Ponham-se na pele de um incendiário. Estão em casa a encher garrafões de Água do Luso com gasolina e a puxar o lustro aos very-lights, muito enfadados por não terem encomendas de empreiteiros, autarcas, comandantes de bombeiros ou proprietários de "meios aéreos" (criaturas bizarras aparentadas com o avião). Então, decidem atear umas labaredas por iniciativa própria só para entreter e para não perder o jeito. Mas antes é preciso escolher o local que, por uma conjugação de vários factores (tipo de vegetação, falta de qualidade dos acessos, temperatura) dê garantias de um incêndio de categoria. E que fazem? Parece-me óbvio. Vão ver a previsão do risco de incêndio.
Porque é só aos incendiários que tal coisa interessa. Para o resto de nós (descontando os incendiários infiltrados entre os cidadãos de boa índole) o mapa garrido só serve para ficarmos a saber que, nos meses mais quentes do Verão, temos um país pintado de vermelho com ocasionais manchas alaranjadas, se tivermos sorte. E não fará grande diferença saber se o risco de incêndio para um determinado distrito será máximo, muito elevado ou elevado, pois não? Será que, sem figuras coloridas, não sabíamos já que, sobretudo em Julho e Agosto, todo o país é uma braseira em potência? Resolve alguma coisa? Não resolve. Quanto muito, facilita a vida a quem quiser dar ao fósforo, bastando-lhe olhar para o mapa para perceber onde as condições serão mais propícias. Visto que a época de incêndios está praticamente encerrada, aproveito para deixar sugestões singelas a aplicar por quem de direito no próximo Verão.
Sugestão nº 1: Todos os distritos no mapa do risco de incêndio deviam ser pintados de verde. E a legenda da cor verde devia ser alterada de “risco de incêndio reduzido” para “risco de incêndio inexistente de tal forma que, quem tentar soltar fogos neste distrito será com certeza um valente palerma.” Em alternativa, e para escapar à monotonia cromática, poderia haver uma cor abaixo do verde. O azul, por exemplo, com a legenda: “risco de incêndio inexistente a não ser que seja ateado por paneleiros e cabrões.” É assim que se combatem os incendiários. Atingindo-os no orgulho.
Sugestão nº 2: Ocasionalmente, em dias de chuva torrencial (porque acredito que um dia voltaremos a tê-los), poder-se-ia voltar aos vermelhos e ao laranja. Assim, o incendiário consultaria o mapa, pegaria nas ferramentas do seu mester e pôr-se-ia a caminho. Até poderia olhar para o céu, abrir o guarda-chuva, calçar as galochas e achar que as moitas talvez não ardessem com um tempo daqueles mas isso seria altamente improvável porque, na sociedade em que vivemos, o que nos chega pela comunicação social sobrepõe-se sempre ao senso comum. Depois, era só alertar as forças policiais para procurarem indivíduos de impermeável a tentar acender fósforos em manchas florestais, ensopados dos pés à cabeça.
E ninguém diga que não faço a minha parte na protecção das florestas.
http://www.inepcia.com/
Porque é só aos incendiários que tal coisa interessa. Para o resto de nós (descontando os incendiários infiltrados entre os cidadãos de boa índole) o mapa garrido só serve para ficarmos a saber que, nos meses mais quentes do Verão, temos um país pintado de vermelho com ocasionais manchas alaranjadas, se tivermos sorte. E não fará grande diferença saber se o risco de incêndio para um determinado distrito será máximo, muito elevado ou elevado, pois não? Será que, sem figuras coloridas, não sabíamos já que, sobretudo em Julho e Agosto, todo o país é uma braseira em potência? Resolve alguma coisa? Não resolve. Quanto muito, facilita a vida a quem quiser dar ao fósforo, bastando-lhe olhar para o mapa para perceber onde as condições serão mais propícias. Visto que a época de incêndios está praticamente encerrada, aproveito para deixar sugestões singelas a aplicar por quem de direito no próximo Verão.
Sugestão nº 1: Todos os distritos no mapa do risco de incêndio deviam ser pintados de verde. E a legenda da cor verde devia ser alterada de “risco de incêndio reduzido” para “risco de incêndio inexistente de tal forma que, quem tentar soltar fogos neste distrito será com certeza um valente palerma.” Em alternativa, e para escapar à monotonia cromática, poderia haver uma cor abaixo do verde. O azul, por exemplo, com a legenda: “risco de incêndio inexistente a não ser que seja ateado por paneleiros e cabrões.” É assim que se combatem os incendiários. Atingindo-os no orgulho.
Sugestão nº 2: Ocasionalmente, em dias de chuva torrencial (porque acredito que um dia voltaremos a tê-los), poder-se-ia voltar aos vermelhos e ao laranja. Assim, o incendiário consultaria o mapa, pegaria nas ferramentas do seu mester e pôr-se-ia a caminho. Até poderia olhar para o céu, abrir o guarda-chuva, calçar as galochas e achar que as moitas talvez não ardessem com um tempo daqueles mas isso seria altamente improvável porque, na sociedade em que vivemos, o que nos chega pela comunicação social sobrepõe-se sempre ao senso comum. Depois, era só alertar as forças policiais para procurarem indivíduos de impermeável a tentar acender fósforos em manchas florestais, ensopados dos pés à cabeça.
E ninguém diga que não faço a minha parte na protecção das florestas.
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