terça-feira, janeiro 09, 2007

Exacto, Tirou-me as Palavras da Boca, ou dos Dedos

A situação presente dos professores portugueses encerra vários equilíbrios instáveis. A institucionalização de dispositivos de avaliação do professorado, por exemplo, pode acentuar a dependência e o controlo do corpo docente, em vez de contribuir para a emergência de uma verdadeira cultura profissional. A chave de leitura destes equilíbrios encontra-se na definição dos professores como funcionários ou como profissionais reflexivos, como técnicos ou como investigadores, como aplicadores ou como conceptores curriculares. (António Nóvoa, “Formação de Professores e Profissão Docente in Os Professores e a sua Formação, 1997, p. 27)
Sábias palavras que quase uma década volvida parecem proféticas. A parte destacada é particularmente lúcida e aplica-se como uma luva à forma como o Ministério quer colocar em prática o seu modelo de avaliação dos professores. Assim como as restrições à possibilidade de frequentar formação externa aos circuitos do ME (na prática, deixará de ser possível faltar para esse efeito), em conjugação com o aumento em 20 a 50% ou mais (conforme as reduções por idade) do horário de permanência nas Escolas para funções lectivas e não lectivas tornam praticamente impossível que os docentes escapem a ser meros funcionários, técnicos e aplicadores submissos das directrizes da tutela.
Investigação quando e como? E quanto a reflexão crítica é bom que se mantenha dentro dos limites do que é razoável para não perturbar a possibilidade de progressão.
A menos que resistam. Mas isso pode ter custos e a vários níveis.
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