
Quando a injustiça se torna lei, a resistência torna-se um dever! I write the verse and I find the rhyme I listen to the rhythm but the heartbeat`s mine. Por trás de uma grande fortuna está um grande crime-Honoré de Balzac. Este blog é a continuação de www.franciscotrindade.com que foi criado em 11/2000.35000 posts em 10 anos. Contacto: franciscotrindade4@gmail.com ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS ACTUALIZADO TODOS OS DIAS
sábado, julho 03, 2010
A bruxa e o Pinóquio

A Maria de Lurdes Rodrigues, aquela a que foi a Sinistra Ministra, a que confundia perseverança com teimosia, que escolhia a prepotência ao diálogo, aquela que tantos amaldiçoaram tantas vezes, escreveu um livro e no seu lançamento lá estava o Mário Soares e sua "partenaire ", uma praga de Ministros e ex-ministros por todo o lado e como não podia deixar de ser o dito Engenheiro Sócrates para lhe fazer o maior elogio da sessão.
Tinha de lhe fazer o boneco, (mais um), porque já poucas são as oportunidades para lhe fazer o "retrato" e preservar a memória da sua sinistra personagem.
Fraudes financeiras no Vaticano
“Bento XVI despediu todas as pessoas ligadas a João Paulo II”
João Paulo II estaria a par das actividades ilegais e fraudulentas que se desenrolavam no Instituto de Obras Religiosas (IOR), o Banco Vaticano, e que são reveladas no livro “Vaticano SA”, do italiano Gianluigi Nuzzi. Porém, nada fez para inverter a situação.
João Paulo II estaria a par das actividades ilegais e fraudulentas que se desenrolavam no Instituto de Obras Religiosas (IOR), o Banco Vaticano, e que são reveladas no livro “Vaticano SA”, do italiano Gianluigi Nuzzi. Porém, nada fez para inverter a situação.
Labirinto jurídico
"O art. 1º do Dec.-Lei 35/2010 de 15 de Abril começa da seguinte forma:
Os artigos 143.º e 144.º do Código do Processo Civil aprovado pelo Decreto -Lei n.º 44 129, de 28 de Dezembro de 1961, alterado pelo Decreto -Lei n.º 47 690, de 11 de Maio de 1967, pela Lei n.º 2140, de 14 de Março de 1969, pelo Decreto -Lei n.º 323/70, de 11 de Julho, pela Portaria n.º 439/74, de 10 de Julho, pelos Decretos -Leis n.os 261/75, de 27 de Maio, 165/76, de 1 de Março, 201/76, de 19 de Março, 366/76, de 15 de Maio, 605/76, de 24 de Julho, 738/76, de 16 de Outubro, 368/77, de 3 de Setembro, e 533/77, de 30 de Dezembro, pela Lei n.º 21/78, de 3 de Maio, pelos Decretos -Leis n.os 513 -X/79, de 27 de Dezembro, 207/80, de 1 de Julho, 457/80, de 10 de Outubro, 224/82, de 8 de Junho, e 400/82, de 23 de Setembro, pela Lei n.º 3/83, de 26 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 128/83, de 12 de Março, 242/85, de 9 de Julho, 381 -A/85, de 28 de Setembro e 177/86, de 2 de Julho, pela Lei n.º 31/86, de 29 de Agosto, pelos Decretos -Leis n.os 92/88, de 17 de Março, 321 -B/90, de 15 de Outubro, 211/91, de 14 de Junho, 132/93, de 23 de Abril, 227/94, de 8 de Setembro, 39/95, de 15 de Fevereiro, 329 -A/95, de 12 de Dezembro, pela Lei n.º 6/96, de 29 de Fevereiro, pelos Decretos -Leis n.os 180/96, de 25 de Setembro, 125/98, de 12 de Maio, 269/98, de 1 de Setembro, e 315/98, de 20 de Outubro, pela Lei n.º 3/99, de 13 de Janeiro, pelos Decretos -Leis n.os 375 -A/99, de 20 de Setembro, e 183/2000, de 10 de Agosto, pela Lei n.º 30 -D/2000, de 20 de Dezembro, pelos Decretos -Leis n.os 272/2001, de 13 de Outubro, e 323/2001, de 17 de Dezembro, pela Lei n.º 13/2002, de 19 de Fevereiro, e pelos Decretos-Leis n.os 38/2003, de 8 de Março, 199/2003, de 10 de Setembro, 324/2003, de 27 de Dezembro, e 53/2004, de 18 de Março, pela Leis n.º 6/2006, de 27 de Fevereiro, pelo Decreto -Lei n.º 76 -A/2006, de 29 de Março, pelas Leis n.º 14/2006, de 26 de Abril e 53 -A/2006, de 29 de Dezembro, pelos Decretos-Leis n.os 8/2007, de 17 de Janeiro, 303/2007, de 24 de Agosto, 34/2008, de 26 de Fevereiro, 116/2008, de 4 de Julho, pelas Leis n.os 52/2008, de 28 de Agosto, e 61/2008, de 31 de Outubro, pelo Decreto -Lei n.º 226/2008, de 20 de Novembro, e pela Lei n.º 29/2009, de 29 de Junho, passam a ter a seguinte redacção: (...)"........................
Se duvida pode confirmar no sítio do Diário da República.
Um bom exemplo de justiça à portuguesa!...
DOIS LOGROS DO EDUQUÊS: O «APRENDER A APRENDER» E AS «COMPETÊNCIAS»
1. Ensina-se, supostamente, a «aprender a aprender». Mas não se ensinam os conhecimentos que os alunos precisam de aprender. Ensina-se, supostamente, a «aprender a aprender» matemática. Mas o que é preciso mesmo é aprender matemática.
O «aprender a aprender» tornou-se moda por soar bem e prometer o «milagre» de se poder aprender tudo sem ter de se aprender nada.
O eduquês substitui o que importa ensinar pelas técnicas e métodos que supostamente permitiriam aprender tudo sem esforço.
Dois exemplos reveladores do logro:
Se eu pretender recrutar um tradutor de inglês, não indagarei se os candidatos sabem «aprender a aprender», mas se sabem, pelo menos, inglês e português.
Se a Carris precisar de um motorista, não perguntará aos candidatos se sabem «aprender a aprender», mas se têm carta de condução e experiência de conduzir.
2. As «competências» são outro logro, que engana o incauto porque a expressão tem um significado próprio que o senso comum instantaneamente apreende e valoriza. Mas o que é um indivíduo competente? Alguém que adquiriu e domina conhecimentos e técnicas e é capaz de os aplicar no exercício eficaz de uma função. Haverá alguém competente, seja no que for, sem conhecimentos?
O que será uma competência em Filosofia Medieval? Só pode ser o conhecimento do pensamento dos filósofos da época e do contexto em que foi elaborado. O que exige tê-los estudado, dominar o latim, grego, história, etc. E ser competente em física quântica? E a cozinhar uma boa caldeirada?
Também o candidato a um curso universitário de Física deverá ter adquirido os conhecimentos que permitem responder à exigência de aprofundamento e especialização que pressupõe. Não chegará que saiba «aprender a aprender», pede-se-lhe que já tenha aprendido muito.
3. Importante não é o modo como se ensina e aprende, mas o que efectivamente se ensina, aprende e exercita. E é só o aprender muito que potencia a capacidade para aprender mais e diferente.
O método é um «caminho». As técnicas e meios de ensino devem ser adoptados e mesmo construídos em função das matérias e dos alunos. A pedagogia é uma disciplina respeitável, mas auxiliar, não é o objectivo do ensino.
4. Ora, como a pedagogia parece ser o único conhecimento que os «especialistas» da educação supostamente dominam, valorizam-no até ao rídiculo, garantindo, assim, o poder e o emprego.
É esse o programa dominante na maioria dos cursos de formação de professores, que lançam no ensino vagas de docentes, grande parte sem poderem ensinar nada, por saberem muito pouco do que deveriam ensinar.
Mas como o Ministério da Educação é controlado pelos mesmos que os «formaram», fica tudo em casa, isto é, a escola e a «avaliação» não podem deixar de ser o que, com raras excepções, são.
Se o leitor quiser saber até que ponto o rei vai nú, peça a um desses novos docentes, ou a um dos pobres bons professores a quem é imposta a cartilha, um exemplo de uma «competência». Aposto que será: a «leitura de um horário de comboio»…
Refeito do choque, pergunte, a seguir, como se avalia a competência em História, Física, Electricidade…
4. O «aprender a aprender» e as «competências» são um pico da pedagogice, logros que servem ao eduquês e aos «especialistas» para que não se ensine, não se aprenda, nada possa ser avaliado.
São , afinal, manifestação da desvalorização relativista do conhecimento e do professor, da aversão rousseauniana aos «saberes letrados», supostamente origem da desigualdade e da desarmonia social. Tornar todos iguais, é o projecto inconfessável do eduquês. Mesmo que para isso seja preciso condenar todos à ignorância, à boçalidade e à miséria.
Todos?
Texto de Guilherme Valente saído no "Expresso" de hoje
O «aprender a aprender» tornou-se moda por soar bem e prometer o «milagre» de se poder aprender tudo sem ter de se aprender nada.
O eduquês substitui o que importa ensinar pelas técnicas e métodos que supostamente permitiriam aprender tudo sem esforço.
Dois exemplos reveladores do logro:
Se eu pretender recrutar um tradutor de inglês, não indagarei se os candidatos sabem «aprender a aprender», mas se sabem, pelo menos, inglês e português.
Se a Carris precisar de um motorista, não perguntará aos candidatos se sabem «aprender a aprender», mas se têm carta de condução e experiência de conduzir.
2. As «competências» são outro logro, que engana o incauto porque a expressão tem um significado próprio que o senso comum instantaneamente apreende e valoriza. Mas o que é um indivíduo competente? Alguém que adquiriu e domina conhecimentos e técnicas e é capaz de os aplicar no exercício eficaz de uma função. Haverá alguém competente, seja no que for, sem conhecimentos?
O que será uma competência em Filosofia Medieval? Só pode ser o conhecimento do pensamento dos filósofos da época e do contexto em que foi elaborado. O que exige tê-los estudado, dominar o latim, grego, história, etc. E ser competente em física quântica? E a cozinhar uma boa caldeirada?
Também o candidato a um curso universitário de Física deverá ter adquirido os conhecimentos que permitem responder à exigência de aprofundamento e especialização que pressupõe. Não chegará que saiba «aprender a aprender», pede-se-lhe que já tenha aprendido muito.
3. Importante não é o modo como se ensina e aprende, mas o que efectivamente se ensina, aprende e exercita. E é só o aprender muito que potencia a capacidade para aprender mais e diferente.
O método é um «caminho». As técnicas e meios de ensino devem ser adoptados e mesmo construídos em função das matérias e dos alunos. A pedagogia é uma disciplina respeitável, mas auxiliar, não é o objectivo do ensino.
4. Ora, como a pedagogia parece ser o único conhecimento que os «especialistas» da educação supostamente dominam, valorizam-no até ao rídiculo, garantindo, assim, o poder e o emprego.
É esse o programa dominante na maioria dos cursos de formação de professores, que lançam no ensino vagas de docentes, grande parte sem poderem ensinar nada, por saberem muito pouco do que deveriam ensinar.
Mas como o Ministério da Educação é controlado pelos mesmos que os «formaram», fica tudo em casa, isto é, a escola e a «avaliação» não podem deixar de ser o que, com raras excepções, são.
Se o leitor quiser saber até que ponto o rei vai nú, peça a um desses novos docentes, ou a um dos pobres bons professores a quem é imposta a cartilha, um exemplo de uma «competência». Aposto que será: a «leitura de um horário de comboio»…
Refeito do choque, pergunte, a seguir, como se avalia a competência em História, Física, Electricidade…
4. O «aprender a aprender» e as «competências» são um pico da pedagogice, logros que servem ao eduquês e aos «especialistas» para que não se ensine, não se aprenda, nada possa ser avaliado.
São , afinal, manifestação da desvalorização relativista do conhecimento e do professor, da aversão rousseauniana aos «saberes letrados», supostamente origem da desigualdade e da desarmonia social. Tornar todos iguais, é o projecto inconfessável do eduquês. Mesmo que para isso seja preciso condenar todos à ignorância, à boçalidade e à miséria.
Todos?
Texto de Guilherme Valente saído no "Expresso" de hoje
Lendo as entranhas da besta
As autoridades económicas nos Estados Unidos e na Europa têm problemas para ler os sinais sobre a evolução da crise. É normal. Os seus instrumentos analíticos não estão delineados para voar em mau tempo. A aterragem pode ser um pouco acidentada.
É certo que os indicadores encerram mensagens muito ambivalentes. Por exemplo, a economia estadunidense experimentou um pouco de crescimento no PIB nos últimos trimestres, daí que se fale de recuperação. Em Abril, o número de empregos atingiu o número de 450 mil e ficou por baixo das expectativas de muitos analistas, o que permitiria pensar que o estímulo fiscal pode estar a funcionar.
É certo que os indicadores encerram mensagens muito ambivalentes. Por exemplo, a economia estadunidense experimentou um pouco de crescimento no PIB nos últimos trimestres, daí que se fale de recuperação. Em Abril, o número de empregos atingiu o número de 450 mil e ficou por baixo das expectativas de muitos analistas, o que permitiria pensar que o estímulo fiscal pode estar a funcionar.
Democratizar o dinheiro, a terra, a palavra
O problema maior da transição da ditadura à democracia no Brasil é que a democracia se restringiu ao sistema político. Não foram democratizados pilares fundamentais do poder na sociedade: terra, bancos, meios de comunicação, entre outros.
O Brasil da democracia teve assim elementos fortes de continuidade com o da ditadura. A política de meios de comunicação, por exemplo, nas mãos de ACM, o ministro de Sarney, completou a distribuição clientelística de canais de rádio e televisão e favoreceu a consolidação do monopólio da Globo – os próprios Sarney e ACM, proprietários de emissoras ligadas à rede da Globo.
O Brasil da democracia teve assim elementos fortes de continuidade com o da ditadura. A política de meios de comunicação, por exemplo, nas mãos de ACM, o ministro de Sarney, completou a distribuição clientelística de canais de rádio e televisão e favoreceu a consolidação do monopólio da Globo – os próprios Sarney e ACM, proprietários de emissoras ligadas à rede da Globo.
Crônica da Feira do Livro Anarquista de Sevilha
Começando na “provoc” [provocando] pode dizer-se que a Espanha é um pouco a terra prometida de alguns anarquistas que - comigo em primeiro lugar! - são fascinados pela história deste país, o único a ter conhecido até hoje uma verdadeira revolução libertária. Mas hoje em dia é um pouco doloroso constatar que 1936 está bem longe, e que o movimento anarquista espanhol atual tem vindo a perder a base popular que o animou no passado. Vão longe os tempos em que a CNT - a Confederação anarco-sindicalista - contou com mais de dois milhões de aderentes e onde as manifestações estavam recheadas com bandeiras vermelhas e negras.
Mas, se o movimento anarquista espanhol está muito longe dos idos de 1936, é fato que ainda está presente nas lutas e portador de iniciativas no mínimo interessantes.
Relatando esta Feira do Livro Anarquista e Alternativo de Sevilha, à qual tive o prazer de assistir, durante quatro dias, de 2 a 5 de junho, sob os 40 graus diários da Andaluzia, num antigo Centro Social Ocupado, em um bairro muito popular. No exterior do Centro, em frente do grande portão de entrada adornado com um gigante A na bola, mesas expositoras e vendedoras de livros e de DVDs sobre, entre outros temas, a história do movimento anarquista, o anarco-sindicalismo, o feminismo, a sociologia alternativa, a imprensa libertária, etc.
No interior, numa grande biblioteca alternativa, dois documentários foram exibidos, seguidos de debates: um sobre uma forma de ensino alternativo em ruptura com os esquemas de educação escolar tradicionais (“A escola expandida de Zemo 98”) e o outro sobre a luta coletiva dos habitantes do bairro San Bernardo - o mesmo que acolheu esta Feira - contra o despejo das casas que aí são perpetrados (“San Bernardo 52” de Andres Lopez e Cristina Honorato).
Para além destas projeções, outros autores apresentaram os seus trabalhos: “V de Veganismo” de Roberte Lemes, “El tubo. Terror y miseria en las carceles espanolas de la democracia” de Xavier Canadas, “Un deseo apasionado de trabajo mas barato y servicial. Migraciones, fronteras y capitalismo” de Eduardo Romero, “Vida accidental de un anarquista” de F. Ventura e “Sevilla, Cuestion de clases” de Iban Diaz Para.
Em suma e resumindo: dos livros aos documentários, passando pela música e debates, todos os ingredientes estavam presentes para difundir as idéias e as práticas anarquistas para uma ampla gama de pessoas. Tudo isso foi perfeitamente integrado, tudo correu muito bem, a recepção foi calorosa e fiquei particularmente impressionado com o tamanho, o estado de cuidado, limpeza e vivacidade do squat, que dá um exemplo perfeito, em pequena escala, da pertinência e da viabilidade da vida em autogestão. Uma iniciativa que dá uma pista para as lutas atuais e futuras, o tipo de coisa que nos faz querer gritar "Viva o comunismo libertário, viva a anarquia!".
Guillaume Goutte
Semanário “Le Monde Libertaire" Nº1600 (17-23 de junho de 2010)
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana
Mas, se o movimento anarquista espanhol está muito longe dos idos de 1936, é fato que ainda está presente nas lutas e portador de iniciativas no mínimo interessantes.
Relatando esta Feira do Livro Anarquista e Alternativo de Sevilha, à qual tive o prazer de assistir, durante quatro dias, de 2 a 5 de junho, sob os 40 graus diários da Andaluzia, num antigo Centro Social Ocupado, em um bairro muito popular. No exterior do Centro, em frente do grande portão de entrada adornado com um gigante A na bola, mesas expositoras e vendedoras de livros e de DVDs sobre, entre outros temas, a história do movimento anarquista, o anarco-sindicalismo, o feminismo, a sociologia alternativa, a imprensa libertária, etc.
No interior, numa grande biblioteca alternativa, dois documentários foram exibidos, seguidos de debates: um sobre uma forma de ensino alternativo em ruptura com os esquemas de educação escolar tradicionais (“A escola expandida de Zemo 98”) e o outro sobre a luta coletiva dos habitantes do bairro San Bernardo - o mesmo que acolheu esta Feira - contra o despejo das casas que aí são perpetrados (“San Bernardo 52” de Andres Lopez e Cristina Honorato).
Para além destas projeções, outros autores apresentaram os seus trabalhos: “V de Veganismo” de Roberte Lemes, “El tubo. Terror y miseria en las carceles espanolas de la democracia” de Xavier Canadas, “Un deseo apasionado de trabajo mas barato y servicial. Migraciones, fronteras y capitalismo” de Eduardo Romero, “Vida accidental de un anarquista” de F. Ventura e “Sevilla, Cuestion de clases” de Iban Diaz Para.
Em suma e resumindo: dos livros aos documentários, passando pela música e debates, todos os ingredientes estavam presentes para difundir as idéias e as práticas anarquistas para uma ampla gama de pessoas. Tudo isso foi perfeitamente integrado, tudo correu muito bem, a recepção foi calorosa e fiquei particularmente impressionado com o tamanho, o estado de cuidado, limpeza e vivacidade do squat, que dá um exemplo perfeito, em pequena escala, da pertinência e da viabilidade da vida em autogestão. Uma iniciativa que dá uma pista para as lutas atuais e futuras, o tipo de coisa que nos faz querer gritar "Viva o comunismo libertário, viva a anarquia!".
Guillaume Goutte
Semanário “Le Monde Libertaire" Nº1600 (17-23 de junho de 2010)
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana
Israel - A objectora de consciência Diane Kogan é detida novamente
[A israelense objectora de consciência Diane Kogan, 18 anos, foi presa pela segunda vez em 14 de junho passado, informa a Associação Antimilitarista de Israel, que atualmente apóia o/as objetores/as de consciência israelenses Omer Goldman (Granot), Mia Tamarin, Tamar Katz, Sahar Vardi, Raz Bar-David Varon, Tamar Katz, Avichai Vaknin, Yuval Oron-Ofir e Diane Kogan.]
Esta é a segunda ocasião que Diane Kogan é enviada para a prisão e a sexta vez que está sendo condenada devido à sua objecção de consciência. Ela foi sentenciada a 20 dias de prisão em 15 de abril, data da sua declaração como objectora. Devido à prisão militar para mulheres se encontrar lotada, as autoridades lhes disseram que deveria se apresentar todos os dias na Base de Indução em Tel Hashomer. Diane decidiu, então, não cumprir as obrigações militares e, de fato, só retornou à Base de Indução em 25 de abril, aí foi condenada a mais 10 dias de prisão, e onde se encontra atualmente presa.
Depois da sua libertação, em 4 de maio, foi novamente condenada a 20 dias de confinamento na Base de Indução, após a sua recusa em se inscrever no serviço militar israelense. Como anteriormente, decidiu voltar pra casa, e novamente retornou muitos dias depois, em 24 de maio, já após o fim do termo de confinamento. Foi, então, condenada pela quarta vez - desta vez uma sentença condicional de sete dias na prisão -, além de uma continuação do seu mandato de prisão (mais uma vez uma instrução militar que Diane decidiu não obedecer).
Em 7 de junho, ela voltou para a Base de indução e foi condenada a mais 10 dias de confinamento e, em 21 de junho, depois de passar algum tempo em casa, foi mandada para a prisão pela segunda vez.
Nos últimos tempos, parece que os militares israelenses estão tendo algumas dores de cabeça para evitar a publicidade nos casos de objecção de consciência naquele país.
Em um comunicado, explicando a sua recusa em se inscrever no serviço militar de Israel, Kogan Diane disse: “Recuso-me a servir ao Exército porque creio firmemente que um regime militar não ajudará a alcançar a paz. O militarismo é uma força violenta, porque ensina a resolver os conflitos através de meios ofensivos, com armas e força bruta. Não faz sentido que um lado vá usar a violência como um caminho para a paz na esperança de que do outro lado simplesmente se aceite isso. A violência leva à violência e eventualmente a guerra, que então conduz a mais guerras. Derramamento de sangue não é o caminho e deve ser evitado a todo custo. Portanto, eu, sinceramente, recuso-me firmemente a cooperar com o sistema militar e seus ideais, que acho que estão podres desde a base, e estão muito longe de ser a forma de se alcançar a paz entre os povos".
Diane Kogan deverá ser libertada em 7 de julho.
A Internacional de Resistentes à Guerra (WRI, sua sigla em inglês) apela ao envio de cartas de apoio a Diane Kogan.
O endereço da prisão é o seguinte:
Diane Kogan
Military ID 5776284
Prisão Militar Nº 400
Código Postal Militar 02.447, IDF
Israel
Fax: + +972-3-9579389
Uma vez que as autoridades prisionais israelenses freqüentemente bloqueiam mensagens antes de chegarem aos objectores presos, também se recomenda que envie as suas cartas de apoio e incentivo por e-mail para: messages2prison@newprofile.org, visto serem impressas e entregues durante as visitas.
A Internacional de Resistentes à Guerra apela ainda ao envio de cartas de protesto às autoridades israelenses e embaixadas de Israel no exterior. Uma carta para o ministro da defesa de Israel Ehud Barak pode ser enviada pelo link: http://wri-irg.org/node/10410.
A Internacional de Resistentes à Guerra pede a libertação imediata da objectora de consciência Diane Kogan, e todos os outros presos objectores de consciência em Israel.
Internacional de Resistentes à Guerra
Mais infos: http://wri-irg.org
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana
Esta é a segunda ocasião que Diane Kogan é enviada para a prisão e a sexta vez que está sendo condenada devido à sua objecção de consciência. Ela foi sentenciada a 20 dias de prisão em 15 de abril, data da sua declaração como objectora. Devido à prisão militar para mulheres se encontrar lotada, as autoridades lhes disseram que deveria se apresentar todos os dias na Base de Indução em Tel Hashomer. Diane decidiu, então, não cumprir as obrigações militares e, de fato, só retornou à Base de Indução em 25 de abril, aí foi condenada a mais 10 dias de prisão, e onde se encontra atualmente presa.
Depois da sua libertação, em 4 de maio, foi novamente condenada a 20 dias de confinamento na Base de Indução, após a sua recusa em se inscrever no serviço militar israelense. Como anteriormente, decidiu voltar pra casa, e novamente retornou muitos dias depois, em 24 de maio, já após o fim do termo de confinamento. Foi, então, condenada pela quarta vez - desta vez uma sentença condicional de sete dias na prisão -, além de uma continuação do seu mandato de prisão (mais uma vez uma instrução militar que Diane decidiu não obedecer).
Em 7 de junho, ela voltou para a Base de indução e foi condenada a mais 10 dias de confinamento e, em 21 de junho, depois de passar algum tempo em casa, foi mandada para a prisão pela segunda vez.
Nos últimos tempos, parece que os militares israelenses estão tendo algumas dores de cabeça para evitar a publicidade nos casos de objecção de consciência naquele país.
Em um comunicado, explicando a sua recusa em se inscrever no serviço militar de Israel, Kogan Diane disse: “Recuso-me a servir ao Exército porque creio firmemente que um regime militar não ajudará a alcançar a paz. O militarismo é uma força violenta, porque ensina a resolver os conflitos através de meios ofensivos, com armas e força bruta. Não faz sentido que um lado vá usar a violência como um caminho para a paz na esperança de que do outro lado simplesmente se aceite isso. A violência leva à violência e eventualmente a guerra, que então conduz a mais guerras. Derramamento de sangue não é o caminho e deve ser evitado a todo custo. Portanto, eu, sinceramente, recuso-me firmemente a cooperar com o sistema militar e seus ideais, que acho que estão podres desde a base, e estão muito longe de ser a forma de se alcançar a paz entre os povos".
Diane Kogan deverá ser libertada em 7 de julho.
A Internacional de Resistentes à Guerra (WRI, sua sigla em inglês) apela ao envio de cartas de apoio a Diane Kogan.
O endereço da prisão é o seguinte:
Diane Kogan
Military ID 5776284
Prisão Militar Nº 400
Código Postal Militar 02.447, IDF
Israel
Fax: + +972-3-9579389
Uma vez que as autoridades prisionais israelenses freqüentemente bloqueiam mensagens antes de chegarem aos objectores presos, também se recomenda que envie as suas cartas de apoio e incentivo por e-mail para: messages2prison@newprofile.org, visto serem impressas e entregues durante as visitas.
A Internacional de Resistentes à Guerra apela ainda ao envio de cartas de protesto às autoridades israelenses e embaixadas de Israel no exterior. Uma carta para o ministro da defesa de Israel Ehud Barak pode ser enviada pelo link: http://wri-irg.org/node/10410.
A Internacional de Resistentes à Guerra pede a libertação imediata da objectora de consciência Diane Kogan, e todos os outros presos objectores de consciência em Israel.
Internacional de Resistentes à Guerra
Mais infos: http://wri-irg.org
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana
Lista atualizada de presos e presas anarquistas na Grécia, junho de 2010
[A seguir lista atualizada de presos e presas anarquistas na Grécia. Esta lista não inclui o endereço do anarquista Simos Seisidis, que após ser baleado por policiais durante a sua prisão em 3 de maio passado sofreu um grave ferimento na perna, que mais tarde foi amputada. Ele ainda está no hospital "Evangelismos" sob a vigilância constante da Seção Antiterrorismo da polícia grega. Lembramos que um movimento que esquece seus presos e presas nos calabouços das prisões está condenado ao fracasso, ou como diz o poeta Mário Quintana, "o que mata um jardim não é o abandono, o que mata um jardim é esse olhar, de quem por ele passa indiferente". Envie cartas, postais... um sopro de vento... solidariedade!]
• Konstantina Karakatsani
Kentriki Kleisti Filaki Ginaikon
Koridallos
T.K. Atenas, 18110
Grécia
Konstantina é acusado de fazer parte do grupo Conspiração das Células de Fogo. Em fuga desde 25 de setembro de 2009, foi presa em 22 de abril de 2010. Um par de semanas atrás foi transferida da prisão feminina de Eleonas para o módulo de mulheres de Koridallos.
• Panagiota Roupa
Kentriki Kleisti Filaki Ginaikon
Koridallos
T.K. Atenas, 18110
Grécia
"Pola" foi presa em 10 de abril de 2010, juntamente com outros cinco companheiros, acusados de pertencer à organização de guerrilha urbana Luta Revolucionária. Em 29 de abril, juntamente com Maziotis e Gournas e através de uma carta aberta, declarou ser de fato um membro desse grupo. Devido a sua gravidez muito avançada (vai dar a luz em 20 de julho) foi transferida da prisão feminina de Eleonas para Atenas, e está atualmente à espera de ser levada para o hospital.
• Panagiotis Masouras
Neon Kratisis Katastima eidikos Avlona
T.K. 19 011
Avlona, Ática
Grécia
Panagiotis foi preso em 23 de setembro de 2009 sob a acusação de pertencer ao grupo Conspiração das Células de Fogo. Desde o início de sua detenção está na mesma prisão de menores.
• Haris Hatzimihelakis
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Haris foi preso em 23 de setembro de 2009 sob a acusação de pertencer ao grupo Conspiração das Células de Fogo.
• Alfredo Bonanno
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Alfredo, com 73 anos, pode ser o mais antigo prisioneiro em todo a Grécia. Ele foi preso em 1 de outubro de 2009 em Trikala com Hristos Stratigopoulos, acusado de "cumplicidade em crimes graves (assalto a banco)".
• Hristos Stratigopoulos
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Preso junto com Alfredo, Hristos assumiu plena responsabilidade pelo assalto à mão armada realizado em 1 de outubro de 2009 em Trikala.
• Giannis Dimitrakis
Domokou Filakes
T.K. Domokos 35 010
Fthiotida
Grécia
Giannis foi preso em 16 de janeiro de 2006, após ser gravemente ferido pelas balas da polícia na seqüência de um assalto a banco no centro de Atenas. Ao mesmo tempo, foi lançado um mandado de busca e captura contra três companheiros acusados de ser seu cúmplice. Dois deles, Marios Seisidis e Grigoris Tsironis continuam foragidos, enquanto que Simos Seisidis foi preso em 3 de maio de 2010. Em junho de 2007 Giannis foi condenado a 35 anos e seis meses. Sua última chance de apresentar recurso para um tribunal de apelações em 28 de abril passado foi prorrogado (pela segunda vez) e adiado até 6 de dezembro de 2010.
• Giorgos Voutsis-Vogiatsis
ASKA Filakes Kassavetias
T.K. 37 100 Almiros
Magnisia
Grécia
Giorgos foi preso em 3 de outubro de 2007, após um assalto a banco no bairro de Gizi, em Atenas. Em abril de 2009 ele foi condenado a oito anos de prisão.
• Ilias Nikolau
Filaki Dikastiki Thessalonikis
T.K. 54 012 Thessaloniki
Grécia
Ilias foi preso em 13 de janeiro de 2009 e acusado de colocar um dispositivo incendiário na delegacia de Evosmos (Tessalônica). Em 4 de dezembro de 2009 foi condenado a 7,5 anos de prisão.
• Polikarpos Georgiadis
Filaki Kleisti Kerkira
T.K. Kerkira 49 100
Grécia
Polikarpos foi preso no final de agosto de 2008, em Tessalônica, sob a acusação de seqüestro do mega-empresário Mylonas feito naquele verão. Em fevereiro de 2010, juntamente com o companheiro Vangelis Hrisohoidis foram condenados a 22 anos e três meses cada um. Um par de semanas atrás, Polikarpos foi transferido de Koridallos (Atenas), para a prisão de Kerkira (Ilha de Corfu), considerada a pior das "instituições penitenciarias” da Grécia. A prisão de Kerkira é um edifício do século XIX construído na forma de panóptico.
• Evaggelos Hrisohoidis
Domokou Filakes
T.K. Domokos 35 010
Fthiotida
Grécia
Evaggelos foi preso no mesmo dia que Polikarpos e sua condenação também foi a mesma.
• Vaggelis Stathopoulos
Filaki Trikalon Kleisti
T.K. 42 100 Trikala
Grécia
Vaggelis foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Ele nega todas as acusações.
• Kostas Gournes
Filaki Trikalon Kleisti
T.K. 42 100 Trikala
Grécia
Kostas foi preso em 10 abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Em 29 de abril, juntamente com Maziotis e Roupa, através de uma carta aberta, declarou ser de fato um membro desse grupo.
• Hristoforos Kortesis
Filaki Korinthou Dikastiki
T.K. Korinthos 20 100
Grécia
Hristoforos foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Ele nega todas as acusações.
• Sarandos Nikitopoulos
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Sarandos foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Ele nega todas as acusações. Está isolado com Maziotis no módulo especial de Koridallos, onde também se encontra alguns prisioneiros do grupo de guerrilha urbana de esquerda 17 de Novembro.
• Nikos Maziotis
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Nikos foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Em 29 de abril, juntamente com Kostas e Roupa, através de uma carta aberta, declarou ser de fato um membro desse grupo.
• Vaggelis Pallis
Filaki Trikalon Kleisti
T.K. 42 100 Trikala
Grécia
Vaggelis é um preso "comum" de tendência anti-autoritária que se "politizou" nas prisões. Desde então, ele tomou parte na luta dentro dos presídios, as suas cartas e artigos aparecem regularmente em publicações anarquistas.
• Aris Seirinidis
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Aris foi preso em 3 de maio de 2010 (o mesmo dia que Simos Seisidis) em uma batida aleatória da polícia em Atenas e acusado, em princípio, de "posse de armas" (ele tinha uma pistola) e "resistência à autoridade". Agora a mídia e a polícia lançaram uma campanha de desinformação insinuando que Aris e Simos realizaram um “roubo sangrento" num grande supermercado de ferramentas "Praktiker". No dia seguinte, as mesmas autoridades rejeitaram essa versão, e em 7 de maio foi decidido colocar Aris em liberdade sob fiança com acusações. No entanto, os meganhas não contentes com esta decisão e imediatamente antes de que o companheiro tivesse sido liberado para a rua chega um novo mandado de detenção. Desta vez Aris é acusado de atirar em policiais no ano passado. Trata-se de um caso raro, uma daquelas histórias que se transformam em "lendas urbanas": no início de julho de 2009 pela tarde, uma pessoa vestida de shorts, chinelos e... chapéu mexicano, coberto com uma máscara de médico saiu na rua Harilau Trikoupi em Exarchia e fez alguns disparos contra uma unidade da polícia que vigiava a sede do partido socialista PASOK. O caso chamado pelos meios de comunicação de "um louco com chapéu" tornou-se um embaraço para a polícia. A única prova que encontraram foi a dita máscara de médico e agora declaram que seus testes de DNA bate com o material genético encontrado na carteira de Aris. Existem muitas contradições neste caso, até as declarações do chefe da polícia da unidade de controle antimotim não coincide com as características físicas de Aris.
Carta de Aris Seirinidis
Com uma metodicamente preparada operação policial, judiciária e midiática, que começou logo após a minha prisão em 3 de maio de 2010 na parte da tarde, o Estado, em um período de intensificação dos conflitos de classe, conseguiu impor sobre mim a condição de refém. Movendo-se entre o bem-humorado e o científico, tanto na montagem como no manejo do meu "caso" faz você sentir essa perseguição penal duplamente como exemplar.
Por um lado, o conceito mesmo de "exemplarizar" o meu caso, por que visa exemplificar a minha escolha firme e sem hesitação, por já 17 anos seguidos, de estar do outro lado da barricada, ali onde se determina a minha posição de classe e minha consciência: contra a dominação capitalista e contra o terrorismo de Estado.
Por outra parte exemplar, porque isto acontece durante uma nova era de repressão em tempos de FMI e de uma guerra total contra a sociedade pelo capital e o Estado. Em paralelo com as fraquezas estruturais do sistema capitalista, a crise econômica atual revela a natureza artificial e casual da democracia burguesa. Ao mesmo tempo em que o FMI, a União Européia e os seus representantes locais tentam impor um regime de totalitarismo econômico capitalista, cai a máscara da democracia. Então, as mais complicadas montagens, digno da milicada do período após a guerra civil, pode ser "encaixar" com uma "irrefutável pesquisa de DNA" nos laboratórios da Delegacia Central.
Eu não vou persistir sobre o evidente atropelamento de qualquer pretexto legal ou de outra coisa que diz respeito ao tratamento do meu caso, já que é fato de que minha prisão foi decidida em um dos andares da Segurança do Estado. De qualquer maneira, eu não reconheço qualquer legitimidade para este sistema de exploração e opressão. No entanto, para aqueles que têm como objetivo exemplificar o meu encarceramento, eu tenho que dizer o seguinte: a prisão é para mim um novo campo de luta, um desafio da luta contra "o poder absoluto da ordem", um compromisso para converter a instituição mais bárbara de domínio em um laboratório onde eu possa amadurecer politicamente e ideologicamente. Quanto ao novo dogma repressivo, com a sua obsessão vingativa, apesar de tudo isso não pode esconder o pânico, que tem o endividado Estado grego contra a possibilidade de que a raiva social generalizada se torne uma revolta social.
Desde a ala A da prisão de Koridallos ergo o meu punho para meus companheiros e companheiras, a todos aqueles que lutam, cheio da certeza que vou encontrá-los novamente no campo da guerra social e de classes, ainda mais determinados, ainda mais combativos e ainda mais fortes.
Aris Seirinidis
Koridallos, 9 de junho de 2010.
agência de notícias anarquistas-ana
• Konstantina Karakatsani
Kentriki Kleisti Filaki Ginaikon
Koridallos
T.K. Atenas, 18110
Grécia
Konstantina é acusado de fazer parte do grupo Conspiração das Células de Fogo. Em fuga desde 25 de setembro de 2009, foi presa em 22 de abril de 2010. Um par de semanas atrás foi transferida da prisão feminina de Eleonas para o módulo de mulheres de Koridallos.
• Panagiota Roupa
Kentriki Kleisti Filaki Ginaikon
Koridallos
T.K. Atenas, 18110
Grécia
"Pola" foi presa em 10 de abril de 2010, juntamente com outros cinco companheiros, acusados de pertencer à organização de guerrilha urbana Luta Revolucionária. Em 29 de abril, juntamente com Maziotis e Gournas e através de uma carta aberta, declarou ser de fato um membro desse grupo. Devido a sua gravidez muito avançada (vai dar a luz em 20 de julho) foi transferida da prisão feminina de Eleonas para Atenas, e está atualmente à espera de ser levada para o hospital.
• Panagiotis Masouras
Neon Kratisis Katastima eidikos Avlona
T.K. 19 011
Avlona, Ática
Grécia
Panagiotis foi preso em 23 de setembro de 2009 sob a acusação de pertencer ao grupo Conspiração das Células de Fogo. Desde o início de sua detenção está na mesma prisão de menores.
• Haris Hatzimihelakis
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Haris foi preso em 23 de setembro de 2009 sob a acusação de pertencer ao grupo Conspiração das Células de Fogo.
• Alfredo Bonanno
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Alfredo, com 73 anos, pode ser o mais antigo prisioneiro em todo a Grécia. Ele foi preso em 1 de outubro de 2009 em Trikala com Hristos Stratigopoulos, acusado de "cumplicidade em crimes graves (assalto a banco)".
• Hristos Stratigopoulos
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Preso junto com Alfredo, Hristos assumiu plena responsabilidade pelo assalto à mão armada realizado em 1 de outubro de 2009 em Trikala.
• Giannis Dimitrakis
Domokou Filakes
T.K. Domokos 35 010
Fthiotida
Grécia
Giannis foi preso em 16 de janeiro de 2006, após ser gravemente ferido pelas balas da polícia na seqüência de um assalto a banco no centro de Atenas. Ao mesmo tempo, foi lançado um mandado de busca e captura contra três companheiros acusados de ser seu cúmplice. Dois deles, Marios Seisidis e Grigoris Tsironis continuam foragidos, enquanto que Simos Seisidis foi preso em 3 de maio de 2010. Em junho de 2007 Giannis foi condenado a 35 anos e seis meses. Sua última chance de apresentar recurso para um tribunal de apelações em 28 de abril passado foi prorrogado (pela segunda vez) e adiado até 6 de dezembro de 2010.
• Giorgos Voutsis-Vogiatsis
ASKA Filakes Kassavetias
T.K. 37 100 Almiros
Magnisia
Grécia
Giorgos foi preso em 3 de outubro de 2007, após um assalto a banco no bairro de Gizi, em Atenas. Em abril de 2009 ele foi condenado a oito anos de prisão.
• Ilias Nikolau
Filaki Dikastiki Thessalonikis
T.K. 54 012 Thessaloniki
Grécia
Ilias foi preso em 13 de janeiro de 2009 e acusado de colocar um dispositivo incendiário na delegacia de Evosmos (Tessalônica). Em 4 de dezembro de 2009 foi condenado a 7,5 anos de prisão.
• Polikarpos Georgiadis
Filaki Kleisti Kerkira
T.K. Kerkira 49 100
Grécia
Polikarpos foi preso no final de agosto de 2008, em Tessalônica, sob a acusação de seqüestro do mega-empresário Mylonas feito naquele verão. Em fevereiro de 2010, juntamente com o companheiro Vangelis Hrisohoidis foram condenados a 22 anos e três meses cada um. Um par de semanas atrás, Polikarpos foi transferido de Koridallos (Atenas), para a prisão de Kerkira (Ilha de Corfu), considerada a pior das "instituições penitenciarias” da Grécia. A prisão de Kerkira é um edifício do século XIX construído na forma de panóptico.
• Evaggelos Hrisohoidis
Domokou Filakes
T.K. Domokos 35 010
Fthiotida
Grécia
Evaggelos foi preso no mesmo dia que Polikarpos e sua condenação também foi a mesma.
• Vaggelis Stathopoulos
Filaki Trikalon Kleisti
T.K. 42 100 Trikala
Grécia
Vaggelis foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Ele nega todas as acusações.
• Kostas Gournes
Filaki Trikalon Kleisti
T.K. 42 100 Trikala
Grécia
Kostas foi preso em 10 abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Em 29 de abril, juntamente com Maziotis e Roupa, através de uma carta aberta, declarou ser de fato um membro desse grupo.
• Hristoforos Kortesis
Filaki Korinthou Dikastiki
T.K. Korinthos 20 100
Grécia
Hristoforos foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Ele nega todas as acusações.
• Sarandos Nikitopoulos
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Sarandos foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Ele nega todas as acusações. Está isolado com Maziotis no módulo especial de Koridallos, onde também se encontra alguns prisioneiros do grupo de guerrilha urbana de esquerda 17 de Novembro.
• Nikos Maziotis
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Nikos foi preso em 10 de abril de 2010 sob a acusação de pertencer à organização Luta Revolucionária. Em 29 de abril, juntamente com Kostas e Roupa, através de uma carta aberta, declarou ser de fato um membro desse grupo.
• Vaggelis Pallis
Filaki Trikalon Kleisti
T.K. 42 100 Trikala
Grécia
Vaggelis é um preso "comum" de tendência anti-autoritária que se "politizou" nas prisões. Desde então, ele tomou parte na luta dentro dos presídios, as suas cartas e artigos aparecem regularmente em publicações anarquistas.
• Aris Seirinidis
Filaki Koridallou Dikastiki
T.K. Atenas, 18 110
Grécia
Aris foi preso em 3 de maio de 2010 (o mesmo dia que Simos Seisidis) em uma batida aleatória da polícia em Atenas e acusado, em princípio, de "posse de armas" (ele tinha uma pistola) e "resistência à autoridade". Agora a mídia e a polícia lançaram uma campanha de desinformação insinuando que Aris e Simos realizaram um “roubo sangrento" num grande supermercado de ferramentas "Praktiker". No dia seguinte, as mesmas autoridades rejeitaram essa versão, e em 7 de maio foi decidido colocar Aris em liberdade sob fiança com acusações. No entanto, os meganhas não contentes com esta decisão e imediatamente antes de que o companheiro tivesse sido liberado para a rua chega um novo mandado de detenção. Desta vez Aris é acusado de atirar em policiais no ano passado. Trata-se de um caso raro, uma daquelas histórias que se transformam em "lendas urbanas": no início de julho de 2009 pela tarde, uma pessoa vestida de shorts, chinelos e... chapéu mexicano, coberto com uma máscara de médico saiu na rua Harilau Trikoupi em Exarchia e fez alguns disparos contra uma unidade da polícia que vigiava a sede do partido socialista PASOK. O caso chamado pelos meios de comunicação de "um louco com chapéu" tornou-se um embaraço para a polícia. A única prova que encontraram foi a dita máscara de médico e agora declaram que seus testes de DNA bate com o material genético encontrado na carteira de Aris. Existem muitas contradições neste caso, até as declarações do chefe da polícia da unidade de controle antimotim não coincide com as características físicas de Aris.
Carta de Aris Seirinidis
Com uma metodicamente preparada operação policial, judiciária e midiática, que começou logo após a minha prisão em 3 de maio de 2010 na parte da tarde, o Estado, em um período de intensificação dos conflitos de classe, conseguiu impor sobre mim a condição de refém. Movendo-se entre o bem-humorado e o científico, tanto na montagem como no manejo do meu "caso" faz você sentir essa perseguição penal duplamente como exemplar.
Por um lado, o conceito mesmo de "exemplarizar" o meu caso, por que visa exemplificar a minha escolha firme e sem hesitação, por já 17 anos seguidos, de estar do outro lado da barricada, ali onde se determina a minha posição de classe e minha consciência: contra a dominação capitalista e contra o terrorismo de Estado.
Por outra parte exemplar, porque isto acontece durante uma nova era de repressão em tempos de FMI e de uma guerra total contra a sociedade pelo capital e o Estado. Em paralelo com as fraquezas estruturais do sistema capitalista, a crise econômica atual revela a natureza artificial e casual da democracia burguesa. Ao mesmo tempo em que o FMI, a União Européia e os seus representantes locais tentam impor um regime de totalitarismo econômico capitalista, cai a máscara da democracia. Então, as mais complicadas montagens, digno da milicada do período após a guerra civil, pode ser "encaixar" com uma "irrefutável pesquisa de DNA" nos laboratórios da Delegacia Central.
Eu não vou persistir sobre o evidente atropelamento de qualquer pretexto legal ou de outra coisa que diz respeito ao tratamento do meu caso, já que é fato de que minha prisão foi decidida em um dos andares da Segurança do Estado. De qualquer maneira, eu não reconheço qualquer legitimidade para este sistema de exploração e opressão. No entanto, para aqueles que têm como objetivo exemplificar o meu encarceramento, eu tenho que dizer o seguinte: a prisão é para mim um novo campo de luta, um desafio da luta contra "o poder absoluto da ordem", um compromisso para converter a instituição mais bárbara de domínio em um laboratório onde eu possa amadurecer politicamente e ideologicamente. Quanto ao novo dogma repressivo, com a sua obsessão vingativa, apesar de tudo isso não pode esconder o pânico, que tem o endividado Estado grego contra a possibilidade de que a raiva social generalizada se torne uma revolta social.
Desde a ala A da prisão de Koridallos ergo o meu punho para meus companheiros e companheiras, a todos aqueles que lutam, cheio da certeza que vou encontrá-los novamente no campo da guerra social e de classes, ainda mais determinados, ainda mais combativos e ainda mais fortes.
Aris Seirinidis
Koridallos, 9 de junho de 2010.
agência de notícias anarquistas-ana
sexta-feira, julho 02, 2010
O NEGRO E O VERMELHO
CAPÍTULO VII
Emergência da Ideia de Federação
Ora, dado que na teoria e na história, a Autoridade e a Liberdade se sucedem como por uma espécie de polarização;
Que a primeira diminui gradualmente e se retira, enquanto a segunda cresce e se mostra;
Que resulta deste duplo movimento uma espécie de subalternização em virtude da qual a Autoridade se coloca cada vez mais à ordem da Liber¬dade;
Dado que, por outras palavras, o regime liberal ou contratual prevalece de dia para dia sobre o regime autoritário, é à ideia de contrato que nos devemos ligar como sendo a ideia dominante da política.
Que se entende, em primeiro lugar, por contrato?.
O contrato, diz o Código civil, art. 1101, é uma convenção pela qual uma ou mais pessoas se obrigam, em relação a uma ou outras mais, a fazer ou a não fazer alguma coisa.
Art. 1102. – Ele é sinalagmático ou bilateral, quando os contratantes se obrigam reciprocamente uns em relação aos outros.
Art. 1103. – É unilateral, quando uma ou mais pessoas são obrigadas em relação a uma ou outras mais, sem que da parte dos últimos exista comprometimento.
Art. 1104. – É comutativo quando cada uma das partes se compro¬mete a dar ou fazer uma coisa que é considerada como o equiva¬lente ao que se lhe dá ou ao que se faz por ela. – Quando o equiva¬lente consiste na possibilidade de ganho ou perca para cada uma das partes, em resultado de um acontecimento incerto, o contrato é aleatório.
Art. 1105. – O contrato de beneficiência é aquele no qual uma das partes concede à outra uma vantagem completamente gratuita.
Art. 1106. – O contrato a título oneroso é aquele que sujeita cada uma das partes a dar ou fazer alguma coisa.
Art. 1371. – São chamados quasi¬ contratos os feitos voluntários do ho-mem de que resulta um comprometimento qualquer relativamente a um terceiro, e por vezes um comprometimento recíproco das duas partes.
A estas distinções e definições do Código, relativas à forma e condições dos contratos, juntarei uma última, respeitante ao seu objecto:
Segundo a natureza das coisas pelas quais se trata ou o objecto que se propõe, os contratos são domésticos, civis, comerciais ou políticos.
É desta última variedade de contrato, o contrato político, que nos va¬mos ocupar.
A noção de contrato não é completamente estranha ao regime monár¬quico, como tão¬ pouco o não é à paternidade e à família. Mas, do que disse¬mos dos princípios de autoridade e de liberdade e do seu papel na forma¬ção dos governos, compreende¬ se que esses princípios não inter¬vêm da mesma forma na formação do contrato político; e que assim a obrigação que une o monarca aos seus súbditos, obrigação espontânea, não escrita, resultante do espírito de família e da qualidade das pessoas, é uma obriga¬ção unilateral, pois que em virtude do princípio de obediência o súbdito é mais obrigado relativamente ao príncipe do que este em relação ao súb¬dito. A teoria do direito divino diz expressamente que o monarca não é responsável senão perante Deus. Pode mesmo acontecer que o contrato do príncipe com o súbdito degenere num contrato de pura benefi¬ciência, quando, por inépcia ou idolatria dos cidadãos, o príncipe é solici¬tado a tomar a liberdade e a se encarregar dos seus súbditos, incapazes de se governarem e de se defenderem, como um pastor do seu rebanho. É muito pior quando se admite o princípio de hereditariedade. Um conspi¬rador como o duque de Orleans, mais tarde Luís XII, um parricida como Luís XI, uma adúltera como Maria¬ Stuart, conservam, não obstante os seus crimes, o seu direito eventual à coroa. Invioláveis por nascimento, pode¬ se dizer que existe entre eles e os súbditos fiéis do príncipe ao qual devem suceder, um quasi¬ contrato. Em duas palavras, porque a autori¬dade é preponderante, no sistema monárquico, o contrato não é igual.
O contrato político não adquire toda a sua dignidade e moralidade se¬não com a condição 1º de ser sinalagmático e comutativo; 2º de estar contido, quanto ao seu objecto, dentro de certos limites: duas condições que se supõe existirem no regime democrático, mas que, ainda aí, não são quase sempre senão uma ficção. Pode¬se dizer que numa democracia representativa e centralizadora, numa monarquia constitucional e censorial, ainda mais numa república comunista, à maneira de Platão, o con¬trato político que liga o cidadão ao Estado seja igual e recíproco? Pode dizer¬ se que esse contrato, que tira aos cidadãos metade ou dois terços da sua soberania e o quarto do seu produto, esteja encerrado nos seus justos limites? Seria mais verdade dizer, o que a experiência confirma demasiadas vezes, que o contrato, em todos esses sistemas, é exorbitante, oneroso, pois que ele é, para uma parte mais ou menos considerável, sem compensação; e aleatório, pois que a vantagem prometida, à partida insuficiente, nem sequer é assegurada.
Emergência da Ideia de Federação
Ora, dado que na teoria e na história, a Autoridade e a Liberdade se sucedem como por uma espécie de polarização;
Que a primeira diminui gradualmente e se retira, enquanto a segunda cresce e se mostra;
Que resulta deste duplo movimento uma espécie de subalternização em virtude da qual a Autoridade se coloca cada vez mais à ordem da Liber¬dade;
Dado que, por outras palavras, o regime liberal ou contratual prevalece de dia para dia sobre o regime autoritário, é à ideia de contrato que nos devemos ligar como sendo a ideia dominante da política.
Que se entende, em primeiro lugar, por contrato?.
O contrato, diz o Código civil, art. 1101, é uma convenção pela qual uma ou mais pessoas se obrigam, em relação a uma ou outras mais, a fazer ou a não fazer alguma coisa.
Art. 1102. – Ele é sinalagmático ou bilateral, quando os contratantes se obrigam reciprocamente uns em relação aos outros.
Art. 1103. – É unilateral, quando uma ou mais pessoas são obrigadas em relação a uma ou outras mais, sem que da parte dos últimos exista comprometimento.
Art. 1104. – É comutativo quando cada uma das partes se compro¬mete a dar ou fazer uma coisa que é considerada como o equiva¬lente ao que se lhe dá ou ao que se faz por ela. – Quando o equiva¬lente consiste na possibilidade de ganho ou perca para cada uma das partes, em resultado de um acontecimento incerto, o contrato é aleatório.
Art. 1105. – O contrato de beneficiência é aquele no qual uma das partes concede à outra uma vantagem completamente gratuita.
Art. 1106. – O contrato a título oneroso é aquele que sujeita cada uma das partes a dar ou fazer alguma coisa.
Art. 1371. – São chamados quasi¬ contratos os feitos voluntários do ho-mem de que resulta um comprometimento qualquer relativamente a um terceiro, e por vezes um comprometimento recíproco das duas partes.
A estas distinções e definições do Código, relativas à forma e condições dos contratos, juntarei uma última, respeitante ao seu objecto:
Segundo a natureza das coisas pelas quais se trata ou o objecto que se propõe, os contratos são domésticos, civis, comerciais ou políticos.
É desta última variedade de contrato, o contrato político, que nos va¬mos ocupar.
A noção de contrato não é completamente estranha ao regime monár¬quico, como tão¬ pouco o não é à paternidade e à família. Mas, do que disse¬mos dos princípios de autoridade e de liberdade e do seu papel na forma¬ção dos governos, compreende¬ se que esses princípios não inter¬vêm da mesma forma na formação do contrato político; e que assim a obrigação que une o monarca aos seus súbditos, obrigação espontânea, não escrita, resultante do espírito de família e da qualidade das pessoas, é uma obriga¬ção unilateral, pois que em virtude do princípio de obediência o súbdito é mais obrigado relativamente ao príncipe do que este em relação ao súb¬dito. A teoria do direito divino diz expressamente que o monarca não é responsável senão perante Deus. Pode mesmo acontecer que o contrato do príncipe com o súbdito degenere num contrato de pura benefi¬ciência, quando, por inépcia ou idolatria dos cidadãos, o príncipe é solici¬tado a tomar a liberdade e a se encarregar dos seus súbditos, incapazes de se governarem e de se defenderem, como um pastor do seu rebanho. É muito pior quando se admite o princípio de hereditariedade. Um conspi¬rador como o duque de Orleans, mais tarde Luís XII, um parricida como Luís XI, uma adúltera como Maria¬ Stuart, conservam, não obstante os seus crimes, o seu direito eventual à coroa. Invioláveis por nascimento, pode¬ se dizer que existe entre eles e os súbditos fiéis do príncipe ao qual devem suceder, um quasi¬ contrato. Em duas palavras, porque a autori¬dade é preponderante, no sistema monárquico, o contrato não é igual.
O contrato político não adquire toda a sua dignidade e moralidade se¬não com a condição 1º de ser sinalagmático e comutativo; 2º de estar contido, quanto ao seu objecto, dentro de certos limites: duas condições que se supõe existirem no regime democrático, mas que, ainda aí, não são quase sempre senão uma ficção. Pode¬se dizer que numa democracia representativa e centralizadora, numa monarquia constitucional e censorial, ainda mais numa república comunista, à maneira de Platão, o con¬trato político que liga o cidadão ao Estado seja igual e recíproco? Pode dizer¬ se que esse contrato, que tira aos cidadãos metade ou dois terços da sua soberania e o quarto do seu produto, esteja encerrado nos seus justos limites? Seria mais verdade dizer, o que a experiência confirma demasiadas vezes, que o contrato, em todos esses sistemas, é exorbitante, oneroso, pois que ele é, para uma parte mais ou menos considerável, sem compensação; e aleatório, pois que a vantagem prometida, à partida insuficiente, nem sequer é assegurada.
A SAÚDE MENTAL DOS PORTUGUESES
Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que
satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar
empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca
de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho
manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão
cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E HESITO EM PRESCREVER ANTIDEPRESSIVOS E ANSIOLíTICOS A QUEM TEM O ESTôMAGO VAZIO E A CABEçA CHEIA DE PROMESSAS DE UMA JUSTIçA QUE SE Há-DE CONCRETIZAR; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Público, 2010-06-21 Pedro Afonso Médico psiquiatra
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas
perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que
satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar
empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca
de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho
manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão
cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência
neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E HESITO EM PRESCREVER ANTIDEPRESSIVOS E ANSIOLíTICOS A QUEM TEM O ESTôMAGO VAZIO E A CABEçA CHEIA DE PROMESSAS DE UMA JUSTIçA QUE SE Há-DE CONCRETIZAR; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.
Público, 2010-06-21 Pedro Afonso Médico psiquiatra
quinta-feira, julho 01, 2010
O NEGRO E O VERMELHO
Esta terceira proposição é tão segura como as duas primeiras, ao abri¬go de todo o equívoco e contradição, e altamente comprovada pela histó¬ria. Na luta eterna dos dois princípios, a Revolução francesa, como a Re¬forma aparece como uma era diacrítica. Ela marca o momento em que, na ordem política, a Liberdade oficialmente tinha ultrapassado a Autori¬dade, da mesma forma que a Reforma tinha marcado o instante em que, na ordem religiosa, o livre exame tinha tomado ascendente sobre a fé. Desde Lutero, a crença tinha¬ se tornado por todo o lado racional; a ortodoxia, tanto como a heresia, pretendeu conduzir pela razão o homem à fé, o preceito de S. Paulo, Rationabile sit obseqium vestrums), «que a vossa obediência seja racional», foi bastante comentada e posta em prática; Roma pôs¬ se a discutir como Genebra, a religião tendeu a fazer¬ se ciência, a submissão à Igreja rodeou¬ se de tantas condições e reservas que, salvo a diferença dos artigos de fé, não havia diferença entre o crente e o incrédulo. Não têm a mesma opinião, eis tudo: de resto, pensamento, razão, consciência comportam¬ se do mesmo modo nos dois. Identica¬mente, desde a Revolução francesa, o respeito pela autoridade enfraque¬ceu; a deferência para com as ordens do príncipe torna¬ se condicional; exigiu¬ se do soberano reciprocidades, garantias; o temperamento político mudou; os adeptos do rei mais fervorosos, como os barões de João Sem¬ Terra, quise¬ram ter alvarás, e os Srs. Berryer, Falloux, Montalembert, etc., podem chamar¬ se tão liberais como os nossos democratas. Château-briand, o bardo da Restauração, gabava¬ se de ser filósofo e republicano; era por um acto puro do seu livre arbítrio que ele se tinha constituído o defensor do altar e do trono. Conhecemos no que se tornou o catolicismo violento de Lamennais.
Assim, ao passo que a autoridade vacila, de dia para dia mais precária, o direito afirma¬ se, e a liberdade, sempre suspeita, torna¬ se no entanto mais real e mais forte. O absolutismo resiste o mais que pode, mas cede; parece que a REPÚBLICA, sempre combatida, desprezada, atraiçoada, banida, se aproxima todos os dias. Que vantagem vamos nós tirar deste facto capital para a constituição do governo?t)
s)Em latim, no original. (N.T.)
t)Dificilmente poderia ter-se apresentado um quadro mais sucinto e completo das cau¬sas que até aqui produziram as revoluções dos povos. O antagonismo radical da auto¬ridade e da liberdade, as suas incessantes lutas, as suas indispensáveis transacções vêm por fim a ruir os interesses opostos das diversas classes sociais que deram ori¬gem à organização da propriedade e do trabalho. Combinadas umas causas com ou¬tras, não sem cessar levam a Humanidade de sistema em sistema e de forma de go¬verno em forma de governo sem a deixar descansar em nenhuma, antes conduzi-la em passo rápido ao cepticismo, à corrupção, à ruptura, à morte. Há evidentemente uma absoluta necessidade de sair deste terreno lodoso e movediço, onde consumimos as nossas forças em lutas estéreis. Que futuro nos espera em que não podemos deixar de sentir tremer o chão debaixo dos pés? Proudhon vai enunciar a resposta: ao con¬trato federal, à descentralização, restabelecimento das antigas regiões, a libertá-las, não sujeitas como hoje a um poder central que as estrangule, mas tão somente subor¬dinadas a um centro federal, que as proteja. (N.T.)
Assim, ao passo que a autoridade vacila, de dia para dia mais precária, o direito afirma¬ se, e a liberdade, sempre suspeita, torna¬ se no entanto mais real e mais forte. O absolutismo resiste o mais que pode, mas cede; parece que a REPÚBLICA, sempre combatida, desprezada, atraiçoada, banida, se aproxima todos os dias. Que vantagem vamos nós tirar deste facto capital para a constituição do governo?t)
s)Em latim, no original. (N.T.)
t)Dificilmente poderia ter-se apresentado um quadro mais sucinto e completo das cau¬sas que até aqui produziram as revoluções dos povos. O antagonismo radical da auto¬ridade e da liberdade, as suas incessantes lutas, as suas indispensáveis transacções vêm por fim a ruir os interesses opostos das diversas classes sociais que deram ori¬gem à organização da propriedade e do trabalho. Combinadas umas causas com ou¬tras, não sem cessar levam a Humanidade de sistema em sistema e de forma de go¬verno em forma de governo sem a deixar descansar em nenhuma, antes conduzi-la em passo rápido ao cepticismo, à corrupção, à ruptura, à morte. Há evidentemente uma absoluta necessidade de sair deste terreno lodoso e movediço, onde consumimos as nossas forças em lutas estéreis. Que futuro nos espera em que não podemos deixar de sentir tremer o chão debaixo dos pés? Proudhon vai enunciar a resposta: ao con¬trato federal, à descentralização, restabelecimento das antigas regiões, a libertá-las, não sujeitas como hoje a um poder central que as estrangule, mas tão somente subor¬dinadas a um centro federal, que as proteja. (N.T.)
QUEM VIVE ACIMA DAS SUAS POSSIBILIDADES?
Primeiro foram os mercados financeiros que, perante a crise, foram acusados de falta de seriedade, em seguida, as finanças do Estado. Se os poderosos tornados impotentes já não sabem nada de nada, só se lembram da sabedoria da avó. De repente, em toda parte se fala dos males da dívida, como se tivesse havido uma descoberta completamente nova. Diz-se que temos vivido acima das nossas possibilidades. Mas o que significa isso? Se se tratasse de um mero comportamento errado de pecadores do deficit, que tivessem violado o capitalismo “correcto”, então simplesmente teriam de ir à falência todos aqueles que não pudessem pagar as dívidas. Foi esse o caso do Lehman Brothers. Mas as consequências revelaram-se tão devastadoras que, desde essa falência, têm vindo a ser retardadas, com acções financeiras aventureiras. Em primeiro lugar no sistema bancário, depois em grandes conglomerados empresariais, como a General Motors, e finalmente em Estados, como a Grécia. Contra as leis do mercado, os bancos centrais injectam cada vez mais liquidez nos mercados. Perante isso, as poupanças anunciadas são uma gota de água no oceano.
Unidos contra nós, divididos entre si
Unidos contra nós, divididos entre si:Toronto e o assalto europeu aos padrões de vida
Martin Wolf descreveu como "um banho de sangue" . O editorial do Financial Times considerou que era uma "leitura gélida" . O orçamento da Grã-Bretanha é de austeridade, tal como nunca se vira ao longo de gerações. Um corte de 25 por cento na despesa pública, 250 mil ou mais empregos no sector público a serem eliminados. Isso é só o começo.
Já há apelos para que o próximo orçamento vá ainda mais longe. Num país em que – mesmo antes de a crise o atingir – mais de um quarto da população era considerada "pobre para a fila do pão" , o establishment está a gritar: "toda a gente tem demasiado do bom!" É um apelo que ecoa nos corredores do poder do mundo todo.
Martin Wolf descreveu como "um banho de sangue" . O editorial do Financial Times considerou que era uma "leitura gélida" . O orçamento da Grã-Bretanha é de austeridade, tal como nunca se vira ao longo de gerações. Um corte de 25 por cento na despesa pública, 250 mil ou mais empregos no sector público a serem eliminados. Isso é só o começo.
Já há apelos para que o próximo orçamento vá ainda mais longe. Num país em que – mesmo antes de a crise o atingir – mais de um quarto da população era considerada "pobre para a fila do pão" , o establishment está a gritar: "toda a gente tem demasiado do bom!" É um apelo que ecoa nos corredores do poder do mundo todo.
Fuga de petróleo no Golfo do México
Fuga de petróleo no Golfo do México poderia provocar uma "zona morta", com extinção da vida marinha
Altas concentrações de metano – em alguns casos quase um milhão de vezes maior do que o nível normal – foram descobertas em torno da fuga de petróleo da BP, aumentando temores de que possa criar uma "zona morta" com oxigénio esgotado onde a vida marinha não possa sobreviver.
Zona mortas são áreas da água onde florescem algas pois elas alimentam-se de nutrientes em altas concentrações de matérias estranhas, tais como o metano, neste caso, ou mais tipicamente os componentes de fertilizantes agrícolas escorridos para dentro da água. As algae gorge reproduzem-se rapidamente e então, por sua vez, são comidas por bactérias num processo que esgota de oxigénio a área imediata. Os peixes e outros seres vivos marinhos não podem sobreviver nestas zonas, o que leva os cientistas a considerá-las "mortas".
Altas concentrações de metano – em alguns casos quase um milhão de vezes maior do que o nível normal – foram descobertas em torno da fuga de petróleo da BP, aumentando temores de que possa criar uma "zona morta" com oxigénio esgotado onde a vida marinha não possa sobreviver.
Zona mortas são áreas da água onde florescem algas pois elas alimentam-se de nutrientes em altas concentrações de matérias estranhas, tais como o metano, neste caso, ou mais tipicamente os componentes de fertilizantes agrícolas escorridos para dentro da água. As algae gorge reproduzem-se rapidamente e então, por sua vez, são comidas por bactérias num processo que esgota de oxigénio a área imediata. Os peixes e outros seres vivos marinhos não podem sobreviver nestas zonas, o que leva os cientistas a considerá-las "mortas".
Os dilemas das barragens
O debate sobre as barragens encontra-se sempre condicionado pela chantagem que consiste em escolher entre a água e o carvão. Mas apenas faz sentido ter este debate tendo em conta as implicações da opção hidroeléctrica para os dilemas ecológico, social e energético. Vejamos então como se comporta o Plano Nacional de Barragens (PNB).
Canadá - G20 Toronto: um estado policial em defesa do capitalismo
A CLAC 2010 denuncia a repressão policial, a uma escala sem precedentes no Canadá, ocorrida em Toronto, durante a cúpula do G20. A violência policial se junta agora com o anúncio de uma série de medidas de austeridade econômica (redução do déficit, aumento de impostos, cortes nos serviços sociais...), que constituem algumas das violências econômicas contra as populações.
As trabalhadoras e os trabalhadores são obrigados a pagar a fatura da última crise financeira, enquanto que aos bancos e ao setor financeiro, que são os responsáveis diretos dessa situação e que se beneficiaram com $20,000 bilhões em estímulos, não se vêem impor nenhuma nova regulamentação.
"As 900 detenções arbitrárias e políticas em Toronto não têm precedentes na história do Canadá, quase três vezes mais do que em outubro de 1970. A polícia violou os direitos fundamentais, detiveram pessoas durante horas sem acusações formais, sem deixá-las recorrer a advogados, sem comida ou água. Os policiais invadiram apartamentos sem mandatos, com ações de intimidação e de assédio, de seqüestro, com uso de força excessiva contra manifestantes e jornalistas. Vê-se muito bem que o estado policial e a violência econômica andam juntos", explica Danie Royer, da CLAC 2010.
"Todos os dias, em toda a parte do mundo, pessoas morrem como resultado direto de políticas econômicas e sociais postas em prática pelas elites reagrupadas neste órgão ilegítimo que é o G20. As reduções do déficit orgulhosamente anunciadas só agravarão as condições de vida de milhões de pessoas. Stephen Harper [primeiro-ministro do Canadá] e outros recordam que o objetivo destas medidas visava contentar e tranqüilizar os mercados financeiros. Nada sobre o meio ambiente, nada sobre as migalhas para a saúde das mulheres, nada sobre as conseqüências sociais da crise econômica, onde os imigrantes são as primeiras vítimas. Tudo para consolidar o capitalismo, um sistema econômico que favorece uma ínfima minoria em detrimento da grande maioria", comenta indignado Mathieu Francoeur, da CLAC 2010.
Tudo o que testemunhamos em Toronto visava silenciar os dissidentes e criminalizar os movimentos sociais. São táticas bem conhecidas para dividir as populações, quebrar a resistência e impor políticas regressivas. Entrou-se numa nova etapa na intensificação da repressão policial e nas concessões exigidas às populações.
Apelamos a todos os movimentos sociais a se mobilizarem em solidariedade com as vítimas do aparelho repressivo, que não fizeram mais do que expressar o seu desacordo com as políticas autoritárias, securitárias, racistas e anti-sociais.
A CLAC 2010 realizará um comício na quinta-feira, 1 de julho de 2010, ao meio-dia, no Carré Phillips, na esquina das ruas Sainte-Catherine e Union.
Convergência das Lutas Anti-Capitalistas - CLAC 2010
Montreal, 28 de junho de 2010.
• A Convergência das Lutas Anti-Capitalistas Montreal 2010 (CLAC 2010) é uma rede de grupos e indivíduos que se reuniram para consolidar as suas respectivas lutas a nível local e mobilizar as suas comunidades para o G8 e G20.
Mais infos: www.clac2010.net
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana
As trabalhadoras e os trabalhadores são obrigados a pagar a fatura da última crise financeira, enquanto que aos bancos e ao setor financeiro, que são os responsáveis diretos dessa situação e que se beneficiaram com $20,000 bilhões em estímulos, não se vêem impor nenhuma nova regulamentação.
"As 900 detenções arbitrárias e políticas em Toronto não têm precedentes na história do Canadá, quase três vezes mais do que em outubro de 1970. A polícia violou os direitos fundamentais, detiveram pessoas durante horas sem acusações formais, sem deixá-las recorrer a advogados, sem comida ou água. Os policiais invadiram apartamentos sem mandatos, com ações de intimidação e de assédio, de seqüestro, com uso de força excessiva contra manifestantes e jornalistas. Vê-se muito bem que o estado policial e a violência econômica andam juntos", explica Danie Royer, da CLAC 2010.
"Todos os dias, em toda a parte do mundo, pessoas morrem como resultado direto de políticas econômicas e sociais postas em prática pelas elites reagrupadas neste órgão ilegítimo que é o G20. As reduções do déficit orgulhosamente anunciadas só agravarão as condições de vida de milhões de pessoas. Stephen Harper [primeiro-ministro do Canadá] e outros recordam que o objetivo destas medidas visava contentar e tranqüilizar os mercados financeiros. Nada sobre o meio ambiente, nada sobre as migalhas para a saúde das mulheres, nada sobre as conseqüências sociais da crise econômica, onde os imigrantes são as primeiras vítimas. Tudo para consolidar o capitalismo, um sistema econômico que favorece uma ínfima minoria em detrimento da grande maioria", comenta indignado Mathieu Francoeur, da CLAC 2010.
Tudo o que testemunhamos em Toronto visava silenciar os dissidentes e criminalizar os movimentos sociais. São táticas bem conhecidas para dividir as populações, quebrar a resistência e impor políticas regressivas. Entrou-se numa nova etapa na intensificação da repressão policial e nas concessões exigidas às populações.
Apelamos a todos os movimentos sociais a se mobilizarem em solidariedade com as vítimas do aparelho repressivo, que não fizeram mais do que expressar o seu desacordo com as políticas autoritárias, securitárias, racistas e anti-sociais.
A CLAC 2010 realizará um comício na quinta-feira, 1 de julho de 2010, ao meio-dia, no Carré Phillips, na esquina das ruas Sainte-Catherine e Union.
Convergência das Lutas Anti-Capitalistas - CLAC 2010
Montreal, 28 de junho de 2010.
• A Convergência das Lutas Anti-Capitalistas Montreal 2010 (CLAC 2010) é uma rede de grupos e indivíduos que se reuniram para consolidar as suas respectivas lutas a nível local e mobilizar as suas comunidades para o G8 e G20.
Mais infos: www.clac2010.net
Tradução > Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana



O NEGRO E O VERMELHO
Trata¬ se de saber se a sociedade pode chegar a algo de normal, de equitativo e de fixo, que satisfaça a razão e a consciência, ou se nós esta¬mos condenados eternamente a esta roda de Ixionp). O problema será insolúvel?... Mais um pouco de paciência, leitor; e se vos fizer sair de seguida do imbróglio, tereis o direito de dizer que a lógica é falsa, o pro¬gresso uma burla, e a liberdade uma utopia. Condescendam somente em raciocinar comigo mais alguns minutos, mesmo que raciocinar sobre seme¬lhante assunto seja expor¬ se a enganar¬ se a si próprio e a perder o esforço com a sua razão.
1. Notareis, desde logo, que os dois princípios, a Autoridade e a Liber¬dade, de que vem todo o mal, se mostram na história em sucessão lógica e cronológica. A Autoridade, como a família, como o pai, genitorq), aparece primeiro: ela tem a iniciativa, é a afirmação. A Liberdade racional vem depois: é a crítica, o protesto, a determinação. O facto desta sucessão resulta da própria definição das ideias e da natureza das coisas, e toda a história dá testemunho disso. Aí, não há inversão possível, não há o míni¬mo vestígio de arbítrio.
2. Uma outra observação não menos importante, é que o regime autori¬tário, paternal e monárquico, se afasta tanto mais do seu ideal, quanto a família, tribo ou cidade se torna mais numerosa e o Estado cresce em população e em território: de maneira que quanto mais a autoridade se extende, mais se torna intolerável. Daí as concessões que ela é obrigada a fazer à liberdade. – Inversamente, o regime de liberdade aproxima¬ se tanto mais do seu ideal e multiplica as suas condições de sucesso, quanto o Estado aumenta em população e em extensão, as relações se multiplicam e que a ciência ganha terreno. De início é uma constituição que todos recla¬mam; mais tarde será a descentralização. Esperem um pouco, e vereis surgir a ideia de federação. De modo que se pode dizer da Liberdade e da Autoridade o que João Baptista dizia dele e de Jesus: Illam oportet crescere, hanc autem minuir).
Este duplo movimento, um de retrocesso, o outro de progresso, e que se funde num fenómeno único, resulta igualmente da definição dos princípios, da sua posição relativa e dos seus papéis: aqui ainda não é possível qual¬quer equívoco, não há o mínimo lugar ao arbitrário. O facto é de uma evidência objectiva e de certeza matemática; é o que chamaremos uma LEI.
3. A consequência desta lei, que podemos dizer necessária, é ela mesma necessária: é que sendo o princípio de autoridade o primeiro a aparecer, ser¬vindo de matéria ou de assunto para a elaboração da Liberdade, da razão e do direito é pouco a pouco subordinado pelo princípio jurídico, raciona¬lista e liberal; o chefe de Estado, inicialmente inviolável, irrespon¬sável, absoluto, como o pai na família, torna¬ se sujeito da razão, primeiro súb¬dito da lei, finalmente simples agente, instrumento ou servidor da própria Liberdade.
p)Ixion – Herói Tessálico, rei dos Lápitas. Casou com Dia, filha do rei Dejoneu, morto por Ixion depois do casamento. Tornou-se assim culpado de um crime terrível, de que só Zeus se apiedou. Mas, uma vez purificado, tentou violar Hera e Zeus formou uma núvem à imagem da deusa, nascendo dessa união Centauro, pai dos Centauros. Zeus castigou Ixion, condenando-o a girar eternamente no Tártaro, atado a uma roda inflamada. (N.T.)
q) Em latim, no original. Aquele que gera; o pai. (N.T.)
r)Em latim, no original. É necessário que aquela cresça, e que, porém, esta diminua. (N.T.)
1. Notareis, desde logo, que os dois princípios, a Autoridade e a Liber¬dade, de que vem todo o mal, se mostram na história em sucessão lógica e cronológica. A Autoridade, como a família, como o pai, genitorq), aparece primeiro: ela tem a iniciativa, é a afirmação. A Liberdade racional vem depois: é a crítica, o protesto, a determinação. O facto desta sucessão resulta da própria definição das ideias e da natureza das coisas, e toda a história dá testemunho disso. Aí, não há inversão possível, não há o míni¬mo vestígio de arbítrio.
2. Uma outra observação não menos importante, é que o regime autori¬tário, paternal e monárquico, se afasta tanto mais do seu ideal, quanto a família, tribo ou cidade se torna mais numerosa e o Estado cresce em população e em território: de maneira que quanto mais a autoridade se extende, mais se torna intolerável. Daí as concessões que ela é obrigada a fazer à liberdade. – Inversamente, o regime de liberdade aproxima¬ se tanto mais do seu ideal e multiplica as suas condições de sucesso, quanto o Estado aumenta em população e em extensão, as relações se multiplicam e que a ciência ganha terreno. De início é uma constituição que todos recla¬mam; mais tarde será a descentralização. Esperem um pouco, e vereis surgir a ideia de federação. De modo que se pode dizer da Liberdade e da Autoridade o que João Baptista dizia dele e de Jesus: Illam oportet crescere, hanc autem minuir).
Este duplo movimento, um de retrocesso, o outro de progresso, e que se funde num fenómeno único, resulta igualmente da definição dos princípios, da sua posição relativa e dos seus papéis: aqui ainda não é possível qual¬quer equívoco, não há o mínimo lugar ao arbitrário. O facto é de uma evidência objectiva e de certeza matemática; é o que chamaremos uma LEI.
3. A consequência desta lei, que podemos dizer necessária, é ela mesma necessária: é que sendo o princípio de autoridade o primeiro a aparecer, ser¬vindo de matéria ou de assunto para a elaboração da Liberdade, da razão e do direito é pouco a pouco subordinado pelo princípio jurídico, raciona¬lista e liberal; o chefe de Estado, inicialmente inviolável, irrespon¬sável, absoluto, como o pai na família, torna¬ se sujeito da razão, primeiro súb¬dito da lei, finalmente simples agente, instrumento ou servidor da própria Liberdade.
p)Ixion – Herói Tessálico, rei dos Lápitas. Casou com Dia, filha do rei Dejoneu, morto por Ixion depois do casamento. Tornou-se assim culpado de um crime terrível, de que só Zeus se apiedou. Mas, uma vez purificado, tentou violar Hera e Zeus formou uma núvem à imagem da deusa, nascendo dessa união Centauro, pai dos Centauros. Zeus castigou Ixion, condenando-o a girar eternamente no Tártaro, atado a uma roda inflamada. (N.T.)
q) Em latim, no original. Aquele que gera; o pai. (N.T.)
r)Em latim, no original. É necessário que aquela cresça, e que, porém, esta diminua. (N.T.)
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