A ofensiva continua, por parte de um governo apostado em fazer tábua rasa de todas as garantias e direitosdos trabalhadores. Apenas uma greve geral combativapoderá responder de forma adequada a esta ofensiva. Muitas pessoas não acreditariam e julgariam que estávamos a fazer demagogia se lhes tivéssemos dito há dois anos atrás que um Governo do PS faria estas coisas. Porém, nós não tínhamos qualquer ilusão. Oproblema é que os trabalhadores tiveram-nas e algunsainda as têm; é assim que eles conseguem ter odesplante de fazer uma política exactamente ao contrário das expectativas dos milhões de pessoas que querem acreditar na «sinceridade» dos nossospolíticos. O que o Governo está a fazer, resume-se a tornar opreço do trabalho muito mais barato, chamam a issotornar o país «competitivo», para oferecê-lo ao grandecapital. No caso da Função Pública e Administração Pública, emparticular, dos Educadores e Professores do Ensino nãoSuperior, estão a realizar uma «varredela» nos estatutos e regulamentos. Querem «limpá-los» de todas as clausulas que permitiamque os trabalhadores tivessem algumas garantias,pudessem estar muito menos sujeitos à precariedadelaboral e social que nos outros sectores. Só assim conseguem articular o ataque geral aossalários e condições de vida dos trabalhadores. Aoatacarem os trabalhadores da educação, destruindo oseu estatuto, substituindo-o por um estatuto de«escravidão», estão a destruir um «mau» exemplo, quepoderia servir de apoio às reivindicações de outrascarreiras da Administração Pública (tanto central comoautárquica) para estas obterem as mesmas garantias edireitos. Globalmente, têm de tornar o vínculo no sector«Estado» tão precário quanto possível, só assimpodendo obter uma rendição completa e incondicionalpara todos os outros sectores, desde a indústria aos serviços. É com demagogia que os sectores do capital, comideólogos disfarçados de «economistas» ou de«especialistas de coisa nenhuma», comparamconstantemente as supostas «regalias» dosfuncionários, com as dos restantes trabalhadores. É umexercício que tem sido eficaz e tem rendido umaausência de compreensão ou mesmo hostilidade dosoutros sectores, face às difíceis lutas dos trabalhadores dos diversos sectores do Estado. A Associação de Classe Interprofissional,posiciona-se claramente a favor de todas as lutaspela defesa dos estatutos, de condições dignas e doemprego, quer nos sectores do Estado, quer naactividade privada. A AC-Interpro alerta os trabalhadores para doisperigos: o fraccionamento das lutas e a renúncia adiscutir nas bases, em todos os locais de trabalho, oque fazer, como lutar. Considerar que a luta dos professores não nos dizrespeito se não somos professores, que a luta dosenfermeiros também não, se não formos enfermeiros, eque as lutas dos cantoneiros municipais só interessama estes, etc. é o caminho certo para a derrota. Todo o descontentamento nas diversas profissões esectores da Administração Pública, tem os mesmosmotivos básicos: Todos são atacados nos seus direitos. São-lhes congelados (diminuídos) os ordenados. São mantidos em contratos precários ouforçados a contrato individual de trabalho. Sãodestituídos de perspectivas de carreira dignas.São-lhes retirados os direitos e garantias desde há muito tempo consagrados. O sindicalismo reformista e conciliador, estandosempre pronto a «negociar» mesmo quando do outro ladonão existe a mínima vontade de negociar, mostra comoos trabalhadores, por continuarem passivamente emsindicatos que já foram outrora combativos, estão aperder batalha após batalha e vão continuar, enquantonão se desviarem dos burocratas, que apenas estãointeressados em simular um combate, mas não emcombater a sério. Pelos motivos acima apontados, defendemos umaparticipação esclarecida e combativa nas ocasiões deluta que se apresentem, com especial destaque para asjornadas de 5 de Outubro e de 12 de Outubro (contra oroubo nas pensões de reforma, contra a precariedade,contra a destruição das carreiras nos diversossectores de empregos públicos). Mas a real mobilização será junto dos nossos/ascolegas de trabalho, organizando a núcleos da nossaAssociação dentro das empresas e serviços, quer sejamprivados ou do Estado. Faz falta uma confederação verdadeiramente sindical,verdadeiramente anticapitalista e antiautoritária. Anossa Associação propõe a todos/as os/as rabalhadoresque adiram à AC-Interpro e se organizem connosco numaalternativa de combate e de classe, de acção directae de democracia de base, não enfeudada a quaisquergrupos ou partidos. Só se conseguirá mudar a correlação de forças com umagreve geral combativa, um dia por semana senecessário, até que o governo retire as medidasgravosas contra a classe trabalhadora.
Associação de Classe Interprofissional
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