sexta-feira, outubro 20, 2006

Os 70 anos da abertura do campo de concentração do Tarrafal

O campo de Concentração do Tarrafal
A 23 de Abril de 1936 era oficialmente criado, por lei do regime de Salazar, a Colónia Penal do Tarrafal, vulgo campo de concentração do Tarrafal, situada no lugar de Chão Bom, em Tarrafal de Santiago, Cabo Verde.
Destinava-se a presos políticos e a 18 de Outubro desse ano, partia de Lisboa a primeira leva de presos constituída, maioritariamente, por sublevados da armada, que se amotinaram no Tejo e tentaram zarpar para Espanha em apoio dos republicanos que defrontavam o levantamento armado fascista de Francisco Franco. Com estes marinheiros, cujo levantamento fora derrotado, vinham também insurrectos do 18 de Janeiro de 1934 – uma greve geral contra a fascização dos sindicatos, que teve expressão máxima na Marinha Grande, ocupada pelos sindicalistas que aí constituíram um soviete.A CPT funcionou até 31 de Janeiro de 1953, data em que saiu do Tarrafal o último preso.Pelo “campo da morte lenta” passaram presos de várias correntes políticas – comunistas, anarco-sindicalistas, sindicalistas-revolucionários, republicanos democratas (como o jornalista Cândido de Oliveira), mas também espanhóis derrotados na Guerra Civil, que se tinham internado em Portugal (na grande maioria, foram presos e entregues a Franco, como o grande poeta Miguel Hernández, e geralmente fuzilados), e também dois alemães anti-nazis. 32 prisioneiros portugueses - entre os quais o secretário-geral do PCP, Bento Gonçalves, e o principal líder sindicalista-revolucionário, Mário Castelhano – morreram no campo de Chão Bom.O campo foi reactivado nos anos 60, durante a guerra colonial, para receber presos oriundos das colónias onde se travavam guerras de libertação nacional contra o colonialismo português.(Texto retirado daqui)
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