o anarco-sindicalismo e o mutualismo.
Emídio Santana militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa.No seguimento do golpe militar fascista de 28 de Maio de 1926, desenvolveu uma actividade de resistência contra a ditadura e actividade sindical clandestina.
Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederação Geral do Trabalho de Espanha.
Em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
A partir do fim da ditadura1974, Emídio Santana retoma a vida militante activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha.Em 1985, Emídio Santana escreveu Memórias de um militante anarcossindicalista, livro onde recorda momentos importantes da sua vida de militância política

Quem tem medo de uma verdadeira investigação?

Se fosse instaurada uma verdadeira Comissão de Inquérito (em vez da desculpa patética de comissão), eis algumas das questões que teriam de ser respondidas:

1. Qual é o verdadeiro objectivo do bloqueio da Faixa de Gaza?

2. Se o objectivo é evitar o fluxo de armas para a Faixa, porque é que só 100 produtos são autorizados a entrar (em comparação com os mais de 12 mil produtos num supermercado israelita médio)?

3. Porque é que é proibido fazer entrar chocolate, brinquedos, material de escrita, muitos tipos de frutas e legumes (e porquê a canela, mas não o coentro)?

4. Qual é a relação entre a decisão de proibir a importação de materiais de construção para substituição ou reparo dos milhares de prédios destruídos ou danificados durante a Operação Chumbo Derretido, e o argumento de que podem servir ao Hamas para construir casamatas – quando materiais mais do que suficientes para esse propósito são levados para a Faixa através dos túneis?

Finlândia - Festival Contra-Cultural Anarquista Pispala Negra em Tampere

O Festival Contra-Cultural Anarquista Pispala Negra será realizado este ano durante a segunda semana de julho, do dia 8 ao dia 11. As atividades estão programadas para estarem acontecendo em vários lugares de Pispala: Centro Social Hirvitalo, Kurpitsatalo, Vastavirta-klubi e Pub Kujakolli.

A extensa programação do festival irá focar particularmente sobre a análise do planejamento e organização anarquista, bem como a troca de habilidades através de oficinas relacionadas ao uso de plantas locais, primeiros socorros e outras coisas.

As discussões sobre organização serão destinadas a providenciar uma perspectiva dos projetos anarquistas atuais e do passado, e também servirão para iniciar planos para atividades futuras e esforços cooperativos. Durante o festival será apresentado o projeto já em andamento de uma comunidade anarquista chamado “Anarchy in Karelia!”.

Algumas oficinas irão apresentar diferentes projetos e discutirão maneiras nas quais a organização pode acontecer em situações distintas. Estamos convidando pessoas envolvidas em projetos passados e atuais para compartilhar suas experiências.

Além das oficinas haverá comida, festividades e shows, algumas das quais serão grátis e não terão limite de idade. A programação também abarcará as crianças e seus pais. Iremos também fazer o melhor para providenciar cuidados infantis durante as oficinas. Uma feira do livro será realizada durante o festival, e todas as distribuidoras e vendedores de literatura serão muito bem-vindos.

Há ainda uma sala para oficinas e outros eventos. Acomodações estarão disponíveis em vários lugares. Por favor, nos comunique caso você precise de um lugar para ficar; além disso, mencione também sobre qualquer pedido especial ou informação importante: se você estará acompanhado de animais ou crianças, alergias, etc.

A programação em inglês do festival pode ser vista aqui:

› http://takku.net/article.php/20100608105219610

Tradução > Marcelo Yokoi

agência de notícias anarquistas-ana


sábado, julho 03, 2010

O NEGRO E O VERMELHO

Para que o contrato político possa cumprir a condição sinalagmática e comutativa que sugere a ideia de democracia; para que, encerrando¬ se em limites correctos, ele continue vantajoso e cómodo para todos, é preciso que o cidadão, entrando na associação, 1º tenha tanto a receber do Estado como o que lhe sacrifica; 2º que conserve toda a sua liberdade, soberania e iniciativa, menos o que é relativo ao objecto especial para o qual o con¬trato foi feito e para o qual se pede a garantia do Estado. Assim regulado e compreendido, o contrato político é o que eu chamo uma federação.
FEDERAÇÃO, do latim foedus, genitivo foederis, quer dizer pacto, contrato, tratado, convenção, aliança, etc., é uma convenção pela qual um ou mais chefes de família, uma ou mais comunas, um ou mais grupos de comunas ou Estados, se obrigam recíproca e igualmente uns en relação aos outros para um ou mais objetos particulares, cuja carga incumbe então especial e exclusivamente aos delegados da federação .
Retomemos esta definição.
O que faz a essência e o carácter do contrato federativo, e para o qual chamo a atenção do leitor, é que neste sistema os contratantes, chefes de família, comunas, cantões, províncias ou Estados, não somente se obrigam sinalagmática e comutativamente uns em relação aos outros, eles reservavam¬se individualmente, formando o pacto, mais direitos, liberdade, autoridade, propriedade, do que o que abandonam.
Não era assim, por exemplo, na sociedade universal de bens e ganhos, autorizada pelo Código civil, dita comunidade, imagem em miniatura de todos os Estados absolutos. Aquele que se compromete numa associação dessa espécie, sobretudo se ela é perpétua, está rodeado de mais entraves, submetido a mais responsabilidades do que conserva de iniciativa. Mas é também o que faz a raridade desse contrato, e que em todos os tempos tornou a vida cenobítica insuportável. Todo o compromisso, mesmo sina¬lagmático e comutativo, que, exigindo dos associados a totalidade dos seus esforços, não deixa nada à sua independência e os devota por inteiro à associação, é um compromisso excessivo, que repugna igualmente ao cidadão e ao homem.

20) Na teoria de J.-J. Rousseau, que é a de Robespierre e dos Jacobinos, o Contrato so¬cial é uma ficção de legista, imaginada para dar razão, de outra forma que pelo di¬reito divino, a autoridade paternal ou a necessidade social, à formação do Estado e às relações entre o governo e os indivíduos. Esta teoria emprestada dos calvinistas, era em 1764 um progresso, pois que ela tinha por fim trazer para uma lei da razão o que até aí tinha sido considerado como pertença da lei natural e da religião. No sistema federativo, o contrato social é mais que uma ficção; é um pacto positivo, efectivo, que foi proposto realmente, discutido, votado, adoptado, e que se modifica regular¬mente à vontade dos contratantes. Entre o contrato federativo e o de Rousseau e o de 93, existe toda a distância entre a realidade e a hipótese.*
* Pretenderam alguns, que tendo apresentado Proudhon o contrato como medida de resolver o problema político, não fez mais no fim que voltar à ideia de Rousseau, que tão duramente tinha censurado em algumas das suas obras anteriores. O mesmo Proudhon na nota anterior, apreciou o que vale o Contrato Social imaginado pelo brilhante filósofo de Genebra. Mas rapidamente, a fim de ver quanto difere um con¬trato de outro, apresenta-se aqui a clásula do de Rousseau que levará prontamente cada leitor a comparar com as que Proudhon acaba de apresentar como suas.
«As clásulas deste contrato, diz Rousseau ao falar dele que constituía o objecto do seu trabalho, quando bem compreendidas, resumem-se a uma: a alienação total de cada associado, com todos os seus direitos, à colectividade... Cada um de nós põe em comum a pessoa e os bens, sob a suprema direcção da vontade geral; e juntos rece¬bemos de cada membro como parte individual do todo»
Ao contrário de Rousseau que através desse contrato nos entrega de corpo e alma à sociedade de que fazemos parte, Proudhon pelo seu, submete-nos a essa mesma co¬lec-tividade a não ser para certos e determinados objectos, expressamente consigna¬do no pacto que celebramos ou a que aderimos. Faz aquele da colectivi¬dade, árbitro dos nossos direitos, e impõe este, pelo contrário a obrigação de asse¬gurᬠlos e pro¬tegê¬ los. Rousseau fala, numa palavra, de um contrato universal; Prou¬dhon de um con¬tra¬to especial. Há razão ou pretexto para confundir os dois contratos? (N.T.)

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Como é que ele ficou com os golos da Alemanha...


Não ouvir, não ver e não falar e assim vivemos na santa democracia!