quarta-feira, outubro 04, 2006

Face às graves ameaças do governo: greve geral

Penso que se deveria começar a construir uma plataforma do movimento social para uma greve geral. Mas uma greve geral, não «simbólica», uma greve geral sob controlo dos trabalhadores. Existem modalidades de mobilização e de execução de greve que têm um efeito devastador e são possíveis, desde que os trabalhadores estejam conscientemente a decidir ir para este processo. Se um ou vários sindicatos decretarem greve por tempo indeterminado, os trabalhadores desse sector podem decidir em plenários de empresa ou serviço aderir no concreto em tal ou tal dia. Como a convocatória se mantém, o plenário até pode decretar greve para o dia seguinte, porque,de qualquer modo, já está coberto pelo pré-aviso legal do sindicato. Com efeito, a greve perde muito da sua eficácia com o pré-aviso que tem de ser efectuado com mais de 48 h. de antecedência, etc. Nos serviços que requeiram por lei serviços mínimos, são os trabalhadores que se devem organizar em comissões de greve, para assegurar esses serviços mínimos, não é o patronato ou governo que os organizam. A requisição civil não pode ser levada cabo pelo governo, sem que haja algumas condições muito específicas, sem que existam determinados perigos objectivos para a saúde pública, etc. que estão muito claramente delimitados. A maior parte do funcionalismo público não está sujeito a um mecanismo de serviços mínimos numa greve... nem todos são médicos ou enfermeiros ou trabalhadores das brigadas de limpeza municipal, etc. Portanto, uma greve geral de toda a Administração Pública, por tempo indeterminado, até que o governo retire as propostas atentatórias dos direitos e da qualidade de vida dos trabalhadores pode ser realizada, tendo em conta que ela se efectivará nos própios locais de trabalho, em plenários em que os trabalhadores determinarão se vão para a greve ou não tal ou tal dia.
Manuel Baptista

http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=109700&cidade=1

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