domingo, janeiro 21, 2007

O Meu Problema com os “Jornais de Referência”

Por uma ou outra vez sugerem-me que envie esta ou aquela prosa para o cemitério das “Cartas ao Director” deste ou daquele jornal. Só o fiz até hoje - quanto muito - uma mão cheia de vezes nos últimos 10-15 anos e a verborreia nunca teve a dignidade de valer a impressão. A primeira e última vez que tive direito a um artigo de opinião publicado com destaque na principal página do Expresso para esse efeito faz quase 20 anos e um dia hei-de ver se me dei ao trabalho de guardar o recorte porque me parece que continuo a concordar com aqueles parágrafos. Mais recentemente, um texto saiu num dos primeiros números da Pontos nos ii, mas como se sabia a sorte da revista estava marcada desde o seu início.
Uma das últimas vezes que perdi tempo a tentar furar a muralha da opinião publicada doi a propósito de uma coluna de Miguel Sousa Tavares no Expresso, em que o escriba e consciência moral deste universo do lado de cá perorava do alto da sua autoridade global sobre todas as matérias contra os professores. Acho que já aqui escrevi sobre isso e sobre o destino da dita tentativa de resposta que acabou por servir aqui como post há uns belos meses, pois no Expresso, como em muitos outras publicações ditas “de referência” o direito ao contraditório dos chamados “cidadãos anónimos” (embora eu tenha nome oficial, pelo menos o arquivo de Lisboa passou-me um bilhete de identidade que o parece confirmar) limita-se a uma caixa baixa encoberta e longe dos olhares mais superficiais ou puramente ao lixo. Então quando se trata de prima-donas irascíveis como MST nem vale a pena termos grande esperança. Quando alguém passa pelo crivo e sobe o tom, há logo borrasca.
Na última semana - como acredito que em outras - mais uma colega se sentiu ofendida pelas driatribes de alguém que recebe por cada coluna semanal mais do que o salário mensal de um professor no início de carreira (é verdade, a informação foi-me confirmada por fonte mais do que segura). De seu nome Dalila Cabrita Mateus, nem a explicitação de um doutoramento lhe valeu o direito ao “contraditório”. Fez então a carta circular pela net e deixou-a num fórum do Jornal de Notícias.
E é a isto que estamos resumidos numa luta desigual contra uma máquina de comunicação ao serviço do ME que “planta” as notícias que quer e quando quer, beneficiando da simpatia de jornalistas muito amistosos e da anuência de opinadores sapientes sobre tudo “em geral”. E nesse jogo eu já não estou para entrar de forma ingénua, como material descartável ou reciclável com um “delete”. Se os outros recebem gordos réditos para baboseirar a seu bel-prazer e exorcizar os seus fantasmas a gosto, porque hei-de eu submeter-me ao critério “editorial” ou “jornalístico” de um qualquer estagiário amedrontado pelo risco de perder o lugar em tempos de crise?
No dia em que a disputa for de olhos nos olhos e/ou em igualdade, mesmo que episódica e irrepetível, de circunstâncias eu penso nisso. Até lá, não estou para fingir que acredito numa verdadeira liberdade de expressão em órgãos de comunicação, só porque têm uns fóruns online no canto do seu site e nomeiam alguém como “provedor do leitor”.
Para isso fico no meu cantinho, a olhar para o meu umbigo. Pobrezinho mas honrado e sem limitação ou sequer moderação de comentários e/ou contraditório.
http://educar.wordpress.com/

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